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História Always and Forever - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Demorei mas atualizei... espero que estejam gostando da fic.

Boa leitura!!

Capítulo 7 - Cinq


_____ ♚ _____

 

Bae Yeri era uma sobrevivente. Ser invencível não a prejudicava, naturalmente, mas sobretudo ela tinha o verdadeiro dom da adaptação, de se entender com os outros.

Desde que ela e as irmãos chegaram às margens lodosas do posto avançado infestado de criminosos conhecidos como Nouvelle-Orleans, esses talentos lhe fizeram muito bem. Depois da violência inicial de Joohyun, elas eventualmente fizeram as pazes com os bruxos e lobisomens locais.

Tiveram de jurar não criar nenhum novo vampiro, mas o custo de se sentir em casa valia a pena. O equilíbrio era frágil, porém a trégua se sustentava havia quase uma década. Depois de anos sendo perseguidas pelo pai assassino por toda a Europa, elas finalmente estavam em boas condições.

Mas os tempos eram outros agora e havia chegado o momento de as irmãs acompanharem as mudanças.

Enquanto Yeri se dirigia para fora da cidade, os prédios espremidos começavam a se espaçar e o centro da cidade diminuía com o avanço de sua montaria. Os humanos andavam a cavalo e ela também o fazia, para manter a farsa, mas as criaturas mortas deslocavam-se num ritmo aflitivamente lento.

Seu caminho seria mais curto se ela atravessasse o cemitério particular nos arredores da cidade e, depois da mais leve hesitação, instigou o cavalo a passar por baixo do alto portão de ferro.

Estava deserto, como qualquer cemitério estaria ao cair da noite, mas Seungwan não se sentia só. A contrário dos jazidos públicos, este pequeno cemitério fervilhava da magia de seus habitantes falecidos. Ninguém além dos bruxos era enterrado ali e a concentração de seus restos mortais era potente. Incensos ardiam ao lado de muitas lápides com inscrições curiosas e a luz das velas distorcia as sombras, criando formas fantásticas. Não havia dúvida de que o lugar era inteiramente assombrado.

Seu cavalo recuou e empinou, gostando do lugar tanto quanto ela. Mas a curva do bayou a levaria a quilômetros de seu caminho, se ela não pegasse um atalho pelo cemitério.

Podia ser considerado um teste de determinação para os possíveis visitantes de Saeron: eles teriam coragem de atravessar o solo profano? Ou tentariam a via mais longa e perderiam uma hora por sua covardia? Ou, como provavelmente preferia Saeron, isto afastaria inteiramente os mortais, que cochichariam história sobre bruxas que vivia no extremo cemitério?

Este lugar de magia lembrou Yeri breve e intensamente de outra bruxa que se cercava deste belo ritual: sua mãe, Taeyeon. Mil anos atrás, ela a considerava a mulher mais forte, mais perfeita e elegante do mundo. E, então, ela a amaldiçoou numa tentativa desesperada de salvar a família de lobisomens violentos, sem jamais admitir que tinha mais relação com esses lobos do que qualquer um deles teria imaginado.

Seu feitiço transformou o marido e as filhas em assassinos imortais e invulneráveis. Ela fez o que julgava ser o melhor, mas acabaria se arrependendo. Morreu acreditando que todos os filhos — aqueles que teve com o pai das meninas: Seungwan e a própria Yeri, bem como a filha bastarda, a meia-lobisomem Joohyun — fossem abominações. Morreu acreditando que teria sido melhor deixar os lobisomens matarem a todos.

O pai, o primeiro caçador de vampiros, assumiu a missão de erradicar o flagelo das filhas de Taeyeon. Yeri e as irmãs fugiram por séculos e atravessaram oceanos para escapar da ira do homem. Sempre que a imagem da mãe se esgueirava na mente de Yeri, seu âmago sofria — a crença de que os pais jamais a amariam e a queriam morta.

Não havia nada a fazer senão concentrar-se na bruxa em questão. Kim Saeron não era nem metade da bruxa que Taeyeon fora, naturalmente, mas isto agora podia funcionar como vantagem. Era conhecida pela ambição: seu desejo de poder superava os talentos naturais para a magia ou a liderança. Ela podia estar inclinada a fazer favores a outros seres poderosos em troca de alianças e gratidão e Yeri viu-se precisando de um favor bem simples.

