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História Alvorada grega - Parte II - Capítulo 24


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Notas do Autor


Espero q esse capítulo deixe vocês de cabelos em pé kkkkk bjs, pessoal ❤️

Capítulo 24 - Duas guerras


Fanfic / Fanfiction Alvorada grega - Parte II - Capítulo 24 - Duas guerras

Cartago - Acampamento. Um dia antes da batalha 

O sol estava se pondo em Cartago. Os soldados cartagineses que estavam nas muralhas olhavam ao longe seus inimigos se organizando. Fazia mais ou menos uma lua e meia desde que seus inimigos haviam tentado o primeiro ataque e agora se formavam para uma segunda tentativa. Os soldados estavam tensos e suando frio, pois ao longe podiam ver uma catapulta enorme sendo levada para a frente do acampamento. Também podiam ver uma pira enorme sendo feita, o que indicava que os gregos e romanos iriam fazer um sacrifício para os deuses naquela noite.

A população Cartaginese estava isolada a quase quatro luas e a fome se alastrava na cidade. Muitas pessoas já haviam morrido e a doença que consumiu primeiro as crianças e os idosos, agora atacava o restante da população. Os governantes de Cartago já haviam feito duas propostas para os Gregos e os Romanos, mas César e Xena recusaram, então por esse motivo, a população começava a fazer motins e tentavam fugir da cidade a todo custo. Muitos saiam pelos escombros do porto e se atiravam no mar, porém a os navios que cercaram Cartago por mar, matavam qualquer um que se atirasse nele.

No dia em questão, Xena observava Cartago com seu olhar mortal. Ela podia sentir o fogo percorrer por suas veias e a adrenalina “gritava” em sua cabeça. Mais uma vez ela era o foco de todos os soldados ali. Sua postura autoritária e cheia de poder deixava os soldados confiantes naquele fim de tarde.

Ela usava sua clássica armadura de couro, com paramentos do metal mais duro que podia vestir e seus cabelos que agora estava um pouco mais curto, balançava conforme o vento batia. Xena podia liderar seu exército em formação naquele exato momento, mas sabia que para eles o sacrifício para Ares, o deus da guerra era necessário.

Mesmo que estivesse banhada pela ansiedade da guerra, Xena já não se sentia a mesma. Estar ali já não era como antes e inúmeros pensamentos perturbava sua mente. A morena olhou para o soldado cartagineses empalado logo a frente e lamentou por aquela vida. Suas mãos se sujavam cada vez mais de sangue e infelizmente aquele círculo vicioso parecia durar eternamente.

Aceite o ouro e poupe a si mesma de ver a pior cena de toda sua vida quando arrombar os portões. ”

Xena não conseguia tirar a frase misteriosa de Cadmo de sua cabeça. O que poderia ser pior que a própria guerra? Existia algo que ainda pudesse chocá-la? Só havia um único jeito de descobrir e seria logo ao amanhecer.

César por outro lado, não perdia Xena de vista momento algum. Ele estava perto de um barriu de cerveja e olhava para sua aliada da mesma forma que olhava para seus inimigos. Ele poderia entregar sua alma para Hades somente para descobrir o que estava se passando na cabeça de Xena logo a frente.

Entre uma golada e outra de cerveja, César se lembrava do dia em que ele descobriu que ela ia ser mãe, foi um dia glorioso e desde então o imperador fez de tudo para tirar a paz da morena. No entanto, Xena era inteligente e sabia que naquela altura do campeonato, sua família não estaria em risco na Grécia, porque se assim fosse, César não teria demonstrado tão tarde sobre o futuro herdeiro. Com esse pensamento na cabeça, o romano maldizia a si mesmo por não ter descoberto antes o que se passava no castelinho de Xena. Ele poderia ter tirado mais proveito daquela situação, mas agora era tarde. Teria de usar as armas que juntou durante aquelas luas em Cartago.

Enquanto Xena e César se retraiam, os soldados não deixavam de observá-los. Sabiam que aquela batalha era a decisiva e que seus governantes estavam se preparando até os dentes. Então, como de costume, cada soldado começou a realizar seus rituais pessoais para irem à batalha. Muitos bebiam e dançavam em volta da fogueira, enquanto outros rezavam para seus deuses patronos e guerreiros mais experientes se isolavam e afiavam suas espadas em silêncio.

