História All The Ways - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Once Upon a Time
Personagens David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Jennifer Morrison, Lana Parrilla, Morrilla, Regina Mills, Swanqueen
Visualizações 202
Palavras 3.835
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Demorei um pouquinho, mas cheguei. Não quero demorar demais nas notas, então vamos lá.

A música do capítulo é Gutter Heart (Acoustic Version) - Matthew And The Atlas.

Qualquer erro será corrigido mais tarde e não se esqueçam que os flashbacks estão em itálico.

Beijos <333

Capítulo 10 - Gutter Heart


Estávamos perdidas em pensamentos enquanto olhávamos para o teto e nos acariciávamos. Eu daria tudo para saber o que Jennifer estava pesando, mas ás vezes ela conseguia ser tão fechada quanto um baú de tesouros. Talvez essa seja a melhor comparação para defini-la um pouco. Jennifer por fora era discreta, não revelava muito, mas sei que por dentro existe um tesouro. Seu interior é uma das coisas mais belas que eu já conheci em toda a minha vida.

— E agora? — ela olhou em meus olhos enquanto acariciava meu braço com a ponta dos dedos.

— Eu não sei — respirei fundo.

Afundei minha cabeça em seu pescoço e aproveitei o seu cheiro que eu tanto senti saudade. Eu não queria pensar sobre o futuro. O presente estava se saindo tão bem...

— Vamos só aproveitar o momento — eu disse e então ela apertou meu braço, puxando meu corpo para mais perto do seu.

— Não fuja de mim, por favor — sua voz saiu como uma súplica.

Meu coração doeu ao imaginar que, talvez, Jennifer pudesse ter sofrido tanto quanto eu. Por um momento me senti egoísta. Egoísta por ter desistido de tudo, por não ter tentado só mais um pouco.

— Eu não vou — beijei seu pescoço e fechei os olhos.

Mal ela sabia que o meu receio era de que ela fugisse de mim.

Eu estava uma bagunça tão grande, que não tinha previsão para que ela se arrumasse. Seis anos depois eu estava em seus braços novamente, no lugar que no meio da noite, furtivamente, eu desejei estar por todos esses anos. Era para ser só sexo, mas no mesmo instante em que seus olhos brilharam para mim e então senti seu gosto, tudo o que eu planejava foi por água a baixo.

Fomos tiradas de nossa bolha invisível com batidas insistentes na porta do trailer. Revirei os olhos e levantei.

— Droga — Jennifer resmungou com um bico infantil e eu sorri em sua direção.

— Já volto — vesti meu roupão e sai do quarto.

Quando abri a porta, lá estava Rebecca sem nenhum resquício de tinta verde em sua pele.

— Eu demorei um pouco, mas aqui estou, você já pode começar — ela passou por mim como um furacão e se sentou no sofá.

— Não pode ser outra hora? — cocei a cabeça.

Ela cruzou as pernas, apoiou o cotovelo no joelho e disse:

— Não.

— O que?

— Eu disse não, você vai me contar o que aconteceu entre você e a Jen agora.

— E você acha que manda em mim? — cruzei os braços.

— Talvez — meneou com a cabeça.

— Você está enganada, querida — eu estava entrando no espírito da Rainha Má.

— Ok, chega! Me conta logo, Lana — fez um bico e juntou as mãos implorando-me.

— Quando eu digo que agora não dá, eu digo sério — disse entredentes e apontei para o quarto com os olhos.

Rebecca franziu o cenho e segundos depois arregalou os olhos, percebendo o que eu estava querendo dizer.

— Esperei aí... — sorriu maliciosamente.

— Ok, meu bem — estendi a mão para ela e se levantou, ainda letárgica. — Vá para o seu trailer e no intervalo da gravação de mais tarde nós conversamos.

— Certo, não atrapalharei mais — disse em voz alta, querendo que Jennifer escutasse.

— Obrigada! — ouvi a voz de Jen no fundo e a ruiva gargalhou enquanto saía do trailer.

