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História Alta Fidelidade - Capítulo 15


Escrita por: MissQueenBee

Notas do Autor


Amores, hoje tem mega capítulo 👀

Tá um pouco grande, mas eu acho que tá valendo a pena pq tá só o surto kkkk

Vamos ler e roer as unhas.

Capítulo 15 - Dias nublados


Fanfic / Fanfiction Alta Fidelidade - Capítulo 15 - Dias nublados

Ainda trazia na memória cada minuto do dia em que esteve no parque Everlast com o pai.  O pequeno Hyungwon, tão alegre e cheio de vida, corria pelo lugar, desviando de adultos, crianças e  brinquedos, enquanto o pai caminhava atrás dele o observando de longe.  Chegou ofegante na casa dos espelhos e dava pequenos pulinhos, apontando para a entrada em uma súplica graciosa ao pai, mas a ansiedade em conhecer aquele espaço o levou a correr para dentro sem sequer esperar uma resposta formal do mais velho.

Nessa parte do sonho, Hyungwon, agora adulto e deitado na cama de Hoseok, se mexeu agoniado, mas nem isso foi suficiente para despertá-lo, então voltou ao sonho e tudo à frente dos pequenos olhos infantis do florista estava na mais absoluta escuridão, mas assim que a retina se acostumou ao ambiente, ele pôde ver algumas luzes direcionadas aos muitos espelhos em seu redor. Sorria dando voltas de braços abertos, embora vez ou outra um de seus reflexos distorcidos o assustasse, mas logo ele retomava a brincadeira e esquecia o medo de poucos segundos atrás, graças à curta memória infantil. Prosseguiu girando com os olhinhos fechados até que os braços abertos bateram no peito de alguém. Parou de imediato e ao virar, se apressou em pedir desculpas conforme a educação que seu pai havia lhe dado. O corpinho miúdo congelou. Atrás dele havia uma outra criança. Tinha a mesma altura, a mesma cor de cabelos, os mesmos lábios e por alguma estranha razão, o mesmo rosto.

Ahhhhhhh —  as duas crianças gritaram.

Foi quando Hyungwon abriu os olhos para a realidade. O grito dele e de seu pequeno sósia misturou-se ao som da trovoada no lado de fora e então ele se viu outra vez na casa confortável de Hoseok, lugar onde vinha se hospedando desde a morte do pai, há quase um mês.

Sonhar com os dias da infância se tornou rotina, mas aquele em que esteve na casa de espelhos foi muito mais do que um sonho, foi mais como uma lembrança, uma daquelas esquecidas nos lugares mais ocultos da mente e que só voltam em momento oportuno. 

Eu vi, papai! Eu não sou mentiroso. Lá dentro tinha um menino igual a mim. 

Hyungwon, agora acordado, ouvia seu pai lhe dizer enquanto o puxava pelo braço. 

Pare de falar essas coisas! As pessoas podem te ouvir. Você estava em uma casa de espelhos. A pessoa que viu…

Lembrou que antes de terminar a fala, o pai fez uma pausa.

...a pessoa que viu era você.

Hyungwon pôs a mão no rosto e repetiu baixo na cama:

— A pessoa que vi… era eu.

A frase do pai poderia ser interpretada de uma única forma e ele bem que tentou fazê-lo acreditar que a outra criança era mais um de seus reflexos, mas Hyungwon sabia que não e ao hesitar antes de dizer, o mais velho acabava deixando sinais, ainda que confusos. Logo percebeu que após a morte do pai, seus sonhos vinham sempre lhe contar um pouco mais sobre detalhes importantes de sua vida que deixou passar, mas ele não sabia até que ponto isso poderia ser bom.

Virou-se na cama e vendo Hoseok dormindo ao lado, se arrastou manhosamente embaixo dos lençóis até chegar próximo dele. Não foi tão simples, mas levantou o braço pesado do médico e colocou por cima da cintura, depois, deitou a cabeça na altura do peito nu do alfa e o abraçou.

— Humm… — Hoseok gemeu se movendo devagarinho. — Está tudo bem? — perguntou com voz de sono.

— Agora, sim. — respondeu, deixando as lembranças do sonho para trás.

No topo da cabeça loira, Hyungwon sentiu um beijo.

— Você chegou tarde ontem.

— Um ômega gestante passou por uma cirurgia de emergência e precisei assinar as autorizações necessárias da transferência do feto para o útero artificial. Como sou o coordenador da pesquisa também acompanhei o processo.

— Eles estão bem? O ômega e o bebê?

Hoseok suspirou e disse:

— Vão ficar.

— E vai ser sempre assim? — o florista dizia, fazendo desenhos com a ponta dos dedos no peito do alfa.

— Assim como?

— Um dia socorrendo homens feridos na estrada e no outro salvando bebês indefesos?

— Olha… eu confesso que a minha vida não era tão agitada assim antes, mas… isso é ruim?

— Não. — Hyungwon inclinou a cabeça para cima, encarando Hoseok. — Na verdade, fico feliz em saber que estou dormindo ao lado de um herói. — concluiu, depositando um beijo carinhoso na boca do outro. 

Se afastou devagar, vendo Hoseok o observar de volta admirado, segurando firme entre os dedos os fios claros de seus cabelos. O ômega carregava nos lábios um sorriso discreto de quem sabia estar perdidamente apaixonado pelo alfa mais sexy e bem sucedido da cidade. Pelo menos, era dessa forma que Hyungwon via Hoseok e ele não estava de todo errado.

Em volta do corpo, o florista sentiu aquele abraço forte capaz de quebrar cada parte de seus ossos, mas apesar do corpo extremamente atlético e intimidador, nos olhos do alfa havia apenas gentileza, compaixão e carinho. No toque de suas mãos tão acostumadas aos esforços contínuos de longos treinamentos, Hyungwon sentia apenas a delicadeza expressa na ponta dos dedos que corriam de forma suave a extensão de seu braço, lhe causando arrepios.

— Eu não sou herói. — respondeu baixinho, acariciando o belo rosto do ômega. — Quando penso sobre algumas das minhas atitudes, até me considero um pouco vilão. 

