História Almas Enclausuradas - Capítulo 2


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Categorias Dragon Ball
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Hentai, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Almanaque Terráqueo


Fanfic / Fanfiction Almas Enclausuradas - Capítulo 2 - Almanaque Terráqueo

Quando éramos deuses...

 Elegantemente abancado sobre a releitura de uma poltrona tribal em padrões vanguardistas porvindoura, deleitando-se em ambiciosos pensamentos incertos e revolucionários, decerto insanos demais para com sua tradição o belo, robusto e viril guerreiro aguarda os farpo de desconfiança que provavelmente viria a pouca de um de seus senhores. Ressaltado por uma armadura imponente de cor preta talhada em tangelo – símbolos de culto ao deus da destruição – o guerreiro de cabelos medianos e negros volta seus pensamentos para alguns pergaminhos em domínio de suas fortes mãos. O olhar triunfante conquanto pouco temeroso evidencia a delicia de sua rebeldia com a atual Dinastia. E sabe lá o que lhe sucederá caso seja condenado por crime de traição, pois Kakaroto sabe que não há tamanho prestígio no militarismo senão a sua posição de Supremo Kaioh. Embora seja os demais kaioshins de suma importância, o seu status é de maior influência e cobiça. Mede-se pela honra, força, inteligência e lealdade – virtude a qual lhe é atribuída unicamente a Dinastia Vegeta, pois para esta atual Kakaroto sente-se um hipócrita por ter sido nomeado como Supremo Kaioh quando na verdade sua lealdade está longe de ser vista. Dá-lhe certo asco por isso, mas para um bom estrategista a falsidade é uma de suas artimanhas mais significativa e Kakaroto, diga-se de passagem, é um estrategista nato.

 Vede o único capaz de provocar o declínio do tirano império de Toteppo: Kakaroto, O Destemido.

 – Furtaram antigos dossiês da Dinastia. – Diz o varão de madeixas negras e olhos igualmente escuros com frieza o bastante para deixá-lo desconcertado, submisso a cada palavra do homem de traços igualmente lindos a do guerreiro.

 Então o silêncio abre caminho para a troca de olhares guerreando emoções pouco ditas entre eles, a falta de diálogo que os assombra desde a última batalha é irreversivelmente mortal.

  – Espero que você não esteja por traz disso, porque se estiver... – diz entre os dentes soando ameaçadoramente – não farei nada a teu respeito! Tenho um legado a honrar.  Sobre a ameaça de olhos vingativos e repreensivos, seu coração palpita em gelo e fogo compreendendo que quaisquer palavras proferidas em tons vacilantes, o inferno lhe seria um paraíso. O homem o olha com brandura desta vez, tentando decifrar cada gesto que o mancebo lhe proporciona para sua melhor leitura e continuando o diálogo, ele balbucia docemente.  – Rezo para estar errado... porque eu acho que sei o que está acontecendo.

A resposta é dura:

– Então me deixe esclarecer: a única vontade é a minha! – A firmeza de sua fala lhe sucede o descarreto de sua alma, pois, enfim, o surto tão cuidadosamente guardado se liberta repentinamente. Kakaroto ergue o queixo másculo exibindo com firmeza seu nariz reto e bem feito com o único intuito de exibir a moléstia que sugava a vitalidade de seu espirito. Sussurrando no princípio afim de se encorajar, ele é ríspido e quase escandaloso pós pausa em seu discurso. Seus olhos lacrimejam e seus músculos enrijecem... – E eu faço o que eu quiser ficando sozinho nessa merda... não preciso de você e nem de ninguém! Eu não sou uma falha, mas eu sei como é e eu posso pegar, ou largar... ou morrer! Foda-se essa merda. Faço o que faço e ninguém poderá me deter! Você nem sempre saberá aonde está até você descobrir que não pode fugir.... Existe algo dentro mim que me faz sentir como se eu estivesse respirando enxofre... queima e é amargo! Minha vida é desfeita por causa do meu orgulho e sabe? Eu sou um pecador para a maioria, mas um sábio para alguns. Um herói... uma inspiração. Isso me move e me fortalece como um raio em dias tempestuosos! Meus deuses são irreais e provavelmente eu esteja errado, talvez. Mas, de uma coisa eu tenho certeza: estou melhor que você, pai! As horas mais longas que tive em minha vida foram as que suportei para saber que eu estava certo, portanto o que posso perder senão uma mísero status numa porcaria de sociedade corrompida? Então estou salvo, a menos em mim mesmo de me tornar como você, um pacifista. Houve um tempo que eu olhava o senhor com orgulho e adoração, você foi o maior dos maiores e o melhor dos melhores. Agora veja o que tornaste! Seus dias de glória foram esquecidos por ti meu pai. – Ele rudemente gargalha baixinho firmando seu olhar nos olhos de seu tutor e ironicamente conclui. –   Eu irei rir quando for enterrado vivo, e, por favor, diga aos outros que lutei pelo que acreditava e tente não se lamentar em meus restos.   

