História Alvorecer - Capítulo 22


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Guerras, Menção!jikook, Mençãoangst, Mençãojitae, Personagensoriginais, Principes, Reinos, Suji, Taekook, Yoonmin
Visualizações 433
Palavras 3.574
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí, amoras? Tudo bem?

Este capítulo revela um pouco de tudo o que está acontecendo, mas ainda tem muuita coisa para ser revelada. Espero que gostem e por favor, leiam as notas finais, okay?

Amo vocês <3

Boa leitura!

Capítulo 22 - Just One Day


 

 

Os deuses surgiram com apenas uma missão: cuidar dos humanos. Os criadores de tudo o que conhecemos depositaram neles a esperança, e os humanos passaram a fazer o mesmo. 

Entretanto, até mesmo os seres celestiais possuíam regras. Construíram seu próprio mundo; um plano diferente do finito que os abrigava dentro de um enorme castelo. Dentro dele, não havia hierarquia porque todos eram iguais. Todos seguiam as regras impostas, aquelas essenciais para a boa continuidade de suas funções. As principais regras eram coisas simples, fáceis de serem quebradas e por isso poderiam soar mais tentadoras para os deuses. 

Alinah quebrou a maioria delas. 

Começou quando foi contra o rompimento dos laços entre humanos e deuses. Ela sabia que seus protegidos eram seres imperfeitos, entendia que cada um deles reagia de forma diferente diante do perigo. Sabia que o ser humano disfarça o medo com falsa autonomia; usam guerras para justificar seus receios. Por isso, entendia que era injusto deixá-los sozinhos – mesmo que uma grande parcela de seus companheiros almejasse o contrário. Quando a Grande Guerra começou, os deuses foram desafiados. Os humanos foram prepotentes. E o que antes existia para o bom funcionamento de tudo, foi rompido por dois lados severos demais. Dois lados que deveriam andar em conjunto. Talvez fosse ali que tudo começou a desmoronar. De repente, tudo estava fadado ao fracasso.

Mas ir contra a maioria dos seus foi apenas o começo. Alinah poderia ter lutado por seus ideais de forma diferente. Poderia ter se unido à Namjoon e seu grupo. Poderia explanar sua opinião nas grandes reuniões dos deuses – que aconteciam com mais frequência naqueles dias. Mas ela preferiu dar ouvidos a outros métodos. Queria entender os motivos daqueles humanos tão gananciosos. Então ela foi até o plano terreno e analisou de longe os bruxos. Compreendeu que a única motivação do ser humano é a ambição, e tudo o que eles fazem é porque querem ou esperam algo em troca. Os bruxos praticavam magia negra e conseguiram alcançá-la através do sacrifício de suas próprias almas. Tudo isso para que conseguissem dominar a magia; da mesma forma que os feiticeiros conseguiam. Mas os últimos eram raros, presenteados com tal dom inato. Enquanto os bruxos... eles aprenderam a dominar o que não conheciam. Esse foi o problema. Então, enquanto observava os bruxos e suas ramificações, Alinah quebrou outra regra: ela se apaixonou por um deles. 

A quebra da terceira regra foi consequência de um amor insanamente correto e profundo. Alinah ficou grávida de um bruxo. Fugiu, com a ajuda de Namjoon. Teve que se esconder na Terra, sendo ajudada pelo pai da criança, filho de um bruxo que não queria seguir os passos do progenitor. A deusa entendia que humanos eram diferentes, ela via em seu amado algo puro. Mas quando estava perto do nascimento de seu bebê, os deuses descobriram. Era um erro inadmissível. Ela foi levada à força para o plano celestial e passou seus últimos dias de gestação presa em um quarto. 

Quando o dia do nascimento chegou, Alinah cometeu seu último erro. Namjoon era seu único meio de comunicação com o bruxo, e ela queria olhar nos olhos negros que tanto amava pela última vez. Então, usou o resto de seus poderes para trazê-lo até o castelo dos deuses. E, dessa forma, quebrou a regra mais importante de todas: um deus nunca deve romper o véu do plano astral para trazer um humano consigo. 

Quando o primeiro suspiro da criança pôde ser ouvido, o último do seu amado aconteceu. Ele morreu nas mãos de um dos deuses. Alinah foi presa por traição e seu filho foi amaldiçoado pela corte dos deuses. Um híbrido era uma aberração e por isso merecia sofrer pela eternidade por ser fruto de um erro horrível. 