Solan e Eva estavam na tenda do príncipe fazendo amor. Eles descobriram que era quase impossível ficar longe um do outro e não possuíam interesse nenhum em afiar espadas ou beber antes da luta.

Enquanto o príncipe se esforçava para dar todo prazer para sua amada, ele não conseguia desgrudar os olhos dela. Poderia ficar a eternidade olhando para o rosto belo da soldada sem se preocupar com mais nada. Quando ambos chegaram em seu ápice, Solan continuou olhando para Eva, porém agora ela o encarava também.

-Quando voltarmos para Corinto eu quero me casar com você. - Solan disse sério e Eva riu.

-O que te faz pensar que iremos voltar vivos, Solan?- Eva era uma mulher madura que vivia no presente. Ela não estava se importando com o futuro e queria aproveitar ao máximo o momento que tinha ali.

-Eu preciso voltar vivo. - O rapaz disse ainda sério.

-Vamos para a batalha, príncipe, depois conversamos sobre o que irá acontecer. - Eva se levantou e foi pegar vinho. Solan ficou observando o corpo esbelto de Eva e as palavras seguintes saíram de sua boca tão rápido que ambos assustaram.

-Eu amo você, Eva.- O príncipe falou de maneira tão natural, mas quando se deu conta ele e Eva estavam em silêncio.

A soldada fechou seus olhos quando escutou aquela frase e se lamentou. Ela gostava de Solan, tinha um carinho enorme por ele, mas já estava destinada a se casar com seu noivo. Não era uma questão de amor, mas de contrato entre duas famílias. Ela queria poder negar toda sua vida e viver com Solan, mas diversas coisas impediam aquele amor.

-Eu também te amo, Solan.- Eva se virou e encarou o príncipe.

-Case comigo.- Solan falou e Eva abriu a boca, mas nenhum som saiu por um tempo.

-Nós já falamos sobre isso, Solan.- Eva disse com um pesar na voz.

Solan ficou chateado com aquela resposta e se levantou da cama pronto para se vestir e sair da tenda.

-Por favor, fique aqui.- Eva pegou ele pela mão e os dois se encararam. -Não vamos estragar essa noite. -

Solan não conseguia ignorar Eva. Ele estava chateado e magoado, mas vê-la pedir para ficar era irresistível. O príncipe passou por cima de sua dor e abraçou Eva.

Enquanto muitos passavam a noite juntos, outros como Lexa passaram o tempo respirando fundo e treinando seus tiros de flechas nos alvos. Ela prometeu para Xena que não iria surtar como da última vez e para isso teria de estar concentrada.

A arqueira atirava com tanta concentração e determinação que não percebeu quando Tulio se aproximou dela.

-Lexa?- O rapaz sardento chamou e ela se assustou. –Por que não relaxa e não vem beber com a gente?- O rapaz arruaceiro tinha um tom diferente aquela noite e Lexa o observou por um tempo em silêncio.

-Está com medo, Tulio?- Ela perguntou e o rapaz ficou quieto. –Tudo bem estar.- Lexa disse séria.

-Não posso ter medo.- O jovem soldado falou.

-Claro que pode.- Lexa soltou seu arco e se aproximou dele.

-Você é toda corajosa... Vão me achar um frangote se me virem com medo ao seu lado.- Tulio disse com o olhar longe dos de Lexa.

-Eu sou toda corajosa?- Lexa escutou aquela frase e deu uma risada alta.

-Você é a única que não se vê assim. Já cansei de te dizer que você é tão boa quanto a imperatriz.- O rapaz disse com um sorriso e Lexa tornou a gargalhar.

-Eu jurava que você só dizia isso para me levar para a cama.- Disse Lexa ainda rindo.

-Também.- Tulio admitiu e ganhou um empurrou. –Mas tudo o que fiz foi elogiar um atributo que você realmente possui.- O rapaz se aproximou sério de Lexa e seus rostos ficaram quase colados. A moça observou a expressão do brejeiro e o silêncio reinou por um tempo.

-Prometa para mim que vai ficar vivo!- Lexa exigiu e Tulio concordou com a cabeça.

