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História Aliança de Sangue - Capítulo 5


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Capítulo 5 - A Reunião


Fanfic / Fanfiction Aliança de Sangue - Capítulo 5 - A Reunião

Na manhã seguinte, Shikamaru acordou com o som de batidas na porta de seu quarto.

— Lorde Nara, a senhora nos mandou para ajudá-los a se arrumar

 para o desjejum. — disse uma criada do lado de fora.

Ele bufou e olhou para a esposa que já se levantava indo em direção ao quartinho antes de permitir que entrassem.

Três criadas passaram pela porta. Uma delas era a senhora idosa que viera de Suna com Temari, contudo, as outras duas eram as criadas particulares de sua mãe. Enquanto Chiyo foi auxiliar sua esposa na troca de roupa, as outras foram rapidamente em direção à cama. Elas remexeram nas cobertas, disfarçando como se fossem trocar a roupa de cama. Mas logo encontraram o que queriam e se olharam. Shikamaru bufou novamente, sua mãe não tinha limites mesmo.

Uma das moças pegou o lençol e saiu do quarto, enquanto a outra continuava a trocar a roupa de cama. O Nara tinha plena ciência de que sua mãe tinha mandado as criadas somente para verificar se haveria sangue nos lençóis, atestando que ele e Temari tinham estado juntos de forma carnal. Mal sabia ela que ele havia previsto esse movimento e se antecipado.

Algum tempo depois ele e a esposa desceram juntos para o salão principal, o qual novamente estava lotado e sentaram-se junto com os pais dele.

— Querida, como se sente essa manhã? — perguntou Yoshino com um largo sorriso.

— Bem, Lady Nara.

— Yoshino, querida, somente Yoshino. Agora somos oficialmente família. — disse a mais velha aparentando estar extremamente feliz — E daqui a pouco essa família vai sem dúvidas aumentar! Não vai demorar muito para que tenhamos um netinho ou netinha andando por aí, Shikaku. — o homem olhou para ela — Ao contrário do que pensávamos, marido, nosso filho cumpriu com suas obrigações! Eu mesma conferi!

Os recém casados enrubesceram.

— Pelos deuses, mãe! Já foi ruim o suficiente ter as suas criadas no meu quarto inspecionando a minha cama! — exclamou Shikamaru — Você não precisa ficar falando disso também!

Shikaku suspirou.

— Yoshino, querida, não constranja nosso filho. — ele virou-se para Shikamaru — Temos uma reunião hoje no meio da tarde. Não se atrase.

O mais jovem assentiu, perguntando-se se essa seria a reunião da qual Kakashi havia comentado.

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A maior parte dos convidados partiu após o café, deixando o castelo bem mais tranquilo. Temari passou boa parte da tarde conversando com Ino e Hinata, mas próximo das quinze horas Inoichi apareceu na sala onde estavam para chamar a filha. Assim, Temari e Hinata ficaram sozinhas no recinto.

— Ocorreu tudo bem ontem? — perguntou a morena, olhando-a preocupada, após a saída de Ino.

— Sim. Você tinha razão, não havia por que ficar nervosa. Ele foi muito atencioso. — não era exatamente uma mentira, mas também não era toda a verdade.

Hinata sorriu.

— Eu disse para você! Shikamaru é um homem honrado, ele jamais te faria mal. — falou ela — Mas me conta, você gostou?

Temari ficou vermelha. “Como eu posso ficar com vergonha de algo que eu nem fiz?”, perguntou-se.

— Sim... como eu disse, ele foi atencioso.

— Mas sentiu dor ou sangrou? Ouvi dizer que nem todas as mulheres sentem isso. — perguntou com curiosidade.

— Sangrou e doeu um pouco. — inventou, lembrando-se que Shikamaru havia cortado a si próprio para parecer que ela tinha sangrado.

Logo as duas mudaram de assunto e o restante da tarde transcorreu sem mais constrangimentos.

 

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Shikamaru estava sentado ao lado do pai na ponta da enorme mesa de madeira da sala de reuniões. Como ele havia suspeitado, era exatamente daquela reunião que Kakashi tinha comentado.

Estavam presentes, além dele e do pai, Minato, Naruto, Chouza, Choji, Inoichi, Ino e Kakashi.

