História Alterius Amore - Capítulo 18


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Categorias Naruto
Personagens Deidara, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Karin, Kiba Inuzuka, Konan, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Itachi, Naruhina, Naruto, Nejiten, Sasusaku, Shikatema
Visualizações 1.082
Palavras 9.518
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


vocês podem me chamar de noiva, tá pra existir mulher mais atrasada ahahaha

SAIU CAPITULO PARA A ALEGRIA DO POVO!

Não sei, de verdade, se vai ser do agrado de todos os rumos que AA vai tomar, mas espero que continuem gostando!
Muito obrigado por cada comentário, favorito, lista de leitura e visualização! Não era minha pretensão que AA crescesse tanto, mas tô muuuuito feliz com isso!

Hoje temo Naruhina, é tipo a finalização do primeiro ciclo do casal aqui, para frente teremos mais resoluções que desavenças sobre eles, aqui tem um dialogo que amei escrever entre Naruto e Kushina e também o pov da Hinata que foi dificil escrever por conta de toda a situação que ela passou, algo que acontece muito infelizmente, pesquisei bastante para essa introdução que acontece na primeira parte do pov dela e também para o conflito com o pai, acho que nossa hinata está desabrochando

o próximo capitulo é shikatema e em seguida um sasusaku, dentro deles vou introduzir os novos ciclos de cada um e também de outros casais da nossa história!

espero que gostem, obrigado por ler!

capa arrazany que a linda ~andromeda fez ♥♥

Capítulo 18 - Capitulo Dezoito


Naruto Pov

            Eu já estava acordado há um bom tempo, mas evitei abrir os olhos pra confirmar a dor de cabeça que uma ressaca consegue causar. Dava pra ouvir o barulho do caminhão de lixo passando pela rua e até mesmo uma música baixa na republica ao lado, algo como só voz e violão.

            Remexi-me e estiquei o corpo o máximo que podia, meus joelhos estalaram. Um gosto horrível tomou minha boca seca, era amargo e eu nem precisava verificar o mau hálito a base de vodca, tequila e cerveja. Eu estava tão ansioso sobre essa festa de aniversário, mas no momento preferia que ela nunca tivesse acontecido.

            Sentado na cama massageando meus olhos com as pontas dos dedos, a dor de cabeça só não está pior por ter tomado um remédio para ressaca antes de apagar. Bocejando percebo a cama de Sasuke intacta, a fantasia dele está dobrada junto com a minha, o maldito é tão fresco que costuma ter mania de deixar tudo arrumadinho.

            Pego o celular e confirmo que está tarde, já passa das dez da manhã e então percebo algo realmente estranho: o silêncio. Geralmente após uma festa Neji estaria gritando ordens de limpeza pela casa, Gaara estaria ouvindo Rammstein no volume máximo enquanto Sasuke faz uma performance ridícula usando a vassoura como microfone. Mas não tem nada.

            Há também uma mensagem breve que me faz sorrir um pouco:

            Sábio Tarado: moleque eu cheguei de madrugada, estou com saudades de você e da Karin, venham almoçar conosco, vou preparar algo especial.

             Opto por escovar os dentes logo e tirar o gosto amargo da boca, estou um caco quando me olho no espelho e preciso cortar o cabelo o mais rápido possível. Lavei o rosto e tomei uma aspirina.

            O quarto de Gaara e Neji estava vazio e eu franzi o cenho para a risadinha aguda que vinha do quarto de Shikamaru e Sui, entrei sem bater e me arrependi no mesmo segundo.

            — AAAAAAH!

            — AAAAAAAAAAAAH!

            — MEUS OLHOS! MEUS OLHOS ESTÃO QUEIMANDO!

            Minha reação para a cena foi cobrir meus olhos com uma mão. Karin estava nua em cima de Suigetsu, eu não precisava ser um gênio para saber o que eles estavam fazendo.

            — Porra, Naruto! Bate na porta!

            — Você tá comendo minha irmã e ainda briga comigo?! – ralhei. – Droga! Que nojo, que nojo! É pior do que quando vi meus pais transando! Quero furar meus olhos!

            — O que você quer aqui, peste?! – Karin quase gritou e eu ouvi a cama ranger alto. – Pode olhar, idiota!

            — Não quero! Meu Deus, Karin... Você... Seus peitos... Você tem peitos! Ah eu quero morrer!

            — Naruto eu vou socar a sua cara! – um travesseiro atingiu meu rosto, um travesseiro que estava sendo usado na cama onde eles fizeram sexo. Quero vomitar. – O que você quer?

            — Quero... – espiei pela fresta entre meus dedos e notei que ambos estavam usando o cobertor verde para cobrirem a pouca vergonha. – Quero saber cadê todo mundo.

            — E como eu vou saber? A gente subiu bem antes de a festa acabar! – Sui parecia nervoso, mas eu realmente só queria usar o travesseiro pra asfixiar ele. – Agora sai daqui.

            — Tá achando que eu vou deixar você continuar essa safadeza com a minha irmã?! Ah, você só pode estar brincando com a minha cara! – atirei o travesseiro em Karin. – Eu vou almoçar em casa, vamos!

            — Hey! Tá doido?

            — Naruto, ela é sua irmã, mas é a minha namorada!

            — Eu não ligo! Não é porque ela é a sua... – parei de falar e vi Karin sorrir um pouco. – Namorada?! – os dois assentiram. – Namorada?!

            — Namorada, Naruto. – observei Sui pegar uma das mãos dela e beijar antes de abrir um sorriso grande e orgulhoso. – Do jeitinho certo.

            — Ah... – coloquei as duas mãos nos quadris e suspirei. – Vocês estão sérios agora? – minha irmã assentiu e deitou a cabeça no ombro de Sui. – Nem preciso dizer nada sobre ferrar com tudo não é, Suigetsu? – ele negou. – Por favor, façam isso dar certo dessa vez, ok?

            — Por mim já deu certo, cara. Tem minha palavra. – ele estendeu a outra mão.

            — Sai pra lá com essa mão suja de fluidos sexuais! – fiz careta e ele riu enquanto Karin rola os olhos. – Sério, Ka, vamos almoçar em casa... O vô mandou uma mensagem, ele chegou e quer ver a gente.

            — Vô Jiraya?! – ela ficou de joelhos, segurando o cobertor e eu confirmei com um sorriso. – Ah! Sui, eu tenho de ir!

            — Mas a gente ia...

            — EI, EI... Devagar ninfomaníaco! – gesticulei e Sui suspirou derrotado. Karin levantou da cama passando por cima do corpo dele e puxando o cobertor consigo, Sui usou o travesseiro para cobrir uma coisa que eu não queria de jeito nenhum ver e nós dois a vemos recolher as roupas e se trancar no banheiro. – Como conseguiu fazer isso? – sussurrei.

            — Nós conversamos bastante, fomos sinceros sobre tudo... É difícil pra ela.

            — Eu sei, tenho uma boa parte de culpa nisso. – ele deu de ombros. – Você é bem esquisito, mas eu também sei que gosta dela de verdade...

            — Amo, Naruto. Eu amo a Karin demais, eu não posso e nem quero mais ficar longe dela. Você bem sabe que ela é difícil, é teimosa e explosiva... E eu sou louco por tudo isso nela. Vamos fazer dar certo dessa vez, sem pressa e com a mente limpa.

            — Hm. – arqueei uma sobrancelha. – Gostei disso. Vou confiar em você, Sui. Karin é uma das mulheres que eu mais amo na vida, faça ela feliz.

            — Todos os dias da nossa vida.

            — Você demora demais.

