História Alphabet Weekends. - Capítulo 28


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Categorias Once Upon a Time
Tags Emmaswan, Reginamills, Swanqueen, Swanqueenotp
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Palavras 4.492
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, LGBT, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor



Capítulo 28 - Capítulo vinte e sete


Fins Estranhos e Novos Começos.

 

 

                                                                                                             

Regina acordou na manhã de segunda-feira com o som distante do despertador de seu celular. O ruído familiar tocava incessantemente do outro lado do apartamento, em seu quarto. Embora ela ouvisse apenas um bip ao longe, foi o suficiente para acordá-la. Emma, entretanto, não se afetou nem um pouco; ela continuou dormindo profundamente. Regina levantou a cabeça para ver o relógio na cabeceira, por sobre o ombro de Emma. Era difícil se mover sem acordá-la. Seu braço repousava pesado sobre os ombros dela, parecia um peso morto. Enquanto lia 6:05 em vermelho piscando na tela de LED do relógio, ela finalmente sentiu a pequena dormência em seus lábios.

Sua boca estava dolorida. A cada vez que respirava, pequenas fagulhas pulsavam e quando ela passava os dedos em seus lábios ou os fechavam, a dormência piorava. Ela sentia os lábios inchados da melhor forma possível, e podia imaginar qual era sua aparência.

Ela passara a tarde toda de ontem nos braços de Emma, beijando-a como uma mocinha que tinha acabado de receber o primeiro beijo. Era exatamente assim que ela se sentia. Regina estava revivendo a sensação de dar o primeiro beijo novamente. A cada beijo, a cada respiração, Regina sentia-se viva e muito amada. Ela não lembrava-se da última vez que fora beijada de tal maneira, e sequer recordava-se da última vez que passou um dia inteiro na cama, apenas beijando alguém e trocando carícias. Parecia incrivelmente juvenil, mas ela não se importava. Cada momento era mais glorioso que o outro.

E quando a noite caiu, Emma ainda continuou a cobri-la de beijos, afastando-se da boca de Regina por um instante para beijar seu pescoço, antes de trilhar seus lábios molhados até chegar de volta à boca. Cada beijo parecia um novo começo. Cada um parecia diferente, e ao mesmo tempo igual; cada beijo era tão magnífico quanto o anterior. Nenhum era insignificante. Os beijinhos castos eram tão bonitos e doces quanto os longos e profundos. Os movimentos suaves eram tão espetaculares quanto os beijos rápidos e ávidos. Os lábios de Emma haviam moldado contra os dela de uma maneira que ela nunca achou ser possível.

A noite passada tinha sido maravilhosa, e seus sonhos tinham sido preenchidos com um replay de cada beijo compartilhado. A última coisa que ela queria era ter que acordar, porém o despertador tocou e perturbou tudo.

Ao se afastar de Emma, o rosto dela grudou-se ligeiramente no peito dele, que estava molhado com uma fina camada de suor após ter ficado com Regina deitada em cima a noite inteira. Regina não conseguiu evitar o sorriso que surgia lentamente em seu rosto enquanto sentava-se na cama. Sorrir havia doído, mas era praticamente impossível evitar que um sorriso aparecesse; era um largo e brilhante sorriso, composto de tanta alegria que ela podia só imaginar como aquilo pareceria para outras pessoas. Ela tinha certeza que seria de um brilho de cegar os olhos, e incrivelmente revelador. Bastaria apenas uma olhada nela e todos seriam capazes de adivinhar os eventos da noite anterior.

Ela virou o torso para olhar para Emma, cujo corpo ainda estava enroscado na posição de antes, quando Regina estava em seu abraço. Os olhos da amiga estavam fechados pesadamente, seus cílios repousavam espalhados adoravelmente sobre o topo de suas bochechas. Seus lábios formavam aquele biquinho, como sempre acontecia quando ela estava em um sono profundo; sempre parecendo estar à espera de um beijo. Mechas de seu cabelo dourado estavam espalhadas pelo travesseiro e testa, e Regina subconscientemente afastou os cabelos que cobriam seu olho direito. O movimento a fez mexer-se durante seu sono, aproximando seu corpo do local onde Regina havia estado. A cabeça dela agora repousava sobre a coxa de Regina e seu braço envolvia um joelho dela.