  Nada é o que parece ser, ele é ardiloso o bastante para opor-se agora.  Ele quer retrucar, lhe dizer o que pensa, proferir sua rebeldia. Alegar, portanto, a verdade! Sua alma berra por libertação e a somática vem por meio de uma forte queimação em seu peito. Sua culpa. Sua vergonha. Farto do menosprezo que fazem a suas ideias e pela falta de voz em meio aos anciões, o mancebo bem sabe que em situações extremas medidas extremas devem ser tomadas, e, isso inclui, opor-se contra a cultura. Assim o fizeram. Assim o moldaram. E assim persistem no maldito controle sobre si. Sempre o mesmo. Submisso a velhos costumes. Burlando o seu verdadeiro “Eu” a mando de parasitas ideológicos. A saturação de seu espírito. O controle sobre a mente... seu próprio inferno em vida. O jovem guerreiro, congratulado com a maior honra entre os seus, é preciso ao lidar com as consequências vindouras. Sábio o suficiente a ponto de calcular as mais infalíveis rotas de fuga, conquanto, ingênuo o bastante para seguir só nesta árdua batalha. Há dias negros em que se coloca a prova para saber se está certo, mas que sua teimosia se faz sua luz. Então, na batalha interna entre razão e orgulho sempre opta em pagar para ver. Todas suas decisões fazem disso uma situação intocável e manchada, pois a que juízo o fez ser o primeiro a insurgir-se? Nenhum que seu povo conheça. Ele irá sofrer pelo resto da minha vida se a revolução falhar... de qualquer forma, haja o que houver sempre haverá uma maneira para sobreviver.

 Em verdade, sua resposta foi esta:

 – Não se preocupe... – responde em um sussurro engasgado.

 – Eu quero ser o último a lhe condenar por Crime de Traição, filho meu. O último!

 – Que assim seja, meu senhor! Você não me condenará, estou voltando da última missão e verdadeiramente desconhecia tal roubo.

 – Me preocupo contigo e imploro a você para não fazer-me presenciar teu padecimento. Sou um Enma Daioh, porém ainda pereço em carne. Prometa-me que não fará tolice alguma. Prometa-me! Eu te amo filho e não suportaria tal dor, pois morreria aos poucos.

   Com minha armadura ou sobre ela, irei incitar uma revolução contra a Dinastia. Nada me dirá o contrário, pensa o rapaz exibindo o nervosismo com os lábios contorcidos.

 – Prometo que farei o que terei que fazer, nada mais. O que passar disso, é insanidade, meu senhor! – O suor frio que escorre pela nuca o diz que é mais que na hora de dar um fim nesta farsa e gritar ao mundo sua revolta, porém, ainda não é tempo. Tudo a seu tempo, tudo.

 Seu pai o observa com certa decepção em seus olhos e por milésimos, mostra-se com baixa-guarda e inapto a situação. Uma vez que fora este o maior enma daioh da história de seu povo, conhecido por sua bravura e frieza, capaz de solucionar qualquer problema que o cerca, vê-se no agora, um ser frágil e inseguro temeroso com a rebeldia de seu caçula. Por frações de segundo, seu legado se perde... ele é um pai com pesar e receoso de ter que matar sua própria cria.

