História All I Ask - Capítulo 3


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Poesias, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Tre


Tentei responder imediatamente, mas ela havia atingido meu ponto fraco. Eu não sabia lidar com nada daquilo na época em minha própria cabeça, imagina diante das pessoas que mais importavam na minha vida. Anos antes havia esboçado algum comentário sem nenhuma maldade de que sentia algo diferente pela minha melhor amiga com minha mãe, mas ela não rendeu o assunto nem eu insisti.

O maior problema era o meu pai. Não me lembro de um só dia durante toda a minha vida em que não tenhamos discutido ou ficado de mal um do outro. Era simplesmente impossível entrar em acordo com as atitudes machistas e antiquadas dele. Lembro-me de torcer pra minha mãe se separar dele desde que aprendi o que era divórcio.

                - Vai ficar muda agora, Lica? Conta aí pra sua mamãe que você tá namorando sua amiguinha. Perdeu a voz, foi?

                Pensei em partir pra cima dela, mas minha mãe me deteve. Segurou firme meu pulso e olhando para Clara decretou:

                - Para com isso agora, Clara! As duas!

                - Vai ficar do lado da sua queridinha, né? Tá vendo, pai? – Clara apontou para nós duas enquanto esperneava. – Ela sempre vai ficar do lado da doentinha. Essa lésbica nojenta!

                Senti as lágrimas quentes rolando pelo meu rosto e tirei forças de onde nem imaginei que tinha. Respondi encarando meu pai que permanecia mudo, embora me fuzilasse com os olhos:

                - Eu não vou abaixar minha cabeça pra essa menina. Nem pra ninguém.

                Minha mãe pediu que eu me acalmasse e começou a dizer em voz alta:

                - Lica, nem pense em sentir vergonha. Não aqui. Isso não é motivo nenhum para você se envergonhar, entendeu? – apertou minha mão. – O que você faz ou deixa de fazer da sua vida não interessa a ninguém aqui nesse quarto. Você está fazendo um papel ridículo, Clara. Onde é que você aprendeu tamanha intolerância?

                - Não é possível que vocês dois aprovem essa aberração! – ela também chorava agora. Eu mal conseguia respirar com o enorme nó formado em minha garganta.  – Até quando vocês vão fingir que o comportamento da Heloísa é normal? Vocês sabem muito bem que ela é assim desde pequena, mas sempre se fizeram de desentendidos. Todo mundo sabe!

                - E DAÍ? – minha mãe respondia mais alto que ela. – E daí que todo mundo sabe? Isso é algo pra se esconder? Lica, olha pra mim.

                Obedeci, embora sentisse a vergonha tomando conta de todo o meu ser.

                - Você é minha filha amada e eu vou ficar do seu lado pra sempre. Não importa o que aconteça. Eu te amo exatamente como você é!

                A Clara não respondeu, mas também não parou de resmungar. Meu pai permanecia mudo. Cruzou os braços, pigarreou e finalmente disse:

                - Acabou o showzinho?

                Senti toda a raiva que tinha de Clara naquele momento direcionar-se pro meu alvo de sempre. Não dava pra suportar as atitudes do meu pai, especialmente porque eu sabia que suas críticas haviam se tornado extremamente duras conforme eu crescia e demonstrava minhas preferências.

                - Você pensa igualzinho à ela, né? – apontei pra Clara. – É claro que pensa! É por isso que você não disse nada. Você também me acha uma doente.

                - Não coloque palavras na minha boca.

                - Você não vai dizer nada? Não vai me defender ou tomar partido dela? Vai continuar fingindo que tá tudo bem? Normal, né? É seu papel favorito mesmo. Você adora fingir que nada está acontecendo nessa casa, sempre foi assim. Nem sei por que tô surpresa agora.

                - Cala a boca, Heloísa!  – ele estava prestes a sair do quarto, mas eu caminhei até a porta e impedi a passagem.

                - Fala, senhor Edgar! É a sua hora. Aproveita pra falar na minha cara o que eu sei que vocês dois vivem cochichando. Sei muito bem que você e sua filhinha perfeita estão sempre me criticando juntos.

                - Cê tá viajando, Lica. – A Clara veio em minha direção. – Deixa o meu pai fora disso!

                - Fica fora disso, Clara! - ele finalmente postou-se diante de mim. – Você quer que eu diga? Eu falo! Você acha que eu vou aplaudir seu comportamento e falar que isso é lindo? Tenha dó, Heloísa! Você acha mesmo que o mundo inteiro vai ser igual a sua mãe e tratar isso como algo normal? Isso não é normal.

                Minha mãe tentou responder, mas eu deixei o quarto antes que ele terminasse. Não pensei muito, só fechei a porta com toda a minha força deixando-os lá dentro e saí exatamente como estava de casa. Não tinha ideia do que estava prestes a fazer, mas sentia que a minha vida tinha acabado exatamente ali.

                Enquanto eu corria chorando pela minha rua, a voz do meu pai dizendo “isso não é normal” ecoavam no meu cérebro.

                Eu era louca e anormal.



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