História Aliança - Capítulo 6


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Categorias Haikyuu!!
Personagens Asahi Azumane, Chikara Ennoshita, Daichi Sawamura, Kei Tsukishima, Koushi Sugawara, Ryuunosuke Tanaka, Satori Tendou, Shouyou Hinata, Tadashi Yamaguchi, Tobio Kageyama, Ushijima Wakatoshi, Yuu Nishinoya
Tags Asanoya, Daisuga, Guerra, Haikyuu, Kagehina, Tsukiyama, Ushiten
Visualizações 31
Palavras 3.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oooiiii^^ aqui estou eu mais uma vez, linda maravilhosa, toda trabalhada no glamour, tá, parei. Enfim, aqui estou com mais um capítulo de aliança, não tenho muita coisa para falar aqui, então vamos ao que interessa:

Capítulo 6 - Mentiras para si mesmo


─ Está tudo bem? ─ o prateado perguntou, caminhando ao lado de seu rei.

─ Claro que estou bem, por que diabos não estaria?! ─ e mordeu o lábio inferior, virando o olhar, piscando para afastar lágrimas, mas Suga sabia que ele havia derramado-as, como indicavam seus olhos vermelhos e inchados. Que, inclusive, não eram o único indício de que mentia ao dizer que estava bem, juntamente com estes, o albino percebia olheiras arroxeadas sobre seus olhos, que carregavam uma expressão abatida e entristecida, guardadas sob uma barreira de raiva, que não era exatamente falsa, como revelavam suas mãos avermelhadas e feridas, e os ecos do rei descontando seus sentimentos na noite anterior, possíveis de ouvir dos aposentos do albino, do outro lado do corredor.

Sugawara adormecerá sob os fantasmas de lágrimas e gritos, baques de carne contra pedra, e a consciência que o rei ditador importava muito mais do que o alaranjado deixava transparecer.

─ Certo... Precisamos nos reunir para discutir nossas ações... ─ disse hesitante, testando a reação do menor.

─ Nos reunir com nossos guerreiros? ─ questionou, sem parar de caminhar. O prateado assentiu.

─ E com o rei Kageyama ─ concluiu. Hinata o encarou indignado.

─ Com aquele maldito babaca idiota desgraçado, filho da... ─ Suga o interrompeu:

─ Sei que está irritado com... o que aconteceu entre vocês, mas ainda sim, não utilize esse tipo de linguajar perto de mim ─ repreendeu, assumindo uma postura maternal subitamente. Hinata fez um movimento brusco de desprezo com a mão.

─ Ah Suga, por favor, eu não sou nenhuma criança, e você não é minha maldita mãe! ─ ele cerrou as mãos em punho, flutuando alguns centímetros acima do chão, com as bochechas vermelhas de raiva.

─ Ele é tão fofo quando está irritado ─ disse Tsukishima afetadamente as suas costas, ao lado de seu rei. O ruivo voltou ao chão, cruzando os braços, desviando o olhar dos olhos azulados do moreno.

Aqueles malditos olhos que uma vez demonstraram empatia, vulnerabilidade e bondade. Que mentira. Eles só conheciam desprezo, frieza e arrogância, assim como expressavam agora.

─ O quê faz aqui?! ─ rosnou. Kageyama quase se encolheu, mas se recuperou no último segundo.

─ Bem, eu moro aqui. Não por muito tempo, espero...

─ O quê quer dizer com isto? ─ interrogou, sentindo uma pontada de tristeza, que logo ignorou.

─ Cheguei a conclusão que prefiro meu castelo do que ficar aqui por mais tempo ─ e deu de ombros.

─ Aquele que está semi-destruído, quer dizer? ─ acusou, tentando recriar o sarcasmo ácido que o maior usava tão naturalmente.

─ Por que fala como se fosse minha culpa? Quer culpar alguém, culpe meu conselheiro e Shimizu Kiyoko ─ Tsukishima levantou ambas as sobrancelhas e franziu a testa.

─ Perdoe-me? Pelo que me recordo, não houve resistência da sua parte, quando propus isto ─ ele colocou a mão no peito, parecendo ofendido.

