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História All of life - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Karol



Eu estive conversando bastante com a Karol esses dias. Ela queria me ajudar a encontrar o Paulo, ou melhor, achar a casa dele. O problema era que se eu fosse para casa dela, o Felipe ia estar lá, e o que acontece é que ele sabe aonde o Paulo mora e não sei o porque de ele não me contar. Okay, talvez tenha a ver com eu partir o coração dele, mas estou arrependido.

Nós dois tentamos marcar de nos encontrar na minha casa o que não deu certo, no dia marcado ela teve um trabalho para fazer. Então resolvi ir para lá no final de semana, em um sábado, de manhã, porque eu teria o dia todo para procurar por ele. Outro problema era que o Felipe estaria lá, mas se eu fosse capaz de ignorar ele, sem problemas.

- Olá, Daniel né? Não lembro direito - Felipe foi quem abriu a porta, para meu desgosto.

- Eu não quero te incomodar, então vamos fazer o seguinte, eu não tô aqui e você não me perturba - eu cheguei levemente perto dele.

- Bem, minha irmã vai adorar saber a ameaça que você fez a ela - ele sussurrava isso ao meu ouvido, o que me fez arrepiar inteiro - Olha só, tá todo arrepiado, se quiser me pegar, é só marcar um horário - ele era tão alto que chegava a ser medonho - Ela está no quarto dela - ele se afastou, sorriu e abriu a passagem para mim.

- Obrigado, e se você quiser marcar a tal hora, adoraria chamar o Jonathan - sorri com deboche enquanto ele fechava a cara - Tenho certeza que ele vai gostar de mim - e então entrei e subi as escadas - Toma cuidado, tá? - falei, do alto da escada - Alguém pode escorregar aqui - e sorri de novo.

Achar seu quarto foi fácil, diferente do que eu achava. Eu me preparei para bater na porta, até que ela se abriu sozinha, lenta e assustadoramente.

O quarto era escuro e de fora mal dava para ver o que tinha dentro. Entrei e então pude ver que aquele era um quarto, no mínimo, diferente. As paredes eram roxas, o chão era madeira pura, a cama tinha algo parecido com caveiras nos pés, as cortinas fechadas tornando o quarto totalmente escuro, fazendo a claridade vir de uns frascos de alguma coisa, que ficavam em várias prateleiras. Eu admirava o espaço, antes mesmo de ver se Karol realmente estava lá. Eu provavelmente parecia uma criança em uma loja de doces.

- Daniel, que bom que você veio - ela sorriu gentilmente - Ignora a bagunça, não tive tempo de arrumar, deixa eu clarear o quarto - ela abriu as cortinas e tudo se iluminou. Pude realmente ver a bagunça.

Papéis espalhados por todo o quarto, assim como livros e objetos estranhos que eu não conhecia. Falando a verdade, o quarto estava todo cheio de objetos que eu desconhecia. Um grande livro estava bem destacado entre todas as outras coisas no quarto, tinha uma capa chamativa e parecia me seduzir a ler ou tocar nele, mesmo que a linguagem nas folhas não pudesse ser reconhecida por mim. Comecei a caminhar lentamente pelo cômodo, analisando tudo. E novamente, assim como quando abriu, a porta se fechou lentamente atrás de mim, me assustando pela segunda vez.

- O que você é, ou melhor, faz? - perguntei passando a mão nos frascos que estavam ao lado do computador, em cima de uma escrivaninha - O que é tudo isso?

- Eu sou rica e isso são apenas uns... Brinquedinhos - ela sorriu e afastou minha mão dos frascos.

- Não é o tipo de brinquedo que eu tô acostumado - eu disse - Nem de longe.

- Por favor sente-se e me conte exatamente o que você quer saber - ela tinha duas cadeiras, uma de frente para outra - Não esconda nada - ela sorriu e eu sentei na cadeira.

- Você é uma terapeuta? - perguntei com uma sobrancelha arqueada.

- Tipo isso - ela sorriu - Comece.

