História All Mine - Capítulo 8


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Dabi, Denki Kaminari, Eijirou Kirishima, Enji Todoroki (Endeavor), Fuyumi Todoroki, Hanta Sero, Hitoshi Shinsou, Inasa Yoarashi, Inko Midoriya, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou, Kyoka Jiro, Mina Ashido, Momo Yaoyorozu, Neito Monoma, Personagens Originais, Shouto Todoroki, Toshinori Yagi (All Might), Yo Shindo
Tags Bakushima, Café, Cafeteria, Coffee!au, Deku, Dekutodo, Katsushima, Kiribaku, Midoriya Izuku, Tododeku, Todoroki Shoto, Todoroki Shouto, University!au
Visualizações 122
Palavras 4.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OIEEEEEEEEEEE

Bom, eu sei que eu sumi, mas eu precisei desse tempo pra botar minha cabeça no lugar e cuidar de mim. Andei passando por uns problemas e não queria continuar escrevendo só por escrever. Aprecio muito a todos que acpmpanham e comentam e eu espero que isso compense a ausência.
Não vou enrolar porque o capítulo é longo, espero que gostem!
Boa leitura!

Capítulo 8 - À Tona


 - Quer mesmo que eu vá junto? Não quero atrapalhar vocês e--

- Kirishima, pela milésima vez, isso não é um encontro.

- O que não quer dizer que não possa acabar virando um. - recebeu um empurrão com o pé do mais alto que o fez cair na cama, rindo.

- Eu juro que só não te matei ainda porque ainda não escolhi a melhor forma.

Shoto acabou passando a noite na casa de Kirishima e agora arrumavam o quarto do ruivo, depois tomariam café e iriam para a casa de Todoroki dar uma geral e deixar o apartamento apresentável - não que não fosse comumente organizado e limpo, mas você sempre quer arrumar mais sua casa ao receber uma visita. Era sábado de manhã, o resto da semana tinha sido monótono e felizmente passou de forma rápida. Tinham combinado com Midoriya de darem uma volta pelo centro da cidade e depois iriam para a casa do bicolor para uma noite de filmes e jogos. O nervosismo em Todoroki era visível. Não tinha muito jeito com pessoas além de seu estreito círculo de amizades, e isso piorava quando se tratava de Midoriya Izuku, seu crush desde a primeira vez em que seus olhos o avistaram. Ele simplesmente não conseguia explicar a forma como aquele olhar doce e aqueles cabelos verdes e bagunçados o encantavam, então se limitava a sentir toda a leva de sentimentos que acompanhavam o pensamento ou a presença do rapaz. Em segredo, Kirishima estava feliz e esperançoso em ver como o melhor amigo estava se dando bem com o pequeno, sabia que desde muito novo era inseguro sobre alguns fatores como sua aparência, por exemplo, e isso o impedia de se relacionar social e amorosamente com outras pessoas. Até se impressionou quando o viu ficando com Inasa algumas vezes, mesmo que fosse gritante e nítida a atração que sentiam um pelo outro quando se permitiram conhecer melhor. E agora, vendo como sua amizade com Midoriya evoluía dia após dia e o clima visível que rolava entre os dois e só eles não percebiam, Kirishima sentia a esperança de que os dois ficassem juntos.

- E como ‘tá seu lance com o Bakugo? Só amizade?

- Feliz e infelizmente. Ele é meio turrão, grosso e parece que tem algo mordendo ele o tempo todo e a qualquer hora ele vai acabar mordendo alguém, mas já reparei que quando a gente ‘tá mais sozinho ele meio que relaxa. 

- E você aí doido pra ser mordido né. - Kirishima corou enquanto ria da ousadia do amigo, uma das coisas que amava em Shoto é que ele tinha comentários precisos em momentos inesperados.

- Eu não tenho porque mentir, adoraria. Mas enquanto não rola, eu só aprecio a amizade que estamos construindo sem alimentar esse tipo de coisa.

- Ele parece ser um cara de atitude, quando for rolar, vai rolar sem rodeios. Mas tenho um pé atrás com ele.

- Por causa do Midoriya?

- É. Mas isso é algo que não nos diz tanto respeito, né. Só tome cuidado.