─ Quando me disse para abandonar meus criados? ─ disse aquilo olhando para Hinata, que franziu a testa.

─ Quando lhe disse para sobreviver ─ corrigiu.

─ E o que Shimizu Kiyoko tem haver com isto? ─ interrogou Suga, sentindo como se estivesse no meio do furacão que eram aqueles três.

─ Ela é responsável por defender meu castelo, conselheiro ─ respondeu o moreno, como se o mis velho já devesse saber disso. E realmente, ele sabia.

─ Tenho consciência de tal fato, rei Kageyama, mas também tenho consciência da eficiência inconsequente do General Escarlate. Talvez tenha feito a pergunta errada. ─ mesmo que o fato de colocar a culpa em outros seja ultrajante, quis completar, mas o albino era uma pesssoa sensata (na maior parte do tempo), e não cometeria tal nível de desrespeito a qualquer rei que não Shouyou ─ Adoraria saber como e por que Satori Tendou realizou tal ataque, não se perguntam isso?

─ Não tive muito tempo para pensar sobre tal fato, estava muito ocupado tendo que amputar minhas asas ─ ironizou, fazendo Hinata virar o rosto e cerrar os punhos. Kageyama percebeu o que havia falado e se sentiu mal por alguma razão.

─ O motivo é claro, abalar o rei, e de quebra matar alguns camponeses, dois coelhos com uma cajadada só ─ o de óculos disse em tom de brincadeira, recebendo olhares indignados em resposta ─ O quê?

─ Você não merece o Tadashi ─ sibilou Hinata.

Foram poucas as vezes que Tsukishima Kei ficou sem palavras.

A primeira foi a muito tempo, quando fora encaminhado a Hikari para receber treinamento especial de seu conselheiro. Aquele garoto era quase uma lenda, ainda nem havia alcançado a maior idade, mas já tinha a confiança do rei e da rainha em seus conselhos, e em algum tempo, (menos do que se esperava) do pequeno e curioso herdeiro do trono.

Tsukishima, por outro lado, ainda era um jovem em treinamento, para algum dia ser útil para Kageyama Tobio, com pouco mais de uma década de vida, óculos grandes demais para se rosto fino e língua muito afiada para seu próprio bem.

Mas não foi apenas um adolescente com maturidade superior à sua idade que encontrou.

Yamaguchi Tadashi era um aprendiz de criado pequeno, frágil, fraco, com cabelos bagunçados e rosto repleto de sardas, nunca se considerará particularmente especial. Tsukki duvidaria disto. Nunca imaginou que fosse um feitiçeiro, alguém capaz de dominar magia, capacidade rara até mesmo em um mundo de pessoas aladas, mas ali estava ele.

Seu primeiro encontro foi nos jardins do castelo, quando o moreno acidentalmente esbarrou no garoto de Kurayami, fazendo com que ambos caíssem e o de sardas derrubasse a cesta cheia de frascos de poções que levava consigo.

─ Ah não, Ah não! ─ gemeu, recolhendo-as apressadamente, sob o olhar embasbacado do loiro.

Aquele garoto tinha a pele morena como chocolate misturado com leite, mas as sardas, que adornavam seu rosto com tanta graça, o faziam parecer mais como um morango. Seus cabelos negro esverdeados pareciam combinar perfeitamente com o tom de seu rosto, recaindo sobre este, quase nos ombros do jovem aprendiz. Seus olhos poderiam ser comuns para a maioria, mas se não na cor, no sentimento que expressavam, Tsukishima viu magia. Eram tão ingênuos, bondosos, gentis e calorosos. Tudo que o dourado do loiro nunca possuiu. ─ Ahn... com licença, está tudo bem? ─ o moreno o tirou de seu torpor.

"Não olha por onde anda, garoto? O que alguém tão inútil assim faz no castelo de um rei?" Era o que responderia, mas as palavras se perdiam em sua garganta, a capacidade da fala apagada de sua mente por um momento.