– Você tem muito de mim, menino. Vejo eu em você.

 –  Pai, eu... tenho que interromper a frequência agora, estou cansado. A batalha foi dura, – mentiroso, durou poucas horas – estarei aí em alguns dias, qualquer informação sobre o roubo, avisa-me. Bills Asoul Haloen!

 – Bills Asoul Haloen! – Que sua fúria seja por nós, Bills.

 Seus olhos são distantes e tristonhos que em sintonia agoniante da lerdeza de sua respiração, formam a mais perfeita trilha sonora de seu próprio filme de terror.  O ecoar em sua mente não lhe traz imagens, mas sons árduos e obstines de descobertas alarmantes, e, ele, sente-se tenso por tamanho fardo. Seus músculos do trapézio murmuram com supostas câimbras buscando por conforto e o que lhe vêm é sua própria imagem espelhada no azulado metal da parede esquerda; é como se o reflexo lhe acusasse a morte e covardia. Sua fissura é direcionada a teu rosto de maxilar forte e quadrado, de boca grande – num carnudo médio – que forma um “M” deleitoso, prestigiado por um nariz reto e nobre, mas que são seus olhos cerrados com cílios alongados e sobrolhos baixos que lhe tomam a atenção. Orbes negros e afroditíssimos, exultam mistério, selvageria e morte, e, isso, para os menos atentos. Se melhor visto, no mais profundo, no mínimo dos detalhes, na anatomia vê-se a mansidão e lealdade descrita em seu DNA. O jovem, de certo modo, enxerga através de seus olhos para além de seus desejos, ele pode ver a infinidade de sua alma, pois ela clama a ele o que deve ser feito. Bem sei que faço o certo, meu pai. Sei que sim. E irei abater qualquer um que atravesse meu caminho, inclusive o senhor, se preciso. – O preferido do enma daioh da Guerra. Seus dedos dançam em ordem corriqueira a mando de sua ansiedade. No geral, catando soluções em uma fracassada cavalgada de dedos que numa sequência de um a um, castigam a superfície dura com batidas harmônicas. A poltrona de fulereno protesta em um grito agudo a cada pancada. Protestos no quais, ele não dá a mínima, pois se deleita na harmonia sonora entre carbono e carbono. Kakaroto fora longe demais para desistir e ele tem essa plena consciência. A sua frente, a infinidade do breu sideral guiando-o para a agrura da verdade descritas nos dossiês, lá, em Arlia, planeta dos rejeitos sociais d’onde saqueadores, estupradores, assassinos e todo o mau está, há a peça chave para concluir esse quebra-cabeça que tanto lhe tira a paz.  

– Arlia não é para qualquer um, é suja e traiçoeira. – A voz vem por detrás.

– Acredito que tenho mais o que me preocupar, Zangya. – Kakaroto mantêm-se fiel no culto a seu reflexo.

– Talvez não lhe represente perigo físico, mas nunca saímos de lá como chegamos. É como se o lugar moldasse nosso psicológico e o entregasse a angustia, trevas e sei lá o quê.

Kakaroto põe-se de pé e se direciona lentamente a Zangya fitando-a com indiferença até chegar a certa distância para deixa-la desconcertada com a aproximação. Ele ergue a mão olhando-a para a mesma sempre que pode e a questiona calmamente:

– Devo usar os trajes de Senhor Kaioh? – Ela nega com a cabeça – Bom ajeite-me aquele disfarce que lhe pedi, por favor. Entraremos em terra rebelde em uma hora, fique pronta!

Kakaroto segue para fora da sala de comando pondo-se a marchar para uma outra sala a fim de banhar-se, percorrendo galantemente por um corredor de tonalidades neutras que seguem do preto pincelado nas paredes sólidas de um metal de extrema resistência a um cinza cravado no chão que persiste no soalho de toda a espaçonave. Não há porta, nem janelas, nem salas ou compartimentos somente luzinhas âmbar adornando pontos estratégicos da parede. Sua armadura por vez camufla-se em tanta negrura. Quando enfim chega ao portal de vidro, a abertura abre-se por compensas de ar na qual lhe proporciona um barulho molhado e leve como nos inaladores hospitalares daquele povo que um dia tivera sua autonomia. Por fim, outros lugares. Outras opções. Outros disseres e fazeres. O “mundo” além de seu refúgio repartido em algumas repartições e três andares como se fosse uma prisão de luxo dos prostibulo do Oeste.     