Voltando para o quarto, parei na porta apenas para observar Jennifer. Ela estava com os olhos fechados, os lençóis cobriam até sua cintura, deixando seus seios expostos e sua cabeleira loira tomando conta do meu travesseiro. Eu já conseguia me visualizar o cheirando quando ela partisse.

— Eu sei que você está me olhando — ela disse, ainda de olhos fechados.

 

— Gosto de te observar — sentei em seu colo enquanto ela lia um livro de poemas.

— Eu fico sem jeito quando faz isso — ela beijou meu braço, sem tirar os olhos do livro.

— Prometo tentar disfarçar — eu disse e ela riu.

Mesmo sabendo de sua timidez, continuei observando-a enquanto a mesma mantinha um sorriso nos lábios.

— “O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar — Jennifer começou a citar o poema que lia em mãos, enquanto eu a observava com admiração. — O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.”

Ela fechou o livro e me lançou um dos seus sorriso mais bonitos. Surpreendendo-me, ela forçou meu corpo para o lado, fazendo-me cair de costas no sofá, e então ela deitou sobre mim e despejou milhares de beijos molhados pelo meu rosto. Nossas risadas se misturavam e eu me sentia a mulher mais feliz do mundo.

— Eu te amo — ela disse ao olhar nos meus olhos.

— Eu também te amo!

Gargalhamos e sorrimos juntas. Nós nos amávamos! Isso era motivo o suficiente para a felicidade. Nos olhávamos alegres, e com apenas um olhar, conseguíamos dividir sentimentos que ninguém nunca seria capaz de encontrar palavras dignas para descrever, senão seriam diminuídos por elas. O que tínhamos era grande e bonito, não existia nada que pudesse explicar. Assim como quando eu a observava, meu coração se expandia e a vontade de mostrá-la todo o meu amor se tornava sufocante, mas então eu me lembrava, que qualquer coisa que eu dissesse, por mais bonita que fosse, não seria o suficiente. Então eu a mostrava, a olhava, beijava, tocava e por fim, amava.

 

— Não consigo evitar, suspeito que nunca conseguirei — sorri de lado e me juntei a ela. — Mesmo depois de tudo — virei de lado para olhá-la. —, ás vezes me pego te observando sem querer, sempre havia sido o meu hábito favorito, e talvez nunca tenha deixado de ser.

Seus olhos brilharam e a ponta do seu nariz ficou vermelha. Me aproximei mais e colei nossas testas, então ela sorriu para mim e eu me perdi em pensamentos mais uma vez.

— O que está pensando? — ela perguntou num sussurro.

— Em você — respondi. — Em como me sinto privilegiada quando você me direciona um desses sorrisos.

Ela franziu o nariz e tocou o meu com o seu.

— Nós somos loucas — ela riu.

— Por quê?

— Olha só onde estamos! Aconteceu tantas coisas... Mas é impressionante como tudo me leva á você.

Passei a mão pela sua cintura e antes de colar nossos corpos, Jennifer abriu meu roupão, proporcionando arrepios por todo meu corpo ao sentir sua pele exposta contra a minha. E então ela me beijou, começou lento, sua língua acariciava a minha enquanto seus dedos afundavam em meu cabelo, acariciando meu couro cabeludo.

— Isso é tão bom — disse enquanto ela distribuía pequenos beijos em meu pescoço.

— Eu sei — sussurrou contra o meu ouvido, fazendo-me arfar.

Meus desejos se tornaram mais urgentes, então empurrei seu corpo para o lado e sentei sobre o seu ventre. Ela me olhava com a boca entreaberta e um sorriso surgiu nos meus lábios, eu adorava vê-la assim. Peguei suas mãos e trouxe até meus seios, ela massageava um numa lentidão prazeirosa e no outro brincava com o mamilo. Comecei a rebolar contra o seu ventre e ela sorriu lascivamente.

Quando meus lábios estavam prestes a encontrar os seus, alguém começou a bater na porta.

— Da próxima vez vamos para o meu trailer — Jennifer bufou.

— Quem é? — gritei frustrada, mas sem sair de cima de Jennifer.

— Jennifer está aí? — era a voz de uma das maquiadoras.