Mas Namjoon não concordou com tal sentença. 

Ele fez tudo o que estava em seu alcance para ajudar o filho de sua melhor amiga.

 

 

As palavras ainda passeavam em sua cabeça. Jimin nunca imaginou que teria dúvidas sobre o que sentia. Desde que aceitou seus sentimentos por Yoongi, teve a certeza de que ele era o amor de sua vida. No entanto, depois da conversa que teve com Taehyung, tudo mudou. Tudo. Desde suas memórias, suas crenças, o que acreditava ser verdadeiro tornou-se algo descartável; Jimin sentia-se descartável, como uma peça qualquer de um jogo de tabuleiro, manipulado por terceiros, sendo obrigado a viver no escuro. Tantas pessoas participaram daquela mentira que chegava a sentir nojo. Sua família, seus amigos... Ele era tão irresponsável que não merecia saber a verdade? 

O relacionamento que criou com Yoongi foi real em algum momento? Ele foi usado. Yoongi poderia estar o manipulando naquele instante. Negou veemente aquela hipótese, não, seu esposo não seria capaz de tal coisa. Mas a confusão que se instalava em sua mente era intensa, trazia-lhe uma queimação na garganta, uma maldita vontade de chorar, uma maldita vontade de fugir. 

Ainda estava no quarto, esperando pela chegada de Yoongi. Foi avisado por um dos guardas mensageiros que ele estava perto do castelo, junto de Jungkook e Hoseok. Todos eles sabiam da maldição, todos sabiam daquele casamento mentiroso. 

Todos, menos os noivos. 

Como pôde ser tão ingênuo em achar que seria amado pelo esposo? Era idiota por ter achado que, mesmo naquela situação, Yoongi daria o braço a torcer e se deixaria levar por sentimentos. Mas Jimin lembrava de olhar nos olhos dele e ver amor, então por que tudo parecia tão falso? Porque todas as suas convicções pareciam sem sentido? 

 

 

XXX

 

 

— Tae. — Jungkook proferiu baixo. Deparou-se com o oráculo aos prantos andando pelo quarto e teve a certeza de que ele havia contado. E era estranho, mas compartilhava da dor que ele sentia, compartilhava do desespero, teve medo de não ser perdoado por Jimin. Teve medo do que aconteceria quando Yoongi descobrisse. Por isso, deu passos largos até o outro e o abraçou com força, sentindo as próprias lágrimas descerem com pressa pelo rosto. O corpo de Taehyung estava trêmulo e teve que ajudá-lo a chegar até a cama. Sentou ao lado dele e voltou a abraçá-lo. Não disseram mais nada. Não era necessário.

 

 

XXX

 

 

— Jimin! — Yoongi encontrou o esposo de costas para si, o olhar dele passeando pela neve do lado de fora. Sentiu o coração bater mais rápido e lembrou de tudo o que havia acontecido, adicionando aos seus pensamentos o fato de que o castelo tinha sido atacado. Poderia ter perdido Jimin, poderia ter morrido nas mãos dos rebeldes. Poderia ter morrido sem dizer que o amava. 

Entretanto, assim que abriu a porta do quarto, alguma coisa parecia fria. Jimin ainda estava de costas para si, como se quisesse manter distância. Mesmo com o ambiente evidente, Yoongi não conseguiu segurar mais o desespero que sentiu horas antes. Fechou a porta atrás de si e sentiu as primeiras lágrimas grossas caírem de seus olhos. Eram pesadas, significava muito para si; era como pisar em seu orgulho, chorar por algo tão trivial – qualquer pessoa que estivesse em alta posição estava sob o perigo de um sequestro e ele mesmo havia sido treinado desde criança para saber lidar com tal situação – mas aquele momento deixava-o tão fragilizado, tão impotente. Só queria abraçar o esposo e senti-lo perto o suficiente para receber carinho. Mas Jimin ainda estava de costas.

Jimin estava de costas e Yoongi soluçou porque não entendia o que levava o outro a continuar o ignorando.

