História All - Capítulo 1


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Categorias Black Pink
Personagens Jennie, Jisoo, Lisa, Personagens Originais, Rosé
Tags Chaesoo
Visualizações 15
Palavras 4.673
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Prologue - I


Olhos abertos, postura ereta, uma mão em minhas costas, a adaga na longa manga de minhas vestes pretas que cobre meu braço esquerdo, na direita minha espada de metal feita por mim após longos anos de aprimoramento. É resistente, é linda. O metal é lindo. Pare! Foco. Um mísero movimento em vão e poderei perdê-la de vista. Devo concentrar-me. 


Fecho meus olhos e concentro-me no som, tomando o máximo de cuidado que posso. Afinal, a qualquer minuto pode ser que uma flecha venha ao meu encontro. 


– Jennie! — assusto-me ao ouvir a voz tão bem conhecida por mim, e uma flecha ser disparada logo em seguida. Me apressei na defesa, jogando-me ao chão e atirando minha adaga na direção de onde veio a flecha. Em cheio.


– Injusto, Lisa atrapalhou! — Jennie choramingou quando me aproximei para vê-la com sua blusa presa contra a parede do estábulo. 


– Controle sua namorada. — sugeri ao apanhar minha adaga de volta e guardá-la. Embainhei minha espada e apoiei minhas mãos na cintura, observando o rosto envergonhado de Lalisa ao notar que ela havia interrompido nosso treinamento, mais uma vez. 


– Sinto muito… — lamentou se aproximando de mim, me curvei brevemente antes de abraçá-la. — Sabe que não precisa disto. 


– Não posso evitar, virou costume. 


– Meu amor… — Lalisa abriu seus braços para receber Jennie em um abraço apertado. Faziam belos três dias que não nos víamos. — Senti sua falta.


– Está bem? Tem se alimentado direito? Como está sua mãe? As coisas no Castelo? Lalisa, sua tiara! Já cansei de te falar para usá-la com cuidado! — como sempre quando se vêem, o lado protetor de Jennie se alastra. Tudo bem que elas são unidas e possuem todo esse açúcar envolvido na relação, mas foram apenas três dias. 


– Calma. Está tudo bem. — Lalisa tentou acalmá-la enquanto a tiara em sua cabeça era organizada pelas mãos nervosas de Jennie. — Quer me abraçar direito agora? Estou com saudades. 


Revirei meus olhos antes de me sentar e beber um pouco de água observando os olhos lacrimejados de Jennie. Eu não me aguento. 


– Do que está rindo, cretina? — Jennie passou as mãos no rosto, retirando a umidade, ou espalhando ainda mais. — Você não tem coração, ChiChu. 


– Eu até diria que você também não tem, mas ele na verdade está perdido no seu corpo, Princesa Lalisa o derreteu. — repousei meu cantil no chão do estábulo e ouvi o relinchar de Chun atrás de mim. — Olá garota. 


– Chun! — Lalisa soltou a cintura de Jennie e correu até mim para acariciar os pelos da minha égua. — Como está garota? 


– Trocada por um cavalo. — ouvi o resmungo de Jennie antes de apoiar suas mãos em seus joelhos e suspirar algumas vezes. Observei ao fundo Hwan se aproximando lentamente e chamei a atenção de Lalisa, que olhou naquela direção e prendeu a gargalhada já prevendo o quê iria ocorrer. 


Hwan estava perto o suficiente de Jennie quando ela reparou na presença do cavalo em suas costas, na tentativa de correr foi derrubada por ele, como sempre ocorreria sempre. Lalisa gargalhou alto junto à mim enquanto uma Jennie furiosa se colocava de pé e limpava suas vestimentas. 


– Droga Hwan! Eu já cansei dessa brincadeira! — o cavalo relinchou e se afastou de Jennie. Lalisa se aproximou dela para ajudá-la a limpar suas costas. — E você aí só sabe rir de mim. 


– Não faz biquinho, amor. 


Começou. Virei meu rosto e me concentrei em escovar o pelo de Chun. Minha égua que foi presenteada à mim quando eu tinha dezenove anos, foi a melhor época da minha vida. Quando meu pai chegou em casa montado em Chun, eu vi ali meu passe livre de liberdade. Ensinei Jennie a montar, nós íamos correr pelo campo todas as tardes. Às vezes era apenas Lalisa e eu. Até que um dia as apresentei, e eu não previ que tudo isso iria acabar assim. 