Kakaroto passa tempo demais na sala de comando.

Finalmente na sala de higienização, após alguns passos e murmúrios de solidão ele se dispõe de sua armadura como mágica. Lindamente ela se desintegra até moldar-se a uma capsula preta e oscilante que é suspensa por algum campo de energia azul celeste. A luz se prende do chão ao teto. Expondo sua face a água corrente ele as sente como nunca havia sentido. As madeixas molhadas são arremessadas para traz dando mais abertura para as gotas fanfarrarem em seu frontispício. De olhos fechados, percebe que o banho quente lhe tira a tensão nos músculos provocado por dois: somático e consequencial. Talvez, não devesse ter treinado tão duramente com o intuito de se abrandar poucas horas atrás ou simplesmente ter esbravecido com teu pai e lhe dizer umas poucas e boas. Os jatos impulsionados pelos quadrados espalhados por todos os ângulos fazem do retângulo metálico um item de hidromassagem como também um divã de terapia. De mais, ele ordena em um desanimador timbre após ter limpados suas partes com produtos sem cheiro algum:

 – Desligue! – e as águas não mais jorram. – Seque-me! – e o que noutrora manava água, agora se faz em jatos de ar a enxuga-lo.

 É um degrau erguido em milímetros do chão impossível de se tropeçar – ele desce desinteressado. Depois de preguiçosos passos, Kakaroto cruza o pequeno compartimento bonitinho e harmônico até a saída, contudo a voz doce e sedutora de Zangya o surpreende.

– Você parece tenso... – ela parece se repreender de algo – aqui suas roupas.

– Engraçado, – ele debocha com uma risadinha – até parece que nunca me viu nu. Por que me parece inibida? – Zangya é questionada enquanto o Senhor Kaioh pega gentilmente o disfarce que lhe foi dado.

– Não, estou... só.... só.... se vista!

 

  ARLIA

 

A alvorada é quieta e inebriante, ouve-se unicamente o silvado do bafejo natural nas ruinas de um templo. O rosa-queimado é salpicado por tonalidades quentes tais como em telas abstratas do mundo contemporâneo, nuances de coral e carmim – a psicodelia numa dosagem discreta. Os sóis, ainda que cedo, exibem a quentura de seus essenciais raios de luz sobre uma terra árida e friorenta do deserto que no atual instante, têm seus animais diurnos saldando suas fontes de luz... reverenciando, também a vida... contemplando mais um dia que lhes foi dado. No céu psicodélico, rico em nitrogênio, oxigênio, argônio e outros gases, a anã amarela mostra-se mais vigorosa se comparada as outras, pois sendo ela a “maior” das três, foi titulada com a graça da entidade mais majestosa deste povo que é: Arasa (segundo a crença politeísta, Arasa é aquela que dá a vida e os guia para caminhos brandos com sua luz). Em vista do que foi dito, maior apenas a ineptos olhos, pois Arasa é mísera se comparado a duas gigantes, que, logo atrás, em um alinhamento transversal do lado direito da anã, mais parecem dois pontos consideráveis no céu arliano que gigantescas esferas de plasma formadas por gases de poeiras e hidrogênio.

  A mais distante, porém, mais brilhosa, a terceira se contada a partir de Arasa pela visão do planeta, é uma supergigante azul conhecida pelos humanos como Rígel, situada na, também apelidada pelos humanos, constelação de Orion. A outra é: Zaha – a engolidora de almas, que mesmo sendo bela, catastrófica e na escala de estrelas considerada uma gigante vermelha, é pequenina se confrontada com Rigel. A vermelha gigante – que não tão colossal quanto era Betelgeuse, sua antiga vizinha de constelação – faz jus a sua fama.

