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História All I want - Capítulo 1


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Notas do Autor


E aqui estou de volta. Como vocês estão, hum?
Eu andei pensando um pouco com os meus botões e cheguei à conclusão de que a gente precisa falar um pouco sobre a Marinette e o problema que ela tem pra se expressar, entendem? Essa não é a One-shot mais feliz do mundo e, se você não gosta do gênero, eu realmente recomendo que não leia. Não quero causar desconforto em ninguém, até porque, eu sei como não ser correspondido pode afetar as pessoas às vezes. De qualquer forma, aos que ficaram, boa leitura!

Capítulo 1 - I want to tell you, but I don't know how


Quando o último sinal do dia tocou, Marinette permitiu que um suspiro pesado escapasse por entre os lábios rosados. Ela ergueu a cabeça, afastando o queixo da palma da mão e, por um momento, se viu perdida entre os seus colegas de classe. Ao seu lado, Alya arrumava as coisas dentro de sua bolsa, animada por finalmente estar indo para casa - afinal, quem não estava? Todos pareciam aliviados depois de um longo dia na escola, com todos aqueles deveres e trabalhos. Eram tantas anotações, matérias e tarefas que, só de pensar, a Dupan-Cheng se sentia tonta.

Marinette guardou todo o seu material preguiçosamente. Não o organizou, como estava acostumada a fazer. Apenas empurrou suas coisas dentro da mochila e jogou as alças sobre os ombros. Por fim, seguiu com os colegas de classe para fora da sala. Desceu as escadas, notando que Alya estava distraída demais em seu celular para notar qualquer coisa. Por isso, a mestiça apenas apertou as alças da mochila e se dirigiu para fora da escola. Os nós dos dedos ficaram brancos. Não teve coragem de falar com ninguém naquele fim de tarde. Não queria que os outros notassem o seu desânimo e não queria contagiá-los também. Por isso, passou o dia inteiro fingindo estar tudo bem. 

Mas... Era desgastante.

No caminho de volta, Marinette olhava mais para o chão do que para o céu. Agradeceu mentalmente quando chegou na padaria e notou que seus pais estavam ocupados com alguns clientes. Assim, não precisaria falar nada. Era apenas acenar e forçar um sorriso. Mais um. O último do dia. 

Subiu as escadas e se trancou no quarto. Quando colocou suas coisas em cima da mesa, ao lado do monitor do computador, Tikki planou para fora da bolsa e circulou o corpo da Dupain-Cheng. A pequena kwami, com certeza, já havia notado que tinha algo de errado ali. Estava pronta para afastar qualquer emoção negativa de sua portadora e aconselhá-la, mas Marinette parecia tão pra baixo...

— O que houve, Marinette? – a voz da kwami ecoou pelo quarto silencioso.

A garota apenas moveu os ombros e afastou os sapatos dos pés, se sentindo mais a vontade descalça. Assim, passou a se despir e jogar as roupas sobre a cama, logo tratando de vestir os pijamas confortáveis.

— Não é nada demais, Tikki. Não precisa se preocupar. – murmurou enquanto vestia a blusa do pijama, mas apenas o seu tom de voz era o suficiente para alertar a kwami de que ela não estava nada bem e aquela era só mais uma grande mentira entre todas as outras que contou durante o dia.

Marinette subiu até a sacada de Tikki a seguiu, contrariada. Observou sua portadora de sentar no chão e passar as pernas entre as grades da sacada, em seguida, apoiando o rosto em uma delas. A mestiça fechou os olhos e permitiu um longo suspiro escapar de si. Cabisbaixa, ela precisou respirar fundo algumas vezes e se concentrar muito para não chorar.

Odiava aquele sentimento. Impotência. Inutilidade. De que adiantava ser Ladybug, a heroína e protetora de Paris, se tinha dificuldades tão grandes para se expressar e uma autoestima que sequer poderia ser quantificada? Quando usava o uniforme, tudo mudava. Ela ganhava habilidades que outras pessoas não tinham e, assim, poderia proteger os civis. Era só capturar os akumas e todos estariam a salvo. Todo mundo adorava a Ladybug, mas... Não era a mesma coisa quando se tratava da Marinette.