Ao longe, Julianos e Petro observavam seu amigo jurar amores pela irmã da imperatriz e riam com deboche. Tulio sempre foi o mais sensível dos brejeiros e por mais que nunca admitisse, babou em Lexa desde a primeira vez que a viu.

-No fim será só nós, amigo.- Petro disse cutucando o ombro de Julianos.

-Não acredito que aqueles dois foram se apaixonar logo agora.- Julianos respondeu e bebeu cerveja.

-Eu conheci duas irmãs que tinham o beijo muito parecido.- Petro falou aleatoriamente.

-O que quer dizer com isso?- Julianos estranhou.

-Será que Lexa e a imperatriz tem beijos parecido?- Petro disse aleatoriamente.

-Quer provar?- Uma voz grave e ameaçadora veio de trás dos rapazes e ambos congelaram.

-Imperatriz.- Petro levantou num pulo e ficou pálido. –Eu não quis ofender.

-Não sabia que você tinha esse fetiche.- Xena queria rir do moleque, mas manteve a cara ruim para ele.

-Não tenho....foi...é só que.....- O rapaz estava quase se mijando quando a imperatriz girou os olhos.

-Vocês não fazem ideia de quantas vezes já estiveram perto da morte. Eu só posso agradecer aos deuses por Solan ter achado amigos de verdade.- A imperatriz disse se encostando num barriu.

-De fato ele é sortudo por nos ter. - Julianos zombou de Solan e Xena soltou um riso franco.

-Você ainda não me contou o porquê quis tanto se matar nessa merda, Julianos!- Xena se direcionou ao rapaz e o mesmo se sentiu lisonjeado por ouvir seu nome saindo da boca da imperatriz da Grécia.

-Eu sou um tolo, de fato.- Disse o rapaz. –Mas eu prometi aos meus pais antes deles morrerem que traria orgulho a eles. Já fazem seis verões que eles se foram e eu ainda não cumpri minha promessa...- Julianos olhou para suas mãos e ficou em silêncio.

-Qual era a profissão de seus pais? - Xena ficou curiosa em ouvir aquelas palavras do brejeiro.

-Agricultores. - Julianos respondeu.

-Acho que para um agricultor o orgulho se resume em muitas coisas, menos em morrer em batalha. - Xena não estava compreendendo qual a obsessão de Julianos em ter ido para a batalha.

-Eles queriam que eu seguisse o mesmo ramo, mas nunca fui bom com terra. Eu prometi a eles que traria orgulho, mas não faz sentido tentar em algo que eu não seja bom.- Podia se ouvir a dúvida no tom de Julianos.

-Cuidado amanhã, garoto. Me sentirei em dívida com seus pais se seu sangue for derramado, afinal, você não recebeu todo treinamento que precisava. – Xena encheu o cálice dos amigos de seu filho e saiu de perto deles.

A imperatriz já podia sentir o cheiro do sangue fresco, mas pela primeira vez, sentiu-se enjoada.

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Corinto - Casarão

Quando o sol começou a aparecer em Corinto, Gabrielle e Cirila saíram pelos fundos do casarão a cavalo. Rita que havia ajudado ambas a sair, ficou no celeiro olhando a imagem das mulheres desaparecer.

Depois do ataque que ambas sofreram, Gabrielle quis ir de imediato até o palácio e resolver aquele problema, mas a sacerdotisa preferiu esperar uns dias até cozinhar as ervas certas e se recuperar daquele susto. Artêmis tinha expulsado a criatura da casa e aquele poder iria durar algum tempo, mas não era eterno.

Délia havia discutido com Gabrielle no dia seguinte do ataque, pois não queria deixar a rainha sair de jeito nenhum do casarão. Ela estava assustada e temia mais que qualquer um. Cyrene também se mostrou relutante em deixar Gabrielle ir e insistiu de todas as formas possíveis para ir no lugar. No fim, Gabrielle mentiu para todos e programou sua fuga com Cirila.

As mulheres rumaram sozinhas na companhia do soldado Peroneo, o mesmo que acompanhou Cirila e Cyrene até a gruta. O homem se ofereceu de escoltar a rainha e Gabi achou generoso da parte dele, afinal, o mesmo tinha visto uma pequena sombra do “corpo seco”.

Enquanto eles cavalgavam lentamente, Gabi não deixou de pensar no porque Artêmis teria socorrido ela naquela noite. O fato foi curioso e a loira segurou a língua o máximo que conseguiu, até não aguentar mais.