— Não, por que?

— Eu não a encontro e ela precisa se arrumar pra gravar.

Olhei para Jennifer e ela parecia mais atenta em meu corpo do que nos berros trocados entre mim e a maquiadora.

— De qualquer forma, não sei onde ela está — respondi e a mulher pareceu ter ido embora.

— Eu posso resolver isso em dez minutos — Jennifer disse e me jogou na cama, ficando por cima de mim.

— O que você vai fazer?

— Uma coisa que você gosta muito — ela sorriu maliciosamente e então levantou um pouco minha perna direita e encaixou nossos sexos molhados. — Gosta, não gosta?

— Muito — mordi meu lábio inferior e gemi quando ela começou a se movimentar.

Seus movimentos eram lentos e deliciosos. Sua cintura fina ondulava sobre meu corpo enquanto suas unhas arranhavam minha perna levantada. Quando me encontrei desesperada por mais, espalmei minha mão em sua bunda e nossos sexos encharcados se encontraram e os mantivemos ali, apenas aproveitando a sensação. E então Jennifer começou a rebolar mais rápido. Minhas pernas começaram a tremer e eu não consegui controlar os gemidos que escapavam da minha boca. Olhei para Jennifer e ela estava de olhos fechados com a boca entreaberta enquanto murmurava coisas desconexas. Foi então que, em mais um movimento, nos entregamos ao orgasmo, que se tornou melhor ainda quando ouvi Jennifer gemer o meu nome. Ela deitou o corpo suado contra o meu e eu comecei a acariciar seu cabelo.

— Eu senti falta disso — eu disse de olhos fechados e com um sorriso abobalhado nos lábios.

— É isso que você gosta de verdade, não é? — ela levantou a cabeça e me fitou com um sorriso convencido.

Eu não respondi, apenas ri.

 

Jennifer

Mesmo após deixar o trailer de Lana, eu não conseguia abandonar o sorriso satisfeito que teimava em aparecer em meu rosto. Entrei no trailer onde faziam minha caracterização e Kris me esperava com os braços cruzados.

— Onde você estava? — ela perguntou.

— Acabei dormindo demais — sentei na cadeira de couro em frente ao espelho.

— Eu fui em seu trailer e você não estava lá.

— Tem certeza? Porque quando eu acordei eu estava lá.

Kris cruzou os braços e me olhou desconfiada.

— Ok, não vou dizer mais nada, apenas que você parece acabada e que vai tomar um banho antes.

— Eu estou ótima, Kris — sorri para o espelho. — Mas já que você insiste.

[...]

Marcava três horas da manhã no relógio quando minha caracterização estava pronta. Agradeci as meninas e sai do trailer, subindo em seguida num daqueles carrinhos de golfe que me levariam até a floresta onde costumamos gravar. Quando cheguei, Ginny, Josh, Robert e Rebecca estavam lá, faltando apenas Lana. Falei com todos e me sentei na cadeira bordada com o meu nome, então os malditos mosquitos começaram a me picar.

— Alguém tem um repelente? — perguntei em voz alta.

— Eu tenho — uma voz bastante conhecida respondeu.

Virei de costas e lá estava ela. Lana andou em minha direção e me entregou o repelente com um sorriso travesso no rosto.

— Obrigada — sorri de lado.

Levantei da cadeira e comecei a passar o líquido pelos meus braços que estavam expostos. Lana me olhava de longe com um sorrisinho, balancei a cabeça como se dissesse “você é inacreditável”. Ela estava caracterizada de Regina Mills e eu adorava vê-la entrando na personagem, principalmente quando ela usava um batom tão vermelho quanto o sangue.

— Vamos começar! — o diretor disse e eu voltei para o meu lugar.

A primeira parte da gravação seria Lana e Rebecca, depois seria a minha vez com Josh e Ginny e em algumas partes seriam todos juntos. Lana e sua inseparável amiga foram para frente das câmeras, aqueceram um pouco e então iniciaram as gravações. Alguns minutos depois, de repente, Lana começou a pular e dar gritinhos enquanto batia as mãos em sua bota.

