História Altitude - Capítulo 4


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Categorias JoJo no Kimyou na Bouken (JoJo's Bizarre Adventure)
Personagens Caesar Anthonio Zeppeli, Joseph Joestar, Jotaro Kujo, Kakyoin Noriaki, Personagens Originais
Tags Aviação, Caejose, Romance, Universo Alternativo
Visualizações 43
Palavras 3.711
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sabe oq eu amo em Jojo? Tudo is a motherfucker reference hahahah
Boa leitura!

Capítulo 4 - Vanilla Sky


Fanfic / Fanfiction Altitude - Capítulo 4 - Vanilla Sky

Não tenho medo de altura, tenho medo é do impacto da queda.

David Aames (Vanilla Sky)

 

Caesar suspirou e apontou para a casa, que parecia exatamente a mesma desde a última vez que estivera ali, há tantos anos.

— Mas que inferno, todos esses pedágios me fazem perder a paciência de voltar aqui, sabe? É um roubo — resmungou descendo do carro para abrir o portão e ao ver Joseph pulando para o banco do motorista, apenas segurou-o para ele entrar.

Assim que o carro cruzou os portões duplos de ferro, Caesar escorou-se neles visualizando a água de baia de Lower ser refletida com o sol do inicio da tarde.

Aquela parte de Midland Beach, no condado de Nova Iorque, guardava algumas lembranças engraçadas para Caesar, na casa costeira que os pais iam aos finais de semana. Basicamente precisava atravessar a avenida e já estava na praia com partes rochosas, onde por muitas vezes viu o próprio Joseph esfolar-se todo enquanto o observava com um sorriso de satisfação, infelizmente ele levantava e sempre voltava a correr.

Quando cresceu mais que a si próprio e parou de correr de um lado ao outro pelo menos enquanto naquele lugar, com seus doze ou treze anos, geralmente ficava quieto observando o mar, sem trocar uma palavra e Caesar o observava com antipatia, era o único momento de silêncio que fazia, entre suas piadas sem graça e aquela valentia exagerada que por ele, brigaria com qualquer um. Lembrava-se que ele tinha olhos vivazes e podia estar sempre observando tudo e atento a qualquer coisa, naquela época já sorria do mesmo modo que depois de adulto e o ficava observando de canto.

— Como você era insuportável, Joseph — gemeu quando o próprio voltou de dentro do carro e ficou observando o brilho intenso da água ao lado dele.

— Eu não fazia nada pra você.

— Claro que fazia — apontou sorrindo para um ponto no mar e o encarou com uma expressão de desdém — Não lembra que ficava sentado lá com cara de bobo, aposto que pensava nos seus aviões voando em cima do mar.

Joseph riu e virou-se inteiramente para a casa, coçando a nuca.

— Não vivo com a cabeça nas nuvens como você pensa, Caesar.

— Duvido — fechou o portão e encarou a casa de dois pisos, pintada de um amarelo claro com detalhes brancos. Quando era criança a cor era verde, mas mudou conforme os verões chegavam. Na frente havia um quintal relativamente extenso, com grama que parecia recentemente ter sido aparada. Como um L do tapete verde, levava aos fundos, passando pela garagem e certamente lá trás a piscina estaria coberta naquela época do ano e sem água, mas pode constatar pelo que viu que folhas avermelhadas se acumulavam pelo chão de pedra áspera e grama ao redor da piscina onde algumas cadeiras de madeira repousavam.

— Acho que meus pais vieram aqui recentemente — Caesar gemeu enfiando a mão no bolso e retirando a chave da porta dos fundos — Não parece que eles mal saíram daqui?

Joseph assentiu, mesmo que isso implicasse mover metade do corpo para cima.

— Quantos anos faz que não vem aqui?

— Ah, sei lá... Uns... Nove anos eu acho. Desde que fui pra universidade não tive tempo de voltar a Midland, dirá vir nessa casa.

