História All You Had To Do Was Stay - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Asa Noturna, Ciborgue, Estelar, Mutano, Personagens Originais, Ravena, Terra
Tags Bbrae, Beast Boy, Mutano, Raven, Ravena, Teen Titans
Visualizações 235
Palavras 4.587
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nome do capítulo: Por enquanto.
OIOIOI MANAS!!! Até o próximo.

Espero que gostem.

Capítulo 15 - For Now


Mutano estava se arrumando. Rachel já estava na porta da boate.

Ele borrifou muito perfume no corpo, dando uma última olhada no espelho. Ela pegou o primeiro copo de vodca da noite, virando-o de uma vez. Por Theo. Por toda a humilhação que havia passado no jogo de futebol americano. Por tudo que estava dando errado em sua vida.

 

Cyborg bateu na porta do quarto de Mutano, mostrando toda sua impaciência para o atraso do amigo. Odiava quando marcava uma hora certa com alguém, e a pessoa não cumpria o horário. Oras, se ele marcou uma hora é óbvio que deve ser respeitada.

Esmurrou mais um pouco a porta de aço, fazendo com que a placa que exibia o nome de Mutano tremesse, mesmo estando bem presa com grandes parafusos. Colocou as mãos nos bolsos da calça de tecido, controlando-se para não começar a gritar no meio do corredor.

Quase cinco minutos depois, Mutano abriu a porta, exibindo um sorriso brincalhão. O cheiro de seu perfume chegou ao nariz de Cyborg antes que a imagem do próprio metamorfo chegasse ao sistema do meio-robô.

- Como eu estou, latão? – perguntou, rodando no lugar e mostrando sua calça jeans escura, e a camisa social branca.

- Atrasado.

- Eu estava esperando por uma resposta do tipo “irresistível”.

- Você não tem relógio aí dentro?

- Eu só me atrasei um pouco.

- Faz uma hora e meia que a Sarah está nos esperando!

- Ah, agora eu entendi. – Mutano riu. – Você não gosta de deixar a sua namorada esperando.

- Eu não gosto mesmo, e você entenderia isso se tivesse uma.

- Claro, claro. Você já falou isso várias vezes.

Cyborg revirou o olho humano e começou a andar na frente de Mutano, usando o celular para mandar uma mensagem para Sarah. O metamorfo se aproximou dele e ajeitou a gola de sua camisa social preta, tirando-a de dentro da calça.

- Por que você sempre se arruma como se tivesse sido ajudado pela sua mãe? 

- Eu aprendi que a camisa deve ficar para dentro da calça.

- As vezes você consegue ser tão careta quanto o Asa Noturna, latão.

- Por falar nele, acho que ele e a Kori não voltam para a Torre hoje.

- Por que não? – Mutano franziu o cenho.

- Eles estavam saindo para um jantar romântico.

- Que fofo.

- Você tá falando sério? – Cyborg cruzou os braços.

- Estou. É bom que o Dick saia com a Kori. Eles são daquele tipo de casal que tem o namoro perfeito e eu admiro isso.

- Perfeito até certo ponto.

- O que você quer dizer?

- Eles não parecem tão perfeitos quando a Kori começa a gritar sobre algo que ele esqueceu.

Mutano gargalhou e jogou a cabeça para trás, entrando na garagem com Cyborg.

- Lembra quando ele esqueceu que eles estavam fazendo aniversário na data de Tamaran?

- Como esquecer? – Cyborg perguntou. – Foi naquele dia que eu pensei que ficaríamos sem casa. A Kori estava com cara de quem destruiria tudo.

- Nem me fala.

- Se a Ravena estivesse aqui teria gritado para ela calar a boca.

- Ela se fecharia no quarto e não escutaria os gritos.

Os dois riram mais um pouco, mas logo pararam, e seus sorrisos se desmancharam. Suspiraram alto, pensando em como Ravena reagiria ao que acontecia na Torre. Eles estavam mais unidos e, talvez, ela também estivesse mais próxima deles.

Em silêncio, cada um entrou em seu próprio carro e dirigiram para a Honeymoon, a boate que dava as melhores festas da cidade.