— Alguém tiro isso de mim — ela apontou nervosamente para o bicho que subia em sua bota.

— Isso está no script? — perguntei entre risos.

— Não — Josh respondeu, também rindo.

Os diretores cortaram a gravação e metade das pessoas que estavam ali riam da reação da morena quando viu que uma lagartixa subia em sua bota. Depois de se livrarem do bichinho, Lana olhou para minha cara, lançou um olhar reprovador, mas logo começou a rir também.

— Isso não foi engraçado — ela cruzou os braços enquanto tentava esconder o sorriso.

Recomeçaram a gravação, mas toda vez que Regina olhava para minha cara, eu a fazia rir com alguma palhaçada, até que Steve me mandou dar uma volta porque eu estava desconcentrando-a.

— Prometo ficar quietinha — colei meu dedo indicador nos lábios, mas eu ainda não conseguia parar de rir.

— Não me convenceu. Agora vá! — agora ele havia mandado de verdade.

[...]

Quando o meu trabalho acabou, voltei exausta para o trailer. Já eram oito horas da manhã e o meu mau-humor estava dando o ar da graça. Eu odiava quando as gravações duravam a madrugada inteira e mexiam totalmente com o meu sono. O que eu queria mesmo era ter continuado o resto da noite na companhia de Lana, de preferência na cama e em seus braços.

Para piorar, à noite terei que pegar um avião para Portland, mas em compensação teria alguns dias de folga. Amanhã terá a convenção com o painel e o meet and greet. O meu será junto com Colin, como de costume, e um dia antes do de Lana. Adam e Ed fazem e sempre fizeram de tudo para evitar interações entre mim e Lana, tentando evitar assuntos sobre Swanqueen. Eu não concordava com isso, mas era algo a ser seguido e eu não desobedeceria.

 

Regina

No intuito de repor o meu sono, que foi arruinado por causa das gravações, só acordei cinco horas da tarde com muita dificuldade. Meu vôo para Portland estava marcado para as nove, sendo assim, teria que me apressar para arrumar minhas coisas, já que teria que chegar mais cedo para o check-in, sem falar no trânsito.

Quando eu e minha mala estávamos pronta, fui para sala e encontrei minha assessora, que já me esperava. Chegando no aeroporto agradeci por não estar lotado de fãs, eu só queria entrar no avião e ficar um tempo sozinha, apenas para poder pensar com clareza, dormir e talvez ler um livro. Haviam acontecido coisas nas últimas horas, coisas nas quais eu ainda mal tive tempo para digerir. Na verdade, eram coisas deliciosas de digerir, o problema era não saber o que fazer depois.

Horas depois, finalmente, entrei no avião e quase me joguei no meu lugar. Além das gravações, eu havia tido momentos intensos com Jennifer, o que estava me causando exaustão tanto mental quanto física. Estando na primeira classe, tudo se tornava mais fácil, sendo assim, fui até o banheiro trocar minha roupa para uma mais confortável e quando voltei, uma das aeromoças já havia transformado meu assento numa cama. Fechei a cortina para ter privacidade e me deitei.

Eu sempre sou a primeira á dizer “deixa rolar”, mas não passava de fingimento. Eu “deixava rolar”, de fato, mas na minha mente era longe disso. Ás vezes eu me preocupava tanto, que minha cabeça doía, e não estava sendo diferente agora. A solução era simples, apenas “deixar rolar”, por que eu tinha que remoer tanto o assunto? Estava tudo muito bom, mas o medo de que tudo se transformasse em tudo muito ruim me tornava desesperada. Eu e Jennifer havíamos mudado muito, impossível não mudar em seis anos, e talvez, esse seja o motivo do

meu medo. Eu tinha receio de conhecer essa nova Jennifer e não encontrar a mulher na qual eu me apaixonei há anos atrás.

[...]

Cheguei em Portland e não me sentia mais tão exausta, já em minha cama do hotel, eu repensava tudo o que eu havia pensado enquanto eu estava no avião. Sentia que a qualquer momento poderia sair fumaça pelos meus ouvidos e nariz. Chega!

