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História Algum lugar do multiverso (spideysterio) - Capítulo 13


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Notas do Autor


Boa noite, queridos. Todos em casa, se cuidando direitinho na quarentena? Espero que sim. Fiquem com esse MEL de capítulo, que eu falei que íamos começar a andar realmente com a história hihi

Capítulo 13 - Retorno


Fanfic / Fanfiction Algum lugar do multiverso (spideysterio) - Capítulo 13 - Retorno

O sentimento que Peter tinha dentro de si antes — tão recentemente descoberto como paixão — retornou na hora em que o piloto anunciou que o avião estava prestes a pousar. Mas ele era diferente agora, menos como um aperto agradável no peito, um calor subindo pelas entranhas. Agora era mais como um arrepio constante, uma sensação como de ter um presságio, esperar que algo ruim, fora do comum fosse acontecer.

Era como se seu coração estivesse ilhado sob um toldo numa tempestade, observando o caos passar bem ao lado. Mas ainda assim ele não podia evitar procurar em todos os lugares por uma silhueta como a de Quentin. Procurava em todas as pessoas os olhos claros, o sorriso amigável, o corpo forte, mas não o via em lugar algum. É claro que não.

Mas uma outra silhueta, pequena e ágil, veio correndo em sua direção assim que ele passou pelo portão de desembarque. Ele imediatamente empurrou sua mala para o lado e jogou sua mochila no chão para segurar Morgan em seus braços, abraçando-a apertado.

— Peter! Você voltou! — sua voz doce derreteu todo tipo de preocupação que havia dentro de Peter, que sorria de orelha a orelha.

— Que saudade de você, pequena. Você sentiu saudade de mim também?

A garota assentiu com um sorriso. Ele gostaria de ficar para sempre ali, parado com Morgan no colo, apenas apreciando a energia pura que emanava dela, mas ele ainda estava no meio do corredor, atrapalhando a saída de todos que passavam pelo portão. Fazendo um certo malabarismo, ele se abaixou para pegar sua mochila e a jogou sobre o ombro, agarrou sua mala e correu para o lado de onde Morgan havia vindo, identificando tia May, Pepper e Happy observando a cena com expressões divertidas.

— Estou vendo que eu não significo mais nada para você, não é? Morgan vem primeiro em tudo. — exclamou tia May em tom de brincadeira, e Peter a abraçou de lado, se recusando a soltar a garota em seus braços.

— Oi, May. — ele suspirou com a cabeça apoiada no ombro dela. Ela afagou suas costas com carinho; ele se sentia realmente em casa.

— Eu também fui trocada, May, tudo agora é Peter. — Pepper riu ao lado, e Peter sorriu e inclinou a cabeça respeitosamente para ela.

— Obrigado por terem vindo, Sra. St-Pepper. Mas realmente não precisavam.

Pepper mantinha um sorriso amigável no rosto, e era sempre tão gentil e compreensiva. Peter sentia-se imensamente grato por ter o apoio dela, mesmo quando ela poderia ter escolhido se fechar depois da morte de seu marido.

— Adivinhe quem insistiu de novo? — Peter encarou Morgan, que enfiou o rosto em seu ombro. — Mas nós também queríamos. Encare como um agradecimento por tudo que fez na Europa.

Um passo atrás de Pepper, Happy assentiu solenemente com a cabeça. Sua expressão estava serena, o que Peter já considerou um avanço, depois de tê-lo visto nervoso e sisudo tantas vezes. Peter inclinou a cabeça outra vez, depois olhou brevemente sobre seu ombro, para encontrar Ned já reunido com seus pais. Os outros colegas estavam dispersos pelo saguão, mas MJ não estava em nenhum lugar que ele pudesse ver. Antes de sair, fez alguns sinais que só Ned e ele entenderiam, avisando que mandaria uma mensagem depois.

— Você quer nos contar o que aconteceu na Europa ou é confidencial demais para nós? Ou talvez você não queira falar agora... — Pepper tentou quando estavam todos confortavelmente sentados no carro. Ela olhava para Peter sobre seu ombro, através do encosto do banco.

— Eu... prefiro não falar agora, está tudo bem? — Peter suspirou, lembrando de um milhão de coisas em um segundo, todas elas envolvendo um par de olhos profundamente azuis. Doía um pouco, principalmente porque algumas das lembranças eram cenas do pesadelo que tivera algumas horas atrás.

— Claro, leve seu tempo. Então para onde quer ir agora? Quer descansar, sair para comer...? — ela continuava um pouco virada no banco, Happy dirigindo com classe através do estacionamento e para fora do aeroporto, a paisagem bastante bucólica, tão diferente do centro movimentado de Nova York.