– Ainda hoje? — questionei ainda ouvindo aqueles estalos de beijos no meu estábulo. Credo. Eu não suporto mais isso, porquê sou tão boa com essas coelhas?! — Lalisa! 


– Hm? 


– Está enlouquecendo, já vai escurecer! Seu pai sabe que está aqui? 


– Então…


– Hwan! — Chamei pelo Corcel que não demorou muito à chegar no estábulo. Jennie a essa altura já estava perto de chorar novamente. — Lalisa, despedidas. Vou apenas selar Chun e irei levá-la de volta ao Palácio antes que Wang mande decepar minha cabeça. 


Me apressei em selar minha égua de uma vez e correr até meu quarto por uma roupa decente para levar Lalisa de volta ao Palácio. Céus! Ela nem ao menos se preocupou em falar à Wang que estava comigo, ele já deve ter acionado os guardas para virem atrás dela, e se a virem com Jennie, aí sim irão deceper minha cabeça. 


Voltei às pressas para o estábulo, Jennie segurava o rosto de Lalisa enquanto sussurravam algo entre elas, chamei a atenção delas e montei em Chun. 


– Lalisa, vamos. 


Eu odeio essa hora em que as duas tem que se despedir, além de demorar, não sabemos quando vai ser a próxima vez que Lalisa vai conseguir escapar do Palácio, elas ficam distantes uma da outra e sobra pra mim aguentar Jennie chorando em meu colo e Lalisa tagarelando sobre ela nas poucas vezes que consigo ir até o Castelo. 


Lalisa subiu em Hwan com a ajuda de Jennie, que apontou em direção à sua cabeça. A tiara foi posta corretamente no topo da cabeça da Princesa. Jennie segurou a mão dela e eu chamei por Hwan, que trouxe Lalisa para perto de mim. 


Elas sempre demoram a conseguir se despedir, da última vez Jennie começou a chorar, e eu sinceramente não tenho coração suficiente pra conseguir ver isso. 


As duas namoram há alguns anos, apresentei uma à outra quando Lalisa iria completar quinze anos, e ela já está bem perto de completar seus dezoito. É tudo muito complicado, Wang não permite que Lalisa saia pela aldeia, e Jennie que agradeça a confiança do Rei com minha família, caso contrário ela poderia esperar morta que Lalisa conseguisse vir vê-la caso não possuíssem minha casa como local de todos os seus encontros. Eu não estou brincando, elas ou estão em minha casa, ou no meu estábulo, ou no lago que têm mais à fundo. Eu vivo nas províncias de Gojoseon, o rio Taedong é mais ao Norte, extremamente perto da província de Jin. 


Wang é o rei, ele é rigoroso e protetor demais com a única filha dele, que inclusive namora uma garota e se encontra comigo para poder vê-la. O desastre que aconteceria caso ele soubesse de um terço dessa história toda, eu no mínimo acabaria sem alguns órgãos. 


Estamos mais perto do Palácio agora, chegamos na aldeia, observei a correria dos soldados e troquei olhares com Lalisa. 


– O quê acha que pode estar acontecendo? — perguntou quando estava mais próxima à mim.


– Um treinamento… ou invasão. 


– Acha que os soldados de Jin podem estar aqui novamente? 


– Improvável, levando em conta a quantidade que matamos na última invasão.


– Quando chegarmos no Castelo eu pergunto ao meu pai sobre isso para que você e Jennie possam se meter. — não pude evitar a gargalhada que me escapou ao ouvir tais palavras. 


É fato, Jen e eu sempre estamos em encrencas com os soldados, o que resulta em boas horas de reclamações do meu pai, mas como evitar? Tudo que mais quero é entrar no batalhão e passar mais tempo perto da aventura. E se Jennie conseguisse se alistar junto à mim seria melhor ainda, pelo menos ela estaria bem vestida quando Wang descobrisse sobre elas e morreria com um bom título. 


– Em quê tanto pensa? 


– Sobre o exército, mal vejo a hora de poder me alistar. 


– Você sabe que mulheres não são permitidas no batalhão. Porque ainda insiste tanto?


– Eu vou conseguir, Princesa. E nesse dia você vai estar sendo escoltada por Jennie até seus aposentos. — balancei minhas sobrancelhas sugestivamente e a ouvi gargalhar enquanto seu rosto ganhava uma coloração avermelhada pelo meu comentário. 


