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História Alone Together - Capítulo 43


Escrita por:


Notas do Autor


[off] Nada como uma referência entre harries NÃO É MESMO? quem for me abraça. Directioner iludida desde 2012
OLÁÁÁÁÁÁ MEUS LINDOS CHEIROSOS GOSTOSOS como vocês estão?
Chega mais que eu vim alegrar (ou não) a terça feira de ustedes
Alguém já leu a trilogia do principe cruel? To tendo sérios ataques, mó canalha tio. (Canalhamento lindo, rs.)
Boa leituraaaaaaaaaaa-aaaaah to soft com esse cap.

Capítulo 43 - Ever since New York


Avery Spencer:

Duas semanas se passaram. Fiz uma amiga, ela era minha vizinha e um ano mais velha que eu. Iríamos estudar na mesma escola, as aulas começarão em dez dias, e eu me sentia menos sozinha sabendo que ela estava por perto. Nós conversávamos, ela me levou para conhecer parte da cidade.

Meus pais trabalhavam quase todos os dias, mas quando eu saía para a escola eles estavam lá, e a noite jantávamos juntos, era muito melhor do que antes. Eu ainda sentia muita falta do meu irmão e de quem havia ficado na minha antiga cidade, mas parte da saudade era superada quando fazíamos videochamada. Com Luke era quase todos os dias. Ele estava quieto na dele, as aulas ainda não começaram então ele só saía com os meninos às vezes, visitava Karen duas vezes por semana, e ficava em casa no tempo que restava. É o que ele me disse, pelo menos. Confio nele.

 E confio em Naomi, porque ela me confirmou a versão dele. Só para garantir.

Quando acordei na quinta-feira, dia vinte e dois de setembro, pulei da cama. Eu mal tinha conseguido dormir de ansiedade, mas dei o meu melhor. As quatro horas de sono serviram. Tomei um banho, me vesti com um vestido amarelo de alcinhas. Foi um presente da minha mãe, o clima em Perth era um pouco mais quente do que no sudeste do País, então abandonei o uso cotidiano do moletom. Também porque disse que iria fazer as coisas diferentes aqui, começando pelo meu corte de cabelo, que agora era curto, e meu estilo de roupas.

Minha mala já estava pronta, iria encontrar com Luke no aeroporto. Planejamos tudo minuciosamente, se um minuto der errado, teremos problemas. O avião trará Luke para cá as onze da manhã, e as exatas uma hora e vinte minutos da tarde, nós decolamos até Nova York. Ele terá vinte minutos para pegar a bagagem e correr até o portão de embarque onde estarei. Esperamos que dê tudo certo.

Ele já havia decolado, constatei ao ver a sua mensagem que chegou antes das seis da manhã. Agora era só esperar.

Já arrumada, fui tomar café. Minha mãe estava na cozinha, preparando omelete. Ela sorriu ao me ver.

— Luke ficará bobo ao ver seu novo visual.

Ela insistia nisso, e no fundo eu sabia que era verdade. Luke se despediu de uma Avery de cabelos escuros até a cintura vestindo moletom. E agora verá uma Avery de cabelos curtos com discretas californianas, com roupas realmente femininas e um simples toque de maquiagem. Ou ele amará, ou detestará. Não haverá um meio termo. Estava apreensiva, mas iria em frente.

Me sento à mesa para comer e verifico o meu celular. São oito e meia.

— Terminando o café já podermos ir?

Ela ri. Minha mãe ficou encarregada de me levar ao aeroporto, já que meu pai está trabalhando. Melhor assim, se ele me levasse eu correria o risco de ser impedida na metade do caminho. As chances dele repensar eram grandes.

— É muito cedo ainda, não fique tão ansiosa.

— Faz suas semanas que não o vejo, não me peça isso.

— Eu sei. Só fique calma, e tenha juízo nessa viagem, por favor. Estamos te dando um grande voto de confiança, você sabe.

Sim, eu sabia. Sorri sem mostrar os dentes, com a boca cheia. Terminei de comer rapidamente, tomei uma xícara de café porque sabia que em algumas horas iria estar caindo de sono pela noite mal dormida. Repassei o que havia posto na mala, para ter certeza de que não teria esquecido nada.

Me lembrei do shampoo no último minuto antes de descer as escadas, o coloquei na mala e esperei por minha mãe na sala. Ela não demorou muito, e entramos no carro para o aeroporto.

Faltavam cinco minutos para as onze quando eu comecei a andar de lá para cá no setor de desembarque, sem aguentar mais tamanha energia que me preenchia. Será que ele estava diferente? Ansioso? Feliz? Nervoso? Ainda era apaixonado por mim?

Por favor, Avery, foram duas semanas, não dois anos — lembrei.

