1. Spirit Fanfics >
  2. Alteridade >
  3. Vigésimo Segundo

História Alteridade - Capítulo 23


Escrita por:


Capítulo 23 - Vigésimo Segundo


Mesmo que eu não tenha me convencido muito de que Drachen não sabia de nada, decidi ignorar meus instintos e ouvir meu coração. Diversas vezes havia duvidado de sua lealdade e ele me provara por “a mais b” que tudo o que fizera fora sempre visar o meu bem estar. Por isso, achei que seria mais prudente confiar nele. Se ele soubesse de algo, mais cedo ou mais tarde, ele me diria algo sobre o assunto.

Assim que chegamos à Hogwarts, uma carruagem nos deixou na porta e eu desci da mesma de uma só vez. Estava ansioso demais para encontrar Harry e matar toda aquela saudade que eu carregava dentro de mim desde a última vez em que nos vimos. Como já era noite, imaginei que naquela altura todos os alunos estariam jantando no Grande Salão e rumei diretamente para lá, na esperança de encontrar Harry jantando com Ron e Hermione.

Dito e feito, assim que entrei pela porta do ambiente, Harry logo percebeu minha presença e disparou ao meu encontro. Um fogo começou a brotar dentro do meu peito e uma sensação de extrema felicidade dopou todos os meus sentidos. Felizmente, todas as minhas conjecturas sobre ele não gostar mais de mim eram apenas conjecturas.

Sem se importar com todos os outros alunos que estavam à nossa volta, Harry me deu o abraço mais apertado que já dera em todos os meses em que estivemos juntos. Desde como amigos, até o início do nosso relacionamento. Fechei meus olhos e me entreguei ao abraço, sentindo cada minúscula célula do nosso corpo entrar em contato. A energia era tanta que eu poderia jurar que vi faíscas de eletricidade estática saindo de nós. Após o abraço terminar, percebemos que todos os alunos olhavam para nós, procurando entender do que se tratava tudo aquilo. Tendo em vista a situação, Hermione também veio correndo e me abraçou logo em seguida. Drachen veio caminhando logo atrás de mim, com menos pressa. No mesmo ritmo, vinha Ronald no sentido oposto.

– Vocês não têm ideia do quanto eu senti a falta de vocês – disse, com lágrimas nos olhos.

Harry apenas assentiu e apontou para o lado de fora. Todos nós o seguimos. Ele nos guiou até a parte coberta do cais, onde ficamos os cinco juntos.

– E então, Draco? O que houve? – iniciou Hermione.

Apenas olhei para Harry, esperando um sinal verde para poder falar a história verdadeira ou um vermelho para inventar qualquer outra coisa que me viesse à mente.

– Pode falar, Draco. Eles já sabem – disse Harry.

– Pois bem – respirei fundo – meus pais descobriram sobre Harry e mim.

– Sério? Como?! – a menina perguntou de novo, parecendo muito surpresa com tudo aquilo.

– Esse é o problema, ainda não sei ao certo o que aconteceu. Só sei que alguém enviou uma foto minha e do Harry juntos.

Hermione se entreolhou com Ron. Ambos pareciam bem surpresos por tudo aquilo.

– Mas e vocês? Souberam para onde eu fui? – perguntei.

– Na verdade, não – respondeu Potter prontamente – insistimos para Minerva nos dizer o que havia acontecido, mas ela disse que não estava autorizada a dizer nada sobre o assunto. Eu pensei até que pudesse ter morrido – no mesmo instante, ele me abraçou e repousou sua cabeça no meu ombro.

Enquanto sentia o conforto de estar em seus braços, percebi que Ron ficara um pouco constrangido com a situação. Era de se imaginar que de todos, eles seria a pessoa com mais dificuldade em lidar com esse tipo de situação. Drachen também desviou o olhar e começou a examinar as ondas que chacoalhavam um dos pequenos botes à nossa frente.

Percebendo que alguns de nós estavam pouco à vontade com aquilo, me soltei de Harry e sinalizei com o olhar para que ele entendesse o que estava acontecendo. Talvez em um outro momento mais oportuno pudéssemos matar de verdade toda a saudade que sentíamos um do outro.

– Ei, não se importem comigo – disse Ron, percebendo que eu havia olhado para ele – admito que isso é um pouco estranho para mim, mas um dia vou acabar me acostumando – ele deu de ombros.

Depois que eu havia explicado para todos com – quase – todos os detalhes tudo o que havia acontecido, eles entenderam a seriedade de tudo o que se passava. Em seguida, os outros três subiram para seus respectivos dormitórios e eu fiquei a sós com o grifinório ainda no cais. Estávamos sentados em um canto, encostados na parede. Uma leve chuva começou a cair e a observávamos formar pequenas ondas na água com suas gotas.

– Harry – iniciei, sem olha-lo nos olhos.

Ele estava com o braço sobre meu pescoço e me mantinha bem próximo de si. Tão próximo que era possível ouvir seus batimentos em meu ouvido.

– O quê? – ele respondeu, tornando os olhos para mim.

– Eu passei por maus bocados em Durmstrang.

– Do que você está falando? – ele ficou sério de repente.

– Bem... eu... – me ajeitei no chão e me virei para ele – prometa que não vai ficar com raiva e nem fazer loucuras. Meu pai já tomou as medidas cabíveis.

Ele se virou para mim e sua expressão estava completamente estarrecida.

– O que houve de tão sério?

– Eu fui – engoli a seco – violentado lá.

– O quê?! Como assim?! – ele ficou vermelho de uma só vez – como isso aconteceu dentro de uma escola?

– Olha, amor, eles parecem não se importar muito com regras de conduta por lá. Mas deixa isso pra lá, meu pai já tomou providenciou que eles fossem punidos e, conhecendo meu pai, tenho certeza de que não ficará baratos para eles.

– Eles?! Foi mais de um?! Eu quero mata-los agora! – ele se levantou e retirou a varinha de um dos bolsos da calça.

– Harry! – segurei-o pelo braço e o abracei.

– Não consigo imaginar ninguém fazendo nada de ruim para você sem ficar louco – disse o moreno, afogando-me em seu peito.

– Tudo bem, já passou – eu falei – não quero mais tratar desse assunto. Só queria que você soubesse disso. Só queria que tivesse noção do quanto eu preciso de você perto de mim, do quanto eu sentia sua falta.

– Eu fui um fraco por não ter estado lá para te defender – ele continuou. Senti o pesar em sua voz.

– A culpa não foi sua! – abracei-o mais forte – Você não tinha nem como saber onde eu estava.

Senti que suas lágrimas começaram a rolar e molharam minha blusa. Apertei-o com a máxima força que eu era capaz de gerar e ficamos assim por vários minutos, até que seu choro cessasse e um pequeno silêncio se formasse. Apenas o barulho dos grilos e da chuva eram audíveis.

– Eu te amo, Malfoy – ele falou após recuperar o fôlego.

– E eu te amo, Potter – respondi e voltamos a nos abraçar.

Depois disso, ambos seguimos para nossos dormitórios de mãos dadas pelo castelo, sem medo de que fôssemos flagrados por ninguém. Felizmente ou não, por conta da hora, não cruzamos com ninguém no nosso caminho.

Assim que Harry chegou ao seu dormitório, ele abriu seu malão para procurar um pijama e se deparou com a falta de sua tão estimada capa da invisibilidade. Achando aquilo muito estranho, revirou a mala de cima a baixo e não obteve sucesso ao encontrar sua capa. Imaginando que pudesse ser por causa da escuridão, retirou seu pijama, fechou a mala e decidiu procurar pelo objeto na manhã seguinte.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...