- É claro que tomo, Shoto. - disse enquanto o abraçava pelas costas.

Após o café, agora era a vez de arrumarem a casa de Todoroki. Kirishima tinha visto a previsão do tempo para aquele dia e viu que após o começo da tarde, a tendência seria a temperatura cair. No momento, o dia estava lindo ensolarado, e um calor agradável fazia presença em todo lugar. 

- E se a gente aproveitasse seu chão fofinho e espalhasse almofadas e cobertores pelo chão do seu quarto? Poderíamos passar a noite ali tanto jogando quanto vendo filmes, podemos até botar a TV no chão pra ficar melhor, além de ser super confortável e aconchegante, e o melhor: se o sono bater é só de acomodar.

- Eiji, Eiji, cê acha mesmo que o Midoriya vai dormir aqui?

- E por que não? Somos 3 adultos prestes a curtir uma noitada ilícita carregada de junk food, jogos e filmes, é só a polícia não ficar sabendo que tá tudo bem. - e após receber um soco fraco do maior no braço, começaram a arrumar a casa. 

 

◘◘◘◘◘

 

- Vocês vão estar sozinhos?

- Não, Kirishima-kun também vai.

- Ora, é um encontro triplo? Ou ele gosta de segurar vela?

- Ura! Não é um encontro! Já te disse! - Midoriya não pode evitar a vermelhidão tomar conta do rosto, mesmo sabendo que estava sozinho em seu quarto.

- Ok, ok, chame como quiser. Mas quero que me conte tudo depois!

- E pra quem mais eu contaria, mocinha? 

- Eu acho bom mesmo. Izu, preciso desligar, infelizmente tô atolada com as coisas da faculdade, pra variar. Tenha um bom fim de semana e um bom encontro com seu boy!

Antes que Midoriya protestasse, Uraraka desligou. Não sabia esconder, estava nervoso. Sabia que Kirishima estaria lá e qualquer chance de rolar um clima deveria ser descartada em respeito ao ruivo, mas ainda assim, seria a primeira vez que passaria um tempo com os dois sem estar no trabalho deles ou estudando, e isso com certeza os uniria mais, fazendo-o se perguntar em que nível as coisas andariam em relação a Shoto, é claro. Decidiu se exercitar para esvaziar a cabeça e logo estava nas ruas, usando shorts curtos, regata e tênis de corrida, pensando que talvez se fizesse uma pequena corrida até o centro da cidade e voltasse conseguiria aliviar a tensão do corpo e mente. Desde muito novo, sempre usou os exercícios para se distrair dos problemas e botar a cabeça no lugar, era tão acostumado com isso que nem se lembrava de como lidava com as coisas antes de encontrar sua válvula de escape, tendo parado somente alguns meses após o acidente que sofreu há cinco anos, que lhe rendeu um braço cheio de cicatrizes e memórias de um dia em que absolutamente tudo saiu do controle. É, talvez devesse focar em outra coisa enquanto se exercitava, ou sua técnica de distração acabaria dando errado.

Parou para descansar em uma praça após correr por aproximadamente 40 minutos, olhava constantemente no relógio pois precisava encontrar os dois na sorveteria próxima à cafeteria por volta das duas da tarde. Sentou em um banco, deixando o corpo relaxar enquanto se xingava por ter esquecido seu squeeze que sempre levava quando saía para correr. Estava totalmente distraído olhando para o céu que não percebeu duas figuras se aproximando e conversando em um tom até que alto para que não chamasse sua atenção.

- Essa é uma visão que não se espera ter em um sábado de manhã. 

Midoriya rapidamente olhou para a frente, levemente assustado, procurando o dono do comentário. Não tinha o costume de ser assediado, mas sempre que acontecia acabava sendo uma situação estressante devido ao fato de ser baixo e confundirem isso com delicadeza e submissão diante de situações absurdas como essa. Agradeceu aos céus por se deparar com Kaminari e seu namorado Shinso, carregando algumas sacolas de compras e dividindo uma casquinha de sorvete.

- Pelos deuses, b-bom dia, Kaminari e Shinso.

- Olha, quando eu te vi imaginei que você gostasse de se exercitar pelo seu físico, só não imaginei que isso te fazia estar suado na rua às onze da manhã de um sábado. - Shinso disse antes de lamber o sorvete. 