Minhas mãos soavam frio, meu coração batia acelerado.

— Pode se acalmar, por favor? — minha mãe repreendeu, impaciente com o meu estado ansioso. Esfreguei as mãos no vestido.

— Não consigo! Vou pegar um suco.

— Aqui as coisas são muito caras.

Bufo. — Então vou andar por aí. Se eu ficar aqui vou enlouquecer.

— Como quer que eu confie em você em outro País, se não consegue nem mesmo controlar a ansiedade e se comportar?

— Lá eu terei Luke para me ajudar.

Ela balança a cabeça e retira o celular da bolsa, me ignorando. Frustrada, começo a olhar em volta. Encontro uma loja de presentes e vou até lá para me distrair.

Há almofadas, camisetas, bonés, moletons, chaveiros, canecas e mais um milhão de variadas coisas, a maioria com a foto da ponte de Sidney e os dizeres “I ❤ Australia”. Sim, bem criativo. Fico tentada com a sessão de doces e chocolates. Nada de novo, mas atraente como sempre. Preciso me controlar, se no meu próprio país já fico enlouquecida com as lembrancinhas, imagine nos Estados Unidos. Céus, em algumas horas estarei fora da País pela primeira vez. E ainda por cima com o meu namorado. Será tão emocionante, mal posso esperar.

Solto o ar mais uma vez. Calma, respira.

Ao sair da loja, procuro por onde minha mãe está. Ela ainda está sentada com as minhas malas ao lado do banco, vou até lá. Paro no meio do caminho quando ela ergue o rosto para um homem que se aproximou com duas malas.

Não dá tempo de pensar, quando percebo já estou correndo, literalmente correndo, até eles. Luke se vira quando estou a um metro de distância, e é rápido o suficiente para me pegar quando pulo em seu pescoço. Queria enroscar as minhas pernas nele, mas esse maldito vestido não me permite. Deveria ter vindo de calça.

Mesmo assim ele me abraça apertado, e me gira no ar. Eu gargalho, estou tão feliz. É ele, é o cheiro dele, o abraço dele. Ele está aqui. Quando Luke me coloca no chão, segura o meu rosto e olha para mim. Estou ofegante.

— Céus, Avery, você está... deslumbrante. Tão diferente.

— Quer dizer que eu era feia antes? — fecho a cara, mas estou brincando. Por dentro estou vibrando, feliz por ele ter gostado da minha mudança de visual.

— De jeito nenhum. Você seria perfeita mesmo se vestisse um saco de batatas.

Eu dou risada, não aguentando mais o rosto dele tão próximo, mas tão longe de mim. Puxo e o beijo. Solto um suspiro de alívio quando nossos lábios finalmente se encostam, parece que fazem anos que não o sinto. Ele está a mesma coisa, não mudou. Mesmo cabelo, mesmos olhos, mesmo toque, mesmo cheiro, mesmo beijo. O mesmo Luke de sempre, só que numa versão muito melhor: perto de mim.

Uma tosse forçada perto de nós faz ele se afastar um pouco. Estou tão feliz, meu sorriso é tão grande, que não consigo ficar tímida por causa disso. Quero enchê-lo de beijos até que a saudade passe, e o tempo perdido seja reposto.

— Como está, querido? — minha mãe pergunta. Olhamos para ele, mas Luke ainda não me soltou, seu braço está em minha cintura e o meu em volta da dele. 

— Estou bem, e a senhora, Jennifer?

— Ótima. Com exceção da Avery que quase teve um ataque essa manhã. Boa sorte pelos próximos dias.

Ele ri.

— Eu sei cuidar da fera, não se preocupe.

Sua mão aperta a minha cintura, e meu sorriso se alarga. Ele sabe, sim, como ninguém.

— Vocês precisam ir logo, mas antes, prestem atenção: — ah, não, lá vem o discurso de novo — não falem com estranhos, me mandem mensagem assim que chegarem lá, sempre que forem sair do hotel também, quero fotos e a programação, se possível — parece que estou indo para um passeio da escola, com ela falando desse jeito. — Luke, não tire os olhos dela nem por um segundo, e, Avery Rose, se comporte. Não dê chiliques. Não comam comida de barraquinha, e programem um despertador para não dormirem demais e perderem tempo. Principalmente, para pegar o vôo de volta, Deus me livre de vocês o perderem. Tenham cuidado.

Quando acho que acabou, tem mais:

— Sei que está tomando remédio, então, por favor, não esqueça nenhum dia — coço a garganta, pelo menos desta vez ela foi mais discreta. — E, Luke, estou confiando em você. Estão com os documentos e o passaporte em mãos?

Confirmamos com a cabeça.