– É o comandante Kim? 


– Ele está indo para casa?! Pelo amor Jen, uma desculpa convincente…


– Conta o que a Jennie fez da última vez de novo! 


– Princesa…


– Por favor Jisoo, foi muito engraçado! 


– Eu estava na aldeia comprando ervas medicinais porquê acabei a machucando durante o treinamento, meu pai estava voltando para casa à noite, mas ainda era tarde então não me preocupei, entretanto ele acabou voltando mais cedo e Jennie estava nos fundos, perto do lago, ele perguntou o que ela fazia ali. "Vim… limpar o lago!" — existe ser mais imbecil que Jennie? Eu desconheço. A princesa já estava se acabando de rir ao meu lado. 


Estávamos bem mais perto do Castelo, já consigo até ver o grande portão e os guardas andando… ou correndo. Deve ter algo interessante acontecendo. 


Bastante interessante para falar a verdade. Estão todos eufóricos, correndo, e meu pai nunca volta para casa à essas horas, ainda mais no meio da semana. Aposto como algum prisioneiro deve ter escapado. Ou algo ainda melhor para fazer. 


– O que seja que estiver acontecendo, não se metam em apuros. — Lalisa comentou quando chegamos perto o suficiente do portão. — Kang-Dae, abra. 


De cima, o soldado revestido em metal curvou-se antes de começar a abrir o portão. Kang-Dae é um dos preferidos de meu pai, ele mesmo o treinou, e por ser o mais forte e ágil, Wang o pôs para defender o Castelo junto à mais cinquenta homens. O que eu considero pouco. 


– Bem-vinda de volta Princesa, Hoobae Kim. — saudou-nos Seung, um jovem cocheiro. Apanhou as rédeas de Hwan e Chun. Apeei e ajudei Lalisa. 


Hwan é um corcel muito alto, e apesar de Lalisa conseguir descer dele normalmente, eu a ajudo bastante. Afinal, se ela voltar a esse Castelo com um fio de cabelo a menos do quê a quantidade que saiu, o Rei arranca um fio meu para repor. 


– Você se preocupa demais. — comentou enquanto andávamos pelo grande salão à caminho da sala do trono, eu devo anunciar o retorno em segurança da princesa e logo após isto, me retirar.


A porta do grande salão foi aberta, e diferente da maioria dos dias, hoje Wang andava de um lado à outro em uma postura descontraída enquanto pensava em algo, não percebendo a nossa presença aqui. Até que eu chamei por sua atenção. 


– Oh, jovem Kim. — Wang pôs suas mãos para trás e sua postura agora estava ereta. — Trouxe Lalisa em segurança mais uma vez. Meus sinceros agradecimentos. 


Ajoelhei-me brevemente com a aproximação dele, normalmente eu deveria apenas me curvar, mas se meu desejo é entrar no exército, eu devo agir como um soldado. 


– Vejo que ainda não desistiu da ideia de servir ao meu exército. — comentou observando minha espada embainhada com o suporte nas costas.


– Não, majestade. 


– Vejo o avanço de seu treinamento em suas mãos. — comentou antes de dar-me as costas e se aproximar à janela. Me pus de pé ao lado de Lalisa. — Já conversou com o comandante sobre isso novamente?


– Meu pai não abre objeções quanto a isto, majestade. 


– Compreendo. Ele hoje estará saindo em uma busca para mim. 


– Uma busca? — Lalisa murmurou ao meu lado.


– Lalisa, já deveria estar em seus aposentos. — Wang virou-se frente à ela. Que cerrou seu olhar.


– Estaria indo atrás do quê? — questionou a Princesa. 


– Encontramos resíduos de algum novo metal…


– Papai! Já possuímos o suficiente para armar mil homens! Não vejo necessidade de ir atrás de mais metal.


– Se engana, Lalisa. Jisoo, leve-a até o quarto, se não for abusar de sua boa vontade. 


– Com sua licença, majestade. Venha, alteza. — chamei-a estendendo meu braço. Temo por essas discussões entre ela e Wang, não gosto de presenciá-las. 


– Um dia essa sua ganância ainda vai sufocá-lo. — Lalisa alfinetou o que faltava antes de sair junto à mim até a escadaria. 


