História Always By Your Side (Reescrevendo) - Capítulo 75


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Amizade, Bangtan, Beyond The Scene, Drama, First Love, I Need U, Jeon Jungkook, J-hope, Jimin, Jin, Jung Hoseok, Kim Namjoon, Kim Seokjin, Kim Taehyung, Kook, Min Yoongi, Mvs, Park Jimin, Romance, Run, Spring Day, Suga
Visualizações 204
Palavras 5.558
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha quem resolveu dar o ar das graças! Sim, a minha pessoa! haushua
Espero que todos estejam bem!
Mais um cap, mais perto do fim estamos :/
Eu espero que gostem e leiam as notinhas finais!
Boa leitura! ^^

Capítulo 75 - Futuro x Presente


Fanfic / Fanfiction Always By Your Side (Reescrevendo) - Capítulo 75 - Futuro x Presente

- Você não precisava ter vindo, filha. – mamãe caminhava comigo pelo quarto com os braços firmes ao meu redor.

- Já faz uma semana, mãe. – protestei, me afastando delicadamente do seu corpo e de sua exacerbada proteção maternal. - Eu não quebrei um braço ou levei um corte profundo para passar o resto das semanas ou meses em repouso. Eu apenas acordei de um coma. Eu estou ótima. – abri um sorriso ao estufar o peito.

Ela levou as mãos até a cintura, tinha a intenção de ficar brava mas um sorriso teimoso insistia em erguer os cantos de seus lábios.

- Apenas acordou de um coma... – frisou, sarcástica.

- Isso aí. E eu queria conhecer Busan. Dizem que aqui tem praias lindas! – Eu sabia o quanto aquela cidade era bela. Corri até a janela do apartamento. O sexto andar era bastante alto, e eu adorei. Podia-se ver perfeitamente as ondas da praia se movimentando com maestria à alguns quilômetros de mim. A vista era privilegiada.

Ouvi mamãe suspirar. Estava frustrada por saber que eu tinha razão.

- É, tem sim.

- Então está tudo bem, mãe. – virei para olhar para ela. - Pode ir tranquila para a sua entrevista. Lilly vai cuidar bem de mim, embora eu não precise mais de uma babá.

- Lilly não é uma babá. É sua enfermeira.

- Pior ainda, não é, mãe? Eu não estou doente. Mas eu adoro a companhia da Lilly então...

Ela sorriu, desfazendo o peso que carregava ao imaginar que eu exigiria ficar sozinha.

Estávamos em Busan por conta de uma entrevista de emprego que mamãe havia conseguido. Ela era formada em administração, e chegou a trabalhar na área por quatro anos antes de se casar. Agora ela estava animada até a raiz dos cabelos com a possibilidade de voltar a exercer a profissão e principalmente por ter que pisar em um escritório todo o santo dia. Era a cara dela. Não sei porque ela não procurou algo na sua área de formação assim que chegamos aqui. Talvez porque tinha urgência em conseguir um emprego, e cargos específicos não se conseguiam do dia para noite.

Como a chamada foi feita repentinamente, a nossa viagem teve que ser rápida, e com rápida eu digo que nem tive tempo de dar um tchau para os meninos. Aliás, desde o dia fatídico em que abri os olhos, eu não consegui passar um tempo com eles. Todos os dias da minha semana foram ocupados por visitas à médicos e exames infinitos. Mamãe queria ter a plena certeza de que eu estava realmente bem e que não corria risco algum de cair em sono profundo a qualquer momento.

A não ser que alguém bata na minha cabeça, mãe, tive vontade de dizer algumas vezes.

Em um daqueles dias eu encontrei com o meu pai e Sayuri. Ele tinha conseguido voltar antes de uma viagem de negócios, e Sayuri aproveitou para vir me visitar junto com ele. Posso afirmar que foi absurdamente esquisito olhar para os dois depois de tudo e ter a consciência de que ambos não se lembravam de absolutamente nada.

 

- Minha filha! – papai me apertou entre seus braços, chorando como uma criança que acabou de apertar os dedos entre as dobras de uma janela. – e-eu estou tão feliz por... você ter... a-acordado!

Ele soluçava, tentando não gaguejar tanto.

- Eu estou bem, pai. – o reconfortei enquanto acariciava as suas costas. Parada perto da porta, desconfortável e sem saber o que fazer, estava Sayuri. Nossos olhares se encontraram. Eu sorri e ela, de um jeito tímido, retribuiu. Papai se afastou. Segurou o meu rosto, fitando cada centímetro dele.