O caminho não era tão longo quando eles usavam a ponte subterrânea que ligava a Torre a cidade, e Cyborg só parou para buscar Sarah em sua casa. Mutano esperou pacientemente enquanto o casal trocava alguns beijos e carinhos no T-Car, divertindo-se com o quão apaixonado seu melhor amigo estava.

Pouco tempo depois, estacionaram em frente à boate, vendo a enorme fila que havia se formado na calçada. Mutano desceu de sua caminhonete e juntou-se a Cyborg e Sarah, indo falar com o segurança que estava na porta.

- Oi – Cyborg sorriu. – Nossos nomes estão na lista.

- Podem entrar. – o segurança falou, reconhecendo os dois Titãs. – Divirtam-se na Honeymoon.

- Obrigado.

Assim que colocou o pé dentro da boate, Mutano olhou ao redor, como sempre admirado com o espaço. As paredes de veludo o deixavam com vontade de se transformar em um gato, só para passar as unhas no tecido vermelho e preto. Alguns lustres de cristal iluminavam o local, e as luzes de neon estavam piscando e passando pelo chão e teto. O bar ficava localizado no canto esquerdo do salão, e dispunha de vários bancos mais altos e puf’s coloridos.

- Vamos dançar! – Sarah puxou Cyborg para a pista de dança, entrando no meio das pessoas. Ele puxou Mutano junto, e começou a dançar robóticamente, fazendo com que Sarah gargalhasse.

Mutano perdeu as contas de quantas músicas dançou ao lado de Cyborg e Sarah. A cada troca de música uma garota diferente se aproximava dele para dançar, e ele a aceitava de bom grado. Havia tirado a noite para se divertir e não sairia daquela boate até sentir que seu desejo tinha sido realizado.

Algumas horas depois, Cyborg e Sarah pararam de dançar, e ficaram conversando ao lado de Mutano, que dançava com uma morena muito bonita.

- Feijão verde – Cyborg o chamou. – Nós estamos indo embora.

- Já?

- São quase três da manhã, Gar. – Sarah riu.

- Está cedo! Eu vou ficar mais.

- Tudo bem. – Cyborg deu de ombros. – Comporte-se.

- Olhe com quem você está falando, latão.

- Com um metamorfo verde cansado de tanto dançar. Eles têm água no bar.

- Eu sei. – Mutano riu, e abraçou Cyborg, piscando para Sarah, que riu. – Você vai me largar por ela?

- Você sabe que é o meu favorito.

- Eu quero ser o único!

Sarah gargalhou alto quando Cyborg beijou a bochecha de Mutano, e todos que estavam em volta riram com ela. Do bar, Rachel, completamente bêbada, viu a cena e revirou os olhos, enquanto Cyborg ia embora com Sarah.

- Mais uma! – ela bateu o copo no balcão, pedindo mais uma dose de vodca.

- É melhor você parar, moça. – o barman falou.

- Vamos logo, Dave!

- Meu nome é Marcus.

- Dave, Dave, Dave... Eu estou sem bebida aqui. – apontou para o copo. – Eu estou em um bar e estou sem bebida! – gritou.

O barman revirou os olhos e encheu o copo dela com mais vodca, balançando a cabeça negativamente. Afastou-se quando ela começou a falar sozinha, contando pela quinta vez a história do Patinho Feio.

Rachel continuou falando sem parar, até um homem loiro entrar em sua frente, sorrindo cordialmente.

- Oi. – ele disse.

- Oooooi. – ela o olhou dos pés à cabeça. – Doeu quando você caiu do céu?

- O quê?

- É que você é um anjo.

- Ah – o homem riu. – O nome do anjo é Zach.

- Eu sou Annelise. – Rachel mentiu. – Modelo internacional.

- Mesmo?

- Estou só de passagem.

- Eu estou com os meus amigos – Zach contou. – Quer conhecer a cidade?

- Eu vou adorar! – ela começou a descer do banco, tendo problemas para ficar em pé.

O barman se aproximou outra vez e olhou feio para Zach, que arqueou uma sobrancelha. Ele a segurou pelo vestido preto apertado que ela usava, impedindo-a de cair e de chegar mais perto de Zach.

- Ela não está disponível.

- Não está? – Zach franziu o cenho.

- Não.

- Me solta, Dave!