— Bom, acho que todos sabem o porquê de estarmos aqui. — começou Kakashi com seriedade — Vou ser direto: é inevitável, teremos uma guerra.

— Você acha mesmo que não há chance de os Uchiha caírem em si? — questionou Chouza, receoso.

— Sim, a Ordem vem investigando. Mandamos vários guerreiros como espiões até o território dos Uchiha, inclusive o Sai, e todos disseram que o clima por lá é o de um nacionalismo irreal. Os membros do clã realmente acreditam nas loucuras do Madara.

— Madara é um louco, ele não pode realmente acreditar no que diz. Só quer conquistar poder. — comentou Minato.

— Se ele acredita ou não, não importa. O que interessa é que o clã todo comprou a história dele de que os Uchiha devem tomar o poder e ele ser coroado como rei de Konoha. — disse Kakashi. — As chuvas fortes dos últimos anos destruíram boa parte das plantações do território deles, fazendo com que a população passe por fome e enfraquecendo o clã. Eles foram por séculos um dos clãs mais fortes de Konoha, se não o mais forte, a queda brutal dos últimos anos mexeu com o orgulho deles. Resultado: terreno fértil para as loucuras nacionalistas de Madara.

“Ele utiliza, como vocês bem sabem, do argumento de que os Uchiha descendem da última monarca de Konoha, Kaguya, para justificar seu direito a um trono que não existe há quase dois mil anos.”

— Esse argumento é fajuto demais. — comentou Shikamaru — Já se passaram dois mil anos, todos os clãs de Konoha descendem dela porque, mesmo que Haguromo tenha fundado o clã Uchiha, os clãs fizeram casamentos entre si durante todo esse tempo, então todos nós descendemos dele. Além disso, mesmo que eles ignorem isso e foquem só no fato de Haguromo ter fundado o clã deles, eles estão esquecendo algo primordial: Hamura fundou o clã Hyuuga. Então os Hyuuga teriam, nessa lógica, tento direito ao trono quanto os Uchiha.

— Você tem toda razão, Shikamaru. — disse Shikaku — Mas os Uchiha não estão sendo racionais, eles estão famintos e sentem-se humilhados. Querem qualquer justificativa para levantar a moral de seu clã, mesmo que todos saibamos que essas justificativas são apenas falácias.

Todos ficaram pensativos por um tempo, até Kakashi dizer:

— Temos que nos preparar para uma guerra, é só questão de tempo até os Uchiha começarem a agir. Precisamos saber em quem podemos confiar, de que lado os clãs vão ficar. O que acham dos Aburame e Inuzuka?

— Duvido que Shino e Kiba traiam o continente, crescemos juntos e somos bons amigos. — disse Shikamaru — Shino é muito esperto, mas leal. Contudo, teremos que instruí-lo sobre como proceder caso os Uchiha ataquem o território dele, pois suas terras fazem fronteira. Já Kiba é uma anta, porém uma anta leal. Ele não nos trairá, tenho certeza.

Todos assentiram em concordância.

— Eu e Mestre Jiraiya pensamos exatamente a mesma coisa. — comentou Kakashi — E quanto aos Hyuuga? Tenho minhas dúvidas sobre Hiashi, o homem adora o poder, temo que Madara lhe faça alguma proposta e ele acabe aceitando por ganância.

— Não precisa se preocupar, ele nunca se aliaria aos Uchiha. — disse Naruto, surpreendendo a todos pois ele raramente se pronunciava em reuniões.

Shikaku franziu o cenho e perguntou:

— Como pode ter tanta certeza?

— Ele odeia os Uchiha porque odeia o Madara. De acordo com a Hinata são rivais desde que frequentavam a Ordem, ela não sabe bem o motivo da rixa, mas me contou que quando tinha quinze anos seu pai recebeu uma proposta de Fugaku Uchiha para noivar Itachi e Hinata. Hiashi escreveu na resposta essas exatas palavras: “minha filha só se casará com um Uchiha por cima do meu cadáver. Espero que essa laia de vocês apodreça no inferno.”

Todos os presentes apresentaram feições de extremo choque e então começaram a rir.

— Ele não fez isso! — disse Inoichi, gargalhando.

