História Alma Cinza - Capítulo 2


Escrita por: e CriyoS_SCS

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Crime!au, Criyos_scs, Jikook, Passivesuga, Prostituição, Taegi
Visualizações 105
Palavras 9.380
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Policial, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E Finalmente a segunda parte. Perdoe-nos para quem não gosta de capítulos muito grande hohohoho.
(^v^)
Para os corajosos Good Reading.
ƪ(˘⌣˘)┐

Capítulo 2 - O Tom da Lamúria


Fanfic / Fanfiction Alma Cinza - Capítulo 2 - O Tom da Lamúria

As dores no corpo de YoonGi estavam mais intensas naquela tarde. Sua cabeça deitada no travesseiro, se encolhendo todo, agarrando o lençol sobre o corpo. A cabeça latejava devido aos puxões fortes que tinha recebido e a garganta se encontrava seca.

Era obrigado a abrir os olhos e ver o mesmo cômodo que tem passado as noites com aquele homem em parte da semana.

Levantou-se lentamente, ignorando as feridas que mancharam seu corpo. Durante aqueles dois anos nenhuma das chagas recebidas foi tão cruel quanto a que estava cravada em sua alma. E por mais que odiasse, acabou se acostumando a estar lá dentro com uma dívida que não tem mais fim.

E sabia que nunca sairia de verdade, a venda de seu corpo tem trago mais clientes do que YoonGi poderia contar, e muito menos quantos homens ficaram em cima de si.

Sentia-se tão morto e vazio. No começo, aceitou apenas para sobreviver, achando que seu sofrimento iria ter fim. Porém se enganou demais, via-se tão quebrado, que nem sabia por que ainda não deu fim a sua vida.

Talvez estivesse preste a fazer isso. E tinha consciência também que seria difícil. Tão complicado quanto tentar fugir.

Parou em frente ao espelho a fim de ver qual as outras marcas que haviam deixado para mais uma dolorosa lembrança, e de que nunca seria livre novamente.

Assim que viu o amigo saindo do quarto Jimin sentiu vontade de correr até o Min. Mas se restringiu apenas a se colocar sobre o balcão e oferecer um sorriso amigável.

— Boa tarde Jimin — Desejou YoonGi ao se aproximar do balcão.

— Dormindo até essa hora? — Sorriu triste — Quer dizer que suas noites de sono tem estado melhores?

— Absolutamente nunca vão ser — Respondeu simplório dando de ombro — Me dê algo pra me esquentar — Pediu e Park se afastou, abaixando-se para pegar um copo de vidro e colocar em cima da madeira nivelada.

— Hm... Então não vai conseguir sair amanhã, né? — Encheu o copo com uma das garrafas do estoque — Eu e o Jungguk queríamos sair um pouco daqui também. Se você pudesse vir seria ótimo, só nos três. Não acha?

YoonGi pegou o copo e ficou encarando o líquido. Jimin e Jeongguk tinha começado uma espécie de amizade colorida. Não oficializaram o namoro, até porque o Jeon não acha certo fazer isso quando ele tem que se deitar com um homem ou mulher a cada noite.

O Park ficava chateado, se dependessem do mais velho os dois nem estariam mais ali dentro. Com o passar do tempo eles aprenderam que se o brinquedo der lucro, é difícil conseguir sair.

— Vão vocês dois — Respondeu oferecendo seu melhor sorriso — Aproveite os momentos com ele Jimin.

— Eu tento — Abaixou o tom de voz, visivelmente triste por não tê-lo por completo.

— É melhor terminar logo. Daqui a pouco vai abrir.

 

A música alta fazia a cabeça de YoonGi latejar ainda mais, sempre seria o problema que não se acostumaria. Mas som alto não era sua pior dor de cabeça.

Já tinha começado a andar pelo salão. Atendendo aos clientes e falando o que eles queriam, era só um tempo até ter que subir naquele palco. Logo um deles o solicitaria.

Ficou aliviado de HoSeok não ter ido aquela noite. Seus machucados de ontem ainda nem tinham convalescido muito. Teria que trabalhar com as luzes apagadas.

Voltou para o bar, pedindo mais uma bebida para si mesmo. Jimin foi rápido em atender.

Aquela noite o Black Moon estava muito cheio. SooHo aparece no meio das pessoas, olhando para YoonGi. O Min logo soube naquele momento que já tinha com quem passar a noite. O sorriso malandro do seu tio surgia a distância ao farejar dinheiro.

O magnata era um louco por dinheiro. O Min mais novo teve muito azar por ter nascido em uma família como aquela.

Revirou os olhos quando percebeu a aproximação do seu explorador.

— Sobrinho — Sorriu fascista — Fico sempre tão impressionado com sua dedicação em arranjar clientes para o Moon. Deviam existir mais profissionais como você.

— Eu te odeio — Virou-se para o lado contrário ao de SooHo.

— O ódio faz parte da nossa família, não acha? — Fez o garoto olhar para ele segurando forte em seu braço e puxando.

YoonGi conteve uma exclamação de dor com o ato brusco.

— O cliente é muito importante para essa casa — Pincelou os dedos no braço do Min, descendo até o tato — Então trate de fazer bem seu trabalho. Não quero ter que prolongar mais sua dívida aqui, não é?

O mais novo contorceu a fase em desgosto e livrou seu braço das mãos do tio que apenas riu dele.

— Enquanto não chega a hora pode ir conquistando mais fatura para a casa – Disse e apontou para os dois novos homens que entravam —  Ah, sorria, não quer assustá-los com essa cara, né?

— Não — Respondeu encarando bem os olhos do tio — Claro que não.

—  Ótimo.

Falou por fim dando uma exagerada reverência a YoonGi e concedendo passagem.

[°°°]

Tinham certeza que podiam encontrar algo dentro de uma das casas noturnas. A delegacia de polícia têm investigado o desvio de dinheiro e estranhas relações de negociações a quase três anos. Mas nunca encontraram a cabeça de toda essa orquestra de loucos.

TaeHyung chegou a pouco tempo, mas já vinha acompanhando o caso de longe. Agora tinha a chance de pegar o culpado e o levaria para a cadeia.

Assim que entrou no lugar sentiu-se muito mal por ver a situação em que as pessoas tinham que trabalhar. Vendendo o próprio corpo em busca da própria sobrevivência.

— NamJoon — Chamou — Eu vou tentar arrancar alguma coisa com um dos funcionários. Os clientes não devem saber muito.

— Uhum, eu vou tentar também.

— Novos por aqui? —  Foram abordados com uma voz divertida.

Um jovem – De cabelos azulados e sorriso doce – se aproximava dos investigadores. Por um momento, Tae ficou enjoado de ver uma figura tão bonita se rendendo a uma vida daquelas.

— Por aqui sim — Respondeu NamJoon já que TaeHyung se encontrava sem ações — E você seria...?

— Novos mesmo — Sorriu puxado — Por aqui me conhecem como Suga. Bem vindo a Black Moon e espero que a casa possa satisfazer seus desejos.

A frase só deu ânsia. Não diria muito, era o trabalho do rapaz, e ele estava ali para fazer o dele.

Suga os levou até uma das mesas centrais e os três se acomodaram. Um garçom veio atendê-los e os dois clientes pediram um coquetel.

— É a primeira vez que os vejo por aqui — O azulado comentou com um sorriso robusto no rosto que encantou os dois amigos, mas TaeHyung não iria se apegar a alguém assim, eles são manipuladores, sempre usando seu corpo para terem o que querem — Vocês são de onde? — Todavia, não tinha como negar que o rapaz estava sendo gentil. Grosso é a última coisa que ele queria ser.