─ Eu... ahn... estou ─ Falou depois de grande esforço. Yamaguchi suspirou aliviado, recolhendo o que levava e logo saindo da vista do loiro. Mas não de sua cabeça.

A segunda foi quando foi lhe dito que não merecia o encantador mago de sardas e olhos bondosos.

─ O quê... o... eu... Por que diabos diz isso?! ─ exclamou depois de abrir e fechar a boca por vários segundos.

─ Pode estar certo, Tsukishima ─ interrompeu o conselheiro lendário que assumiu seu posto antes da maior idade, com medo daquele discussão tomar proporções maiores. ─ Mas não imagino Ushijima Wakatoshi permitindo tal imprudência ─ e colocou a mão no queixo, pensativo. O loiro jogou os braços para o alto.

─ O amor é cego. E o poder é dividido em um casamento. ─ Suga emitiu um "ah" desanimado de compreensão.

─ Talvez devamos começar a chamá-lo de Rei Escarlate ─ comentou, revirando os olhos. Todos ficaram em silêncio por um momento. ─ Mas vamos discutir isto com todos nossos aliados. Hoje anoite decidimos tudo isto, certo?─ Proclamou animadamente.

[•🔷•]

─ Tsukki! ─ o feitiçeiro de sardas correu para abraçar o maior, envolvendo-o carinhosamente. Contudo, logo separou seus corpos, o sorriso desaparecendo ao notar a expressão do loiro ─ O quê aconteceu, Tsukki? ─ interrogou preocupado, conduzindo-o até sua cama pelo braço.

─ Estou bem, Yamaguchi, pode apenas calar a boca e me beijar? ─ antes que o moreno pudesse retrucar, seus lábios foram selados aos de Tsukishima, fazendo-o soltar um ofego surpreso, mas então fechar os olhos, cedendo. Contudo, antes que pudessem aprofundar o beijo, empurrou o loiro, virando o rosto.

─ Não! Isso não está certo! O quê aconteceu, Tsukki?! ─ gritou, surpreendendo o namorado.

─ Yams... ─ ele suspirou ─ o rei Hinata disse que acreditava que eu não mereça estar ao seu lado ─ e abaixou a cabeça. Antes que pudesse contê-la, uma lágrima solitária escorreu por seu rosto pálido. O moreno sorriu com compreensão.

─ Ai Tsukki... Quero que saiba que o que direi a seguir não significa que não admiro meu rei, pelo contrário, o considero um amigo, mas... Eu e o Hinata temos isto em comum. Somos atraídos por aqueles com as barreiras mais resistentes. Enquanto Tsukki é uma muralha de ouro, o rei Kageyama é um lago congelado. Por outro lado, diferente de mim, ele ainda não admite que vê o melhor do governante de Kurayami.

─ Resumindo: do ponto de vista do rei Hinata eu sou um babaca, você sabe que isso não é verdade, e ele sabe que isso também não é válido para o Kageyama, mas não admite isto? ─ Yamaguchi riu perante a forma do namorado de colocar as palavras.

─ Exatamente. Nem você nem o rei são pessoas ruins, Tsukki, apenas não conhecem outro jeito de se protegerem ─ desta vez, quando o abraçou, o loiro retribuiu com o menor dos sorrisos no rosto.

─ Espere, como sabe que o rei Hinata gosta do Kageyama? ─ o de sardas se distanciou, para que pudesse encará-lo com uma expressão séria e um pouco triste

─ Porque vi o Shouyou ajoelhado ao lado de seu rei quando este estava inconsciente. A expressão dele, Tsukki... ─ seus olhos se penalizaram com a lembrança ─ parecia que se perdesse o rei Kageyama, um pedaço da alma do Hinata se perderia junto. ─ então sua mente percorreu por uma memória mais antiga ─ Depois que perdeu a família, uma parte daquele garotinho doce morreu, e o que ocupou o lugar foi... ele não sobreviveria se perdesse mais ─ concluiu em um sussurro temeroso, e naquele momento, parecia falar mais para si mesmo do que para Tsukishima. Foi a vez do loiro consolar o namorado ao envolvê-lo entre seus braços.

