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História Always and Forever - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Six


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Tudo começou tão rápido.

 

Seungwan repetia esse mantra havia dias, entretanto a capitã Park Sooyoung nunca parecia inteiramente satisfeita. Uma curiosidade indócil como esta podia ser atraente em uma amante, mas era insuportável em uma investigadora. Ela desfrutava da atenção dada pela capitã, mas a mulher estava se tornando difícil e Seungwan não sabia por mais quanto tempo teria paciência com aqueles soldados que ela, com tanta confiança propôs conquistar em nome da causa das Bae.

 

— Mas precisamos saber e só a senhora pode nos dar a verdade. — Sooyoung segurava o braço de Seungwan ao guiá-la pelo acampamento traiçoeiro.

 

Os soldados fizeram o máximo para domar o terreno perto do rio, tapando buracos alagadiços e cortando o mato, mas o bayou selvagem mal era contido pelo amontoado organizado de gente.

Ela suspirou de frustração. Sooyoung decidira que era tremendamente importante ajudá-la a encontrar os bandidos e puni-los. A mulher queria desencavar seu agressor imaginário e levá-lo à justiça e ficava cada vez mais desnorteada com a relutância de Seungwan em cooperar. A capitã acreditava que a lei venceria o caos e Seungwan conseguia convencê-la do contrário. Era uma crença verdadeiramente emocionante, embora idiota.

Ainda assim, quanto mais Sooyoung a interrogava sobre o suposto ataque na floresta, mas Seungwan tinha medo de ter cometido um erro terrível ao encenar o assassinato. A capitã não queria que o crime ficasse impune, o que ela imaginava que fosse o natural. Mas o problema era bem maior que isso.

Até conhecer Park Sooyoung, Seungwan permitira-se esquecer que os humanos podiam ser inteligentes, perspicaz ou intuitivos. Ela esperava uma perseguição militar e obstinada aos malfeitores, que chegaria ao beco sem saída que ela havia criado. Em vez disso, a mente de Sooyoung mostrara uma flexibilidade que, francamente, ela alarmante. A mulher atacava o problema com criatividade e inventividade, e assim, cedo ou tarde, acabaria por perceber que Seungwan mentia.

Para piorar sua já difícil situação, Sooyoung também provou ser extremamente gentil nos últimos dias, sem falar que ainda mais bonita do que Seungwan percebera de início. Seus olhos castanhos eram calorosos e sinceros, enquanto o cabelo escuro e longos, tornava-a digna e cuidadosa.

Somado a uma voz doce que merecia ser ouvida tanto quanto as palavras cuidadosamente estudadas, fazendo a vampira ficar fascinada sempre que ela falava. A jovem capitã andava impecavelmente por uma corda bamba de educação, proporcionando uma companhia atenciosa e encantadora sem invadir sua privacidade.

Apesar das preocupações que nunca deixavam a mente de Seungwan, elas haviam passado muitas horas juntas em perfeita camaradagem. A capitã até contara várias notícias e fofocas maravilhosas da cidade natal de seus avós, Paris, lembrando-a ternamente da época em que passou a infância lá e das pessoas que veio a conhecer. Mas ela raras vezes havia falado de si, nem mesmo para sugerir se seria casada, ou se já foi, e se teria filhos.

Nem se confidenciava a respeito de seu interesse evidente pelo oculto, o que frustrava muita a vampira. Aquela ridícula fixação era quase inofensiva — certa vez que Seungwan a pegou lendo com interesse extasiado o que parecia ser um livro de contos de fadas — e não viu sinal de algo específico ou perigoso sobre ela. Mas teria sido melhor se ela não soubesse de absolutamente nada, e Seungwan estava decidida a dar um rumo mais produtivo à atenção dela.

Infelizmente, no momento, seu foco parecia ser localizar os bandidos imaginários. Sooyoung queria que ela estudasse os variados criminosos que a mesma capturara nos últimos dias para saber se algum era o seu agressor e não aceitaria uma resposta negativa. Em um golpe de inspiração, ocorreu a vampira que um de seus problemas podia ser a solução do outro.

Se ela relacionasse o mistério de seu agressor com o interesse de Sooyoung pelo sobrenatural, ela resolveria uma investigação enquanto explicava a outra. Afinal, o que era a vida de um humano — melhor, uma encrenqueira — se comparada com a segurança dela e de suas irmãs? Se Sooyoung não sabia exatamente o que procurava, Seungwan podia convencê-la de que qualquer um dos suspeitos era o terror "sobrenatural".

 

— Capitã, sei que acredita que fomos atacados por... por algum demônio anormal — lembrou-a ela. — Não poderia eliminar qualquer suspeito que seja um homem mortal?

 

— A senhorita viu essas criaturas em ação e ainda acreditou que fossem homens mortais — observou, seus olhos investigando os dela. — Talvez tenhamos apanhado um desses demônios sem querer perceber.

 

— Bem, então... — concordou, pensativa — deixe-me dar uma olhada neles.

 

Elas levaram apenas um minuto para chegar à prisão recém-construída. A construção era mais sólida do que as barracas circundantes, mas ainda era rudimentar e inacabada, construída com o que os soldados arranjaram na floresta. Não parecia melhor por dentro. A dúzia de homens que teve o azar de ser presa estava espremida em uma pequena cela.