— Ninguém é totalmente bom ou mau. — respondeu, subindo pelo corpo de Hoseok. — Às vezes penso que é como se houvesse duas versões de nós mesmos.

As palavras surpreenderam o alfa e ele respirava fraco, tentando se concentrar nos pequenos sinais que Hyungwon dava ao dizer aquilo.

— Se quer saber, Doutor. Eu já estive frente a frente com a minha outra versão. — debruçou-se completamente sobre ele. — Eu o vi diante de mim, em carne e osso.

— Hyungwon…

Tentou saber mais sobre o que ele falava, mas a tarefa se tornou impossível, visto que o ômega, sentado em seu colo, se movia lento sobre ele, despertando as vontades que ele vinha controlando desde o dia que o trouxe em sua casa pela primeira vez.

— Mas hoje, quando penso sobre esse dia, eu não saberia te dizer se aquele outro eu era a minha parte boa… — apoiou as mãos sobre o colchão, vendo a cabeça de Hoseok entre elas, olhando fixamente para ele. — ...e menos ainda se o que você vê agora é a minha parte ruim.

Houve um curto silêncio.

Hoseok respirava tão forte que no silêncio do quarto era possível o ouvir ofegante e sem palavras. Os olhos de Hyungwon o desafiava a entendê-lo, a desvendar seus segredos, tornando todo o ambiente ainda mais excitante.

— Não importa qual parte de você eu tenho na minha cama agora, Hyungwon. — Hoseok finalmente disse, subindo as mãos pelos braços do ômega. — Independente disso, eu sei que me apaixonaria por qualquer versão de você.

O coração do ômega disparou no peito. Ao ouví-lo dizer aquilo, se via tão impactado pela força daquelas palavras que o desejava mais agora do que antes.

— Você sempre sabe o que dizer. — o florista sussurrou, ainda o olhando de cima. — Como se me conhecesse de toda a vida.

— E talvez eu conheça. — respondeu no mesmo tom.

— Se me conhece… — inclinou até perto do ouvido dele e falou baixinho. — É capaz de adivinhar o que eu quero agora?

Hoseok esboçou um meio sorriso. Percebeu naquele olhar que Hyungwon finalmente estava pronto. Desceu as mãos pela cintura fina e a apertou o encarando.

Hyungwon há muito tempo vinha desejando Hoseok e dormir ao lado dele todas as noites se tornava uma tarefa árdua. Sabia que desde o dia em que revelou não ter experiência, Hoseok não tentaria mais nada, mesmo que os dois estivessem sozinhos no apartamento luxuoso do médico. O homem na cama possuía uma natureza íntegra e prometeu esperar por ele, então se algo tivesse que acontecer entre os dois, a iniciativa deveria ser totalmente sua. Tirou a blusa branca e larga que usava para dormir, expondo o peito visivelmente mais magro que o de sua companhia e enquanto fazia isso, sentiu Hoseok deslizar as mãos pelas suas coxas dobradas, alcançando o cós da bermuda para logo em seguida, baixá-lo até certo ponto.

Apesar da timidez momentânea em ter o pênis exposto por Hoseok, apenas o toque das mãos o fizeram esquecer de absolutamente tudo. O ômega debruçou o corpo sobre o outro e sugava delicadamente o mamilo naquele peito duro ao mesmo tempo em que sentia os primeiros movimentos das mãos do alfa. Hoseok o tocava, massageando o pau dele em movimentos constantes e fazia isso tão bem que Hyungwon mal conseguia se concentrar em lhe devolver o estímulo. Apoiou a testa no tórax do alfa e fechava os olhos, gemendo baixinho com a sensação extasiante em ser masturbado pelo homem sexy abaixo dele. Levantou enfim a cabeça e olhou para ele, subindo devagar sobre o seu corpo musculoso. Tocou os lábios dele com o seu, mas não conseguiu manter o beijo por muito mais tempo, gemeu na boca do alfa com a sensação do gozo que se anunciava a cada vez que Hoseok descia e subia com as mãos meladas. Pôs a boca na altura de um dos ouvidos do médico e lhe disse com dificuldade:

— Eu não tenho experiência. — apoiou a cabeça no ombro do alfa. — Não vou conseguir segurar por muito tempo.

— Então não se segure. — Hoseok respondeu, pegando na nuca do ômega com a única mão livre. 

Quando ouviu Hoseok sussurrar essas palavras, Hyungwon mordeu de leve o ombro do médico e alguns segundos depois, sentiu o corpo se esvaziar aos poucos de seu prazer. Ainda não sabia como dominar os desejos do próprio corpo, por isso a vergonha por ter gozado tão rápido o atingiu em cheio.

Hoseok ao perceber o rosto do ômega afundado em seu pescoço, sorriu pelas costas dele e forçando o corpo para cima, se pôs sentado na cama, fazendo com que Hyungwon, em seu colo, o encarasse com o rosto ruborizado pela timidez. Juntou as mãos em cada lado do rosto dele e o beijou na testa suada, repleta de fios dourados. A boca desceu pela extensão do nariz e então para uma das bochechas, até chegar à boca carnuda.

O beijo apaixonado foi trazendo Hyungwon de volta, pois cada vez que sentia a língua de Hoseok lhe invadir a boca, esquecia-se um pouco da vergonha. Jogou a cabeça para trás, pedindo por mais daqueles lábios no restante do seu corpo e assim Hoseok o fez, descendo com a língua pelo pescoço até se curvar e alcançar a parte sensível de seu peito. Com o estímulo nos mamilos, Hyungwon viu o corpo reagir outra vez, voltando ao estado de princípio, quando Hoseok havia o feito gozar tão facilmente. Dessa vez, queria prolongar um pouco mais essa sensação e dar a Hoseok a mesma oportunidade de prazer, pois podia perceber a ereção dele no meio da sua bunda e por  mais que inconscientemente estivesse adiando esse momento, mal podia aguardar pelo momento em que teria aquele alfa totalmente dentro de si.

