História Alma - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, Personagens Originais
Tags Beleza, Insatisfação, Jeon Jungkook, Lorena, Ódio
Visualizações 184
Palavras 2.360
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Aqui estou eu com uma oneshot com meu bolinho, coisa maisi fofa desse mundo kkkk
Eu nem pretendia escrever isso, mas deu vontade rs
Ah, e eu quero agradecer a minha Unnie linda e maravilhosa pela capa! @~aestheticvenus. Vão ler as fanfics dela, são um amorzinho u.u
Leiam as notas finais, ok?
Beijinhos no kokoro!
Boa leitura :3

Capítulo 1 - A tua beleza


Afinal, o que é uma lágrima escorrendo no canto dos olhos?

A dor maior nunca poderá ser demostrada.

A alma não é visível aos pecadores.

 

Os feixes de luz solar invadiram a janela do meu quarto, fazendo-me abrir os olhos. Virei o rosto para o lado onde se encontrava o criado-mudo, do lado da minha cama, e olhei no pequeno relógio que se encontrava em cima do mesmo; eram exatamente 07h30min.  Era pra eu continuar dormindo, se eu não tivesse sido idiota em ter concordado de trabalhar pra aquele playboy.

Bufei ao ter que me desfazer da minha cama quentinha, e ter que enfrentar o frio de Seul. Minha cabeça doía ao imaginar o tanto de contratos para organizar essa manhã, e doía mais ainda em pensar no meu mais novo pesadelo.

Jeon Jungkook.

O filho do meu chefe, que agora também trabalhava na empresa. Ô vontade que eu tenho de matar aquele playboyzinho de uma figa. Exigente, chato, insuportável, lindo, gostoso, argh! Pergunto-me por que ele vive me encarando. E só pra completar, ele mora no mesmo prédio que eu, no apartamento 512.

- Aish, vamos lá. – murmurei pra mim mesma, e me levantei da cama.

 Fui direto para o banheiro, e depois de jogar meu pijama no cesto, tomei um bom e demorado banho.

- Srta. Lorena, me acompanhe. – ordenou e eu obedeci, entrando em sua sala. – Sente-se. – suspirei e sente-me de frente para si. – Então...como agora eu vou trabalhar aqui, preciso de uma assistente. – tombou levemente a cabeça para o lado – Falei com meu pai, e ele me indicou você.

O encarei incrédula. Nos nunca nos demos muito bem, e agora ele pede pra que eu seja sua assistente? Só pode ser brincadeira.

- Ganharei a mais por isso? – perguntei sincera, sem desviar os olhos dos seus.

- Claro que sim. – comprimi os lábios em espanto, ao que o maior se aproximou do meu rosto. – Ganhará a mim. – seu nariz tocou minha bochecha, e eu me amaldiçoei por me arrepiar.

- Não seja infantil, garoto. – me levantei, ainda mantendo proximidade. – Dei-me licença, tenho que trabalhar. – tentei sair, mas suas mãos seguraram minha cintura, colando nossos corpos.

- Diga que vai pensar, e eu lhe deixo sair.

Suspirei pesado revirando os olhos.

- Tudo bem. - saí vendo um sorriso cínico brotar em seus lábios.

E cá estou eu, indo trabalhar em pleno feriado, por ter aceitado ser ‘assistente’ do filho do meu chefe.

 Me enrolei na toalha e saí do banheiro. Procurei uma roupa adequada; optei por um vestido preto e nada vulgar. Deixei meus cabelos caírem por as costas, e fiz uma trança com os mesmos.

Depois de passar apenas um brilho labial, olhei-me no espelho.

Sorri de mim mesma.

Eu não sou essas coisas, meu corpo não tem nenhuma curva atraente, nem seios grandes ou bumbum empinado. Ás vezes meu orgulho feminino, me fazia pensar que eu nunca acharia alguém que me olhasse, ou alguém que gostasse de mim. Afinal, quem se interessaria por uma magrela sem graça? Quem sentiria desejo por um corpo cheio de marcas? Eu sempre falei disso com minha mãe, até lembrei-me de uma de suas frases clichês para animar uma adolescente sem autoestima.

