História Altitude - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias The GazettE
Personagens Aoi, Reita, Ruki, Uruha
Tags Reituki, Romance, Voô
Visualizações 97
Palavras 3.731
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie.
Um dia desses eu estava conversando com a @andyNilduenilun e ela disse que sentia falta de Rascunho, já que as minhas fics são sempre pesadinhas... Então eu disse que ia escrever alguma coisa com bastante açúcar pra matar a sdd. heheh e escrevi.
Miga, toma que isso vai dar diabetes, essa fic é pra vc. Espero que goste. <3

Capítulo 1 - Decolando.


Fanfic / Fanfiction Altitude - Capítulo 1 - Decolando.

Quero saber o que é o mundo e por que estou aqui e para onde estou indo... Quero saber também como voar sem um avião, se assim o desejar.”

Richard Bach

 

Seus pés corriam, seu corpo inteiro ardia em uma dor quente e fria que fazia seus músculos repuxarem, suor começava e escorrer por sua pele levando-o a considerar que deveria ter pelo menos tirado o cachecol grosso de lã que envolvia seus ombros e parte de seu queixo.

Mas não havia tempo para trocar de roupas, não havia tempo para largar aquela mochila pesada, não havia tempo para nada, apenas correr e talvez, pudesse alcançar o final daquela avenida interminável, onde deixou seu taxi para trás com um motorista entediado no engarrafamento que o garoto apressado o colocou.

Dentro da taxi era silencioso, assim como o transito; ao contrario do que poderiam imaginar, não havia sons de buzina, ou gritos, apenas um tédio ensurdecedor banhado pelo silencio exausto de fim de tarde. As luzes já começavam a se acender, uma a uma e competiam com o sol que dava um adeus gracioso entre as nuvens multicoloridas.

Mas naquela tarde, nada fez com que Takanori pudesse se concentrar além da sua respiração que já ardia em seus pulmões, o ar frio entrando e saindo quente como os pulmões de um balão.

Balões...

Por que tudo tinha que lembrar balões e céu?

Balões, balões gigantes, zepelins, aviões.

Seus pés tropeçaram uns nos outros enquanto agarrava com força a alça da mochila e desviava de pedestres cansados, corria na direção oposta a todos os executivos que saiam de suas empresas, corria na direção oposta que as meninas em suas roupas colegiais, corria na direção que o vento o empurrava, assim como as folhas vermelhas do inicio do inverno de uma das árvores que o seguia.

Em outro momento imaginaria que sua correria estava sendo precedida por um rastro de fogo, mas naquele dia sequer via nada além de avançar mais, mais, mais, mesmo que seus joelhos estivessem com as juntas em brasas, uma dor na lateral do corpo, o suor mesclando seus cabelos á testa. Haviam lágrimas em seu rosto quando atendeu o telefone e ouviu aquela noticia, mas assim que passou a correr, elas secaram.

Não havia tempo para raciocinar desde que o acidente havia acontecido, fazia o que? Uns dez anos de pavor, dez anos de noites em claro?

Não, haviam sido três dias, na verdade.

Os piores três dias da sua vida.

Quando levava sua mente para quatro dias antes, ainda podia ouvir suas risadas que ecoavam entre os shojis de papel da sala onde ele se sentava no zabuton, olhando para o rosto do amigo á sua frente que contava uma piada estupida, com apenas aquela mesinha chabudai entre ambos, enquanto a luz interna era confortável e agradável, mesmo que a chuva caísse lentamente lá fora, por hora, Takanori sentia-se bem, já que aprendeu a detestar a chuva há muitos anos.

O ritual era que sempre antes de um voo ambos saíssem e comecem no mesmo lugar, um restaurante tradicional onde havia espaços reservados e o silencio era agradável.

Suzuki Akira, o piloto, fazia voos executivos há pelo menos quatro anos, antes disso teve uma carreira militar que acabou o enjoando, como disse, não nascera para fingir brigar batalhas que não eram dele.