- Vou falar pra vocês que hoje é um dia atípico, mas eu gosto muito de correr pela parte da manhã quando posso. E vocês, o que fazem aqui no centro?

- Comprando tranqueira para o fim de semana, e falando em tranqueira, meu irmão vai dar uma festa daqui umas semanas, você e o pessoal da cafeteria estão mais que convidados. Durante a semana vou passar lá para passar os detalhes certinhos.

- Podem contar com a minha presença! Bom meninos, eu tenho que ir agora, tenho um compromisso e preciso ir pra casa me arrumar. - disse após conferir a hora - Vejo vocês por aí!

- Até logo, Midoriya!

- Até logo, verdinho. 

Izuku estranhou a forma como Shinso lhe chamou, apenas por não terem tanta intimidade, já que aquela não era a primeira vez que alguém dirigia-se a ele assim, e limitou-se a acenar com a cabeça antes de partir. 

- Você tem certeza que vai querer ele e o Bakugo no mesmo ambiente com álcool? 

- Bakugo não vai fazer nada, Shin. Ele tá gamadinho no brutamontes e duvido que vai ter olhos pra outra coisa caso ele vá.

- E se ele não for…

- Teremos problemas, mas seja positivo uma vez ou outra, não dói.

 

◘◘◘◘◘

 

Shoto e Eijiro esperavam Izuku na sorveteria próxima ao café. Não estava mais tão nervoso com a ocasião, já que ele mesmo repetiu para o amigo (e, internamente, para si) que aquilo não era nada demais. Estava usando camiseta branca com as mangas dobradas, jeans pretos rasgados nos joelhos e seus inseparáveis all stars vermelhos, Eijiro usava camiseta azul, jeans claros e calçava nikes brancos de cano médio, seus cabelos estavam jogados para trás e uma bandana branca os mantinha longe da testa, já Shoto estava com seu usual penteado para baixo. Para Kirishima, era evidente a tensão no rosto do amigo, mas ele sabia que não era algo tão perceptível para quem não estava familiarizado com a expressividade que o rosto de Todoroki Shoto conseguia ter mantendo aquela face tão plena e séria. O achava muito bonito, e dizia isso a ele quase todos os dias, mesmo que ele não levasse seus elogios a sério por se odiar devido à sua cicatriz - que, embora não dissesse por saber o que ela significava ao amigo, só lhe deixava mais charmoso.

- Shoto, Shoto. Você tá vestido pra matar hoje.

- Cala a boca, Kiri... Eu tô normal, ok?

- Uhum, e eu sou hetero, ok? 

Enquanto o bicolor tentava acertar o amigo, Midoriya se aproximava da sorveteria. Se impressionou ao reconhecer o tão tímido Todoroki brincando daquela forma com Kirishima no meio da rua, e viu que estava errado ao se impressionar só com aquilo tão cedo à medida que se aproximava. Agora que estava vendo Shoto com aquelas roupas, notava que nunca havia o visto sem roupas de manga comprida, e sentiu o começo de seu gay panic ao ver os jeans apertados nas pernas do mais alto que não eram tão finas como pareciam, perdendo de vez o controle do sangue que subia às bochechas ao reparar que a camiseta branca era justa no peito e nos braços levemente musculosos do rapaz, onde também haviam algumas tatuagens bem bonitas pelo contraste com a pele alva. Constatava agora que Todoroki Shoto era mais gostoso do que parecia, e se perguntava se conseguiria aguentar mais tempo sem acabar lhe dando uma investida. Como saído de um transe, balançou rapidamente a cabeça e resolveu interromper os dois.

- O-oi… meninos. Espero não estar atrasado.

Os dois pararam de se bater e olharam para Midoriya, corados pela situação. Todoroki, assim como o menor, ficou hipnotizado ao vê-lo de calça jeans e camiseta azul com as mangas compridas dobradas até o cotovelo, praticamente colada aos músculos que ele cultivava. Kirishima apenas observava os dois se encarando com um sorriso no rosto, com certeza acabaria sobrando naquele passeio.