“Não importa a beleza do corpo, as curvas chamativas, ou a maquiagem no rosto. Olhe para dentro de si. Se preocupe com o que você é por dentro, pois no dia que um homem enxergar a linda pessoa que você é, conhecerá o amor verdadeiro. Por que o amor verdadeiro não olha a beleza externa. Ele olha o que está em sua alma.”

Infelizmente minha fase de acreditar nessas palavras, já passou.

Enfim.

Resolvi deixar essas besteiras de lado, e calcei meu salto, logo pegando minha bolsa, e saindo. O corredor se encontrava vazio, num grande vácuo, o que me deixou livre para cantarolar uma música qualquer. Pude ouvir o sininho do elevador, e corri para pegar.

- Segura! – gritei pra quem quer que estivesse lá dentro.  Entrei correndo, e logo a porta se fechou. Levantei a cabeça para agradecer a tal pessoa, e engoli em seco ao ver quem era. – Obrigada, Sr. Jungkook. – tentei passar confiança, e agradeci mentalmente por não estar gaguejando.

- Não tem de quê, Lorena. E por favor, apenas Jungkook. – apesar da gentileza no falar, ele se mantinha sério, encarando a porta do elevador.

- Mas o senhor é meu chefe, temos que manter certa formalidade. – respondi no mesmo tom.

- Exatamente. Eu sou o seu chefe, determino como quero ou não ser chamado.

- Me desculpe. – abaixei a cabeça, e dei graças ao ver a porta finalmente abrindo.

- Venha comigo, te levarei no meu carro. – disse antes de sair elevador a fora.

- Não precisa, eu vou de ônibus mesmo. Obrigada. – saí rapidamente, indo em direção à parada.

- Isso foi uma ordem. – vi ele se dirigir á um conversor preto. – Entre no carro. – revirei os olhos. Mesmo contrariada, o segui e sentei no banco do carona.

Suspirei com os olhos fechados, tentando manter a calma e não sair correndo dali. Coloquei o sinto, e ele deu partida. O silencio se fez presente, e eu nunca me vi tão incomodada. Tentei focar meu olhar na estrada, e parecer menos assustada do que eu estava. Poucos minutos depois chegamos à empresa, e não tinha nenhum carro no estacionamento.

Nem estranhei já que todo feriado era assim.

- Não virão trabalhar, hoje. A empresa é só nossa, Lorena. – ouvi sua voz um pouco distante, vendo-o já entrar no grande prédio. Apenas assenti, mesmo ele não vendo, e o segui despreocupada.

Eu só esperava terminar logo o que tínhamos para fazer, e poder voltar correndo para minha casa, me deitar nos meus cobertores e ouvir música enquanto comia chocolate.

Entramos em sua sala, o ar-condicionado forte fez meus pelinhos se eriçarem, e de imediato esfreguei minhas mãos uma na outra.

- Está com frio? – assenti de leve, o vendo sorrir em seguida. – Sente-se. – ordenou. Ás vezes eu me assustava com seu tom dominador. Observei-o ir para detrás da minha cadeira, e logo senti suas mãos quentes em meus ombros. Um arrepio avassalador desceu de minha espinha, até minhas pernas, quando senti lábios macios tocarem meu pescoço.  

- O que pensa que está fazendo? – perguntei indignada.

- Acalme-se, está muito estressada.  – suas mãos faziam uma massagem gostosa, o que consequentemente fez meu corpo relaxar.

- Pare com isso, Jungkook. Viemos trabalhar, foi pra isso que eu saí da minha cama, então, por favor, não seja inconveniente. – me levantei para encara-lo.

- É muito corajosa. – se aproximou segurando minha cintura. – Eu posso puni-la por essa ousadia, sabia? – sussurrou no meu ouvido.

- O único ousado aqui é você. Se não me trouxe aqui para trabalhar, me dê licença. – falei firme, dando espaço para a raiva em mim, e saí em direção à porta.

Quem ele pensa que é? Só porque é rico e bonito, acha que pode brincar assim com as pessoas?

