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História All I Want - Capítulo 5


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Notas do Autor


Aqui damos um passo importante para o que elas irão viver lá na frente.

Capítulo 5 - Capítulo Quatro


 

Meu corpo estava quente, muito quente. E eu tenho certeza que não usava mais do que um edredom para me cobrir. Regina havia por milagre dormido em sua cama, então por que eu estava quente? Abro meus olhos, pesados, cansados, sonolentos, e dou de cara com uma cabeleira castanha. Ah... Está explicado. Regina Furtiva Mills. Reviro meus olhos e ajeito meu corpo para que o seu pare de me tocar.

 

A observo dormir, seus traços marcantes tão delicados parecem angelicais, a meia luz que clareia nosso quarto me deixa visualizar cada traço. Cada detalhe. Ela é linda. Agora dizendo apenas o físico. Regina é latina, vem de Porto Rico, mas não sabe falar espanhol. Pelo menos não muito. Herdou da família do pai a fartura de nádegas, como ela mesma diz, mas herdou a ausência de seios grandes da família da mãe. Já que seu pai é de Porto Rico e sua Mãe dos EUA. Reclama muito por não ter a pele tão bronzeada quanto suas primas paternas, já que por mais que sua pele não seja alva, ela ainda assim não era bronzeada o suficiente para seu ego.

 

Bom, para mim ela era perfeita. Tudo se combinava a altura, o quadril, os seios, o rosto, os fios escuros ondulados de cabelos. Perfeita. Sem tirar nem por. Sem contar que seus traços combinavam perfeitamente com a sua personalidade. Ela ri de coisas que eu nem ousaria sentir graça, gargalha alto e está sempre de ótimo humor. Regina até dormindo é meu oposto já que eu durmo super quietinha no meu canto e ela é espaçosa e quer a cama só pra ela. Bom, é meio difícil dividir a cama de solteiro com essa moça.

 

_Sabia que é feio observar as pessoas enquanto elas dormem? – Ouço Regina dizer ainda de olhos fechados. Rio baixinho e tiro alguns fios de cabelos que caiam sobre sua bochecha.

 

_ Cair de para quedas na cama alheia sem convite também. – Regina sorrir e se aproxima mais ainda de mim.

 

Espaço? Não temos!

 

_Eu me acostumei. – Sussurra - Agora dorme, vai?

 

Não respondo. Fico ali a observando, meu coração se acelera por algum motivo. Poucos centímetros nos separam, eu sinto algo que me faz observá-la sem parar. Eu não quero parar. O que será que está acontecendo comigo? Ao perceber meu silêncio os olhos castanhos se abrem e me encaram. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas lentamente levo minha mão direita, novamente, ao seu rosto e faço carinho ali. Já fiz isso outras vezes, não tem nada demais nisso, certo? São toques apenas. Amigas se tocam. Fazem carinho uma nas outras, certo? Ela suspira, fecha os olhos brevemente e volta a me encarar.

 

_Não consigo dormir. – Afirmo.

 

_Emma, nós temos aula amanhã. – Resmunga e faz um biquinho fofo. Quase o aperto de tão gracinha.

 

_Não, não temos. – Respondo e ela abre os olhos - Amanhã é sábado.

 

_Oh! Então podemos conversa, quer me dizer por que diabos você não quer dormir e nem me deixar dormir? – Pergunta com o corpo erguido de lado pra mim. Dou de ombros.

 

_Eu não sei.

 

_Ok! Tive uma idéia. – Regina se remexe na cama e joga meu edredom sobre meu corpo, caminha até a sua própria cama e pega algo. Volta com ele e se deita novamente. E então vejo seu celular e seus fones de ouvidos. – Vou te fazer dormir, bebê. – Ela fala e eu reviro meus olhos. É claro que ela deseja dormir. Mills é uma dorminhoca de mão cheia.

 

A vejo ir até sua playlist e escolher sua banda favorita The Neighbourhood e a música que coloca pra tocar é Scary Love. Nós já ouvimos antes. Um fone é colocado em seu ouvido e o outro no meu. Ficamos deitadas de costas para o colchão, cobertas até a barriga e olhando para o teto. Quer dizer, eu olhava. Regina eu já não sabia. A música é boa, tem uma batida legal e uma letra muito bem escrita. Mas é no refrão que eu paraliso e viro meu rosto para observar Regina que canta baixinho os versos.

 

Seu amor está me assustando

Ninguém jamais se importou comigo

Tanto quanto você se importa

Ooo, sim, eu preciso de você aqui

Seu amor está me assustando

Ninguém jamais se importou comigo

Tanto quanto você se importa

Ooo, sim, eu preciso de você aqui (...)

