História Alvorecer - Capítulo 6


Escrita por:

Postado
Categorias Amor Doce
Visualizações 41
Palavras 1.494
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O que fazer? O que fazer?
Está difícil controlar as emoções .0.

Capítulo 6 - Mas nada pode reter


O cheiro de bolo de canela preenchia a cozinha quando voltei para a casa ao pôr do sol. Durante o almoço, mantive minha atenção voltada para Leigh e Rosa nos momentos de conversa. Ninguém pareceu notar o desconforto que havia se instalado entre eu e Lynn e isso foi um grande alívio. Rosalya não deixaria passar um comentário se percebesse isso e eu não saberia como reagir. 

Eles iriam embora no dia seguinte, logo após o almoço. Eu precisava manter a máscara da normalidade apenas até lá. 

Brincamos com jogos de baralho por longas horas enquanto nos satisfazíamos com vinho quente e bolo de canela em frente à lareira, sentados em roda sobre o tapete. Presentes pareceram brotar sob a árvore de Natal e eu soube que aquilo era obra de Leigh e Rosalya, principalmente de Rosalya. 

Quando o relógio se aproximou de meia noite, eu e meu irmão nos preparamos para prestar felicitações a nossos pais. Rosa costumava nos acompanhar, mas desta vez preferiu ficar na casa e fazer companhia a Lynn. 

– Acha que eles olham por nós? – perguntou-me Leigh enquanto cruzávamos o pasto sob a luz da lua e da lanterna. 

– Gosto de pensar que sim – respondi, voltando os olhos para o carvalho, ainda distante. – Às vezes, quando o vento sopra na direção certa, tenho a impressão de ouvir suas vozes conversando de dentro da casa... Como se nada houvesse mudado. 

– Eu ligo para o telefone fixo nos horários que eu sei que você não está – admitiu-me Leigh. – Apenas para a ligação cair na caixa postal e tocar a gravação que eles fizeram. 

– Também faço isso – virei-me para ele, que me abriu um sorriso cúmplice. 

– Joyeux Noël, mère et père – eu disse quando alcançamos o topo da colina. Estendi minha mão em direção aos nomes de nossos pais e Leigh fez o mesmo ao meu lado, repetindo minhas palavras. 

Dissemos juntos as bênçãos que nossos pais costumavam nos oferecer em todo o Natal, ofertando-as a eles. Tomamos nossas vezes para fazer nossos agradecimentos anuais, recitar os ensinamentos que eles nos ofertaram e que nos foi útil ao longo do ano.  

Ao fim, pela ausência dos braços dos pais, abraçamos um ao outro. Éramos a família que nos restava, o legado de Josiane e George. E eu não podia ter maior orgulho do que esse. 

Não retornamos à casa em lágrimas, mas sim em sorrisos. O ritual que fazíamos no túmulo de nossos pais fazia com que nos sentíssemos mais uma vez perto deles, como a família que éramos e sempre seríamos. 

– Bem vindos de volta – disse Rosalya quando cruzamos a porta, da mesma forma que nossa mãe fazia, e como Leigh havia feito comigo. Era reconfortante que a presença daquelas palavras perdurasse além de sua precursora. 

– Obrigado – Leigh abriu um sorriso amplo, aproximando-se do sofá para beijar com gratidão a noiva que ali lhe esperava. 

Procurei por Lynn, que não estava em qualquer lugar perto de Rosa. Encontrei-a na janela, aquela sobre a mesa de madeira, encarando o lado de fora enquanto se abraçava no suéter azul que vestia. Seu olhar parecia distante e carregava uma tristeza que eu não podia atribuir origem. 

– Já podemos começar com os presentes? – perguntou Rosa, ajoelhada diante da pequena árvore no canto da sala. 

Leigh se sentou ao seu lado, descansando o braço em sua cintura. Juntei-me à roda que se formava e Lynn, em sua distração, foi a última a se juntar a nós. 

– Eu primeiro! – Rosa se animou, amontoando três embrulhos nos braços e então entregando para cada um de nós.  

A mim ela deu uma camisa de linho branca de mangas soltas, como as que eu costumava usar no ensino médio, mas do meu tamanho atual. Sorri para ela, surpreso por ela perceber que eu sentia falta da moda vitoriana. 

Leigh recebeu uma veste de bordado dourado e Lynn um lindo vestido na cor de seus olhos, em um tom claro como a luz do dia. Eu não a veria vestindo-o, mas pude imaginar o caimento do tecido em suas curvas e, em minha mente, a leveza da saia combinou com perfeição ao movimento que provocava suas risadas. 

Eu e meu irmão trocamos suéteres de lã tricotados por nossa mãe no passado. Eu presenteava ele com os que ela havia me dado e ele, o mesmo. O verdadeiro presente era a lembrança que eles carregavam, uma vez que a maioria não mais nos servia. 