Peter tinha novamente uma de suas mãos apertada fortemente entre os dedos pequenos e gorduchos de Morgan, na cadeirinha ao seu lado, e era a única coisa que impedia sua mente de desligar e divagar. Mesmo assim, ele não fazia ideia de onde queria ir. Ir para casa e dormir numa cama de verdade, depois de tantas horas esmagado numa poltrona de avião, parecia tentador, mas não exatamente... certo. Algo dentro de si o estava deixando inquieto.

— Eu não sei... para onde vocês iriam agora? — Pepper pareceu confusa com a pergunta, sem saber o que dizer, e se virou para Happy. Encontrando o garoto no banco de trás através do retrovisor, ele respondeu:

— Iríamos à sede dos Vingadores, Sra. Stark tem que cuidar de alguns documentos.

Em um instante, uma faísca de ideia passou por sua mente. Parecia um plano estúpido, sem qualquer certeza de que daria certo, mas seu coração dizia que era o que ele deveria fazer.

— Eu... gostaria de ir com vocês, então. Há algum tempo não vou lá, posso descansar e brincar com Morgan. — ele apertou as mãozinhas da garota que seguravam a sua e voltou o rosto para tia May, sentada ao seu lado, buscando sua aprovação. Ela assentiu em silêncio, e Peter olhou em frente ainda em tempo de ver Pepper e Happy trocarem alguns olhares confusos e preocupados.

No fim, eles assentiram também e a viagem até a nova torre dos Vingadores, afastada de Manhattan, foi tranquila, embalada por rock dos anos 80 tocando baixo no rádio, legado de Tony Stark. Peter se permitiu apenas observar a paisagem, os sobrados e ruas tranquilas, algumas bandeiras tremulando nas sacadas com a proximidade da Independência. De repente, os campos ficaram mais vazios, as casas dando lugar a árvores e arbustos, e o largo edifício dos Vingadores apareceu no fim da estrada. Peter sentiu uma pontada em seu estômago, mas resolveu ignorá-la.

Quando Happy estacionou o carro em frente à porta de entrada, Pepper e May saíram juntas, conversando baixo, e Peter se adiantou para o porta-malas antes que Happy tivesse a oportunidade de pegar suas malas e talvez fazer perguntas. Não adiantou muito, uma vez que ele se aproximou do mesmo jeito, tirando Morgan da cadeirinha.

— Eu disse que era inútil fugir de Fury. — não havia dureza nem zombaria em sua voz, mas um tom de pesar, como se preferisse estar errado. Peter sustentou seu olhar por um instante, suspirando, e segurou a mão que Morgan. Estava pronto para dar as costas e entrar no prédio quando Happy completou: — Eles já voltaram, caso queira vê-los.

Peter engoliu em seco, sua respiração saindo do ritmo no mesmo instante. Ele assentiu e entrou com Morgan de cabeça baixa, seu coração batendo tão forte que parecia querer estourar o peito. Todo o ponto de ir até a torre dos Vingadores era talvez encontrar Quentin, mas agora que sabia que ele realmente estava lá, Peter sentia-se nervoso.

Em uma das espaçosas salas de espera no interior do prédio, ele deixou suas malas e se sentou com Morgan no chão, ela mostrando o progresso que havia feito em seus livros de colorir e ele contando pequenas histórias de coisas interessantes que havia visto no pouco tempo livre que tivera na Europa. Por algum tempo, seus olhos se direcionavam constantemente para a porta, esperando que Quentin fosse aparecer a qualquer momento, mas sua mente acabou se dispersando durante uma das histórias, Morgan perguntando cheia de curiosidade se ele havia entrado em alguma loja de brinquedos em Paris, e seu coração se acalmou.

Depois do que pareciam horas de espírito leve, Peter estava deitado no chão, brincando com Morgan de fazer um traço para que ela completasse o desenho, lápis e canetinhas espalhados por todo o lado. O som quase imperceptível de alguém limpando a garganta rompeu a atmosfera como uma gota caindo na água tranquila. Peter olhou na direção da porta calmamente, sua mente há muito afastada de toda a preocupação, para encontrar Quentin encostado no batente, um sorriso tranquilo em seus lábios.

Peter pensava que ver Quentin faria seu coração explodir, sua pressão subir, suas mãos suarem. Mas vendo-o ali, finalmente, seu rosto e postura tão relaxados, vestindo jeans escuros e uma camisa preta florida, seus cabelos cuidadosamente penteados para trás, seus olhos azuis tão serenos, Peter sentiu-se calmo. Feliz. Como se estivesse voltando para casa pela segunda vez naquele dia.

— Me disseram que você estava no prédio. Poderia ter me procurado. — Quentin falou, e só então Peter sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Não sabia se você queria me ver, pensou. Quentin entrou na sala a passos vagarosos, sentando-se em uma das cadeiras próximas de onde os dois estavam.