— Ele sempre foi rabugento, mas eu não esperava algo tão drástico. — comentou Minato. — Se bem que quando fui conversar com ele sobre casar Naruto e Hinata, ele disse algo sobre finalmente receber uma proposta de casamento descente e resmungou algo como: “malditos Uchiha”. Na hora eu não entendi, mas agora tudo faz sentido.

Quando o riso cessou, Kakashi continuou:

— Então Hiashi está sob controle. E os Sarutobi?

— Jamais trairiam Konoha. — disse Shikaku — São os maiores defensores da vontade do fogo.

Todos concordaram.

— E por último, os Senju. — concluiu Kakashi.

Shikaku respondeu novamente:

— Por mais que Hashirama e Marada, de acordo com os boatos, tenham um passado, digamos... intenso, duvido que ele se prestaria a um papel de traidor. Além disso, acho que Tobirama mataria o irmão se ele se aliasse aos Uchiha, afinal não é segredo que ele odeia esse clã. Acho que temos uma boa chance de ter todos os clãs de Konoha do nosso lado.

— Isso é realmente muito bom, porque os Uchiha têm a Névoa Sangrenta, que possui o exército mais bem treinado do mundo, além da maior frota naval entre as cinco grandes nações, por seu território ser basicamente um conjunto de ilhas.

— Me pergunto o que Madara prometeu à Kiri para fazê-los apoiá-lo. — questionou Ino, se pronunciando pela primeira vez.

— Jiraiya suspeita que o rei Yagura queira terras em Konoha. Kiri vive muito da pesca pois não tem terras férteis, então eles têm que importar a maior parte dos grãos consumidos no país. — explicou Kakashi.

— Então seria, basicamente, os Uchiha e Kiri contra os nove clãs restantes de Konoha e Suna, porque, afinal, eu não me casei à toa. — constatou Shikamaru.

— Exatamente, filho. — Shikaku olhou para os presentes com seriedade — Essa equação parece balanceada, mas não se enganem. Kiri é uma potência militar e aliada econômica de Iwa há décadas, não me surpreenderia se Oonoki entrasse nessa guerra. Iwa também não é muito fértil, Madara pode prometer terras ou um preço mais barato dos grãos para ele em troca de ajuda militar.

— Poderíamos baixar o preço dos grãos, não? Assim, Iwa alia-se a nós e não aos Uchiha. — sugeriu Choji.

Shikaku suspirou, derrotado.

— Não, se abaixarmos mais o preço as próximas colheitas não darão lucro algum, os camponeses vão passar fome e nós vamos à falência. Já tivemos muitas perdas econômicas nos últimos anos, apesar de não termos sido tão afetados quanto os Uchiha, todos nós sofremos um pouco com as chuvas fortes.

— Falta Kumo. — constatou Shikamaru — Quatro das cinco grandes nações serão envolvidas, precisamos convencer Kumo a se aliar a nós. Podemos fazer um acordo parecido com o que fizemos com Suna, aliança econômica em troca de mútua proteção. Eles têm tido problemas diplomáticos com Iwa, algo sobre discordâncias com relação aos limites das fronteiras entre os dois países, com certeza temem uma invasão.

— É uma excelente ideia, Shikamaru. — parabenizou Kakashi — Se conseguirmos deixar Kumo do nosso lado vamos igualar os adversários e a guerra poderá pender ao nosso favor se soubermos usar nossas vantagens com sabedoria para destruir as deles.

Todos concordaram animados.

— Precisamos de uma garantia maior do que simplesmente palavras nesse possível acordo com Kumo, pois eles poderiam nos trair e não podemos arriscar. — disse Shikaku — Sugiro um casamento, assim como fizemos com Suna. E como ainda não temos absoluta certeza de que os clãs de Konoha realmente ficarão do nosso lado, mesmo que achemos que sim, acho que devemos casar Choji, já que ele é o único dentre nós que é solteiro, com exceção de Kakashi, claro, mas Kakashi não é um lorde.

Choji sobressaltou-se, murmurando palavras incoerentes, e Ino e Shikamaru entreolharam-se surpresos.

— Eu concordo. — disse Chouza.