— Ótimo. Boa viagem, meus amores — ela beija o meu rosto e o de Luke. — Me liguem.

— Pode deixar, mãe. Se cuida.

— Tchau, Jennifer.

Ela acena para nós e eu pego a minha mala. Luke joga a bolsa dele no ombro, arrasta a outra mala com a mão e segura a minha com a outra. Sorrio para ele, estou radiante, e com borboletas no estômago.

— Pronta?

— Mais que pronta! Vamos!

Depois de todo o processo, estávamos finalmente no avião. Eu estava empolgada como uma criança, sentia que esse era o momento da minha vida. Seriam vinte e quatro horas vôo, tempo demais, mas eu estava numa fila de duas cadeiras da primeira classe com Luke Hemmings. Aguentaria até mesmo uma semana ali.

— Está nervosa? — ele perguntou.

— De jeito nenhum, estou eufórica.

Meu coração batia tão acelerado, pronto para uma aventura, que eu respirava fundo de tempos em tempos para não sufocar com a emoção.

As poltronas eram largas e confortáveis, tínhamos uma mesinha e uma TV em nossa frente, mas tudo o que eu queria era passar as vinte e quatro horas prestando atenção no loiro ao meu lado, e acho que ele também não precisava de uma distração além de mim.

— Precisa ficar calma. Sei que não está acostumada com aviões, e é bastante tempo, mas vai compensar.

— Luke, sério, já está compensando. Senti tanto a sua falta.

Ele enrosca seus dedos nos meus debaixo do cobertor em nosso colo.

— Eu também, você nem imagina.

Ele me beija. O anúncio do comandante nos separa.

“Senhores passageiros, inclinem seus bancos e afivelem seus cintos de segurança. Estamos prontos para a decolagem. Desejamos a todos uma ótima viagem.”

[...]

Eu estava acabada. Minhas pernas doíam e parecia que eu havia corrido uma maratona, em vez de ter passado as últimas vinte e quatro horas sentada. Meu rosto parece cansado e meu cabelo está horrível. Desejei que ele ainda estivesse cumprido, assim eu poderia fazer um coque para disfarçar o estrago.

— Você está linda, pare com isso — Luke diz atrás de mim na fila. Acabamos de chegar ao aeroporto e eu já sinto novos ares, um clima diferente e novo. Estou cansada demais para aproveitar a emoção agora, no entanto.

Nem respondo, estou horrível e com sono. Por mais confortáveis que as poltronas fossem, não substituíam uma cama. Bocejei, entregando o meu passaporte ao funcionário da fiscalização federal.

Aguardamos um táxi do lado de fora do aeroporto, o que demorou quase vinte minutos, e fomos para o hotel.

— Qual é a programação para hoje? — perguntei. Nunca havia saído do país, nem viajado sem meus pais, então deixei tudo sob os cuidados de Luke. Era mais seguro, e ele parecia saber bem o que fazer.

— Descansar, antes que você fique ranzinza — ele sorri, apertando a minha bochecha. Faço cara de tédio, mas ele tem razão. Fico insuportável com sono e com fome, e no momento estou com os dois. — A noite iremos sair.

— Aonde? — fico empolgada, mal vejo a hora de conhecer Nova York.

— Sair — ele dá de ombros. — Jantar, algo assim. Não fiz planos ainda, vai ser uma coisa mais leve. Amanhã é a festa de inauguração da nova sede, e você conhecerá a minha mãe. Se ela conseguir, virá te conhecer de manhã. Senão, ficará para a hora da festa.

Meu estômago se embrulha com o nervosismo. Não sou rica, não chego nem perto de surpreender, mas tinha esperanças de que ela iria gostar de mim. Luke disse que ela não poderia ter ficado mais empolgada quando ele disse que viria, e que traria alguém. Isso me passou um pouco de confiança, mas saber que o seu filho está feliz e namorando é uma coisa, conhecer a tal pessoa é outra bem diferente, eu imagino.

— Se continuar se preocupando com coisas boas, perderá o melhor da viagem.

Ele tem razão. Sorrio, beijando o seu queixo e ele passa o braço pelos meus ombros. O percurso do aeroporto até o hotel dura meia-hora. Luke paga o motorista e nós descemos com as malas. Olho para cima, o prédio é alto, e é bonito. Parece ser um hotel muito bom. E muito caro.

O que mais me incomodou nessa viagem foi que Luke bancou tudo. Bom, a mãe dele, na verdade. Ela tem grana, é claro que sim, mas me sinto uma intrusa, uma aproveitadora. E se ela pensar que sou interesseira? Céus.

Fazemos o check-in e somos instruídos a ir para o sétimo andar. É alto, mas o prédio tem no total treze andares. Ali estava bom.