  Os anos que antecederam e ainda antecedem o Dia do Senhor, foram prestigiados pela despedida insólita de Betelgeuse que há muito e muito tempo, espalhou sua luz pela imensidão negra do universo até que em um momento, outorgou aos céus da Terra para abrandar a desgraça dos dias negros de guerra. Havia rumores de que a vinda do anticristo foi anunciada através do clarão, pois o dia ficou ainda mais fulguroso e a noite se tornou o meio-dia dos desertos terráqueos mais escaldantes por três meses. Contudo, a história mesmo não se afirmou em um apocalipse bíblico e sim numa desventura pouco mais aceita naquele tempo. E tudo isso, horas antes do início da Grande Guerra dos Mundos, conflito o qual, dera ascensão a peregrinos de outros mundos e condizentemente declínio aos homens. Pois que ficou para história humana o dia em que seu orgulho e maldade fora abatida por usurpadores de almas. De certo modo, levando à um lado mais supersticioso, Betelgeuse lançara apenas um presságio a estes desalmados que se viam como reis de suas vidas miseráveis, voltada para consumo e mais consumo. Entretanto, é sabido que nem mesmo o diabo se faz Lobo do próprio Homem, portanto, quem o fará? Thomas Hobbes bem sabia a resposta: o próprio homem. 

  Até então, no princípio das terras rosadas do deserto álgido, existe uma certa normalidade por parte do bioma, mesmo porque, terras e areias grossas rastelam entre si conforme a brisa os ordena, assim como de costume, afinal é uma manhã rotineira onde os invertebrados pretumes, mui parecidos com as lagostas da Terra, se recolhem para seus descansos após o término de sua temporada de caça devido ao despertar das estrelas. Alguns muitos destes invertebrados, jazem desfalecidos por cima da terra a espera de seus predadores carniceiros, uma vez que a fome os vencera por causa das noites de insucesso das caçadas. Se por essas bandas existem aves? Sim, uma espécie apenas. São belas e grotescas aves de rapina com plumagens multicoloridas e asas gigantes que rasgam os céus com bravura e majestade. Donas de olhos firmes e brilhantes que se alentam a presas distraídas e friamente calculam a captura de suas vítimas. Digamos que sejam elas uma releitura dos gaviões-reais na visão do Kobra . É bem jeitoso o local, certamente O Criador fora generosa ao desenhar o lugar, fato. E a quem é de uma das regiões mais incríveis, porém, esquecidas do Brasil, saberá que toda essa natureza é o análogo da Caatinga.

Em meio as ruínas, o ecoar doce e poético provindo de um instrumento jeitoso feito as flautas peruanas, repercuti por sobre um perímetro grande avassalando as feras deste campo seco. Notas suaves e dramáticas que contam histórias que ninguém, além do artista, sabe do que se trata. A triste ária que narra segredos da ária é o próprio musicista que a alma grita através desta. Oriundo da depreciação desde o berço, o rapaz viril sempre sente o mesmo pesar que lhe fora segregado desde o nascimento. Sabe-se quase nada dele, mas o pouco que se tem é dedado por seu rosto e alma. A saturação é o mimo que ele mesmo se dá e permitir-se estar sob controle em meio a desgraça é tua maior arma. O moço assopra o objeto pontiagudo feito de osso delicadamente com seus lábios finos e apetitosos e sem desdém permanece com os olhos fechados apreciando a melodia esperando por mais um de seus muitos clientes. O capuz sépia aveludado, sobreposto em uma capa grande com as mesmas características cobre boa parte do rosto, no qual exibe apenas a boca avermelhada e um pouco da pele rosada envolta de um maxilar oval e bem delicado. Abancado elegantemente em uma rocha numa degradação de púrpura e amaranto, o homem da flauta se perde em seu pútrido ego até o termino da canção. 

  – Então esse é o famoso som de Arlia?  –  O rapaz se ergue virando a cabeça pouco antes de seus ombros para melhor ouvir os aplausos e de leve sorri.

– Não sei dizer se é de Arlia, mas soa bem quando me aproprio de minha canção.

– Dizem por aí que você é um narcisista.

– E você se incomodou, Zangya?

– Nenhum pouco, Tapion. Diga-me, por que os dossiês da ascensão de Toteppo nos traz até essas ruínas?