— Venho de Gwacheon — NamJoon respondeu primeiro.

— Eu sou de Daegu — Completou o loiro — Estamos na cidade a passagem, viemos visitar um amigo.

— Nossa, eu também venho de lá — Mostrou seu sorriso gengival, muito lindo ao ver de TaeHyung, contanto, sabia o que era um sorriso forçado e era isso que o rapaz estava fazendo, algo realmente o incomodava ali, no entanto, enquanto Suga começou a puxar conversa com NamJoon os olhos de TaeHyung rodearam minuciosamente o local. Notou DongYul, o principal administrador do aeroporto internacional de Incheon, assim como um comerciante automobilístico conhecido, ChungHee. Notou mais algumas pessoas da nobreza coreana, era de se esperar que frequentassem um lugar de alta classe como esse, mas a questão a ser resolvida é: O que verdadeiramente os trazem ali? Seria apenas o conforto e diversão do lugar, ou algum tipo de relação com o tráfico de drogas? De uma coisa TaeHyung sabia, existia uma movimentação muito suspeita com as redes de casa noturna dos Min, a começar pelo desaparecimento de YoonJae com uma quantidade de dinheiro exagerada, ocasionado por desvio de dinheiro da empresa, sem haver uma queixa sequer do dono do negócio. Obviamente se você não denuncia algo do gênero, está evitando a polícia. Mas por quê?

— Tae — Ouviu a voz de seu amigo lhe resgatar de seu reconhecimento local — Parece estar no mundo da lua.

— Ah... Desculpe — Sempre era assim quando ele era analítico demais. Só que dessa vez o fez parecer suspeito, constatou isso pelo olhar de Suga — Estou um pouco tenso, só isso — Mentiu.

O menino sorriu de canto revelando um olhar perigoso que prendeu a atenção do Kim, admitia que o achara encantador desde que entrou ali, mas a aura felina que vinha dele neste instante o deixou inquieto.

— Posso ajudar a aliviar essa tensão toda — Ofereceu-se, YoonGi, cheio de segundas intenções.

TaeHyung realmente ficou fascinado com um simples sorriso, mas se relacionar com esse tipo de homem não era o que ele almejava.

— Não me leve a mal, respeito que tenha escolhido essa profissão, mas eu dispenso qualquer tipo de relação com um prostituto — Soou claro e gentil, não queria ferir Suga, porém a reação que viu no rosto do rapaz foi totalmente ao contrário do que desejava.

— Como é? — Suas bochechas estavam ruborizadas de raiva — Acha que isso é escolha minha? No seu mundo deve ser muito lindo ser jogado nesse ramo vergonhoso, né?

— Desculpe, eu sei que muitos vendem seus corpos como meio de sobrevivência — Tentou se explicar, afinal, era muito comum isso acontecer e um rapaz tão bonito como ele conseguiria dinheiro fácil — Não quis ofender.

— Cala a merda da boca! — Bateu o punho em cima da mesa assustando os dois ali — só sai porcaria da sua boca? — TaeHyung estava incrivelmente perdido, quanto mais tentava parecer amigável com o rapaz, mais piorava — Você está certo quando disse que eu sobrevivo, mas não é da maneira que você está pensando — O garçom chegou com as bebidas e Suga, possesso de raiva, pegou uma das taças e jogou na cara de TaeHyung — Quer saber de uma coisa, vai se ferrar. Se for falar merda, seu lugar é o banheiro, pelo menos lá tem como dar a descarga na sua opinião de bosta! — E se retirou.

— Pela divindade — Exclamou o garçom ao ver a cara de choque dos dois clientes — Eu vou reportar isso ao chefe, vou buscar um pano pra limpar você — e saiu às pressas.

Depois de alguns minutos com os dois tentando processar algo em sua cabeça, NamJoon se pronunciou:

— O que foi que aconteceu aqui?

— Eu realmente não sei — Passou a mão pela franja castanha que pingava a bebida — O que eu falei que o ofendeu tanto?

— Acho que você o ter chamado de prostituto...

— Mas não é o que ele é?

— ... E também que ele estava aqui por dinheiro — Completou.

— Também verdade — Rolou os olhos — Essas pessoas não se ofendem com algo assim.

— Olha Tae — Cruzou os braços — Você é o investigador aqui, não dirija suas perguntas a mim.

TaeHyung refletiu por alguns segundos, todas as suas conclusões anteriores estavam certas, a não ser...

— Aquele garoto pode nos ajudar na investigação... — Ponderou olhando distante.

— Ah é? Pois se você pretende arrancar informações dele, então perdeu a chance nesse momento.

— Uhm... talvez, mas vou convencê-lo do contrário – Sorriu quadrado para o amigo, o qual sabia que Tae tinha bons planos na cabeça, era sempre assim. O Kim mais novo sempre fora mente aberta e de imaginação fértil, além de aprender e captar rapidamente as coisas, por isso se formou mais cedo do que imaginava, mesmo que tenha se formado ano passado, parece que exerce a profissão há cinco anos.

— Tae.

— O que é NamJoon?

— Você tá cheirando a Dry Martini.

— Por que será Nam? — Rolou os olhos — Por que será?

[°°°]

YoonGi andou a passos largos até o banheiro, precisava esfriar a cabeça urgentemente. Chegou ao lugar requintado demais como tudo naquela casa.

Olhou-se no espelho e teve ódio do que viu. Ódio por que aquele cara desconhecido podia ter razão, ele era apenas um prostituto e só. Nunca teria nada. Baixou a cabeça puramente decepcionado.

— Ora, ora, ora... — A voz fez com que ele fitasse amedrontado o dono da voz pelo espelho se deparando com as cabeleiras vermelhas sedosas e brilhosas — Você foi um mau menino hoje com seus clientes.

— Achei que não iria vir hoje — Desviou o olhar para uma das cabines, não queria correr o risco de provocar aquele homem tão perigoso.

— Meu fim de semana foi bem ocupado, sabe? — Os passos do homem se aproximando de seu corpo o deixavam arrepiado de medo — Eu só passei aqui pra trocar umas palavrinhas rápidas com seu tio — Sentiu as mãos nada bem vindas em sua cintura, o corpo todo tremeu diante do toque do ruivo, temendo pelo que viria a seguir, fechou os olhos tentando controlar a si mesmo —  Como ignorar o escândalo que fez agora pouco? — Puxou os cabelos do Min para trás o fazendo grunhir de dor, enquanto o mesmo cheirava seu pescoço — Ficou chateado pelo que ele te chamou foi? — Riu baixo — É a verdade, você é só uma puta mesmo — A face de YoonGi se contorceu ao ouvir isso — Mas é a minha puta e eu prefiro que continue assim — Desceu suas mãos até o baixo ventre do mais novo o apertando trazendo um grande incômodo para ele.

Arrastou o Min, ainda de costas, até uma das cabines e a trancou, era um lugar espaçoso, no entanto, as intenções do Jung eram mais que evidente. HoSeok sentou no vaso com a tampa abaixada e puxou o mais novo pra perto de si, que sempre ficava gelado em sua presença. O olhar de súplica de YoonGi sempre fomentava o ruivo.

— Não pode fazer isso aqui — Defendeu-se o Min, não queria ceder a mais alguma chantagem do magnata, estava cansado dos castigos torturantes. A resposta no entanto foi a de HoSeok puxando suas coxas o fazendo sentar em seu colo com uma perna de cada lado. Primeiramente YoonGi ficou sem rumo, mas ao entender o que estava acontecendo, tentou rapidamente se levantar, entretanto, foi impedido.