Começaram ali mesmo na sorveteria, dividindo uma taça grande com pelo menos cinco sabores e três tipos de coberturas diferentes - três, se não contar as framboesas e pedaços de morango espalhados pela massa - depois caminharam pelo centro entrando de loja em loja, já preparando o carregamento de porcarias que comeriam durante a noite. Felizmente Izuku também considerou a possibilidade de passar a noite fora e estava com uma mochila nas costas, que serviu de grande ajuda no armazenamento das coisas que compraram na caminhada. Midoriya estava amando tudo, ainda era novo na cidade e não conhecia muitos lugares, e agora estava conhecendo melhor Eijiro e Shoto, que realmente pareciam unha e carne, mesmo sabendo que originalmente as amizades mais longas dos dois eram com Momo e Jiro, que aparentemente tinham um caso secreto que todos sabiam, menos elas duas. Estava grato por estar se divertindo com alguém pela primeira vez em algum tempo, embora em sua antiga cidade tivesse sua amiga Uraraka, eles se viam pouco por conta dos estudos dela e a mudança de cidades virou sua vida de cabeça para baixo, também sentia-se feliz por ter conhecido os dois e por estar aos poucos se aproximando do primeiro cara que realmente chamou sua atenção nos últimos anos, vendo que além da atração física estavam lentamente construindo uma amizade sem nenhuma forçação de barra. A tarde foi passando e os três foram ver o sol se pôr em um parque da cidade onde havia um morro que milagrosamente estava vazio em pleno sábado. Ambos Todoroki e Izuku se renderam ao cansaço e acabaram assistindo a noite chegar encostados nos ombros de Kirishima, que fez piada sobre ser o adulto responsável cuidando de duas crianças. 

Quando já estava escuro, resolveram ir ao mercado comprar bebidas e alguma comida decente. Eijiro estava contente vendo como Shoto estava mais solto perto de Midoriya, fazendo seus comentários pontuais que sempre geravam boas risadas, e permitindo-se sorrir mais. Sabia agora que era apenas questão de tempo até que os dois percebessem que tinham as mesmas intenções e acabarem ficando, e resolveu não mais tentar agir para que isso acontecesse mais rápido. 

Ao entrarem no mercado, optaram por se separar para economizarem tempo. Eijiro foi atrás de algo que pudessem cozinhar, Midoriya ficou com as bebidas, e Shoto ficou encarregado de encontrar (mais) guloseimas.

- Vamos acabar desenvolvendo diabetes depois de hoje, Kiri. 

- Isso sem falar nas cáries. - pontuou Shoto.

- Vocês podem por favor parar de agir como se tivessem 30 anos? Nos encontramos em 10 minutos, vamo’ lá.

O lugar ainda estava pouco movimentado por ainda ser cedo, o que facilitou a vida dos três para encontrarem o que precisavam. Em menos de 10 minutos já estavam na fila do caixa com o que tinham pego em uma cesta. Midoriya pediu para que Shoto fosse com ele até o corredor de bebidas, porque tinha achado um vinho que gostava, e com as bochechas vermelhas, disse que não o alcançava na prateleira. O bicolor então foi com ele até o corredor, pegando sem muitas dificuldades a garrafa. Quem acabou tendo dificuldades foi Izuku, que teve seu olhar automaticamente levado à barriga do maior, exposta pela barra da curta camiseta ao levantar o braço para alcançar a garrafa. De fato, não tinha mostrado muita coisa, apenas o suficiente para que a imaginação de Midoriya fosse às nuvens, ao ver a fina pelugem abaixo do umbigo de Todoroki, parando pouco antes do cós da calça, que também estava mais baixo do que devia. Suas bochechas ficaram vermelhas e teve a certeza de que não soube bem disfarçar quando Shoto lhe estendeu a garrafa e, na tentativa de não parecer desconsertado, acabou se atrapalhando ao pegá-la e logo tinha vidro e vinho espalhados pelo chão do mercado. No susto, Todoroki acabou fazendo a coisa mais lógica que passou por sua cabeça; pegou Izuku pelo pulso e disparou pelos corredores, visando sair dali o quanto antes, o menor não estava entendendo nada, e apenas o seguiu. Saíram correndo do mercado, deixando para trás Kirishima que assistia a tudo enquanto passava as compras no caixa, tentando manter a cara de paisagem quando percebeu o que os dois haviam feito.