- Eu não deixei você sair. – senti meu corpo ser prensado contra a parede, e logo suas mãos agarraram minha cintura com possessão. – Vai me dizer que não está louca por mim? – roçou nossos lábios.

Foi o estopim.

- Você se acha demais, não é? Acha que só por que é rico, pode fazer das pessoas um brinquedinho. Olha bem pra mim, garoto. Eu posso até perder meu emprego, e pra falar a verdade isso é o que menos importa, mas se você tentar encostar um dedo em mim eu acabo com esse seu rostinho.

- Acalme-se! – sua risada soou alta, me fazendo ter nojo. – Eu não sou louco de fazer algo que não queira. Mas eu sei que você quer, assim como eu. Vamos Lorena, não seja boba, o que tem demais em nos divertimos um pouco? Você me dá o seu corpo e eu te dou o meu. Simples, não é?

Meu corpo? Ele só pode está zoando comigo.

- O que quer, hum? – já sentia um grande nó em minha garganta – Quer se divertir com uma idiota digna de pena? Quer me humilhar por que não tenho a droga de um corpo bonito? Quer me usar e depois contar pros seus amiguinhos que eu não sou gostosa como as outras que você é acostumado? – deixei as lágrimas encharcarem meu rosto, soluçando alto. Deslizei na parede até encontrar o chão, e chorei, chorei com aquela dor insuportável de insatisfação.

- Ei... – senti seu corpo se aproximar do meu e logo me acolher num abraço.

- Não, Jungkook! Você sempre foi rico, bonito, nunca soube o que é ter olhares de desdém sobre você. Você nunca foi rejeitado. Nunca soube o que é odiar o próprio corpo, por não ser do jeito que os padrões de beleza exigem. Nunca teve medo de não ser amado. Nunca se olhou no espelho e se decepcionou com o que viu. NUNCA SENTIU ÓDIO DE SI MESMO! – aquelas palavras eram como uma faca e me machucavam sem dó. Mas eu precisava colocar pra fora, mesmo sabendo que ele não iria ligar pra nada.

Precisava colocar minha dor pra fora.

- Lorena, olha pra mim. – usou seu tom autoritário e eu obedeci. – Você é linda. Você é linda do jeitinho que é, sem tirar nem pôr. – suspirou secando minhas lágrimas - Sabe, há muito tempo que eu procuro uma pessoa com a sua beleza. Procurei em todas as garotas que saí. Procurei e não achei em ninguém. E sabe por quê? – neguei – Por que essa beleza só existe em você. – encarei seus orbes escuros, encarei vendo a pura sinceridade.

- Você é louco, Jungkook. – funguei – Por acaso já viu meu corpo? Já viu minhas marcas? Você só quer me usar. Só quer me humilhar assim como todos. Mas não perca seu tempo, eu já me acostumei e não pense que vou sair me rastejando e implorando por você. – deixei outra lágrima escorrer. – Eu não tenho nada pra lhe oferecer.

- Acha mesmo que ligo pra isso? Eu não me importo, Lorena. Tudo que eu quero está aqui. – encostou o indicador em meu peito. – Tudo que eu preciso está aqui. – levou o mesmo dedo á minha cabeça. – Eu amo você. – falou encarando meus olhos.

Parecia que o tempo tinha parado. Parecia que nada mais existia. Jeon Jungkook fez meu mundo parar. E fez meu medo aumentar.

Levantei-me, vendo sua cara de interrogação. Fiquei em sua frente e comecei a tirar minhas roupas, sem desviar o olhar do seu por sequer um segundo. Abaixei o zíper do vestido, o deixando cair no chão, enquanto lágrimas embaçavam minha visão novamente. Desabotoei o sutiã, e o joguei ao lado do vestido, e por último, tirei minha calcinha. Fiquei nua, do jeito que eu era. Deixei todos os meus defeitos - que eu sempre escondi -, visivelmente á amostra. Voltei a me aproximar, e seu rosto mantinha uma expressão de surpresa e algo á mais que eu não consegui distinguir.