— Caramba, Caesar — resmungou enquanto o olhava abrir a porta — Acho que nós dois nunca mais voltamos por esse mesmo período. Me sinto um filho péssimo.

Caesar abriu a porta e entrou antes, por razões que Joseph já conhecia — se houvessem ratos na casa ou algum inseto, ele quem lidaria primeiro, não por ele ter medo, mas porque agia como um lunático e corria caçar o pobre intruso, mas no seu estado, não seria apropriado.

— Não se sinta, nem os seus pais ou os meus ficam chorando pela nossa falta como velhinhos entediados. Acredite em mim, eles parecem adolescentes, vivem saindo.

— Isso é verdade — riu soprado o observando lá dentro enquanto vasculhava a cozinha.

— Está limpo, pode entrar.

O frio naquela região estava superior á Nova Iorque por razões óbvias, e com o vento frio ligeiramente salgado vinha um aroma conhecido que fazia Caesar sentir-se nostálgico e estranho por justamente estar por conta própria naquela casa com o garoto que um dia detestou.

Acendeu as luzes assim que Joseph andou até o gerador e fez um sinal positivo, logo ligando o aquecedor e se apalpando de frio, esfregando os braços.

— A minha mãe disse que vamos precisar comprar lenha pra lareira, a que tem provavelmente é pouca — ele disse, trêmulo de frio, enquanto a casa era aquecida aos poucos.

Joseph circulou pela cozinha clara e vazia, sem grandes toques pessoais, apenas armários embutidos, assim como a pia e o fogão que ficavam no centro do cômodo em uma ilha de mármore com uma bancada e bancos altos do outro lado.

Caesar seguiu até a sala de jantar onde uma cristaleira e uma mesa do mesmo conjunto de carvalho e vidro refletiam o gosto de sua mãe, tal como o quadro enorme de Monet que ele havia lhe dado de presente no Natal passado refletia o seu.

Joseph parou em frente ao quadro e sorriu.

Caesar o observou abanando a cabeça.

O céu de Baunilha do Monet. É claro que você iria gostar disso.

— Achei que odiasse coisas relacionadas ao céu — Joseph disse observando fascinado as cores suaves que dançavam em frente aos seus olhos.

Caesar gostava de ver as expressões dele se tornando brandas, analíticas, completamente compenetradas. Isso o lembrava de quando ele era apenas um garotinho e não o fazia mais odiá-lo por ser um “bobão”, na verdade, via beleza naquela expressão. Uma beleza inocente que gostaria de poder eternizar em um desenho.

Quando ele desviou o olhar, junto com o corpo, esperando a resposta de Caesar, ele encarou o quadro e suspirou.

— Não seja injusto comigo, há muitas coisas relacionadas ao céu que eu ainda posso amar.

Joseph sorriu e abaixou o olhar para o chão, quando o levantou sentiu sua mão sendo pega e puxada pela sala onde os sofás que agora eram grandes sofás novos e escuros em volta da lareira estavam cobertos por capas protetoras. Caesar o arrastou escada a cima e naquele segundo, se o levasse para um buraco negro, Joseph não ligaria apenas pelo fato de estarem de mãos dadas.

Sabia o quão bobo era um homem da sua idade e personalidade ficar daquele modo, mas não conseguia evitar. Simplesmente não conseguia, não com Caesar.

— Vem, vamos ver se o meu quarto ainda está igual.

Uma nostalgia aqueceu o peito do piloto ao lembrar-se das noites que dormiu no quarto com Caesar do outro lado do quarto, o olhando ressonar baixinho como se fosse uma perfeita boneca de louça. A última vez que esteve naquele quarto com Caesar, tinham seus quinze anos.

Não se falavam, mas lembrava com um sorriso que ele o observou com atenção enquanto ele tocava o violão que havia levado para aquele final de semana solitário na presença do louro que não gostava dele.

A porta de madeira, ainda apresentava os adesivos escritos “FIQUE LONGE” do lado de fora e o próprio passou os dedos sobre as letras, com certo carinho.