Só queria voar, mas não se sentia bem ao pilotar uma maquina de guerra.

Takanori a principio quando o viu desistindo da carreira militar imaginou que ele iria parar com aquela profissão, mas em vez disso, apenas mudou de área.

Em vez de caças Lockheed Martin F-22 ou F-35 e o macacão verde musgo, agora como equipamento tinha um luxuoso Legaxy 500, um jato que carregava até oito passageiros para viagens geralmente de cunho profissional.

Ele tinha algumas histórias sobre músicos importantes que transportou, sobre moças que quase deram a luz dentro do jato, de celebridades mimadas, políticos exóticos, mas apenas de falar sobre seu mundo paralelo há tantos pés de altitude do chão, Takanori já sentia as vertigens de horror apenas de imaginar tal absurdo.

Desde criança, Takanori era cercado de ar, de nuvens, de aviões e isso não podia ser pior, levando em consideração seu horror por altura.

Seu pai, Matsumoto e o pai de Akira, Suzuki-san, ambos tinham em comum o mesmo trabalho; eram pilotos de grandes aviões de companhias aéreas, sendo um comandante e o outro co-piloto.

Lembrava enquanto corria da implicância que sentia por Akira, quando criança quando seus pais se encontravam naqueles horríveis eventos onde aqueles caças davam voltas, e voltas no espaço até deixa-lo tonto enquanto o filho magrelo do Suzuki ficava olhando para o céu com aquela expressão boquiaberta, fascinado.

Gostaria de ser como ele, de poder ao menos entrar em uma das latas de metal, mas seu peito se fechava apenas em imaginar algo assim.

Naturalmente, Akira seguiu o caminho de seu pai, se tornou um piloto logo que entrou para a força aérea mesmo cursando engenharia aeronatica, ao passo que na mesma faculdade, Takanori cursava história da arte.

Ao seu modo, voava também, mas com a imaginação e isso lhe bastava, pois a seu ver podia ir muito além que as nuvens enquanto admirava algumas obras. Podia até mesmo voltar ao passado assim.

Na rua, no tempo presente sua respiração descompassada já dava sinais que estava falhando, falhando tal qual o maldito motor daquele Legaxy que Akira tanto afirmava com orgulho ser mais seguro que um carro.

Falhava assim como no dia que recebeu a noticia que o jato havia se perdido do radar e que as buscas pelos destroços haviam começado sobre o Pacifico, em direção á Sapporo.

Takanori sentia sua garganta voltando a se fechar enquanto corria já sem forças nos músculos das pernas, talvez não pudesse mais correr, mas diante aquele transito eterno, nada mais podia ser feito.

Se ao menos houvesse dado tempo de pegar uma bicicleta...

Quando se encontraram, na faculdade, por coincidência em uma das aulas de japonês, reconheceu o metido que usava uma faixa no nariz que era o queridinho de seu pai e desviou o olhar, mas Akira não parecia ser o tipo de pessoa que compreende o que é um olhar de desdém e logo puxou conversa, afirmando que lembrava dele e que seus pais ainda tinha encontros periódicos em Kanagawa, agora aposentados, jogavam boliche juntos ocasionalmente, mas que não o via desde que veio para Tokyo.

Takanori fingiu não prestar atenção, afinal, ele era o garoto que a sua adolescência toda teve uma implicância gigantesca, mesmo que seu próprio pai dissesse que ele não tinha que ser piloto, como ele era, e sim o que quisesse ser.

Mas dentro de Takanori a sua incapacidade por voar sempre foi um problema...

Até aquela tarde, enquanto o inconveniente que agora já não era mais tão magrelo e baixote, agora tinha cabelos louros e era mais alto que a si mesmo, pois aos poucos suas piadas foram se tornando mais e mais sem graça ao ponto de gargalhar e acusa-lo de ser um péssimo piadista.