Ao sair do colo de Hoseok, Hyungwon apoiou os joelhos na cama e aos poucos foi descendo o short pelas pernas até que nada mais pudesse ocultar a sua nudez. Fazia isso sob o olhar atento de Hoseok, que surpreso, viu seu short ser retirado pelo mesmo ômega que, há poucos minutos, sufocava de vergonha em seu ombro. Para o alfa, Hyungwon era uma caixinha de surpresas e carregava com ele uma dualidade hipnótica. Tinha a medida certa de graciosidade e ousadia e isso ficava cada vez mais perceptível na cama. Talvez quisesse mostrar um pouco mais de atitude e assim fazer com que ele esquecesse de sua falta de experiência, mas nada disso importava para o médico, tudo o que Hoseok queria era sentir Hyungwon por dentro.

Voltou dos pensamentos com o som da chuva batendo na janela lá fora e a boca de Hyungwon engolindo o seu pau dentro do quarto. As mãos estavam apoiadas no colchão, as pernas grossas e definidas esticadas sobre os lençóis, a cabeça do ômega afundava no meio de suas pernas e ele fazia aquilo tão bem e de um jeito tão gostoso que se todo aquele esforço era para não parecer inexperiente, ele estava conseguindo. 

Hoseok contraia os pés, e dobrava de leve as pernas, apertando os lençóis entre os dedos, tamanho o tesão que Hyungwon lhe provocava em uma simples chupada. A visão do corpo do ômega esticado e deitado sobre a cama entre suas pernas estimulava o alfa de uma maneira doentia.

— Acho que… — ofegava. — ...você tem outros talentos além da pintura, Hyungwon. — disse com dificuldade. — Olha pra mim.

A mão do alfa tocou o rosto do ômega.

— Não sinta vergonha. Apenas olhe pra mim enquanto me chupa.

O pedido direto e descarado poderia intimidar o belo florista, mas receber a ordem de Hoseok foi surpreendentemente prazeroso. Então, Hyungwon fez o que qualquer ômega faria se estivesse na cama com aquele alfa. Ele apenas obedeceu. Levantou os olhos até alcançar os dele e continuou o que estava fazendo agora com mais desejo que no princípio, porque olhar para as reações de Hoseok durante aquele ato era também se descobrir capaz de satisfazê-lo e essa era a maior preocupação de Hyungwon no momento.

— Você é lindo, Hyungwon. — Hoseok disse, puxando de leve o ômega pelos cabelos. — Não está nem perto do seu próximo cio e é capaz de me deixar louco desse jeito.

O corpo do alfa cresceu sobre o de Hyungwon e ele soltou o pau de Hoseok com a boca fazendo um pequeno estalo. Foi gentilmente colocado de costas sobre os lençóis remexidos na cama e Hoseok o olhava de cima. Recebeu das mãos fortes de seu alfa carinho e dos lábios um sorriso.

— Tem certeza que quer fazer isso comigo? — Hoseok perguntou baixinho, alisando os cabelos loiros do ômega. 

Hyungwon apenas balançou a cabeça em afirmação e o vento forte trazia mais chuva.

Os dois se olhavam em silêncio, ignorando a tempestade do lado de fora. Viviam no presente, em seu próprio mundo e nem mesmo a tormenta à volta deles seria capaz de atrapalhar esse momento tão perfeito em um dia tão imperfeito.

— Me espere aqui.

Hoseok saiu da cama e foi até a suíte.

Deitado na cama, Hyungwon observava o médico caminhar com seu corpo nu até um armário e ao retornar, trouxe com ele um tubo pequeno e algumas camisinhas. O coração disparou de imediato. Antes, estava deitado de costas, mas assim que sentiu a cama afundar atrás de si com o peso do corpo de Hoseok, Hyungwon se virou, olhando para a janela na parede oposta, ficando de lado, envergonhado demais em ousar ver o alfa se preparar para a conclusão do ato. De repente, sentiu algo gelado em sua entrada. Não se assustou, sabia que eram os dedos de Hoseok umedecidos com o gel lubrificante. Afundou o rosto nos lençóis, sentindo uma pequena amostra do prazer que viria, pela forma como sutilmente os dedos do alfa entravam em seu buraco inexplorado. Ouvia a respiração irregular de Hoseok em concordância com a sua e a chuva forte do lado de fora. Não diziam nada, apenas sentiam e conforme os dedos do alfa o exploravam por dentro, mais difícil ficava de conter os gemidos.

— Hoseok… — ofegava. — Eu… eu não quero chamar a atenção dos vizinhos. — apertava o braço dele.

O médico sorriu.

— Não se preocupe com isso. O andar é todo meu. Além disso, está chovendo tão forte lá fora que ninguém vai te escutar gemendo aqui dentro.

Ao dizer aquilo, Hoseok se deitou atrás de Hyungwon, cheirou a nuca dele e a beijou.

— Vamos fazer assim… de ladinho. — sussurrou ao pé do ouvido. — E quando estiver mais à vontade, podemos tentar outras posições.

Hyungwon concordou ainda sem olhar para ele.

— Eu vou colocar bem devagar e você pode bater na minha coxa com a sua mão se eu estiver machucando.

Mais uma vez, Hyungwon apenas balançou a cabeça.

— Agora, olha pra mim.

— Não posso. — disse envergonhado.

Hoseok sorriu, pois para ele, Hyungwon ficava ainda mais desejável com toda aquela timidez. Passou o braço por cima do corpo dele e segurando no queixo com a mão, fez seu rosto se virar para ele.

— Eu só quero um beijo. Pode me dar isso?