Shoto e Izuku pararam de correr apenas quando chegaram no fim da rua. Estavam ofegantes, olhando todo tempo na direção do mercado. Riram quando seus olhares se cruzaram, e só aí perceberam que ainda estavam de mãos dadas, ficando extremamente vermelhos logo em seguida, soltando as mãos como se tivessem levado um choque.

– S-será que viram a gente? - Midoriya estava no auge de seu constrangimento, tentando ignorar o que acabara de acontecer.

– Eu acho que não…

Para o alívio dos dois, logo Kirishima apareceu com as sacolas de compra. Tinha o semblante divertido e fez sinal negativo com a cabeça quando se aproximou.

– Vocês só podem ser as pessoas mais cagadas do mundo. Eu sei lá o que vocês fizeram lá dentro, mas ninguém viu vocês correndo e milagrosamente as câmeras estão em manutenção hoje, parabéns. E ah, vocês estão me devendo parte do dinheiro dessas compras, obrigado. 

Aliviados (mas não menos constrangidos), os dois ajudaram Eijiro com as sacolas e seguiram para a casa de Todoroki. O caminho foi silencioso até demais, mas nada desconfortável. Ao chegarem na casa, logo tiraram os sapatos e foram arrumar as coisas que tinham comprado. Midoriya elogiou muito o bom gosto para mobília do bicolor e como tudo era bem organizado. Ele apenas agradecia timidamente enquanto recebia piscadelas de aprovação vindas de Kirishima, que sabia que eram só pra lhe provocar. A noite foi passando e tanto Shoto como Izuku ficavam cada vez mais relaxados com os jogos, brincadeiras e as bebidas alcoólicas que compraram no mercado. Shoto descobriu que o esverdeado namorou um garoto no passado, e o término teve direito a um belo soco no queixo do ex, que estava o traindo. Claro que a essa altura não tinha nenhuma dúvida sobre Midoriya ser gay, mas confirmações concretas assim eram sempre confortantes para sua insegurança.

Não demorou para que a sessão de filmes começasse. Os três se aconchegaram no chão do quarto de Todoroki e se cobriram, do jeito que Eijiro tinha mencionado e planejado. No começo do terceiro filme, Shoto sentiu a cabeça do ruivo pesando no seu ombro esquerdo, sabendo que havia se rendido ao cansaço e agora dormia. Acostumado com isso, nem se importou, mas se impressionou quando sentiu o peso aumentar em seu ombro direito e logo tinha os cabelos esverdeados perfumando seu nariz. Midoriya dormia pacificamente deitado em cima de si, e é claro que agora seu coração estava prestes a sair pela boca, mas fez o que pode para manter a calma. Não sabe ao certo quando pegou no sono, assim como não sabia o quanto ia odiar cada segundo depois disso.

Estava em sua casa antiga à procura de sua mãe, e correu ao ouvir sua voz vindo da cozinha. Estava ansioso para mostrar a flor que havia encontrado, e que hoje sabia ser uma astromélia, uma flor conhecida por quem quer presentear seus amigos. A viu falando com sua avó no telefone e tentou chamar sua atenção. E quando ela o viu…

”De novo não…” 

Calor.

”Shoto?”

Seu rosto estava queimando novamente. 

”Shoto! Está me ouvindo?”

Precisava acordar. 

”Shoto!”

Shoto gritava de dor. Sua mão levada ao lado esquerdo de seu rosto. Suava frio e tinha os olhos mergulhados em lágrimas. Sentia mãos lhe segurando os ombros enquanto Kirishima e Midoriya lhe chamavam na tentativa de lhe tirar do pesadelo. Quando finalmente abriu os olhos, viu que quem lhe segurava era o esverdeado, com o olhar mais preocupado que já o vira estar. 

- Shoto, está tudo bem? - de tão atônito, nem ao menos percebeu que o menor usava seu primeiro nome.