Apenas um embrulho restou sob a pequena árvore. O papel pardo que continha o presente de minha vizinha Alexandra. 

– Não vai abrir? – perguntou Rosa, olhando-me com curiosidade. 

Eu sequer notei que havia hesitado. 

Desfiz o laço do barbante e abri o embrulho. Ao fazê-lo, um cartão escorregou do espaço entre o livro e o papel pardo, voando para o chão. Pousou em frente à Lynn, com a caligrafia de Alexandra voltada para cima. A mensagem era tão curta que seria impossível não compreendê-la apenas com um vislumbre. 

Vale a pena esperar por tanto tempo? 

Estendi minha mão para pegar o cartão e voltei os olhos para o título do livro. Resgate De Um Coração Partido lia-se na capa. 

Senti meu rosto esquentar diante do livro que jazia em minhas mãos. Mas não de vergonha, de raiva. Eu nunca havia dado qualquer esperança a Alexandra, em verdade, não conhecia suas intenções até que Leigh as explicitasse em nossa conversa da madrugada. Aquele tipo de intromissão em minha vida, em meus sentimentos, era uma das poucas coisas que não podia tolerar. 

– Alguém aceita mais bolo? – ofereci, colocando-me de pé. 

– Lys... Está tudo bem? – foi Rosa quem perguntou, com a preocupação evidente em sua expressão. 

– Sim, está – afirmei, jogando o livro, o cartão e o embrulho na lareira acesa. Eu seria mais claro com Alexandra na próxima vez em que a visse. Apesar da tormenta de emoções, eu estava em paz com meus próprios sentimentos. Era no mínimo ofensivo que alguém que mal me conhecia julgasse o contrário. 

Continuei meu caminho para o balcão e ao invés de recorrer ao bolo, enchi um copo de água e o tomei devagar, concentrando-me em me acalmar. Minha vontade era de externar todos os meus pensamentos em relação a Alexandra, dizer pra quem quisesse ouvir o quanto sua atitude havia sido insensível, rude e presunçosa. 

Eu sequer entendia como essa mulher sabia que havia alguém em meu coração para me mandar um recado assim. 

Mas estava tudo bem. Não era algo grande o suficiente para merecer o nome de problema. O modo como toquei Lynn sob o carvalho já havia sido o suficiente para assustá-la, quão pior seriam seus pensamentos a meu respeito com a suspeita que eu ainda sentia algo por ela?  

Ela partiria no dia seguinte, de qualquer forma.  

Era lamentável, no entanto, que minha falta de zelo tenha prejudicado o conforto dela durante a estadia na fazenda. Eu sequer teria a chance de recompensá-la por isso. 

– Já está tarde, deveríamos nos deitar por agora – disse Leigh na sala, levantando-se e erguendo a mão para puxar Rosa para cima. 

Em meio aos abraços e aos desejos de Feliz Natal da despedida, Lynn me ofereceu um aceno antes de sumir no corredor. Ela esperou que Rosalya e Leigh tomassem a dianteira para que nossa distância permanecesse discreta.  

Arrumei o sofá para meu descanso quando me vi sozinho. Vesti a calça de moletom e a camisa preta que usava como pijama e me sentei no estofado vermelho, sem qualquer pretensão de fechar os olhos. Não, a agonia em meu peito não permitia. 

Em algumas horas, eu olharia para Lynn pela última vez. Meus erros não me deixavam qualquer esperança de que isso fosse uma mentira. Ela não iria voltar. E por que voltaria? Eu era apenas um ex.  

A palavra de apenas duas letras me feria. Parecia subjugar tudo o que vivemos juntos, todas as lembranças que eu carregava com tanta devoção em minha alma. Lynn havia me marcado de uma forma que nenhuma outra pessoa havia feito, de uma forma que mais ninguém seria capaz de fazer. A palavra ex era pequena, mas parecia me esmagar com todo o seu peso. 

Enterrei os dedos nos meus cabelos, puxando-os para longe do meu rosto e então apoiando o peso de minha cabeça nos meus braços, apoiados pelos cotovelos sobre meus joelhos. Eu havia estragado tudo. Na única chance que o destino me deu... Eu havia estragado absolutamente tudo, até mesmo o passado. 

– Lysandre? – a voz de Lynn me puxou para fora da angústia. Todos os meus pensamentos recuavam diante de sua presença, apenas para que toda a minha atenção fosse dela. 

Ela vestia um moletom duas vezes maior do que ela como pijama, ostentando a sigla de sua faculdade na frente em letras garrafais. Parada na quina entre o corredor e a sala, ela abaixou os olhos para os restos do livro que o fogo da lareira consumia.  

E então os voltou para mim, fazendo o sol em meu peito voltar a crescer e brilhar. 


Notas Finais


Será que agora vai? Será? Será? .0.
Tem que ir, né? Faltam só três capítulos pra acabar kkkkkkkkkkkkkkk


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...