- Tive tanto medo de perder você. – por um segundo, eu tive a sensação de que ele estava se referindo ao meu afogamento, quando eu achei que finalmente fosse encontrar as pessoas que eu amava. Se bem que, eu acabei as encontrando de todo o modo.

- Pense só em coisas boas, pai. Eu estou aqui agora. – sorri. Sayuri consertou a garganta, chamando a atenção dele. Só então ele pareceu notar a presença da outra filha.

- Tiffany, nós precisamos conversar. Eu...

- Tudo bem. – balancei a cabeça. – só o que importa é que estou com vocês de novo. Você, a mamãe... – olhei para Sayuri. – é legal saber que ganhei uma irmã.

O sorriso dela se alargou. Papai, pelo contrário, ficou mais confuso do que jamais o tinha visto ficar. Certamente conversaríamos mais sobre o assunto outra hora, e eu deixaria bem claro que não havia problema nenhum em ganhar uma irmã e provavelmente uma madrasta. Eu queria vê-lo feliz. Eu queria ver todo mundo ao meu redor feliz.

Um tanto quanto desajeitada, Sayuri caminhou devagar na nossa direção e me abraçou. Papai jogou os braços sobre nós.

 

- Tiffany, você quer ou não?

Voltei ao presente ao escutar a voz de Lilly. Pisquei algumas vezes. Ela estava na minha frente, estalando os dedos impacientemente. Mamãe, achando graça, entrava no banheiro.

- Desculpa, Lilly, o que você disse?

- Em qual dos dois estava pensando? –  Um sorriso ladino havia se desenhado nos seus lábios cheios e pigmentados de rosa.

- O quê? Do que está falando? – balancei a cabeça, saindo da janela e indo em direção a cama larga e macia. Joguei-me sobre ela.

- Apenas gostaria de saber qual dos dois estava roubando os seus pensamentos, fofinha. – Lilly caiu ao meu lado e beliscou minha bochecha.

Revirei os olhos, rindo. Apoiei os cotovelos no colchão e a encarei.

- Até parece que você não tem a capacidade de ler meus pensamentos, Lilly.

- Eu não tenho! – ela adotou uma expressão de susto.

- Tá bom. – balancei a cabeça, fingindo acreditar. – para a sua informação, eu estava apenas lembrando de quando encontrei com Sayuri e papai.

- Ah... – sua expressão murchou. Ela parecia frustrada. De verdade. Ou Lilly era uma ótima atriz ou ela, por algum motivo louco, realmente não lia pensamentos. Aposto na primeira opção. – deve ter sido um encontro bem estranho, certo? Pelo menos para você.

Assenti.

- Pode ter certeza que foi. – suspirei. - Por falar nisso tem algo que não entendi muito bem. Em relação a Sayuri.

- O quê?

- Enquanto eu... passeava pelo futuro, eu tive momentos bem ruins com ela. Ainda na escola. Só que agora, ela já está... legal e todos já terminaram o ensino médio. Ela não deveria arruinar a minha vida primeiro?

- Essas coisas são muito complicadas. – ela arranhou o queixo. Eu tinha vontade de rir da Lilly algumas vezes. Ela se demonstrava bem enrolada quanto tentava me explicar sobre o que aconteceu durante o coma, o que não me impedia de perguntar ainda mais coisas a ela. Talvez eu fizesse de propósito. - Nesse caso não. O que você viu, na verdade, era o que teria acontecido se você não tivesse sido atropelada antes do tempo.

Franzi o cenho o tanto quanto era possível.

- Como é que é?

- É. Você foi parar naquela rua cedo demais. Isso acontece muito com os seres humanos. É por isso que em certas ocasiões as pessoas “nascem de novo”. – ela suspirou, pensativa. – e só para você saber, quando Sayuri soube da sua existência ela fez uma cena. Ela era um pessoa difícil de lidar. Mas o tempo foi passando, ela foi aceitando devagar e começou a visitar você.

Pisquei. Lilly continuou:

- Mas pensando bem, viagens para o futuro são muito complexas. Você vai perceber isso com o tempo. Muitas coisas vão se repetir, outras se assemelhar e outras nem sequer irão acontecer. Mas talvez aconteçam só que de outra maneira.

Ela voltou a arranhar o queixo enquanto encarava o teto, absorta.

- Quando eu acho que vou entender tudo, você vai e embaralha ainda mais a minha cabeça. Eu quero respostas, Lilly, e não ainda mais dúvidas. – puxei os cabelos começando a rir.

- Desculpa. – ela sorriu.