O pacto com os bruxos não custou aos Bae apenas a capacidade de criação de vampiros, as Originais logo descobriram que eram sempre rejeitadas suas tentativas de comprar ou permutar terras nos limites da cidade, não importava se usassem a sedução ou a ameaça. O recado era claro: elas podiam permanecer ali, mas não deveriam ficar à vontade.

Por consequência, Yeri e as irmãs haviam passado os últimos dez anos vivendo em estalagens, pensionatos e, por fim, em hotéis. Suas acomodações, era bem verdade, foram ficando mais confortáveis à medida que a população da cidade crescia e prosperava, mas nem o quarto de hotel mais luxuoso era um lar. Não era possível ser dono dele ou defendê-lo. Yeri via os ventos de mudança soprando em direção à cidade e não pretendia ser levada por eles. Era hora de as Bae terem uma fatia de Nova Orleans e ela só precisava de uma bruxa condescendente para lhe permitir esse direito.

O cheiro de incenso diminuía à medida que ela deixava o cemitério e a mata se erguia à frente. Seu cavalo empinou um pouco de lado, protestando contra o escuro. Yeri deu um tapinha tranquilizador em seu pescoço e o esporeou a avançar, os olhos afiados percorrendo a margem das árvores, procurando uma sombra que fosse diferente das demais.

Justo no momento em que localizou a pequena casa, uma luz bruxuleante apareceu na janela e o cavalo mais uma vez refugou. Yeri suspirou e desmontou, foi otimismo demais tentar viajar com montaria. Os animais nunca foram tão naturalmente desconfiados dela como tendiam a ser com suas irmãs, mas estava claro que um vampiro não era a companhia preferida desta criatura.

Yeri não podia culpá-lo por isso.

Ela amarrou as rédeas a uma árvore jovem e forte e percorreu a pé a distância restante até a casa. Não havia ninguém por perto para notar que ela era mais do que humana, mas por força do hábito ela caminhou, tentando ser discreta. Quando chegou à casa, outras velas foram acesas e, por uma janela, ela espiou a sombra de uma bruxa. Entretanto, quando bateu firmemente na porta, não ouviu nem mesmo o mais leve farfalhar vindo do interior.

Ela voltou a bater e esperou: nada.

 

— Senhorita Kim— chamou, tentando ser a mais educada possível ao gritar por uma porta fechada — vim tratar de assuntos que creio que sejam de seu interesse.

 

— Todo estranho vem a negócios — avisou uma voz atrás dela — mas raramente é algo que me diga respeito.

 

Ela falava numa cadência cantarolada e sobrenatural e assim, quando Yeri girou o corpo, ficou surpresa. A mulher que se postava atrás dela na varanda caiada era bonita e magra, elegantemente trajada em um vestido listrado de rosa que podia ter vindo diretamente de Paris. Seu cabelo castanho estava preso e arrumado no alto da cabeça e reluzia suavemente ao luar.

Com um sobressalto, ela percebeu que já vira a mulher: ela estava na malfadada festa de noivado. De algum modo ela nunca relacionou os boatos sobre a estranha e reclusa Kim Saeron com a mulher elegante e cheia de estilo diante dela. Jovem também, Kang Seulgi era sua prima, mas a mãe da pequena noiva devia ser uma mulher um pouco mais velha.

 

— Senhorita — disse Yeri, formalmente, recuperando-se o bastante para uma mesura educada. — Agradeço por falar com uma estranha.

 

Os lábios cheios de Saeron se torceram.

 

— Vampira — ela disse — sei que compreende por que não pretendo convidá-la a entrar em minha casa.

 

— Naturalmente — disse Yeri. — E a sua preocupação reforça a intenção de minha visita. Embora eu não pretendo causar mal algum. — Saeron sorriu.

 

— Você não me causará mal algum — garantiu-lhe ela, estendendo a mão para tomar seu braço e conduzi-la para longe de sua porta.

 

Juntas, elas andaram pelo perímetro da pequena casa em direção à floresta avultante. Os pés seguros de Saeron encontraram uma trilha que Yeri não havia notado e ela a guiou por baixo de amplos carvalhos cobertos de barba-de-velho.

 

— Minha família mora aqui há muito tempo — começou ela enquanto a clareira desaparecia atrás de si. — Dez anos. Entretanto, não fazemos verdadeiramente parte desta cidade, não pertencemos ao lugar, como a senhorita e sua espécie.