Hyungwon não resistiria a um pedido como aquele. Mordeu os lábios e de olhos fechados beijou Hoseok. Não podia evitar ficar tão perto daquela boca e nem queria negar o prazer de sentir aquele beijo, pois era a maior e a melhor sensação que ele teve na vida. Quando os lábios se tocavam e suas línguas se invadiam, era como trazer para a terra uma pequena parte do paraíso, talvez por isso Hyungwon não teve medo quando durante o beijo, sentiu no corpo os primeiros sinais da investida de Hoseok. Apenas permaneceu com os lábios grudados no dele, percebendo a respiração do alfa cada vez mais intensa enquanto ele o invadia pouco a pouco, forçando o corpo dele contra a sua bunda. Sentiu um desconforto mínimo conforme ele o penetrava e até pensou em pedir que ele parasse a princípio, mas não queria. Virou o rosto para frente e viu a chuva batendo na janela e aquilo lhe pareceu tão poético, por isso sorriu, sorriu sentindo as mãos de Hoseok apertarem o seu peito, e seus dentes a mordiscar o lóbulo da orelha. A música que dançou com ele há alguns dias tocava dentro de sua cabeça, ouvia cada refrão com tanta clareza que pensava se ele também conseguia escutar e assim a música funcionou como trilha sonora não para uma última dança, mas sim, para aquela primeira vez. No momento em que Hoseok o penetrou por completo, o som da trovoada ocultou seu gemido, tão alto, tão forte e ao mesmo tempo tão apaixonado. 

— Eu te machuquei? — o alfa perguntou preocupado.

— Não… por favor, continue.

Hyungwon apertou a bunda de Hoseok para que ele continuasse, na verdade, queria que ele fizesse ainda mais forte, para que a sensação extasiante na próstata se prolongasse por mais tempo.

Hoseok só podia obedecer, pois também experimentava uma das melhores sensações na vida. Hyungwon era tão apertado e quente por dentro que fazia toda aquela espera por ele valer a pena. Tinha certeza na união de seus corpos que a conexão entre eles era muito mais do que física. Conhecia o corpo de seu ômega como se fosse da vida inteira e sabia como satisfazê-lo sem que ele precisasse pedir. Cada pedaço da sua carne, de seu ser, de sua alma, estava entregue a Hyungwon agora, sentia-se totalmente dele e de mais ninguém.
A memória afetiva de Dakho seria uma constante, sabia disso e não pretendia apagar, mas Hyungwon era único, uma forma de vida singular e que conseguiu conquistá-lo de tal maneira que apenas agora, naquele instante de prazer compartilhado sobre a cama, ele se sentiu vivo outra vez depois de tantos anos.

— Hyungwon… — sussurrou ofegante no ouvido de quem o recebia. — Fica comigo, aqui, pra sempre.

O ômega fechou os olhos, sentindo as lágrimas de felicidade descerem lentas pelo rosto. Apertou a mão de seu alfa tão amado e escutou ele ainda dizer:

— Não me deixe… — Hoseok falou baixo, apertando seu corpo contra o dele para em seguida, estremecer pela sensação do orgasmo.

Hyungwon vivia agora toda a plenitude daquele sentimento inesperado. Hoseok prosseguia tocando o seu corpo e o punhetando para que gozasse uma segunda vez. O ômega soltou um novo gemido e a porra quente esguichou para longe, lhe enfraquecendo as pernas. Tão logo voltou a si, após o completo êxtase, se virou para o alfa, o beijando por um longo tempo. Abraçado a ele, deitados naquela cama, não queria mais se afastar e se pudesse, viveria o resto da vida morando naquele abraço.

— Você ainda não me respondeu. — Hoseok dizia. — Fica comigo, Hyungwon. — olhava profundamente para os olhos emocionados do outro. — Entrega aquela casa e vem viver comigo. Eu pago as multas rescisórias. — sorriu ao ver Hyungwon também sorrir com aquele pedido. — Eu prometo que te levo todos os dias à floricultura, como tenho feito nesses últimos dias. 

Hyungwon deu uma gostosa gargalhada e acariciou o rosto do alfa.

— Quer mesmo ficar comigo?

— Você me faria o homem mais feliz do mundo se aceitasse vir morar comigo.

— Você é completamente louco.

— Talvez… mas se tem uma coisa que aprendi nesses últimos anos é que precisamos viver cada minuto como se fosse o último. Eu quero você, não tenho dúvidas disso, então pra que esperar? Eu não quero mais esperar.

Hyungwon tinha o coração acelerado no peito. Sondava a sinceridade daqueles olhos suplicantes e apesar de parecer uma completa loucura ou uma decisão tomada após uma foda bem feita, Hoseok já havia lhe provado o quanto era parceiro e que estaria ao lado dele em qualquer situação. Aceitar o convite era um grande risco, mas um risco que ele estava disposto a correr.

— Eu aceito vir morar com vo… — sequer terminou de falar, Hoseok subiu sobre seu corpo, beijando o seu rosto em todas as partes.

Os dois se divertiam compartilhando aquele momento de total felicidade e ainda tiveram disposição para se amarem uma vez mais, antes de Hyungwon cair sonolento na cama, cansado pelo esforço do sexo.

Algumas horas depois, Hoseok o observava pelo reflexo no espelho, abotoando a camisa social, ora feliz pelo que acabava de viver, ora culpado em saber que ainda escondia do ômega a verdade sobre sua semelhança com Dakho. A mentira devia acabar ali. Estava decidido a contar a verdade a ele hoje. Tinha a obrigação de ser honesto com Hyungwon antes da mudança e também precisava trazer de volta a empregada a quem forçou as férias para que não visse Hyungwon.

Chegou próximo do ômega, deitado nu sobre a cama com os lençóis enrolados no corpo bonito. Beijou a testa de Hyungwon e ele despertou suavemente.

— Eu preciso ir até a clínica.

— Mas hoje é domingo. — Hyungwon respondeu com voz de sono. 

— Eu sei, mas até que a bebê Sarang nasça na próxima semana, eu terei que ficar à disposição daquela família bizarra. Quando eu voltar, vamos fazer pipoca e assistir filmes na cama.

— Posso escolher o filme?

— Hyungwon, não vamos assistir Diário de uma paixão outra vez. 

— Eu odeio você.

— Eu sei que não é verdade. — beijou o ômega.