— Como você era rebelde... — zombou Joseph com um sorriso lateral — Eu me lembro dessa sua fase.

O ouviu rindo, sem soltar a sua mão e quando abriu a porta, um grito de satisfação cruzou seus lábios.

— Olha isso, cara! Me sinto tão velho...

Com exceção dos forros de cama, que não podiam ainda estar lá, tudo estava no seu devido lugar por baixo dos plásticos protetores. Caesar soltou sua mão para arrancá-los um a um e abriu a janela, os atirando lá fora devido ao pó que passou a sobrevoar entre eles.

Era um quarto relativamente grande, onde duas camas estavam dispostas em paredes opostas, tendo no final da última um grande armário e uma escrivaninha ao lado da porta onde seus livros e desenhos ainda permaneciam, agora em quadros.

Entre as camas, havia uma ampla janela com suporte para a cortina e um baú que servia como banco, entre os bidês.

Joseph se lembrava de sempre dormir na cama em frente á porta, pois Caesar tinha medo de ficar com aquele lugar e do outro lado havia pôsteres de bandas e filmes que ele gostava há tantos anos.

— É como voltar no tempo, não? — Joseph disse, constrangido de estar ali ao perceber que aquele quarto quase o fazia sentir como o antigo Joseph na presença do antigo Caesar.

O dono do quarto finalmente fechou a janela, pois o ar gelado já invadia e competia com a calefação, voltou-se a ele e sorriu.

— Não, agora tudo é diferente.

— Bem, você cresceu, mas continua com a mesma cara de enjoado.

Caesar riu e fez menção de jogar um dos travesseiros nele, em seguida se dirigindo ao baú onde tirou os lençóis para ambas as camas.

— Quer dormir aqui ou no quarto de hóspedes? Acho que vou dormir no quarto dos meus pais — fez uma breve careta — Tem banheiro próprio.

Joseph deu de ombros, na esperança que pudessem compartilhar o quarto, mas certamente não haveria razão para aquilo.

— Aqui está bom pra mim.

Caesar observou a decepção visível no rosto do amigo e mordiscou os lábios, curioso por aquela reação.

— Talvez você queira ficar com o quarto dos meus pais, realmente eu não me importo de...

— Aqui está perfeito — completou com um sorriso e tirou o lençol das mãos dele o jogando sobre a cama que ele costumava dormir — Mesmo.

Caesar o ajudou a tirar a capa do colchão e a arrumar a cama, em seguida o chamando para o quarto principal, onde ao entrar ficou surpreso que estivesse tudo em ordem como se alguém estivesse estado ali há poucos dias.

— Acho que meus pais vieram realmente há pouco pra cá — deu os ombros e suspirou — Depois troco os lençóis.

Joseph o observou correr e se jogar sobre a cama, soltando uma risadinha e erguendo a cabeça o chamando com um gesto rápido. Ele avançou e sentou-se ao seu lado, olhando a vivacidade que aquela casa era capaz de produzir nele, uma vivacidade que sequer tinha quando era criança.

Caesar o puxou para trás e Joseph deitou-se ao seu lado, ambos olhando para o teto em silêncio.

Percebeu que ele girava a cabeça para olhá-lo, mas Joseph sorriu e o encarou com o canto dos olhos.

— Não posso te olhar assim, então vai ter que se acostumar comigo te olhando desse jeito.

Caesar sentiu um sorriso travesso cruzar seus lábios e ergueu-se, apoiando-se no braço e o olhando de perto, quase próximo de mais de seu rosto.

— Assim está melhor?

Joseph encarou os lábios cheios que sorriam, os olhos que pareciam divertidos, mas cheios de alguma dualidade que ele queria compreender. Sentiu-se quase acuado, mas se continuasse a provocá-lo daquele jeito, certamente não iria mais poder se controlar.

A imagem de Avdol lhe dizendo que talvez um dia fosse tarde de mais o esmagava.