— Desculpe, fiquei entretido aqui com ela. — o garoto sorriu, só então percebendo a forma como Morgan estava olhando para Quentin. Um pouco tímida, mas curiosa como sempre, seus olhos castanhos enormes e brilhantes. Ele entendia bem o sentimento. — Quentin, essa é a Morgan. Filha do Sr. Stark.

Houve um instante em que Quentin hesitou, um lampejo passando por seus olhos, antes que ele sorrisse também e fizesse com o polegar um carinho na bochecha gordinha da menina.

— Morgan, esse é Quentin. — abaixando-se e sussurrando para ela, mas olhando o homem diretamente, ele acrescentou: — Ele é um super-herói, sabia? O nome dele é Mysterio.

Os olhos de Morgan brilharam mais. Ela gostava de super-heróis porque seu pai era um, mesmo que tivesse passado tanto tempo fingindo não ser. Quentin riu e fez um sinal de silêncio para ela, desencadeando uma risadinha tímida.

— Prazer em conhecer você, Morgan. — ele se abaixou perto de Peter, seus rostos tão próximos por um instante que ele prendeu a respiração. Quentin puxou algumas das folhas que estavam no chão e examinou os desenhos de perto com uma expressão falsamente séria. — Foi você que fez esses? São muito bonitos, você tem talento.

Ela riu de novo e murmurou um “obrigada”, escondendo seu rosto no peito de Peter, que afagou seus macios cabelos castanhos.

— Acho que está na hora de eu ir embora, pequena. — disse o garoto, e ela imediatamente fez biquinho. Ele não se deixou abalar pela fofura e começou a juntar os lápis espalhados. — Já está tarde. Vou levar você até sua mãe.

Quentin juntou algumas canetas próximas dos seus pés e as entregou para Peter, o rápido contato entre seus dedos fazendo a pele do garoto formigar.

— Tem alguns quartos perto das áreas de treinamento, eles me colocaram em um por enquanto. Estarei esperando você. Fim do corredor. — Quentin disse baixo o suficiente para que Morgan não o ouvisse e saiu da sala com um sorriso.

Peter sentiu-se perdido por um instante, mas logo terminou de juntar os materiais de desenho, os livros e as folhas e saiu com Morgan procurando por Pepper. Ele levou algum tempo até encontrá-la, mas uma vez que estava sozinho de novo, ele correu pelos corredores relativamente silenciosos até encontrar a ala dos quartos. A tarde estava quase no fim, a luz alaranjada do pôr-do-sol pintando as paredes pelas pequenas janelas. Peter hesitou diante da última porta do corredor, clarões do pesadelo ainda em sua mente. Ele chacoalhou a cabeça, focando na forma gentil com que Quentin o havia tratado apenas minutos antes. Ele bateu.

E um Quentin de expressão ainda mais gentil abriu a porta, convidando-o silenciosamente a entrar.

— Pode se sentar. — Quentin apontou para a cama de lençóis acinzentados, ainda perfeitamente arrumada, e Peter hesitou de novo. Por um milésimo de segundo, pensamentos inapropriados inundaram sua mente, mas ele rapidamente os trancou em algum lugar e se sentou, por fim, na beirada da cama. — Você demorou, achei que não vinha.

— Eu... demorei a achar a Sra. Stark, só isso. — o pensamento de que Quentin ficara todo o tempo esperando, ansiando que ele viesse, provocava sensações estranhas dentro de Peter. — Por outro lado... vocês voltaram rápido. Achei que fossem ficar algum tempo para discutir a missão, escrever relatórios ou o que quer que aconteça depois da batalha.

Quentin riu, sentado na modesta cadeira da escrivaninha, um cotovelo apoiado no descanso de braço, as pernas um pouco abertas, um ar misterioso o rondeando.

— Apenas eu e Fury viemos. Maria Hill ficou para fazer essas coisas, ela parece gostar do trabalho. Precisávamos estar aqui para discutir com você o próximo passo do plano. — seu tom ficou sarcástico no final, como se achasse tudo um exagero, como na noite do ataque em Praga, em que eles foram ao bar quando Fury queria discutir o futuro. Peter descobriu que apreciava esse tipo de pensamento. — Mas eu também queria voltar.

Peter o observava em silêncio, não sabia bem o que falar. Quentin o observou por um instante também, seu sorriso assumindo uma curva um pouco mais maliciosa.