Jantaram juntos naquele restaurante tradicional, naquela semana, e então Takanori percebeu que ele se calava e o escutava falar sobre a arte com a concentração que provavelmente teria enquanto lia seus livros complicados de mais, de engenharia.

Se tornaram amigos, mas Takanori que sempre teve medo do céu e sua imensidão passou a ter medo por Akira, todas as vezes que ele dizia que iria sair em um voo mais longínquo, o medo se apossava de si.

Aviões são mais seguros que carros, Taka”, afirmava rindo e tragueando um cigarro, naqueles modos serenos que beirava o letárgico.

Takanori sentia raiva enquanto parava ao ver o sinal fechar, apoiando-se nos joelhos e respirando com dificuldade, respirando alto. Olhou para ambos os lados da avenida e quando o sinal fechou outra vez, suas pernas gritaram de dor para que não corresse mais, mas ele precisava, ele tinha que correr ou simplesmente não aguentaria.

Assim que cruzou a rua, gemendo de dor pelo corpo, arrumou a mochila nas costas e tentou voltar a correr, mas seu corpo já não permitia mais.

Aviões são mais seguros que carros...

Estava tendo um dia corrido no museu que trabalhava, quando recebeu o telefonema há três dias, era Kouyou, um dos seus amigos que naquele dia não havia ido trabalhar na restauração de uma peça do período Edo, já que havia saído com Shiroyama Yuu, cujo foi substituído por Akira para levar um cirurgião á Sapporo.

Kouyou e Yuu se conheceram em uma das festas de aniversário de Akira, há uns dois anos e desde então estavam juntos.

Takanori sempre soube que Akira gostava de ser o cupido dos amigos, embora jamais lhe houvesse apresentado ninguém antes, o que sempre o levou a rir e compara-lo á um irmão ciumento.

No dia em questão, a voz de Kouyou parecia embargada, embora tentando manter seu tom calmo e não foi preciso dizer mais nada enquanto Takanori se virava e olhava a chuva torrencial que caia em Tokyo o que havia acontecido; era Akira e seu maldito avião.

Quando ficou confirmado o acidente, foi como se todas as suas suspeitas, todos os anos de alerta fossem premonições reais que o piloto jamais ouviu por pura maldade.

Odiou Akira naquele segundo, mas sobretudo, queria o melhor amigo a sua frente para poder brigar com ele.

Três dias sem dormir, três dias que pareciam anos, três dias ao lado do telefone enquanto Yuu e Kou se revezavam ao seu lado, mas ele sequer os via, pois tudo o que tinha era a esperança que aquele telefone tocasse e informasse que o acharam, o acharam com vida.

Cada hora que passava era uma hora a menos de chances, cada hora era uma tortura até que finalmente o telefone tocou.

Akira tinha três números em sua fixa para onde ligarem em horas como aquela. Um era o de Yuu, para preparar os demais que eram seus pais e Takanori.

Quando o celular de Yuu tocou simultaneamente com o fixo a sua frente, o silêncio dentro da sala foi tão pesado quanto um Boing.

Hey, Taka, sabia que o Antonov AN-225 levanta voo com 640 toneladas? Isso não parece um milagre pra você?

Não podia atender, mesmo depois de toda aquela espera, por que não queria imaginar que talvez não estivesse certo, não podia.

Yuu suspirou longamente, ele e Kou se entreolharam e o piloto atendeu, receoso.

Assim que ouviu e respondeu monossilábico, as expressões dele pareceram se relaxar e por fim ele entoou;

O Akira foi encontrado, Taka, ele está vivo”.

Não soube o que Yuu disse depois daquilo, pois tudo o que fez foi chorar de raiva, iria mata-lo por ter feito aquilo, iria mata-lo por não ouvir todas as suas convicções sobre o maldito avião.

Arrumou-se e esperou andando de um lado ao outro o segundo telefonema, o telefonema que iria contar em qual hospital estariam o trazendo e como obviamente ninguém aprendia com o acidente, o trouxeram de helicóptero, em seguida informando onde ir.

