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História Alteridade - Capítulo 32


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Capítulo 32 - Trigésimo Primeiro


“En ti encontré la fe otra vez

Y si mi vida está en pedazos

Tal vez me ayudes a juntarlos.

Tengo que entender también

Que tú me estabas esperando

Para completar tu espacio

Con tus pedazos

Entre tus manos.”

(PEDAZOS, Christian Chávez)

Assim que cheguei à porta da sala de McGonagall, fui tomado completamente pelo medo. Meu pai já sabia que eu me relacionava com o Harry antes de me mandar para Durmstrang, portanto, se já soubesse da minha gravidez, já haveria pressuposto que o bebê seria dele. Isto é, se ele já não tivesse ciência de que eu estava grávido de dois bebês diferentes. A questão, se ele realmente já sabia de tudo, era como ele sabia. Alguém havia me delatado? Pouco provável, pois um número muito reduzido de pessoas sabia disso. Será que talvez ele mantivesse o tempo inteiro um espião atrás de mim? Tudo bem, meu pai era bem paranoico, mas esse tipo de atitude parecia não combinar com ele. Minha mãe também não era o tipo de pessoa que colocaria um detetive atrás do filho. Drachen seria tão prejudicado quanto eu. Ginny havia jurado para mim que não queria mais nada com Harry. Será que havia sido enganado por ela novamente? Não era possível. Ela parecia tão sincera comigo naquele dia. Por que me atacar dessa forma?

Mais uma vez, respirei fundo e procurei retomar minha compostura, afinal de contas, não adiantava ficar parado diante da porta da sala me torturando com milhares de suposições potencialmente erradas. Segurei na maçaneta, mas a porta se abriu sozinha e vi que Minerva a havia aberto com um movimento de sua varinha.

– Imaginamos que já estivesse aí fora – sibilou a diretora – bom dia, senhor Draco.

– Bom dia, diretora – respondi educadamente.

Meu pai estava sentado à sua frente e, ao me ouvir, se levantou delicadamente e se virou para mim. Sua postura não dizia muito sobre o que ele estava pensando, mas senti um frio na espinha logo que sua expressão enigmática começou a caminhar em minha direção.

Engoli a seco e já me preparava para sair correndo caso ele decidisse me agredir ou me tirar de Hogwarts mais uma vez. Ao contrário do que imaginei, assim que ele chegou perto o suficiente para fazer o que bem quisesse comigo, apenas me abraçou e sussurrou no meu ouvido.

– Só não me diga que é do Potter.

Meus músculos retesaram e eu fiquei sem fala por um tempo. Definitivamente, ele já sabia o que estava acontecendo. De qualquer forma, procurei ganhar algum tempo e explorar o território para saber até onde ele estava por dentro de tudo.

– O quê? – perguntei, me fazendo de idiota.

– Não me trate como o idiota que você está tentando se fazer, meu filho – ele respondeu, dando um leve aperto no meu braço e se soltou.

– Senhor Draco, peço-lhe perdão, mas fui obrigada a comunicar ao seu pai sobre sua gravidez – afirmou Minerva em um tom cordial – cabe à diretora zelar pela integridade de seus alunos e seu bem-estar. Era imperativo que sua família soubesse dos cuidados de você necessita nesse momento.

– Quem lhe contou? – questionei sem me preocupar em parecer tão cordial quanto ela.

– A enfermeira da escola. Ela disse que você já a visita por esse motivo há alguns dias.

– E o que mais ela disse? – insisti.

– E há mais alguma coisa a ser dita, meu filho? – meu pai me olhou desconfiado.

– Não – gaguejei – mas gostaria de saber se ela havia dito alguma coisa que nem eu saiba sobre mim mesmo.

– Tudo o que nos foi dito é que você está grávido – prosseguiu Minerva.

– É, acho que eu tenho um bebê – afirmei na tentativa de ser corrigido e comunicado de que todos já sabiam que eram gêmeos.

– É claro que tem. A gravidez consiste nisso, Draco – ironizou meu pai, eu apenas assenti.

Mais uma vez, fora surpreendido pela atitude extremamente compreensiva do meu pai. Esperava que ele já tivesse vindo com pelo menos dois dementadores para acabar com minha raça antes mesmo que os bebês pudessem experimentar a sensação de respirarem por conta própria.