-Cirila?- Ela chamou.

-Sim?- A sacerdotisa respondeu.

-Artêmis apareceu aquela noite por sua causa, não foi?- A loira quis saber e Cirila sorriu.

-De fato ela apareceu para me proteger. Durante todos esses verões, não consigo pensar em uma só vez que minha deusa me deixou abandonada.- A sacerdotisa respondeu de boa vontade.

-Imaginei que teria sido isso.- Gabi se deu por satisfeita com a resposta, porém a senhora continuou.

-Gabrielle, por mais que essa criança seja filha de Xena e Artêmis tenha magoas dela, a deusa jamais deixaria uma criança a mercê de um parasita como o “corpo seco”. – Cirila disse séria. –Ainda mais se a criança é conjunção de duas almas em um ritual amazônico. –

-Cirila, se minha alma e a de Xena se dividiu e deu origem a essa criança, então meu filho já possui uma alma, não?- Gabi perguntou e Cirila pareceu pensativa por um tempo.

-Em regra seria isso, Gabrielle. Mas não sei te dizer ao certo como esse mistério divino acontece. - Cirila respondeu convicta e Gabi ficou pensativa.

-Alteza.- O soldado chamou e Gabi virou para trás.

-Melhor colocar sua capa, tem uma carroça vindo a frente. - O homem alertou Gabrielle e a loira colocou o capuz de sua capa. A carroça passou minutos depois e as pessoas que estavam nela encararam as pessoas montadas, inclusive Gabrielle que manteve sua cabeça abaixada.

-Vamos entrar pelos fundos do castelo, alteza. Assim corremos menos risco.- Peroneo disse cauteloso e Gabi concordou com a cabeça.

O trio acelerou os trotes dos cavalos e rumaram para o norte de Corinto. Eles iam contornar a cidade com o intuito de escapar do centro e assim adentrar o palácio sem maiores suspeitas. O sol já trazia brilho para a Grécia e Corinto já se mostrava movimentada mesmo do lado de fora.

Cirila cogitou em ir até o palácio durante a noite, onde a exposição de Gabrielle não iria trazer muito perigo, mas ela temia que o “corpo seco” se aproveitasse do escuro para atormentá-las. A sacerdotisa disse que durante o dia, provavelmente a entidade iria se alimentar das criaturas da floresta e por isso ficaria longe delas.

Quando eles finalmente chegaram perto do portão menos utilizado do palácio, um soldado logo a frente se movimentou e os aguardou para fazer o interrogatório.

-Salve.- Disse o guarda do portão quando notou a presença de Peroneo fardado.

-Precisamos falar com a general Mioll.- O soldado disse assumindo a frente.

-Esse portão é restrito a qualquer um. Terão de dar a volta e entrar pelo principal.- O soldado disse firme e Gabi se zangou.

A rainha estava irritada e não estava disposta em ficar ali parada. Tinha pressa em arrebentar a parede que escondia o covil do “corpo seco” e movida pela sua ansiedade, puxou o capuz para trás.

-Abre logo essa porcaria. - Gabi bravejou.

-Alteza?- O soldado forçou os olhos e quando viu se tratar da rainha Gabrielle, arreganhou o portão sem dizer uma palavra e os três entraram.

-Alteza, não precisava ter feito isso. Agora todos vão saber que está no palácio. - Disse Peroneo aflito. 

-Para o diabo todo esse mistério. Não estou nem ai se descobrirem que estou grávida. Se até um demônio já sabe, então que se dane o resto.- Gabi desmontou com certa dificuldade quando chegou no celeiro e saiu de lá exibindo sua barriga de quase seis luas.

Os soldados que circulavam ali tomaram um susto quando viam a presença da rainha e não sabiam se ficavam ajoelhados ou se arregalavam os olhos para a barriga de Gabi.

Enquanto isso, a loira passava pelos pátios de cabeça erguida e ignorava qualquer um a sua frente. Quando finalmente entraram no palácio, a reação não foi diferente. Os servos se assustavam e não mostravam discrição na hora de esconder a cara de espanto. Cochichos e sons de pavor soavam enquanto Gabi passava e a qualquer momento ela iria mandar alguém a merda.

