História All I Ask - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Due


O que me tirava o sono era a última discussão com minha irmã Clara.

- Conta pra Marta e pro papai sobre a sua namoradinha Louise. Vai, Lica! Assume pra eles!

Era sempre impossível brigar com Clara. Desde pequena eu era vítima de sua desproporcionalidade. Se eu a xingava, ela respondia com minhas maiores inseguranças. Além de odiar conflitos, eu tinha medo de suas explosões. Sempre vivi sobre as ameaças de que ela contaria todas as minhas intimidades para os meus pais.

Desde que comecei meu namorinho com Louise sabia que teria que manter Clara à distância até compreender bem o que estava rolando. Sabia que não podia esconder aquilo dos meus pais, mas não era a hora de falar sobre isso ainda. Eu precisava de mais tempo.

Aquela briga tinha começado porque eu notei que Clara começou a chegar em casa com hematomas nos braços. Por mais que ela negasse, eu sabia que eram exatamente do tamanho dos polegares de Felipe. 
     Clara e Felipe namoravam há mais de um ano e obviamente eram os queridinhos dos meus pais. Aos dezesseis anos eu já presenciava o que hoje sei que se chama de privilégio heterossexual. Ele fazia faculdade em outra cidade e passava os finais de semana e feriados praticamente inteiros em minha casa. Nunca ouvi meus pais reclamarem dos dois dormirem juntos ou trancarem a porta do quarto como aconteceria comigo posteriormente, mas ainda não vem ao caso.
Eu sabia que Felipe era bruto e grosso porque nos odiávamos desde quando fomos apresentados um ao outro. Era um babaca machista que não perdia a chance de implicar comigo. Estávamos sempre em lados opostos em qualquer disputa, mesmo quando Clara tentava nos aproximar. Eu nunca odiei tanto alguém de graça como ele. Após ver minha irmã com hematomas e crises de choro sem explicações, acabei explodindo:
- Clara, esse machucado no seu braço é o quê? Isso obviamente é marca da mão de alguém!

- Você está louca, Lica. Eu caí da escada.  - ela desconversou enquanto vestia apressadamente um casaco e se cobria. - Você mesma viu que estão reformando a casa dos pais do Fê e o piso novo é mega escorregadio. Fui ajudar a limpar as escadas e escorreguei. 

- Para de mentir! Você me acha tão burra assim? O Felipe tá te batendo, Clara? Desde quando isso tá rolando?

- Cuida da sua vida, Lica. - ela me empurrou e terminou de se vestir - Me deixa em paz! Eu não me meto nas suas merdas.

- Deixa eu te ajudar, Clara. Me conta o que tá rolando. Eu sei que isso é coisa do doente do Felipe...

- Cala a boca! A única pessoa doente aqui é você. - senti minhas pernas fraquejarem enquanto ela vociferava, mas tentei permanecer inabalada. - Quem faz coisas doentes é você!

- Ou você me fala o que está acontecendo ou eu vou tomar alguma providência! Vou falar com aquele merda ou com os pais dele, a polícia ou sei lá...

- Por que você não fala com a Louise?

Clara pronunciou o nome com deboche. Olhei rapidamente para a porta do quarto e vi meus pais parados no corredor com o semblante confuso. Provavelmente notaram que não estávamos no meio de uma discussão corriqueira.

- Que baixaria é essa aqui? - minha mãe entrou no quarto e olhou para nós duas. - Eu posso saber por que vocês estão gritando?

Meu pai também entrou, mas aproximou-se de Clara. Eu tremia, sentia gosto de sangue na boca. Nunca tinha chegado a esse extremo da raiva. 

- A Clara está apanhando do Felipe! - cuspi a sentença de uma só vez. Senti algo atingindo meu braço. Ela havia jogado um tênis em minha direção. 

- CALA A BOCA, LICA!

- Quê? - minha mãe botou a mão diante da boca, incrédula. 

- É isso mesmo! A Clara está com o braço todo machucado. Mostra pra eles!

- Lica, a sua irmã...

Interrompi antes que meu pai voltasse a defendê-la. Típico dos dois. 

- Pai, você não ouviu? - senti um nó se formando em minha garganta. - A Clara tá...

- Conta pra Marta e pro papai sobre a sua namoradinha Louise! Vai, Lica! Assume pra eles! 

Senti imediatamente o chão sumindo debaixo dos meus pés.

 


Notas Finais


E agora, José?


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