Vesti uma calça jeans, uma blusa preta de manga e por cima uma jaqueta da mesma cor. Chegando ao restaurante do hotel, avistei Jennifer de longe. Ela estava sentada sozinha num canto mais afastado enquanto lia um livro e comia ao mesmo tempo. Era sua cara fazer isso. Parada na entrada do restaurante, me via num impasse se sentava com ela ou ficaria sozinha.

— Seria indelicado — murmurei para mim mesma.

Respirei fundo e andei em direção a sua mesa. Sem que ela nem mesmo percebesse a minha presença, sentei na cadeira á sua frente e então ela tirou os olhos do livro para me olhar

— Lana! — ela saudou e sorriu.

Ao ouvir sua voz dizendo meu nome, todos os impasses fugiram da minha mente. Sempre era assim, quando eu estava ao seu lado, apenas uma certeza era válida.

— Olá — retribuí o sorriso e peguei o cardápio sobre a mesa. — Como foi a viagem?

— Foi boa, dormi o tempo todo — ela deu uma garfada em sua salada.

— Eu também — levantei a mão para chamar o garçom e ele apareceu em questão de segundos. — Um hambúrguer por favor. Esse aqui — apontei para a foto do cardápio e ele anotou.

— Você com esses hambúrgueres, como sempre — Jennifer disse quando o garçom se retirou.

— O que eu posso fazer? São os meus favoritos — ela riu. — Mas eu também gosto de uma salada.

— Da salada que vem dentro do hambúrguer, né?

— Também — rimos.

Nos fitamos em silêncio. Tal silêncio durou por minutos.

— O que está lendo? — resolvi quebrá-lo.

— Leite e Mel da Rupi Kaur — ela balançou o livro.

— Já ouvi falar, mas confesso que não tenho ideia do que se trata — Jennifer riu e me explicou em seguida. — Parece interessante.

— Eu te empresto se quiser.

— Adoraria — sorri de lado.

— O que anda lendo ultimamente? — ela perguntou e eu pude ver o brilho de interesse em seus olhos.

— Os clássicos de sempre — sorri.

— Orgulho e preconceito?

— Sempre nos dias nove de fevereiro.

Jennifer me lançou um sorriso triste

 

Ela passeava pela biblioteca do meu apartamento e vi um brilho curioso em seus olhos quando ela parou em frente a um estante em especial.

— Por quê tantos livros iguais?

Andei em sua direção e peguei um deles com um sorriso triste.

— Quando eu era mais nova, antes do meu pai morrer, eu pedi pra ele um relógio, mas então, um dia antes de sua morte, ele finalmente havia comprado e meu presente — respirei fundo. — Mas não era o relógio, e sim um exemplar de Orgulho e Preconceito. Isso me deixou muito irritada e então eu doei para um sebo. No dia seguinte ele foi assassinado — Jen me olhou como se arrependesse de ter perguntado. Levou uma de suas mãos até meu braço e fez um carinho reconfortante. — Desde então, eu entro em todos os sebos que vejo e compro um. Tenho esperança de que um dia eu encontre e possa ler as últimas palavras que ele tinha deixado para mim na dedicatória.

— Eu sinto muito, amor — Jennifer se aproximou e me embalou num abraço.

Eu não queria chorar e estava convencida de que não iria, mas assim que Jennifer me abraçou, me permiti desabar.

— Você quer ler o que tem escrito nas dedicatórias? — levantei a cabeça e enxuguei minhas lágrimas. — Algumas são de cortar o coração e outras são bem engraçadas. Você não imagina pra quantas coisas esse livro já serviu.

— Eu quero. Posso escolher? — eu balancei que sim com a cabeça e ela escolheu. — Esse tem alguma coisa?

— Sim, você vai adorar — eu ri.

 

— Cada ano se torna mais fácil, mas infelizmente ainda não achei o meu — encolhi os ombros.

Jennifer me lançou um olhar encabulado, e conhecendo-a bem, algo estava a deixando incomodada. Ela abriu a boca para falar alguma coisa, mas o garçom apareceu com o meu pedido e ela pareceu desistir.