-Como vamos encontra esse covil?- Peroneo perguntou enquanto seguia atrás de Gabi.

-Temos que achar Mioll. Ela quem mandou tampar a porta.- Gabi subiu até o quarto andar do palácio e não encontrou a general no gabinete. Ela suspirou e tornou a descer as escadas.

-Gabrielle, desça mais devagar. Se você cair, de nada vai adiantar lutar com o demônio. - Cirila disse ofegante enquanto tentava acompanhar o paço de Gabi, mas a rainha ignorou.

-Alteza?- Uma das servas que sempre ajudava Gabrielle a viu no corredor e a contemplou tão surpresa quanto os outros. –O que está fazendo aqui? A imperatriz está de volta?- Ela perguntou enquanto segurava um balde e Gabrielle se aproximou dela.

-Sabe onde está a general Mioll?- Gabi perguntou.

-No pátio Oeste treinando os soldados.- Antes da serva responder, Gabrielle saiu andando até o pátio oeste.

Quando finalmente chegou lá, se deparou com soldados de farda inferior treinando rigorosamente. Quando eles avistaram a rainha chegar com sua barriga farta, gemeram de espanto e Mioll assustou com a pausa brusca no treino.

-Mioll.- Gabrielle chamou e a general assustou com a presença da rainha.

-Pelos deuses, alteza. O que está fazendo aqui.- Mioll era possivelmente a única pessoa daquele palácio que sabia que um herdeiro estava a caminho e ao ver Gabrielle, seu coração disparou.

-Mioll, onde fica aquela sala no subterrâneo do palácio que Xena e você mandaram selar? - Gabi perguntou rápido e Mioll não respondeu nada. –Eu estou te fazendo uma pergunta! - O tom de Gabrielle foi tão severo que os soldados próximos pararam de murmurar e olharam para ela calados.

-Alteza, o que quer fazer naquele lugar? - Mioll perguntou nervosa e Cirila olhou para ela seria.

-O demônio que habita aquele lugar tem atormentado a rainha. Preciso conte-lo antes que seja tarde. Você me levou lá da última vez que estive aqui, lembra? Pois bem, eu não sei exatamente onde fica, mas se vier conosco, teremos menos trabalho. - Cirila terminou sua frase e os pelos do braço de Mioll se arrepiaram.

A general sabia bem o mal que possuía aquele lugar. Ela sabia que nada de bom tinha ali e viu o olhar de horror de Xena na noite em que se mudaram para o palácio e a imperatriz acordou misteriosamente lá. 

-SOLDADOS. ESTÃO DISPENSADOS. - Mioll não sabia se queria acreditar naquela história, mas Gabrielle jamais desobedeceria uma ordem de Xena se não tivesse um motivo. Ela jamais exibiria seu filho daquela forma se um risco não existisse. –Venha, alteza. -

Mioll entrou no palácio com Gabrielle, Cirila e Peroneo. Eles seguiram por um tempo em silêncio, até que a general parou no corredor e olhou para Gabrielle com tom sério.

-Eu sei que sua alteza está nervosa e tem motivos para estar com medo, mas sabe que todo o reino conhecido vai saber de sua gravidez a partir de agora, certo?- A general disse preocupada.

-Para o Hades isso, Mioll. Eu sei que vão falar porcarias do tipo que eu engravidei de algum soldado enquanto Xena estava fora, mas o que Cirila disse é verdade. Tem um ser maligno querendo encarnar no meu filho a cinco luas e eu estou no meu limite.- Gabrielle dizia furiosa e Mioll observava tudo atentamente. –Pregue um comunicado no centro de Corinto, sei lá, mas pelos deuses, nos leve até a sala AGORA.- Gabrielle foi bem clara em suas últimas palavras e Mioll assentiu com a cabeça.

A general suspirou e pediu para Peroneo pegar ferramentas com os operários do palácio. Eles teriam que quebrar duas paredes de pedra e seria mais rápido se ambos fizessem aquilo. Quando o soldado voltou com as ferramentas, a general conduziu todos até as masmorras do palácio. Foi exatamente ali que as coisas começaram a ficar assustadoras.