Com a despedida, Hoseok deixou o quarto e Hyungwon voltou a dormir. Para o ômega, a noite não aguardava mais que filmes e pipoca e talvez, um pouco mais de sexo, mas para Hoseok, ainda havia a conversa definitiva, aquela que ele relutou tanto tempo em ter, mas que não suportava mais evitar.

★★★


— Não pode ser. — Jooheon disse olhando por cima das cartas de baralho que tinha na mão.  — Você está me roubando, Minhyuk.

— Como poderia estar te roubando? — ele respondeu segurando as cartas dele.

— Não é possível que em todas as rodadas você sempre fique com as melhores cartas.

Minhyuk sorriu.

O casal se distraía naquele domingo chuvoso, sentados na cama de um dos quartos da clínica, jogando baralho para passar o tempo. A mesa removível onde Minhyuk fazia as refeições se tornou uma mesa de jogos e pelo menos por algumas horas, os dois conseguiram esquecer o tormento do dia anterior.

— Senhor Lee Minhyuk. — uma enfermeira disse, interrompendo o jogo. — Tem visita pra você.

Jooheon desceu da cama e se virou para a direção da porta, assim como Minhyuk olhou apreensivo para ela. A tensão se devia ao medo de que Jaemoon aparecesse no lugar, mesmo Jooheon tendo sido enfático sobre em nenhuma hipótese deixar que um homem com as características dele se aproximasse do quarto. A polícia ainda o procurava e até que conseguissem prendê-lo de novo, nem Jooheon, nem Minhyuk ficariam em paz. 

— Aí está você!

Minhyuk sorriu largo.

A sogra surgiu na porta estendendo seus braços para o ômega e assim que chegou mais perto, o abraçou com o carinho de mãe que ele nunca teve.

— Ficamos preocupados com você. — o pai de Jooheon disse, logo atrás da esposa.

— Queríamos vir ontem mesmo, mas você não podia receber visitas. — ela completou.

— Está tudo bem. O importante é que estão aqui. — disse, recebendo um beijo afetuoso da sogra no topo da cabeça. — Onde estão Dylan e Yujin?

— Não deixam entrar mais que duas pessoas por vez. — Ah-ri justificava. — Por isso eles ficaram lá embaixo com Jeon-Su.

— E como ele passou a noite? — Jooheon perguntou aos pais.

— Ainda enjoadinho por causa do dente, mas vai ficar bem. Não se preocupe com isso agora, meu filho. Dê atenção a Minhyuk e ao novo bebê. Cuidaremos do seu filho mais velho até que você volte pra casa.

— Você também está muito machucado. — o pai de Jooheon disse, chegando mais perto dele e analisando suas feridas.

— Eu também me machuquei quando me joguei contra o corpo do Minnie. Nós dois caímos na calçada. Eu contei como foi, papai. Não me faça repetir.

O alfa queria evitar que Minhyuk revivesse as memórias e sensações de suas dores recentes, mas não havia forma de fazer sua família se dar conta disso sem que o ômega também notasse. Esperava que ao dizer aquilo o pai esquecesse o assunto, mas não foi o que aconteceu e ele tampouco se surpreendeu com a pergunta seguinte, tendo em vista que na família Lee, a ordem era falar tudo o que viesse à cabeça. 

— E quem foi o infeliz que tentou te atropelar, Minhyuk? — Jihoon perguntou indignado. 

— Pai… talvez não seja uma boa hora. O Minhyuk não pode...

— Está tudo bem, Honey. — o ômega interrompeu o namorado. — Na verdade, essa é a hora perfeita para falar sobre isso.

O alfa o encarou um pouco receoso, mas Minhyuk sorriu fraco para ele como se com isso pudesse lhe deixar um pouco mais tranquilo.

— Eu escondi tanto o passado que ele acabou encontrando uma forma de me assombrar. — olhou para baixo, mexendo no lençol. — Eu vou contar para eles, assim como contei pra você. — deu um longo suspiro. — O infeliz, como o senhor bem disse, é meu irmão mais velho. Foi ele que tentou me matar ontem e essa não foi a primeira vez.

Ah-ri soltou um soluço curto e indisfarçável diante da informação pavorosa.

— Eu sei que quando olham para a família linda de vocês, não conseguem sequer imaginar algo como isso.

— Às vezes eu tenho vontade de matar o Dylan. — Jihoon disse baixo.

— Papai!

— Me desculpe, eu só tentei aliviar a tensão e ser engraçado.

— Querido, você não é engraçado. 

Jooheon olhou para Minhyuk, observando os pais discutirem sobre o nível do senso de humor de seu pai e deu de ombros como se dissesse para ele "acostume-se, pois essa é a sua família a partir de agora". Minhyuk sorriu para ele em resposta e esperou paciente os dois concluírem o assunto. No final, ficou decidido que Jihoon realmente não era engraçado.

— Desculpe a interrupção, meu filho. Temos facilidade em nos desviar dos assuntos. Vai se acostumar com isso. — Ah-ri disse com um gracioso sorriso, segurando as mãos de Minhyuk.

— Acho que posso me acostumar. — sorriu de volta para a mais velha.

— Por favor, continue o que estava dizendo.

— Certo… — Minhyuk retomava o raciocínio. — Minha família era totalmente desestruturada e disfuncional. Eu era o único ômega em uma família de alfas e isso me fez ter grandes desvantagens em relação aos meus irmãos mais velhos, principalmente por ser muitos anos mais novo que eles. A minha mãe não me dava muita atenção e meu pai menos, eles nem se gostavam, mas não tinham para onde ir caso se separassem, então viviam juntos na mesma casa, sobrevivendo de bicos que meu pai fazia.

Jooheon olhou para o chão, tentando imaginar outra vez a infância triste e solitária do namorado.

— Eu vivia isolado em uma parte da casa, na companhia de um ursinho de pelúcia que considerava meu melhor amigo e essa talvez seja a lembrança mais importante da minha infância, porque até o dia que Jooheon chegou na minha vida, eu costumava comer acompanhado de um urso de pelúcia para não me sentir sozinho em meu apartamento.