- Você não está em condições para sair daqui com um desconhecido.

- O nome dele é Mack!

- Zach. – o loiro corrigiu.

Rachel abriu um sorriso bêbado, ainda tentando se livrar do barman. Zach a olhou com nojo e começou a se afastar, procurando outra mulher bêbada para se juntar a ele e seus amigos.

- Dave! – Rachel gritou. – Você estragou o meu encontro!

- Você sozinha com ele e os amigos dele? Você é louca, moça!

- O meu nome é Anne...

- Rachel? – Mutano arqueou uma sobrancelha, apoiando os braços no balcão do bar.

- Não, não, não. – ela tampou o rosto, como se ele fosse esquecer que ela estava ali.

- O que está acontecendo? – ele perguntou, encarando a mão do barman segurando o vestido dela.

- Ela queria sair daqui com um homem desconhecido e seus amigos – Marcus explicou. – Mas ela não parou de beber desde que chegou aqui, e eu a segurei para que ela não fosse.

Mutano olhou para o rosto de Rachel, que já estava ocupada virando outro copo de vodca, e viu como ela estava. Sua pele brilhava de suor, a maquiagem começava a derreter, e o batom estava espalhado em suas bochechas. O vestido estava todo amarrotado, e o cabelo completamente desgrenhado.

- Rachel, acho que você já bebeu demais. – tirou o copo das mãos dela. – Você está de carro?

- Táxi.

- Ela chegou na hora que a boate abriu. – Marcus a soltou.

- Shhhh, Dave! – Rachel empurrou a cabeça dele.

- Meu nome é Marcus.

- Eu sei, Dave. Você já falou. – ela sorriu maliciosamente. – Você tem namorada?

- Eu sou...

Antes que ele terminasse a frase, Rachel colou os lábios nos dele, colocando a língua para fora da boca. Marcus tentou se afastar dela, e virou o rosto, ganhando uma lambida molhada na bochecha. Mutano arregalou os olhos e pegou Rachel pela cintura, tirando-a de perto do barman, que limpou o batom vermelho do rosto.

- Eu sou casado, sua louca!

- Relacionamentos abertos são legais.

- Tenho três filhos!

- Eu amo crianças! – ela gritou.

Mutano olhou para Marcus e balançou a cabeça negativamente, balançando a mão para que ele se afastasse. Sentou Rachel no banco outra vez, afastando o cabelo dela do rosto.

- Vamos embora, Rachel. – suspirou.

- Vamos?

- Vamos.

- Ei... Você me mandou fugir naquele dia!

- Sim, mas tem duas semanas que isso aconteceu.

- Eu tive que correr. – ela mascou o ar que estava na boca. – E eu não gosto de correr.

- Foi necessário.

- O que você está fazendo aqui?

- É uma festa.

- Ah, você veio com o seu amigo.

- Sim. O Cyb.

- Cyb – concordou com a cabeça. – E o Victor?

- São a mesma pessoa.

- Vocês tem apelidos íntimos!

- O quê?

- Que fofo! – Rachel apertou as bochechas de Mutano. – Vocês devem se gostar muito.

- Ele é o meu melhor amigo.

- Amigo... – ela murmurou.

- Sim. – Mutano respondeu, sem perceber que ela estava entendendo tudo fora de contexto.

- Eu não tenho amigos desse tipo.

- Que tipo?

- Desse! – começou a rir.

Mutano revirou os olhos e deixou um pouco de dinheiro em cima do balcão do bar, ajudando Rachel a descer do banco. Ela quase caiu quando seus pés tocaram o chão, e ele rosnou baixinho por ser obrigado a segurá-la pela cintura para que ela não caísse.

Ela fez força para empurrá-lo, mas não estava em boas condições para isso. Quando percebeu que ele não havia saído do lugar, bufou e tentou se concentrar nos passos que precisava dar para sair.

- Ele queria me levar para conhecer a cidade! – murmurou. – Ele gostou de mim.

- Quem? – Mutano perguntou. 

- Zach. Eu estava prestes a fazer novos amigos.

- Nunca te ensinaram que você não pode sair com desconhecidos?

- Eu o conheci!

- E já estava pronta para sair com ele.

- Você é um desconhecido.