 

— E de quem é a culpa? — perguntou Saeron, com um tom azedo, suspendendo a saia para passar por umas raízes esparramadas. — Sua família caçou os lobisomens quando chegaram, e vocês ainda são uma ameaça para a minha espécie, mesmo depois de estabelecida a trégua. Não posso confiar em vocês, mas isso não é sua culpa.

 

Prosseguiu ela, pensativamente.

 

— Vocês vivem pela morte. Não podemos evitar, se é de sua natureza. — Yeri cerrou os dentes, mas, com a disciplina da experiência, manteve a voz branda.

 

— Minha família é muito unida e aprendemos a ter uma vida reservada — hesitou — como estou certa de que também preferem os demais cidadãos. Porém, por decreto de sua família, não temos lugar onde viver reservadas, e assim continuamos sem teto nesta cidade quase dez anos após fixar residência nela.

 

Sentiu um aperto seu braço ficar mais forte.

 

— Esta decisão não é minha — respondeu Saeron depois de hesitar muito brevemente. — Será que concordava com ela?

 

— Gostaríamos de possuir terras aqui — pressionou Yeri, sem se atrever a olhá-la. — Acreditamos que, talvez, se a senhorita pudesse influenciar seus irmãos...

 

— Não tenho nenhuma influência — interrompeu Saeron, incisiva. — Certamente não para fazer o que você quer.

 

— Senhorita, não ouvi nada além de elogios a sua sabedoria e senso crítico. — Era mentira, mas não uma das grandes, ela também não ouvira o contrário. — E considere também que a senhorita teria nossa eterna gratidão. Gratidão que um dia pode valer seu peso em influência. Não seria a primeira vez que as Bae se interessariam pela política local.

 

Saeron soltou uma leve gargalhada.

 

— Acredita que a vontade dos vampiros me dará uma voz nos assuntos desta cidade? — perguntou ela. — E tudo o que pede em troca é parte das nossas terras ancestrais?

 

Yeri não respondeu enquanto Saeron a conduzia pelo caminho irregular.

 

— Contudo — continuo ela — eu concordo com o meu povo neste assunto. Antes de mais nada, creio que seja sensato tolerar uma abominação como a sua família, e certamente não devemos ampliar o convite. Em particular agora...

 

— Por causa dos lobisomens. — Yeri concluiu por ela.

 

Yeri se eriçou com outra bruxa chamando-a de anormal e lhe negando santuário. Estava cansada de ser rejeitada por aqueles que veneravam a magia que havia criado a "abominação" antes de mais nada.

 

— Ah, então vocês têm consciência de que estamos em vias nos aliar com seus inimigos? Pensei que teria se esquecido, uma vez que pode tal coisa. Seu eu fosse até os bruxos argumentar que devemos jogar dos dois lados, quando os lobos são uma legião e vocês são três, eles ririam de mim.

 

Elas deram na mesma clareira de onde partiram, do outro lado da casa de Saeron. Yeri nem percebeu a curva no caminho. Talvez ela a tivesse encantado.

 

— Eles estariam errados — disse Yeri, embora soubesse que não faria nenhuma diferença. — Não tenho desejo maior de me desentender com os lobisomens do que com os bruxos, mas, se chegar a esse ponto, nós três não precisamos de números, aliados, nem mesmo, o pequeno pedaço de terra que gostaríamos de ter para fazer a eles em pé de igualdade.

 

— Se isso fosse verdade — retorquiu Saeron, soltando seu braço e andando graciosamente à escada da frente — você não teria vindo aqui esta noite.

 

Apesar da decepção, Yeri viu-se sorrindo. Verdadeiramente gostava daquela bruxa reclusa e suspeitava de que a má vontade dela em negociar consigo não fosse tanta quanto deixava transparecer.

 

— Voltarei — disse ela, por impulso. — Encontrarei um meio de lhe mostrar que sua ajuda serve a seus interesses e voltarei.

 

Com a mão levemente pousada na maçaneta, Saeron virou-se e abriu um sorriso tão grande que Yeri entendeu ter adivinhado corretamente.

 

— Sabe onde me encontrar — respondeu a bruxa— mas duvido que eu a reveja aqui em breve.

 

Você verá, jurou a vampira, mas não pronunciou as palavras. As duas sabiam do desafio que ela havia lançado e que a bruxa aceitaria. 

 

 


Notas Finais


Infelizmente é um shipp já falecido há anos né mas n custa matar a saudade nem que seja em fic...


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