[•🔷•]

─ Eu não aguento mais tantas discussões, entendo que estejam magoados, mas estamos em guerra, há coisas mais importantes ─ sussurrou Suga para o general de Kurayami, que pareceu desesperado por não poder ajudar o menor.

─ Eu... Desculpe Suga, não sei o que dizer... sinto muito ─ o albino sorriu, apenas saber que o moreno se preocupava em tentar consolá-lo, já ajudava.

─ Então pode me abraçar ─ Daichi assentiu, feliz em poder fazer algo. Suga fechou os olhos, permitindo-se si perder no calor do maior. A porta se abriu, e eles se separaram de um pulo.

─ Calma, somos apenas nós ─ disse Nishinoya, jogando-se na cadeira. Para a surpresa dos presentes, no lugar de fazer algum comentário incoveniente, sorriu compreensivo ─ entendo que, se tratando de problemas, muitas vezes um mais um é uma divisão ─ antes que o prateado pudesse agradecer, os outros componentes da reunião adentraram a porta, indo para seus devidos lugares.

─ O que vamos discutir? ─ Kageyama foi direto, enquanto Hinata reprimia um bocejo do outro lado da mesa.

─ Qual será o papel de cada reino na guerra ─ respondeu Tsukishima, ocupando sua posição, assim como Suga, do lado direito de seu rei. O albino assentiu.

─ Exatamente, devemos realizar uma troca, cada um consedendo sua força ao outro reino.

─ Kurayami tem claramente superioridade militar e armamentista ─ disse Kageyama com arrogância. Hinata revirou os olhos.

─ Reconheço que Hikari tem poucos soldados, mas pelo menos têm fácil acesso a comida e água. Pode dizer o mesmo dos seus, Vossa Alteza?

─ Não é minha maldita culpa se meus terrenos são inférteis! ─ exclamou, franzindo a sobrancelha.

─ Será um reflexo do rei? ─ brincou, abrindo um sorriso de ironia.

─ Hinata! ─ repreendeu Suga, ao seu lado. O ruivo o ignorou. ─ Tudo bem, sendo assim, proponho enviarmos os soldados de Kurayami para o combate, enquanto os de Hikari defendem ambos os territórios, e se encarregam de missões menores, estão de acordo? ─ propôs o albino, olhando para todos os presentes, buscando especificamente a opinião de Daichi. Para seu alívio, este concordou com a cabeça.

─ Por que meus soldados se arriscam enquanto os seus ficam cuidado de seu castelinho? ─ indignou-se Kageyama.

─ Oh meu Deus, como o rei Kageyama se importa com seus soldados, estou emocionado ─ Hinata disse afetadamente, colocando a mão no peito com ironia. Foi fuzilado pelas orbes azuladas do outro, em resposta.

─ Não ficaremos em segurança, Vossa alteza, o trabalho da defesa é sacrificar nossos malditos pescoços para salvar os seus ─ disse Nishinoya entredentes, tentando ao máximo não soar tão desrespeitoso. Quando Asahi enterrou o rosto nas duas mãos e gemeu, soube que havia falhado miseravelmente.

─ Não com estas palavras, mas concordo com Nishinoya Yuu ─ disse Kiyoko, arrumando os óculos. O menor sorriu para ela, mas a morena gentilmente o ignorou.

─ Sim, todos concordamos com o Yuu! ─ gritou Tanaka subitamente, e foi a vez de Ennoshita enterrar o rosto entre as mãos, envergonhado pelo namorado. Ainda não entendia o que via neste, mas pelo jeito tinha uma queda desconhecida por pessoas barulhentas e extrovertidas, tão opostas à sua própria personalidade.

─ Façamos o seguinte, então: Nossos generais e os líderes do ataque cuidarão do combate, enquanto os de defesa cuidam do resto ─ interrompeu Tsukishima.

─ Me parece bom ─ concordou Kageyama, para o alívio do loiro.

─ Que bom, agora é apenas necessário colocar tais ideias em ação e... logo estaremos em guerra ─ concluiu Suga, hesitante e abalado.