- Levando em conta o tanto de vez que já nos encontramos... Eu não tenho tanta certeza.

Rachel suspirou e inclinou o corpo para a parede mais próxima, sujando-se com o cal que a revestia. Olhou para os carros que estavam parados na rua, vendo-os mexer.

- Os carros estão dançando. – riu.

- Você está muito bêbada, Rachel.

- Meu nome é Annelise.

Mutano riu dela e abriu a porta do carro, pegando uma garrafinha de água. Entregou para ela e esperou pelo momento em que ela tomaria um pouco da água. Porém, ao invés disso, Rachel sacudiu a garrafa, jogando água para todos os lados.

- Chafariz! – ela comemorou, sem se importar com a água em seu rosto. – Lindo!

- Não, Rachel! – Mutano segurou as mãos dela, pagando a garrafa. – Você tem que beber.

- Beber?

- Sim!

- Não estou com sede.

- Vai ser bom para você.

- Mas eu não quero.

- Por favor?

- Não. – Rachel abriu a boca para gargalhar, e ele colocou a garrafa em sua boca, despejando um pouco de água. Ela engasgou e engoliu, ficando com os olhos arregalados. – Ei! – tossiu.

Mutano arregalou os olhos e deixou a garrafa de lado, secando o rosto de Rachel. Ela continuou tossindo, respirando fundo para não perder o fôlego.

- Desculpa! – ele deu alguns tapinhas nas costas dela. – Você está bem? – ela começou a rir sem parar, misturando o riso com a tosse. – Rachel! – sacudiu-a de leve.

- Eu engasguei. – ela o olhou.

- Por minha causa. Sinto muito.

- Você vai me abraçar agora?

- O quê?

- Me abraçar – o cheiro forte de álcool que saía da boca dela atingiu o nariz de Mutano. – Você vai?

- ...Não.

- Você só abraça o Cyborg Victor?

- Não, e você pode chamá-lo apenas de Cyborg.

- Victor é de uso exclusivo seu?

- Do que você está falando?

- Apelidos carinhosos.

- Victor não é um apelido carinhoso – Mutano tentou explicar. – É o nome dele.

- Mas ele não chama Cyborg?

Mutano soltou um suspiro alto e jogou a cabeça para trás, revirando os olhos. Aproximou-se do carro e abriu a porta do carona, dando espaço para que Rachel entrasse. Quando olhou para ela, a viu rodando no mesmo lugar, enquanto cantarolava uma música que ele não conseguia entender a letra.

- Rachel – estalou a língua dentro da boca. – Eu preciso que você entre no carro.

- Você vai me sequestrar?

- Vou te levar para casa.

- Você brinca de sequestro com o Victor Cyborg?

- Por Deus! Você não fala nada com nada! – a pegou pela mão, colocando-a dentro do carro. Afivelou o cinto e deu a volta, entrando pela porta do motorista. – Onde você mora?

- Em um apartamento.

- E onde ele fica?

- Em um dos bairros do centro.

- Qual bairro?

- Stars... – ela franziu o cenho, tombando a cabeça no banco.

- Stars...?

- Eu não sei. – riu. – Só sei que moro em um ótimo bairro, ótimo prédio, com ótimos vizinhos.

- Você está muito bêbada.

- Ei, por que eu estou vendo dois de você?

- Dois de mim? – Mutano arqueou uma sobrancelha. Encarou Rachel por alguns instantes, vendo-a empalidecer e fechar a boca com força. – Você está bem, Rachel?

Ela balançou a cabeça positivamente e colocou as mãos na barriga, fazendo vômito. Alarmado, Mutano abriu o porta-luvas e procurou por uma sacola, colocando-a nas mãos de Rachel em questão de segundos.

Ele fechou os olhos quando ela vomitou pela primeira vez, fazendo careta para o cheiro azedo que impregnava seu carro. Abriu os vidros e dirigiu depressa, mantendo-se atento à ela, apenas para ter certeza de que a única sacola que tinha achado seria suficiente.

- Que nojo. – Rachel colocou a língua para fora, olhando para a sacola. – Toma. – bateu-a no braço de Mutano, deixando-o com mais nojo.

- Você pode segurar por mais um tempo?