– Eu te digo com duas condições: pague-me antes e diga-me que é este a teu lado.

– Ele é um saiyajin!

– Um saiyajin em Arlia? Que interessante... eu poderia lucrar muito mais com a cabeça do seu amigo do que com uma quantia tão pequena que te pedi. Zangya, Zangya, fale motivos para eu não os matá-lo agora?

– Pelo simples motivo de honrar sua palavra!

– Mas, eu sou um saqueador, um assassino... um fora da lei. Como honraria minha palavra por uma traidora como você?

Pela perspectiva de Kakaroto, semoto de ambos arlianos, a conjectura que o guerreiro faz é por certo a mais específica possível. A cada gesto, mesmo que imperceptível a grande maioria, o filho do Senhor da Guerra ajunta as informações do inimigo a fim de usar contra o delinquente, uma vez que em sua mente o plano é matar o saqueador quando os dados sobre os dossiês forem coletados, pois tornar-se um fantasma em cada busca é de fato uma tática plausível e brilhantemente fatal. Deixa-o a anos luz da Dinastias e seus espiões. As figuras de pele rósea dão-lhe uma visão torpe do contexto e a tal ponto dá-lhe asco de si mesmo percebido pela carranca em seu semblante. Como pode um sujeito de uma raça tão poderosa e pura estar junto a dois de uma raça rebelde e suja? E pior, estar igualmente trajado a eles uma vez que a vaidade é culturalmente valorizada pelos saiyajins, seres duma moda única e invejada pela reles. Situações extremas, medidas extremas... ele bem sabe que nada disso é real, todas essas questões são balelas políticas. Sua percepção vai além do que lhe deram. Odiosa respiração crescente como os exércitos cavalgando, mortos e sangrando ocasionado por dezenas de milhares de estímulos em seu cérebro sem ocultação para com sua frustração, o torna tão livre quanto as aves que por ali pairam, e, ter essa sensação, é tão prazeroso quanto orgasmos tidos em orgias seculares. Todavia o Senhor Kaioh bem percebe a existência duma fome por resposta daquela manhã que dera fim a um império milenar e ninguém está comendo por falta de senso crítico que há tanto lhes fora tirado, indivíduos temerosos e alienados obstinado a contracultura tal qual tão imperfeita quanto poderia ser, mas que aparentemente o oposto é ostentado. Ele pode prometer liberdade a mente de seus irmãos, contudo bem sabe que os sonhos de cada um estão mortos junto a seus ímpares desejos. Os rios que a este nobre é desenhado são todos vermelho-sangue, essencialmente talhados a austeras batalhas sanguinolentas e hediondas, sempre há decesso nisso tudo. Imitar todos os discursos de Toteppo facilitaria o boléu do atual governo, mas a que preço sua lealdade com a alforria não seria corrompida com tanta mentira em meio aqueles aristocratas? Kakaroto não se arriscaria com tamanho luxo, pois fará de forma mais bruta e objetiva convicto de que sem mais lições aprendidas o receio de se rebelar não pode mais o alcançar, não agora. Não neste momento... não neste auge. Eu sou a verdade!

– Eu fui em busca da liberdade, Tapion. Você sabe que Arlia era pequena demais para mim e que nasci para cruzar galáxias. – Antes, no desleixo e despreocupação, o arliano recostado num rochedo em que se apoiando numa de suas pernas, a esquerda, afrontando-os com desinteresse, prepotência e olhares sarcásticos põe-se de pé ereto o bastante para apresentar ameaça, dispondo para os forasteiros um cenho conspícuo e friorento ‘té chegar perto o bastante da moça e enunciar baixinho em seus ouvidos:

– Senti sua falta! Pensei por muito tempo que estivesse morta e isso me fez sentir-me sozinho... insuficiente. E só tenho a você! – Inesperadamente uma lágrima mana em seus olhos carregadas por anos de desespero e angustia. Tapion a olha com dor o bastante para lhe transcender seus sentimentos que, no entanto, era guardado somente para si.