— O que foi? — Caesar questionou, escorando o braço livre sobre o seu peito e se inclinando mais, para olhar melhor para o seu rosto — Algum problema? Sente dor, Jojo?

— Caesar...

— O que? — disse decidido, tão decidido quanto poderia ser capaz para alguém que arma uma armadilha e espera ouvir aquilo que deseja — Tem alguma coisa pra me dizer, não tem?

Joseph piscou, perplexo. Havia duas chances; de finalmente poder provar o gosto daqueles lábios depois de contar a verdade e a outra era de nunca mais sequer poder olhar em seu rosto.

Era arriscado de mais, arriscado de mais.

Era absurdamente arriscado quando se é “um irmão”.

— Eu não tenho nada pra te dizer — Joseph gemeu, incerto vendo as expressões dele se tornarem entediadas — E você, tem?

Caesar remexeu nos botões da camisa que ele vestia e deu de ombros.

— Não até me contar o que você quer contar e que estava sonhando.

Joseph respirou fundo.

— Caesar, não seja tão curioso.

— Você tem sim uma coisa pra contar — gemeu, irritado — Isso está te incomodando, por que não pode me contar?

— Porque agora não dá, Caesar, tenta entender.

— Por que não dá? Quando vai dar?

Joseph não queria rir das expressões mimadas e quase infantis que ele apresentava, mas foi mal sucedido e riu vendo um bico de frustração se fixar no rosto arrogante dele.

— Quando eu tiver certeza de uma coisa.

— Todo misterioso — revirou os olhos em deboche e voltou a deitar-se ao seu lado — Se me contar eu conto um segredo meu.

Joseph franziu o cenho, tentando olhar para ele em vão.

Não sabia que Caesar tinha segredos dele, mas podia facilmente ser uma mentira.

— Conta primeiro o seu.

— Que covarde você é, heim, Joseph... Puta merda, tem coragem pra ficar voando por ai, mas na terra firme não sabe ser homem e confiar no seu melhor amigo.

Sentou-se rapidamente e o encarou deitado ainda chateado.

— O que foi que disse? Que não sou homem em terra firme?

— Foi — provocou-o — O que vai fazer?

Ele sorriu maldosamente e rapidamente passou a fazer cocegas em suas costelas com a mão que não tinha o gesso. Assim que Caesar passou a rir alto e empurrá-lo, Joseph quase caiu da cama, rindo e virou-se subindo sobre ele e o imobilizando.

— Repete!

— Você... Não é homem! — gemeu entre as gargalhadas.

Joseph ria sentindo o corpo dele se contorcer abaixo do seu, parando quando se desiquilibrou e apoiou-se no único braço que não estava ferido, quase caindo logo acima dele.

Entreolharam-se por alguns segundos, recuperando o fôlego da risada e só então prestaram atenção no rosto um do outro.

Caesar piscou, aturdido, pela primeira vez estava olhando para ele da forma que realmente era e não como um dia foi. Joseph era um homem feito, como já havia determinado na noite passada, mas agora o encarando de tão perto pode ver que além de ser um homem, ele era muito bonito.

E não apenas bonito como alguém que ele gostaria de desenhar.

Ergueu a mão e tocou o maxilar dele, vendo que ele fechava os olhos com seu toque e entreabria os lábios, quase em êxtase.

— Joseph... — o chamou.

— O que?

Tocou em seguida com ambas as mãos cada lado de seu rosto, contornando a pequena cicatriz na têmpora que há algumas semanas havia um curativo, ela logo sumiria, afastou as mechas castanhas que quase tocava seu próprio rosto e sentiu o quão macio eram seus cabelos, ele estava respirando muito rápido e a respiração era quente, quase febril.

— Quer ouvir o meu segredo? — sussurrou.

— Quero — gemeu ainda de olhos fechado, sentindo o toque dele em seu rosto como se fosse um detonador para o seu coração que palpitava tão forte a ponto de quase explodir.

— Eu não estava dormindo hoje pala manhã.

