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História Alma Gêmea - Capítulo 1


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Notas do Autor


1° de 2k21

Capítulo 1 - Jeon era poesia e Taehyung não sabia ler


Fanfic / Fanfiction Alma Gêmea - Capítulo 1 - Jeon era poesia e Taehyung não sabia ler

“ (...) Rindo juntos, chorando juntos. Eu acho que essas emoções simples eram tudo para mim. Quando será que vou te ver cara a cara de novo? Vou olhar nos seus olhos e dizer que senti sua falta.” - Still with you, JK.



                             ***


E ali estava Taehyung novamente pela terceira noite consecutiva; o corpo descansado sobre o couro preto do mini sofá, os dedos finos envoltos no largo copo que carregava o líquido alcoólico e os ouvidos atentos à melodia expressa sentimentalmente pelo saxofonista. Seus olhos vidrados nos dedos do pianista que percorriam toda a extensão do piano antigo, criando dedilhados rápidos e agudos. Jazz, sua maior paixão. Segunda maior paixão. A primeira tem cabelos descoloridos, traja roupas negras e largas, carrega brincos de prata e possui desenhos tatuados por todo o braço: Jeon Jungkook, a personificação da arte. Pelo menos no ponto de vista do Kim.


O bar exalava cheiro de álcool e uma mescla de variados perfumes e, do lado de fora, a noite estava fria e estrelada. A lua cheia através da janela iluminava metade do rosto de Taehyung que expressava seriedade e talvez angústia. Parecia imerso completamente na música ambiente, mas seus pensamentos diziam o contrário.

 O pianista perdeu a atenção do Kim quando atravessou a porta de entrada do local, uma figura conhecida pelo mesmo; a arte.

 Nesse caso, Taehyung, o artista e amador do jazz, que pintava quadros neo expressionistas, dedilhava escalas rápidas no sax e lia Schopenhauer, não era capaz de compreender a complexidade do quadro de arte abstrata que era Jungkook. Até mesmo as obras de Van Gogh e Basquiat não exigiam tanto da compreensão do moreno. Jeon era poesia e Taehyung não sabia ler.


O loiro caminhou lenta e serenamente até o Kim, esforçando-se para não expressar saudade e desespero, tudo o que seu coração já estava ditando através dos batimentos descompassados. Jeon jogou um olhar vazio ao artista sem encarar seus olhos e sorriu fraco. Assentou-se na poltrona de frente para o mesmo e suspirou pesadamente.


“Por onde você andou?” finalmente questionou Taehyung depois de encarar o rosto pálido do loiro por alguns segundos.


Boa noite, Taehyung. Eu vou bem, obrigada por perguntar.” Jeon respondeu com ironia.


O rosto do Kim expressou confusão.


“Taehyung? Por quê está me chamando assim?” perguntou com angústia.


“É o seu nome, não? Que eu saiba, as pessoas chamam umas às outras pelos seus nomes.” revirou os olhos e logo acenou para o barman e fez seu pedido.


Uma dose de Whisky, por favor.” ditou simplista.


“O mesmo para mim.” completou o Kim ao homem detrás do balcão que assentiu.


“Vamos nos tratar formalmente, então? Acho que não consigo.” perguntou retoricamente depois de suspirar.


Jungkook encarou as pupilas negras de Taehyung pela primeira vez desde de que juntou alguns livros, discos de vinil, uma Polaroid e a primeira garrafa de vinho que achou pela frente e virou as costas para o Kim, sem dizer adeus.

Mexeu os lábios mas não foi capaz de responder o outro com uma frase irônica como costumava fazer.


“Eu sinto tanta falta da gente. Você não se despediu. Achei que nem apareceria hoje.” Taehyung falou mais para si mesmo do que para o loiro que o ouvia com atenção.


“Você não me deu escolha. Não me coloque como o vilão da história. Eu te falei desde o começo que prezava muito pela minha liberdade… suspirou. “Eu não tive escolha, Taehyung.”


A verdade é que Jungkook além de arte, era um pássaro. Um pássaro que almeja voar livremente. Taehyung o prendeu.


O barman posicionou as duas doses de Whisky na mesa. Os dois encararam os pequenos recipientes de vidro.


“Era melhor quando comprávamos uma garrafa de Whisky barato no mercado e bebíamos juntos no chão da sala ouvindo jazz.” sussurrou o Kim encarando o outro.


Jeon engoliu todo o líquido de uma só vez e riu soprado.


Você sempre ficava bêbado.” relembrou.


A frase fez paradoxalmente Taehyung rir de tristeza.


Tantos momentos passaram pelos pensamentos dos dois. Todas as vezes em que estiveram juntos foram relembradas e o efeito que elas causaram em ambos foi saudade.


“Me desculpe, Jeon. Eu não mereço você.” sussurrou enquanto uma pequena lágrima percorreu seu rosto.


Apesar de não aparentar, Taehyung sempre foi o mais sentimental da relação. Jungkook odiava vê-lo chorar.


“Uma dose só, dividida em dois copos. Uma alma só, dividida em dois corpos.” o loiro recitou baixo.


O que significa isso?” questionou o Kim confuso enquanto enxugava a pequena lágrima da qual desejava não ter sido vista por Jeon.