O soldado que cuidava da masmorra avistou a general com as ferramentas e sem questionar abriu a porta para ela. Gabrielle sabia bem o quão horrível era aquele lugar e como os presos amaldiçoavam os deuses naquelas celas, mas mesmo sabendo de tudo aquilo, ela nunca havia entrado lá.

Quando a loira entrou na masmorra, sentiu um cheiro horrível. Ela cobriu o nariz com sua capa e seus olhos arderam por causa do fedor.

-Que cheiro horrível é esse?- Gabi perguntou e logo em seguida viu dois soldados cobrindo um preso com um saco.

-Ele estava morto a três dias, alteza. Só viram essa manhã quando trouxeram outro prisioneiro para cá. - Mioll disse receosa enquanto quiava Gabrielle e os demais pelos corredores estreinos e fétidos da masmorra.

-Os outros estavam sem comida?- Gabrielle perguntou indignada e Mioll não respondeu. A rainha estava prestes a dar um sermão em Mioll, quando uma mão agarrou a barra de seu vestido e gemeu. Gabrielle soltou um berro alto e Cirila encostou na parede.

-Por favor....água...- Um dos prisioneiros da masmorra implorou para Gabrielle e Peroneo chutou a mão dele que continuava agarrada em Gabi.

-Alteza, vamos continuar.- Disse a general.

-Devo me perguntar o porquê o corpo seco escolheu o subterrâneo do palácio? - Perguntou Peroneo com ironia, mas ninguém respondeu.

Gabrielle estava odiando aquele lugar e prometeu para si mesma que teria uma conversa séria com Xena quando voltasse de Cartago.

-É aqui.- Disse Mioll.

-O covil do demônio é aqui?- Peroneo perguntou.

-Não, aqui é a primeira parede acimentada. Logo atrás dessa parede tem mais 30 metros de escadas abaixo.- Quando Mioll disse aquelas palavras, Cirila sussurrou palavrões. Isto porque, desde a última vez que tinha ido lá, a general confirmou que atrás daquela parede não possuía mais nada, além da câmera.

-Ainda bem que você não voltou para o palácio, Gabrielle. Não teria feito diferença nenhuma em estar aqui ou lá.- Cirila disse brava e a rainha tocou sua testa aflita.

Levou uma marca de vela para quebrar toda a parede da masmorra. Quando terminaram, a general levou uma tocha até a entrada e uma escada enorme brilhou depois de verões no escuro.

-Que os deuses nos protejam.- Cirila colocou seu medalhão e deu um para cada integrante do grupo. – Eu vou logo atrás da general com o incenso.- Disse ela e quando Mioll enfim colocou o medalhão, eles entraram na câmara.

Gabrielle pensou ser coisa da cabeça dela, mas assim que pisou naquele lugar, sentiu uma vertigem e preferiu não comentar nada com ninguém, seguindo seu caminho em silêncio.

Cirila descia lentamente as escadas e recitava suas palavras de proteção. Conforme a general iluminava a escada em espiral que descia sem ter fim, escritas em runas antigas apareciam rabiscadas nas paredes.

O cheiro daquele lugar era insuportável e pelo menos o incenso de Cirila disfarçava o mofo impregnado.

-Que marcas são essas?- Peroneo perguntou com tremor na voz.

-Segundo os sacerdotes que benzeram este lugar, são palavras de maldição.- Mioll falou num tom muito baixo e Gabrielle sentiu seu corpo arrepiar inteiro.

A vertigem da loira estava ficando forte e mesmo tendo sua visão embaçada, ela continuou descendo em silêncio. A mesma risada que ela escutou no casarão quando o “corpo seco” atacou, era a que escutava agora. A loira colocou sua mão em sua barriga e implorou aos deuses que protegessem sua criança.

-PELOS DEUSES.- Mioll berrou e poeira caiu do teto.

-Artemis nos proteja. – Cirila falou com o tom tão afito quanto de Mioll.

Quando Gabrielle ergueu o pescoço para ver o que tinha logo a frente, se deparou com a entrada da câmara completamente aberta. Nenhum sinal de concreto ou porta. Era como se o próprio “corpo seco” tivesse aberto o caminho para eles.

A risada deformada veio do fundo da câmara escura e com um sopro forte a tocha de Mioll se apagou.


Notas Finais


⚠️ Aviso: Todos os capítulos estão sujeitos a correção ortográfica depois de postados.


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