— Aonde você vai? — Indagou.

— Caso não saiba, antes de ter algo, terá que pagar — Foi ríspido e sério, mesmo que tivesse que usar o dinheiro como desculpas, não faria mal se fosse pra se livrar daquele homem diabólico — E pelo que eu saiba, você não é um cliente esta noite, não veio apenas resolver uns negócios com SooHo?

— Que menino esperto tentando fugir de mim — Riu, ele sempre ria, principalmente quando se tratava de Suga – Só vim carimbar a translação de alguns produtos, além disso, fugir um pouco da rotina não faz mal Baby — Suas mãos desceram as calças de YoonGi que se desesperou.

— Me larga Jung! — Afastou as mãos do magnata e tomou distância dele, batendo suas costas na porta. Pelo menos aquela noite ele queria sair livre, as palavras do desconhecido ainda o atingiam, por aquela noite ele não queria ser um prostituto. Suas motivações se anuviaram ao ver o olhar mortal que lhe foi lançado — Me desculpe HoSe- — Teve suas palavras interrompidas pelas mãos do ruivo em seu pescoço.

— Não me chame assim, é Daddy — A fúria em seu olhar deixava tudo mais sufocante do que ter as mãos deles em seu pescoço — Eu pretendia ser bonzinho com você, mas parece que tem preferência pelo meu lado agressivo.

Então era isso, mais uma noite torturante, ele nunca fora generoso, mesmo quando YoonGi o “respeitava”.

— Faça o que quiser, já não tem mais o que destruir em mim — Desabafou, sempre fora isso, YoonGi tinha a esperança de guardar os últimos pedaços do que era no passado, porém, ele só criou a ilusão de que isso era possível.

HoSeok fez o tronco de YoonGi se abaixar em direção ao vaso e o Min apoiando suas mãos lá, ficando como o Jung queria, todo empinado. Não tardou em alcançar a barra da calça do azulado. Parou ali apenas para proferir:

— Que assim seja — Concluiu.

[°°°]

YoonGi saiu do banheiro depois de muitos minutos que HoSeok havia deixado o local, ele estava quebrado, mal conseguiu se levantar do chão do banheiro, foi apoiando grande parte de seu corpo na parede, pelo menos se fosse ao seu quarto ficaria tudo bem.

— Yoon — Ouviu a voz de Jeongguk atrás de si no corredor – Você está bem?

— Estou — É evidente que não. Sentiu uma mão pousar sobre seu ombro e visou o rosto do acastanhado.

— Sinceridade, não ia ser mais doloroso dizer a verdade do que está sentindo agora — Pegou um dos braços do amigo azulado e colocou ao redor de seu pescoço, o ajudando a caminhar.

— Se já sabe, não precisava ter perguntado.

— Eu só queria saber se estava rastejando pelos corredores por preguiça, ou porque te machucaram.

— Cara, se fosse por preguiça, nem no corredor eu pisava, estaria mesmo era na minha cama — Soltou um riso fraco.

— Sabe... — A voz serena do garoto fez com que YoonGi observasse o menino — Aquele homem disse que muitos entram nessa vida pra sobreviver, mas eu entrei pelo luxo que eu ia ter — Sorriu de canto achando sua história cômica — Depois de tanto tempo, tantos machucados indesejados... Eu não queria nada disso, principalmente depois que me apaixonei pelo Jimin, só que... — Sua expressão era realmente abalada, os dois sabiam que não podiam, principalmente quando se estava nas mãos de SooHo. Os dois se tornaram uma mina de lucro, ninguém queria abandonar sua fonte de riqueza, por isso eles nunca iam sair dali com vida.

— Eu sei... Nós não podemos fugir dele — YoonGi tomou as palavras que o amigo não conseguia proferir — Mergulhamos em um abismo profundo e sem volta.

Todos que são designados a um mundo assim acabam sendo destruídos​. Todas as cores de seu mundo desapareceram, o futuro não tinha brilho, sua vida sem sentido... Sua alma era cinza.

 

[°°°]

 

Passaram-se alguns dias até TaeHyung voltar a boate novamente, queria conversar com o garoto chamado Suga. Observando que o rapaz não estava no meio das pernas de alguém ou servindo se dirigiu até o Barman, sabia que o seu informante trabalhava ali, se deparou com a cabeleireira do garoto conversando com um de cabelo castanho e o chamou:

— Por favor, poderia me atender? — Pediu enquanto se ajeitava na cadeira prendendo a atenção do garoto.

— Nos vemos depois Jiminie — Se despediu o moreno — Preciso voltar pro trabalho mesmo.

— O que deseja senhor? — Indagou.

— Um Black Russian — Respondeu e ainda complementou — O mais gelado possível.

— Gosta de cafeína nas bebidas?

— Ela me ajuda a não dormir quando estou estudando relatórios para as investigações durante a madrugada — Antes de soltar isso, prestou atenção se não havia alguém por perto.

— Fala logo o que você quer?

— Soube de uma movimentação estranha por aqui?

O mais jovem olhou pros lados pra garantir que seus companheiros não passariam por si e ouvirem algo que os comprometeria.

— Semana passada o HoSeok veio aqui conversar com SooHo sobre o pagamento de alguns “funcionários” — Fez sinal com as mãos.

— Poderia ser mais claro? — Pediu — Eu sei que HoSeok é um dos Administradores mais aptos na nossa região, o que há de diferente? — Perguntas era o que TaeHyung sabia fazer de melhor.

— Acontece que existe um período de exatos 20 dias que o movimento começa a ficar estranho por aqui.

— Explique melhor Jimin.

— Nas outras casas noturnas não se nota essa alteração, mas aqui, onde ele controla as coisas, o movimento de pessoas relacionadas a transportes, administração e até... — Seu olhar alcançou alguém atrás deles e TaeHyung o acompanhou visando uma mulher esbelta, a conhecia bem, ela resolveu os maiores casos criminais de Busan — advogados como YangMi. E tem mais, HoSeok só aparece pra fazer essa folha de pagamento nesse período, mas quem faz a distribuição disso é o próprio administrador do Black Moon.

— Nossa, bem que NamJoon falou que você seria útil, muito obrigada — Sorriu gentil para o rapaz.

— Você é sempre grosseiro assim? Achei que fosse mais gentil — O menino visivelmente ofendido cruzou os braços e Tae, sendo como era, não entendeu a reação dele, sendo que fez um elogio — Ainda bem que eu não tô com um Drink na mão ou tinha jogado ele na sua cara como Gi fez.

— Por acaso Gi seria o Suga? — Perguntou, mas já tinha deduzido a resposta — Sabe onde ele está?

— O que você quer com o ele? —  interpelou o mais jovem, ele estava ajudando a polícia a desmascarar SooHo, soube de muitos podres dele através de seu melhor amigo, mas não adiantava ir à polícia sem provas.

— Preciso fazer apenas algumas perguntas — TaeHyung já tinha concluído muitas coisas sobre o rapaz antes, e só isso foi o suficiente para se interessar pelo garoto, mas o que ele tinha eram apenas algumas peças do quebra cabeça, e ele tinha certeza que o tal Gi que o interessou tanto, poderia mais do que responder a sua vontade enorme de descobrir seus segredos.

— Não vai atender hoje — Respondeu simplório.

— Por quê? — Franziu o cenho e recebeu um olhar cortado do baixinho.

