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História Alvorecer - TWD - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Capítulo 23


Fanfic / Fanfiction Alvorecer - TWD - Capítulo 23 - Capítulo 23

Mais um amanhecer acabou de acontecer, deveria ser umas 6 horas da manhã, me espreguicei observando a floresta do alto da torre de vigia. A prisão já estava acordando e avistei Rick se preparar para trabalhar na horta, sorri ao pensar nos bons avanços que ele vem tendo com seu emocional. Encostei o rifle na parede e desci as escadas, me dirigindo para o pátio onde construímos uma cozinha que atendia todos os moradores.

Retribui o cumprimento das pessoas e peguei um pratinho de comida, indo me sentar do lado de Raylee que está concentrada desenhando em seu caderno. Ela já está conosco a 3 meses, nos primeiros dias as coisas foram difíceis para ela, com pesadelos a noite e querendo ficar isolada das pessoas. Mas com minha ajuda e a de Daryl a menina se soltou mais e agora tem um bom convívio com todos.

- Hey, bom dia senhorita! – Me sentei ao seu lado dando-lhe um beijo na testa. – Por que está acordada tão cedo? Já tomou café da manhã?

- Bom dia, acordei com o choro da Judith e não consegui dormir mais, acabei de comer agora a pouco. – Respondeu ainda concentrada no caderno.

– O que você tanto desenha ai? - Quando percebi que Raylee se interessava por arte fui atrás de um kit de desenhos e cadernos para ela. Nunca tinha visto a mesma sorrir tanto e seus olhos brilharam mais ainda.

- Eu tive um sonho bem diferente hoje, nele você era uma heroína que tinha poderes e conseguia levitar coisas. – Me inclinei prestando atenção no que ela fazia e tive que admitir que estava muito bom. – Mas ainda não terminei.

- Você é muito boa nisso. – Elogiei e ela ficou com as bochechas coradas. Baguncei seu cabelo rindo, olhei para a porta do bloco C e vi Carl saindo todo emburrado. O garota estava passando por uma fase complicada, ainda está chateado com o pai por ter tirado a arma dele, mas está conseguindo melhorar. Menos agora, pela sua cara parecia que chupou um limão azedo com um bico enorme.

- Ele não gosta de mim. – Sou tirada de meus pensamentos por Raylee.

- Quem o Carl? Isso não é verdade, vocês só tem que conversar mais e achar alguma coisa em comum. – Falei apoiando o cotovelo na mesa e meu rosto na mão. – Está certo que ele fica com ciúmes quando você está perto de mim, mas isso é bobeira dele, tem Dominique pra todo mundo.

- Acho que você tem que avisar isso para ele. – Sugeriu a menina levantando as sobrancelhas. Observei Carl novamente e tive uma ideia, me levantei e fui na sua direção.

- Bom dia Little Grimes. – Saudei-o com um sorriso.

- Bom dia. – Me respondeu a contra gosto.

- Nossa que animação! Essa sua atmosfera ruim está atrapalhando esse dia lindo. – Sorri maldosa para ele. – Mas não se preocupe eu dou um jeito nisso.

Antes que ele pudesse ter qualquer reação tirei seu chapéu colocando-o em minha cabeça e abaixei o tronco rodeando meus braços por suas pernas, jogando-o em cima do ombro esquerdo. Seu grito de surpresa foi alto me fazendo rir.

- Sabe o que você me parece agora? Um saco de batatas rabugento. – Girei o corpo tomando cuidado em segurá-lo bem e aproveitei para fazer cosquinhas. 

Continuei girando e balançando, arrancando gritos e risadas dele, nosso escândalo chamou a atenção de todos que pararam para nos assistir e rir, vi a Greene e me aproximei.

– Maggie você quer batatas rabugentas? Aproveita que é uma nova espécie.

A mulher negou rindo, chacoalhei Carl levantando o chapéu com uma mão e dando um grito como os cowboys, o menino acabou pediu rendição. Levei ele até a mesa de Raylee, coloquei-o no chão e segurei seu corpo mole até se estabilizar.

- Sabe você devia fazer um regime, está pesadinho. – Sorri divertida com a respiração um pouco ofegante e tentando arrumar o cabelo do menino que ficou bagunçado.