─ Logo estaremos em guerra... ─ repetiu Hinata, e só não planou alguns centímetros acima do chão por estar sentado. Em reação, o de olhos azuis permaneceu aparentemente impassível, mas havia medo em seu azulado; o de óculos suspirou, Nishinoya mirou a mesa abaixo de si; Asahi começou a morder uma unha sem notar, amedrontado; Daichi ajeitou a postura, e aderiu um olhar mais firme; Ennoshita engoliu em seco, lançando um olhar para o parceiro do outro lado da mesa, que sorriu em incentivo, escondendo seu temor; Kiyoko mordeu o lábio inferior, arrumando os óculos, enquanto Tsukishima fazia o mesmo, tentando se manter calmo.

─ E estaremos livres um do outro ─ concluiu Kageyama. O ruivo lhe encarou, e o olhar que trocaram foi quase cúmplice.

─ Mal posso esperar ─ e abriu um sorriso triste quase imperceptível.

[•🔷•]

Quando mais novo, Hinata não gostava nem um pouco dos aposentos do rei, preferindo mil vezes seu pequeno, mas aconchegante quarto, pintado em cores vibrantes e repleto de brinquedos. Aquele era vazio, impessoal, quase frio. Passando os dedos pálidos pelas pinturas no batente da janela, e os olhos pelo teto alto, lembrava-se do dia que Suga anunciará "vamos mudar isso!", puxou o ruivo solitário pelo braço pequeno e lhe entregou um pincel pingando tinta. Hinata sorriu com a lembrança.

Foi tirado do passado quando ouviu uma batida tímida na porta.

─ Entre, Tadashi ─ quase suspirou. Seu feitiçeiro adentrou de modo hesitante, olhando em volta.

─ Como sabia que era eu? ─ o ruivo fez um meneio com a mão.

─ O Ennoshita nunca vem aqui, o Asahi apenas acompanhado do Nishinoya, que bate com bem mais animação, e o Suga nem bate na porta ─ ele estremeceu ─ isto já propiciou alguns momentos constrangedores, digamos assim. De todo modo, qual o motivo de sua visita?

─ Posso conversar com você, Hinata? ─ perguntou lentamente, como se planejando cada palavra. O rei fez outro meneio com a mão, indicando que prosseguisse.

─ Sou todo ouvidos... ─ e tomou um gole do copo que segurava, o qual o feitiçeiro não havia notado.

─ Vossa Alteza está...? ─ não concluiu a frase.

─ Nunca estive em uma guerra, tenho direito de ficar um pouco abalado, não? ─ um pouco? Hinata não estava Um Pouco abalado, ele estava sentado no parapeito da janela, com um copo de bebida na mão, o olhar distante e vazio e olheiras sob seus olhos castanhos, agora sem brilho. Yamaguchi se lembrava de quando seu amigo, o alegre, animado e extrovertido príncipe se trancou em seu quarto por dias, nos quais nem ao menos comeu, e variava apenas entre chorar, gritar, quebrar coisas e dormir um sono repleto de pesadelos, que distorciam o dia em que se tornou órfão. Agora podia ser um pouco diferente seu modo de lidar, e o motivo não era apenas um, mas um acúmulo de vários, comtudo, o olhar que carregava era quase o mesmo.

─ Certo... Bem, queria falar sobre o Tsukki ─ a cada palavra, seu tom ia se tornando mais baixo e ele abaixava a cabeça. ─ Por que Vossa Alteza disse aquilo para ele? ─ e mordeu o lábio inferior.

─ Aquilo... Yamaguchi, não duvido de suas escolhas, mas... Ele é como Kageyama ─ para sua surpresa, o moreno riu.

─ Entendo. ─ deu uma pausa ─ Acredito que seja exatamente por isso ─ disse apenas, e Hinata franziu as sobrancelhas perante suas palavras enigmáticas.

Yamaguchi notou que o rei se referirá ao outro sem qualquer formalidade, assim como fez quando este estava inconsciente.