            Reclamei assim que Karin entrou no carro e colocou o cinto. Ambos já havíamos tomado banho. Eu fiquei nervoso com toda a bagunça na casa e mais nervoso ainda quando desconfiei que aqueles malditos sumiram todos pra não arrumar nada e pior, estavam me ignorando descaradamente no grupo do Whatsapp e até no privado! Sasuke visualizava e simplesmente não respondia. Mas, se eles pensavam que eu iria limpar toda àquela merda sozinho estavam muito enganados! Passaria o dia na casa dos meus pais e só voltaria mais tarde.

            — Nenhuma das meninas está em casa. – ela comentou assim que liguei o carro. – Nem a Konan. Meu celular descarregou e nem dá pra tentar falar com elas agora.

            — Eles devem estar todos juntos, relaxa. – coloquei os óculos de sol mais para disfarçar os olhos de ressaca. O tempo estava fresco, o inverno já dava as caras que em breve ia chegar. – Como é isso aí com o Sui?

            — Ah, estamos juntos. – Karin sorriu e ajeitou os óculos. – Eu resolvi dar uma chance pra mim mesma, Naru.

            — E eu fico feliz por isso. Você é uma mulher inteligente e linda, ser feliz é uma consequência. – minha irmã me olhou e arqueou uma das sobrancelhas ruivas. – Credo, você parece à mãe quando faz isso.

            — Você está afim da Hinata.

            Não foi uma pergunta. Karin, assim como nossa mãe, tem um dom desnecessário de me ler como se eu fosse uma droga de gibi para crianças. Eu não respondi a não pergunta e preferi manter minha atenção na direção. Ela se ajeitou melhor no banco e cutucou meu braço. Eu a encarei e ela sorriu.

            — Estou. – rolei os olhos.

            — Meu irmãozinho está apaixonado?

            — Não exagere. – sorrio. – Sinceramente não sei o que estou sentindo. É estranho.

            — Quer falar sobre isso? Posso tentar te ajudar, mano.

            — Ontem aconteceu algo que eu vinha fingindo não sentir há algum tempo. – ele esperou. – Sabe o Kiba? Kiba Inuzuka? – ela assentiu. – Eles estão saindo, você sabe. Mas, eu ainda não tinha os visto juntos... É que... Lembra-se da minha última crise?

            — Na véspera do seu aniversário?

            — Uhum. No dia seguinte a Hinata foi até mim e a gente conversou, eu já estava meio que interessado nela, uma coisa levou a outra e a gente ficou...

            — FICOU?!

            — Um beijo. Dois... Algo assim. Caralho foi muito bom! Mas eu sei muito bem que não sou um cara pra ela, Karin, então no dia do churrasco lá em casa eu pedi pra ela esquecer e me desculpei.

            — Você é muito burro, nossa. – Karin estava indignada. – Eu deveria te bater! Como você diz algo assim pra ela?!

            — É isso! Todo esse lance dela ser sensível e inocente eu vou é ferrar com a cabeça dela se ficar ao redor. E ok, está tudo até indo aos trancos e barrancos, mas ontem eu a vi com o Kiba e foi péssimo... Não péssimo como quando tenho uma crise, péssimo porque eu queria arrancar as mãos dele fora.

            — Ciúmes.

            — Sim, ciúmes. – concordo.

            — Eu não vou mentir. Sabe, eu também acho que você e a Hinata são bem diferentes. É como água e vinho literalmente! – ela faz um bico engraçado. – Mas, eu te conheço desde que você golfava na minha cara e eu acho que talvez seja isso que você precise para ter coragem de viver um relacionamento. – a olho de relance. – Mano, você é um galinha e ninguém pode ir contra isso, mas você nunca magoou uma garota e, não faz mais que a sua obrigação claro, só que ainda assim você sempre é legal com as garotas que fica. Você é gentil e divertido... Dizem que você é bom de cama, ai que nojo.

            — Dizem?! – me interessei e ela rolou os olhos.

            — Eu entendo o seu medo, Naru, mas eu acho você incapaz de machucar alguém por querer.

            — Nem quando eu viro o filho da puta em crise? – debochei de mim. A mão de Karin toca meu braço e faz um carinho.

            — Naru, não diz essas coisas. Por favor. – Karin parecia triste enquanto me olhava. – Eu te amo, mano. Você é um cara muito incrível e amar você é consequência.

            — Também te amo, maninha. – a abracei e mantive a outra mão no volante. – Obrigado.

            Beijei o cabelo ruivo e cheiroso dela enquanto Karin fechava os olhos.

            Meu avô, Jiraya Namikaze, vivia viajando por lugares como Brasil, Austrália e África do Sul. Ele é um grande e renomado biólogo especialista em anfíbios e por isso trabalhava, mesmo já estando aposentado, pelo mundo fazendo pesquisas importantes para isso... E ele também escreve contos eróticos usando um pseudônimo. O velho é um tarado e não nega, geralmente namora mulheres mais jovens que ele e quase nunca mantém o relacionamento por muito tempo. Ele nunca se casou e aos vinte anos engravidou uma colega de trabalho e, então, nasceu seu único filho, Minato. Felizmente meu pai não herdou as tendências dele.

            Jiraya odeia ser chamado de vovô e etc, ele já passou dos cinquenta e insiste em brigar contra a idade, sempre contente e brincalhão. Sempre com muitas histórias pra contar. Além de meu avô também é meu padrinho e ele prefere que eu o chame assim.

            — Vô! – Karin correu como sempre fazia quando criança e pulou nos braços dele, a risada alta dele me fez querer rir também. O cabelo branco estava mais longo, havia ainda mais rugas em seu rosto, mas ele ainda se vestia como um havaiano que pratica surf. – Que saudade!

            — Ei, você está mais pesada! Cresceu? – ele beijou a testa de Karin demoradamente e afagou o cabelo dela. – Você só fica mais bonita igual a sua mãe.

            — Não adianta nada me elogiar, eu não quero saber de sapos na minha casa, Jiraya! – minha mãe chegou mais perto de mim e beijou meu rosto. – Oi, minha bolotinha.

            — Oi mãe. – sorri.

            — Garoto você continua bonitão, vem cá! – meu avô me chamou com um gesto e eu o abracei forte, erguendo o corpo dele do chão e o fazendo rir. – Ah, agora é você que me pega no colo?! Lembro muito bem quando me fazia quase enfartar te carregando nos ombros! – deu duas tapinhas nas minhas costas e eu o soltei. – Como estão meus dois toquinhos?

            — A gente não é mais toquinho, vovô. – Karin o abraçou pela cintura. – Eu estou bem.

            — Está mesmo, ela tem até um namorado agora!

            — Naruto! – corri para trás da nossa mãe quando Karin tentou me chutar. – Cala a boca, peste!

            — Hm, namorado? Meu toquinho vermelho está namorando? – Jiraya cruza os braços e Karin rola os olhos. – Minato sabe disso? Eu não fui informado...

            — O que eu não sei?

            Meu pai veio para fora, também para a varanda onde estávamos, ele vestia roupas folgadas e leves, o cabelo estava úmido e os pés descalços. Karin me olhou como se eu fosse o anti Cristo quando ele beijou o cabelo dela e depois o meu.

            — Nada, querido...

            — Naruto disse que Karin tem um namorado...

            E o sorriso de Minato Namikaze se desfez. Ele olhou pra mim, depois para Karin e por último para minha mãe.

            — Não é me diga que é aquele garoto...

            — É o Suigetsu. Suigetsu Hozuki, canadense, cabelo descolorido... – mexi no meu cabelo para dar ênfase e gargalhei quando Karin tentou me chutar outra vez, mas nosso avô a segurou. – Calma, ai!