Por isso não houve tempo de trocar de roupa, por isso deixou Kouyou e Yuu para trás e correu ao primeiro taxi, por isso abandonou o taxi e agora corria, sendo precedido pelo fogo, mas que na verdade eram apenas folhas vermelhas.

Iria mata-lo!

Assim que entrou no hospital, direcionou-se ao guichê, mas teve seu braço puxando lentamente e voltou-se furioso vendo um homem na casa dos cinquenta anos, os cabelos grisalhos e um rosto bondoso. Era certamente um dos pilotos que Akira chamava de sensei.

— O que está havendo? Onde ele está? — balbuciou roucamente pelos lábios avermelhados da corrida entre a respiração entrecortada, as pupilas dilatadas de adrenalina e pavor. — Onde ele está?

— Calma, calma. Você é o Matsumoto, não é?

— Onde ele está?

— Venha comigo. Se acalme primeiro...

— Ele pode andar? — gaguejou sentindo o choro vindo á sua garganta e o cobrindo com as costas da mão. — Ele vai morrer, não vai? É isso, não é?

O senhor, que já sequer pretendia saber o nome piscou lentamente e riu, fato que o deixou com mais raiva, por que alguém riria em uma situação daquelas.

— Ele quebrou o braço e sofreu alguns arranhões, Matsumoto-kun.

Takanori pareceu sequer entender aquilo, franziu o cenho e o encarou de cenho franzido.

— O que?

— Ele só quebrou um braço. — afagou as costas suadas de Takanori e sorriu a ele, compreensivo. — Eu ia te avisar que ele está no banho, logo volta para o quarto e que a primeira pessoa que ele quer ver é você, mas fora isso pode parar de se preocupar.

Takanori abanou a cabeça e sentiu finalmente o peso da mochila que sequer sabia o que havia dentro ou por que a pegou, sentiu as pernas doendo como se bombas pulsassem dentro delas. Sentou-se tremulo, em uma das cadeiras do corredor e recebeu um copo plástico das mãos do homem que sorria a ele com bondade.

— Ele vai ficar bem.

Bebeu a água até o final, percebendo o ardor de sua garganta.

— Não, ele não vai, eu vim matar o Akira. — rosnou sem poder controlar o corpo tremulo.

A espera foi mais que uma eternidade, quarenta e cinco minutos que o fizeram beber quase metade da bomba de água disposta ao fim do corredor, para que finalmente o familiar de Suzuki Akira fosse chamado. Lá fora haviam repórteres, mas ele foi facilmente afastado de todos, era o único que podia entrar no quarto, uma vez que apenas familiares eram recebidos no primeiro momento e seu nome era a substituição dos pais de Akira que moravam em outra cidade.

Enquanto seguia a enfermeira, sentia as pernas dormentes quase o fazendo cair, aqueles corredores brancos e cheirando a limpeza o confundiam a ponto de ter certeza que não saberia voltar.

Assim que ela bateu em uma das portas e ela foi aberta por um médico que saia com uma prancheta, Takanori espiou sobre o ombro dele e viu outros médicos saindo de dentro do quarto. Não os ouvia, não queria ouvir, de modo que empurrou com o ombro e passou por baixo do braço de um deles em direção ao leito.

Era ele mesmo, era Akira ali sentado na cama com um celular na orelha.

Takanori sorriu, mas seu rosto se tornou tenso e levou ás mãos ao rosto, desabando a chorar.

Akira vestia uma estupida roupa hospitalar branca, com pequenos desenhos do logo do hospital. Seus cabelos louros estavam caídos desalinhados para o lado, havia uma grande coleira branca em seu pescoço imobilizando-o e tubos em sua mão que segurava o telefone enquanto a outra repousava com gesso sobre o colo.