— Jimin...? — chamou novamente, a voz embargada pelo choro. Deu poucos passos até o esposo e seu corpo paralisou quando ele se afastou de forma abrupta. — O que aconteceu? Você está bem? — ficou preocupado com Jimin, porque ele o olhava de um jeito estranho naquele momento. O fitava de forma fria, superficial. 

Yoongi sentiu que alguma coisa muito errada tinha acontecido. Queria entender porquê sentia seu corpo estremecer por dentro, como se esperasse por alguma tragédia. Como se esperasse pelo pior. Engoliu em seco e levou a mão até o rosto, limpando o rastro que as lágrimas deixaram nele. Jimin continuava observando-o com estranheza. 

— Finalmente voltou. — até mesmo a voz dele era apática. Yoongi nunca sentiu tanto medo antes, medo do que o outro lhe diria, medo de algo que nem sabia ainda. — Precisamos conversar. 

— Jimin, eu fui sequestrado, eu...

— Não é sobre isso, Yoongi. — o citado sentiu mais lágrimas caindo, cada vez mais pesadas. Estava mostrando tudo o que era, tudo o que sentia. Por que Jimin parecia não se importar? — É sobre esses ataques. Sobre... sobre você. — notou a voz do esposo vacilar durante as últimas palavras. Ele não retribuía mais o contato visual, os olhos castanhos pareciam querer fugir daquela troca de olhares. E tudo machucava Yoongi, mais do que ele imaginava ser possível. Deixava-o sufocado, fraco. 

— Descobriu alguma coisa? — Yoongi respondeu com a voz mais firme, era automático que seu tom tomasse o lado diplomático quando era um assunto político. 

Poucos passos ainda os separava, mas ambos sentiam que eram separados por algo maior e mais destruidor. Eram separados pelo medo, mesmo este sendo consequências de vertentes diferentes. Jimin tinha medo do que estava pensando. Yoongi tinha medo do que viria a seguir.

— Você conhece a história da Grande Guerra, estudou sobre isso. — o tom dele também foi tomado por algo diferente, Yoongi não sabia reconhecer. Por que simplesmente não encurtava aquele caminho e o abraçava como queria? Por que sua mente o impedia de qualquer aproximação? Por que o olhar de Jimin machucava mais que qualquer golpe que tenha recebido antes? — Foi a separação entre os deuses e os humanos. Foi a extinção dos feiticeiros e o surgimento dos bruxos. 

Jimin ficou alguns instantes em silêncio, engolia em seco, tentava conter as lágrimas e o desespero que se acumulava em seu interior. Olhar Yoongi novamente era tão difícil, porque ao contrário de tudo o que pensou outrora, não parecia superficial. Yoongi estava chorando, precisava de si. Era real. Aquele amor que sentia era real, mas de alguma forma, Jimin tinha medo de se aproximar. Aquilo poderia ser unilateral. Aquelas lágrimas que marcavam a pele alva do outro, aquele olhar embebido em dor, tudo poderia ser falso. 

— Isso tem alguma ligação com os ataques? Hoje, depois do meu sequestro, lembrei de uma coisa estranha. — Yoongi sentiu a garganta fechar quando mencionou o que havia acontecido consigo mais cedo. Queria abraçar Jimin. 

— Conhece a história da deusa que se apaixonou por um bruxo? — Jimin o interrompeu novamente. Yoongi estava desmoronando por dentro. — A deusa que se apaixonou por alguém que praticava magia negra... eles tiveram um filho. — Jimin retomou pouco depois, sentindo cada músculo de seu corpo contraindo, involuntariamente sentia a necessidade insana de abraçar o esposo, de confortá-lo, de dizer que tudo ficaria bem. — Mas essa criança foi condenada, porque nasceu com poderes demais, e os deuses tiveram medo. Por isso, amaldiçoaram o recém-nascido. 

Yoongi não entendia o motivo de estar tão concentrado em cada palavra que ouvia do esposo. Aqueles malditos passos os separavam, aquela maldita brisa fria entrava pela janela aberta e seus lábios tremiam em ansiedade. 

— Mas nem todos os deuses cortaram vínculos com os humanos. — Yoongi rebateu pouco depois, aquela história antiga que ouviu quando criança começava a aparecer aos poucos em sua mente. — Alguns deuses se compadeceram de nós.