            — Eu vou arrancar o seu pinto fora, Naruto! – ela ajeitou os óculos e minha mãe me deu uma tapa dolorosa no braço.

            — AI, MÃE!

            — Deixa sua irmã em paz! Tire esses óculos! – massageei o braço e ela colocou as duas mãos nos quadris. Era engraçado, minha mãe não é muito alto, é mais baixa que Karin, mas parecia existir uma áurea muito perigosa ao redor dela e nenhum de nós ousávamos desafiar. – Tire os óculos, Naruto. – bufei e tirei os óculos, eu nem tentei disfarçar a minha cara de ressaca. – Nem vou perguntar sobre a bendita festa, olho pra essa sua cara acabada e já sei! Você também está cheirando a vodca...

            — Eu tomei banho! – me defendi e meu pai chegou perto fungando ao meu redor. – Pai!

            — Oh, não me meta nisso, já tenho algo para resolver com a senhorita namoradeira ali. – ele apontou para Karin que se encolhia agarrada ao nosso avô.

            — Esse banho não resolveu nada! Suba para o teu quarto e tome banho de novo! Esfrega bem essa cara de chapado e... – tentei falar. – E vai logo! Vamos almoçar logo!

            — Bem feito. – Karin riu da minha carranca.

            — Criatura!

            — Peste!

            — Ai que saudade dessa família. – Jiraya gargalhou alto e bagunçou meu cabelo. – Diz ai, colocou o pincel pra pintar nessa festa?

            — Jiraya! – minha mãe passou as mãos pelo rosto.

            — Pai, para... – meu pai estava rindo. – O garoto é um Namikaze, é um artista.

            Nós três rimos e nós três paramos quando Kushina Uzumaki pigarreou.

            — Naruto, vai tomar banho. Jiraya vá terminar de arrumar suas coisas e Minato... – ela o encarou e ele sorriu sem graça coçando a nuca. – Conversamos mais tarde.

            — Kushina? – ela deu as costas e saiu com Karin. – Amor? Pimentinha? – fiz careta e meu avô gargalhou. – Kushi? Ah, tá vendo? Por culpa de vocês meu pincel não vai desenhar hoje à noite!

            — Pai que nojo! AH QUE NOJO!

            — E como você acha que eles te fizeram, moleque? Uma vez o teu pai quebrou a cama do quarto dele e eu...

            — Ah não... Não... – choraminguei. – É a minha mamãe, minha mamãesinha... Não quero saber! – funguei e meu pai rolou os olhos. – Já não basta ter visto a Karin e o Sui mais cedo quase... – um par de olhos azuis e um par de olhos castanhos se arregalaram enquanto eu tomava noção da merda que tinha feito. Fechei a boca e neguei rápido.

            — Minha filha? Minha princesinha? KARIN UZUMAKI VENHA AQUI!

            Os dois foram atrás delas e eu aproveitei para correr antes que Karin aparecesse armada com uma faca.

            Meu quarto, que ficava no terceiro andar da casa, foi mantido do jeito que deixei quando me mudei para a república. Era uma suíte grande e com vista para os jardins de rosas. Entrar nele me trazia certa nostalgia. As paredes ainda eram pintadas de azul claro, os lençóis da cama ainda eram laranja, a mesa de estudos estava organizada – coisa da minha mãe – e até mesmos as canetas estavam intactas no porta lápis. Os livros guardados nas prateleiras, o velho violão que fora do meu pai e de Jiraya continuava pendurado na parede próxima à cama de casal. Até mesmo os pôsteres das minhas bandas favoritas, super heróis, filmes e o único da Katy Perry no clipe de California Gurls.

            Fui até o closet e notei que havia poucas roupas, levei a maioria. Escolhi algo confortável e sorri quando achei a velha cueca com estampas de estrelinhas que eu gostava de usar aos doze anos.

            O banheiro mantinha os azulejos escuros, a banheira em um canto oposto ao box do chuveiro e até mesmo o porta toalhas com formato de colmeia, laranja e repleto de toalhas limpas.

            Minha mãe sempre mantinha tudo organizado mesmo que eu e Karin não morássemos mais com ela.

            O sentimento de nostalgia me obrigou a fazer algo que estava evitando desde que abri os olhos de manhã. Eu comecei a pensar sobre coisas que não deveria, comecei a pensar principalmente sobre Hinata. Todo mundo diz que no chuveiro é que tomamos decisões importantes, que refletimos sobre tudo e isso soa clichê, na verdade, mas é real. Definitivamente eu tinha o costume de fazer isso, de usar esse tempinho rotineiro pra pensar, mas eu nunca havia pensado sobre uma garota do jeito que penso sobre Hinata.

            Enquanto a água morna escorria pelo ralo eu me flagrei encarando isso e sentindo voltar com tudo à sensação totalmente nova que parecia empurrar o meu peito pra dentro, um aperto quase sufocante... Dava-me vontade de gritar. Não era como uma crise, não era nem um sintoma dela... Durante as crises eu era obrigado a desligar a minha sanidade pra dar lugar ao distúrbio, mas se tratando de Hinata eu me mantinha acordado o tempo todo. Só não sabia dizer se isso era bom ou ruim.

            Vê-la com Kiba me causou mais que raiva, não é como se eu fosse um garotinho enciumado por perder algo, ela sequer me pertencia de algum jeito. Eu não sei se quero que ela me pertença, eu não a quero só por ter... Queria que ela ficasse e só. Minha conversa com Neji só me deu mais certezas ao quanto seria ruim para Hinata caso ela ficasse. Talvez eu seja mesmo um babaca egoísta, porque eu ainda quero muito que ela fique.

F L A S H – B A C K / O N

            — Você vai me socar? Se for fazer isso, faz...

            — Por quê? – franzi o cenho e ergui o olhar pra ele. Neji arrastou a cadeira pelo quarto, ele a parou próximo a minha cama e sentou. Não parecia nervoso, não tanto quanto achei que ficaria.

            — Por que o quê?

            — Por que beijou a Hinata? – eu dei de ombros e Neji suspirou. – Não tente dar uma de indiferente pra mim, Naruto. Isso não combina com você!

            — Não estou sendo indiferente, só não tenho o que responder.

            — Então, você a beijou porque não tinha nada mais legal pra fazer? – fiquei calado. – É um tipo de brincadeira? “Oh, Hinata não estamos fazendo nada, que tal eu enfiar a minha língua na sua boca?”

            — Não seja exagerado, cara... Eu não faria isso com a garota.

            — Parece que faria, parece que fez! – Neji coçou a barba por fazer e respirou fundo. – Naruto eu to tentando conversar contigo de homem pra homem, quero entender essa merda que aconteceu aqui e não me deixar levar pela raiva, então, para de agir como um cuzão e joga suas cartas na mesa. Eu jogo as minhas.

            — Por que mandou que ela ficasse longe de mim? – ele arqueou uma das sobrancelhas e eu fiz o mesmo. – Vocês falaram alto, deu pra ouvir daqui.

            — Eu só quero proteger a Hinata...

            — De mim? – sorrio sem humor. – Eu sou realmente um perigo assim tão fodido pra ela, Neji? Logo você que ontem mesmo discursou o quanto o meu distúrbio não interfere na nossa amizade ou convivência?

            — Naruto...