Naquele momento, com seu beicinho para fora e uma expressão adorável em seu rosto, Emma parecia muito com aquela menina que tinha crescido com ela; o sua melhor amiga.

Ela lembrou-se de quando ficou a observá-la enquanto dormia na manhã seguinte da noite em que perderam a virgindade, quando ambos tinham dezesseis anos. O cabelo dela estava mais curto do que atualmente, porém continuava cheio e, na época, algumas mechas ainda estavam pintadas de azul. Seus olhos estavam fechados delicadamente e seus lábios formavam aquele familiar beicinho. Enquanto dormia, Emma portava um pequeno sorriso e segurava alguma coisa sob o travesseiro. Quando Regina finalmente conseguiu ver o que era, ela encontrou seu sutiã. No princípio ela achara aquilo estranho, porém mais tarde ela percebera que Emma estava tentando guardar algum objeto que o lembrasse da sua primeira vez, e o sutiã dela havia sido o escolhido.

Ela se perguntou se Emma ainda guardava o sutiã em algum lugar, e riu para si mesma ao pensar isso. O chacoalhar de seu torso fez Emma se mexer novamente, e agora seus cílios pairavam sobre as coxas de Regina, fazendo-lhe cócegas a cada movimento de seus olhos. Ela ficou ali aguentando a doce tortura por um breve momento antes de se afastar de Emma.

— Não... — Emma grunhiu, sua voz rouca e pesada de sono. — Volta pra cá,—  murmurou, parecendo um menininha.

— Não vou a lugar nenhum,—  ela riu. — Pelo menos, não por enquanto. São seis horas, ainda temos tempo pra nos arrumar.

— Nos arrumar pra quê?—  ela perguntou, grogue enquanto esfregava o sono dos olhos - ou, ao menos, tentava.

— Para ir trabalhar, Emma. Hoje é segunda.

— Que saco!— Ela resmungou, tentando se levantar da cama, porém caindo de volta. Regina gargalhou.

— Vamos lá, dorminhoca. Você tem que ir. Você acabou de fechar o contrato com uma grande campanha, tenho certeza que deve ter bolo e champanhe te esperando lá no escritório.

— Eu sei. Só que estou tão exausto. Maldito jet lag,—  ela reclamou, e Regina bateu em seu ombro de leve.

— Vamos,—  ela falou, chacoalhando os ombros da amiga; Emma deixou-se ser balançada, pois parecia quase como se ela estivesse a ninando de volta ao sono.

— Não quero...—  ela gemeu de novo, petulantemente, e pegou Regina pelos braços, trazendo-a de volta para cama e a deitando, presa a seu lado. — Prefiro muito mais isso aqui.

— Por mais que eu concorde com você, eu preciso tomar banho e me aprontar para o trabalho,—  ela argumentou, rindo o tempo inteiro enquanto tentava se esgueirar dos braços de Emma. Como resposta, ele simplesmente a segurou mais apertado, e ela sorriu. Estar nos braços da amiga era tão maravilhoso e caloroso, e parecia incrivelmente certo. Era como a conexão final de uma peça de um quebra-cabeça antes incompleto.

— Posso me juntar a você?—  Emma perguntou, um pouco envergonhada, enquanto percorria os dedos na coluna de Regina. Ela desenhou leves círculos com suas digitais ao final das costas, fazendo-a se contorcer contra ela. Os olhos de Emma estavam o tempo todo com as pálpebras pesadas, Regina via o verde por apenas uma pequena fenda.

— Claro,—  ela suspirou, em êxtase. — Mas nós só vamos tomar banho!—  ela frisou, e Emma suspirou, derrotada.

— Estraga-prazeres,—  brincou, rindo, e se inclinou para um beijo meigo nos lábios dela. Regina sorriu durante o beijo, e Emma sorriu de volta. — Eu adoro poder acordar e fazer isso,—  Emma comentou e Regina assentiu contra seu ombro.

— Eu também,—  ela respondeu, deixando um beijo seu na boca de Emma. — Agora vamos lá. Quanto mais cedo a gente tomar banho, mais cedo você preparar o meu café.

Emma bufou alto, e Regina se levantou da cama.