— Esses deuses tentaram reverter a maldição sobre a criança. Eles conseguiram mudar o destino dela e fizeram com que sua alma reencarnasse sempre, até que chegasse o momento em que a guerra voltasse a acontecer. Até que seus poderes fossem despertados novamente. Até que chegasse o momento... — Jimin respirou fundo algumas vezes, mordendo o lábio inferior. Não queria chegar no final da história, não queria chegar na parte aonde Yoongi o deixava. — A criança era híbrida, Yoongi. Ela tinha o bem e o mal dentro dela. E ela poderia destruir todos nós. 

— Jimin, o que isso tem a ver...

— Você está sentindo algo estranho ultimamente, não? Algo diferente. — Jimin cerrou os dentes com raiva, raiva do destino e de toda aquela merda de maldição. 

— O que está insinuando? Que sou uma espécie de reencarnação? — Yoongi questionou com certa indignação. Aquela história era tão antiga e mentirosa! Como ele poderia dizer aquilo de forma tão séria? — Eu fui sequestrado e a única pessoa em que pensei foi você! — acrescentou com a voz trêmula, criando coragem para dar alguns passos até o outro. Abraçou o corpo esguio dele com força, inalou o cheiro gostoso de Jimin e deixou toda a angústia que sentiu sair entre murmúrios desconexos. Ignorou todas as suas defesas pela primeira vez na frente dele e ele... Ele não retribuiu. Os braços alheios continuaram abaixados, inertes. Yoongi soluçou angustiado. — Não pode estar acreditando nessa história, Jimin. Por que está agindo assim? Eu te amo, eu te amo! — apertou o corpo dele contra o seu de forma desesperada. Sentia que Jimin estava se distanciando cada vez mais, e eles estavam abraçados. Yoongi sentia o calor dele emanando, o pulsar fraco do coração alheio sob as roupas, ele conseguia tocá-lo. Conseguia senti-lo fisicamente. Por que tinha a sensação de que não conseguia alcançá-lo, mesmo o tendo em seus braços?

— Você é híbrido, Yoongi. — Jimin murmurou com a voz rouca. 

— Não...

— Por que é tão difícil aceitar? Me solta! — Jimin desvencilhou o corpo do contato anterior e passou as mãos pelos cabelos, sem saber o que fazer. Sem saber se abraçava Yoongi ou se terminava de destruí-lo. Não era o que mais queria quando o conheceu? Queria destruir qualquer chance de casamento. Mas aquilo tinha sido antes, quando suas respostas para tudo era a fuga. Riu soprado, sarcástico. Ainda era o mesmo, ainda queria fugir de todos os problemas. Às vezes pensava que queria nunca ter conhecido Min Yoongi.

— Você enlouqueceu? — Yoongi aumentou o tom de voz, magoado demais para manter a calma. Seu coração estava todo quebrado e ele não sabia mais se conseguiria colar todos os pedaços. A única pessoa que possuía a cola estava evitando-o naquele momento. Também era a única pessoa capaz de machucá-lo daquele jeito. — Eu tive alguns momentos confusos, eu senti medo. — lembrou da última vez que teve a mesma sensação estranha, naquele mesmo dia enquanto estava a caminho do local do ataque. Arrependeu-se por não ter contado para Jimin antes, mas será que ele saberia lidar com tudo sem taxá-lo de louco? Porque era o que acontecia naquele momento. — Ainda estou com medo. Eu preciso de você, por favor. Tem uma voz na minha cabeça, uma voz que diz coisas...

Yoongi não terminou a frase. Todos os seus medos pareciam brincar consigo, deixando-o afundar dentro de incertezas. Queria poder controlar o choro incessante, queria poder olhar nos olhos de Jimin sem sentir como se fosse um estranho perto dele. 

— Falta pouco para seus poderes aparecerem, Yoongi. — Jimin retomou, não conseguindo mais controlar seus impulsos. Andou até o esposo e o abraçou, mordendo o lábio inferior enquanto sentia o corpo trêmulo dele contra o seu, os braços que na noite anterior o tocou com tanta paixão envolvendo-o com tanto temor. Como seu mundo poderia ter desmoronado em tão pouco tempo? Queria poder acreditar que ele o amava, mas nada era concreto quando se tratava dos sentimentos. — E quando eles aparecerem, vai ter que escolher um lado. Faz parte da maldição...