Nós duas passamos um longo tempo conversando e rindo sobre coisas aleatórias, e principalmente discutindo sobre o mais novo dorama que Lilly havia descoberto e se encantado. Ela achava incrível o quão forte e decidida a protagonista era; isso não se via todos os dias nas emissoras coreanas, por isso havia chamado tanto a sua atenção. E após tanto falatório, e dores de barriga por tanto rir, tive vontade de sair um pouco, relembrar Busan. Mamãe bateu o pé, mas como sempre, Lilly interviu ao meu favor. Ainda assim eu jurei à mamãe que desta vez não iria me perder. Ela conseguiu rir e me abraçou forte antes de me deixar ir.

Busan era uma cidade bonita. Eu lembrava bem de quando vim aqui pela primeira vez com os meninos. Foi um dos dias mais divertidos de toda a minha vida, e eu não via a hora de poder repetir os bons momentos.

Eu caminhava despretensiosamente pela ruas, com a brisa agradável acariciando meu rosto, quando avistei um salão de beleza. Parei, olhando fixamente para o lugar. Passei os dedos por entre os fios longos dos meus cabelos e sem pensar muito entrei no estabelecimento. Demorei apenas vinte minutos lá dentro. Quando saí, incrivelmente satisfeita, voltei a encarar o meu reflexo na porta espelhada do salão.

- Agora sim. – sorri ao ver os fios curtíssimos. Era gostoso sentir o vento bater na nuca.

Havia voltado a caminhar pela calçada quando trombei com um rapaz.

- Me desculpe! – meu corpo se curvou um par de vezes.

- Desculpe! – ele pediu quase ao mesmo tempo que eu.

Então eu olhei para o seu rosto. Era um rapaz bonito e familiar. Eu podia jurar que já havia visto aqueles olhinhos semelhantes aos de um filhotinho de cachorro. Puxei pela memória, ainda o encarando, quando recordei de onde o conhecia. Foi durante o coma. O vi na televisão, em um programa de entrevistas; ele contava sobre a sua vitória em primeiro lugar em um reality de sobrevivência. Daniel. Isso. Era esse o nome dele.

Daniel não estava sozinho, e a moça que o acompanhava parecia incrivelmente irritada com algo. Consertou a garganta, e disse, com certa impaciência fazendo com que meu olhar fosse desviado para ela:

- Ei, perdeu alguma coisa por aqui? – ela estava mesmo irritada. Estava com ciúmes.

- Ah, me perdoe. Eu não estava tentando flertar com o seu namorado e nem nada parecido. – expliquei rapidamente.

A menina corou. Tossiu um pouco, olhou para os lados, visivelmente constrangida. Eles não eram um casal, apesar da moça aparentemente desejar o contrário. Talvez Daniel gostasse dela apenas como uma amiga e ela repudiava isso.

- Er... Não somos namorados. – disse o rapaz.

- É... Não somos. – ela completou, dando-me a certeza da sua frustração em relação ao status de sua relação com o amigo.

Eu sorri.

Expliquei à eles que tive a impressão de que conhecia Daniel, de que já o tinha visto em algum lugar. E tive vontade de rir quando notei que a moça demonstrava não acreditar em uma palavra que eu dizia. Achei que ela fosse me estrangular a qualquer momento. Me desculpei mais uma vez antes de me afastar dos dois e já estava relativamente longe quando parei, olhei na direção deles e berrei um “ei”. Os dois viraram na mesma hora.

- Você quer ser um idol, não quer? – perguntei à Daniel.

Ele trocou olhares com a amiga para depois me encarar e assentir. Estava assustado e confuso. Eu não sei porque fiz isso, mas senti uma necessidade enorme de dar apoio à Daniel, mais ainda porque eu sabia que ele ia chegar lá.

- Não desista dos seus sonhos. Você vai conseguir. E vai ser muito famoso. – afirmei.

Desta vez eu fui embora. Feliz por Daniel, e... por mim. Eu estava bem. finalmente eu me sentia bem.

Parei na calçada, esperando pelo sinal ficar vermelho. Não demorou tanto. Atravessei acompanhada de algumas pessoas, e já do outro lado da rua, parei em frente a uma loja. Havia um lindo vestido azul bebê na manequim. Era simples, de alças finas, caimento godê, e um leve drapeado nos seios. Lindo. Eu achava o azul uma cor bonita, apesar de não usá-la com muita frequência. Enquanto eu babava pelo vestido, uma moça dentro da loja chamou minha atenção. Ela andava para lá e para cá dentro de um maravilhoso vestido azul, de saia armada e rendas delicadas, quase do mesmo tom da peça da vitrine. Estava como uma princesa. Só então fui perceber que se tratava de uma loja com especialidade em noivas.