Luke passa o cartão para abrir a porta e eu deixo a mala cair sem querer, deslumbrada. Entro no quarto como a Ariel descobrindo a terra firme. A suíte não era coisa de outro mundo, mas era bonita, e parecia perfeita para nós dois: uma cama grande, um pouco demais, uma mesa com duas cadeiras, um espelho grande acima da cama e uma porta que eu imaginei ser o banheiro, e também um sofá de dois lugares. As paredes eram forradas com um papel de parede bege e elegante e o chão era totalmente entapeçado, imagino que para aquecer, já que o que eu li sobre a cidade indicava que era bem fria. Hoje não era um desses dias, no entanto. Um casaco leve me foi o suficiente por cima do vestido.

Mas não era o quarto que me chamou a atenção, mas sim a janela. A janela que tomava conta de toda a lateral do quarto e dava vista para os prédios da cidade. Era por volta do meio dia, e o céu não era dos mais claros, mas eu estava encantada. Não me sentia na Austrália, não era nada parecido com o que eu estava acostumada, e isso que me deixou elétrica.

Naquele momento a ficha caiu.

Corri até a janela e observei as pessoas lá embaixo, centenas de pequenos pontinhos se movimentavam pela rua, e muitos, muitos carros. Suspirei, embaçando o vidro.

— Se eu acordar e estiver na minha casa, vou ficar realmente furiosa — digo, me virando para Luke. Ele tinha colocado nossas coisas no chão, encostadas a cama, e estava me olhando de pé no meio do quarto. — O que foi?

— Você está linda demais.

Meu rosto esquenta, só o jeito que ele me olha é capaz de causar as mais intensas e variadas sensações. Vou até ele e o abraço pelo pescoço.

— Estou feliz por estar aqui com você.

Ele sorri, olhando em meus olhos, e acaricia o meu rosto delicadamente. Há amor, ternura, saudade entre nós. Quero matar cada átomo de saudade que ainda exista em mim.

Puxo sua boca para mim. Quase gemo por sentir seu beijo mais uma vez. É diferente quando estamos em público, no aeroporto ou no avião, e quando estamos entre quatro paredes, com a vista de Nova York e nossa imaginação bolando tudo o que podemos fazer, porque não há ninguém por perto. Só nós dois e uma bela de uma cama esperando para ser desfeita.

Pulo em seu colo, despreocupada com o vestido ter subido até meus quadris. Ele me segura, suas mãos quentes agarram as minhas coxas e sua boca possui a minha. Não é mais um toque carinhoso e gentil, é urgente e fervente. Agarro os cabelos atrás da nuca dele, percebi que ele havia cortado um pouquinho. Luke anda, coloca um joelho no colchão e me deita na cama, ficando por cima de mim. Suas mãos acariciam minhas costas, minha cintura, minha barriga. Sua boca desce para o meu pescoço, minhas pernas o seguram o mais próximo de mim que a física permite.

— Achei que estivesse cansada — ele brinca, beijando abaixo da minha orelha.

— Nunca de você.

Desenrosco as minhas pernas do quadril dele e o empurro na cama, ficando por cima.

— Uau.

Sorrio, jogando o cabelo para o lado. Mais um defeito do novo corte: não consigo domá-lo e ele cai sobre o meu rosto.

Luke estica o braço e prende algumas mexas do meu cabelo atrás da orelha. Ele agarra a minha cintura, me posicionando no lugar certo. Gemo. Quero me livrar logo de nossas roupas. Ele se senta, encostado a cabeceira e puxa o meu vestido para cima, tirando do meu corpo. Seus olhos brilham ao ver meu novo conjunto íntimo branco.

— Céus, Avery — expira.

Amo deixa-lo desconsertado. Amo como ele me faz sentir linda e desejada.

Seu braço me envolve, colando nossos corpos. Sua boca beija o meu pescoço, meus ombros, meu colo e desce mais... jogo a cabeça para trás, desesperada por mais.

O quarto era a nossa bolha, pequeno demais para tanta saudade, tanto amor. Se o mundo estivesse acabando através da janela de vidro, nós não perceberíamos, porque nada mais importava.

[...]

Luke me acordou perto das sete da noite. Havíamos dormido o suficiente para restaurar as energias. Não queria perder a minha primeira noite em Nova York na cama. Não dormindo, pelo menos.

Ela já havia tomado banho, estava com os cabelos molhados e vestia uma calça preta e uma jaqueta de couro. Fazia tempo que ele havia se habituado aos moletons. É bom relembrar o bad boy da escola. Sorrio com a visão e com o beijo de “hora de acordar”, e fui me aprontar. A ducha é incrível, é forte e faz uma massagem relaxante nos meus ombros. Em vinte minutos estou enrolada na toalha, procurando o que vestir na minha mala.