            — Não! Sério, vamos falar sério aqui, exatamente como você quer falar. – gesticulei e apagando o cigarro no cinzeiro sobre o criado mudo. – Dias atrás você topou um encontro duplo com ela o Kiba, eu ouvi você contando ao Gaara como só aceitou isso pela Hinata... Certo, ela é a sua família e você quer o melhor pra ela, eu não discuto isso... Mas, eu notei que o problema não é a Hinata se envolver com um cara, o problema é se esse cara for eu! – Neji suspira outra vez, eu consigo ver a veia saltando no pescoço pálido. – O problema é ela ficar comigo e não é por que eu já fiquei com várias outras garotas antes, o problema é por eu ser doente! Por eu ser a droga de um cara que... – engoli um choro vergonhoso que fez a minha voz falhar e ele mantém o olhar firme. – Eu sei dessa merda! Como você vai achar tranquilo ver a Hinata com a merda de um louco? Que pode machucar ela? Que pode entrar numa crise fodida e ferrar tudo?! EU SEI NEJI! TODO MUNDO SABE!

            — ENTÃO PORQUE ME PERGUNTA A RAZÃO DE TER A MANDADO FICAR LONGE DE VOCÊ, PORRA?! – ele gritou mais alto que eu e sempre é estranho quando Neji grita fora de um jogo, nós dois ficamos em silêncio por um minuto inteiro, eu queria chorar, queria quebrar a cara dele e depois a minha, mas eu não fiz nada porque sei que ele está certo. – Olha pra mim. – a voz dele ficou controlada outra vez. – Olha pra mim, Naruto.

            — Quero ficar sozinho.

            — Olha na porra do meu olho feito um homem e diz o que você quer! Eu amo a Hinata, ela é minha família, mas eu confio à porra da minha vida pra você se precisasse! Você é o meu amigo! Você salvou a vida do meu pai e me permitiu estar com a mulher que eu amo, Naruto! Para de se fazer de vitima e assuma os riscos do que você quer! É a Hinata?! Você a quer? Seja a porra de um homem e diga isso, tenha certeza disso antes de me apontar o dedo como se eu fosse um filho da puta injusto! Foda-se Kiba, foda-se seu problema, foda-se! – eu o encarei. – Olha no meu olho e diz que você quer mesmo tentar algo com a Hinata e eu te juro por Deus que faço o necessário pra isso acontecer.

            Fiquei calado. Minha cabeça ainda não estava totalmente segura, ela nunca fica assim depois de uma crise e tudo parecia desabando de uma vez. Neji ficou calado também e diante do meu silêncio respirou fundo e negou uma vez.

            — Sabe o maior impedimento nisso? Não sou eu, pode parecer, mas não sou. Eu posso parecer um babaca superprotetor, mas você é pior. – ele levantou da cadeira. – Ela gosta de você também, eu a conheço o suficiente pra ler isso até nos gestos, mas ela não percebeu. O maior impedimento nessa merda é você mesmo! Não tem vilão nenhum até agora Naruto, só tem você.

            — Obrigado pela parte que me toca. – debochei sem humor nenhum e ele negou mais uma vez.

            — Não espere que eu passe a mão na sua cabeça e te chame de coitadinho, você não é nenhum coitado. Eu te cobro atitude e você se faz de vitima. Você tem vinte e dois anos e não sete. Fode ou sai de cima... Mas, você já desistiu e criou um milhão de obstáculos em sequer tentar, fique longe da Hinata.

Ele bateu a porta e eu não pude controlar o soco que dei na parede com toda a frustração que sentia.

F L A S H – B A C K / O F F

            Ficar longe de Hinata se tornou meu mantra mais intimo e também aquele que eu não conseguia manter. Eu fugi dos encontros rotineiros só pra a observar de longe como um idiota. Todas as vezes que a via com o Kiba, uma coisa pegajosa e gelada descia por minha garganta. O bicho nojento do ciúme. Eu queria vomitar e colocar pra fora, mas engolia e digeria aquela coisa com muito esforço.

            Sai do banho com uma toalha ao redor da cintura e outra secando o cabelo, me vesti no quarto e outra vez conferi o celular só para notar que Sasuke havia resolvido parar de me ignorar.

            Sasukuzão: Está na republica?

            - Foi mal não ter respondido antes

            - Sui falou que você foi pra casa dos seus pais, vai voltar hoje?

            Antes que eu digitasse uma resposta a porta abriu a minha mãe entrou, ela trazia um pote colorido nos braços e sorriu antes de fechar a porta. Larguei o celular na cama e me virei pra ela.

            — Bem melhor, agora não parece mais um viciado dos anos oitenta. – ela colocou o pote sobre a mesa de estudos e eu notei que era o pote de biscoitos caseiros que ela sempre fazia quando éramos menores. – Vem, deixa-me fazer isso.

            — Secar o meu cabelo? – ela assentiu. – Precisa não, mãe...

            — Ah, eu gosto tanto. Senta logo e me dá essa toalha. – entreguei a toalha branca para ela e me sentei na cama, senti seus dedos carinhosos pelo meu cabelo e sorri. – Sinto falta dessas coisas. De cuidar mais de vocês... Karin nem me deixa mais limpar os ouvidos dela!

            — Mãe, a gente cresceu. – ela suspirou. – Vocês deveriam ter outro filho.

            — Eu já acabei com minha cota de fraldas com você, Naruto. Nunca vi bebê mais cagão...

            — Isso é constrangedor!

            — Fique quieto. – ela começou a secar meus cabelos com a toalha. – Como foi sua festa?

            — Legal. – deu de ombros.

            — Hm. – ela se sentou na minha frente continuou. – Só isso? Você falou sobre isso por meses, seu pai estava preocupado com as proporções negativas.

            — Ninguém foi preso ainda. – ri e ela puxou meu cabelo de leve. – Foi legal, mãe.

            — Bebê, quando você era menor... Devia ter uns dez anos, levou uma advertência no colégio por dormir durante as aulas, lembra? – assenti. – Você chegou e eu perguntei como tinha sido a aula, você disse que foi legal. O plano era pedir pro Itachi assinar a advertência e eu nunca ficar sabendo.

            — Um plano fracassado. – relembrei.

            — Em dois minutos, foi só olhar pra sua carinha angustiada e eu sabia que tinha algo errado. Você é péssimo em mentir, igualzinho o seu pai. – ela rolou os olhos. Ficou de pé e colocou a toalha sobre a cadeira laranja, depois pegou o pote de biscoitos e se sentou. – Eu sou sua mãe Naruto e eu sei quando alguma coisa está te angustiando. – ela abriu o pote e me estendeu, peguei um deles, gotas de chocolate.

            — Vai me deixar comer biscoito antes do almoço?

            — Oh, vou perder meu Nobel de melhor mãe do mundo por isso. – brincou e eu mordi um pedaço grande do biscoito doce. – O que aconteceu?

            — Há um tempo eu disse que eu correria pra você caso algo acontecesse? - minha mãe pareceu pensar, franziu as sobrancelhas bem feitas e fez um bico engraçado. Quando ela pareceu entender seus olhos se arregalaram um pouco e o pote de biscoitos foi colocado de lado. – Mãe...

            — Oh, meu bebê está apaixonado! – os olhos dela estavam marejados.

            — Mãe!

            — Desculpa, desculpa... – respirou fundo. – Ok, nada de exaltações... Tudo bem, me explique isso melhor.

            — Tem essa garota...

            — Que se chama? – estreitou o olhar e eu suspirei.

            — Hinata, mãe. A Hinata. – ela conteve um gritinho e respirou fundo para se acalmar de novo. – Mãe, não vamos chegar a lugar algum se a senhora ficar assim!

            — Ok! Estou calma, continue.

            — A Hinata... Eu acho que gosto dela... Bastante. – peguei outro biscoito. – Mas eu não sou o cara certo pra ela. – resumi.

            — Que? Como isso? Naruto, como isso do meu filho não ser o cara certo para uma garota? – pronto, agora ela está indignada. – Por que você não seria? Você é decente, é educado, é gentil, é lindo e muito carinhoso! Isso é um absurdo, como ela pode dizer isso?!