Enquanto eu comia, conversamos sobre inúmeras coisas. Jennifer me falou sobre seus projetos, seus planos futuros e a série parecia não estar incluída em nenhum deles, o que me incomodou um pouco. A ideia de que Jennifer deixasse Once Upon a Time, não me alegrava em nada. Talvez eu estivesse sendo egoísta, mas eu tinha medo de que, consequentemente, nos afastássemos.

— Então você vai sair da série? — levei uma batatinha até a boca e a olhei com as sobrancelhas erguidas.

— Não sei ainda. Estamos negociando o contrato, mas as exigências deles são absurdas e não querem aceitar as minhas. Estou há seis anos dando tudo de mim nesse série, mas agora eu quero focar nos meus projetos — senti um tom exasperado em sua voz. — Eu me sinto presa em um monte de regras que devo seguir.

— Eu entendo você. Vou sentir sua falta por lá — dei um sorriso triste e estiquei minha mão sobre a mesa para pegar a dela.

Acariciei sua mão com o polegar e me surpreendi quando Jennifer entrelaçou nossos dedos. Senti meu coração errar a batida, tinha a sensação que poderia desmaiar a qualquer momento. Ela me ofereceu um sorriso tímido e então fui à óbito.

 

Jennifer

A convenção havia sido cansativa, mas isso não importava agora. Eu só conseguia pensar na grande merda em que eu havia me metido. Minha cabeça doía em arrependimento. Meu coração se apertava em receio de que Lana não fosse me perdoar por isso, era algo tão importante para ela.

Eu fui egoísta. Egoísta por guardar algo que não era meu, apenas para poder ter uma parte dela comigo, mas não era justo.

— Eu não deveria ter feito isso — bufei.

 

Sete meses se passaram desde o dia em que cheguei no apartamento de Lana e ela estava com outro. Sete meses se passaram e eu ainda não me sentia capaz de perdoá-la e também de me perdoar. Eu sobrevivia apenas com a minha imaginação e daquela luzinha de esperança no fundo do meu peito. Havia dias em que eu não derramava uma lágrima e eu me sentia feliz por isso, alguns eu tinha tantas tarefas, que mal pensava nela. Mas existia aqueles dias, aqueles que seu coração parece ter sido arrancado do seu peito da forma mais cruel. Aqueles dias quando nada parecia fazer sentido enquanto ela não estivesse comigo. O pior dos dias era quando tínhamos que trabalhar juntas, ou quando as redes sociais se enchiam de fotos do mais novo casal feliz. Eu ria, mas era aquele riso amargo, junto dele eu me perguntava “Ela realmente o ama?”.

Aproveitando minha folga, fui para minha casa em Nova York. Era um dos lugares que eu mais gostava, e era aonde Lana ainda não havia pisado. Eu não precisaria lembrar de seu rosto à cada cômodo que eu visitasse.

Quando botei os pés fora de casa, uma brisa gelada me atingiu e eu enfiei minhas mãos no bolso do sobre-tudo preto. A neve cobria toda a calçada e eu sorri, amava demais essa época

para ficar presa em casa. Sai andando sem destino, meus pés me guiavam e eu me perdia em meus próprios pensamentos, até que vi na vitrine de um sebo um livro que chamou minha atenção por motivos especiais. Entrei no estabelecimento e peguei o livro. A capa era velha e havia dobras em todas as folhas, que já estavam amareladas. Abri a primeira página com receio de que aquele fosse o livro, e de fato, era. Lá estavam escritas belas palavras nas quais eu me odiava por lê-las, então no final tinha um nome: Samuel Parrilla.

Fechei os olhos com força e respirei fundo. Eu não podia devolver o livro para estante e ir embora como se nada tivesse acontecido, mas eu também não podia tomar posse de uma coisa tão importante como aquilo.

Comprei o livro na esperança de um dia entregá-la, mas anos se passaram e esse dia nunca chegou. Eu simplesmente não tive coragem. Guardei comigo a única parte dela que ainda me restava.



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