— Ããh... Deve ser porque os prostitutos — fez questão de destacar a fonética da palavra — Sejam feitos de carne e osso e não aguentam tantas pessoas em cima deles a cada hora.

— Desculpa — Sentiu as bochechas ficarem quentes — Eu não escolhi bem as palavras.

— Não é a mim que tem que falar isso — Rolou os olhos e apoiou a mão esquerda no balcão e a outra pousou na sua cintura — Você não é muito sensato, né?

— Desculpa — Repetiu — Tirei conclusões precipitadas.

Jimin riu:

— Na sua área isso não é arriscado?

— Hm... Sim. Mas vamos voltar, onde posso encontrá-lo?

— Não posso te levar lá — Foi ríspido e semicerrou os olhos puxadinhos — Ele precisa de paz. Ou o que seja mais próximo dela — Deu de ombro.

— Aliás — Mudou de assunto — Quero perguntar uma coisa.

— Faça logo que eu tenho mais o que fazer.

— Qual o nome dele?

— Ahm... Só isso? É YoonGi.

— Completo — exigiu.

– Min... Min YoonGi.

E aquilo foi o gatilho para o raciocínio de TaeHyung entrar em colapso e as peças se juntarem rapidamente. Algumas frestas em brancos e tinha certeza que o dono daquele nome saberia a resposta.

— Desculpe Jimin — Soou sério e o olhar distante deixou o pequeno alarmado — Mas eu preciso mesmo falar com ele.

[°°°]

Quando YoonGi ouviu as batidas na porta soube que era Jimin. O pequeno sempre o visitava em noites como aquela, onde abusavam demais do seu corpo e o deixava incapaz de atender qualquer cliente.

— Entra Jimin — disse. Estava deitado na pequena cama, abraçado a um travesseiro, tentando se concentrar em outra coisa que não fosse às dores em seu corpo.

— YoonGi — Ouviu a voz de Park lhe chamando — Ele... Ele precisa falar com você.

Quando o Min abriu os olhos se assustou ao ver a primeira pessoa que usou aquelas palavras tão ofensivas para descrevê-lo.

— O que veio fazer aqui? — Não negava que realmente estava curioso. Primeiro por Jimin ter trago alguém até aquele quarto. E segundo por aquela pessoa ser... Ele.

— Prefiro responder apenas a primeira pergunta — Sorriu tímido — Posso entrar?

Analisa rapidamente o quarto, concluindo ser simples demais para alguém tão “caro” como o rapaz parecia.

— Fique a vontade — Ou não, sua cara não era das mais convidativas, porém o mais alto ali entrou e fechou a porta. YoonGi se levantava devagar da cama.

— Não me apresentei antes — Continuava com aquele simples rasgo nos lábios. Simpático demais, Pensou — Sou Kim TaeHyung.

— Isso não me interessa — Foi sério — Hoje eu não estou atendendo, então volte outro dia — Virou o rosto sentindo as próprias palavras pesarem.

— Eu não vim aqui para isso, YoonGi — Deste modo, chamou a atenção do azulado com um arquear de sobrancelhas, todos o tratam apenas como Suga — Antes de tudo, queria pedir desculpas pela forma como o tratei da última vez — Foi direto e seu rosto não carregava ignorância — Eu admito que fui mais do que grosso, sendo que nem sabia nada sobre você.

— E não sabia mesmo — Foi sincero — Mas você está certo, não é? Sou um prostituto que vende meu corpo por dinheiro — Sorriu totalmente magoado e a contabilidade do peso daquelas palavras fez o peito do Kim apertar.

— Desculpe por isso — Pediu corando, naquele dia estava pedindo muitas desculpas. Mas era um erro seu afinal de conta. No entanto, aqueles estavam pesando.

— Se não é cliente. O que veio fazer aqui? — Indagou não querendo ver mais aquela cara no rosto do outro, que apesar de se mostrar arrependido, nunca o fará esquecer-se das palavras tão banais saindo daquela boca.

— Queria justamente fazer as pazes com você — Deu de ombro.

— Os homens que eu conheço não se importam em fazer as “pazes” comigo — Fez o sinal com os dedos — Estão interessados em outra coisa, você certamente é mais um — O peito apertava em emoção e desgosto.

Desde que entrou ali nunca encontrou alguém que estivesse interessado em outra coisa em YoonGi que não fosse o corpo. Estava preso e acorrentado a uma dívida infindável.

— Não me fale de amor bonito e aponte os meus erros — Riu em ironia.

Queria chorar mas se segurou.

TaeHyung não tinha culpa do que ele passava. Tinha consciência disso, mas somando o que estava suportando todo esse tempo, o Kim foi uma gota que transbordou um copo já muito cheio.

— Agora vai embora — Pediu virando o rosto para que o loiro não o visse a lágrima sufocada que descia em seu rosto.

Enquanto isso, TaeHyung sentia que tinha uma mão de ferro segurando o seu coração. As palavras o cortaram e era doloroso, mas pelo visto, a dor que sentia não era equiparada a do Min.

Um novo sentimento foi plantado em Kim. Sentia a necessidade de proteger aquele rapaz, de tirá-lo daquela vida. Ainda não sabia como entrou, mas se por vontade própria ou não... Certamente se arrepende, acreditava que ninguém iria querer um corpo tão violado como o de YoonGi.

Ficou um tempo em silêncio, muito incômodo para os dois, enquanto um não queria encarar a face do outro quando a sua estava tão em pranto. O outro tentava ser mais pontual em suas palavras.

— Eu... — Tentou dizer e fez uma pausa — E se eu não estiver aqui só para ter uma noite?

Ouviu a risada de ironia vinda do azulado:

— Se não é para te saciar, então o que é?

— Talvez eu queria saber um pouco mais sobre você? — Tentou.

O silêncio se os ponderou naquele momento.

— Isso é um jogo? — Quis saber. Limpando as lágrimas e olhando diretamente para TaeHyung, tentando ver algum traço, o mínimo que seja, que fosse dar a entender de aquele era apenas mais um.

— Se fosse... Não acha que eu já estaria em cima de você?

— Talvez seja esperto e não queira fazer isso... Ainda.

— Não sou tão inteligente — Sorriu.

— Não brinque comigo senhor — Arqueou um supercílio ainda desconfiado.

— Já sei que não posso fazer isso ou vou levar um Dry Martini na minha cara.

— Você mereceu.

— Com certeza.

— Então senhor Min YoonGi — Chamou divertido e o outro sorriu um pouco.

Naquele momento, o mundo pareceu parar por milésimos de segundo para TaeHyung. Diferente do sorriso que recebeu ao entrar na boate, aquele era verdadeiro, divertido e principalmente sincero. Apesar de ser simples foi o suficiente para tirar o mais novo de órbita por alguns segundos.

— O que foi? — Perguntou YoonGi.

— Ah... Nada — Corou.

— Você ia me perguntar algo, né?

— Não — Se sobressaltou — Eu já tenho que ir. E você precisa descansar —  Sorriu como desculpas.

— Tudo bem. Não quero atrapalhar nada — Retribuiu o gesto.

— Você se rebaixa demais.

— Deve ser porque passei por isso durante todos esses anos — Sussurrou baixinho apenas para si.

[°°°]

TaeHyung passou mais de uma semana monitorando o movimento das pessoas que Jimin havia citado que estavam ligados ao Dia 20, referência do intervalo de dias onde acontecem as grandes movimentações no Black Moon, juntamente com NamJoon, e toda vez que terminavam, passavam o relatório para o delegado.

Claramente o dia da translação já havia passado, porém não deixaram de persistir na investigação, claro. A atividade na casa noturna sempre era acesa. Nenhum plano é tão perfeito assim, era só aguardar uma abertura.