— Queria ser como aquelas blogueiras da internet e usar algo legal para jantar em Nova York, mas não tenho muita escolha — lamento sozinha, revirando as roupas. — Tudo bem se eu usar calça jeans? — pergunto para Luke, de costas para ele.

— Você sabe que eu não ligo para essas coisas. Use o que te deixar confortável.

Por cima do ombro eu o vejo deitado na cama, mexendo no celular. Sei que ele não se incomoda com o que eu visto, até porque se ligasse para moda, nem teria olhado para mim, para começo de conversa.  A minha tentativa de me tornar mais feminina havia dado certo, mas ainda não tenho muito senso de estilo. Monto um conjunto aceitável e volto para o banheiro para me vestir.

Escovo os dentes, passo uma sombra rosinha, rímel e gloss, seco os cabelos e estou pronta. Agora eu não levo somente cinco minutos para ficar pronta, mas quase meia-hora. Saio do banheiro após colocar os brincos de argola douradas, vestindo uma calça justa de um tecido que imita couro preto, uma blusa branca de cetim e um blazer rosa claro por cima. Minhas sapatilhas seriam quase da mesma cor da blusa, se não estivessem um pouco sujas.

Eu não tinha muitas curvas, nem um corpo de chamar a atenção por onde fosse, mas aquela roupa me deixava bem, e eu me sentia bonita.

Luke guarda o celular do bolso ao notar que estou de volta e só olha para mim quando se levanta. Ele parece surpreso, como imaginei que ficaria.

— Está perfeita. Cada hora me surpreende mais — ele pega a minha mão e me faz dar uma voltinha sem sair do lugar. Dou risada e ele me beija suavemente. Meu coração dá piruetas e minha auto-estima sobe alguns degraus com a reação dele. — Vamos?

Confirmo com a cabeça e saímos do hotel de mãos dadas. Um táxi já espera por nós na rua, sei que Luke chamou por ele enquanto me arrumava. Me sinto mal por ter demorado mais do que o esperado, há quanto tempo o homem moreno, de óculos e boina estaria nos esperando?

Ele não parece irritado, no entanto, e nos cumprimenta com um sorriso quando nos sentamos no banco traseiro do carro.

— Para onde vamos? — pergunto ao meu namorado.

— Surpresa — ele sorri, como alguém que está aprontando. Estreito os meus olhos para ele, mas o selinho que ele me dá me faz ficar quieta.

Enrosco os meus braços no dele e observo a cidade passar pela janela. Já é noite e o céu é escuro, mas a cidade é tomada pelas cores das lojas, prédios e outdoors. É tão colorida e cheia de vida. Não tenho ideia de qual parte da cidade estamos, mas é movimentada, e cheia de vida, eu gosto disso.

O táxi estaciona em frente a uma casa alta e larga de paredes espelhadas, e cheia de luzes. Não preciso me esforçar para ler a grande fachada WE CLUB.

Um clube?!

Eu fico empolgada, nossas saídas são simples: pizzarias e lanchonetes, minha casa, a casa dele, jardim, shopping, ... ele nunca me levou para nada mais selvagem que o seu quarto. A ideia me parece maravilhosa, nunca estive num clube antes. Na Austrália, é preciso ter mais que dezoito anos para entrar neles.

— Luke, eu acho que não tenho idade para entrar num lugar desse — sussurro, após ele pagar a corrida até aqui e o motorista ir embora.

Ele sorri.

— Isso aqui é Nova York, não se preocupe com as regras. Elas não existem.

Fico maravilhada, ainda que com um pé atrás. A fila para entrar é curta, mas o som é alto e agitado e a iluminação que vem de dentro é mágica, o que me faz pensar que a falta de movimento é por conta do horário. Ainda é cedo.

Luke apresenta a identidade dele para o segurança, que confere e depois olha para mim. Ele sorri, um sorriso pra lá de malicioso, e nos deixa entrar.

— O que foi isso? — pergunto num tom alto, já que a música intende ser ouvida na rua inteira.

Luke coloca a mão na minha cintura e me guia para algum lugar, sem me responder. Subimos as escadas lá dentro, e eu estou encantada com a visão: as luzes são fortes, mudam de cor e oscilam o tempo todo, como uma discoteca deve ser. Há muitas pessoas lá embaixo, o horário não parece interferir em nada, ao contrário do que eu pensei. Elas dançam, há muitas mesinhas com sofás cumpridos, onde as pessoas comem e bebem, e se divertem a beça. Estou tão empolgada que quase tropeço num dos degraus. Luke ri e nos leva até uma das mesas do segundo andar. Cada centímetro de parede é envolvida com tinta escura, espelhos e jogos de luzes que simulam a queda da água. É lindo. O chão é fofo como o chão do nosso quarto de hotel, e o teto tem lustres de todos os formatos: quadrados, ovais, retangulares, triangulares... nunca estive num lugar desses, mas tenho certeza que não são todos elaborados dessa forma.