- Está fedendo.

- Ah, eu sei.

- Eu não quero segurar. – ela fez biquinho, piscando seus olhos, que estavam vermelhos e marejados.

- Eu vou parar na farmácia e comprar um remédio para você.

- Eu não gosto de remédios.

- Mas você precisa.

- Não.

- Rachel...

- Eu quero beber mais.

- Nem pensar. – Mutano estacionou em frente a primeira farmácia que estava em seu caminho. – Você pode ficar sozinha por alguns instantes?

- Claaaaaro. – ela abriu a boca e deu ênfase no “a” da palavra, sorrindo com os dentes sujos.

- Vou pegar uma escova de dentes também. – ele murmurou, saindo do carro.

Rachel bufou depois que Mutano saiu, olhando entediada para o painel cheio de luzes do carro. Seus olhos brilharam e a vontade de apertar todos os botões se fez presente, parecendo ser extremamente certa em sua mente embriagada.

Apertou todos os botões que seus dedos alcançaram, e acabou ligando o rádio, divertindo-se com a música que começou a tocar. O aquecedor também foi ligado e o carro ficou quente, até o momento em que ela apertou mais botões, fazendo com que a temperatura caísse consideravelmente.

- Frio! – aplaudiu, colocando o rosto na frente da saída de ar. – Hm... Sinto cheiro de neve! – sorriu, como se suas palavras fizessem sentido naquele momento.

Um botão laranja e amarelo chamou sua atenção, e ela não pensou duas vezes antes de apertá-lo. Esperou em silêncio para ver o que aconteceria, soltando um grito engasgado ao ver o teto solar do carro abrindo lentamente, revelando o céu escuro e os fios que estavam entre os postes da rua.

Foi o suficiente para que ela se sentisse como uma criança no Natal.

Subiu com dificuldade no banco do carona, esticando os braços para passar pela abertura do teto. Apoiou os cotovelos na lataria do carro e acenou para quem estava passando na rua, rindo alto e fazendo barulhos com a boca, como se estivesse em um filme de ação.

A brincadeira durou por longos minutos, e Rachel não conseguia pensar em algo mais divertido para fazer. Estava zonza, fedendo a álcool e vômito, mas estava se divertindo como nunca.

- Oi! – gritou e acenou para o casal que estava passando do outro lado da rua, chamando a atenção deles. Seu sorriso radiante se desmanchou no instante em que ela percebeu que se tratava de Theo com uma garota que ela nunca havia visto na vida. – Theo?

Ele simplesmente continuou andando, olhando para o lado oposto de onde ela estava. Cochichou algo com a garota e riu junto com ela, olhando com pena para Rachel.

- Theo! Nós transamos! – ela gritou, virando-se no carro. – Eu gosto de você! Eu te perdoo por ter beijado outra pessoa no dia do jogo e por não ter ido ao nosso encontro. – abriu os braços, embolando-se com as palavras. – Eu te amo, Theo! Me dá uma chance! – seus olhos ficaram cheios de lágrimas, e algumas pessoas pararam para olhar a cena. – Eu faço tudo por você, até seus trabalhos! Eu... Eu... – sentiu o estômago embrulhando, e dobrou o corpo, vomitando em cima e dentro do carro.

- Eu não te conheço! – Theo gritou para ela. – Vê se me esquece, sua louca! Que mico! Você é vergonhosa! – riu. – Como eu queria estar como meu celular aqui para gravar essa cena.

Rachel franziu o cenho e vomitou outra vez, ficando com os pés e as sandálias de salto sujos.

- Theo... – murmurou, limpando a boca com o braço.

- Rachel! – Mutano saiu gritando da farmácia, entrando no carro e tirando Rachel do teto solar. Balançou a cabeça para a situação em que seu carro se encontrava, e olhou para trás bem a tempo de ver Theo rindo com outra garota. – Como você abriu o teto solar? – preferiu mudar de assunto para não chateá-la.

Ela deu de ombros e colocou as mãos no colo, olhando pela janela. Mutano começou a dirigir para o bairro Stars Hollow, o único que ele conhecia com “Stars” no nome e que ficava no centro, olhando para ela pelo canto do olho vez o outra.