Seungwan imaginava como seria desconfortável dormir ali. A palha abaixo deles era úmida e quase não entrava ar pela única janela alta gradeada. O segundo em comando de Sooyoung, Jaehyun, de pouca imaginação, montava guarda junto a porta. Observou atentamente quando ela passou e Seungwan sentiu um arrepio inexplicável quando os olhos dele percorreram seu rosto.

 

— Você está em completa segurança — disse Sooyoung, em voz baixa em seu ouvido, confundindo sua repulsa como medo. — Reconhece algum deles?

 

— Talvez. — Ela teve de obrigar as palavras a passarem pelos dentes e desejou tomá-las de volta assim que as pronunciou. — Eles são os seus suspeitos?

 

— Sim, senhorita — confirmou Sooyoung, o rosto apontando satisfação.

 

Seungwan franziu a testa ao olhar o grupo. Havia mais homens do que ela pensava... Certamente nem todos eram recém-chegados.

 

— Quais deles foram apanhados depois que vim para cá?

 

Para sua surpresa e leve alarme, Sooyoung hesitou. Na luz que se infiltrava pela janela pequena, sua expressão era de indecifrável.

 

— Sou uma mulher justa. — O orgulho soava em sua voz baixa, mas também havia um pedido de desculpas naquelas palavras. — Senhorita, se conhece um desses criminosos, tenho certeza de que será capaz de distingui-lo sem que separemos os novos dos antigos.

 

Em outras palavras, ela não estreitaria as opções, testando tanto a mulher ao seu lado quanto aos homens na cela da cadeia. Isto dificultava consideravelmente as coisas. Se Seungwan apontasse o bandido errado, Sooyoung saberia e, pior, poderia voltar a investigação contra ela.

Se quisesse se manter livre de suspeitas, teria de escolher o homem errado certo. Podia influenciar Sooyoung a acreditar nela, mas sabia, por experiência, que as mentiras ganham vida própria e que a primeira mentira levaria a outras.

Ela olhou os homens encarcerados. Quem sabe poderia adivinhar com base naqueles que estavam menos sujos? Não era uma distinção fácil fazer. E então, para seu prazer, ela notou que de fato conhecia um dos rostos... Vira-o na noite anterior ao crime do carroceiro e sua mulher. Os olhos verdes brilhavam intensamente em seu rosto moreno e o braço esquerdo estava numa tipoia suja. Seungwan o havia quebrado, ela se lembrou, quando Yuri e seu bando cercaram a cercaram e a apanharam numa emboscada, seis contra um.

 

— Aquele — disse Seungwan, com confiança, erguendo a mão e apontando. — Aquele é o homem que me atacou. Reconheceria seu rosto em qualquer lugar.

 

Sooyoung mostrou satisfação, mas o lobisomem preso ficou homicida.

 

— Essa vaca está mentindo — rosnou ele, jogando-se para a frente a fim de agarrar as barras entre eles, e ela pensou ter detectai algum amarelo começando a brotar no verde de seus olhos.

 

Seungwan se agarrou ao braço de Sooyoung a apertou a lateral do corpo contra ela, para garantir.

 

— É ele — sussurrou ela e seu aparente medo a colocou imediatamente em ação.

 

Sooyoung a levou para fora antes de bater à porta decisivamente, depois gesticulou para Jaehyun se aproximar. O vento passou pelo vestido cinza de Seungwan, balançando a saia pelas pernas.

 

— Leve aquele do braço quebrado à minha tenda — ordenou Sooyoung — Preciso interrogá-lo, depois eu mesma farei a execução.

 

Jaehyun bateu continência com rispidez, lançou um olhar demorado a Seungwan e cumpriu a ordem. Ela se perguntou se o tenente tinha inveja do tempo que ela passava com sua capitã, se tinha medo de ser substituído como confidente de Sooyoung. Se assim fosse, porém, certamente o mais sensato seria ele desempenhar seus deveres com mais inteligência e presteza. Como se tivesse chegado à mesma conclusão, Jaehyun pegou um molho de chaves no casaco vermelho e marchou rigidamente de volta à cadeia.

Para que a capitã possa interrogar e depois matar o prisioneiro.

Seungwan imaginava como o lobisomem ficaria confuso com as perguntas de Sooyoung. Mas ele não diria nada que a incriminasse — disso, a vampira tinha razão. Nenhum integrante inferior do bando revelaria a existência de sua espécie aos humanos e, ao proteger seu segredo, também protegeria o dela. Que felicidade que qualquer lobisomem preferisse morrer e trair seus parentes, e a morte dele era certa. E lhe seria bem feito.

Enquanto escoltavam o lobisomem e luta para fora da prisão, Sooyoung abaixou-se para pegar algo no chão. Era um galho de árvore caído e, com um arquejo de Seungwan, ela o quebrou no joelho. Sooyoung ergueu uma metade lascada para a luz e a vampira entendeu exatamente o que era: uma estaca.

Seungwan sentiu um aperto repentino na garganta. O que Sooyoung podia querer com uma estaca? O único motivo para a mulher precisar de uma estaca seria matar a espécie dela. De repente, a boa capitã Park parecia menos uma excêntrica estudiosa do culto e mais uma inexperiente caçadora de vampiros. Seungwan correu de volta para o calor de sua tenda para afastar-se de qualquer outro envolvimento.

Passaram-se horas até que ela ouvisse uma perturbação que a fez espiar o exterior. Quatro soldados carregavam um corpo sem vida do lobisomem para a margem do acampamento. Mesmo de longe, e com bayou banhado pela noite, Seungwan teve certeza de ver o galho de árvore quebrado se projetando do lado esquerdo do peito do homem.

 



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