– Pois bem, estou aqui porque gostaria de saber qual é o seu estado de saúde e gostaria de conhecer o tão sortudo segundo pai da criança – comunicou meu pai.

– Minha mãe já sabe?

– Sua mãe está na Alemanha, na casa de minha prima, sua tia Eileen. Portanto, fui eu quem recebeu a coruja que comunicava que precisávamos vir até aqui.

– O que ela faz lá?

– Draco, depois conversamos sobre isso – ele suspirou – no momento, devemos tratar de assunto mais imediatos, como por exemplo, a paternidade do seu filho.

– Bem, eu...

– Sente-se – ele disse, apontando para a cadeira a qual acabara de levantar – não precisa se cansar enquanto me conta toda a história.

Apenas assenti e me sentei no móvel ao qual ele havia apontado.

– Estou grávido do Drachen – desembuchei minha meia verdade.

Imediatamente, o olho do meu pai sobre mim havia ficado muito mais complacente do que antes. Parecia que o fato de eu estar grávido, sobretudo de outro Malfoy, era um prazer muito mais que gratificante para ele.

– Quer dizer que teremos mais um Malfoy para honrar esse nome?

– Parece que sim – respondi num sussurro.

– Muito bem! – ele parecia estupefato.

– Isso quer dizer que está tudo bem para você?! – perguntei, inseguro.

– Mais do que bem! Meu filho, grávido e de outro Malfoy? Mal posso esperar para ver o rostinho do meu querido netinho... ou netinha – ele deu uma volta sorridente perto da mesa.

Minerva apenas assentiu à cena sentada em sua cadeira. Ela parecia bem surpresa com a minha resposta, porque provavelmente de uma forma ou outra, já deveria estar ciente do meu relacionamento com Potter.

– Vou marcar com o medibruxo obstetra da família para fazermos todos os exames necessários para a integridade do seu bebê – continuou o meu pai – enquanto isso, você trate de se cuidar para que o bebê venha o mais poderoso possível.

O tom pelo qual meu pai brincava com suas palavras quase sugeria que aquele bebê seria dele. Era como se minha mãe estivesse novamente grávida e ele tivesse mais uma chance de “acertar os erros” que cometera comigo – ou pelo menos era assim que eu me sentia. De qualquer modo, aquela situação não estava me agradando da maneira como imaginei que seria. Nunca imaginei que poderia me sentir desconfortável pelo meu pai aceitar tão bem a minha gravidez.

– Tudo bem – concordei – agora posso sair e seguir para a próxima aula?

– É claro – respondeu meu pai, dando-me um beijo na testa – entrarei em contato muito em breve para seus exames. Avise ao Drachen que também quero ter uma conversa especial com ele.

Apenas assenti e me retirei do gabinete da diretora, seguindo imediatamente para a torre onde eram ministradas as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas, onde estariam Harry, Drachen e Hermione. Em disparada pelas escadarias, encontrei Harry saindo da sala com uma expressão tensa.

– Você está aí! – exclamou, parecendo bem surpreso por me ver.

– Harry, meu pai já sabe – suspirei, ofegante pela subida – e pelo visto ele não é o único.

– Hagrid me disse, de uma maneira estranha, mas disse – ele parecia se lembrar de algo – Hagrid sabia de mais alguma coisa?

– Acredito que sim – passeei com os olhos pelos arredores – ele meio que soltou que já sabia sobre a gravidez. Talvez tenha escutado quando McGonagall contou para o meu pai.

– McGonagall?! Como ela soube? – ele parecia espantado.

– Madame Pomfrey foi “obrigada” a contar para ela por conta do código de conduta dos profissionais ou algo assim. Pelo mesmo motivo, Minerva teve de comunicar meu pai.

Harry cruzou os braços e permaneceu pensativo por longos minutos, até parecer ter concluído alguma coisa.

– E agora? O que faremos? Ele sabe que são dois?

– Não, ele ainda não sabe – suspirei mais uma vez e me apoiei no corrimão, ainda observando se alguém se aproximava – precisamos de Drachen e Hermione para colocar o meu plano em ação.

– Ótimo, depois do almoço nos encontramos na biblioteca com os dois e vemos o que é melhor a ser feito – ele sugeriu.

– Combinado – concordei.


Notas Finais


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