Joseph abriu os olhos e o encarou, primeiro pareceu perplexo e em seguida seu rosto inteiro corou de uma forma que pode constatar que quase o deixou tonto.

— O que?

— Eu acordei antes de você hoje pela manhã. E fingi que estava dormindo.

O piloto pulou de cima dele e sentou-se rapidamente na cama, o encarando com as feições constrangidas. Piscou sem saber o que dizer e passou a mão pelos cabelos.

— Você... Você estava acordado? — sorriu daquele modo desdenhoso, quase sarcástico — E o que é que tem isto? Eu não entendi o que...

Caesar não se moveu do lugar que estava deitado, mas mesmo assim assentiu, prestando total atenção ao rosto dele, cortando-o.

— Eu senti você beijando a minha nuca e nós dois estávamos abraçados de um jeito estranho.

Joseph franziu o cenho, sem saber o que dizer.

— Por que deixou aquilo acontecer se estava acordado?

— A pergunta é; por que você estava fazendo aquilo?

Sem ter uma resposta coerente, ele fez um gesto sem proposito no ar e apertou os lábios, sentia uma onda de calor dentro de si que gritava para que dissesse com todas as letras o que sentia, mas aquele olhar acusador o fazia perder o fôlego.

— Porque eu senti vontade — respondeu enfim e o encarou com convicção — E você gostou, caso contrário teria parado.

— Jojo! Eu estava perplexo! — defendeu-se, finalmente se sentando na cama e o encarando com a mão no peito — Quando acordei, estávamos quase grudados e eu fiquei com vergonha de me mover e te acordar... Acho que ia rolar um clima estranho, mas ai você acordou e não se afastou, ao contrário, passou a...

Joseph sorriu amargamente e levantou-se da cama.

— E passei a que? Abusei de você?

— Não seja ridículo, eu não disse isso — franziu o cenho, o olhando andar de um lado ao outro de forma nervosa — Mas eu simplesmente não soube o que fazer, fiquei com vergonha que visse que eu estava acordado.

Ouviu a risadinha mais amargurada ainda sair dos lábios do amigo e logo o ouviu dizendo;

— Você estava era gostando.

Caesar deu de ombros, desviando o olhar, pensativo.

— Eu estava vendo até que ponto você iria.

— Até que ponto você iria ficar fingindo de morto pra saber aonde eu chegaria?

Abriu os lábios, chocado com aquela afirmação e o encarou. O que estava acontecendo afinal ali?

— Você iria até onde? — gemeu, sentindo um arrepio fazê-lo tremer.

Joseph respirou fundo.

— Esquece, Caesar. Me desculpe apenas, está bem? Não vai se repetir.

— Qual é cara, para com isso — gemeu e levantou-se da cama indo até ele, parando a sua frente e estralando os lábios — Me escuta, para com isso, não precisa ficar tão constrangido, tá bem? Eu não estou bravo com você, eu até posso entender que você possa estar um pouco frágil depois do que aconteceu, acredite, eu também estou. Acho que nos apegamos um ao outro mais que qualquer outro dia...

Joseph resolveu desviar os olhos do amigo a sua frente, não queria estar ali, não queria ter que aguentar um final de semana inteiro com aquela constatação daquela desculpa absurda. A única coisa que queria era estar em casa, de preferência cobrindo o rosto com o edredom enquanto se perguntava como iria suportar mais tempo daquilo.

Caesar parou de falar vendo o quão sério parecia seu semblante, nervoso, com frustração e extremamente irritado.

— Jojo... — sussurrou — Joseph, por que está assim?

Suspirou e afastou o corpo de Caesar gentilmente, mas com firmeza para sair do quarto.

— Eu preciso de um banho, me desculpe, eu to realmente cansado.

Caesar o viu sair para o corredor e suspirou se escorando á porta. Por que algo dentro de si dizia que as coisas estavam muito erradas? Por que sentia que pela primeira vez Joseph havia descido do céu e se alinhado a ele, ao passo que a si mesmo estava se permitindo erguer a cabeça lentamente e olhar para o céu?