O que não conseguiu mesmo foi tirar Min YoonGi da cabeça. Ficou se perguntando se ele estava bem, se estava fazendo algum programa forçado, pois foi óbvio desde a última conversa que ele fazia tudo aquilo a contragosto. Seu sangue fervia só de pensar nisso. Precisava de respostas e certezas, não queria ficar batucando problemas tanto tempo em sua cabeça.

Aproveitava-se um pouco das suas idas até a casa e conversava um pouco com YoonGi, não tinha muito tempo. Pois se TaeHyung não fazia o pedido para ficar com ele acabaria por ser suspeito. Tinha que ficar com um aqui ou ali, mas nunca solicitou ninguém.

Foi assim que passou a ver o Min frequentemente, no início o azulado soltava muitas farpas pra cima de TaeHyung, mas o loiro sabia lidar com os problemas de YoonGi, mesmo que ele não os revelasse abertamente. O Kim só tinha certeza de uma coisa e nada o convenceria do contrário, YoonGi era cinza e sem vida, e ele queria mudar isso, tinha uma forte necessidade dentro dele que pedia, ardia, implorava para estar perto do rapaz. Kim TaeHyung estava disposto a protegê-lo de todos os males, mesmo que não estivesse familiarizado com a estranheza daqueles sentimentos conflituosos.

Já era costumeiro ir à boate depois de uns meses, sempre com objetivos simultâneos, investigar e ver YoonGi. Entrou sendo saudado pela música eletrônica alta, as pessoas pulando e dançando exageradamente. Sabia que tinha que prestar atenção em cada detalhe minucioso dali, mas daquela vez, seu objetivo era apenas ver o YoonGi.

Ao avistar o jovem viu que ele estava andando sozinho com uma taça de bebida na mão, seu semblante era sério, como se estivesse pensando em algo distante, sorriu.

"Pelo menos ele está bem". Pensou, porém, seu sorriso morreu quando viu um homem aparecer em sua frente o surpreendendo com um enlaço na cintura, reconheceu os cabelos vermelhos constatando ser Jung HoSeok, o olhar de YoonGi era de assombro.

Já pesquisou sobre o Administrador e sabe que ele não é gentil em relações sexuais, dito isso através de queixas de homens e algumas mulheres que acabou maltratando no momento da relação, contudo, o infeliz sempre tinha os melhores advogados para “provar” o contrário.

Foi por isso mesmo que seu sangue ferveu ao pensar em ver a pele branquinha do Min marcada com as torturas daquele homem. Não aguentou ficar no lugar quando viu o Jung apertar a bunda do mais novo e puxando seu pescoço para iniciar um beijo violento que fez YoonGi soltar sua taça e se espatifar no chão.

As pessoas não notaram, a música entrou no ápice da agitação. Tinha visto sempre aquele homem rodeando o azulado, em dias assim TaeHyung não conseguia encontrar o rapaz, só o via em outros dias quando o magnata não estava.

TaeHyung foi a passos compridos até lá e puxou YoonGi para si impactando os  que estavam envolvidos naquele abuso.

Perplexo era a palavra chave para os outros dois.

— TaeHyung? — Com certeza YoonGi estava bem desconcertado com a aparição do rapaz ali. Ele nunca tinha atrapalhado as negociações.

— O que você pensa que está fazendo com ele? — Tae levantou uma sobrancelha em discernimento, ou não, ele estava mesmo com ímpeto à flor da pele em relação aquele cara.

— Eu é que pergunto... Tae-Hyung — O Jung cerrou as sobrancelhas pronunciando o nome do rapaz com pura chacota — Ele é meu essa noite — Puxou o Min para si novamente.

— Não é não — Tae repuxa. YoonGi parecia um cabo de guerra perto daqueles dois.

— Quem você pensa que é moleque? — E a briga estava feita com eles puxando o branquinho que mal tinha reação em relação aquela briga.

— Um ser humano igual a todo mundo.

— Você sabe ao menos quem eu sou? — Tae queria dizer que sim e que ele era um grande canalha abusado.

— Abraham Lincoln? — Zoou o que fez HoSeok ficar enraivecido principalmente depois que YoonGi soltou uma risada com isso — Desculpe, mas essa noite é minha e de Suga — O citado o olhou abismado, também estava.

— E você tem dinheiro pra isso? — Atacou sorrindo perigosamente, porém TaeHyung não perdeu a pose.

— Eu não preciso te dar o extrato bancário da minha conta.

— Eu cheguei primeiro — HoSeok começara a parecer extremamente perigoso agora.

— Eu combinei primeiro — Mesmo que suas pernas tenha vacilado a tremer, se sustentou. Porém, o fato dele ser um palito e o Jung um cara com uma boa estatura física, é óbvio que se eles brigassem ia parecer mais um grilo tentando matar um tigre. Antes de HoSeok proferir mais alguma coisa, puxou o Min pra longe o mais rápido possível.

— O que está tentando fazer? — Suga pediu explicações não escondendo que estava assustado.

— Te livrando de algo que você não deseja — Analisava o lugar tentando descobrir onde ficava os quartos.

— Vai mesmo continuar com isso? —  Enrugou a testa.

— Não vou fazer nada com você, só não quero que aquele maníaco torturador veja que a gente tá passeando pela boate — Olhando de um lado a outro ponderou — Onde fica um quanto para fingirmos que a noite é minha? — sussurrou a ultima parte.

Os lábios de YoonGi se fecharam em aflição, baixou a cabeça e guiou TaeHyung até um dos quartos. Não um dos mais luxuosos, tinha certeza que o Kim não tinha para tanto.

— Sério que você pediu uma noite? — Indagou incerto de sua pergunta.

— Não, só queria te tirar das mãos dele — Deu de ombro como se fosse a coisa mais simples do mundo. O Min sorriu triste.

— Obrigada. Mas isso não vai me livrar — Fechou os olhos em agonia. Certamente pagaria caro por ter sido levado daquele jeito. Ainda mais diante da mentira do loiro.

– Eu sei. Ao menos te livrei de uma noite com ele.

– Só essa, logo vai vir mais e a mesma história contada duas vezes não vai ser levada em consideração — Se sentou na cama cansado – Você vai acabar sendo expulso daqui.

Achava bem estranho que TaeHyung ficasse indo ali dentro sem nunca pedir alguém, isso não passou despercebido por algumas pessoas. Esperava que o loiro não se arriscasse demais. Ainda mais por alguém como ele.

— Mas vou tentar — Afirmou e mesmo que o Min quisesse, ainda não conseguia acreditar naquelas palavras — Quanto custa uma noite com você? Assim não fica tão suspeito.

— cinco mil dólares.

TaeHyung se engasgou com a própria saliva:

— Como assim? Dólares? Eu mal tenho quinhentos mil won no banco, Você aceita parcelado? — YoonGi abaixou a cabeça com infelicidade — O que foi?

— Eu não recebo esse dinheiro... — Sentou-se na cama.

— Como assim? — Se aproximou do mais novo — Então de que jeito você sobrevive?

— Eu tenho o que preciso aqui — Contou, esperando não se arrepender — comida, remédios, e os tratamentos necessários para que eu continue saudável.

Se ter o corpo violado como era a de YoonGi era considerado saudável, TaeHyung tinha uma ideia totalmente contrariada.

O loiro respirou fundo e se ajoelhou de frente para o Min, segurando as suas mãos. O mais velho não conseguiu se afastar do contato gostoso, era quente e reconfortante.