- Você me fez passar a maior vergonha na frente de todo mundo. – Sua crítica não condiz nada com a expressão leve presente em seu rosto.

- Até parece que se importa com isso pirralho. – Provoquei olhando ao redor, aviste Rick perto do portão, o mesmo parou o seu serviço só para olhar o filho. Acenou agradecido e acenei de volta com a mão voltando minha atenção para as crianças. – Carl sabia que a Raylee é boa com desenhos? Olha aqui.

Indiquei o desenho da heroína, chamando bastante atenção do garoto. Deixei os dois conversando animados e parti para o bloco tomar banho e tentar dormir um pouco.

- Dominique! - Parei de andar assim que ouvi a voz de Daryl me chamar. 

- Oi. - O cumprimentei e puxei-o para um canto escondido, em seguida atacando sua boca num beijo demorado e profundo. - Senti saudades.

- Foi só uma noite. - O caçador diz com pouco caso.

- Uma noite muito fria sem seu corpo pra me esquentar, você não achou? - Fiz manha e comecei a beijar seu pescoço, provocando-o.

- Tá foi ruim sim, mas agora eu tenho que ir. - Daryl segurou minhas mãos bobas, colocando-as juntas na frente do corpo. - Estou organizando uma saída e não posso demorar.

- Uma busca? Não marcamos nada para hoje. - Perguntei sem entender o motivo.

- A Karen avisou que a senhora Cooper não está se sentindo bem, ela precisa de um remédio pra pressão.

- Então você precisa da minha ajuda pra achar esse medicamento. - Digo e ele faz uma careta.

- Você acabou de sair da vigília, deve estar cansada e com sono. A Maggie conhece o remédio e vai com a gente. Não se preocupe e vá dormir. - Falou dando um beijo na minha testa e saindo sem me dar chance de argumentar.

Bufei com sua atitude e voltei a caminhar para a cela.

Levanto depois de algumas horas dormindo e desço para o pátio. Estranho não ver a moto de Daryl, indicando que ainda não voltaram. Deveria ser uma simples busca de remédios.

- Hey Carol precisa de ajuda? - Chamei a atenção da mulher que preparava o almoço.

- Sim, mas é melhor você só cortar. Não queremos estragar o almoço. - Carol riu divertida.

- Muito engraçadinha você. Se continuar te deixo com todo o serviço. - Estreitei os olhos e apontei a faca que acabei de pegar.

- Ok , não está mais aqui quem falou. - Diz voltando ao trabalho. Comecei a cortar e voltei meu olhar rapidamente para o portão. - Não precisa se preocupar, eles sabem se virar lá fora.

- Eu sei, mas devem ter encontrado problema para não terem voltado ainda. - Falei olhando para ela. - Fico pensando se não teria sido melhor eu ir junto.

- Não faria diferença você ir ou não, todos os lugares tem errantes e sempre irá acontecer algo. Não precisa ser a primeira a querer correr e resolver todos os problemas que surgirem . – Consegui identificar a crítica velada vinda da grisalha.

- Não é pra ser a primeira ou chamar a atenção que faço as coisas. Se eu conseguir poupar as pessoas que amo de algum sofrimento ou situação perigosa não pensaria duas vezes em fazê-lo. – Digo já começando a sentir raiva. É verdade que nunca fomos próximas e nunca sustentamos uma conversa longa, mas nunca lhe faltei com o respeito ou julguei-a.

Quando escutei barulho de motores não dei mais atenção a ela. A moto e mais um carro entraram pelo portão e logo percebi a frente do automóvel todo sujo de sangue podre. Mal Daryl estacionou e eu já estava do lado.

- Você está bem? E os outros? – Disparei as perguntas num fôlego só.

- Todos estão bem, tivemos alguns problemas com uma pequena horda, mas nada que não descemos conta. – Me garantiu o caçador.

Suspirei aliviada e olhei para o carro. Glenn e Maggie saíram e dei um abraço em ambos, porém tinha mais uma pessoa com eles.

- Quem é o cara? – Perguntei séria vendo-o descer e olhar em volta. 