Afinal, o céu abrigava seu maior terror, mas também a coisas que amava, como disse, como seu pai e...

E Joseph.

O céu podia ser tão bonito quanto na visão de Monet, podia ser de baunilha, não podia?

Aquela sensação, aquilo nada tinha a ver com o acidente de Joseph, algo em seu íntimo sabia com certeza que há anos estavam evitando aquela conversa, não era bobo, sabia perfeitamente o que estava acontecendo, mas simplesmente não podia aceitar que sim, aquilo estava acontecendo.

Não era um amigo beijando-o com carinho no rosto, não!

Não eram crianças, como podia ignorar por tanto tempo o fato que aquele amor recíproco entre os dois não era natural entre dois amigos, apenas amigos? Levou as mãos à cabeça, chocado.

Joseph não havia beijado cada centímetro de sua nuca por acidente, e ele não havia permitido porque se sentia constrangido, mas porque havia sido prazeroso. Fechou os olhos, não ousava pensar naquela palavra, não ousava, não ousaria a dizer mentalmente.

Mas disse.

Deixou porque acima de todo o afeto, havia sentido desejo.

— Mas que porra! — resmungou.

Que mundo era esse que se sente desejo pelo melhor amigo?

Até ontem Joseph era um moleque magrelo de joelhos esfolados e voz esganiçada que tinha cara de tonto. Como podia sequer permitir aquela aproximação e pensar coisas horríveis assim?

Aquilo era um erro, um erro enorme, um erro que se deixasse se prolongar perderia tudo, inclusive a amizade dele e isso, era inconcebível.

Negou com a cabeça, precisava tomar um ar, pensar em uma maneira de fazer ambos se acalmarem. Nada de mais havia acontecido, apenas alguns beijos em seu pescoço, nada havia sido profanado ao ponto de não poder voltar atrás.

Pigarreou chegando até a porta do banheiro onde ouvia a água escorrendo e automaticamente imaginou que ele alagaria o banheiro, como sempre, pelo que o conhecia. Fechou os olhos tentando ignorar o fato que conhecia até mesmo o modo que Joseph tomava banho, isso era ridículo.

— Joseph! — chamou pelo lado de fora com uma batida leve.

— Está aberta — respondeu sem ânimo.

Deveria abrir ou não? Se não abrisse, ele poderia pensar que realmente não poderia vê-lo, como tanto já havia feito e isso sim soaria estranho, mas imaginar que abriria a porta e se depararia com aquele sujeito, que agora já não era mais o avatar do moleque magrelo de joelhos esfolados o fazia sentir uma culpa imensa consumir seu peito.

Fechou os olhos ligeiramente e abriu a porta, sem olhar diretamente para ele.

— Escuta, eu vou ir ao mercado, acho que não tem nada aqui e estou com fome... Quer alguma coisa?

— Refrigerante — retrucou fazendo uma cachoeira de água ser atirada ao centro do banheiro.

Caesar franziu o cenho, curioso com o modo que ele estava tomando banho com aquele gesso e o olhou, percebendo que ele o observava fixamente.

— Quer ajuda com o braço?

— Ah, sério, Caesar, sério? — zombou.

Franziu o cenho, irritado com aquele jeito emburrado dele e suspirou.

— Então se vira, seu idiota.

Fechou a porta com toda a força que pode e a ouviu fazer um estrondo, avançou pelo corredor com passos pesados e furiosos.

— Babaca, só posso estar louco mesmo de pensar em algo desse tipo com esse idiota... — resmungou furiosamente para si mesmo descendo as escadas — Logo quem, o Joseph! Até parece que eu não conheço esse babaca há tanto tempo... Bastam dois minutos que já...

Bufou e saiu pela porta, abriu a porta do carro com ódio e se atirou lá dentro. Bateu a testa no volante e respirou fundo.

Por que estava pensando na marca de refrigerantes que Joseph gostava pra trazer?


Notas Finais


Espero que tenham gostado, até breve!


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