- M-Midoriya… Eu…

- Não precisa dizer nada. Está tudo bem agora, Kirishima e eu estamos aqui, vamos cuidar de você. - o abraçou forte, e permaneceu assim por algum tempo, enquanto sentia os soluços contidos no choro do maior, que tinha os dedos fundos no tecido de sua camiseta. Kirishima procurou uma camiseta limpa para o amigo suado, que após ter se acalmado um pouco, a vestiu. Midoriya preparou alguns lanches e fez um pouco de chá para que Todoroki se acalmasse, que foi muito bem aceito. 

Algum tempo depois do ocorrido, Kirishima acabou pegando no sono novamente. Todoroki estava sentado abraçado em suas pernas, tinha o olhar vago e o rosto sem expressão, com seus olhos ainda marejados. Midoriya ainda estava muito preocupado e não dormiria enquanto não tivesse certeza de que ele estava melhor. 

- Eu tinha 6 anos. - quebrou o silêncio, ainda que falasse baixo e a voz estivesse rouca. - E meu pai era um merda. E continua sendo.

- Shoto… não precisa--

- Por favor. - os olhos heterocromáticos o fitavam, quase suplicantes. - Eijiro já conhece essa história, e não é justo com você me ver passar por isso e não saber nada. - sem resposta, prosseguiu - Minha mãe só foi feliz nos primeiros anos de casamento, depois que meu irmão mais velho, Touya, nasceu, tudo se tornou um inferno. Ele criou 4 filhos para serem perfeitos, atletas, profissionais de outras áreas, que seja. Touya saiu de casa com 18 anos e voltou sendo um tatuador famoso. Natsuo mora com ele e assim como ele queria para Touya, é advogado. Fuyumi foi criada para ser dançarina de balé, hoje tem um restaurante pequeno. Eu? Quando eu nasci meu pai ficou maravilhado. Eu era uma cópia exata dos dois. Cinquenta cinquenta. Passava horas estudando, desenhando, fazendo esportes. Ele queria que eu fosse um homem perfeito. - acabou rindo ironicamente - Nós mal tivemos infância, vivíamos em prol de sermos perfeitos. Touya não aguentou, praticamente fugiu de casa. Natsuo teve a sorte de sempre se interessar pelos negócios de meu pai, Fuyumi passou por poucas e boas, mas está aí. E aqui estou eu.

- Foi seu pai que… - embora quisesse saber, não queria aprofundar mais o assunto, pois não queria sobrecarregá-lo ainda mais. 

- Não. Diretamente não, mas isso certamente é culpa dele. - suas lágrimas tinham secado e agora ele brincava com os pêlos do tapete felpudo - Eu tinha 6 anos. Tinha encontrado uma flor bonita no quintal e quis dá-la à minha mãe. Éramos muito unidos, mas desde criança eu via como ela era triste. Ela estava na cozinha, fervendo água para fazer soba, e assim que ouvi sua voz fui até ela, e quando entrei… - sua voz embargou, mas não quis parar ali - ela estava chorosa. Dizia que sempre que olhava pra mim via meu pai, e quando me viu… ela estava fora de si. Jogou a água fervendo em meu rosto. Só do lado esquerdo. O lado dele. E é assim que isso existe aqui. - apontou para a cicatriz - Minha mãe passou anos internada em uma clínica depois disso, fiquei 10 anos sem vê-la. Hoje ela mora no interior com a minha vó e meu pai mora em uma cidade vizinha. Meus irmãos têm suas vidas e eu estou aqui tentando me formar e trabalhando em uma cafeteria para pagar minhas contas. Meu pai mudou muito ao longo dos anos, mas isso não apaga o que ele fez. Tampouco quando eu ainda tenho esses pesadelos. Muitos deles. Eles vêm e vão, como se fossem temporadas do ano, mas nunca sei quando vêm, e nem quando vão. E dói. Toda vez eu sinto a dor. Às vezes mais, às vezes menos. Mas sempre dói. Eu já fiz tratamento pra tentar parar de sonhar com isso, ou pelo menos deixar de sentir quando sonho, mas desisti. - respirou fundo, digerindo o que ele mesmo acabara de contar, mesmo que já soubesse a história de trás para frente - Hoje foi o dia que mais doeu nos últimos meses. Infelizmente você teve que presenciar…

- Ei, você não precisa se preocupar com isso! Afinal, você não é o único aqui com uma cicatriz dolorosa. - Izuku pegou a mão do bicolor e colocou sobre seu braço repleto de cicatrizes. - Elas ficam conosco até morrermos, nos resta descobrir o que iremos fazer delas. Mas jamais devemos exibi-las com vergonha. Afinal são apenas um distintivo de honra que mostra pra quem quiser ver que nós passamos por poucas e boas para estarmos aqui, e estamos. - Shoto voltou a olhar para o chão

- A sua não te deixou com o rosto horrível. 