— Por que eu que tenho que cozinhar?—  Emma inquiriu, se espreguiçando e Regina ficou assistindo, maravilhada pela forma como os músculos definidos apareciam no abdômen dele ao arquear as costas. Ela achava espantoso o fato de nunca ter realmente notado o quão linda Emma era. Mesmo estando com o cabelo seriamente bagunçado após horas de sono, suas mechas apontando para várias direções, e ainda assim ela estava adorável. — Que foi?—  Emma perguntou, parando de se espreguiçar, e Regina deu de ombros.

— Nada não.

— Você estava me encarando. Tem que haver alguma razão,—  Emma argumentou, e Regina balançou a cabeça.

— É só que eu nunca realmente reparei no quão sexy você é,—  ela enrubesceu, e Emma sorriu, andando em direção a ela. Quando a alcançou, ele a trouxe para perto de si, deslizando sua mão sob a fina blusa que ela usava desde quando a loira chegara no dia anterior. Novamente, sua mão seguiu para a coluna de Regina e a fez se contorcer em seus braços, enquanto sentia os dedos da amiga subindo e descendo.

— Bem, eu sempre soube que você era linda,—  Emma sussurrou, de forma amável, e sua mão livre penteou uma mecha de cabelo para trás da orelha dela. Regina mordeu o lábio enquanto olhava para Emma, e enxergou o quanto ela estava sendo sincera. Não havia nada além de adoração e pura honestidade reverberando naquelas belos olhos esverdeados.

— Eu amo você, Regina Mills, —  Emma declarou, fitando-a. A afirmação atingiu Regina como uma tonelada de tijolos. Era uma declaração firme, uma confissão honesta, e seu coração encheu-se e explodiu, tudo em um só instante. Regina ergueu-se nas pontas dos pés para conectar-se com Emma através de um beijo arrebatador.

Ela se afastou, depois, e sorriu para E,,a, porém o sorriso rapidamente sumiu ao ver a expressão sombria no rosto de Emma.

— O que há de errado? —  perguntou ela, afastando-se de Emma para ver a forma de rejeição que sua postura havia tomado, repentinamente.

— Não é nada, Gina. Acontece que eu ouvi algumas coisas no trabalho outro dia. Estou só imaginando como vai se desenrolar.

Regina percebeu que ela não olhava diretamente para ela, e viu a maneira como os ombros de Emma estavam curvados para frente. Ela estava mentindo.

— Você está mentindo. Por quê?—  ela indagou, se perguntando o porquê de Emma mentir ao invés de responder à pergunta. Ela nunca foi de esconder nada dela; Emma sempre abria o jogo sobre o que estava rolando em sua mente. Sempre que estava chateado, ela dizia o motivo. Sempre que estava feliz, ela lhe falava a razão. Era estranho que Emma estivesse agora mentindo assim tão descaradamente para ela.

— Regina, não é nada que você tenha que se preocupar. Eu juro,—  ela respondeu, sorrindo tristonha enquanto puxava Regina pela cintura, de volta para seu abraço. — Confie em mim, Regina. Não precisa se preocupar com nada.

— Está bem, acredito em você,—  ela respondeu, apesar de não acreditar. Ela sabia que algo estava errado, porém iria deixar que Emma se abrisse para ela quando ela se sentisse confortável.

— Que bom,—  Emma sorriu brilhantemente. — Que tal aquele banho, agora?

— Sim, banho... só o banho, hein,—  Regina definiu, apontando seu dedo para a amiga e Emma riu, gentilmente mordendo-o e piscando para ela.

— OK, e talvez você devesse escovar os dentes também,—  Emma provocou, e ela cobriu sua boca com a mão.

Por trás da mão, um — Como se você tivesse o direito de reclamar—  foi murmurado.

 

...

 

— Você é uma imbecil!—  Rose praticamente berrou, sentada à mesa de um restaurante local durante o intervalo de almoço de Regina. Rose ainda estava de férias por um mês e meio antes que o ano letivo da escola onde lecionava começasse. Regina havia passado os primeiros dez minutos do almoço inteirando Rose sobre tudo que tinha acontecido no dia anterior. Nenhum detalhe fora esquecido, e agora sua melhor amiga estava a assaltando verbalmente por conta de sua imbecilidade.

— Eu sei disso, Rose. Não precisa gritar comigo. É só que... Eu não posso falar isso pra ela. Eu sei que é um erro, sei que deveria falar, mas não posso. Você não entenderia; você já tem o Graham.