— Eu sempre vou escolher você, sempre... — Yoongi murmurava repetidamente cada palavra, sentindo que tudo o que conhecia estava desabando. Tudo o que acreditava parecia derreter entre seus dedos. Jimin estava longe o suficiente naquele momento. Longe emocionalmente. Yoongi sabia. Deveria ter dito que o amava antes. — Eu te amo, eu te amo tanto! Eu nunca faria mal a você. 

— Sabe por que nos casamos? — Jimin disse com a voz baixa, sentindo a respiração quente e descompassada do outro em seu pescoço. — Porque seria mais fácil ter você do lado dos humanos se você se apaixonasse por um. 

— O que eu sinto por você é real. — Yoongi sussurrou. — Eu te amo como nunca imaginei amar alguém antes. E isso é estranho, porque eu realmente prometi para mim mesmo que nunca daria a chance de você entrar no meu coração. Mas você invadiu ele mesmo assim, e agora é tudo o que eu quero. Você é tudo o que eu quero, Jimin.

— Isso não muda o fato de que fomos enganados. Nosso casamento é uma mentira.

— O que você sente por mim é mentira? — Yoongi afastou o corpo do outro, olhando diretamente em seus olhos. 

— Não. Eu te amo. — Jimin confessou, acariciando os fios da nuca do esposo com leveza. — Mas você vai mudar a qualquer momento. Quero estar aqui com você, mas eu não sei até onde essa manipulação chega. — limpou as lágrimas no rosto do outro antes de continuar. — Não sei até onde fomos usados. Até onde você pode estar me usando, mesmo sem saber.

— Então você realmente acredita nessa história...

— Acredito. Por que é tão difícil para você fazer o mesmo? — Jimin queria poder negar, queria dar voz a todos aqueles pensamentos confusos que ecoavam em sua mente, mas não conseguia, não com Yoongi tão perto. Ele o desarmava por completo, mudava tudo o que achava sentir em questão de segundos. Bastava um olhar. Não conseguia mais compreender como deixou-se levar tanto por ele. As palavras de Taehyung ainda passeavam em sua cabeça, o lembrando de que aquilo tudo era real. Apesar da maldição que assolava o esposo, eles também tiveram a bênção de Namjoon e a profecia de que seriam destinados um ao outro. Se eles eram destinados, porquê era tão difícil lidar com toda aquela situação? 

Yoongi passou alguns segundos refletindo sobre aquilo. Lembrava-se de todos os momentos em que perdia o controle, as lembranças de quando apontou a espada contra Jimin, a voz que dizia-lhe para matar Jungkook e a vontade crescente que sentia de realmente obedecê-la. Se aquilo tudo era real, poderia se tornar um monstro assassino que não têm consciência das próprias atitudes. Mas ele tinha. Naquele instante, retribuindo o olhar do esposo, ele sabia que nunca faria mal contra alguém que amava. Por que Jimin tinha tanto receio? Não confiava em si? Não confiava em seu auto controle? 

— Você não confia em mim. — reforçou verbalmente, afastando-se do outro de forma lenta. — Está duvidando do que sinto por você. 

Yoongi achou que a dor mais intensa que poderia sentir era aquela que assolava seu coração até então, mas estava enganado. Fitou os olhos castanhos do esposo e sentiu uma dor tão sufocante que não conseguia mais controlar o tremor em seu corpo. Não entendia aonde estava, perdera a noção de espaço, de tempo, de si mesmo. Jimin não acreditava em seu amor, era a mesma coisa que proferir que também não o retribuía. O que poderia fazer? Como reagir àquilo? Estava desabando, suas muralhas caindo por terra na frente da única pessoa que poderia destruí-la. Ironicamente, era tudo o que Yoongi mais temia; deixar-se levar pelos sentimentos e ser machucado de tal forma. Sua cabeça estava repleta de lembranças confusas, momentos que passou com o esposo, o casamento do rei do Oitavo Reino, o olhar dele quando pediu perdão por ter beijado Hoseok, a forma como ele tomou seu corpo na noite anterior... Jimin conseguia mesmo seguir com aquele discurso infundado sobre uma lenda antiga sabendo de tudo o que haviam passado? Yoongi estava condenado àqueles olhos castanhos desde que o viu pela primeira vez. Bastou um dia. Apenas um dia.