- Tiffany?

Dei um pequeno pulo de susto. Deixei a Cinderela de lado e olhei para trás. Jimin estava parado com as mãos no bolso e uma expressão de curiosidade no rosto.

- Jimin? – abri um sorriso. – o que está fazendo aqui?

Voltei a caminhar com ele ao meu lado.

- Como assim o que estou fazendo aqui? Eu disse a você que tinha parentes em Busan e que viria para o aniversário da minha avó. – explicou, com os olhos grudados sobre os meus cabelos mais tempo do que o necessário.

- Eu quis dizer o que está fazendo aqui hoje. Achei que só viria amanhã. Era o que dizia a sua mensagem.

- Eu estava com muita saudades da minha vó. – sorriu. Um leve tom vermelho encontrou suas bochechas.

Eu achei graça.

Jimin voltou a analisar os meus cabelos. Sorriu de um jeito fofo e disse:

- Você... ficou diferente.

- Ficou legal? – questionei.

Ele assentiu.

- Você ficou bonita com esse cabelo. Ficou realmente bom em você.

Então a sensação de deja-vu me acertou como um tapa. Uma cena parecida pipocou na minha mente. Jimin, eu, um salão, cabelos curtos, elogios... Eu já tinha vivido algo assim. E não pude deixar de sorrir. Jimin havia dito exatamente a mesma coisa quando cortei da primeira vez.

Talvez algumas coisas do futuro não fossem mudar tanto.

- Obrigada. Mamãe gosta desse corte. Quando eu era criança costumava dizer que mesmo com cabelo de menino ela ficava linda! – usei as palavras que eu recordava.

- E agora eu digo isso a você. Mesmo com cabelo de menino, você fica linda! – exclamou.

Exatamente a mesma frase. Que engraçado! Senti os olhos úmidos em meio ao meu riso.

- Ei, por que está rindo tanto?

- Nada. É só que me lembrei de uma coisa... Deixa pra lá. – balancei a mão no ar.

Jimin me olhou atravessado, simulando uma chateação.

- Sei. Bem, é muito comum as coreanas usarem esse tipo de corte. Sabia?

- Sabia sim. – sacudi a cabeça, tentando não cair na gargalhada. – elas ficam muito bonitas.

- É. – respondeu. E se calou.

Esperei que ele continuasse porque havia mais palavras a serem ditas, mas Jimin permaneceu calado. Estranhei. Não tinha sido assim.

- Ei! – cutuquei seu ombro.

- Que foi?

- Não era isso que você deveria dizer! – acabei falando mais do que deveria.

- Como assim? – ele inclinou a cabeça para o lado.

Fiquei quieta por um tempo antes de prosseguir:

- Nada não...

- Estava esperando que eu dissesse algo diferente?

Sim.

- Não. – dei de ombros.

Ouvi sua risadinha divertida.

- Você fica tão linda quanto elas. Ou ainda mais. – me empurrou de leve com o ombro, me fazendo rir de satisfação. - Ei, você vai se ocupar amanhã a noite?

- Eu não. – respondi de imediato. – por quê?

- Eu estava pensando que... seria legal se você fosse no aniversário da minha vó.

Parei de andar de repente. Jimin franziu o cenho, parando também.

- Aniversário... da sua avó?

- Sim. – sacudiu a cabeça.

 Eu não sei se Jimin percebeu, mas eu fiquei balançada com o convite. Balançada de um jeito bom. Ansiosa, emocionada, tantos sentimentos embaralhados dentro de mim; inclusive uma ponta teimosa de nervosismo que insistia em cutucar meu peito. Eu não tive a chance de conhecer a sua família da última vez, nem sequer a sua mãe. Era maravilhoso pensar que eu teria essa oportunidade agora.

- Eu adoraria ir. – respondi por fim.

O sorriso de Jimin brilhou diante dos meus olhos.

 

***

 

Não foi difícil convencer mamãe de me deixar ir ao aniversário. Lilly foi bastante convincente, o que não era novidade, e se mostrou ser a diversão em pessoa ao  me ajudar a escolher minhas roupas e um lindo presentinho para a aniversariante. Eu fiquei apaixonada pelo globo de neve com o sapatinho da Cinderela e flocos coloridos, até pensei em ficar com ele e comprar outra coisa para a avó de Jimin, mas Lilly não deixou; disse que a senhora ia amar.