É alto e com um corpo forte, seus cabelos castanhos medianos estão jogados para trás e sua aparência era de um homem cuidado, até demais para os padrões apocalípticos. O cinto de facas de arremesso também chama muita atenção.

- Ele é Julian Miller, encontramos ele na cidade. – Maggie me explicou. – Julian essa aqui é Dominique, é ela quem cuida para que tudo funcione aqui dentro.

A Greene nos apresentou e no momento que o homem me encarou seu corpo todo se enrijeceu, seus olhos arregalaram e um brilho estranho surgiu nos olhos cinzentos.

- Alguma coisa de errado? – Perguntei incomodada com seu olhar e o silêncio que se instalou.

- Não! Não! Me desculpe, é que eu fui pego de surpresa. Você parece muito com uma antiga amiga minha. – Diz Julian balançando as mãos constrangido. - Infelizmente ela não está mais viva e você me trouxe algumas lembranças.

- Entendo. – Concordei ainda receosa, mas resolvi continuar. – Está sozinho? Ou tem algum lugar? Você está muito limpo pra alguém na estrada.

- Ah é que eu passei em uma loja de roupas e peguei novas. Estou sozinho a muito tempo e fiquei muito surpreso quando encontrei eles fora da farmácia. – Falou coçando a nuca, mesmo sabendo que eles já devem ter feito as perguntas resolvi repeti-las.

- Quantos errantes já matos?

- Eles já me fizeram as pergun…

- Eu sei que já fizeram, mas eu quero que me responda. – Interrompo-o impaciente, vi seu maxilar tencionar e um rápido lampejo de raiva passar pelos seus olhos.

- Foram muitos, não tinha como contar. – Diz com a voz calma, diferente da tensão no ar.

- Quantas pessoas já matou?

- Duas. - Julian diz sem alterar sua postura, sua atitude controlada me deixou com um pé atrás.

- Por que?

- Eles iriam roubar minhas coisas e depois me matar. Tive que fazer para me manter vivo.

- Ok, você pode ficar, mas terá que entregar suas armas e vai ajudar como todos aqui. - Digo por fim, aceitando que ele se junte a nós.

- Muito obrigado, não vou te decepcionar. Eu prometo. - O Miller me dirige um sorriso de agradecimento.

- Maggie você poderia? - Olhei para ela indicando o homem e o redor.

- Ah Domy, eu estou toda suja e gostaria de tomar um banho agora. Você poderia mostrar a prisão por mim? - A Greene me encarou com uma carinha pidona. Acabei cedendo e confirmo com a cabeça, não é como se eu quisesse voltar para perto de Carol agora.

- Vamos lá Julian, vou te mostrar a prisão. - Chamei-o e me viro para o bloco D.

Observo o pátio e não vejo Daryl, o mesmo deveria ter levado o remédio para a enfermaria. Caminhei apontando os lugares para o novato que olhava tudo atentamente e fazendo poucas perguntas. Achei uma cela vazia e indiquei para ele.

- Você vai ficar aqui, cada bloco tem o seu vestiário então pode tomar banho. - Comentei enquanto ele entrou no novo quarto. - Preciso das armas agora, elas vão ficar guardadas e ninguém vai mexer nelas. - Julian concordou e me entregou uma pistola 9 mm e o cinto com 6 facas. - Descanse, alguém vai te chamar quando o almoço ficar pronto.

Sai do bloco e guardei as armas rapidamente, indo para a enfermaria em seguida. Esperei paciente Karen ajudar a senhora sair do local já medicada, sorri para elas e observei se afastarem. Entrei no cômodo encontrando Hershel e Daryl conversando.

- Vocês me deixaram preocupada, ainda bem que voltaram inteiros. - Me aproximei do caçador depositando um beijo em seus lábios, o mesmo ficou envergonhado pela presença do senhor que sorriu para nossa ação.

- Não foi muito difícil, só demorado. O outro cara também ajudou. - Contou Daryl.

- O que você acha dele? - Perguntei interessada em sua opinião.

- Ele parece um filhinho de papai engomadinho, mas é bom com facas e matar zumbis. - Diz com uma careta, rio com sua expressão e recebo um cutucão em protesto.