–  E eu a sua. Não houve noites que eu não me agarrasse a lembranças com você, flautista. Eu te amo tanto que chega a doer! Senti sua falta, flautista, mas há tanta coisa em jogo que não pude retornar.

– Havia rumores de que saiyajins teriam massacrado seu bando. Eu realmente acreditei nisso e jurei por nossos guardadores que iria matar qualquer saiyajin que se atravesse cruzar as linhas da fronteira de Arlia. E realmente o fiz, – ele ri em deboche – você sabe! Sou honesto comigo mesmo, se quero vou lá e faço! Tenho peles de dez saiyajins que capturei por te vingar durante todo esse tempo. – Tapion olha para o céu salpicado de cores fortes erguendo o queixo para melhor sentir o frescor glacial, pois toda essa loucura o faz buscar refúgio em algo que sempre esteve ali. A natureza que perpetuamente se fez presente o deixa mais ameno para absorver tanta emoção repentina e avassaladora. Seus olhos semicerrados forçam-lhe um sorriso de canto e tímido concatenado a um forte suspiro seguido de poucas palavras inerentes a sua dor: – Eu não me arrependo das atrocidades que cometi e isso me torna mau. Devo me preocupar com ele?

– Não!

– Vai me contar o que está acontecendo?

– Não! Não agora... não até sabermos o que está lá dentro.

– O que corre por estas bandas são rumores estranhos, histórias de terror. Dizem que este templo guarda a morte, a loucura. O ancião de Lucatan dissera-me que se trata de algo espiritual incompreendido até então. Fiz algumas buscas, elaborei algumas teorias e investiguei cada detalhe desse caso obtendo pouca coisa. Porém o pouco que descobri é de suma importância para criarmos a consciência de nunca desbravar os muros do templo. Só que eu sou louco, não tenho consciência....   

O ar árido do deserto de Lucatan tornara tudo mais intenso como se realmente o fim estivesse próximo aos pecadores. Como se o juízo final estive porvir. Como se a divindade em sua fúria os faria pagar por todos os vossos erros. Essas informações os causam arrepio e o trio de curiosos bem disfarçam sob suas vestes a fragilidade da alma de cada um ali, falo deste temor que a densidade satânica os fomenta. Mas, talvez não seja isto. Por vez, pode tratar-se da última esperança de toda uma espécie, de resposta que preencherá lacunas que atormentam uma história. Ninguém está andando para a verdade e tampouco a aclamando, pois a refusam como se ela fosse um falso ataque sinalizador que declara culpado quem a quer.  Por meio de aprisionamento dos mandamentos de sua majestade, sua colaboração é elogiada uma vez que a Dinastia exige fidelidade e só, condição a qual os trancafia em jaulas do chulo. A raiva de Kakaroto tomou-o melhor de si e em todo crepúsculo o tempo encontra uma maneira de deixar menos da cultura e mais de si para converte-lo na revelia de que isso fará que essa luta seja vencida. Estivera tão confinado e trancado dentro de sua própria mente, frequentemente cegado pela luz da falácia dos anciões que por muito vieram tomando seu prestígio e talento para o nada. Em meu interior como algo jogado para fora da existência, o tempo está apagando estes poucos últimos momentos de farsa. Logo, logo, incitarei a rebelião. 

– Ouça-me sem ressentimentos, saiyajin. Eu posso ver a seu crânio além da casca da pele. Sim, posso ouvir as suas palavras, agora, em sua mente. Você é um enigma, mas ainda assim captei alguns bons detalhes. Seu ódio, sua justiça... sua vaidade. Quem verdadeiramente é você e o que anseia por cá nestas terras esquecidas?

– Estou em uma busca pela reparação de meu povo e a minha também. Preciso encontrar a paz de espírito depois de um longo tempo em campo de batalha e um lugar para descansar aguardando meu tempo até que eu esteja forte o bastante para lutar novamente. É isto: eu acho. Esperança, eu anseio pela esperança... por alguma resistência de continuar com tudo isso, mas as vezes parece tão distante e desnecessário. Essa autonomia, destreza e senso crítico já me foi tirado e de alguma forma fui forte o bastante para recuperar. O tempo está apagando estes poucos últimos momentos e me pergunto se deixei algo para traz... sou um homem condenado, um homem sentenciado e me pergunto se valeu o esforço. Encarando tudo isso como uma espécie de rei eu sei que não encontrarei a paz até ter conhecido o sofrimento. Eu sofri! Todos vocês falam de resolução, mas não experimentaram a dor ou experimentaram?  Eu sei lá... sigo por caminhos incertos com certeza.