Enquanto isso, Jimin se afogava na própria culpa. Estava cedendo ao medo novamente, estava magoando a pessoa que jurou se dedicar. Não queria ser tão fraco, mas Yoongi o enfraquecia sem saber. Levava todas as suas convicções, todas as suas conquistas, fazia de Jimin tudo o que queria. E isso o assustava em proporções que nunca imaginou. Talvez todo o medo do esposo se desse por causa do poder que ele tinha sobre si. Não era o fato dele poder ceder para o lado errado e destruir tudo. Era porque sabia que se o fizesse, Jimin morreria com um maldito sorriso no rosto, porque estava completamente entregue a ele. E ninguém lhe dizia se isso era amor, ninguém lhe explicaria como sentir, como proceder. Aquela era a forma dos dois de amar? Olhou para os lábios finos de Yoongi, trêmulos. Os olhos pequenos e inchados pelo choro, os cabelos negros bagunçados. A roupa úmida. A figura em sua frente era bem diferente daquela que lhe disse, semanas antes, que nunca mais o perdoaria. Ele estava completamente derrotado, assim como si próprio. Ambos derrotados pelo sentimento assolador que sentiam um pelo outro, um sentimento influenciado pelo casamento falso. Como não se sentir usado? Como não querer fugir de tudo?

— Mas que droga, Yoongi. — Jimin cortou o silêncio ensurdecedor. — Eu amo tanto você que chega a ser doloroso. 

Não demorou muito para tomar sua decisão. Se fosse para cair, que fosse ao lado dele. Se fosse para sentir medo, seria com Yoongi. E se fosse para amar, que fosse do jeito deles. Viveriam um casamento falso de forma verdadeira. 

Yoongi sentiu o quadril do outro pressionar o seu com possessividade e deixou-se levar pelos lábios alheios. Levou as mãos até a nuca de Jimin e acariciou os fios castanhos e sedosos. O beijo era agressivo, mal conseguiam respirar durante o ósculo. Queriam deixar naquele contato toda a confusão que estavam sentindo, todos os receios. Jimin o puxou até a cama, deitando-os sobre o colchão macio e dedicando selares no pescoço arrepiado de Yoongi. 

Estavam perdidos naquele sentimento.

Estavam perdidos naquela maldição.

Mas encontravam-se através do destino.

 

 

 


Notas Finais


AEEEEEEEEEEE FINALMENTE ALGUMA COISA FOI EXPLICADA NESSA BAGAÇAAAAAA

GENTE, ANTES DE EU COMEÇAR MEU SURTO, COLA AQUI RAPIDÃO: Jimin está confuso, os pensamentos dele são conflitantes, ele não sabe como prosseguir porque descobriu que foi manipulado pelas pessoas que mais amava, então se alguma parte ficou ksjksjs Q pra vocês, é porque ele estava confuso, okay? Eu tentei explicar certinho, mas ainda deixar algo mais avulso e contraditório porque ele está completamente perdido, coitado.

Alguém imaginava isso? Que o Yoongi é um tipo de "reencarnação" e indiretamente filho da Alinah? QUE LOUCURA NÉ MEU POVO, mas ainda tem muita coisa para ser esclarecida, essa foi só uma parte dela ksjskjs

Eu tenho certeza que começaram a ler pensando em formas novas de xingar o Jimin, porque ele estava pisando na bola com o Yoongi de novo ksjskjs MAS GENTE TUDO SE RESOLVEU NO FINAL, quer dizer, o Yoongi ainda não acredita nessa história e o Jimin decidiu ficar com ele mesmo correndo risco de vida...? OLHA O QUE O AMOR FAZ COM ALGUMAS PESSOAS.

Teve momento taekook e já deixo avisado que o próximo capítulo é inteirinho deles, okay?

Espero que tenham gostado desse capítulo <3 Eu nunca consigo retribuir todo o carinho que vocês me dão, então saibam que eu amo muito ler cada comentário, amo saber que existem tantas pessoas que acompanham o que escrevo e fico super feliz com todo o apoio. Vocês são demais e merecem muito yoonmin na vida de vocês :3 Obrigada mesmo por tudo, amorinhas ^^

Nos vemos por aí!

Até~~


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