- Precisamos fazer uma reunião do conselho para conversar sobre ele. - Digo olhando para Hershel.

- Precisamos, mas vamos deixar ele descansar por mais alguns dias. Estamos indo bem com o pessoal que temos.

.

- Olá, bom dia. - Escutei alguém atrás de mim, parei de estender a roupa no varal, me virei dando de cara com Julian.

- Olá. - Digo de volta e ele fica me encarando com um sorriso pequeno. Confesso que sua aparência é muito bonita e deixa um charme na hora que puxa os cabelos para trás. - Está se adaptando bem? - Perguntei para quebrar aquele silêncio.

- Sim, todos são muito gentis comigo. Esse lugar é incrível, você faz um ótimo trabalho. Obrigado de novo por me aceitar.

- Não precisa agradecer. A prisão é obra de todos, não só minha. - Digo encabulada com seu elogio.

- Mas é você que eles procuram quando algo surge, observei esses últimos dois dias e você não parou quieta, sempre ajudando em tudo. - Falou me olhando fixamente.

- Ficou me observando? - Falei fechando a cara e encarando-o séria, senti uma sensação ruim quando encarei seus olhos cinzentos e frios.

- Não! Quer dizer, não de um jeito estranho. Eu só queria conversar com você, mas sempre estava ocupada e não sabia como ir até você. - Julian diz desviando o olhar. Encaro-o desconfiada de sua resposta. - Queria saber em que posso ajudar.

- Tem muito serviço por aqui, pode ajudar a matar os errantes nas cercas ou cortar lenha. - Sabia que eram trabalhos pesados, porém tinham que ser feitos e ele era forte.

- Tudo bem. - Concordou relutante. - Eu posso sair em buscas na próxima vez? É estranho ficar só aqui dentro.

- Ainda é muito cedo pra você sair, vamos sempre em grupo e você estava sozinho, não tem costume de trabalhar em grupo. Vamos esperar mais um pouco até você se familiarizar mais. - Digo e volto a pegar a roupa no balde, dando a entender que nossa conversa acabou.

Depois dessa conversa os dias foram passando, Michonne voltou de mais uma busca fracassada pelo Governador e se surpreendeu em ver Julian. Aparentemente ele era promotor de justiça e ela conhecia ele através dos tribunais, já que a samurai era advogada. Com ajuda de seu carisma Julian conseguiu se enturmar rápido com todos, passou a se aproximar mais de mim e querer puxar conversa. Todas as vezes tentei ser educada e terminar a conversa rapidamente, mas parecia que ele sempre estava no mesmo lugar que eu, me perseguindo.

Quem não gostou nada dessa aproximação foi Daryl, o mesmo sempre ficava nervoso quando via o homem perto de mim. Chegamos até a discutir por causa disso, então sempre tentava ficar longe do Miller para não ter problemas com o caçador. Hoje sairíamos em uma busca e Julian iria pela primeira vez.

- Prevejo que essa saída vai dar confusão. - Maggie diz baixinho do meu lado. - Daryl está tenso com a presença do Julian.

- Ele tem andado muito irritado ultimamente. Já falei para Daryl que não tem nada entre nós e sempre tento ficar longe do Miller pra não dar mais motivos pra ele, mas o caçador é muito cabeça dura e sempre fala merda. - Falei frustrada e cansada da situação.

- Ele só está com ciúmes, Julian é um cara muito bonito e mesmo não querendo admitir ele tem te dado uma atenção especial. - Me cutuca sugestiva. - Mas você e o caçador ainda são meu casal preferido.

- Vou conversar com Julian ainda hoje e dar um fim em qualquer esperança que ele tenha. Esse homem me causa arrepio e não é no sentido bom da palavra. - Digo decidida a acabar com qualquer intenção dele.

- É essa atitude que gosto de ver amiga. - Neguei com a cabeça e sorri para a fala da Greene.

- Vamos logo antes que nos deixem para trás. - Puxo-a para os carros e saímos.

Partimos para uma vila não muito longe e no caminho paramos num posto de combustível com alguns carros estacionados.

- Vamos vasculhar os carros e procurar gasolina. - Daryl dá a ordem e todos se movem procurando coisas úteis.