— YoonGi, como veio parar aqui? — Perguntou, tentando não soar intrometido.

As mãos tremeram por alguns segundos. As lembranças do que o levaram até ali sempre o angustiava.

— Não importa como eu entrei... Não posso sair — Mais palavras duras vindas de si.

— Está aqui porque quer? Por necessidade? Escolheu essa vida? — Inquiriu as três um pouco chateadas. Não com o azulado, mas por estar se sentido incapacitado de fazer algo diante da declaração do mais velho.

Levantou-se e se sentou ao lado de YoonGi.

— Se estivesse aqui por escolha própria não teria ficado tão chateado com o que eu disse no nosso primeiro encontro — Afirmou — Não foi você que disse que eu não sabia nada de você e não devia criar subjugações precipitadas?

Estava se deixando levar por seus sentimentos, desenfreado que cada fonética que saia de seus lábios. YoonGi nem sabia como reagir.

— Eu quero te conhecer YoonGi.

O mais velho se levantou de uma vez, sendo acompanhado pelo outro.

— TaeHyung, quero que vá embora — Pediu duramente, seu raciocínio juntando peças que não deveriam estar chegando a conclusão de desconfiança.

— Eu não sou mais um que quer seu corpo — Alcançou o punho do menor o virando para si — Eu quero te ver bem – Suavizou o tom, levando a mão esquerda até o rosto do Min e acariciando as bochechas rosadas pelo choro que segurava.

A vontade do mais velho era chorar. Não era possível que alguém queria mesmo o tirar dali de dentro. Durante tanto tempo parou com a ilusão de que sairia, o que restou foi desapontamento.

— Não queria... — Fechou os olhos tentando conter o choro — Eu nunca quis nada disso Tae. Estou pagando por uma dívida que não é minha... Meu pai fugiu com o dinheiro do meu tio, ele me trouxe aqui apenas como um exemplo — Abaixou a cabeça e limpou uma lágrima — Eu sou um exemplo para que não mexam o que é dele.

— Isso é muito grave. Ele tem que ser denunciado! — Revoltou-se insanamente.

— Não faça isso — Apressou-se em pedir — Você não sabe com quem está mexendo. Ele é muito perigoso.

— Por quê? O que ele fez?

– Mexe com coisas perigosas, você não imagina nem um terço do que ele trama aqui dentro. É muito perigoso.

— Eu não vou te deixar aqui — Crispou sério.

— Não tem como me tirar, entenda isso. Estou preso aqui e o único jeito que eu saia é SooHo me deixando sair. E isso não vai acontecer com um “produto” muito valioso. Ainda mais quando temos Jung HoSeok envolvido.

Mesmo que o coração de YoonGi bata em seu peito ou sinta seu sangue percorrer suas veias em momentos de raiva e angústia, vida ele não tinha mais, por isso tanto seu mundo quanto sua alma era cinza, um corpo morto perde a cor quando sua existência desaparece deste mundo.

— Mas... — Tentou argumentar e foi interrompido novamente.

— Os Min são sujos, corrupto, envolvidos com tráficos de drogas TaeHyung. Sabe o que isso significa? Qualquer um que tente ir contra SooHo será eliminado. Ele não me poupou. O sobrinho dele. Imagina você?

Ao ter a última palavra proferida, o mundo pareceu parar. YoonGi paralisou e TaeHyung arregalou os olhos diante daquela confissão. O mais novo levou a mão até a boca assustado.

— Tae... Por Favor... — O mais velho quase voltava a chorar de novo em súplica.

TaeHyung só sentia um ódio imensurável de tudo, de todos os descarados que tiraram a mocidade daquele rapaz, com tantos sonhos e realizações. O mundo era sujo demais, haviam pessoas cruéis demais. Se um jogador não respeita as regras do jogo, TaeHyung os eliminaria.

— Eu tenho uma coisa pra lhe confessar — Disse e se aproximou mais de YoonGi, se isso fosse possível.

— O que é? — perguntou nervoso.

— Eu vou te tirar dessa vida, te levar pra um lugar onde você realizará seus sonhos — O coração de TaeHyung batia forte, havia um sentimento ali se revelando em seu peito que o deixava quente.

— Como, TaeHyung? Você acha mesmo que eu não tentei sair daqui antes? — A primeira lágrima desceu — O que você poderia fazer?

— Com certeza tudo — Declarou, ele estava entendendo seus sentimentos – Porque eu te quero bem, e acredite em mim. Eu vou te salvar.

YoonGi pensava que não poderia acreditar nessas palavras, porém seu coração dizia o contrário. Por que estava tão envolvido pelo Kim daquela forma? Não... Ele sabia, só queria negar, estava cansado de ser apunhalado pelas costas. Todavia, Tae demonstrava ser diferente. O rapaz mais novo superou suas expectativas.

 

No dia seguinte YoonGi acordou tentando encontrar o corpo que dormiu ao seu lado. Mas não o encontrou.

[°°°]

 

TaeHyung se encontrou com NamJoon na delegacia no dia seguinte, a determinação dele nesse caso tinha aumentado muito, tudo para tirar YoonGi daquele lugar.

— Por onde esteve? — Perguntou o Kim mais experiente.

— Resolvendo umas papeladas — Disse simplista — Onde está o Delegado SeokJin? Não o encontrei no escritório.

— Ele está acompanhando um interrogatório agora — Respondeu — Por quê?

— Eu tenho uma testemunha valiosa sobre o Dia 20 — Comunicou sisudo.

Havia uma determinação muito grande no olhar do mais baixo. As pupilas de seus olhos estavam dilatadas. NamJoon não negava que o amigo têm tido uma persistência muito grande no caso. Em início achou que era pelo fato de querer reconhecimento dos Hyungs da delegacia que sempre o olhavam torto devido ser muito jovem para a profissão. Porém, agora via algo mais ali, o Kim mais velho sabia o que era. Mesmo que seja um policial, não quer dizer que sua profissão não exige observação, Nam havia notado o olhar de TaeHyung sobre o jovem Suga, assim como notou que os olhos do prostituto não tinham vida.

— Tae, sabe muito bem que nesse caso precisamos de provas físicas também, não só alguém que fale sobre ele — Não queria estragar o que seja lá que o amigo conseguiu, mas tinha que ser realista com os fatos.

— Eu sei disso, Nam — Balançou a cabeça confirmando o que o colega disse — Eu tenho um plano. Mas para isso a gente vai ter que vigiar o Black Moon de longe, por isso temos nosso informante, aliás, ele vai ser uma peça muito significativa no meu plano — Um rasgo de esperança surgiu no rosto do detetive. Ele ia dar um fim naquilo tudo.

[°°°]

YoonGi esperou pelo homem que lhe trouxe tanto aconchego na noite passada. Estava convicto que depois daquilo havia algo diferente em seu coração. Algo que fazia seu coração bater por uma vida.

— Que sorriso é esse em seu rosto Gi? — Perguntou Jeongguk, que estava ao lado de Jimin. Eles estavam almoçando fora, uma das poucas vezes em que SooHo deixava o YoonGi sair — Eu sei que você gosta quando sai daquele lugar, mas você não é de sorrir — O acastanhado tom de mel não negava que se sentia feliz em ver seu amigo sorrindo assim.

Ao notar o olhar dos únicos companheiros sobre si, que sorriam cordiais esperando uma resposta sua, YoonGi se endireitou mais na cadeira.

– Não é nada, só estou apreciando a companhia de vocês – Falou simplista.