 

Eu respiro fundo e volto a olhar para o teto. O que está acontecendo comigo? Eu há semanas venho nutrindo um sentimento bagunçado a respeito da minha amiga. Estamos morando juntas no mesmo quarto a cinco meses. E em todos esses meses, não deixamos de ser intensas um só dia. Apegamos-nos muito fácil e meu coração vinha sendo acalentado por ela sempre. Meu estômago revirava quando ela estava por perto e até pensei que fosse prisão de ventre. Mas não era. Eu tenho cara de quem lê muitos livros, mas os livros que leio são todos relacionados à saúde, a economia, ciência, astrologia e qualquer coisa que alimentasse meu cérebro com estudos. Mas uma vez li um romance que a personagem principal sentia borboletas no estômago quando estava próximo do cara que ela estava apaixonada e...

 

Meu. Deus. Do. Céu!

 

Olho para o lado, uma nova música toca, mas Regina está de olhos fechados. Acho que adormeceu. Espero mais um pouco. Volto a encarar o teto. Agora Sweater Weather toca. Eu coloco a mão sobre meu coração, meu ouvido zune, sinto uma lágrima fina, solitária escapar de meu olho direito. Eu não posso estar apaixonada por Regina Mills. Isso é incabível!  Não é assim que planejei me apaixonar, não foi assim que planejei descobrir. Quero dizer, eu estou deitada, espremida em uma cama de solteiro, usando um pijama de flanelas na cor vermelha com estrelas amarelas. Meu cabelo está uma bagunça, nem devo estar com um hálito lá grande coisa e eu descubro que estou apaixonada? Apaixonada pela minha amiga e colega de quarto? Sabe o que isso significa? Que estou perdida. Estou muito, mais muito perdida! Perdida completamente!

 

Puta que pariu, Emma Swan!

 

Acho que é a primeira vez que falo um palavreado desse mesmo nível em pensamento. Mas o momento pede. Eu estou surtando e nem ao menos posso me mexer. Percebo que minha amiga, frisado mesmo, está dormindo. Retiro nossos fones. Paro a música e com dificuldade coloco o celular sobre a mesinha. Volto a minha posição inicial e volto a observa a garota linda que dorme praticamente aos meus braços. É... Eu estou muito mais que perdida. O que eu vou fazer?

 

Não posso estar apaixonada, de acordo com o dicionário, paixão é um termo que designa um sentimento muito forte de atração por uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é intensa, envolvente, um entusiasmo ou um desejo forte por qualquer coisa. Eu não estou com um entusiasmo pela Regina né? Quero dizer, tudo bem que sinto um desejo, mas paixão?

 

Não pode ser e não é!

 

 

Acordo no dia seguinte como se nada estivesse acontecendo. Dividimos o banheiro. Enquanto eu tomava banho, ela fazia sua higiene matinal. Não ousei olhar em seus olhos, não ousei nem se quer falar muitas frases. Hoje eu iria tirar o dia pra não pensar em nada. Nada mesmo. Tomei um café da manhã bem demorado, e, sozinha. Fiz minha parte da organização do apartamento e depois me joguei no sofá para assistir sozinha, repito sozinha, meu seriado favorito: Doctor House.

 

Estava tudo indo bem até que uma garota de 19 anos se joga no meu colo sem aviso. Olho pra folga de Regina que agora tem a cabeça apoiada em minhas pernas e o restante do seu corpo sobre o sofá. Ela tem o quê? Algum tipo de falta de capacidade pensante?

 

_O que está vendo? – Pergunta olhando pra TV.

 

Respondo depois de um minuto.

 

_Um seriado.

 

_Legal, vou ver também. – Não a respondo e nem puxo assunto, trinta minutos depois vejo que a mesma está dormindo. O mais estranho é que sem perceber. Repetindo. Sem perceber. Eu estava fazendo cafuné em sua cabeça. Emma, você é trouxa?

 

_O que estão fazendo? – Zelena pergunta saindo do corredor e me vendo com sua prima deitada em meu colo. Suas sobrancelhas ruivas se juntam em uma careta.

 

_Eu estou vendo série, Regina disse que ia ver, mas quem a está vendo é o House.

 

Ela fecha a cara ao me analisar. Zelena nunca foi muito aberta a amizade comigo. Ela nunca me tratou mal, mas nunca fez questão de rir das minhas graçinhas ou até mesmo me incluir em algum assunto seu. Isso não era um problema, afinal de contas ninguém é obrigado a gostar de ninguém. E enquanto houver respeito, é o que importa pra mim. Mas ultimamente seu desagrado tem ficado maior comigo.

 

_Regina, vai deitar na cama! – Zelena fala aumentando a voz, caminha até os pés de Regina e os balançam. Ela desperta assustada e nos olha.

 

_Credo Zelena! – Diz olhando feio pra prima. – E você deixa esse sabugo me acordar, Emma? – Diz agora me olhando. - Achei que me amava.