- Eu quero saber aonde o Paulo mora. Sei que seu irmão sabe, mas por algum motivo ele não quer me contar. Pensei que já que ele sabe, você também deve saber - ela negou com a cabeça - Então por que eu tô aqui? - perguntei encarando ela.

- Porque nós vamos achar a casa dele, ou qualquer que seja o lugar onde ele está - ela soltou um risinho - Trouxe o quê eu te pedi? - perguntou, se referindo a algo que ela pediu que me lembrasse a Paulo - Ótimo, isso irá servir - Ela pegou o pedaço de pano e cheirou - Vai se importar se isso aqui queimar? - ela perguntou me olhando e eu só arqueei a sobrancelha, estava achando tudo muito estranho.

- Não, só ache ele - eu falei.

Ela segurou o tecido firmemente, uma blusa que usei quando saí com Paulo. Karol pegou algumas velas e o livro, logo começou a procurar algo em suas páginas. Pouco a pouco o quarto foi voltando a ficar escuro. Ela pediu que eu me sentasse no chão, em frente a ela e assim eu fiz. Com a o quarto totalmente escuro de novo, o ar começou a ficar gelado. E aquilo tudo estava me assustando.

- Karol? - perguntei com a voz trêmula.

- Vai ficar tudo bem, confie em mim - coisa bem difícil de fazer com um clima estranho desses.

Fechei os olhos e logo ela começou a recitar algo, em um idioma que parecia alemão ou latim. Um vento forte e circular tomou o quarto, senti um frio na barriga e um arrepio percorreu minha espinha. Minha garganta ficou seca, meu coração disparou e a sensação ruim tomou conta de mim. Enquanto tudo aquilo acontecia ao meu redor, eu só desejava que tudo acabasse logo ao mesmo tempo em que me perguntava como tudo acabou assim. Eu suava frio, sentindo um peso grande sobre meu corpo, algo que eu não podia suportar. A minha vontade era correr ou gritar para escapar daquele situação, apesar de que eu não podia. Algo mantinha meu corpo imóvel, como uma paralisia do sono, uma em que eu estava completamente consciente. Eu comecei a tremer e felizmente, Karol percebeu.

- Já acabou, pode abrir os olhos - abri lentamente os olhos, percebendo que tinha recuperado os movimentos. Sem poder dizer nada, eu apenas comecei a questionar com que tipo de pessoas estou me metendo.

- Eu sou uma pessoa normal e esse é o meu escritório, por assim dizer - ela disse, como se lesse meu pensamento - Eu posso não ler pensamentos, mas sinto teu desconforto ao estar aqui - ela disse sorrindo, uma de suas mãos tinha um copo de água, que ela oferecia a mim.

Por fim, ela assoprou algumas cinzas, que estavam em cima do livro. Eu imagino que eram da minha blusa. As cinzas desapareceram no ar e a bola de cristal em frente ao livro, para onde foram as cinzas, mostrou uma imagem. Era ali que ele morava ou era ali que ele estava?

- É aqui - ela sorriu, isso estava muito estranho, mas eu estava desesperado - Bem, foi um prazer ajudar, ele mora no ponto final do único ônibus que passa em frente a escola, assim que você descer do ônibus, suba a outra rua, e vai ter uma casa verde claro. Ele estará lá - ela sorriu e me deu um cartão - Me contrate quando quiser. Posso dizer que sei ler mãos e cartas, prever o futuro, sentir auras e fazer pequenas magias, além de ser uma ótima cozinheira. A gente é rico mas não se consegue dinheiro só deitada - ela piscou e abriu a porta para eu sair - Boa sorte.

- Obrigado por tudo... - Abracei ela e ela retribuiu - Tenho que ir.

- E aí, como foi com a minha irmã? Ela te fez engolir um sapo? Porque eu iria adorar - Felipe falou enquanto eu descia a escada.

- Oh sweet, a única coisa que eu vou engolir logo logo, vai ser o seu melhor amigo - pisquei antes de sair da casa.