Nos sentamos no sofá de frente para uma pequena mesa quadrada, e atrás de nós temos uma grade com vista para o primeiro piso. Me sento de lado, encostando o cotovelo no vidro para ver o movimento. Há muitas pessoas, consigo me focar em alguns casais dançando colados, outros nos sofás e o bar. Pelo menos dez bartenders servem as bebidas, e o balcão vai de ponta a ponta na parede.

— Se eu soubesse que ficaria tão encantada com um lugar desses, teria deixado as lanchonetes de lado há muito tempo — Luke diz, eu me viro para ele, sorrindo boba.

— Nunca estive num lugar assim, é como nos filmes. O problema é que nesses filmes a noite sempre acaba mal.

Ele ri, capturando uma mexa do meu cabelo. Ele enrola a mexa em seu dedo, e a coloca atrás da minha orelha.

— Deixa eu adivinhar: alguém sai tão bêbado que sofre um acidente de trânsito, ou a mocinha acaba transando com um estranho e a vida dela vira de cabeça para baixo por isso?

— Algo assim. Que tipo de filmes você anda assistindo, Hemmings?

— Só os que você escolhe pra gente. Mas fique tranquila, minha tolerância para álcool é boa e nós voltaremos de táxi; sem acidentes. E nós já namoramos, a menos que você me traia, a segunda opção foi descartada.

— Cale a boca, Luke!

Ele ri, achando a sua teoria muito engraçada. O garçom se aproxima quando ele faz sinal com a mão, o chamando.

— Aproveite porque esse vai ser o único momento em que te deixarei beber álcool depois do que você aprontou com o vinho da última vez.

Como se ele fosse mesmo controlar o que eu bebo.

— Uau, quanta generosidade — usa do tom irônico. — Escolha por mim então.

Ele sorri e pede dois “drinques da noite”. Não sei o que são, e provavelmente nem ele, mas tudo bem, mesmo se eu bebesse água a noite seria incrível, eu podia sentir isso. Luke estava ali, como não seria?

O garçom se retira.

— Quais são os planos durante a faculdade?

— Vou continuar morando onde estou, mas se eu ver que a correria está insuportável, alugarei um quarto no campus para durante a semana. Não fiz muitos planos, pretendo te ver nos feriados e nos fins de semana entre eles — fiquei aliviada ao saber que ele ainda pensava nos nossos planos. — Quando eu não puder vir, quero que você vá. Te mandarei a passagem. E só. Ashton, Travor e Calum vão para a mesma universidade que eu, em Sidney. Se tudo der errado, seremos quatro vagabundos por aí, e podemos morar juntos.

Eu dou risada. Ele é tão despreocupado, mesmo com o seu futuro. Isso não me agrada muito, principalmente porque ele sabe que não precisa correr atrás de nada, a mãe dele é rica, ele pode contar com o dinheiro dela sempre que precisar, então pra quê se esforçar? O problema é que ele acha que entre nós as coisas também podem ser fáceis assim. Não quero que ele me sustente, quero que ele lute pelo que quer, e eu também. Quero que sejamos normais e tenhamos tudo por merecer.

Luke não é assim, ele sabe que pode e não pensa no amanhã, mas tento ignorar isso por mais um tempo.

Me concentro no pensamento de que nossas condições financeiras são tão diferentes, mas nossa condição mental tão igual. Isso me dá um pouco de paz.

— Alguma ideia do curso que fará? — pergunto.

— Não ainda. Farei estudos gerais até onde eu puder. E você, o que me conta sobre a cidade, além de ter uma vizinha amigável?

— Wendy é legal e parece confiável. Conheci dois shoppings, um mercado, uma praia e o que há de comércio na vizinhança. Não tenho muito ânimo para sair, e minha única amiga até agora tem namorado e dois irmãos mais novos, não tem todo o tempo do mundo para mim. Sinto muito a sua falta no meu dia a dia.

— Falamos por telefone todos os dias.

— Não é a mesma coisa — faço biquinho.

— Eu sei que não, também sinto a sua.

O garçom nos trás as bebidas. São duas taças decorados com azeitona, e um líquido da cor da água. Considerando que a grande maioria das bebidas alcoólicas são transparentes, poderia ser qualquer coisa.

— Você primeiro — ele ri, provando da bebida. Ele não expressa reação nenhuma até que o líquido descesse pela garganta, torce o nariz e lambe os lábios. — É bom?