            — Ela não disse isso, eu disse. Eu acho isso, mãe.

            — Naruto, eu não estou entendendo nada!

            — Hinata é uma menina doce e... De certa forma muito inocente, ela nunca tinha beijado até os dezoito anos! A senhora conhece o Hiashi melhor que eu acho, deve imaginar o tipo de criação que ele deu pra ela...

            — Oh, claro, obrigando a menina a casar com o primo como se estivéssemos na idade média. Velho insuportável.

            — Sim. Então, a Hinata é muito diferente de mim, entende? Ela é sensível e muito imatura pra algumas coisas... Não daria certo. 

            — Se gostamos de alguém e isso é recíproco podemos fazer dar certo, Naruto.

            — Como alguém poderia dar certo comigo, mãe? – dei de ombros e sorri debochado. – Instável! Eu sou uma bomba relógio...

            — Não diga essas coisas, Naruto!

            — Eu estou mentindo? A senhora sempre me ensinou que mentir é errado e eu estaria mentindo em dizer que qualquer envolvimento comigo é saudável.

            — Para com isso! – ela se aproximou de mim e puxou meu corpo, quase me colocando em seu colo. Suas mãos trêmulas afagara meu rosto. – Nunca mais diga isso! Como pode pensar isso, filho?

            — Todo mundo que fica perto de mim acaba machucado e por mim! Eu ferrei as costelas do Sasuke e perdi a conta das vezes que o machuquei durante uma crise, eu machuquei o meu pai... A senhora... Meu avô! Você viu a Hinata, viu como ela é pequena e sensível e eu não consigo nem imaginar algo... – então veio. Era muito mais fácil esconder ou segurar as coisas quando tinha de fazer isso sozinho, mas minha mãe estava ali me olhando, as mãos dela estavam no meu rosto e os olhos dela estavam marejados. O meu choro infantil veio de uma vez e eu solucei antes de esconder meu rosto no ombro dela, igualzinho fazia quando era um garotinho assustado. – Mãe, isso dói pra caramba.

            — Meu bebê, chora... Chorar faz bem. Você segura coisa demais o tempo todo.

            — Eu percebi que todo o meu medo idiota de me envolver com outra pessoa de uma forma séria é por causa disso, é porque eu sou uma porcaria que nunca conseguiria fazer alguém feliz...

            — Naruto, você não é isso! – minha mãe segurou meu rosto e me fez olha-la. – Você e a sua irmã são a minha vida, são tudo. Eu te amo tanto, todos nós te amamos tanto... Você é digno de todo amor do mundo.

            — Eu queria que a Hinata me amasse assim pra não se importar com o que eu sou...

            — Ela pode amar você.

                — Como? Como, mãe? – funguei e ela secou minhas lágrimas com os polegares. – Você a viu? Ela é linda, mãe! Eu devo ser um babaca por ter pensando diferente antes, ela linda porque ela não se parece com nada que eu já tenha visto antes... A voz dela, o cheiro dela... O riso... Eu sempre a fazia rir e hoje eu entendi que é porque gosto do som do riso dela... O beijo... O gosto que ela tem, isso é tão estranho! Como é que a gente se sente assim em relação à outra pessoa?! Eu cheguei a achar que estava tendo outro distúrbio! Mãe, eu não sei o que é isso, mas sufoca. Não como quando estou à beira de uma crise, mas me assusta do mesmo jeito! E eu penso sobre ela todos os dias, até quando eu não tenho de pensar e fico frustrado... E dói aqui. - agarrei minha camisa, na altura do meu peito e minha mãe acariciou meu rosto.

            — Querido isso é amor.

            Ela sorriu, uma lágrima escapou de seu olho, mas ela sorria. Como ela podia sorrir assim enquanto eu estava entrando em desespero?! Funguei e sequei meu nariz com as costas das mãos.

            — Se isso for amor preciso confessar que é aterrorizante.

            — Quando eu conheci o seu pai foi igual pra mim, sabe? – neguei e ela fungou. – Eu namorava outro cara, um verdadeiro bad boy isso me parecia a melhor coisa! Ele era tudo que meus pais odiavam, mas eu vivia uma fase rebelde e estar com ele se tornava a minha provocação favorita. Brigávamos o tempo todo, ele tinha ciúmes demais e você sabe que eu não sou de levar desaforo nenhum! Em uma dessas brigas ele perdeu completamente o controle e eu acreditei que fosse me agredir, mas o seu pai não deixou.

            — Meu pai? – franzi o cenho.

            — Ele era um nerd playboyzinho que praticava vôlei e atletismo, passava a maior parte do tempo sendo invisível e calado. Eu nunca o notava, ele poderia estar na minha frente e eu sequer o percebia. Naquele dia ele não deixou que Billy me batesse e levou um soco por isso. Sabe o que eu fiz? – neguei. – Eu briguei com o seu pai. Como assim um babaca desconhecido acha que pode se meter na minha vida e dar uma de herói? Quem ele achava ser? O Batman? – ela sorriu um pouco. – E o seu pai, com a sobrancelha sangrando e a cara mais idiota do mundo disse uma frase que eu nunca vou esquecer...

            — Qual?

            — “Eu sei que você é forte o suficiente pra se virar sozinha, eu agi por um impulso. Ah, e você é ainda mais linda assim de perto” Ele gaguejou umas dez vezes até formar essas frases e eu o achei tão bobo. Depois disso Minato se fez notável e eu passei a apreciar sua presença, apreciar as piadas de nerd, o jeitinho muito certinho... Quando eu notei estava completamente apaixonada por cada pedaço do que ele era... Minato é o homem da minha vida, o pai dos meus filhos, meu melhor amigo nós dois não somos e nunca seremos iguais e isso é bom porque nos completamos. Ele é toda a minha calmaria e eu sou toda a fúria que eu necessito... Naruto, você não é um problema e nunca vai ser. Quando eu soube que estava grávida pela segunda fiquei assustada, Karin era ainda tão pequena e o teu pai estava começando dentro da política... Foi um acidente e o melhor que poderia ter acontecido. – ele apertou meu nariz e eu tive de sorrir. – Um parto difícil, horas até ter você chorando alto nos meus braços. Loirinho igual ao pai, mas manhoso como eu costumava ser. Karin te chamava de...

            — Pintinho. – rolei os olhos e funguei, ainda estava chorando.

            — Isso! Ela tentava te segurar, mas não conseguia, então ficava pendurada no berço te olhando dormir e cantarolando. O seu pai sempre, sempre... Não importava o horário, ele sempre brincava com você quando chegava do trabalho, sua risada se espalhava pela casa e fazia todo mundo rir. Filho, eu sei que sou culpada pela forma como você se sente...

            — Mãe...

            — Não, eu sei! Eu afastei você quando aconteceu porque eu não sabia lidar com tudo aquilo, eu não era forte o suficiente pra ver o meu bebê passar por aquilo... Quando te deixamos com Jiraya e você me olhou, você segurou minha roupa e me perguntou o que havia feito de errado... – ela arfou e respirou fundo para se manter firme. – Você se culpou e eu não fiz nada pra dizer o contrário. Agora você se martiriza, não acredita que é capaz quando dentre todas as pessoas do mundo você continua sendo a mais capaz. Naruto, sorte de quem pode ter um pouco de você e valorizar isso... Todos nós te apreciamos muito porque você merece isso.

            — Eu queria ser normal. – confessei.

            — A coisa mais bonita sobre você é não precisar ser normal para ser incrível. Eu tenho certeza absoluta que qualquer pessoa do mundo vai ser feliz ao seu lado e eu tenho mais certeza ainda da tua capacidade de fazê-la feliz. – segurou meu rosto com ambas as mãos e me fez encará-la – Ligue a sua mágica, tudo o que você quer está a um sonho de distância, sob essa pressão, sob esse preso... Um diamante tomando forma.