Andei até um carro começando a vasculha-lo, achei apenas pacotes velhos de comida e roupas velhas, nada que preste. Sai para ir ao próximo quando alguém grita. Olhei para frente vendo um zumbi em cima de Julian, o mesmo lutava para manter os dentes do errante longe de seu rosto. Puxei o arco depressa e peguei uma flecha, mirando bem na cabeça do errante.

- Foi mordido? - Me aproximei vendo-o jogar o corpo para longe e levantar.

- Ele estava parado no banco e achei que estava morto. - Diz com olhos grandes. - Obrigado por me salvar.

Julian vem em minha direção com intenção de me abraçar, porém dou passos para trás fugindo de seu alcance.

- O que pensa que está fazendo? Quer se matar seu idiota? - Daryl chegou nervoso e me puxa pelo braço ficando na minha frente. - Vê se presta mais atenção.

- Eu pensei que ele não ia se mexer, não é minha culpa. - Tentou se defender.

- Vamos nos acalmar, foi só um acidente. Tome mais cuidado da próxima vez Julian. - Maggie intervém tentando acabar com a situação. - Vamos continuar.

O clima ficou tenso o resto da missão, quando voltamos Daryl ainda ficou emburrado e sem falar comigo, como se eu tivesse culpa. Separei os itens médicos e levei para a enfermaria começando a organizá-los. E a pessoa que eu menos queria ver apareceu.

- Dominique. - Me virei para Julian e me assustei com sua proximidade.

- O que você quer? - Pergunto me movendo para o outro lado do cômodo, desconfortável com seu olhar.

- Sobre hoje …

- Não precisamos voltar nesse assunto, já passou. - Cortei sua fala cansada de tudo.

- Eu só não queria que ficasse estranha a nossa relação, você me salvo e tem sido uma boa amiga. - Diz chegando mais perto.

- Olha Julian, nós não temos relação nenhuma. Se está pensando que podemos ter alguma, pode esquecer. Eu não gosto de você e estou com Daryl. Então por favor, pare d… - Comecei a dizer, mas sou interrompida pelo avanço do Miller.

Fiquei estática quando senti seus lábios em cima dos meus, suas mãos rodearam minha cintura me puxando para mais perto. Acordei do susto e empurrei seu peito com força, passando a mão na boca logo em seguida. Olhei-o pronta para lhe dar um soco, porém estranhei seu sorriso vitorioso e olhar direcionado para algo atrás de mim.

Me virei e senti meu coração se quebrar. Daryl estava parado no corredor com expressão de dor e decepção. O mesmo dá meia volta e caminha rápido para longe dali. Demorei alguns segundos para processar tudo e sair correndo atrás do caçador.

- Daryl! - Gritei correndo. - Daryl para, deixa eu explicar.

- Explicar o que? Que você é uma vadia e estava agarrando aquele filho da puta. - O Dixon se virou gritando raivoso. - Não tem merda nenhuma pra explicar, eu vi. - Nunca tinha visto Daryl com tanta raiva antes.

- Foi ele que veio pra cima de mim e eu empurrei ele. - Falei a verdade, mas o caçador não deu ouvidos.

- Me pareceu que você estava gostando. Ficou dizendo que vocês não tinham nada e que eu via coisas. Agora eu tenho a prova. - Gritou apontando um dedo na minha cara. - Você mentiu pra mim. Disse que era só minha, que gostava de mim e me traiu pelas costas como uma puta barata. Não se aproxime mais de mim, eu tenho nojo de você.

Vejo ele sair sem forças para impedir, destruída pelas suas palavras. Encostei na parede deslizando até o chão e deixei o choro me dominar. A forma como Daryl me tratou, sem deixar eu me explicar direito e a falta de confiança machucaram. Soluço alto e choro pelo que ele também deve estar sofrendo, são tantas dores misturadas que não consigo pensar direito.

Senti braços me rodearem e escutei a voz de Maggie, mas não consegui entender o que dizia. Ficamos abraçadas por minutos até que paro de chorar.

- O que aconteceu? - Perguntou secando meu rosto com carinho.