Lilly me deixou no endereço que Jimin havia mandado por mensagem de texto e depois seguiu para uma cafeteria para comprar doces. A casa da família ficava bem em frente a praia e era muito bonita. Não chegava a ser uma mansão, mas era grande e parecia ser bastante confortável. Já havia um grande número de pessoas ao redor e quando tomei coragem para mover um dos pés, avistei Jimin. Ele acenou e caminhou rápido na minha direção.

- Você veio! – me deu um abraço apertado.

- Eu disse que viria. – retirei um fiozinho brilhoso do seu cabelo quando saí de seu abraço. - Onde está a sua vó?

- Lá dentro. Vem comigo. – ele segurou na minha mão e foi me puxando para o interior da casa.

Algumas pessoas olhavam para mim, para as nossas mãos dadas e abriam sorrisos gigantescos. Eu sabia bem o motivo daquela felicidade toda. Fiquei um pouco tímida.

- Vó! A Tiff chegou! – Jimin murmurou alto.

Parei diante da senhora sentada em uma cadeira de rodas. Ela era tão fofa e tinha o mesmo sorriso de Jimin. Ou melhor, ele tinha o mesmo sorriso da avó. Ela usava um vestido florido rosa e branco e sapatinhos pretos.

- Olá! Parabéns! – me curvei sobre ela, pegando em uma de suas mãos pequenas e gordinhas. Ela sorriu. - Eu lhe trouxe um presente. Espero que goste.

Lhe entreguei a pequena sacola vermelha.

- Não precisava, mocinha.

Ela retirou o embrulho de dentro da sacola e o abriu sem cerimônias. Fiquei admirada com o brilho nos olhos dela ao se deparar com o mimo. Parecia uma criança com um brinquedo novo.

- Eu amei, filha! Muito obrigada! – ela me puxou para um abraço.

- Fico feliz que tenha gostado! – exclamei.

Nesse momento, outras pessoas chegaram para parabenizar a senhora. Jimin me puxou um pouco mais para o lado depois que sua vó me soprou um beijinho.

- Como você soube? – ele indagou, curioso.

- O quê?

- O globo de neve. Vovó tem uma coleção disso!

Abri a boca, surpresa.

Lilly.

- É sério?

Ele anuiu com a cabeça.

- Sim! Uma coleção enorme! Quer ver?

- Quero! – balancei a cabeça de modo frenético. Eu não tinha uma coleção, não tinha nem um globinho sequer, mas eu os achava tão lindos e graciosos que eu não poderia deixar de ver uma coleção deles. Devia ser o paraíso!

- Certo. Mas antes quero que conheça alguém.

E mais uma vez foi me puxando pela mão, nos desvencilhando das pessoas que perambulavam pela casa. Fomos parar na cozinha, atrás de uma mulher de cabelos escuros que batiam nos ombros.

- Mãe, olha quem veio.

A pequena palavra fez meu coração pular. Ele queria tanto que eu a conhecesse.

Então ela se virou. Os olhinhos arregalados me mediram de cima a baixo. A respiração foi puxada, caracterizando o susto,  enquanto as mãos cobriam a boca.

- Tiffany! – sem que eu esperasse, a mulher me envolveu nos seus braços. - fiquei tão feliz quando Jimin disse que você tinha acordado!

- Er... oi. – balbuciei, desajeitada.

- Essa é a minha mãe, Tiff. Ela visitou você algumas vezes.

Eu sorri ainda mais.

- É um grande prazer conhecê-la, senhora. – reverenciei.

- O prazer é todo meu, menina. – apertou a minha mão.

Ela ficou um tempo nos observando, soltou um suspiro meio sonhador e abriu a boca para dizer alguma coisa. Foi interrompida pela mãe que berrava seu nome em algum lugar da casa.

- Preciso ir. Podemos conversar com calma uma outra hora, Tiffany.

- Claro!

- Já vou, mamãe! – ela saiu dizendo alto quando mais um berro entrou pela cozinha.

Eu ri. A felicidade me consumia.

- Agora vamos ver a coleção da minha avó.

Entramos em um longo corredor para depois parar em frente a última porta de madeira. Jimin a abriu. Era um quarto, só que não um quarto qualquer desses que possuem camas e armários. Ao invés disso, havia prateleiras e centenas de globos de neve. Eu parecia mesmo estar no paraíso dos globos de neve. Andei até o centro do quarto e olhei ao redor, encantada. Havia mais de mil, com toda a certeza.

- Ai, que coisa linda! – corri até uma das prateleiras, morrendo de amores pelos mini globos de neve. Eram as coisinhas mais fofas que eu já tinha visto.