Marinette Dupain-Cheng. Desastrada, cabeça de vento, desajeitada. Não era muito quando era apenas... Ela. A tão sem graça Marinette, que não tinha a capacidade de fazer nada sem se atrapalhar e acabar estragando tudo.

— Vamos, Marinette. - Tikki insistiu, pressionando o rostinho contra a cabeça da garota. – Você pode contar comigo, pode desabafar. Sabe disso, não sabe?

Ela sorriu para o pequeno kwami. Um sorriso fraquinho e sem muita estabilidade, que logo morreu no rosto da heroína. Marinette olhou através das grades para as ruas. Estavam calmas, as pessoas andavam com certa lentidão, despreocupadas. Não havia muito trânsito, também.

— Sabe, Tikki... – ela começou baixinho, em um tom quase inaudível. – Hoje cedo, nós lutamos contra aquele akuma e eu cheguei atrasada na aula por causa disso. Tem sido assim quase todos os dias. Eu cumpro o meu dever como uma super heroína e ainda estudo para as provas, saio com a Alya, ajudo os meus pais na padaria e tudo o mais, mas... 

Fez uma pausa. Respirou fundo outra vez e a kwami esperou pacientemente pela continuação. Marinette comprimiu os lábios e mordeu o inferior com força. Encarou as próprias mãos. Os dedos estavam cercados por esparadrapos. Estava trabalhando em novas roupas e acabou se furando algumas vezes enquanto costurava. Era um tecido delicado, precisava fazer à mão. Agora, não tinha ânimo nem para os seus próprios projetos.

Ela se sentia cansada. Mas não era o cansaço que vinha por lutar contra akumas, ou precisar ficar estudando até tarde, ou ajudar a cuidar da Manon, fazer as lições, passar a tarde na padaria... Nenhuma dessas coisas a deixava mais cansada do que ser ela mesma. Do que olhar no espelho e não gostar do que via. Não falava de sua aparência, mas da forma como guiava as coisas.

Todos elogiavam Marinette por ser boa em tudo. Por ser uma filha obediente, uma garota gentil e uma boa aluna. Por se dar bem na culinária, ter uma mente criativa, um bom gosto para roupas, e por tratar todos com gentileza e estar pronta para ajudar quem precisar. Mas sempre pareceu tudo tão superficial e simples que não era o suficiente para ela. Marinette simplesmente não aguentava mais se sentir sufocada por algo que não sabia como dar fim.

Era como se estivesse presa em um loop infinito e tudo aquilo que a colocava pra baixo se repetisse, o tempo todo, para apenas ela ver. Se sentia acabada por dentro. Como se estivesse se despedaçando. Ponto a ponto, como em suas tentativas de costura que davam errado, Marinette se rasgava. Se estar arrasada e quebrada fosse um trabalho artístico, ela, com certeza, seria uma obra prima.

Às vezes, se sentia à deriva no oceano, flutuando graças apenas à um pequeno barco de madeira podre e barata. Às vezes, Marinette sentia que era Adrien quem oferecia aquele pequeno barco, como uma forma de mostrar que se importava, mas acabava sendo exatamente o contrário. Porque era aquele barco que a fazia se afogar. Sabia que não poderia culpá-lo quando era ela quem insistia em remendar cada vazamento que podia. Entretanto, seus sentimentos estavam se tornando pesados demais.

Ela não era suficiente para Adrien. 

— ... Não conseguir admitir os meus sentimentos é mais cansativo do que isso tudo.

 


Notas Finais


Então, foi isso. Certa vez, eu li uma fanfic que retratava realmente bem esses "pequenos" problemas da personagem, mas eu queria escrever isso da minha própria forma, entendem?
Enfim. Espero que tenham gostado. Até a próxima.~


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