Não queria comentar sobre TaeHyung. Nem sobre a noite que tiveram juntos, não teve nada a ver com sexo, mas o aconchego do abraço dele era muito bom, por mais que tivesse ficado um pouco decepcionado em ter acordado sozinho, entendia que ele não poderia ter ficado a noite ali, em um quarto de programa, se SooHo o encontrasse, ia matá-lo, primeiro por que não tinha dinheiro para pagar uma noite com o jovem. Segundo, por correr o risco que entre aqueles dois surgia algo mais do que interesse pelo corpo um do outro.

— Conta outra — Jimin gargalhou quase fechando os olhos — Você estava no quarto com aquele carinha? O que aconteceu? — YoonGi amaldiçoava a curiosidade do menino, cutucando em algo que não queria comentar.

— Não tenho nada a declarar — Deu de ombros. No entanto o olhar dos dois a sua frente já diziam tudo.

— Tudo bem se não quer falar — Proferiu Jeongguk – Ações valem mais do que palavras — A frase entrou como um raio na mente de YoonGi o levando ao quarto que havia ficado com TaeHyung.

"Eu vou te salvar”

Será que foi da boca pra fora?

Balançou a cabeça negando os próprios pensamentos. Ele não faria isso consigo. Com certeza Tae era diferente dos outros homens o qual já havia se deitado.

— Yoon? — Chamou o amigo notando que a face dele adquire uma expressão preocupada — O que foi?

— Não é nada.

Quis esquecer a ideia, ia esperar por TaeHyung durante a noite.

 

YoonGi esperou, muito mesmo. Até o dia amanhecer nem pregou os olhos. Estava muito imperativo. Só que não queria se entregar a derrota ainda.

Também aguardou dia seguinte. Ficou olhando muito tempo para a porta de entrada, pelo menos o quanto pode, mas tinha que atender uma cliente. E ao sair, ainda observou aquela porta que trazia pessoas para um mundo excêntrico de pecado e libidinagem. Nada. Estava perdendo cor de novo, o pouco que havia conseguido. Estava se apagando. Não queria acreditar nisso.

Porém, confiou que TaeHyung iria aparecer no dia seguinte, e depois disso, e até mais tarde  que isso. Não estava entendo. Por que ele não vinha? Por que ele não apareceu nos dias anteriores?

Sua ponte de salvação havia se quebrado, ou melhor, nunca existiu, a miragem de algo que poderia o levar para um outro lado o fez caminhar cega e rapidamente para um abismo profundo e caliginoso.

Havia se apagado.

— YoonGi... — Chamou manso, Jimin, que havia saído de seu posto brevemente para ficar ao lado do amigo angustiado. Na verdade, nem sabia o que dizer. Ele estava tão decepcionado.

— Eu estou bem Jimin — Disse um tanto frio, não era de tratar o baixinho assim, mas depois de mais de duas semanas sem ver o ser que lhe prometeu salvação. Havia despencado — Eu tenho que ir agora — Deu de ombros — Trabalho maldito.

[°°°]

Mais uma semana havia se passado. TaeHyung estava pronto para começar a operação. Ficou muito orgulhoso do que fez juntamente com sua equipe. Já vestia o colete a prova de balas.

— Tem certeza de que quer ir? — SeokJin apareceu ao lado do jovem — Você é só o investigador Tae, não precisa participar disso.

— Tenho sim Delegado — Pegou das mãos de NamJoon uma Colt Double Eagle. Era melhor o jovem estar armado em casos de emergência, tinha licença para andar armado, ou a polícia não lhe cederia uma.

– Se é assim, vamos começar a nos dividir — Falou a Tae, depois para todos os policiais que se preparavam na sala — Atenção! — o mutue de pessoas ficaram em silêncio para ouvir as palavras do superior — Este vai ser o fim da operação do Dia 20 — Sorriu vitorioso com seus lábios carnudos. Mais um caso que iria ser bem sucedido por sua equipe, a qual tinha muito orgulho.

[°°°]

"Ele não veio de novo". Pensou YoonGi, era quase um mês desde que viu TaeHyung pela última vez. Realmente fora traído, enganado. Poderia até chorar, uma reação tão humana comparada a tudo que vivera, mas não conseguia mais ter essa atitude. Aquele homem que lhe fez promessas tão quentes e acolhedoras destruiu o último traço de vida que tinha. Nada havia ficado tão escuro como agora.

Os beijos de HoSeok, que estava sentado em seu colo, com uma perna de cada lado, enquanto Suga tinha suas mãos atadas a cabeceira da cama, com seu tronco nu, não diferente do dele, desciam por seu pescoço o marcando com suas sucções. Não se limitou a ficar apenas ali, arriou para sua clavícula e depois para seu mamilo direito, sugando ali como força provocando um gemido doloroso de YoonGi que se remexeu ali. HoSeok era realmente um sádico por amar as reações de Suga. Soltou um riso soprado que incomodou muito o ser que estava abaixo de si.

— Não se limite a gemer baixo baby — Sussurrou ao pé do ouvido de YoonGi que se afastou minimamente pelo incômodo de tê-lo ali.

Suga riu sem humor.

— Se fizer fraco não vai ter o prazer de ouvir minha voz.

Não é como se o Min procurasse por isso, mas com anos se deitando com esse homem, descobriu que ser ou não obediente não vai fazer com que o Jung faça ser menos doloroso. Ele é o tipo de cara que gosta de dar punições em seu menino.

HoSeok apertou a quase ereção de YoonGi sobre a calça causando um espasmo nele, não tardou para dar uma forte mordida no ombro dele, fincando seus dentes profundamente na carne fazendo com que o Min gemesse alto, da forma como ele tanto queria. Cheirou o pescoço dele sentindo o cheiro de suor misturado ao perfume que tanto gostava.

— Você sempre mexe muito comigo baby Suga — Encarou os olhos sem vida e de face séria, sem nenhum vestígio de sentimento — É uma pena que não pense o mesmo — Acariciou a bochecha do mais novo que recusou o carinho se afastando, fazendo com que um sorriso brotasse no rosto do Jung — Mas você é meu de qualquer modo — O coração de YoonGi acelerou — Nunca vai escapar de mim, eu não vou permitir — Puxou o rosto de Suga para um beijo afoito, violento, sem deixar com que o mais novo o rejeitasse.

Essa era a vida que ele teria pelo restos de seus dias. Sem trégua para felicidade. Sem esperança. Seu corpo sobrevivia com uma alma morta. Não era mais um ser humano, agora se via apenas como um produto. O que seu tio vivia a insistir. SooHo com certeza devia estar feliz com o estrago que fez com o sobrinho. Sempre muito obediente, lhe trazendo um lucro sem igual. Aliás, o Black Moon era seu paraíso particular, onde todos faziam sua vontade. Ele era realmente um homem dissimulado e cruel. Se seu coração batia por amor a algo, certamente seria pelo dinheiro e por si mesmo.

Mas, YoonGi queria ter sonhado mais, ter sorrido mais, que todos de quem SooHo se aproveitou pudessem ter seus sonhos realizados também. Queria que Jungguk deixasse a vida indigna de vender o corpo, porém, eles principalmente estavam presos naquele lugar, se saíssem, morreriam, se bem que ficar ali era mesmo que a morte. Pelo menos Jeon tinha alguém que deixava seus dias mais coloridos. YoonGi sabia que Jiminie só não saia do Black Moon por causa do moreno, queria que esses dois fossem felizes juntos. Uma vida calma longe da cidade. Mas o Min não tinha mais ninguém pra deixar seus momentos mais alegres e brilhantes...