– Enlouqueceu?! — sussurrei apertando um pouco seu braço. 


– Você pode ter medo de enfrentá-lo, mas eu não. Vejo de perto a busca incansável do meu pai por mais poder enquanto mamãe está doente. E ele faz algo quanto a isto? Não. Joga a responsabilidade da melhoria da rainha em cima das serviçais. 


– Calma Lisa… 


– Não Jisoo, não vou ficar calma. Já fez o suficiente por mim em um dia, volte para casa antes que seu pai faça picados de Jennie para o jantar. 


– Se cuide, por favor. — a abracei levemente, me afastando logo em seguida. Desci as mesmas escadas, andando apressadamente até o lado de fora do Palácio. — Seung.


– Olá Hoobae Kim, já irei trazê-la. Com sua licença. — às vezes acho que Seung tem medo de mim. Mal olha para meu rosto quando me aproximo; talvez seja medo de meu pai, na verdade.  


Não demorou muito tempo para que eu escutasse o relinchar de Chun logo atrás de mim, tomei suas rédeas e agradeci à Seung. Montei e acariciei seus pelos sedosos. Esperei que Kang-Dae abrisse o portão para Chun poder galopar. 


Eu amo cavalgar, é tão gratificante sentir o vento contra meu rosto, a sensação de liberdade, é nesse mundo que tenho um vislumbre da aventura. Sair por aí em nome do Rei para batalhar deve ser algo tão incrível. É o que mais quero, servir pela proteção de Gojoseon. Desde nova esse é meu desejo. 


Não demorei muito a chegar em minhas terras, levei Chun até o estábulo e observei a figura cansada de Jennie sentada sobre o feno. 


– O que faz aí? — perguntei já esperando pela resposta mais óbvia.


– Limpando o estábulo, como a senhorita pediu. — murmurou. Ouvi passos atrás de mim e Jen correu até Chun, para tomar as rédeas dela e retirar sua sela cautelosamente. 


– Essa garota é muito útil Jisoo, mande-a vir organizar as coisas por aqui mais vezes. — meu pai comentou enquanto me embalava naquele abraço. E eu estava prendendo o riso na garganta. — Como está querida? 


– Voltou antes do esperado, pai. Wang me falou que você irá sair em uma busca por metais… — comentei curiosa o vendo abrir um pergaminho. 


– Sim, é um metal bastante resistente, encontrado às margens do rio Taedong, antes de Jin. Então eu irei até lá acompanhado de três dos meus soldados, e não, você não pode ir. 


– Mas…


– Sem mas, são ordens do Rei. Apenas quatro soldados, é um local perigoso.


– Então não vá. 


– Jisoo! 


– Por favor! Eu sei me cuidar, eu quero ir. 


– Eu já perdi sua mãe para esse espírito aventureiro que vocês duas possuem, não quero perder você também. — e como sempre em nossas discussões, ele tem que falar na morte da mamãe. Brilhante, pai; ele sabe que é apenas assim para me fazer repensar sobre o assunto. — Por favor, dessa vez, obedeça. Wang impôs ordens de encarcerar quem quer que vá alem do Rio sem autorização, então fique aqui. 


Papai chamou por seu corcel, Kyu, e como ele chegou, foi embora. Me deixando aqui, emburrada e temerosa. 


– Obedeça ele Jisoo, ao menos dessa vez. — Jen falou ao terminar de organizar as coisas no estábulo. 


Ignorei-a. Andando apressadamente até meu quarto para poder preparar um banho. Jennie ainda veio atrás de mim para conferir se eu não havia fugido pela janela. 


Minha mãe foi a primeira mulher a conseguir entrar para o batalhão, foi lá que ela conheceu meu pai. Ela era comandante na época, a aldeia venerava minha mãe. Às vezes quando saíamos ela me levava nas costas até o campo de treinamento.


‘– ChiChu, está vendo isso? — mamãe tomou minha mão enquanto andávamos pelo campo de treinamento dos soldados. — Mamãe trabalhou muito para fortalecer esse exercício, minha pequena. Quando você crescer vai fortalecê-lo também?


– Sim omma.’


– Sim omma… — acordei do pequeno transe em meio as minhas recordações. Levantei-me apressadamente da cama, deixei Jennie sozinha a noite toda. O céu já está escuro demais. E como previsto, ela não está dormindo em seu quarto ou na sala. Onde ela estaria… 


Caminhei pela casa procurando-a, não está no estábulo. Ouvi mais a fundo um som conhecido, é uma melodia bonita. Vem do lago, deve ser ela. 