— É forte, então será seu único copo essa noite. Mas é bom. Se chama Vodkatini.

— Não me diga o que posso fazer, Hemmings.

Ele sorri, seus olhos adquirem um brilho que vai além do azul céu e das luzes do ambiente. Algo no que eu disse me leva de volta para o início da nossa relação, quando ele era um babaca e eu o desafiava a todo momento. Provavelmente é a mesma memória que o faz sorrir desta forma.

Levo a taça à boca e dou um gole. A careta é inevitável quando o líquido quente e amargo queima a minha garganta. No final é doce, mas até chegar lá é um longo caminho.

— Ugh — reclamo.

— Amargo demais?

— É um bom ruim.

Ele acha graça. Dou mais um gole, depois que o amargo passa, quero mais. E então ele volta. E se vai, e eu quero mais novamente.

— Vai devagar.

— Eu estou bem. Você já esteve em Nova York antes? — ele parecia conhecer bem os costumes e os lugares, estava confortável demais desde que chegamos, diferente de mim e minha afobação. Ele confirma com a cabeça.

— Minha mãe vinha para cá de mês em mês, a acompanhei duas vezes. E a visitei em Los Angeles uma vez. Mas faz tempo que vim pela última vez, uns dois anos pra mais. É novidade estar aqui de novo, e ainda por cima com você.

— Espero que no bom sentido. — Mais um gole, eu estava gostando dessa bebida ruim.

— No melhor deles.

Vendo que eu havia acabado com a minha bebida e queria mais, Luke outro drink, dessa vez um chamado Fuzzy Navel e uma porção de asas de frango e batata frita. Se eu continuasse bebendo de estomago vazio, daria trabalho. Já estava rindo numa frequência maior do que a normal, e perdi levemente o controle da língua.

Tanto na fala, quanto nos beijos que eu arrancava dele.

— Qual é o nome dessa bebida? — perguntei ao experimentar meu terceiro drinque.

— Jungle Juice.

Dentre todas, essa é a mais doce. Mas é muito boa. A primeira foi a mais forte e a mais amarga, a segunda, um meio termo, e essa é a vencedora da noite. Tomo metade do copo num gole só, e ele me para, colocando o copo longo com uma laranja na borda sobre a mesa.

— É doce, mas continua sendo álcool — ele explica. — Coma primeiro.

Obedeço, atacando as asas de frango. Ele me observa, beliscando as batatinhas. Seus olhos continuam com aquele brilho, fico feliz por ser a causa disso, embora não saiba se são por admiração ou humor.

— Você é uma coisinha única.

— Não me coloque no diminutivo — resmungo, com a boca cheia. Ele limpa o meu queixo com o polegar, e lambe a gordura do dedo depois. Inclino a cabeça, mordendo o lábio com a cena.

— Achei que já havíamos passado dessa fase.

Abro um sorriso, lembrando de quando ele me provocava com os apelidos no diminutivo. Passamos por tantas fases até aqui, é incrível pensar nisso.

Quero beijá-lo mais uma vez, mas com a boca cheia de comida a ideia não é muito agradável. Termino a porção em pouco tempo, e peço mais um Jungle Juice. Realmente gostei.

Quando terminamos de comer, noto que o clube está lotado, não consigo ver o chão vazio do primeiro andar, só cabeças. A música eletrônica é animada, e o DJ agita o pessoal com comandos de tempo em tempo. Eu quero participar.

— Vamos dançar, Luke — convido.

— Não achei que gostasse disso.

— Eu quero saber como é, as pessoas parecem estar se divertindo tanto.

— E não está se divertindo comigo aqui?

Reviro os olhos, sei que ele está brincando. Termino a minha bebida num gole só e o puxo pelas mãos para me acompanhar. Ele pega o celular que estava em cima da mesa e o enfia no bolso, antes de descer as escadas me segurando pela mão. Estava tão empolgada quanto a primeira vez em que fui a um parque de diversão, aos sete anos de idade.

 Tivemos que empurrar algumas pessoas para conseguir um lugar no meio da muvuca. Era apertado, mas quanto mais colada eu pudesse ficar em Luke, melhor. Passei meus braços pelo pescoço dele. Naquela hora desejei ter domínio ao andar de salto alto. Eu não era tão baixa, mas Luke era bem alto, as sapatilhas não colaboravam.

A batida era envolvente e animada, eu não sabia dançar, mas Luke também não e eu já não me preocupava com mais nada depois de quatro drinques. Soltei seu pescoço e segurei em suas mãos, nos balançando para lá e para cá como se a música fosse dos anos 90, e não uma eletrônica atual.