Assim que se entreolharam, um pequeno sorriso de compaixão dançou nos lábios do piloto que fez uma pausa e disse;

— Mãe, o Taka chegou, ele está meio que pirando, eu ligo mais tarde, está bem?

Takanori tirou enfim a mochila e a deixou cair no chão, em seguida arrancando o grosso cachecol encharcado de suor e ficou o encarando enquanto ele rodava os olhos pelo quarto de forma divertida e sorria, até desligar e colocar o celular ao lado, em uma cômoda com resquícios de um lanche recente.

Lá fora o vento uivava, mas nada mais parecia ser escutado além dos bipes mecânicos dos aparelhos.

Não disseram nada, não era necessário por hora, mas quando Takanori avançou pesadamente pelo quarto e se atirou sobre Akira, o ouviu arfar pesado de dor.

— Seu filho da puta, olha o que você fez comigo! — berrou finalmente Takanori enquanto sentia as lágrimas correndo pelo rosto e molhando a fina camisola hospitalar no peito do amigo.

Seus soluços ecoaram pelo quarto enquanto a mão livre de gesso foi de encontro aos seus cabelos e acariciaram ali, de modo carinhoso.

— Me desculpa. — disse enfim a voz tranquila. Repetiu aquilo por muito, muito tempo enquanto o consolava. — Me desculpa.

Apertou o tecido da camisola entre os dedos e ergueu o olhar úmido e marejado para encará-lo, havia um pequeno corte no lábio inferior de Akira e um na têmpora, agora oculto pelos cabelos e um curativo.

Aos poucos a respiração do baixinho se estabilizou, mas não saiu daquela posição, não quando os dedos gentis dele deslizavam pelo seu rosto, secando as lágrimas.

Nunca tiveram um contato tão próximo quanto aquilo, mas devido ao momento e as circunstâncias, Takanori não se afastou, prestando atenção á expressão séria e adulta no rosto dele.

O polegar de Akira era quente, seu corpo abaixo de si era quente e confortável, mesmo com o cheiro do sabonete do hospital e aquela austeridade da camisola, ainda havia seu cheiro presente e apenas senti-lo de perto fez Takanori acalmar aos poucos a respiração embora seu coração ainda estivesse tão acelerado quanto o coração dele, que sentia com a mão pousada em seu peito.

— Não me peça desculpas. — fungou deitando a cabeça novamente em seu peito, mas com a desculpa que queria ter certeza que o coração dele batia tão acelerado ou era imaginação sua. — Você sofreu um acidente, que culpa teria?

— Já passou. — retrucou baixinho. — Quando aconteceu a falha, a primeira pessoa que pensei foi em você. Sabia que ia ficar muito, muito bravo com o céu... É a ultima coisa que eu quero.

Takanori ergueu o rosto furioso e o encarou, dando-lhe um tapa fraco no peito que fez Akira rir mesmo com expressões de sofrimento.

— Eu achando que você estava morto e você se preocupando com a minha ideia sobre o céu? Você é louco?

Enquanto Akira ria, Takanori lentamente desmanchou o cenho franzido e sorriu, minimamente até começar a rir com ele.

— Taka? — o encarou com a voz risonha.

— O que é? — disse com o sorriso nos lábios apoiando o queixo nele.

— Sabia que está deitando em cima do meu braço quebrado?

Takanori saltou de cima dele rapidamente e levou as mãos á cabeça.

— Ah, mas que droga, me desculpa, eu... Eu...

Akira riu de suas expressões desesperadas e ergueu o braço, o colocando ao lado do corpo em uma distancia considerável para que ele pudesse sentar-se ao seu lado já que deu espaço.

Takanori desviou os olhos, constrangido e apenas sentou na ponta da cama, mas bem que gostaria de voltar aquela posição.

— Eu quase morri de preocupação, Akira, o que aconteceu afinal?

— Em termos técnicos?

— Sabe que não, baka, em termos que eu entenda.