— Mesmo que eu possa me transportar para onde bem entender, apesar da distância, meus poderes não estão nas melhores condições depois do que aconteceu em Praga. — ele se levantou e Peter prendeu a respiração involuntariamente enquanto ele caminhava com calma, até sentar-se ao seu lado na cama. — Por isso quis vir com Fury, foi estranho saber que eu não poderia simplesmente procurar você pela cidade quando desse vontade.

Peter franziu as sobrancelhas, confuso. Ele não poderia ter ouvido certo. Pressionando os lábios, ele sondou a expressão de Quentin: ainda era gentil, mas tinha no fundo algo escuro, quente. Peter chegou à conclusão de que ainda estava no avião e que tudo aquilo era continuação do pesadelo, a qualquer momento o quarto viraria fumaça verde e Quentin o estrangularia.

— Você veio... porque queria me ver? — Peter perguntou apenas por formalidade, e Quentin sorriu.

— Sim, qual o problema? — ele levantou uma mão e Peter recuou, achando que havia encontrado a confirmação de que ainda estava no pesadelo, mas isso apenas fez o sorriso de Quentin se alargar mais. Seu polegar pressionou contra sua testa franzida, massageando a área em pequenos círculos até que as linhas desapareceram. Sua mão então deslizou pelo rosto de Peter, afagando sua bochecha. Por impulso, Peter se moveu um pouco mais perto do calor da palma. — Você não queria me ver também?

Peter fez um esforço para olhar Quentin nos olhos, suas írises claras tomadas pelas sombras que o sol fazia através das cortinas cinzentas. Peter queria tocar, passar a mão por seu cabelo, mas ainda tinha medo de algo que nem ele sabia o que era, mesmo que Quentin já o estivesse tocando. Ele assentiu com a cabeça para a pergunta, os dedos de Quentin deslizaram de sua bochecha para seu queixo, trazendo-o para mais perto.

— Posso beijar você? — sem tempo de se preocupar com tudo o que aquilo significava, Peter assentiu outra vez, seus olhos praticamente fechando sozinhos. Quentin riu baixinho e Peter viu apenas sua silhueta envolta em sombras e luz se inclinando sobre ele, seus narizes se tocando por um breve momento.

Então os lábios dele estavam sobre os seus, primeiro num beijo puro, até que os lábios de ambos se abriram o suficiente para aprofundar o contato, Peter finalmente levando suas mãos até os braços fortes de Quentin, agarrando seus ombros como se fosse seu último momento de vida. Quentin levantou sua outra mão e segurou o rosto do garoto o mais perto que conseguia, sua língua pedindo permissão ao suavemente lamber o lábio inferior dele. Peter deixou que ele entrasse, sua própria língua indo ao encontro, deslizando sobre a de Quentin e arrancando um suspiro do fundo de seu peito, o qual o homem recompensou com uma mordida suave em seu lábio.

Peter levantou as mãos e saciou seu desejo de tocar o cabelo de Quentin, emaranhando seus dedos nos fios castanhos e destruindo o penteado cuidadoso. As pontas dos dedos de Quentin também encontraram seu cabelo, massageando os fios curtos em sua nuca. Peter suspirou outra vez, deslizando na cama para mais perto, sempre mais perto, praticamente sentando no colo de Quentin. Ele sentiu o outro sorrir no beijo e não conseguiu evitar de sorrir também, seus lábios perdendo contato por um momento antes de Quentin beijar o canto da sua boca, depois o meio, depois se afastar completamente.

Peter continuou com os olhos fechados por um instante, suas mãos deslizando pelos braços de Quentin até seus pulsos, suas mãos ainda segurando seu rosto, seu polegar alisando seu lábio inferior.

— Bom? — Quentin perguntou, voz suave como uma pétala.

Peter assentiu, os olhos ainda fechados, se segurando para não sorrir como um idiota.

— Não vai me falar mais nenhuma palavra, só balançar a cabeça? — Quentin perguntou divertido, puxando Peter para fora de seu transe.

— Eu... acho que preciso ir embora. — as palavras rolaram de sua língua antes que ele pudesse controlá-las. Quentin riu outra vez, o som derretendo cada vez mais o pobre coração de Peter. Ele não se importaria de derreter até virar uma poça se isso significasse que Quentin continuaria rindo para sempre.

— Não era o que eu queria ouvir, mas tudo bem. Eu deixo você ir.

— Desculpa, é... minha tia. Ela ficou me esperando a tarde toda. — Peter tentou consertar a situação, mas Quentin apenas se inclinou e lhe deu um selinho, empurrando-o para fora da cama logo em seguida.

— Pode ir, mas prometa que vai voltar o quanto antes. — seu sorriso era tão bonito que Peter teve vontade de dizer para tia May voltar para casa e passar a noite toda lá. Mas apenas assentiu e saiu, seu coração batendo em seus ouvidos.


Notas Finais


Ugh muito fofos


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