Fez se silêncio por um momento, até que o de sardas tomou coragem, e sua frase seguinte surpreendeu o ruivo: ─ posso ficar com você? ─ e apontou com a cabeça para a garrafa sobre a mesa do menor. Este assentiu.

Yamaguchi se sentou ao lado do rei, pedindo permissão com o olhar, a qual foi consedida logo, com direito a um revirar de olhos em resposta à formalidade desnecessária.

─ Então, já lhe contei meu motivo para arriscar que Suga me descubra, qual o seu? ─ e encarou o moreno com curiosidade. Yamaguchi tomou um gole de seu copo antes de responder, fazendo uma careta logo depois.

─ Oh Deus, espero mesmo que não descubra ─ Hinata se limitou a gargalhar. ─ Não há um motivo específico, apenas... guerras não me agradam.

─ Entendo. Pacifista, não? ─ ele concordou com a cabeça ─ o admiro por esta escolha, tantos feitiçeiros cinzentos que preferem ceder ao seu lado sombrio... ─ em um mundo onde tão poucos controlavam magia, os que a tinham muitas vezes se deixavam levar pelo poder.

─ Imagino que tanto poder não faz bem. Podemos matar com um toque, mas não devemos esquecer que curar também é simples assim.

Yachi era uma manipuladora, capaz de transformar a união dos mais comuns dos ingredientes em poções e feitiços. A categoria de Yamaguchi tinha vários nomes, sendo o mais comum feitiçeiros cinzentos. Ao toque, podiam machucar e salvar em igual proporção, não importava o uso que tivesse, quanto mais poderoso em um, consequentemente também seria no outro.

Cinza. Nem branco nem sombrio, mas a junção eterna de ambos.

─ Você é especial, Tadashi ─ afirmou subitamente, arrastando as palavras e o moreno se limitou a encará-lo e rir, balançando a cabeça.

─ Todos somos de algum modo, Shouyou. Quando eu era criança, não achava ser possível que eu tivesse algo único, mas aqui estou, capaz de controlar a magia. ─ ele olhou para a noite estrelada, e seu olhar aderiu um brilho apaixonado ─ Mas mesmo que não fosse, Tsukki me disse que sou, e isso já é mais que o suficiente. ─ Hinata o encarou. A muito tempo, lembrava de perguntar para Suga se este alguma vez tinha se apaixonado. Ele respondeu que estava esperando e que, enquanto não encontrava, se dedicaria aos dois irmãos. Hinata gritou então que Suga iria achar seu príncipe encantado, como nas histórias que lia para o ruivo e sua irmã, e também que esperava encontrar o seu.

Ao olhar para a expressão do amigo de sardas, perguntou a si mesmo como pôde ter duvidado do amor daqueles dois.

─ Perdoe-me ─ murmurou, fazendo o moreno se virar para o alaranjado, com uma interrogação no olhar ─ Nunca devia ter duvidado do que sentiam um pelo outro. Talvez estivesse com inveja, não sei...

─ E por qual motivo viria a sentir inveja? ─ perguntou.

─ Eu... ─ não sabia a resposta, mal sabia o motivo de ter dito aquilo ao namorado de Tadashi.

─ Hinata, disses que Tsukki lhe lembrava o rei Kageyama, então... como este é? ─ o alaranjado quase arregalou os olhos, paralisou. Não queria pensar sobre aquilo. Uma grande pausa se fez, até que Hinata finalmente falasse.

─ Ele não é como eu pensava ─ ele encarou o líquido escuro dentro do copo que segurava ─ É pior ─ e o virou inteiro, mordendo o lábio inferior quando o gosto ácido arranhou sua garganta.

Hinata, Suga não lhe ensinou que é errado mentir? 


Notas Finais


Por favor, peço que favoritem se gostaram e deixem suas opiniões nos comentários, não precisa ser exatamente positiva, contanto que seja com educação, também digam se algo não está tão bom, não faz sentido, está mal escrito, quero saber, preciso da ajuda de vocês para estar cada vez melhor

Até o próximo capítulo^^


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