            — Eu morro de medo de não conseguir. – cai no choro outra vez e me agarrei às roupas dela. – Mãe, eu quero ajuda.

            — Naruto... Você... – Kushina piscou de um jeito confuso e sua expressão se tornou ainda mais séria. – Quer mesmo?

            — Não quero passar o tempo todo dopado, mas eu preciso de ajuda.

            — Vamos voltar a ver o doutor Iruka. – assenti. – Um tratamento sem medicação. – assenti de novo. – Obrigado, meu amor... Obrigado! – minha mãe sorriu e encheu meu rosto de beijos. – Ai, Deus! Obrigado. Obrigado.

            Eu me deixei chorar mais um pouco no colo dela.

            — Tive que fugir pela janela só de cueca.

            — Jiraya, sinceramente... – minha mãe rolou os olhos.

            — Pai, como você não sabia que a mulher era casada?!

            — A desgraçada disse que era viúva! Não dava pra resistir a um par de peitos daqueles. – meu avô riu e comeu mais uma garfada da torta de maçã. – Agora é só tomar mais cuidados com as mulheres de Singapura.

            — Como vai o próximo volume de “Jardim do Prazer”? – perguntei enquanto me servia com mais um pedaço de torta.

            — Já tenho quase cem páginas prontas, dessa vez será mais picante. – ele sorriu e piscou.

            — Vovô eu tentei ler, mas fiquei constrangida, eu sei que o senhor escreveu aquilo e é muito estranho. – Karin fez uma caretinha.

            — Eu e Naruto temos uma noticia muito boa pra dar! – minha mãe quase saltitava na cadeira. – Conta, bolotinha.

            — Ah, eu vou voltar para o tratamento com o Dr. Iruka. – senti meu celular vibrar no bolso da bermuda. Vibrou vezes seguidas.

            — Oh, isso é... Isso é ótimo, campeão! É maravilhoso! – meu pai sorriu e Karin me deu um beijinho na bochecha.

            — Nunca deveria ter parado, mas fico muito feliz e orgulhoso, principalmente porque parece ser uma decisão sua agora. É um adulto. – meu avô assentiu e eu assenti também. O celular vibrou outra vez.

            — Vou ligar amanhã e marcar uma consulta o quanto antes! Iruka é um profissional muito bom! Ele começou um tratamento para TEI que dispensa medicamentos e se baseia só em terapia assistida, tenho muita esperança para isso!

            — Eu sei, querida. – meu pai beijou o cabelo dela com carinho.

            Puxei o celular para fora do bolso e estranhei as notificações. Havia algumas mensagens, na verdade muitas... Sasuke, Temari, Sakura e até mesmo Gaara me procurando, diziam que precisavam falar algo comigo. Gaara até mesmo me mandara uma localização, me pedia pra encontrá-los naquele lugar.

            — Acho que já vou. – guardei o celular outra vez. – Sasuke está enchendo o saco e acho que ele deve ter feito alguma merda.

            — Devo me preocupar? – meu pai perguntou e eu neguei.

            — Fica tranquilo. Karin, você vai ficar mesmo?

            — Vou sim, amanhã vou direito pra aula. – ela se encolheu mais ainda grudada ao nosso avô. – Já avisei as meninas e o Sui.

            — Sui. – meu pai repetiu. – Quero ter uma conversa com ele em breve.

            — Pai, para com isso.

            Despedi-me deles com beijos e abraços, minha mãe me levou até o carro e encheu meu rosto de beijos outra vez antes de me deixar ir. Tive de parar para abastecer e nesse meio tempo mais uma porção de mensagens foi enviada pra mim, comecei a ficar preocupado. Tentei ligar para Sasuke, mas ele não atendia. Pelo GPS segui para a localização que Gaara mandara e fiquei realmente preocupado quando percebi que estava indo para o Hospital Geral. Estacionei de qualquer jeito e outra vez eu liguei para Sasuke. Ele atendeu depois de tocar cinco vezes.

            — Sasuke, o que aconteceu? – nem o deixe falar primeiro.

            — Onde você tá?

            — Na recepção do hospital... Sasuke, o que aconteceu? – repeti já ficando sem paciência.

            — Estamos no sexto andar, quando você sair do elevador vai dar de cara com um corredor, vem direto e vira a penúltima esquerda.

            — Beleza.

            Ele não diria pelo celular e eu não ia perder mais tempo insistindo. O elevador pareceu demorar uma vida para chegar e mais duas até subir para o sexto andar. Era uma noite de domingo, tudo parecia vazio e silencioso pra caramba. Todo aquele aperto no meu peito pareceu triplicar em mil enquanto em praticamente corria pelo corredor. O primeiro que vi foi Shikamaru, ele estava sentado em uma cadeira e conversava com Temari que estava ao seu lado. Sasuke estava recostado a parede e Itachi parecia lhe explicar algo muito sério. Sakura estava sentada sozinha, ela abraçava o próprio corpo e fungava baixinho.

            Mas, Madara estava ali também é junto a ele dois policiais que me olharam assim que notaram minha presença.

            — Quem é você, rapaz? – um deles, o mais baixo, perguntou se aproximando.

            — Tudo bem, Charlie... É um amigo da menina, amigo dos meus sobrinhos. – Madara o parou e Sasuke me notou. – Eu pedi que chamasse ele.

            — O que está acontecendo?! – questionei diretamente a Sasuke e ele olhou para Temari antes de se virar para mim. – Temari, o que aconteceu?

            — Senta aqui, moleque. – Madara me puxou, sentou-me onde Shikamaru estava antes e chamou Sasuke com um dedo. – Esses daqui passaram o dia inteiro discutindo sobre contar pra você uma coisa e o quanto ela te diz respeito. Eu achei uma grande palhaçada! Sasuke disse que você gosta dessa menina e que esse garoto fez isso pra atingir você...

            — Que? – franzi o cenho e demorou dois segundos até que eu notasse algo importante. – Hinata? – ele assentiu. – O que aconteceu com ela?! Do que você tá falando, tio?

            — Sasuke. – ele mandou.

            — Prometa que você vai tentar ficar calmo, Naruto.

            — Eu não vou prometer porra nenhuma! Fala logo! O que aconteceu?! Cadê a Hinata? Cadê o Neji?

            — Ele está lá dentro com ela. – Temari se aproximou.

            — Ontem à noite, depois da quase briga entre você e o Neji, Itachi viu o Kiba colocar a Hinata quase desacordada no carro e sair. – a cada palavra dele era como se eu perdesse meu próprio equilíbrio. – Não sabíamos para onde ele havia ido, Neji apertou um amigo dele até dar o endereço do Kiba e fomos até lá ainda de madrugada...

            — Quando eu acordei e você estava saindo... – ele assentiu e eu montava um quebra cabeça de poucas peças dentro da minha mente.

            — Hinata estava lá e... – Sasuke respirou fundo e se abaixou na minha frente. – Desacordada na cama dele... Nua e desacordada... Os resultados do exame que fizeram quando ela chegou acusou Flunitrazepan, Ketamina e GHB, ele disse que ela foi porque quis, mas não é verdade ok, não é verdade. Itachi viu quando ele a colocou no carro... Naruto, quando eu perdi a paciência e soquei ele, Kiba riu e me disse que aquilo não era pra mim... Acho que ele possa saber que você gosta da Hinata e fez isso pra desestabilizar você.

            Minha visão estava muito turva, eu apertei minhas mãos com toda força que tive e Sasuke segurou meus braços com força.