- São os preferidos da minha vó. – ouvi os passos de Jimin se aproximando.

- São lindos demais! – toquei em um deles com a pontinha da unha. Era um carrossel.

- É, são lindos...

O tom de voz de Jimin havia mudado de um segundo para o outro. Estava mais profundo, até mesmo intenso. Estranhando, olhei para ele. O rosto estava um pouco próximo do meu. Parei de sorrir.

- Você não tem noção do quanto eu fiquei feliz quando você abriu os olhos. – ele murmurou.

- Eu acho que eu tenho sim, Jimin. Você é que não tem.... Não tem noção da minha felicidade ao ver você... e os meninos.

Ele sorriu.

- Eu não deixei de ver você uma vez sequer. Fazia parte da minha rotina visitar a Bela Adormecida.

- Eu... agradeço...

Seu olhar decaiu, não por muito tempo, logo em seguida voltou a fitar meus olhos. Eu engoli em seco. Ele chegou mais perto e por um segundo meus músculos se tencionaram. Jimin estava tão próximo que era possível sentir sua respiração pesada batendo contra o meu rosto.

- Jimin! Tiffany! – alguém berrou do lado de fora. Rapidamente Jimin deu um passo para trás e a porta foi aberta.

Uma cabeleira escura foi enfiada para dentro. Taehyung sorriu com malícia enquanto mexias as sobrancelhas para cima e para baixo. Eu achei graça. Por muitos motivos.

- Sabia que estavam aqui. Vi vocês entrando no corredor.

- Tae! Você aqui?– fui até ele. O garoto jogou o braço por cima dos meus ombros, eu enlacei sua cintura.

- Quando você diz “aqui”, você quer dizer aqui no quarto dos tesouros da vovó do Jimin ou aqui em Busan? – indagou.

- Aqui em Busan. – belisquei sua bochecha.

Ele riu.

- Nós viemos para o aniversário, oras! – exclamou como se a resposta fosse obvia.

- Nós? – ergui a sobrancelha.

- Sim. Os outros também vieram. Acostume-se, Tiff. Estamos em todos os cantos. – e lançou uma piscadela. O abracei, apertando o rosto contra o seu peito.

- Tá, chega de conversa. Vamos logo antes que minha vó descubra e nos expulse daqui.  - Jimin foi nos enxotando para longe do quarto.

Seguimos para fora da casa, havia algumas pessoas sentadas em toalhas estendidas sobre a areia, e cinco delas eram garotos incrivelmente barulhentos e que não paravam de gargalhar. Ainda fizeram uma festa quando pousaram os olhos em mim. Kook se levantou rápido e veio me abraçar. Me conduziu até os amigos e quando chegamos perto empurrou Yoongi para que me desse um espacinho na toalha para sentar. Eu sorri. Yoongi revirou os olhos e, contra a vontade, se arrastou para mais perto de Namjoon. Ele não havia mudado nada. Na verdade, nenhum deles havia mudado. E eu gostava disso; cada um com sua personalidade.

Passamos um tempo conversando e falando bobagens, até que tivemos que levantar para o parabéns. Depois disso pegamos um pouco de comida e voltamos para o nosso posto inicial. Kook e eu esperávamos os outros enquanto devorávamos alguns bolinhos de carne. Nesse momento uma mulher se aproximou.

- Jungkook, onde está Jinyoung? – indagou com as mãos na cintura.

- Não sei, mãe. – ele respondeu de boca cheia.

Voltei a olhar imediatamente para ela quando o ouvi dizer a última palavra. Eu me sentia tão desconcertada quando conhecia alguém da família deles.

- Como não sabe? Vá atrás do seu irmão agora! – parei de mastigar, olhando para ela e depois para Kook. Irmão? Quanto tempo eu dormi? Certo, foi uma piada desnecessária.

A mulher por fim notou minha presença e sorriu.

- Olá!

- Olá... – respondi, também de boca cheia.

Ela soltou um risinho e foi embora.

Olhei para Kook. Como assim ele tinha um irmão? Como eu não soube disso antes? Nenhuma menção, nem pistas sobre isso. Nada.

- Duas coisas. Eu não sabia que sua família vinha. – perguntei depois de mastigar e engolir tudo o que havia na minha boca.

Ele deu de ombros.

- Eu sou de Busan também. E por coincidência minha família e a do Jimin são vizinhas.

- Hum... – quanta novidade. Isso eu também não sabia. - E você tem um irmão?

- Sim. Por parte de mãe.

Como é que é?

Arregalei os olhos.

- Então... você... você tem um padrasto? – estava chocada. Como eu pude não saber de nada disso?