A sua direita pouco mais que meio centímetro, Zangya dá a conhecer um bocado da fragilidade de seu talhe. Sob um indumento folgado e de péssimo corte, nota-se o quão esguio e miúdo é seu corpo similarmente à de bonecas. A moça aduz em seu silêncio e olhares sorrateiros ao parceiro, a inquietude de estar perto de Tapion lhe contando, de certa forma, que o passado de ambos foram muito mais que conturbado. Já Tapion, a esquerda dos dois, calculando-se uns dois metros de distância do saiyajin, propaga totalitarismo e deboche em gestos e encaradas bem elaboradas, sempre que podendo dando curtas andadas rítmicas de lá para caras junto a gesticulações exageradas.

Kakaroto os observa feito caçador sobre a presa.  

Relaxando no inverno disso, na frieza de todo o mais, daquele instante e circunstância, Kakaroto percebe o que realmente cobiça debaixo de todo aquele filantropismo, e, muito acima de sua compreensão, ele discorre que em todo tipo de merda o qual ele jamais se esquecerá e tampouco minimizará, é algo inteiramente narcisista de sua parte. Pois, à sombra desta era do consentimento e do pluvialíssimo, ter um dia de sol é de suma importância para a sua sanidade e de reconhecimento histórico. Usufrua dessa porra toda Toteppo, antes que eu apague suas malditas luzes e o faça queimar em sua atmosfera. Darei vida a seus maiores medos profanando seus templos. Em mim, maldito, apenas inferno e ódio permanecem. Prepare-se para o dia do julgamento, pois sou o deus da matança. Os reinos estão a cair!

– Quê? Não entendi porra nenhuma que você disse – Tapion gargalha nuns de seus muitos deboches retornando a seriedade logo em seguida como se o mesmo esteja na condição de bipolar. Ora triste, ora feliz – mas, enfim, querem saber o que descobri?

– É pra isso que viemos aqui, Tapion... – sibila Zangya o repreendendo com o olhar.

Dissimulando sua vergonha pela bronca que ganhara, o flautista recompõe a postura ajeitando charmosamente sua capa e diz brevemente: – Um Almanaque foi o que descobri!

– E sobre o que se trata o Almanaque? Desrespeito a Dinastia Toteppo? – Questiona Kakaroto.

– Talvez, ainda é envolvido por muito mistério. Trata-se de uma invasão a um planeta da Via Láctea. Há relatos e alguns trechos holográficos narrativos... além de um selo púrpura.

– O selo de Bills... isso não me parece bom. – Kakaroto morde o polegar esquerdo na busca pelas mais breves respostas.  

– E o que esse selo representa? – Zangya indaga assustada ao ver o parceiro preocupado.

– Morte, destruição e perigo! A cada Almanaque utilizamos os selos baseado nos deuses de Arlan. Cada um com seu significado e advertência, quando usamos a de Bills é um sinal de que o oráculo nos advertiu mal presságio. De certa forma, é uma maneira de abortarmos a missão para zelarmos nossa existência do todo. Nunca haviamos usado.

– Ora, ora, ora. Mas, não são os saiyajins a raça mais poderosa que existe? – Provoca Tapion indo pouco mais adiante por andejos vaidosos.  

– Até onde sabemos, sim!

–  Você é estranho, cara! Nem parece que possui o tão aclamado orgulho saiyajin.    

– O orgulho está aqui, fervendo. Mas, não o faço como fraqueza assim como os demais, sou astuto o bastante para saber o que pode me matar em campo de batalha. Sou metade vida, metade morte, totalmente livre e maligno por prejudicar a finalidade desta interrupção desprendida de vaidade e ambição. Agora, não desperdice a droga do meu tempo e fala-me mais sobre isso.

 

 



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