— O rei de Kumo não tem filhas, mas tem uma sobrinha. — falou Inoichi, pensativo — Podemos mandar um emissário para negociar uma aliança.

Todos concordaram, menos Choji, que parecia ainda estar atordoado com a notícia de seu possível casamento. Eles conversaram mais um pouco optaram por agir com cautela quanto aos outros lordes, deixando Kakashi e Shikaku encarregados de falar com os clãs restantes sobre o que estava acontecendo e sobre seus planos.

 

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—Naruto! — chamou Shikamaru, correndo pelo corredor para alcançar o amigo após a reunião — Podemos conversar?

O loiro assentiu e eles seguiram para um local mais afastado.

— Sei que não gosta de falar sobre isso, mas... devido a tudo que está acontecendo acho que não podemos mais ignorar.

— Está falando do Sasuke?

— Sim.

— Não tenho notícias dele há mais de um ano, ele parou de responder às minhas cartas. — respondeu o Uzumaki, com o semblante triste — Você sabe que nos últimos anos ele vinha ficando cada vez mais distante e fechado, principalmente há seis anos, desde aquela briga que tivemos no meu aniversário... você se lembra, claro...

— É claro que eu me lembro, eu apanhei pra te defender.

Naruto riu.

— Aquele dia foi a primeira e última vez que ele falou essa besteira sobre os Uchiha terem direito ao trono na minha frente... foi por isso que brigamos feio.

Shikamaru surpreendeu-se com a informação. Naruto nunca havia contado essa parte da história, todos achavam que tinha sido apenas uma discussão entre rapazes.

— Nunca contei pra ninguém porque achei que fosse uma fase. Achava que Sasuke estava tentando chamar a atenção da Sakura ou algo do tipo... e como ele nunca mais falou nada sobre isso pensei que fossem águas passadas. Mas, nos últimos dois anos a nossa relação piorou muito, ele estava sempre queixando-se da situação de seu clã e sobre como tudo era muito injusto. Nunca mais falou sobre Kaguya, contudo parecia que tinha raiva dos outros clãs, como se fosse nossa culpa a situação dos Uchiha.

— E Sakura?

— Também não tenho notícias. Ela não responde as minhas cartas faz uns seis meses, desde que foi ser a curandeira dos Uchiha. Só me mandou uma correspondência curta me parabenizando pelo casamento, até me surpreendi. — ele balançou a cabeça — Perguntei para Tsunade se ela sabia de alguma coisa, mas ela só me disse para não me preocupar porque Sakura sabe se cuidar. — ele soltou um riso irônico —Como se isso fosse possível!

Shikamaru franziu as sobrancelhas.

— Isso é muito estranho.

— Nem me fale, Shikamaru. Eu não entendo o que está acontecendo!

 

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Mais tarde, os mais jovens estavam todos reunidos na sala privada de Shikamaru conversando e bebendo um bom vinho. Até mesmo Kankuro estava presente.

— Eu não acredito que vou me casar... — sussurrou Choji para Ino e Shikamaru. Mesmo que logo o possível casamento fosse ser de conhecimento geral, todos haviam combinado de não comentar sobre com outras pessoas, principalmente com Kankuro, que sem dúvidas informaria ao pai.

— Fique tranquilo, Choji, ainda não há nada certo. Kumo pode recusar a aliança. — disse Ino.

— Duvido que recusem, eles não são burros, sabem que haverá uma guerra e sem dúvidas não se aliarão a Iwa. — falou o Akimichi, suspirando derrotado.

— Não fique assim, Choji, eu passei por isso e sobrevivi. Você consegue também. — disse Shikamaru — Na verdade, com certeza esse casamento será bem mais difícil para sua noiva, já que ela vai ter que mudar de país e abandonar toda uma vida, enquanto você só terá alguém dormindo do seu lado todas as noites.

Choji assentiu em concordância.

— Me preocupo por Temari. — desabafou o Nara, inesperadamente.

Ino olhou-o com uma sabedoria que Shikamaru sempre acreditou só existir nas mulheres. “Só uma mulher entende perfeitamente uma mulher, nós homens fingimos que as entendemos, mas, na verdade, não sabemos de nada.”, lhe dissera seu pai uma vez.