- Veja. – abri os braços. - Veja com atenção. – com dificuldade, engoli meus soluços – É isso que quer pra você? Veja, Jungkook, veja. Veja cada uma dessas malditas marcas. – trinquei os dentes – Procure alguma curva, vamos, ache algo que lhe faça sentir desejo. Seios grandes? Cintura fina? Coxas grossas e bumbum empinado? ME DIZ SE ALGUMA COISA NESSE MALDITO CORPO CHAMOU SUA ATENÇÃO? – gritei, fora de controle. Seus olhos continuavam a me analisar, meu peito se apertava ainda mais e eu chorava. Chorava como se as lágrimas cessassem meu desespero. – Eu queria, Jugkookie...eu queria mandar um belo ‘foda-se’ pra porra dos padrões de beleza. Eu queria não me importar. Mas isso não se torna fácil quando você olha os olhares de nojo, de pena...como se você tivesse alguma doença. – sorri desviando o olhar – Eu não tenho nada chamativo, não tenho nada que te deixe excitado.

Devagar, ele se levantou calmamente, ainda com a expressão séria.  Seu terno foi arremessado no chão, depois sua gravata.

- Quer saber o que me deixou excitado? – arregalei os olhos ao ver a ereção em sua calça. Jungkook se aproximou fazendo meu corpo se arrepiar com seu calor – Isso me deixou excitado. – beijou meu ombro direito, exatamente em cima de uma cicatriz. – Isso me fez ter desejo. – beijou outra marca em cima dos meus seios. – Isso também. – um selar carinhoso foi deixado no meio da minha barriga, em cima da maior marca. – Eu amo seu corpo, mas não foi por ele que me apaixonei. Eu me apaixonei por uma garota de nariz empinado, que ama enfrentar seu chefe. Me apaixonei por uma maluquinha que sempre pede pra segurar o elevador. Por uma garota forte, por uma garota que faz de tudo pra ajudar os outros.

- Jungkook para, por favor. – pedi, mas fui ignorada.

- Eu amo a garota que me fez inventar trabalho todos os feriados, só pra ficar á seu lado. Por uma mulher linda, a mais linda que conheci. E é ela que eu quero á meu lado pelo resto da vida. É ela que eu quero como mãe dos meus filhos. É com ela que eu quero estar quando eu der meu último suspiro de vida. Eu a amo. A amo como nunca pensei que fosse capaz de amar. Amo cada uma dessas marcas. São as imperfeições mais perfeitas que eu já vi. – sorriu tombando a cabeça para o lado. – Amo porque ela possui a alma mais linda, a mais pura e perfeita. A alma que eu sempre quis.

Lágrimas continuavam a descer, encharcando meu rosto. Lágrimas de alegria, lágrimas de surpresa, lágrimas de carinho. Sem esperar mais nada, tomei seus lábios e o beijei. Beijo que afogou meus soluços, beijo que fez eu me esquecer da tristeza, da insegurança. Beijo que me fez esquecer até mesmo meus defeitos.

- Obrigada. – falei abafado contra seu peito. – Obrigada por me enxergar. – voltei a beija-lo, enquanto acariciava de leve os cabelos de sua nuca.

- Obrigado por me deixar enxerga-la. – abriu um lindo sorriso, mostrando seus dentinhos de coelho.

Minha mãe tinha razão. Aquele dia eu conheci o amor verdadeiro.

 

A verdadeira beleza nunca será visível.

 Ela é pura demais para olhos maliciosos.

A verdadeira beleza é cheia de cicatrizes.

Nunca será vista.

Será sentida.

 

 

 


Notas Finais


Eu nunca liguei muito pra aparência, confesso. Mas de uns anos pra cá, meu corpo tem me incomodado bastante. Não, eu não sou como a personagem, mas me sinto como tal. Marcas me incomodam. Marcas me impedem de me olhar no espelho e de sentir orgulho do meu corpo. E conversando com uma amiga, eu vi que não era só eu que me sentia assim, daí resolvi escrever isso.
E para vocês que também sofrem com isso, lembrem-se: a beleza de verdade , não está na aparência.
Está na Alma.


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