– Jen? — chamei quando já estava perto o suficiente, porém não obtive respostas. — Jennie? 


Pude vê-la sentada nas margens do lago, estava abraçando seus joelhos e olhando para frente. Jennie se perde facilmente enquanto pensa, é um pouco difícil fazê-la voltar à realidade, então o melhor a se fazer é observá-la e esperar que ela saia do pequeno transe que acontece em sua mente. 


Sentei-me ao seu lado. Ela não notou minha presença, deve estar concentrada demais no que se passa em sua cabeça. Conheci Jennie em minha adolescência, eu estava comprando comida para o jantar e a vi de relance me observando, quando voltei para casa ela me acompanhou. Estava sozinha, suja, e com roupas completamente rasgadas. Seu rosto tem uma cicatriz no maxilar, uma grande cicatriz. 


Ela apenas sabia seu nome, não tinha conhecimento de onde estava ou de onde veio, muito menos da localização de seus pais. Estava com fome e precisava de um banho, e desde aquele dia eu não consegui mais me separar dela. Jennie é dois anos mais nova que eu, vivemos juntas desde o seu suposto aniversário de doze anos. 


Ela também não recorda quando é seu aniversário, ela somente lembra que seu nome é Jennie, e naquela época seu "último parabéns" foi de onze anos. Meu pai não tem conhecimento sobre isso, para ele, Jen é a camponesa que me ajuda a limpar a casa. 


Jennie passou por volta de três anos dormindo no estábulo, naquela época meu pai vinha muito em casa, e ela não podia dormir lá dentro, porém depois de algum tempo as visitas dele demoraram, então era apenas Jen e eu. 


Tudo o que aprendi com meu pai, eu ensinei a Jen. Mas ela nunca se deu bem com uma espada, apesar de saber manusear bem, prefere usar arco ou uma lança. A visão dela é esplêndida, mas seus reflexos nem tanto. 


– Jisoo! Que susto! — Jen exclamou ao estapear meu braço. — Há quanto tempo está aí?


– Bastante. Em quê pensava dessa vez? — ela deitou em minhas pernas e abraçou minha cintura, eu já sabia o que viria logo depois disso.


– Quero a Lisa. — começou. Quando eu disse que tenho que aguentar Jennie chorando em meu colo, é porquê é realmente isso que acontece. 


– Você a viu hoje, Jen. 


– Mas só foi por uns minutos, eu quero ela bem muito.


– Ela é mais nova que você, mas sabe lidar melhor com essa distância. 


– ChiChu. — choramingou apertando ainda mais minha cintura. — Daqui dois dias vamos completar dois anos de namoro, e se eu não ver ela no dia?


– Você lembra disso? 


– Claro que lembro!


– Ama muito ela mesmo, porquê eu lembro bem que você esqueceu meu aniversário desse ano.


– Eu já pedi desculpas por ter esquecido. — olhou para mim, com esse bico, e os olhos vermelhos. Me diz como aguentar isso? 


– Tá tudo bem, Jen. Você já tentou dormir? 


– Eu não quero dormir, eu quero a Lisa. — parece uma criança procurando pela mãe… 


– Em plenos vinte anos de existência e ainda é como uma criança. — murmurei enquanto acariciava os fios castanhos de seu cabelo. 


– Nunca te vi chorando Jisoo, como você consegue?


– Eu choro também, só nao gosto de fazer isso quando tem mais gente por perto.


– Você é forte demais, Chi. 


– Você também é, Jen. — deitei no gramado, repousando a cabeça de Jennie em minha barriga. Continuei a carícia em seu cabelo até que ela dormisse enquanto cantarolava alguma coisa. Demorou, mas ela dormiu.


(🐎)


– Jisoo! — ouvi apenas meu nome e um belo jato de água ser lançado contra meu rosto. Levantei em um pulo e senti minhas costas reclamarem. Eu estava apreciando o início da tarde no gramado, e Jennie estava brincando no lago. — Vem! 


– Que susto, Jendeukie! Saia de uma vez da água, vai esfriar e você não pode adoecer. Ainda há a possibilidade de Lalisa vir aqui amanhã. 