- E nem a sua. - os dois se encararam - Você não pode deixar isso definir quem você é. - disse enquanto acariciava a cicatriz avermelhada, agora sem receio - Você precisa mostrar que independente dela, você está aqui, e é isso que te torna quem você é, Todoroki Shoto. E eu só vejo um cara talentoso e incrível que não se dá uma chance de ver como é forte. 

- O… Obrigado, Izuku. - o esverdeado sorriu carinhosamente.

- Não há o que agradecer. Vem, vou te ajudar a dormir de novo. 

Midoriya se arrumou no chão, encostado no sofá, e convidou o bicolor para se deitar em seu peito. Mesmo receoso, Shoto não apresentou nenhum protesto quanto a isso, apenas virou-se de costas e deitou no chão, apoiando sua cabeça na barriga do mais velho, que logo começou a acariciar seus cabelos. 

- São muito macios.

- Herdei dos meus pais. 

- Se herdou tudo, eles devem ser bem bonitos. Tipo, mesmo. - Shoto olhou-o com a sobrancelha arqueada, sorrindo divertido. Midoriya apenas o acompanhou no sorriso, sem interromper as carícias. Permaneceram se encarando por tempo suficiente para criar um certo constrangimento entre os dois. 

Inconscientemente, Shoto levou sua mão até os cabelos cacheados de Izuku, que continuava com os olhos fixos nos seus. Acariciou as mechas e também a lateral raspada, que dava uma sensação gostosa. Assim, em menos de cinco minutos, estava dormindo no colo de seu novo amigo próximo, que sinceramente esperava se tornar bem mais do que isso futuramente. Midoriya permaneceu lhe fazendo carinho por mais algum tempo, até perceber que ele havia dormido de vez e logo se arrumou para acompanhá-lo no sono. 

No restante daquela noite, os três dormiram pacificamente.

◘◘◘◘◘

Momo estava começando os preparativos do café da manhã enquanto Jiro estava sentada no sofá com o notebook no colo. Era domingo de manhã e as duas tinham levantado cedo para irem ao shopping no começo da tarde. Dividiam um apartamento há um tempo considerável e se davam muito bem, sempre dividindo as tarefas e tocando a organização de tudo juntas. A garota de cabelos roxos assistia a um cover do canal de Bakugo onde seu primo Shinso estava participando, assumindo os vocais de uma versão acústica inusitada de “In Venere Veritas”, da banda HIM, uma das favoritas de Kyoka. Ela assistiu a tudo com os olhos brilhando, e assim que a música acabou, pulou do sofá animada com gritos de “Já sei!”. Momo apenas riu enquanto a via correr atrás do celular e digitar como se sua vida dependesse disso.

Jiro: SHIIIIIIIINNNNN

Jiro: eu acabei de ver seu cover com o Bakugo, e eu simplesmente AMEI

Jiro: e eu tava aqui pensando

Jiro: eu e Toko tínhamos uma banda e ela acabou porque aqueles três eram uns manés, será que você e o Bakugo não se unem a nós?

Sua cabeça estava explodindo de pensamentos criativos e a ideia de montar uma banda com os dois realmente a animou naquela manhã ensolarada e fria. O dia só seria melhor se os dois aceitassem seu pedido. 

 


Notas Finais


E aí? O que acharam? Eu sei que não tô merecendo mas adoro um feedback hihi
Quais as teorias que vocês tem pra cicatriz do Midoriya? Me contem!
Pra quem ficou interessado na música, eu imaginei essa exata versão: https://www.youtube.com/watch?v=LgjhkOAKrcc
Pra mim o Shinso cantando tem a mesma voz que o Ville Valo (o vocalista dessa banda)

Espero que tenham gostado e até a próxima! (que vai ser breve!)


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