Ele assentiu.

- Sim, mas não se preocupe. Ele não é como o do Tae. – limpou as mãos sujas na calça jeans e se levantou indo a procura do irmão que eu poderia arriscar dizer que era mais novo. E mesmo Jungkook dizendo que seu padrasto não era como o do Tae, pude perceber que ele não demonstrou muito contentamento ao mencionar a família.

Isso me pegou desprevenida.

Eu me senti uma inútil. Uma amiga terrivelmente inútil. Eu jurava que conhecia aqueles meninos como a palma da minha mão, mas não era bem assim. Eu nem sequer imaginava que Kook não era filho único e muito menos que tinha um padrasto. Eu não sabia que ele era de Busan, nem ele e nem Jimin; se não fosse pelo aniversário, talvez eu nem descobrisse. Nós havíamos compartilhado tantas coisas, coisas ruins, que machucavam, mas família sempre foi um assunto difícil e que quase não era debatido por nós. Isso me incomodava, mas eu nunca fiz nada para tentar conhecer mais as pessoas que viviam com eles. Eu nunca me empenhei em conhecê-las.

A descoberta sobre Jungkook também me fez pensar que parte da angustia que ele sentia não era somente atribuída ao bullying. Será que a família tinha alguma coisa a ver com os momentos em que o garoto ficava pensativo, quieto, triste...? Kook não gostava deles? Eles não gostavam de Kook? Embora a mãe me parecesse bem agradável.

Pensar em tudo isso fez minha cabeça rodar.

Começava a sentir medo do que mais eu poderia descobrir.

 

***

 

Perto das onze da noite eu me despedi da avó de Jimin, da senhora Park e alguns outros familiares. As duas me fizeram jurar que eu apareceria em Busan outra vez. Jimin as tranquilizou dizendo que toda semana me levaria para ver a avó. Eu concordei. As duas eram adoráveis.

- Vamos à uma lanchonete? Estou com fome! – eu caminhava pela praia na companhia dos meninos, ainda não muito longe da casa de Jimin, quando Kook exclamou.

- Você acabou de sair de um aniversário. Como já quer comer? – perguntei.

- Eu já estou sentindo fome, Tiff noona! – choramingou, alisando a barriga, me fazendo rir.

Ah, que saudade eu senti disso... Deles.

Eu agarrei a cintura de Kook sem que ele esperasse. De inicio ele ficou surpreso com o ato repentino, mas não me afastou. Pôs um braço sobre meus ombros e depositou um beijinho no topo da minha cabeça.

- Você tem vermes aí dentro. – resmungou Yoongi.

Hoseok gargalhou alto.

- Ótimo. Então vou fazer com que elas cresçam bem. Vou comer muito! – Kook debochou.

Yoongi revirou os olhos e se calou. Ele estava mais quieto do que o normal, apenas trocava algumas palavras com os meninos, e nenhuma comigo. Quase nem me olhava direito. Não fiquei incomodada. Já tinha passado por isso antes, só não tinha certeza de que esse gelo era pelo motivo que eu já conhecia.

- Tem uma lanchonete aqui perto. Vamos. – disse Jimin.

- Credo, vocês são um bando de esfomeados! – resmungou Jin.

- Olha quem fala! Você me disse agora pouco que estava sentindo um vazio na sua barriga. – Kook implicou.

- Ah, cala a boca, Jungkook! – Jin queria ficar sério mas não conseguia.

Então uma discussão sobre comida e barrigas vazias se deu inicio. Nam, Tae, Jimin e eu só fazíamos rir. Yoongi se limitava a balançar a cabeça e revirar os olhos. Mas vez ou outra eu o pegava rindo dos amigos. E não demorou quase nada para já estarmos em frente a uma lanchonete com portas e janelas de vidros. Não era nada familiar, até porque eu nunca estive em uma lanchonete em Busan antes. Aquilo também era novidade para mim.

Ocupamos uma das mesas perto das janelas, Kook já estava com o cardápio em mãos dando uma olhada rápida nas opções. Dissemos o que queríamos e logo Kook arrastou Jin em direção ao caixa. Uma cena um tanto quanto familiar, mas não dei importância. Só que eu deveria ter feito isso. Muita coisa estava se repetindo, como a guerra de batatas e o inesquecível show de Kim Taehyung. Eu arregalei os olhos e quase engasguei quando o vi subir sobre a mesa e começar a dançar, sem música, exatamente como da primeira vez. Eu achei graça, com um pouco de lágrimas nos olhos, era estranho reviver certas ocasiões. Louco e perturbador ver a mesma cena mais de uma vez.