A informação comoveu Ah-ri e ela apertou a mão de Minhyuk um pouco mais forte.

— Meu irmão do meio, Minji, era o mais próximo que eu tive de uma família. Ele não me maltratava e até me defendia do meu irmão mais velho, que eu nunca soube o motivo de me odiar tanto, mas não demorei a entender. — baixou a cabeça e pôs a mão no rosto.

— Minnie, você não precisa continuar.

— Eu quero falar. — limpou o rosto e respirou fundo. — Quando tive o primeiro cio, Jaemoon já tinha voltado do exército há alguns anos e assim que sentiu o meu cheiro pela casa, ficou descontrolado de tal forma que eu precisei me trancar em um dos quartos, tapando os ouvidos para não escutar as batidas desesperadas na porta. Às vezes eu tinha a impressão de que ele poderia derrubá-la a qualquer momento e me fazer algum mal. Eu era só uma criança, não sabia nada sobre o que estava acontecendo com meu corpo, me sentia sujo e culpado por provocar em Jaemoon aqueles tipos de reações irracionais e meus pais nada faziam, porque consideravam que era normal um alfa reagir de tal maneira com o cheiro de um ômega, mesmo que esse ômega fosse o irmão mais novo.

Ah-ri vez ou outra olhava para Jihoon que trazia no rosto sisudo a indignação de qualquer pai diante de uma história cabulosa como aquela.

— Jaemoon se tornava cada vez mais obcecado por mim e meus pais ao invés de puní-lo, puniam a mim. Era eu quem passava dias trancado no quarto sempre que o período do cio chegava. Quando estava em meus dias normais, ele me perseguia, me vigiando na escola e vez ou outra, algum alfa com quem eu fazia amizade na turma aparecia machucado dizendo que um homem vestido com farda do exército os agrediu. Eu sabia que era ele, porque Jaemoon sonhava em ser militar, mas por razões óbvias não conseguiu se manter mais do que os dois anos obrigatórios. Ele acreditava ter algum tipo de poder sobre mim por ser um alfa e mais velho que eu, então me batia constantemente por qualquer mínima coisa que eu fizesse e ele não aprovava. Essa era a forma que ele encontrava de descontar em mim a frustração que sentia por eu não olhar para ele como o meu alfa. — balançou a cabeça como se não acreditasse que sobreviveu a tudo aquilo. — Quando nossos pais morreram viajando para o interior, eu senti como se o chão se abrisse sobre os meus pés. Não pela ausência deles, afinal, nunca foram presentes, mas porque agora, eu tinha quinze e Jaemoon vinte e sete. Ele era responsável por mim e não tinha ninguém que pudesse o impedir de conseguir o que ele queria, nem mesmo Minji, pois depois da morte dos nossos pais, se entregou a bebida de tal forma que isso acabou se tornando a causa de sua morte anos mais tarde.

— E o que fez, meu filho? — Ah-ri perguntou aflita.

— Eu fugi. — olhava para o vazio. — Assim que pude arrumei minhas coisas e fugi. Vaguei por tantos dias na rua, chorando a minha desgraça que só fui procurar por algum amigo semanas depois e com a ajuda de pais de outros alunos, a escola me deu o suporte que eu precisava. Contei a eles tudo o que passava em casa, mostrei as marcas que tinha no corpo das agressões sofridas por Jaemoon e consegui uma medida cautelar contra ele. Isso não foi o suficiente para que o prendessem por muito tempo e ele acabou como um miserável nas ruas, praticando pequenos furtos até ser preso de novo por roubo de carros, pelo que soube ontem por ele. Acabei em abrigos e estudei o máximo que pude para conseguir me colocar em uma boa Universidade e só a partir disso que a minha vida começou a mudar. 

O casal mais velho no recinto parecia impressionado com toda a história. Mal conseguiam expressar qualquer palavra dado o choque com os fatos ali narrados.

— Você é alguém muito forte, meu amor. — Jooheon disse. — E pelo visto, nosso bebê será tão forte quanto você.

Minhyuk sorriu emocionado.

— Agradeço por compartilhar sua história conosco, Minhyuk. — Ah-ri disse acariciando o rosto dele. — Mas essa será a última vez que vai contar isso pra alguém. Nós somos a sua família agora. Não precisa mais reviver esses momentos dolorosos do seu passado.

— É verdade. — Jihoon concordou com a esposa. — Veja a pessoa maravilhosa que se tornou. Agora será pai e está construindo com Jooheon uma nova família. Tudo isso ficou para trás e não se preocupe com aquele maldito. Você não está mais sozinho.

— Obrigado. — respondeu com a voz entrecortada. — Vocês são pessoas incríveis. Eu me sinto realmente feliz por ser parte dessa família.

Ao ser abraçado por Ah-ri, ouviu Jooheon soltar um grito de dor e quando olhou para a direção dele e o do pai, viu o alfa mais novo alisando a parte de trás da cabeça como se tivesse acabado de receber um tapa do mais velho. 

— Que tipo de alfa é você que não consegue sequer proteger o seu ômega? — Jihoon repreendia.

— Pai, eu protegi o Minhyuk, olha ele aí na frente do senhor, são e salvo.

— Por que deixou ele ir ao banheiro sozinho. Viu só o que aconteceu? Ele quase morreu nas mãos do irmão psicopata.

Jihoon falava e Jooheon respondia por cima. Os dois discutiam, um atropelando o outro a cada fala enquanto Minhyuk e Ah-ri assistiam em silêncio a um típico momento dos Lee, debatendo sobre os deveres de um alfa. Em dado momento, olharam-se e começaram a rir da cena patética daqueles dois empenhados em manter um bate boca sem qualquer fundamento e que não levaria a lugar algum e a peleia só acabou com a chegada da médica de Minhyuk que observou um pouco assustada a imagem dos dois birrentos sem classe,  gesticulando muito e falando alto.

— Está tudo bem, Doutora. — Minhyuk amenizou. — É só uma conversa de família.

— Tudo bem. — a médica sorriu um tanto espantada. — Será que podemos falar apenas com você e Jooheon?