            — Por que você não me contou, Sasuke?

            Dentre todos os sentimentos que pareciam explodir dentro da minha mente como fogos de artifícios, de longe o mais confuso dele era sobre Sasuke. Ele mentiu, ele me privou de saber sobre o que Hinata estava passando por um dia inteiro, ele mais do que ninguém sabia de tudo que acontecia comigo sobre ela e ainda assim mentiu. Eu queria tanto explodir, mas eu simplesmente não tinha forças pra nada.

            — Desculpa... Eu só não queria ver você tendo outra crise e...

            — Você mentiu Sasuke e não dá pra reverter isso. – empurrei as mãos dele. – Ele a machucou? – Madara suspirou.

            — O laudo conferiu que não houve violência sexual, mas ele pode ter feito outras coisas... Hinata não se lembra de nada e até agora não falou com a polícia. Estamos aguardando o pai de ela sair e...

            — O pai dela está aí? – ele assentiu. – É bom que esteja...

            Empurrei Sasuke para o lado e não escutei quando me mandaram não entrar no quarto.

           

Hinata Pov

            Quando eu acordei naquele quarto de hospital tudo ainda parecia confuso, mas eu não precisei de minutos pra entender tudo. Encarei o teto de gesso e a lâmpada branca calada, só percebi que chorava quando o travesseiro abaixo da minha cabeça se tornou úmido demais. Eu estava sozinha. Absolutamente sozinha e não em um sentido figurado, eu me sentia como em uma dimensão dolorosamente silenciosa onde poderia perder minha voz aos gritas e ninguém viria para me salvar.

            Eu me lembrava.

            Era como um pesadelo vívido, um meio termo entre estar apagada, mas ciente de tudo ao meu redor. Cada pelo do meu corpo se arrepiava com o asco de parecer ainda sentir as mãos geladas tocando, dos lábios sobre a minha pele, do cheiro azedo de bebida e perfume forte.

            Kiba Inuzuka poderia não ter ido até o fim com o estupro físico, mas havia molestado completamente a minha mente. E ele não parava, o pesadelos já havia se findado, mas se repetia sem parar como uma tortura psicológica. Durante as duas horas que fiquei sozinha naquele quarto Kiba me estuprou incessantemente sem nem estar presente.  Queria tanto arrancar a minha pele e atear fogo, furar os meus seios até murcharem e depois jogar fora tudo que estava dentro deles, cortas meus lábios fora, entupir minhas narinas pra não sentir cheiro nenhum, fechar os meus olhos e nunca mais abri-los.

            Eu quis tanto morrer que implorei a Deus que o fizesse.

            Eu quis tanto não sentir mais nada.

            Quando Temari e Sakura entraram no quarto e se aproximaram eu continuei em silêncio e desviei meu olhar, eu poderia sucumbir de tanta vergonha, de tanto nojo que sentia de mim mesma.

            — Não é sua culpa.

            Com essa pequena frase Temari rompeu todas as barreiras do meu desespero. Sempre fui quieta e calada, sempre me contive para não expressar demais e envergonhar outras pessoas, então eu gritei. Gritei enquanto encolhi meu corpo naquela cama desconfortável e Temari me abraçava forte, sussurrando que eu colocasse pra fora, que eu cuspisse tudo.

            Eu chorei feito uma criança nos braços dela e de Sakura, mas nenhuma delas me fez falar sobre o que eu só queria esquecer. Se não era minha culpa, porque parecia tanto que era? Talvez se eu não tivesse aceitado sair com ele, talvez se eu não tivesse aceitado a bebida, talvez se eu fosse mais confiante... Talvez.

            — Ele dizia que me ver daquele jeito o deixava excitado... Eu estou com tanto nojo de mim... Eu quero arrancar a minha pele... Quero tanto fazer a minha mente parar de repetir isso...

            — Ele vai pagar por isso, Hina.

            — E isso vai apagar o que ele fez em mim? – questionei a Sakura e ela apenas negou e abaixou o rosto para chorar também. – Isso não vai apagar nunca.

            Elas ficaram comigo por mais tempo e eu percebi que logo após isso não conseguia mais chorar. Saíram quando Neji entrou e eu o vi sentar na cama próxima aos meus pés e manter os olhos em mim. Ele havia chorado, era evidente. Ele tocou meu pé e eu me esquivei, encolhi minhas pernas e ele pareceu entender o meu medo. Não era sobre ele, era sobre um homem.

            — O laudo confirmou que não... Não aconteceu violência sexual. Madara chamou uns amigos da polícia e eles vão pegar o teu depoimento quando se sentir confortável para isso. – eu assenti. – Me perdoa?

            — Neji... – ele saiu da cama e eu me surpreendi quando o vi ajoelhar perto de mim e abaixar a cabeça. – Neji!

            — Me perdoa? Isso tudo que aconteceu foi minha culpa. – ele segurou minhas mãos e eu não pude repeli-lo. – Eu te amo muito, Hinata... Você é como minha irmã e eu deveria proteger você, mas acabei te fazendo sofrer tanto. Eu não mereço seu perdão, mas, por favor, pelo amor de Deus, não me odeie! Eu acho que posso aguentar isso de qualquer pessoa, mas de você nunca.

            — Não foi culpa sua, Neji. Ele é uma pessoa ruim e você não poderia imaginar que isso aconteceria, ele manipulou tudo ao favor dele. Não é tua culpa que ele tenha feito isso... É culpa dele. – e minha, quis dizer, mas me calei.

            — Foi por causa do Naruto. – franzi o cenho e Neji fungou. – Kiba o odeia e queria atingi-lo...

            — Mas por que eu?

            — Porque ele está apaixonado por você, Hina. Ele gosta muito de você, mas não sabe lidar com isso e tem medo de te machucar... Eu o repeli e no final estar com ele seria o melhor para você. – lamentou e eu me sentia confusa.

            — Fui uma peça de ataque? – ele me olhou com certa pena e eu odiei esse olhar. – Kiba me fez tudo isso apenas para atingir o Naruto? A minha vida vale tão pouco assim pra ser usada como peão de tabuleiro?

            — Não diz isso...

            Nós dois paramos de falar quando a porta abriu e por ela entrou quem eu menos esperava. Neji ficou de pé e secou as lágrimas. Ele entrou no quarto e fechou a porta, estava muito bem vestido e com os cabelos soltos, caminhou até mim e tocou meu cabelo com as pontas dos dedos. O gesto me lembrou de quando ainda era criança e ele costumava fazer isso quando eu estava doente.

            — Parece que está bem. – eu não ouvia sua voz tão terna há anos. Meu pai se afastou outra vez e se virou para Neji. – Como permitiu que algo assim acontecesse? Já foi bem menos irresponsável, garoto.

            — Não é culpa dele, pai...

            — Cala a boca, Hinata. – ergueu uma das mãos e sequer me olhou. – Já não basta essa história absurda de colocar Hizashi em um tratamento do governo? Um desses que só serve pra gente pobre achar que pode sem manter à custas de quem trabalha? O que vai fazer depois? Começar a receber um auxílio familiar e engravidar a morta de fome da sua namoradinha pra aumentar o valor? – vi as mãos de Neji se apertarem com força e seu maxilar trancar. – Sua obrigação é estudar e cuidar de Hinata, garoto! Não é uma porcaria de time de vôlei, festinhas de fraternidade e foder uma suburbana pra matar o tempo... Qual é o problema de vocês dois?! – ele se virou para mim cruzando os braços – Eu sempre quis ter filho. Quando a sua mãe me falou que estava grávida eu disse a ela que ficaríamos bem, comprei aquele colar de rubis que ela gostava tanto e lhe presenteei. Então, descobrimos que era uma menina, não vou negar que fiquei frustrado... Eu não achava que uma mulher pudesse assumir o meu lugar e você nasceu só pra comprovar isso, Hinata. – suspirou e descruzou os braços, seus passos leves o aproximaram de mim e eu ergui meu rosto, poderia me afogar em lágrimas, mas não o faria na frente dele. Não mai. – Fraca e inútil. – meu pai rolou os olhos. – Hizashi teve mais sorte com Neji mesmo que agora você... – olhou pra Neji. – Esteja agindo como um imbecil preso por um par de pernas... Mas vou cuidar da Mitsashi depois...