Amanhã é o "grande dia", e Jennie não para de tagarelar sobre isso. Ela acha que Lalisa não conseguirá vir, mas ao mesmo tempo me pergunta o quê ela deveria presentear a ela este ano. 


No último ano, Jennie a levou até um Salgueiro, não muito longe daqui. Selou Chun para elas e desapareceu com minha égua e a Princesa por um dia inteiro. Eu sofri muito nesse Tempo. Não sabia onde estavam. Se meu pai voltasse repentinamente para casa, iria perguntar sobre Chun e Lalisa. Nem sinal das duas. Foi um fiasco! 


A mesma coisa aconteceu há algumas semanas, têm um arbusto que acabou de "crescer" — como diz Jennie — não muito longe de minhas terras, mais ao Sul. Falando nisso…


— Jennie…


– Me ajuda! — ela já estava sentada na minha frente pedindo ajuda por algo que desconheço, estava perdida em pensamentos.


– Lembra da flor que cresceu? Aquela que você e Lalisa estavam olhando? 


– Ah… Mugunghwa? — ela demorou um pouco a conseguir pronunciar, mas conseguiu. 


– Sim, ela parecia gostar. 


– O arbusto é alto...


– Lalisa amou aquelas flores…


– Tem uma flor que ela deu um beijo e escreveu nossas iniciais nela... — comentou pensativa. — Será que essa flor ainda existe?


– Provável que sim, elas ainda não caíram e eu não deixo ninguém pegar nenhuma. 


– Você é um gênio, ChiChu! — foi a única coisa que ela disse antes de levantar-se. 


– Onde pensa que está indo?


– Procurar a flor. — gesticulou em direção aos arbustos. 


– Já vai escurecer e você não pode ficar doente. Então já para dentro; vista roupas secas e durma. Amanhã pela manhã eu te acordo cedo para sua procura pela flor. 


– Boa noite. — ela literalmente correu para dentro de casa. Às vezes me questiono sobre a real idade de Jennie. 


Continuei no gramado, deitei-me. Observei o céu e as estrelas, diversos conjuntos, me lembro bem de quando mamãe observava-as comigo. Meu pai não costuma ter muito tempo pra mim, mas ele sempre gostou de olhar as nuvens. Meus pais… eu sempre os achei um completo oposto um do outro, principalmente quando o assunto era comida ou por o meu nome. Papai uma vez me falou sobre a discussão que eles tiveram quando descobriram que era uma menina, e não um menino — como ele esperava. 


Mas isso não impediu muito meu pai de me criar como se eu fosse um garoto. Minha mãe não abria objeções quanto a isto, mas a vizinhança comentava bastante sobre. O modo que eu me visto, ou o fato de querer seguir os passos de minha mãe. Eles são tudo de mais precioso que tenho, além de Jennie e Lalisa. E mesmo que mamãe não esteja mais entre nós, permanecerá sempre comigo. 


– Você pode me ver quando eu te sinto? — questiono erguendo meus olhos ao céu, não pude evitar a lágrima solitária que escapou. 


Acabei adormecendo novamente no gramado, isso vai acabar com minhas costas. E pior ainda, é o ser vivo que está andando em minhas pernas. 


– Jendeukie! — gritei ao abrir meus olhos e me surpreender com uma figura completamente diferente à que eu esperava. 


– Boa tarde, Jisoo. 


– Princesa Lalisa?! Tarde? Quanto tempo eu dormi? Jennie sabe que está aqui? O quê está acontecendo?


Eu não posso nem dormir mais que essas coisas acontecem. 


– Eu acabei de chegar, na verdade. Não encontrei com Jennie. Vim aqui só para vê-la e ainda não a vi. Onde ela está? 


Sentei na grama e levei minha mão até meu pescoço, acariciando o local, que estava dolorido. Minha colcha está cobrindo minhas pernas. Jennie provavelmente me viu dormindo pela manhã. Tão fofa…


– Jennie… provavelmente na aldeia… — disfarcei enquanto expulsava Lalisa de minhas pernas para poder levantar-me. — Vamos entrar, preciso lavar o rosto. 


– O lago é bem aqui.


– Entra logo Lalisa. — resmunguei apanhando minha colcha e a jogando em meus ombros. Lalisa estava em meu encalço com os braços cruzados, observando o oeste, como se esperasse ver algum vestígio de Jennie. Cheguei nos estábulos, e ao contrário do que esperava encontrar, me veio três cavalos.