— Por que diabos você não disse a Emma que a ama, Regina? Está óbvio que isso é verdade,—  Rose falou, frustradamente, enquanto remexia furiosa em sua salada.

— Não é tão simples assim,—  Regina protestou com uma lufada. Ela, também, revirava e mexia avoadamente em sua salada.

— É claro que é, Regina,—  argumentou Rose. — Foi você quem iniciou toda essa conversa de 'vamos terminar o jogo'. Você que disse que queria mais dessa relação, e quando Emma confessa que sente o mesmo, você não responde nada de volta? Regina, isso é absurdo.

— Rose-...

— Não, nem vem com essa, Regina. Por quê isso, hein?

— Não sei, Rose, realmente não sei.

— A mulher te deu um colar de diamantes que vale mil e quinhentos dólares, Regina,—  Rose pontuou e Regina assentiu a cabeça, envergonhada, seus dedos percorrendo as bordas do pingente em seu pescoço. — Como você pôde ficar calada? Emma te deu a chave para o coração dela. Como você pode ser tão burra?—  Rose ralhou para Regina, fazendo-a se sentir pior do que antes.

Seu humor havia estado quase bom, desde ontem à noite. Havia ainda um resíduo de raiva por Emma ter mentido de manhã, porém não fora suficiente para deter o sorriso que se espalhava em sua face, ou a vivacidade de seus passos ao sair para trabalhar.

— É só um colar, Rose.

— Não é só a porra de um colar, Regina! Como você pode ser tão idiota e não enxergar além disso? Isso, literalmente, é a chave para o coração dela. Emma está apaixonada por você.

— Rose, eu nunca me apaixonei de verdade, como posso saber que eu a amo? Todas os meu relacionamentos passados foram fracassos. Eu não tenho condições de começar algo com Emma e isso poder acabar mal,—  ela admitiu e viu quando Rose quase não conteve o impulso de tacar o copo de água em seu rosto.

— Você é uma besta quadrada...—  ela começou a dizer quando o garçom veio para tirar os pratos. Ele perguntou se queriam mais alguma bebida antes que trouxesse os pratos principais, mas nenhuma das duas sequer deu atenção ao jovem rapaz. Eventualmente, ele compreendeu o clima e saiu para pegar os próximos pratos.

— Rose, olhe do meu ponto de vista-... —  Regina começou a se defender, mas Rose não queira nem saber.

— Você mesma me disse que a amava, que estava apaixonada por ela. Como você pode contar isso pra mim e não contar pra Emma?!

— Eu não sei, Rose!—  Regina gritou, atraindo olhares do restaurante inteiro. — Não sei,—  ela abaixou a voz dessa vez para repetir.

— Regina, você não pode enrolar Emma desse jeito. Você não pode esperar que ela te dê o mundo e você não retribuir à altura.

— Do que você está falando, Rose?—  Regina perguntou, estupefata, enquanto o garçom voltava com suas refeições. Ele portava uma expressão assustada ao colocar os pratos na mesa e depois praticamente voou para longe da mesa delas.

— Emma deu tudo o que você desejava, e você nem para falar um eu te amo de volta,—  Rose argumentou, e Regina apenas ficou a ouvir, silenciosa. — Ela te deu o coração e o que você fez? Você o pegou, guardou no bolso e se mandou. Você não ofereceu nem um pedacinho de si para ela. Você não disse que também a amava, Regina. Como foi capaz de fazer isso com Emma?

— Rose, não é como se eu tivesse feito de propósito,—  Regina explicou, firmemente. — Eu não sei o que é o amor, Rose. Meu pai e eu nunca fomos muito próximos. Minha mãe nos deixou e cada namoro que eu tive terminou antes mesmo que o conceito de amor pudesse ser formado. Como eu vou saber se o que eu sinto é, de fato, amor? E se isso que eu sinto por Emma for outra coisa? E se eu encher o saco da relação e resolver ir embora? Não posso fazer isso, Rose. Eu preciso tê-la ao meu lado. É egoísta, eu sei, mas eu preciso dela.

— Regina, você me contou, você me disse há pouco tempo,—  Rose apontou, exasperada. — Como é possível que agora você não tenha certeza dos seus sentimentos?