— Aconteceu alguma coisa com o bebê? — Jooheon se aproximou da médica.

— Está tudo bem com ele. Eu gostaria apenas de levá-los até o laboratório.

— Isso significa que vamos…

— Sim, vocês poderão finalmente ver o bebê.

Animado, Minhyuk olhou para o alfa ao seu lado.



— Esse lugar é o que chamamos de Laboratório Berçário. — a médica entrou com o casal no pequeno aquário no meio do andar. — Aqui vocês vão encontrar bebês em diversas etapas de gestação. Todos são participantes do programa no qual o bebê de vocês também faz parte agora.

Olhando para todos os lados, Minhyuk e Jooheon observavam curiosos todo o espaço em redor dele. Sentado em uma cadeira de rodas para que não se esforçasse muito, o ômega segurava a mão de Jooheon ao lado dele, enquanto era conduzido por uma enfermeira até o local onde o filho estava. 

— Nosso diretor, o Doutor Shin Hoseok, nos cedeu um dos úteros disponíveis e dada a emergência da situação, fez questão de que fossem informados que nada será cobrado. O bebê de vocês terá toda a assistência da clínica tanto agora como o acompanhamento pediátrico posterior.

— Isso foi muito gentil da parte dele. — Jooheon disse.

— Gostaríamos de poder agradecê-lo pessoalmente. — Minhyuk continuou.

— Terão a oportunidade. Ele inclusive se encontra ali, um pouco mais adiante, mas está tão ocupado com o nascimento da bebê Sarang que infelizmente não poderemos interrompê-lo.

Logo a frente, Minhyuk viu um grupo vestido com roupas sociais em volta de um único totem onde se podia observar um bebê completamente formado, flutuando em líquido amniótico. Quando um dos homens de terno se virou para falar com o outro trajado com uma camisa social no corpo musculoso, se deu conta de quem ele era.  O corte asa delta, a pele levemente amendoada e aquela postura elegante era conhecida.

— Son Hyunwoo. — Minhyuk pensou alto.

— Ah… você o conhece? — a médica perguntou.

— Conheço seu marido.

— Então deve ter sido convidado para o nascimento da filha deles daqui há seis dias.

— Na verdade, se trata de uma relação totalmente profissional. Presto serviços para Yoo Kihyun. Não temos esse tipo de intimidade.

— Ah, compreendo. De qualquer forma, deve saber que eles são os pais da primeira criança  do mundo inteiro a nascer por meio de uma gestação assistida. Son Hyunwoo e nosso diretor estão tratando dos últimos detalhes do evento. Por isso verão as coisas um pouco agitadas por aqui.

Ao ver o grupo conversar perto da criança, fazendo anotações, falando em aparelhos celulares de maneira tão fria, condoeu-se pelo bebê no meio de todo aquele circo criado por ele, mas não para ele. Viu-se tão distraído pela cena que não se deu conta que já estava muito perto de ver o seu bebê e assim que a cadeira parou em frente ao totem, ouviu a médica lhe dizer:

— Bom, enquanto não temos um nome, acho que posso apresentá-lo como o nosso pequeno sobrevivente, bebê Lee. — ela brincou.

Os pais do pequeno bebê Lee pararam diante do totem e se Minhyuk pudesse descrever em uma palavra o momento em que viu sua abelhinha pela primeira vez, ele não saberia o que dizer, porque no instante em que seus olhos bateram naquela minúscula forma de vida ainda em formação, a primeira coisa que fez foi se apoiar em Jooheon para se levantar da cadeira e a segunda, foi tocar a superfície do útero artificial com as duas mãos, chorando copiosamente e profundamente emocionado em ver seu filho pela primeira vez.

Jooheon se unia a ele o abraçando por trás e os dois tocaram juntos o acrílico com carinho como se estivessem acarinhando a sua prole. Minhyuk olhava para a cria e depois para trás, sorrindo para ele. Presenciar aquele sorriso foi o suficiente para trazer de volta a paz ao seu coração, pois agora sabia que seu belo ômega estava bem e feliz outra vez.

★★★


O trovão o despertou. Hyungwon precisou de um pouco de coragem para largar a preguiça do domingo chuvoso e se levantar da cama, mas quando finalmente o fez, caminhou até a janela, enrolado no mesmo lençol onde horas atrás esteve com Hoseok e o tecido ainda carregava o seu cheiro. 

A mão tocou a janela e do outro lado as gotas fortes de uma chuva imoderada davam contra o vidro intensamente, contudo, nem mesmo a força da natureza era capaz de o atingir. Hyungwon estava protegido dentro daquele quarto, dentro da casa onde passaria a viver com seu apaixonado médico que mesmo não se fazendo presente, ainda mantinha sobre ele a sua constante proteção, o deixando seguro como se tivesse asas, tal qual a de um anjo e ao pensar no alfa como criatura celestial, logo lhe veio a vontade de desenhá-lo assim, feito um anjo.

Os pés descalços tocavam o assoalho e a camisa larga de Hoseok tocava o seu corpo nu. Procurava por papel e lápis em cada canto da casa e tinha pressa, pois queria concluir o desenho antes do médico chegar. Depois de algum tempo buscando os materiais e sem obter sucesso nisso, decidiu ir até o único lugar onde ainda não tinha procurado, o escritório de Hoseok, e quando se lembrou disso, pensou que talvez aquele seria o local mais óbvio para conseguir o que queria, e então riu da própria estupidez. 

A porta se abriu com facilidade. Hyungwon deduziu com isso que Hoseok confiava bastante nele, afinal, o computador em cima da mesa devia estar cheio de informações sigilosas a respeito de pacientes e pesquisas relacionadas à famosa clínica onde ele trabalhava ou talvez o médico não considerasse a hipótese de que um dia ele entrasse no escritório, já que vivia há praticamente um mês na cobertura e nunca tinha entrado naquele espaço antes. De qualquer forma, agora estava dentro do lugar e se Hoseok não aprovasse sua inocente invasão, se ver desenhado feito anjo como resultado desse pequeno delito seria o suficiente para absolvê-lo.