— Dê tempo a ela, Shikamaru. Ela ainda está se acostumando. — disse com a voz suave — Mas ela precisa de alguns incentivos para se adaptar mais rápido. Converse com ela sempre, passe tempo com ela. Assim, vocês vão criar intimidade e ela confiará mais em você. Tenho certeza de que Temari gosta de você, ela só precisa se acostumar com a sua presença e se sentir mais segura. Sem dúvidas nesse momento a mente dela está repleta de inseguranças.

Ele refletiu sobre as palavras da amiga enquanto observava a esposa pelo canto do olho. Ino tinha razão, mesmo ali entre amigos, Temari parecia tensa, como se sua mente estivesse recheada de preocupações.

— Vou fazer o que puder por ela. — respondeu simplesmente.

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No dia seguinte, Temari estava no pátio despedindo-se dos últimos convidados a partirem junto com o marido e os sogros.

— Foi um prazer, querida. Shikamaru é um rapaz de ouro, tenho certeza de que ele a fará muito feliz. — lhe disse Kushina, beijando suas bochechas antes de entrar na carruagem dos Uzumaki.

Hinata e Ino prometeram que iriam sempre lhe mandar cartas e manter contato.

— Não se preocupe, Temari, nós com certeza nos veremos com frequência por conta do trio Ino-Shika-Cho. — comentou a loira, sorridente.

Kakashi ofereceu a ela seus cumprimentos pelo casamento e abraçou Shikamaru antes de subir no cavalo.

— Kiba tinha razão sabe... — comentou despretensiosamente encarando Shikamaru, então partiu sem mais delongas.

— Eu sei... — murmurou seu marido, completando quando viu com seu semblante confuso — Kiba disse pra ele que você é uma beldade, Kakashi acabou de te elogiar.

Ela assentiu, envergonhada.

Kankuro foi o último a partir, sendo de longe a despedida mais difícil. As três criadas que vieram com Temari de Suna permaneceriam com ela até que estivesse completamente adaptada ao novo lar, então o irmão viajaria apenas com a pequena escolta que os havia trazido.

— Vou sentir saudade. — declarou com a cabeça enterrada no peito do irmão, que a abraçava forte.

— Eu também vou, e Gaara não vai estar diferente. — ele suspirou — A gente te ama, maninha, por favor não deixe de nos mandar cartas sempre. — ela apenas balançou a cabeça em concordância, se esforçando para conter o choro — Se algo a incomodar não deixe de nos contar, nos preocupamos com você.

— Eu sei me cuidar.

— É claro que sabe, mas deixe a gente cuidar de você de vez em quando, sim? — sussurrou.

Ele beijou o topo da cabeça da irmã e dirigiu-se até seus sogros.

— Lorde Nara, Lady Nara, muito obrigado pela hospitalidade.

— Não há de quê, alteza, venha sempre que quiser. É muito bem-vindo! — disse a mulher, Shikaku apenas anuiu em concordância.

Kankuro virou-se para Shikamaru e os dois trocaram um aperto de mão.

— Espero que mantenha sua palavra.

— Não se preocupe, cunhado, eu vou cuidar dela. É minha responsabilidade.

O príncipe deu um último abraço na irmã e partiu com sua escolta.

 

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Durante o jantar, Shikamaru notou que Temari estava visivelmente triste. Estavam somente os quatro Naras no recinto naquela noite, em completo contraste com a agitação dos últimos dias.

— Querida, você sabe jogar xadrez? — perguntou seu pai a ela.

Ela negou com a cabeça.

— Eu e Shikamaru sempre jogamos após o jantar, mas hoje estou cansado demais para isso. Seria bom se vocês jogassem juntos, ele pode te ensinar.

— Ah, Shikaku! — ralhou Yoshino — Até parece que um casal recém casado vai querer ficar jogando xadrez...

— Por mim tudo bem. — disse Temari — Se não for incômodo para Shikamaru...

— Não é. Eu adoraria te ensinar a jogar. — declarou o moreno.

Após a refeição, os mais velhos saíram deixando o casal sozinho na sala de jantar. Shikamaru pegou o tabuleiro e as peças. Ele a explicou as regras do jogo e reparou, logo no início da partida, que ela tinha um rápido raciocínio. Logicamente ela não era páreo para ele, mas era uma boa jogadora.