Sentiu as mãos de Jung desabotoar sua calça e invadindo aos poucos, sem parar aquele beijo.

YoonGi só queria uma salvação. Seu corpo queimava, incendiava de uma tristeza, sentia suas bochechas ruborizarem e seus olhos arderem, espremeu seus olhos ao sentir as mãos do Jung segurarem seu membro. Havia algum motivo para que ele se sentisse humano de novo? Onde ele poderia encontrar isso dentro de si de novo?

Min YoonGi queria uma luz.

Foi quando se assustou juntamente com HoSeok com o estrondo da porta sendo arrebentada, fazendo o mais velho tirar as mãos de YoonGi.

Ao abrir os olhos, não pode evitar deixar uma lágrima pesada e sufocada descer pelas maçãs de seu rosto. O azulado podia não entender o porquê tinha guardado uma esperança sorrateira de ver aquele homem novamente, mas a emoção foi tão arrebatadora que pôde se sentir humano outra vez.

— Jung HoSeok — A voz grossa de TaeHyung ecoava por aquele quarto — Você está preso por cumplicidade direta com o tráfico de drogas do Black Moon.

Ele veio...

 

[°°°]

 

As sirenes dos carros da polícia preencheram a frente da tão famosa casa noturna, Black Moon. SeokJin realmente estava ansioso para dar um fim ao caso. TaeHyung foi esperto e observador ao reparar em cada pessoa que frequentava a casa. Além de descobrir por cima outro crime cometido pelo dono.

A polícia havia se dividido em três grupos de apreensão. Um ia prender a carga de drogas em transporte terrestre, para cidades próximas. Havia uma fiscalização de transporte subornada e muito bem paga para deixar a droga viajar pelas estradas da Coréia do Sul, esquema liderado por ChungHee, que tinha muita intimidade com alguns pelotões de vigia. O Segundo grupo foi apreender outra carga que ia viajar pelo ocidente, no aeroporto internacional de Incheon, dizia-se um vôo particular de DongYul, o administrador de lá. Assim suspeitas não seriam levantadas, quem iria desconfiar que um homem com tal cargo ia ser tão sujo? Porém não poderiam driblar a lei por tanto tempo, era assim que a advogada renomada YangMi conseguia documentos autorizados por lei de que transportavam outros tipos de mercadorias. Jung HoSeok atuava financeiramente, pagando as subordinações e, claro, lucrando com o negócio.

Não teriam conseguido nada disso se o infiltrado não tivesse gravado relatos as escondidas dos mandantes, além de ter corrido o perigo de entrar na sala do dono e conseguido papéis que comprovassem a corrupção deles.

Os policiais entraram assustando todas as pessoas que estavam ali, eles se alarmaram e queriam fugir, porém a polícia não poderia permitir que ninguém saísse ainda para impedir a fuga dos envolvidos na milícia.

— TaeHyung — A voz de um menino baixinho se fez presente, Jin soube que era o informante.

— Onde ele está? — Tae perguntou um tanto desesperado.

— Com Jung HoSeok.

O que o garoto falou foi o suficiente para fazer TaeHyung correr para algum lugar daquela casa, pediu para que alguns guardas o acompanhasse.

— Jimin, me mostre a sala de SooHo — Perguntou NamJoon ao meu lado.

O menino balançou a cabeça positivamente e seguimos com alguns policiais ao nosso lado.

Seguiram por um corredor longo com luzes vermelhas deixando a adrenalina correr por suas veias. Se depararam com uma grande porta, e não perderam tempo para arrombá-las, até mesmo os seguranças que estavam no escritório ficaram sem reação com a quantidade de policiais ali.

— Mas o que é isso? — SooHo ficou sem cor de tão apavorado.

— Min SooHo — A voz de SeokJin soou autoritária. Apontava a arma pra ele com vigor — Você está preso por milícia de tráfico de drogas.

— Como é que é? — Ele se levantou querendo parecer ofendido — O senhor me desculpe, mas não existem provas contra mim.

— Ah se temos — Jin sorriu cínico, as provas que ele tinham seriam o suficiente.

— Além de desrespeito Ao código 230 do artigo penal – Falou NamJoon, mais sério do que nunca — Você tirou proveito da prostituição dos jovens que trabalham no Black Moon.

A cara de incredulidade de SooHo devia ser estampada na televisão, e vai. NamJoon guardou a arma em sua calça e pegou uma algema, indo de encontro ao homem. Não havia como ele escapar com dez homens apontando fuzis para ele. Colocou as mãos do homem para trás e as prendendo no ferro apertado.

— Você tem o direito de ficar calado — Nam ia falar o que se é rotineiro ao prender uma pessoa, porém sorriu — Cara, nem se ficar calado, você vai se livrar da prisão agora.

[...]

HoSeok foi arrancado de cima daquela cama pelos policiais, e TaeHyung foi rápido em tirar as mordaças dos pulsos machucados de YoonGi – Seu coração apertou por ver a violação de corpo e mente que o rapaz passara por tanto tempo ali com cada um que se deitava, principalmente vinda do homem que agora estava sendo algemado e preso naquele momento – Puxou um dos lençóis cobrindo o azulado.

O mais velho chorava baixinho e TaeHyung quebrou o profissionalismo que deveria estar tendo naquele momento e o abraçou. Sentiu o corpo do menor tremer diante da sua atitude, e não era apenas o corpo.

YoonGi estava chorando por sentir que finalmente sairia dali, não era incerto, não era um talvez, uma interrogação ou uma reticência duvidosa. O que ele tinha ali era uma certeza que deixava seu coração quente que ansiou tanto pela liberdade, e que chegou por um longo período, não acreditar mais nela.

— Eu vim YoonGi, eu estou aqui — A emoção tomou conta do acastanhado, começou a chorar baixinho, não de tristeza e sim de alívio.

— Eu sei — Riu fraco acariciando os cabelos do mais alto — Obrigado...

E nenhum dos dois ainda se davam conta, que o calor naquele sentimento ultrapassava qualquer sentimento cortês.

 

O Min foi levado com muito zelo até o lado de fora, isso depois de se vestir. Adentrando o carro do delegado ele pôde ver tudo, seu pandemônio ser desintegrado. Foram muitas pessoas presas que saíram de lá, muitos com quem já se deitou.

HoSeok saiu do estabelecimento, de algum modo, o visou por detrás daquele vidro. Desta vez YoonGi não teve medo, sabia que não o faria mal nunca mais. Ver o magnata saindo algemado representou um alívio enorme para si. Era um adeus às dores de seu corpo e alma.

Porém, seu maior troféu foi ver SooHo sair do Black Moon aos escândalos, exigindo um advogado. O temperamento do tio sempre fora desproporcional, mas notou que seu momento de desespero era novo, enquanto um novo mundo se construía para YoonGi, o do magnata ia se destruindo. Realmente eram opostos.

Notou que TaeHyung se aproximava do automóvel sorridente, seu coração bateu mais forte... Era uma batida diferente que mudava tudo. Como ele via as coisas, como sentia... A cada palpitar em seu peito via uma nova cor em sua alma.

TaeHyung era o salvador de Min YoonGi.

 


Notas Finais


Algum corajoso chegou até aqui? Parabéns!\(^ω^\)
Agradecemos imensamente por terem lido essa fic, realmente nos esforçamos para fazê-la. De verdade, agradecemos por tudo e a equipo do projeto que nos ajudou a deixá-la perfeita ( ˘ ³˘)❤
Perdoe-nos pelo final broxante, somos péssimas com ele TuT
C.S.S beijos ~~


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