- Ele foi o meu primeiro – Rachel sussurrou, colando o rosto no vidro. – Eu gosto dele. Gosto dele.

- Seu primeiro? Você perdeu a virgindade com ele?

- Sim. Eu acho que o amo – o cheiro de azedo saiu da boca dela. – Ele foi o meu primeiro, depois disse que para ele eu fui sexo fácil, e nunca mais falou comigo. Agora me pediu para fazer um trabalho há poucas semanas e... – ela chorou copiosamente, escondendo o rosto nas mãos. – Eu o amo. – soluçou. – Quero ficar com ele!

- Rachel, você já parou para pensar que ele não sente o mesmo por você? Que ele só te usou para que você fizesse o trabalho para ele?

- Não!

- Quando vocês ficaram juntos?

- No ano passado. 

- Tem um tempo, então.

- Você acha que ele não pode gostar de mim?

- É claro que ele pode – Mutano franziu o cenho. – Ainda mais que você é a cara da Ravena. – murmurou. – Mas parece que ninguém além de mim percebe isso.

O choro de Rachel ficou consideravelmente mais alto, e ela usou a jaqueta de Mutano que estava no banco detrás para limpar o nariz. Assoou e cuspiu um pouco no couro para tentar tirar o gosto ruim da boca, enquanto chorava mais um pouco. 

- A minha jaqueta nova! – Mutano choramingou.

- Ei, aquele é o meu prédio! – Rachel apontou para um edifício enorme e bonito. 

- Você mora aqui? 

- Sim!

- É um prédio bonito.

- O Theo também é bonito.

- Não foi o que eu quis dizer.

- Eu só quero poder ficar com ele.

- Não tinha jeito melhor de terminar a minha noite. – ele revirou os olhos, parando o carro. – Por que você não esquece o Theo? 

- Você gosta de jujubas? – ela tirou uma bala amassada de dentro da bolsa, estendendo-a para Mutano, que recusou e se afastou um pouco. – Eu amo! – enfiou a bala na boca, comendo com vontade.

- Olha, você está entregue.

Rachel balançou a cabeça e se virou para abrir a porta, tendo grandes dificuldades para encontrar a maçaneta. Conseguiu encontrar e a puxou, quase caindo para fora do carro, o que causou outro ataque de risos, que aconteceu em meio às lágrimas que ainda escapavam de seus olhos.

Mutano suspirou alto, sentindo seu lado de super-herói falar mais alto. Desceu do carro e a ajudou, levando-a para dentro do prédio, percebendo que ela não tinha condições de andar sozinha.

- Boooooooa noite, Taylor! – Rachel cumprimentou o porteiro, que franziu o cenho para o estado dela. – Eu vi o Theo. – sussurrou. – Ele estava com outra... Não comigo... Com outra...

- Rachel, você está toda suja! – Taylor balançou as mãos, e seus olhos pararam em Mutano. – Quem é você?

- Ahn... Mutano, dos Titãs.

- Eu sei quem você é!

- Então por que perguntou?

- O que você está fazendo aqui?

- Eu estava na mesma boate que a Rachel e a trouxe para casa. – mostrou a sacola de remédios que havia comprado. – Qual o número do apartamento dela?

- Sinto muito, mas desconhecidos não podem subir sem a ordem do morador.

- Ela está bem aqui, cara.

- Não está em seu melhor estado.

- O que você pensa que eu sou?

- Um homem verde que pode ter um ataque de raiva a qualquer momento e destruir tudo.

- Esse é o Hulk. Eu sou o Mutano.

- Você ainda não pode subir.

Rachel riu dos dois, mesmo sem entender o que estava acontecendo, e Mutano bufou alto, enquanto Taylor continuava parado a sua frente.

- Eu só vou deixá-la em casa.

- Pode me passar os números do seu documento, telefone residencial e celular?

- Para quê?

- Política do condomínio. – Taylor cruzou os braços.

- Certo. – Mutano deu todos os dados que ele pediu, e ainda deixou o comunicador em cima do balcão em que Taylor estava, como garantia de que não faria nada de ruim a Rachel. – Posso subir agora?

- Pode.

- Qual o número do apartamento?

- 903.

- Obrigado.