Lá estava o conjunto de lápis dentro de um pequeno organizador onde também haviam alguns posts-its e blocos de notas ainda sem uso. A impressora ao lado da mesa trazia na bandeija uma razoável quantidade de folhas, mas Hyungwon precisava apenas de uma. Tomou na mão o papel primeiro e depois esticou o braço para pegar o lápis, esbarrou sem querer em alguma coisa ao lado do teclado e só depois de ter visto o objeto cair no chão que se deu conta de fato da existência dele. Era um porta-retrato. Hyungwon se agachou para colocá-lo no lugar. Foi quando finalmente viu o que nunca imaginou ver na vida e nem Hoseok poderia deduzir tal acontecimento, naquele domingo que começou tão pleno e feliz. 

As mãos de Hyungwon tremiam de uma forma que ele mal podia controlar. O papel na outra mão já estava no chão desde o primeiro instante em que ele bateu os olhos na fotografia e viu Hoseok sorrindo abraçado a um homem que era absurdamente idêntico a ele. Sabia que se tratava de Dakho, não poderia ser outro, os cabelos pretos e longos eram como os do homem no vídeo assistido há poucas semanas, mas os traços no rosto, cada parte daquele homem era exatamente igual a ele, o nariz, os lábios fartos, o jeito de olhar… o sorriso.

— O que significa isso? — Hyungwon conseguiu dizer em meio ao choro. 

Passava os dedos sobre a imagem e as gotas de suas lágrimas caíam sobre o vidro que protegia a fotografia. Não conseguia acreditar no que via. Toda a situação era um grande absurdo. Se perguntava sobre quem era Dakho, mas também lhe vinha à mente a pergunta sobre quem era ele, pois por mais que buscasse entender o que estava acontecendo, o pensar só fazia doer a cabeça e a tristeza lhe doía o coração.

Hyungwon se lembrou das primeiras palavras que trocou com Hoseok quando ele apareceu lhe encarando transtornado na floricultura e ao pensar sobre como ele reagiu fugindo do lugar, tudo começava a fazer um pouco mais de  sentido.

Saiu do escritório pisando forte e chorando muito, quando entrou de volta no quarto, jogou o porta retrato na cama e como louco começava a caçar nos armários e gavetas mais fotos de Dakho. Achou uma pequena porta trancada dentro do closet e forçou a abertura dela com tanto afinco que ao perceber ela ceder, não esperou que abrisse por completo, enfiou a mão dentro do lugar tirando tudo o que estava dentro para o lado de fora e fazia isso chorando tão alto que qualquer pessoa que chegasse no apartamento poderia escutá-lo. Encontrou uma caixa grande e levantou a tampa. Como esperado, diversas fotografias de Dakho sozinho, em festas, passeios e com Hoseok surgiram em pilhas e era por isso que não havia nenhuma em qualquer parte da casa, porque estavam todas escondidas não para evitar desconfortos, e sim para esconder que ele e Dakho eram como cópias fiéis um do outro.

Hyungwon jogou o corpo para trás, encostando na cama. Levou a mão ao rosto, gritando desesperado e confuso. Sentia como se o coração pudesse pular do peito e se morrer de tristeza fosse possível, ele parecia pronto. Nesses meses ao lado de Hoseok, não buscou conhecer o rosto de Won Dakho em nenhum momento, mesmo sabendo que conseguiria informações sobre ele com facilidade na internet, e evitou conhecer porque teve medo de que ao ver o rosto do homem a quem Hoseok tanto amou, acabasse se comparando, mas agora percebia que não havia nada a ser comparado, pois eram exatamente iguais.

Juntou as pernas e abraçou o corpo. Queria respostas para todas as perguntas que surgiam. Tinha dúvidas sobre as motivações de Hoseok ao se aproximar dele, mas também precisava entender como poderia se parecer tanto com Dakho. A vontade era fugir fugir dali, mas esperaria o médico voltar para dar as explicações que ele precisava.

De repente, o som do elevador se fez ouvir. A cabeça de Hyungwon há pouco enterrada nos joelhos se levantou atentamente para aquela chegada. A pessoa a entrar na cobertura não poderia ser outra senão Hoseok e limpando os olhos, Hyungwon tentava voltar a si e criar a coragem necessária para confrontar o alfa sobre a recente descoberta. Assim, andou lentamente até a sala e de cabeça baixa sem coragem de olhar diretamente para o médico.  Quando viu os sapatos sociais por cima do tapete, levantou os olhos analisando as roupas do homem diante dele parado na sala e esse homem definitivamente não era Hoseok.

— Quem é você? — perguntou inseguro. — Como entrou aqui?

Os olhos vermelhos e o rosto angustiado sondavam o invasor.

— Chae Hyungwon.

— Como pode saber meu nome?

— O criador sempre sabe o nome de sua criatura.

Hyungwon abriu os olhos assustados, mas não teve tempo para tentar entender aquelas palavras confusas.  O desconhecido se aproximou dele e estático em seu lugar, Hyungwon sentiu os braços do homem a lhe envolverem. Quis se afastar, mas não conseguiu. As pernas rígidas, fixas no chão não obedeciam aos seus comandos, pois ele sequer se sentia ali, como parte daquele momento. Olhava para fora, vendo a chuva insistente e ela fazia coro às suas tristezas. Não sabia quem era o homem o abraçando, mas se ele estivesse ali para o matar, aquele dia nublado e triste se mostrava propício para a morte. Fechou os olhos e as lágrimas caíram, sentiu uma pressão no pescoço, algo como uma leve picada e então viu o homem se afastar. Na mão dele havia uma seringa e com os dedos apertando o local, Hyungwon encarou o outro.

— Vai ficar tudo bem agora. — a voz do homem se ouvia cada vez mais distante. — Vou te devolver ao lugar a que pertence.

Tudo o que Hyungwon viu foi a imagem do desconhecido embaçar e em poucos segundos não era possível enxergar mais nada. 


Notas Finais


👀


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