“É um verso da última poesia que eu escrevi. O nome é Alma Gêmea. Criei essa droga no mesmo dia em que deixei você.” contou rindo de escárnio. 


Talvez não estivesse mais tão sóbrio, já que havia tomado uma garrafa de vinho antes de encontrar Taehyung. A única maneira de Jeon ver o rosto do moreno sem desabar.


“Você costumava ler para mim as coisas que escrevia.” relembrou o Kim.


"E você costumava tocar sax para mim." sorriu pequeno.


Os dois se encararam com a imensa vontade de se abraçar. O que Taehyung mais desejou naquele momento foi aconchegar Jeon entre seus braços e acariciar as madeixas descoloridas do mais novo, como sempre adorou fazer. Jungkook desejou poder tocar as pintinhas que enfeitavam o rosto angelical do Kim e beijar cada uma delas, como de costume.


"Você deveria ir lá tocar algo. É bem melhor do que eles." disse Jungkook acenando com a cabeça ao pequeno palco onde se amontoavam alguns músicos e seus instrumentos.


Taehyung riu.


"Obrigado pelo elogio, mas já faz um tempo que eu não toco. Melhor eu não espantar as pessoas daqui." completou.


Jeon o encarou com o olhar que Kim sabia o que queria dizer. Os dois sempre tiveram uma conexão telepática. Quando Jungkook erguia a sobrancelha, ou quando contraía a boca. Quando revirava os olhos ou quando lançava aquele olhar para Taehyung, aquele que balançava as estruturas do mesmo. Ele soube o que queria dizer.


"Se as pessoas forem embora, a responsabilidade é sua." ditou o Kim depois de suspirar.


O moreno levantou calmo do sofá. As pernas cambalearam um pouco pelo curto caminho até o palco, denunciando a não sobriedade do rapaz. Jeon não tirou os olhos do outro que, em minutos, já havia persuadido o saxofonista e dono do bar. 

Kim posicionou o instrumento em seu tronco e lançou um olhar profundo ao loiro que o observava atenta e curiosamente. Respirou fundo e soprou as notas. De início eram tensas, trêmulas… quase que um pedido de socorro. Depois de um tempo, as notas tornaram-se sentimentais, melancólicas e expressivas. Certo ponto da melodia expressava tristeza, outro paixão. Still with you. Essa era a música. Jungkook compôs e Taehyung criou a melodia. A música dos dois, criada pelos dois, mais ninguém sabia. Mesmo não conhecendo a música, as pessoas presentes admiravam a performance do Kim. 

Jeon estremeceu no momento em que reconheceu a canção. Seus olhos mantinham-se vidrados no saxofonista que permaneceu com os seus fechados. Inebriou-se da melodia. Jungkook recitava mentalmente a letra que compôs junto ao solo do Kim.



Por trás do leve sorriso que olhou para mim
Vou desenhar uma linda luz roxa
Podemos não estar dando os mesmos passos
Mas eu quero trilhar esse caminho com você
Ainda com você.



O loiro suspirou e, no mesmo instante, Taehyung abriu os olhos que foram ao encontro do rosto de Jeon. O mesmo tinha uma expressão de remorso. Kim soltou o instrumento, agradeceu brevemente ao homem do qual ele pertencia e hesitou por alguns segundos voltar a companhia de Jungkook. Teve medo do que seria dito. Teve medo de que nada fosse dito. Não sabia o que esperar.

Depois de observar o local brevemente, impulsionou seu corpo forçando-se a voltar ao mini sofá negro.

Jogou seu peso sobre o estofado e inclinou a cabeça encarando o teto do ambiente. Jeon levantou e se sentou ao lado do Kim. Os dois compartilhavam do mesmo assento e dos mesmos sentimentos.


"Eu também senti falta da gente." admitiu o loiro observando as linhas esverdeadas no pescoço pálido de Taehyung.


Kim o encarou. Levou sua palma até a coxa máscula do outro e a descansou ali. Jeon estremeceu. Estava morrendo por dentro de tanta saudade dos toques que somente o Kim sabia lhe dar. O moreno conhecia os lugares inusitados do corpo tatuado, conhecia seus pontos fracos e os efeitos que seus toques lhes causavam.

Taehyung se posicionou para frente, levou a mão desocupada ao pescoço de Jungkook e subiu lentamente com a mesma até sua nuca. Deu leves puxões nos fios loiros e finalmente colou seus lábios aos do rapaz. O beijo foi desesperado. Toda a saudade foi descontada num beijo quente e demorado. Separaram-se e sorriram ao mesmo tempo. O sorriso quadrado do Kim mexia com a sanidade de Jungkook.


"Vamos para casa." sussurrou o loiro.


"Me prometa que não vai mais viver longe de mim, Jeon. Prometa que não vai me deixar..." suplicou o Kim calmo.


"Eu prometo. Eu te amo." respondeu.


"Eu te amo." concluiu o outro.



Voltaram a se beijar. Suas línguas dançavam ao som do jazz.



Notas Finais


Não ficou como eu queria, mas é isso.

Feliz 2021 bem atrasado.


Música:

https://youtu.be/IGKhAAvHmWY


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