E lá vou eu, na verdade eu convoquei um monte de gente para ir comigo e só o Lorenzo aceitou, o Arthur disse que ia ver trabalho, já que a Thainara abandonou ele para ficar com o Nathan, eles dois tão se pegando desde o dia que eu fiz o Nathan falar sobre os hábitos de Felipe, e fiz isso graças a ajuda da Thainara, agora eles se pegam.

Assim que eu e Lorenzo descemos do ônibus, a primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre tudo.

- Como você descobriu esse lugar? Quem te contou? A gente pode, sei lá, morrer aqui? - óbvio que ele estava com medo por ser uma comunidade, o quê era normal para ele, já que ele nunca havia visto uma.

- Relaxa Lo, confia em mim, e vamos lá - puxei sua mão e fomos até a casa de Paulo, ou pelo menos aonde ele estava durante esse tempo.

Assim que chegamos na rua já dava para ver o Paulo. Suado e sem camisa, ele estava pegando sol junto com uma menina. No início, achei que fosse uma nova peguete, o que me fez sentir estranho, ser trocado tão rápido. Afastei qualquer pensamento desnecessário e então fomos lá.

- Parece que alguém perdeu a vez - disse Lorenzo, quando já estávamos perto.

- Cala a boca - eu disse e então Paulo nos viu - Olá - sorri e ele levantou da cadeira.

- O quê vocês estão fazendo aqui? - ele perguntou vestindo a camisa - E juntos, ainda por cima.

- A gente veio te procurar, na verdade o Daniel, já que ele me forçou a vir aqui - Lorenzo disse e sentou no lugar do Paulo - Aqui é bom para tomar sol, e quem é você? - perguntou se referindo a garota.

- Prima dele, Ana - ela disse e pela voz, era metida - Quem quer saber? - Lorenzo encarou ela e depois o Paulo.

- Vamos para dentro, Daniel - Paulo disse me puxando - Quer suco? Ou coca-cola? Tem água também - ele ofereceu tirando os três da geladeira.

- Quero uma explicação, por que você parou de ir para escola? - perguntei pegando um copo d'água.

- Eu não queria te ver - okay, ele foi muito sincero, doeu - Eu... Estava sofrendo, o que você falou, ou melhor, não falou, mexeu comigo. Eu queria você - ele se aproximou - E eu achava que você me queria, mas você me mostrou que não - ele estava próximo demais.

- Eu te quero - eu disse quase juntando nosso lábios, mas ele separou, parecendo triste - Eu passei uma semana atrás de você, fui atrás do seu melhor amigo, ameacei ele e até fui conversar com uma bruxa.

- Não parece que você me quer assim - ele se manteve na mesma posição, com os olhos fixos aos meus.

- Você sabe que não é assim... - desviei o olhar.

- Eu não sei se ainda te quero, porque passei por isso antes. Você me fez te querer muito e no final você só diz que nunca teve interesse. Parece que você não ama ninguém - ele se apoiou em mim - Mas eu te amo, então, quer fazer o quê?

- Eu só quero que você volte para a escola, para não reprovar e que sejamos amigos - ele riu.

- Amigos, Daniel? Você tá falando sério? - ele tava me fazia recuar - Parece que você não ouviu nada do que eu disse...

- Sim - estufei o peito, vai que né - Eu não quero tentar mais, nós estragamos nossas chances, mas podemos fazer uma amizade dar certo, por favor - eu começava chorar e ele tinha algumas lágrimas nos olhos.

- Okay, só não chora. Porque se você chorar, eu vou chorar também e eu não quero isso, não agora, eu faço tudo, okay? - eu afirmei com a cabeça, e ele enxugou minhas lágrimas.

- Até segunda? - perguntei abraçando ele.

- Até - ele desfez o abraço após alguns segundos.

Quando a gente chegou do lado de fora, Lorenzo e Ana estavam pegando sol juntos, e então fomos embora, já que já estava escurecendo e o Lorenzo se ofereceu para dormir na minha casa, para eu não dormir sozinho.



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