 

_Ela foi mais rápida. – Digo ainda olhando Zelena que por ter conseguido acordar a prima, se retira em direção a cozinha. – Sua prima me detesta. – Sussurro pra que só a Mills me ouça.

 

_Ela detesta até a mim, Em. – Sussurra de volta- A única que ela gosta é a Kate. – Fala dando de ombros, já voltando a encarar a televisão - Quem é aquela? – Aponta para a TV.

 

_É a Allison Cameron.

 

 

Ficamos ali por mais algum tempo até Kate surgir e pedi para que Regina e eu fossemos comprar cenouras, leite e pão. Concordamos e nos levantamos. Ela também pediu para que levássemos sombrinhas, mas apenas eu trouxe, já que Regina disse que não choveria. Só que a anta esqueceu que estamos em Londres!

 

_Você tem demência senil? – Questiono a ela que carregava as compras em uma sacola de papel enquanto eu segurava a sombrinha e uma fina chuva caia. Os carros passavam e tentavam desviar de pequenas das poças, mas era inútil.

 

_Não tinha chovido a manhã toda.

 

_Mas onde estamos, sabichona?

 

_Para de me xingar, Swan! – Regina para de andar e eu quase a deixo molhar, já que continuo a andar. Paro e a olho. – Se não parar de me xingar, eu vou molhando.

 

Reviro meus olhos e a encaro séria, assim como ela está. Seus lábios estão sem cor, a roupa que usa não a aquece. E nem posso tirar o meu casaco para ajudá-la, já que embaixo dele há apenas uma camiseta.

 

_Desculpe. – Peço e passo meu braço esquerdo por seus ombros, lhe trago mais pra perto. Lhe dou um beijo em seus fios castanhos e começamos a caminhar lentamente.

 

Não falamos mais nada, chegamos em casa e uma chuva bem mais forte começou a cair. Coloco a sombrinha molhada no tanque enquanto Regina coloca as compras sobre a mesa da cozinha. Depois seguimos para nosso quarto. Eu fecho a porta e vou até o banheiro, mas ouço um “click” e sei que Regina passou a chave. Ela vem atrás de mim e sem cerimônia tira sua blusa de frio, suas botas e o restante das roupas, assim como eu também.

 

_O que está fazendo?

 

_Vamos tomar banho.

 

_Juntas? – Minha voz entrega meu nervosismo. Se eu não estivesse com frio, estaria suando de nervoso. Compartilhar o banheiro é uma coisa, compartilhar o chuveiro é outra totalmente diferente.

 

_Não vou esperar você sair do chuveiro, Em. – Diz impaciente e caminha em direção ao boxe já nua.

 

Nua! Desvio meus olhos das curvas de seu corpo. E vou até ela. Entramos na banheira e Regina liga o chuveiro. Estamos em pé, frente a frente. Ela sorri e a água cai nos molhando. Num primeiro momento a água está fria e damos um gritinho assustadas que nos faz gargalhar. Logo sinto o chuveiro fazer seu trabalho em nos aquecer.

 

Regina molha todo o seu corpo e se afasta indo em direção ao porta-sabonete. Eu molho meu corpo e estremeço levemente, mas não sei se é de frio. Já que vejo Regina passar o pequeno sabonete por seu corpo. O cheiro de morango invade meu olfato, o calor do chuveiro já produz vapor que cria um ar denso, mas consigo notar cada gota de água que escorre pelo corpo da garota a minha frente.

 

Respiro fundo, tento desviar minha atenção para pegar o outro sabonete. Temos dois, mas nenhum é de ninguém em especifico. No começo era, até que Regina começou a pegar o meu e quando vimos, usávamos os dois. Passo por meu corpo o que possui cheiro de canela e maçã, esse seria o dela. Levo o sabonete para cada parte do meu corpo e percebo que Regina me observa, atenta, com a respiração pesada. Seus olhos estão mais escuros, mais predatórios. Isso me deixa confusa.

 

Eu não faço idéia do que aconteceu, mas Regina simplesmente jogou seu sabonete no chão e me prensou na parede molhada e fria de azulejo. Sua respiração tocou meu rosto, eu olhava para seus olhos, que por sua vez olhavam minha boca. Meu coração zunia tanto, que não estava conseguindo entender nada. Mas quando os olhos castanhos se levantaram eu soube o que ela faria.

 

Os lábios levemente mais grossos que os meus, tocaram os meus lábios. Não foi de leve, foi forte, firme, possessível. Não tardou a pedir passagem com a língua e eu simplesmente a concedi. Deixei o sabonete que eu segurava cair também para que minhas mãos ficassem livres para segurar a cintura molhada de Regina. Um suspiro de prazer saiu de ambos os lábios quando aprofundamos muito mais o beijo.

O nosso primeiro beijo.


Notas Finais


Até o próximo! :)


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