Quando a partida terminou, começaram outra. Mas dessa vez conversaram enquanto jogavam.

— Seus pais são muito atenciosos comigo, não poderia pedir sogros melhores. — comentou Temari, movimentando sua torre.

— Fico feliz em ouvir isso, mas, mesmo assim, peço desculpas pelas indiscrições da minha mãe.

— Não se preocupe com isso, ela tem sido muito boa para mim. — depois de algum tempo em silêncio ela acrescentou — Minha mãe morreu quando eu era pequena, no parto do meu irmão mais novo. Quando fico perto da sua mãe, sinto como se a minha estivesse ao meu lado também.

Ele sorriu ao ouvir essa confissão.

— Esse é o efeito de Yoshino Nara nas pessoas. — respondeu rindo um pouco, antes de completar mais sério — Ela sempre quis mais filhos, mas nunca conseguiu. Perdeu todas as gravidezes que se seguiram à minha. Então, sinceramente, eu não acho que você seja a única que se sente assim, minha mãe com certeza te vê como a filha que ela nunca teve.

A jovem ficou um pouco emocionada.

— Tenho certeza que vocês duas vão se dar muito bem daqui pra frente. — acrescentou o Nara.

— Eu também tenho.

Eles ficaram algum tempo em silêncio, até que Temari perguntou:

— Meu irmão fez você prometer que cuidaria de mim? Você não precisa sentir-se obrigado a nada...

— Ele não me fez fazer nada. — cortou Shikamaru — Eu prometi que cuidaria de você porque eu quis. É meu dever como marido. E mesmo que não fosse, eu o faria.

Ela limitou-se a sorrir.

— Temari, por favor, eu preciso que você entenda. — ela levantou os olhos do tabuleiro e eles se encararam — Nada que você me peça vai me incomodar. Se algo não for de seu agrado você deve me dizer, porque assim eu vou poder te ajudar. Você é minha esposa agora, seu bem-estar é uma das minhas maiores preocupações. Eu quero que você seja feliz e vou fazer de tudo para te proporcionar isso. Todos os juramentos que fiz no altar são verdadeiros e pretendo cumpri-los.

Sua esposa sorriu para ele.

— Você é tão bom, Shikamaru. Agradeço aos deuses por terem me trazido até você. — disse ela — Eu prometo que farei de tudo para ser a melhor esposa possível, me dê só um tempo para me acostumar. Tudo é muito novo e me sinto perdida, mas não quero que confunda isso com algum tipo de aversão a você. — ela ficou vermelha por um instante — Sei que está ansioso para que eu cumpra meus deveres como esposa, de maneira carnal, quero dizer...

— Não há pressa. — disse ele de maneira firme.

— Sim, eu sei, mas... quero que saiba que vai acontecer... bem o que eu quero dizer é que...

— Vamos fazer o seguinte. — interrompeu-a — Quando você se sentir a vontade o suficiente você me diz e nós daremos esse passo. — ele pensou por um segundo antes de falar — Eu notei que você ficou assustada com o que o vassalo do meu pai disse no dia de nosso casamento, mas preciso que saiba que aquele verme provavelmente sabe tanto sobre satisfazer uma mulher quanto meu cavalo. Homens como ele só se importam com o próprio prazer, eu não sou assim. Quando você me permitir tocá-la, juro que será bom para você e vou fazê-la revirar os olhos de tanto prazer na minha cama.

Temari enrubesceu, logo tratando de mudar de assunto para não ter que encarar os olhos castanhos dele sendo nublados pelo desejo.

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Naquela noite, Temari dormiu um sono tranquilo, como não fazia havia um bom tempo. As palavras do marido a tranquilizaram e, enquanto se arrumava para deitar, ela teve consciência de que talvez um dia ela pudesse chegar até mesmo a amar Shikamaru.


Notas Finais


Esse capítulo trouxe muitas revelações e informações que serão muito importantes pro desenrolar da história, além de alguns questionamentos.
Aparentemente as alianças estão sendo formadas e daqui a pouco as coisas vão começar a pegar fogo de verdade.
Espero que tenham gostado!


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