- Eu estava na enfermaria quando Julian apareceu, ele acabou me beijando, mas eu empurrei ele. Daryl viu tudo, não quis ouvir minha explicação e gritou tantas coisas. Disse que tinha nojo de mim. - Digo fungando. - Ah Maggie dói tanto, e o amor que sinto por ele só piora as coisa,

- Eu sinto muito. - Falou me puxando para mais um abraço. - É uma situação muito difícil, vocês dois estão de cabeça quente agora, de um tempo e converse com ele de novo.

- Como você me achou? - Encaro ela já me recompondo.

- Vocês não foram muito discretos e ouvimos os gritos. E Daryl passou como um furacão pelo portão indo em direção a floresta. - Diz incerta.

- Sozinho e de cabeça quente? Ele pode se machucar. - Falei preocupada levantando rápido.

- Hey não se preocupe, Rick foi atrás dele, eles vão ficar bem. - Maggie me garante. - É melhor você ir descansar por hoje, quer ficar comigo?

- Não quero incomodar. Vou dormir com a Raylee.

- Tudo bem, eu te acompanho.

Fomos para as celas e peguei algumas coisas na minha. Apertei os olhos para não chorar mais quando vi nossas coisa juntas e sai rápido, indo para a cela da Joplin.

- Você está bem? - Raylee perguntou receosa depois de ver meu estado.

- É complicado Ray, mas você não precisa se preocupar, eu vou resolver. - Digo depositando um beijo em sua cabeça e peguei a coberta estendendo sobre ela. - Vou te fazer companhia a partir de agora, então vamos dormirmos. - Observei ela se acomodar e pegar no sono, fiquei tão absorta que não percebi a noite cair.

Sentei no chão e tampei o rosto com as mãos. Como isso foi acontecer? Em instantes tudo desmoronou. O último sorriso que Julian deu não sai da minha cabeça, parecia que ele esperava que aquilo acontecesse. Em um momento de raiva decido tirar satisfação e pedir uma explicação pelo comportamento do Miller.

Caminhei pela prisão não ligando para aqueles que ainda estavam acordados, tendo um destino específico vou até a cela procurá-lo, porém não acho nada dentro. Procuro mais um pouco e decido ir até a enfermaria, palco de tudo. Abri a porta devagar encarando o local com pouca luz e parado no meio está Julian de costas.

- Por que fez tudo aquilo? – Fui direto no ponto quando entrei no cômodo.

- Ah finalmente você chegou querida. - Estremeçi quando ele se virou com um sorriso sádico. - Pensei que teria que ir até você.

- O que você está dizendo? Está louco? - Começei a ficar com medo. Sua expressão é totalmente diferente, agora está banhada de crueldade.

- Não precisa mais se preocupar, quando nós saímos daqui tudo vai se resolver. - Diz dando um passo.

- Não se aproxime. - Falei sacando a pistola e apontando para ele. - Eu não vou pensar duas vezes em atirar.

- Você e essa marra. Vou ter que mudar isso. - Diz com uma calma assustadora. Apertei o cabo da arma com mais força, a tensão tomando conta do meu corpo.

Escutei um barulho atrás de mim, por reflexo virei o corpo rapidamente e encontrei um garoto segurando o dedo machucado e nos encarando com olhos arregalados. Acabei abaixando a guarda e esquecendo do homem atrás de mim, senti uma dor horrível na cabeça e cai atordoada, tinha levado uma pancada. Perdi o controle do corpo e só senti minha cabeça latejar.

- Oi Dylan, não tenha medo, está tudo bem agora. - Vejo Julian se aproximar do garoto, mas não consegui levantar.

O homem empurrou-o na parede, lhe tapou a boca e enfiou uma faca bem no coração da criança. Dei um grito esganiçado, incrédula com a crueldade de Julian.

- Por que você fez isso seu desgraçado? - Perguntei raivosa, criando forças para levantar.

- Ele nos viu, não poderia sair daqui vivo. - Diz ser emoção. Tentei partir pra cima dele, mas a pancada me afetou muito. - Já chega de enrolação.

Mais uma vez recebi uma pancada e acabei desmaiando, ficando com a última imagem de um monstro.



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