— Existe uma diferença entre-... —  Regina começou a falar, mas Rose a interrompeu.

— Pare com essa babaquice, Regina! De que diabos você tem tanto medo?

— Eu não sou boa o suficiente para ela, Rose,—  Regina admitiu, sua voz vacilante enquanto tentava controlar as lágrimas que começavam a embaçar seus olhos.

— Mas que asneira é essa que você está resmungando, hein?

— Rose, Emma é uma mulher de negócios de sucesso. Tão, tão linda, inteligente, bem humorada e sagaz. Ela é sincera, cheio de paixão e compaixão. Ela poderia ter qualquer mulher em seus braços. Se ela entrasse por aquela porta agora mesmo, todas as mulheres desse restaurante, lésbicas ou não, olhariam descaradamente para ela e pensariam a mesma coisa: Ela é casada? É solteira? Qual o nome dela? E se ela viesse aqui e sentasse ao meu lado, a primeira coisa que cada mulher pensaria seria: Mais que porra que ela está fazendo com ela? Ela merece algo melhor do que Regina Mills, a editora de livros.

— Que monte de merda! —  Rose exclamou alto, mais uma vez fazendo com que diversas cabeças do restaurante virassem em direção à mesa delas. — Você e Emma são almas gêmeas. Jamais existiu duas pessoas que se encaixassem melhor do que vocês duas. Vocês estão praticamente casadas há vinte anos. Qualquer um que não enxergasse isso seria cego - porra, até uma pessoa cega enxergaria isso. Você a ama, Regina. E precisa se declarar para ela.

— Eu... eu... eu-...

— Chega de reticências, Regina, e nada de poréns. Ela é a primeira coisa que vem à sua cabeça quando você acorda e é a última em que você pensa antes de dormir. Você vê coisinhas insignificantes no meio da rua e instantaneamente lembra dela. Regina, isso é amor. Quando todos os seus pensamentos são consumidos por aquela pessoa, e todos os seus sentidos desejam tocar, ver, e cheirar aquela pessoa - isso é amor, Regina. É isso que o amor é,—  Rose despejou seu sermão, e Regina permitiu que as lágrimas escorressem agora e deixou que tudo, de fato, entrasse e se assentasse dentro dela.

Ela sabia que Rose estava certa, porém ainda havia aquela dúvida bem no fundo de seu coração, que a prevenia de admitir o que sentia. Sua amizade com Emma já havia mudado, mas se ela tivesse que admitir isso, falando em alto e bom tom para Emma, aquilo seria o fim. Não iria mais existir Emma e Regina, melhores amigas há vinte anos e para sempre. Elas passariam a ser Emma e Regina, amantes com um término em potencial.

 

...

 

Após seu almoço com Rose, o resto do dia no escritório pareceu passar depressa, embora em alguns momentos tivesse parecido arrastar-se, especialmente uma hora antes de ir embora. Ela ficou balançando o pé furiosamente sob a mesa enquanto só pensava em ir para casa. Ela não conseguia manter sua mente focada no livro à sua frente, relendo o mesmo parágrafo três vezes antes de perceber que já havia lido aquilo. Quando o ponteiro finalmente marcou cinco da tarde, Regina saltou da cadeira e passou quase correndo por seus colegas, acenando e desejando-lhes boa noite só por educação; ela não dava a mínima para a noite delas, na verdade.

Pareceu uma eternidade até estacionar o carro na garagem do prédio, rapidamente reparando que o carro de Emma já estava lá. Ela não pôde evitar a onda de felicidade que a invadiu ao saber que Emma já estava em casa.

Regina estava incrivelmente impaciente naquela hora. O elevador estava devagar demais e subia lento demais para seu gosto.

Ela correu o mais rápido que seus pés calçados por saltos permitiram, o que acabou sendo apenas uma série de passos mais apressados. Ela custou a achar as chaves dentro da bolsa, e xingou aquele trambolho enorme. Esse era o problema com bolsas grandes, ela pensou. Você pode jogar qualquer coisa lá dentro, mas nunca vai achar quando você mais precisar.

Finalmente, ela conseguiu abrir a porta e encontrou Emma andando pela sala em um par de jeans e uma blusa de flanela.

— Oi,—  ela cumprimentou e Emma respondeu com um grande sorriso, andando até ela para beijar sua testa.