- Acho que vamos nos encrencar. – falei à Jimin quando notei um cara carrancudo olhar sério para a nossa mesa.

- O quê?

Apenas direcionei a cabeça para o fundo da lanchonete. O homem bufava enquanto se preparava para vir até nós.

- Galera, deu merda! – berrou Jimin.

Tae olhou para trás e de supetão deu um pulo da mesa, indo em direção a porta. Nós o seguimos. O cara ainda berrou algumas coisas, mas não demos ouvidos à ele. Eu estava concentrada demais em correr e me encantar com todo aquele deja-vu maluco.

- Você ainda vai querer ser a nossa amiga, Tiffany? Depois disso? – Yoongi perguntou ofegante quando paramos na praia para tomar fôlego. Eu não podia acreditar que ele estava querendo se afastar. Isso ia mesmo se repetir?

Dei de ombros.

- Foi divertido.

Ele ficou surpreso com a minha resposta, quase soube disfarçar isso de maneira perfeita se não fosse o vinco na sua testa.

- Acho que esquecemos de pagar. – Nam comentou.

- Há muitos clientes por lá, o nosso calote nem vai doer. – Yoongi bagunçou os cabelos, sentando-se na areia.

Eu achei graça.

Fizemos o mesmo que ele e nos sentamos lado a lado. Jimin ocupou o meu lado direito enquanto o outro ficou vazio.

- Engraçado você não ficar assustada com o nosso comportamento... inconsequente. – ele comentou, sorrindo. – você parecia tão a vontade, como se já tivesse feito algo assim antes.

- Talvez eu já tenha encontrado vocês em outras vidas e feito esse tipo de coisa.

Jimin sorriu.

- Pode ter sido em universos paralelos também. – entrou na brincadeira.

- Sim! – exclamei.

- Ei, você não me contou como descobriu sobre a paixão da vovó pelos globos.

- Ah, sei lá, foi um palpite.

Ele continuou me encarando, mais profundamente. Tive a impressão de que ele queria me dizer alguma coisa mas mudou de ideia. Principalmente quando piscou algumas vezes e balançou a cabeça, como se quisesse afastar um pensamento impertinente.

- E que palpite, hein. – disse por fim.

- É! – sorri.

Então o silêncio imperou por um momento. Nos dois dávamos atenção ao céu estrelado. Cenas antigas passavam pela minha cabeça, até que uma recente se intrometeu e ficou rebobinando pelos meus neurônios. Jimin ia me beijar. Se não fosse Tae, ele ia me beijar. Consertei a garganta, olhando para o seu perfil. Jimin estava concentrado nas estrelas, pensativo.

- Er... Jimin. – falei baixinho, querendo que somente ele me ouvisse.

Me olhou na mesma hora.

- Sim.

- Er... Sobre o que aconteceu antes, no quarto dos globos de neve... er... eu queria dizer que...

- Me desculpa, Tiff! Eu não sei o que aconteceu! De repente, eu senti uma vontade tão grande de... – ele começou a explicar agoniado. – Desculpa!

Sacudi a cabeça.

- Não precisa se desculpar, Jimin. Eu ia dizer que...

- Vamos tirar uma foto! – Kook se jogou em cima do amigo ao me interromper.

Eu suspirei em frustração. Eu teria tempo para isso depois.

- Sim! Precisamos registrar o nosso primeiro momento com a Tiff! – berrou Hope.

Então eu comecei a sorrir enquanto todos se amontoavam ao nosso redor. Jin preparava a câmera e quando a deixou no ponto, correu para se juntar à nós.

Eu abri um sorriso.

O flash brilhou.

Eu gostava de fotos. Ela podia captar e guardar um momento passageiro para sempre em um simples papel, mas não era tão bem sucedida quanto a memória. Fotos se perderiam um dia, a minha memoria não. Eu não esqueceria momentos importantes, jamais. Eu guardaria esse e muitos outros momentos com os meninos na minha memória, para sempre; assim como guardo tudo de bom e ruim que aconteceu dois anos à frente.

Eu os levaria comigo para onde quer que eu fosse.


Notas Finais


Espero que tenham gostado! ^^
1- Quem lê "Tem Que Ser Você" entendeu uma das cenas ;D
2- Nesses ultimos caps eu vou deixar algumas dicas da próxima fic que irei postar. Vocês já perceberam que eu gosto de fazer esse tipo de coisa, né? Enfiar uma fic na outra. kkk <3
Muito obrigada por sempre estarem comigo e até o proximo!
Beijoos


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