            — Não ouse!

            — Não ouse você me enfrentar, moleque ingrato! – Eu não deveria ter tirado os meus olhos de vocês! Mudou o curso para gastronomia, por Deus Hinata, você é tão burra assim de verdade ou faz pra me irritar?! Eu já te expliquei mil vezes que você não tem capacidade de sequer tomar uma decisão trivial sozinha... Quem te fez pensar diferente? SIGA O MALDITO PLANO! – me assustei e ele respirou fundo, parecia procurar calma. – Agora isso... Uma festa de fraternidade, drogas e a polícia esperando no corredor para tomar depoimento... Eu tive de cancelar duas reuniões importantes por sua causa! Você tem ideia de que mesmo quando te mando pra longe continua sendo um estorvo?! – ele chegou mais perto. – Você vai dizer aos policiais que nada aconteceu, que foi por vontade própria para o apartamento do garoto Inuzuka e que ingeriu drogas na porcaria daquela festa, entendeu? Eu não vou me indispor com o partido por que você está se tornando uma vagabundazinha de quinta.

            Hiashi ajeitou o paletó e olhou o relógio que usava no pulso.

            — Partido? – Neji franziu o cenho.

            — Genma Inuzuka é um dos nomes mais importantes dentro do partido, possui muita influência e estou contando com o voto dele para concorrer pelo partido nas próximas eleições. – explicou.

            — Você vai deixar o filho do cara impune por causa de política?

            — Reclame assim, Neji, quando receber a mesada gorda que eu te dou todo mês. – desdenhou.

            — Ele estuprou a Hinata! – Neji quase gritou e eu o vi quase espumando de raiva. – Tua filha.

            — Não houve violência sexual. – simplificou. – E a culpa é toda dela por ser tão ingênua.

            Neji avançou para cima dele, mas antes que o fizesse parou ao ouvir o meu grito.

            — NÃO! – ele me olhou confuso e Hiashi também. – Não Neji, não faça isso.

            — Pelo menos um de vocês ainda é sensato. Hinata vou vir te buscar quando tiver alta e vamos para casa, tranque a matricula e passe uns tempos com sua irmã...

            — Saia daqui. – Hiashi parou de falar e me olhou como se eu fosse uma assombração. – Saia daqui.

            — Perdeu o juízo?!

            — Perdi! Perdi a porcaria do juízo! EU PERDI TUDO, PAI! Estou dentro de um pesadelo e tudo que te importa é qualquer coisa que não seja eu! Eu não vou fazer o que você quer. NUNCA MAIS! Não quero mais olhar para você! Não vou deixar o Kiba fazer com outra garota o que fez comigo só pra não manchar seu nome numa droga de partido!

            — Hinata... – ele sorriu sem humor nenhum e mordeu a boca por dentro. – Você vai sim fazer o que eu estou mandando!

            — Minha mãe morreu de desgosto. – o sorriso de Hiashi se desfez. – Ela morreu porque qualquer pessoa no mundo preferiria morrer a viver do seu lado! A doença foi o resultado da tristeza que parecia caminhar livremente pela casa! Minha mãe sorria, ela cantarolava e era feliz... Então você ficou cego com a política e ela definhou bem em frente dos seus olhos e você não fez nada, pai. Eu não vou morrer como ela! Minha mãe sempre me pedia para ser feliz e eu acreditava que felicidade era viver sob suas ordens, mas aqui... Agora eu me liberto de tudo que seja sobre você...

            — Ingrata! Ingrata igual a sua mãe foi! Ah, você se liberta de mim?! E como vai viver? Esqueceu que eu te sustento?! Que até mesmo a calcinha que você usa fui eu quem comprou? Que a comida que você come é tirada do meu bolso? Da minha política maldita?! Você é igual à Keiko mesmo! Achava que iria chegar a alguma lugar pintando quadros e se entupindo de antidepressivo até parecer um zumbi...

            — Eu prefiro morrer de fome a aceitar alguma coisa de você outra vez. – cuspi as palavras. – Eu vou morrer feliz e não viver definhando ao seu redor. Saia daqui e saia da minha vida! – um choro doloroso subiu por minha garganta, mas eu o mantive preso. Para brincar comigo, as lembranças me levaram há anos atrás e momentos quase inexistentes de um pai rígido, mas atencioso que nos deixava sujar com as tintas coloridas da esposa e sempre perguntava sobre nosso dia durante o jantar. Tão pouca coisa, mas ainda assim, tão difícil de soltar. – Esqueça que tem uma filha!

            — Vamos ver até quando essa sua independência vai, Hinata. Vamos ver até onde vocês dois chegam sem mim, sem o meu dinheiro para bancar os luxos, o carro do ano, as roupas caras, a faculdade, o lazer... Vamos ver até onde chegam sozinhos antes de voltar beijando meus pés implorando por ajuda... Podem trabalhar com algo, sim. Neji pode virar atendente de lanchonete e você pode abrir as pernas para universitários, uma fonte de renda realmente eficaz. – Hiashi não percebeu quando abriram a porta e eu congelei completamente ao ver Naruto ali. – Eu achei que havia me decepcionado quando o médico disse que era uma menina, mas agora eu estou muito mais decepcionado por não ter convencido sua mãe a se livrar e tentar outra vez.

            O soco atingiu o rosto de Hiashi com tanta violência que eu gritei. Ele foi jogado para trás e cambaleou até cair no chão e olhar para cima de olhos arregalados. Naruto ainda estava parado segurando a maçaneta da porta quando Neji deu dois passos em direção ao homem no chão e manteve o queixo erguido. Hiashi estava tocando o lábio inferior que sangrava.

            — Escute bem, Hiashi... Nós nunca mais vamos precisar de um centavo seu e muito menos da sua presença, mas eu quero que você entenda que eu não sou o meu pai, eu não vou abaixar a minha cabeça pra um merda como você nunca mais. E nunca mais, NUNCA MAIS, se aproxime de mim, da Hinata ou se atreva a tocar na minha mulher... Eu juro por Deus, Hiashi... Eu juro pela vida do meu pai, se você tocar em um fio de cabelo da Tenten, que mato você. Vai embora daqui e finja que nem eu e nem a Hinata existimos.           

            — Ora, ora... O garoto tem bolas, então? – Hiashi se levantou e ajeitou o terno. – Espero que vocês dois se fodam. – gesticulou. – Hanabi vai ficar feliz em saber o quanto você se importa com ela, Hinata. Pena que não pode se despedir. Vou manda-la para outro país em breve.

            Com isso ele me atingiu fundo. O vi dar as costas e franzir o cenho profundamente quando viu Naruto na porta. Os dois se encararam, Naruto era um palmo mais alto, mas Hiashi manteve a cabeça erguida.

            — Você se parece com...

            — Minato Namikaze. – o loiro completou e Hiashi arregalou os olhos. – Meu pai. – explicou. – Ele lhe manda lembranças... – Naruto largou a maçaneta. – Seu velho filho da puta!

            Então, ele socou o rosto de Hiashi também.


Notas Finais


é isso! até a próxima!

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