— Como foi seu dia?—  A loira perguntou enquanto a segurava em um abraço.

— Foi OK. O trabalho foi tudo bem, e eu almocei com Rose, o que foi um pouco complicado.

— O quê? Por quê? O que Rose falou?—  Perguntou, com sinceridade.

— Nada do que eu já não saiba,—  ela respondeu e Emma assentiu, compreendendo.

— Ainda bem. Agora, trocar de roupa, tenho uma surpresa pra você.

— Como assim?

— Você ouviu. Vá colocar um jeans e uma camiseta.

— O que vamos fazer?—  ela perguntou indo para seu quarto, Emma a seguindo. Ao entrarem, Emma deitou-se na cama e espreguiçou-se, espalhado sobre o colchão, com um braço repousado sob sua cabeça. A pose e o filete de pele que se expunha toda vez que ela inspirava atiçavam Regina.

— Você vai descobrir já, já.

— Aonde nós vamos? —  Regina perguntou ao remover os saltos e a calça social. Emma assistia da cama enquanto ela colocava um jeans surrado.

— Você verá,—  ela replicou, sorrindo provocador e vendo Regina desabotoar sua camisa.

— Sério, o que nós vamos fazer? Estou muito cansada.

— Você verá,—  Emma respondeu novamente, dessa vez abrindo e fechando um isqueiro Zippo com sua mão direita.

— Por que está com um isqueiro?—  ela indagou, parada diante de Emma esperando sua próxima coordenada.

Você vai ver,—  Emma sorriu e pegou sua mão para saírem do quarto.

— Emma, pra onde estamos indo?—  ela insistiu na pergunta, e viu Emma pegar uma mochila do chão perto da porta da frente.

— Para o terraço. Tenho uma surpresa pra você.

Regina mordeu o lábio para suprimir um gritinho fino. Nenhuma pessoa jamais havia feito nada desse tipo para ela. Nenhum homem  ou mulher jamais havia feito surpresa alguma para ela. Nenhuma dessas pessoas jamais comprou-lhe jóias também. Emma estava em um patamar só dela.

No terraço do prédio, Emma havia estendido um cobertor no chão e posto dois baldes de metal ao lado, um delas cheio de água.

— O que é isso?—  Regina perguntou, e Emma sorriu ao sentar-se no cobertor, ajudando-a a sentar-se, em seguida.

— Você verá,—  respondeu ela mais uma vez, tirando de dentro de um dos baldes um pote de plástico retangular fechado.

— Pare de falar isso,—  ela protestou e Emma riu, passando o pote para ela. Regina pegou, desconfiada, e abriu a tampa, achando estranhas varetinhas coloridas dentro do recipiente.

— O que são essas coisas?—  perguntou, e Emma sorriu.

— Velas estrelas,—  ela esclareceu, pegando uma e acendendo. As pequenas fagulhas brilharam por alguns segundos antes de apagar lentamente. Emma rapidamente jogou a vareta que ainda queimava no balde com água.

— Está falando sério?—  Regina perguntou e Emma apenas riu levemente, acendendo mais um e mergulhando-o na água após queimar.

— Estamos comemorando,—  Emma anunciou e Regina apenas a encarou, confusa.

— Comemorando o quê?

— O fim do nosso jogo, —  Emma respondeu, e retirou o gorro das letras de dentro da mochila.

— Do que você está falando? Ainda tem doze letras pela frente.

— Nós não precisamos mais delas,—  Declarou, jogando dentro do balde vazio os pedaços de papéis que restavam.

— Isso é sério?—  Regina inquiriu enquanto a amiga pegava outra vareta do pote de plástico.

— Sim,—  falou ela, acendendo a vela estrela.

— Espere aí!—  Regina o interrompeu quando ela estava prestes a jogar a vareta ainda acesa dentro do balde com as letras.

— Por quê?

— Tem certeza disso, Emma?

— Absoluta,—  Emma afirmou mais uma vez, abaixando a velinha que estourava estrelinhas dentro do balde, porém Regina agarrou sua mão e a forçou a mergulhar na água. — Regina?—  Questionou e virou-se para encará-la.

— Eu... eu acho que não devíamos acabar com o jogo tão rapidamente assim.