Assentiu sem sequer poder mover a cabeça e já que havia sido recusado o convite para deitar-se ali com ele, Akira levou o braço engessado até ele, que não viu problemas em segurar sua mão entre a sua, enroscando os dedos aos dele naturalmente.

— Houve uma falha técnica que prejudicou um dos motores, o outro superaquecido entrou em pane e caímos. Havia eu, o copiloto e um passageiro, por sorte saímos do avião antes dele cair e quando aterrissamos no mar, havia uns destroços. O resto já pode imaginar, ficamos á deriva e com a correnteza do mar aberto nos afastamos muito da rota, mas por sorte nos acharam a tempo.

Takanori enfim soltou um suspiro de alivio e abanou a cabeça, pensando o quão surreal havia sido aquilo.

— Eu achei que tinha te perdido.

Akira o encarou por alguns segundos com sua expressão séria, mas sorriu e apertou sua mão com uma expressão gentil.

— Não achou que eu ia te deixar, achou?

Aquela frase parecia séria de mais, intima de mais a ponto de por alguma razão que desconhecia, fez Takanori abaixar o olhar e sorrir.

— Estamos muito emotivos, amanhã você vai rir de mim e contar pro Kou e o Yuu que me atirei em cima de você.

Ele fez menção de afastar-se novamente e sorriu, daquele modo que sempre sorria quando era criança e olhava para os aviões.

— Eu não conto pra ninguém. Eu prometo.

Takanori voltou-se a ele rindo, em duvida.

— Você não quer isso!

— Vem logo, está louco pra isso.

— É sério mesmo? — arregalou os olhos, chocado e rindo ao mesmo tempo.

Do jeito que podia, Akira deu de ombros.

— Estou sem dormir há três dias, sabia que quase congelei? Meus ossos estão ainda doendo de frio, e acho que você não dorme há três dias também...

Takanori mordeu os lábios, indeciso e tirou os sapatos sob o olhar atento dele. Enquanto tirava o casaco o encarou ainda rindo, incrédulo e abanou a cabeça.

— Se contar eu te mato.

— Vem logo. Já dormimos quantas milhares de vezes juntos quando acampamos?

Levantou o fino lençol e deitou-se ao lado dele, equilibrando-se na cama estreita enquanto o braço de Akira pousava em seu ombro. O ouviu suspirar tranquilamente, como se esperasse por aquilo e sentiu seu peito parar de doer como doía por todos aqueles dias.

O silencio do quarto, o calor que lentamente seus corpos passavam um ao outro, a calma recente, tudo contribuía para que o sono chegasse vagarosamente. Quando seus olhos estavam quase fechando, ouviu seu nome ser sussurrado e abriu-os voltando para Akira que parecia uma múmia estática com aquela coleira.

— Taka...

— O que é? — resmungou.

— Não dorme há três dias?

— Não. — afirmou manhoso.

Uma risadinha fez o corpo do piloto se contrair rapidamente.

— E não toma banho há três dias também? — disse a voz baixa e com humor.

Takanori abriu os olhos rapidamente e automaticamente cheirou-se. A corrida havia contribuído muito para aquele cheiro de suor de baixo das cobertas. Ergueu o olhar constrangido e fez menção de se afastar, mas o braço dele o segurou ali enquanto o ouvia rindo.

— Não tem problema, não me importo que você seja assim, sujinho.

— Cale a boca, idiota. — riu e tornou a fechar os olhos assim que ele o fez.

Quando os pingos de chuva voltaram a bater na janela, Takanori respirou fundo em agradecimento.

Agora já podia chover, agora Akira não estava mais no céu e nem perdido.

Para Akira que a chuva era sempre sinal de atrasos, sentia pela primeira vez que agora não era tão ruim, pois mesmo sem voar, era como se estivesse decolando.

Agora podia chover para sempre, eles não se importariam.

 


Notas Finais


E ai? Parece promissor? hsuahsas
<3 Até o próximo.


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