- Obrigadaaaaa, Taylor. – Rachel babou no ombro esquerdo de Mutano. – Cante para mim!

- O quê? – o porteiro pareceu confuso.

- Acho que ela está te confundindo com a Taylor Swift. – Mutano explicou, segurando o riso.

- Eu não canto, Rachel.

- Por favor, não mexa nisso. – o metamorfo apontou para o comunicador, fazendo com que Taylor afastasse as mãos do objeto.

Levou Rachel para o elevador e apertou o botão do 9º andar, escutando a voz baixa da moça que cantarolava uma música da Lady Gaga, pensando ser da Taylor Swift.

Respirou mais aliviado quando chegaram ao andar dela, e dirigiu-se à porta do apartamento 903, encarando a madeira perfeitamente pintada de branco, enquanto pensava em como entrar.

Rachel se soltou dos braços dele e andou até o vaso de planta ao lado da porta, pegando uma pequena tartaruga de cerâmica, levantando seu casco e pegando uma cópia da chave. Tentou enfiá-la na fechadura, mas a derrubou no chão, xingando em alto e bom tom, podendo facilmente acordar os outros vizinhos.

- Shhh! – Mutano pegou a chave. – Você vai acordar seus vizinhos.

- Eu não ligo.

Ele entrou com ela no apartamento, com o objetivo de levá-la para o quarto e ir embora. Não reparou no interior do apartamento, e também nem teve tempo para isso, uma vez que Rachel estava cambaleando e se segurando nas paredes. 

Ela entrou na última porta do corredor pequeno e não saiu mais de lá, fazendo com que Mutano fosse atrás, preocupado. Ele a viu esparramada na cama de casal, com as pernas para cima e a cabeça no travesseiro, começando a roncar.

- Rachel, estou indo embora.

- Uhum...

- Você sabe quem eu sou?

- Eu vi o Theo.

- Sim, eu sei.

Ela suspirou e afundou o rosto no travesseiro, roncando alto para o alívio de Mutano, que saiu do quarto a passos lentos.

Ele foi até a sala e pegou o celular, vendo uma pequena agenda ao lado da base do telefone sem-fio de Rachel, com alguns números importantes. Riu, pensando em quem ainda mantinha uma agenda em casa, mas Rachel era completamente diferente das pessoas que ele conhecia, e uma agenda ao lado do telefone não era a única coisa que a tornava estranha.

Discou o número do celular de Harper, torcendo para que ela o atendesse rapidamente. A chamada caiu na caixa-postal, e ele quase desligou o celular, mas desistiu no último segundo:

- Harper, aqui é o Mutano – falou. – Ahn... O integrante verde dos Titãs. Garfield Logan... Isso não importa agora. Eu acabei de deixar a Rachel em casa, e ela está muito bêbada. – suspirou. – Eu estou indo embora agora e deixei uma sacola de remédios para ressaca no sofá. Se você puder vir... Eu ficaria agradecido. É isso. Boa noite. Tchau.

Mutano desligou o celular e deixou a agenda de lado, saindo do apartamento. Colocou a chave reserva de volta na tartaruga de cerâmica, rindo sozinho da ideia louca de Rachel.

- O comunicador tocou, Taylor? – perguntou, quando saiu do elevador no saguão.

- N-Não! – Taylor exclamou, soltando o objeto. – Está tudo bem na cidade.

- Ótimo. – riu e pegou o comunicador. – A Rachel está dormindo e eu liguei para a amiga dela, Harper.

- Eu sei quem é.

- Eu vou indo, então...

- Você é mesmo dos Titãs... 

- Sou.

- Legal! – bateu as mãos no balcão. – Depois você pode tirar uma foto comigo?

- Claro, Taylor. 

- Obrigado, obrigado.

Mutano acenou a cabeça para os agradecimentos de Taylor, e saiu do prédio, entrando no carro. Encostou a mão no vômito quase seco de Rachel e fez careta, abrindo todos os vidros do carro para que o ar corresse. Suspirou e foi embora para a Torre.

Os encontros entre ele e Rachel estavam cada vez mais frequentes, e alguma coisa o fazia acreditar que estavam apenas no começo.


Notas Finais


Chora nããããããão coleguinha!!!!!
Comentem :)


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