— Mas nós não precisamos mais disso, Regina,—  Emma falou, em voz baixa e Regina assentiu.

— Eu sei que não, mas acho que devemos terminar essa brincadeira da forma certa, apenas para solidificar o encerramento.

— Como assim?—  ela perguntou, o verde de seus olhos parecia apagado, partindo o coração de Regina ao meio.

— Usaremos duas letras, nós podemos escolher. Podemos ver em todos os papéis e decidir qual pegar. A gente joga como deveria ser, em um sábado, porém não precisa ser exatamente como era antes.

— Ainda não estou compreendendo, Regina,—  Emma reclamou.

— Eu quero te mostrar, eu preciso te mostrar aquilo que eu não consigo falar,—  Regina respondeu e Emma finalmente entendeu o que ela estava querendo dizer. Regina quase pôde ver a ficha caindo dentro dela.

— Eu te amo, Regina.

— Eu... eu-... —  ela gaguejou, mas Emma a interrompeu.

— Tudo bem, qual letra você quer pegar? —  ela indagou, e apesar de parecer chateada, Regina sabia que Emma ficaria de bem com esse acordo.

— Quero a letra I,—  ela respondeu, pegando Emma de surpresa.

— Por que I?

Você verá,—  Regina provocou, fazendo Emma rir, e de repente a tensão que havia crescido desde a manhã começava a se dissipar, lentamente. Regina sabia que o alívio era apenas temporário, mas ela iria aceitar o que recebesse.

— E qual letra você quer? —  ela perguntou, e Emma sorriu.

— Todas que sobraram,—  ela começou e Regina bufou, rolando os olhos. — Porém,—  continuou, — Vou ficar com a letra X.

— X? Por que você iria querer o X?

Você verá,—  ela respondeu, fazendo Regina rolar os olhos novamente.

— Ok, então neste sábado será a sua vez, e no próximo será a minha,—  Regina afirmou e Emma sacudiu a cabeça.

— Não, você faz a sua letra neste sábado, e eu farei no próximo,—  Emma explicou e Regina o encarou, incrédula.

— Por quê?

— Porque se tivéssemos continuado a jogar como antes, eu teria ficado com a última letra.

Regina assentiu e começou a procurar entre os papéis até achar a letra I, porém não conseguira achar o X.

— Não achei o papel do X,—  ela informou a Emma, e ela assobiou, desviando o olhar.

— Há quanto tempo você está segurando essa letra?

— Desde o início do jogo,—  Emma confessou e Regina ficou boquiaberta.

— Você é um trapaceira suja, Emma Swan! 

Emma deu de ombros e colocou todos os pedaços de papel desdobrados de volta no balde de metal vazio, acendendo uma das velas estrela.

— Quer fazer as honras da casa? —  Emma perguntou a ela, entregando-lhe a velinha que expelia estrelinhas em fagulhas quando ela assentiu. — Faça um brinde.

— Ahmmm...—  Regina lutou para achar algo a dizer até finalmente conseguir.

— Ao fim do que nós éramos, e ao início do que vamos começar a ser. À nós,—  Ela falou, jogando a vareta flamejante dentro do balde. As pequenas centelhas alcançaram um dos papéis e o colocou em chamas, causando um efeito dominó no resto dos pedaços.

À nós,—  Emma reafirmou, puxando Regina para um beijo. — Esperarei o tempo que for necessário para ouvir aquelas palavras,—  ela sussurrou no ouvido da morena enquanto a segurava contra seu peito.

— Elas virão, eu prometo. Isso é tudo muito novo para mim,—  ela explicou.

— Eu sei disso, Regina.

Regina virou-se e sorriu para Emma. Vendo o sorriso dela em resposta, Regina puxou seu rosto para um outro beijo, e exatamente como na noite anterior, as duas deitaram-se e, nos braços uma da outra, ficaram a se beijar, internamente rezando para que aquela sensação jamais terminasse.


Notas Finais


Essa Regina é tão burrinha, pelo amor de Deus kkkkkk
Gente, logo a fic acaba e a gente entra em abstinência desse casal tão gostosin rs

Alguém tem algum palpite para o que ambos vão fazer com as letras? E essa Emma safadinha já com o X a séculos guardad sksksksksk

Entrem no grupo do ZIP ZOP ZUM pfvr, vamos conversar ♥

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