Eu ria, ele ria, nos beijávamos, dançávamos, sacudíamos e esbarrávamos em alguém a todo momento, mas quem se importava? Eu me sentia livre, solta e imensamente feliz. Na verdade, acho que nunca estive tão feliz assim.

A batida animada diminuiu até sumir, e uma nova música começar. Era lenta e sensual. Olhei para Luke sentindo a excitação crescer.

— Céus — ele moveu os lábios, talvez sentindo o mesmo que eu. Abracei seu pescoço mais uma vez, colando cada parte superior dos nossos corpos. Ele abraçou a minha cintura e eu o beijei, lenta e sensualmente, assim como a música. Perdi o fôlego, e o deixei sentir o gosto da minha pele do pescoço antes de voltar para a minha boca.

Por um momento esqueci que estávamos no meio de tanta gente. Quis tirar a minha roupa para ele ali mesmo, mas uma parte de mim ainda tinha equilíbrio. Era a bebida falando por mim, com certeza.

A pegada firme em minha cintura, descendo até meu bumbum e subindo até minhas costas por baixo do blazer não facilitava muito a situação, no entanto.

— Queria que pudéssemos nos transportar de uma vez para o quarto de hotel — admito no ouvido dele. Ele ri, beijando a base do meu pescoço. Luke sabe que fico arrepiada com o toque nesse local.

— Temos a noite toda, não se apresse.

Estava fervendo. Ele era tão controlado, céus, as vezes eu me sentia uma ninfomaníaca perto dele. Louca e ansiosa por ele, e ele tão resistente.

Sinto uma coisa gelada nas minhas costas e dou um pulo. As mãos dele eram quentes, não frias como gelo. Me viro para perceber que, realmente, não eram as mãos dele. Um homem estava com seu copo vazio e cara de quem não sabia o que fazer.

Choraminguei, já sabendo o que tinha acontecido. Tirei o meu blazer para observar uma grande mancha nele. O bom é que a mancha era transparente, o ruim é que não era água.

— Eu sinto muito.

— Tudo bem — suspiro. O que eu poderia fazer?

— Posso te pagar uma bebida para compensar? — ele ofereceu, para a minha surpresa. Abri a boca para negar, quando Luke passou os dois braços pela minha barriga, marcando território.

— Vai dar em cima de outra, cara. Vaza daqui.

Ele sorriu sem graça para mim e foi embora. Amarrei o blazer na cintura e cobri as mãos de Luke com as minhas, rindo, e consegui me virar para ele. Suas sobrancelhas se uniram em uma carranca.

— Isso é ciúmes?

— Palhaço — ele resmunga para o cara que já está longe, e eu rio, achando a coisa mais fofa do mundo. Luke não era do tipo ciumento, mas era justo, e não tolerava se sentir ameaçado. O cara era bonito, mas qual é! Jamais o trocaria por um nova iorquino, nem por qualquer outra pessoa.

— Eu te amo — sussurro, selando nossos lábios.

O bom foi que o gelo nas minhas costas serviu para apagar também o meu fogo, pelo visto. Já bastava o álcool me controlando, não precisava do tesão fazendo isso também.

Ficamos dançando conforme a música até ver a pista ganhar mais espaço. As pessoas estavam indo embora, nós bebemos mais dois drinques e saímos de lá rindo à toa. Luke pediu um táxi por aplicativo e esperamos em frente ao clube, qualquer pessoa ou inseto que passasse por nós era motivo de piada.

Chegamos no hotel cambaleando. Era três da manhã quando caímos na cama gargalhando do tropicão que eu dei ao entrar no quarto. O teto girava, meu rosto estava pegando fogo e meu maxilar doía de tanto rir, eu estava absurdamente feliz.

— Sua primeira noite em Nova York. De zero a dez, quanto merece?

Finjo pensar.

— Nove e meio.

Deitado lado ao meu lado na cama, de barriga para cima, ele vira a cabeça para mim. Em seu rosto um pouco de suor na testa, um grande sorriso e olhos grandes e brilhantes o tornaram a criatura mais bonita que eu já vi.

— O que falta para chegar a dez?

Me viro para ele e puxo o seu rosto para mim. Não precisa mais que um beijo apaixonado para ele agarrar o meu corpo e transformar o meu nove e meio em mil.

Não foi só a melhor noite em Nova York, mas, possivelmente, a melhor noite da minha vida. E a melhor madrugada também.


Notas Finais


PARTY ON
mentira
FEELS ON
ai amo *suspiro*
o sonho da minha vida é um role numa balada com o boy, acreditem se quiser
Curtiram? Maisomenos? Meio bosta? Lixinho total? Fala que eu deixo
Até logo pimpolhetas, tia Jubs volta já!


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