– Estou vendo dobrado? Ou triplicado… 


– Este é Yong. — Lalisa se aproximou do cavalo negro que estava próximo à Hwan. É lindo! — Acha que Jennie vai gostar?


– Um cavalo?! 


– Sim, ela diz que gosta quando cavalga em Chun. Yong é um bom cavalo, ele só é um pouco chato às vezes. — o cavalo se afastou ao notar a mão de Lalisa se aproximar da sua fronte. — Como eu disse.


– Ela vai amar isso, com toda a certeza. Mas não acha que talvez devesse ser algo mais… simples? 


– Não posso sair por aí comprando qualquer coisa e depois chegar ao Palácio de mãos vazias. Papai iria achar isso no mínimo… estranho?


– E ele não vai sentir falta de um cavalo?


– Yong iria ser sacrificado por ter tentado matar um dos guardas. Mas foi tudo culpa daquele idiota, estava machucando-o. Então hoje quando Seung iria sacrificá-lo, eu cheguei e o expliquei que seria um presente para você, então o trouxe. E eu realmente espero que ninguém relate ao meu pai. Mesmo que relatem, tenho certeza que você irá saber o que fazer. 


E como sempre sobra para Kim Jisoo. 


– ChiChu! — arregalei meus olhos e corri para a entrada do estábulo enquanto Lalisa se escondia em algum lugar. — Eu encontrei! 


– Oi Jen, não me acordou hoje.


– Eu até tentei, mas você não me deu bola de jeito nenhum. — deu de ombros. Observei o leve rastro de sangue em seu braço e arregalei meus olhos. — Eu estava nos arbustos e…


– Vá já se limpar! 


– Mas, Jisoo…


– Agora Jennie! Depois que se lavar volte aqui e eu irei limpar o ferimento. 


– Guarda pra mim? — estendeu a flor que estava sendo tão bem protegida que parecia ouro. — Cuida direitinho. 


– Não se preocupe. Eu vou cuidar como se fosse meu filho. 


Jen correu para os fundos, provavelmente vai se jogar no lago e voltar em alguns minutos completamente encharcada. Entrei no estábulo novamente e repousei a flor em minha mesa de madeira que uso para fazer esboços de novas espadas. 


– Essa flor… — Lalisa se aproximou de mim e observou a rosa. 


– Ela ficou a manhã inteira procurando especificamente por essa. Não sei ao certo o porquê, mas ficou. 


– Nós fizemos uma promessa aquele dia, essa flor é muito importante para nós. 


– Compreendo. — deixei-a olhando aquela rosa enquanto procurava por ervas e faixas. Jennie não consegue ficar muito tempo sem se machucar, é impressionante. 


– Cheguei! — gritou quando estava na frente do estábulo. Completamente molhada. E com vestes brancas. Jennie você se supera cada dia mais. — Que cara é essa?


– Jennie me diz, o que acontece quando molha roupa branca? — perguntei cruzando os braços ao me virar frente à ela, Lalisa estava mais à fundo, a vi por a mão frente aos lábios. 


– Opa… — o rosto dela estava ganhando uma coloração avermelhada ao notar o que aconteceu. 


– Você é muito idiota, Jen. — retirei minha túnica para poder cubri-la. Ela sorriu ainda um pouco envergonhada e me acompanhou até o meio do estábulo. Até que olhou ao redor e reconheceu o relinchar de Hwan. 


– Lisa está aqui?! — o sorriso em seu rosto cresceu e ela se esqueceu completamente do que estava acontecendo. 


– Surpresa. — falou ao se aproximar de nós, com a flor em mãos e o olhar divertido ao notar o tanto que ela estava ensopada. — Dois anos e pra mim é como se estivesse me apaixonando pela primeira vez. 


Me poupe. 


Quando fiz menção de sair do local, Jennie puxou o tecido de minha blusa. Ela não vai me fazer esperar, vai? 


– ChiChu, fica aqui. 


– Não. Vocês vão ficar no mesmo açúcar de sempre. E eu quero tomar meu banho. 


– Daqui a pouco vamos precisar de você para selar Yong. — Lalisa comentou ao abraçar a cintura de Jennie. Acenei para elas e me virei, caminhando até dentro de casa. 






Notas Finais


[Mugunghwa é uma rosa-de-sarom. 🌸]


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