1. Spirit Fanfics >
  2. Always There >
  3. Motorcicle

História Always There - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Gente voltei kkkk
Faz tempo que não atualizo aqui

Capítulo 11 - Motorcicle


Acabei aceitando a proposta do jornal. Minha mãe apoiou a ideia e ainda disse que seria bom para meu histórico, ia agregar nas minhas atividades extracurriculares e ajudar a entrar em uma boa universidade.

Meu primeiro dia oficial com o jornal foi na semana seguinte. Me reuni no dia e horário informado e não me envolvi em nenhum trabalho de início, apenas me explicaram como funcionava e me deixaram acompanhando a montagem da próxima edição.

A equipe era cheia de rostos conhecidos mas ninguém de quem eu fosse amiga. Acabei me enturmando com o pessoal da redação mesmo, que era a “área” que eu faria parte. Os redatores eram Michael Duvall, que era chamado de Mick por todos (acabei de cara adotando o apelido) e Trip. Não entendi se o nome dele realmente era Trip ou também era apelido, mas fiquei com vergonha de questionar e deixei por ali mesmo. 

Trip estava no último ano, enquanto Mick estava no mesmo que eu. Tínhamos poucas aulas juntos, mas lembro de ter visto o rosto dele algumas vezes. Eram garotos bem legais e inteligentes. Eu sabia que Trip estava envolvido com o time e tinha muito destaque ali, por isso fiquei surpresa ao ver que ele também era membro da equipe do jornal, e ainda por cima inteligente e dedicado.

Foi somente na próxima reunião do jornal que comecei a colocar a mão na massa. Com a última edição já em circulação entre os alunos, começamos a planejar a próxima. O professor era quem liderava tudo, nós ganhávamos as tarefas. O primeiro trabalho que ganhei com os garotos foi montar um texto sobre a tradição do Homecoming de forma espontânea e não tediosa. Além disso, ficamos responsáveis de rodar a escola toda para coletar os indicados para rei e rainha do baile. Novamente fui supreendida, achando que essas coisas aconteciam somente nos filmes.

Repartiram a lista de alunos em 3, então cada um recebeu uma parte. Tínhamos até o final da semana seguinte para devolver com os dados, pois os casais indicados sairiam no jornal.

- Mas como isso vai funcionar se a maioria nem sabe quem vai com quem? - perguntei para eles enquanto lia os nomes na minha lista. Estavam por ordem alfabética de sobrenome. Sorri quando vi que peguei a segunda lista onde tinha os sobrenomes com K.

- É óbvio, os casais sempre são pares, a escola toda fica por dentro. Já tentaram organizar para montar a votação só no dia do baile e deu errado - Trip me explicou - você precisa de ajuda? Ele nem devia ter te dado essa lista, você é novata, nem a gente conhece todo mundo.

- Capaz, eu me viro. Qualquer coisa dou um grito pros Kiszkas, eles me ajudam.

- Você é amiga deles? - Mick perguntou entrando na conversa.

- Acho que sim, quer dizer, eu converso bastante com eles as vezes.

- Você foi no último showzinho da banda deles também? Acho que te vi lá - Trip perguntou - sou bastante amigo deles.

- Eu fui... acho que não te vi. Eles são bem legais.

- É, também acho. Uma pena que a maioria aqui do colégio não da muita força pra banda deles, eles são muito bons.

- Sim! Eu me surpreendi muito aquele dia, nossa. Minhas expectativas estavam lá no chão, acho que a gente nunca espera muita coisa de adolescentes - eu ri e Trip concordou comigo - e amo as influências deles.

- Espero que estejam debatendo sobre conteúdos do jornal - o professor chegou atrás de nós e correu os olhos pela mesa, tentando confirmar se estávamos produzindo alguma coisa. 

Voltei meu olhar para meu caderno e fingi estar montando um planejamento, até que ele saiu de perto. Olhei de lado para Trip e sorrimos aliviados.


*


Com o fim da semana veio também um pouco de descanso. Meu trabalho com o jornal estava só começando, ainda precisava organizar mais algumas matérias e coletar os malditos votos. Consegui juntar a maioria mas ainda faltavam uns 50 alunos para questionar.

Estava olhando meu Instagram quando entraram algumas mensagens do Dean pelo WhatsApp. Fiquei nervosa com a notificação mas abri na mesma hora. Conversei por poucos minutos normalmente, até ele me explicar que tinha que conversar algo comigo. Respirei fundo e já sabia o que era. Ele me disse que estava “chateado por eu já ter um par para o baile” mas esperava que isso não significasse que eu não tinha internações de dar uma chance para nos conhecermos melhor. Tentei da maneira mais gentil explicar que queria muito ser amiga dele, mas que sentia muito se tinha dado entender algo além disso. Quis explicar isso o quanto antes para evitar constrangimentos futuros. A resposta dele foi apenas um “ok”, depois disso o garoto sumiu do app.

Comecei a achar as coisas estranhas quando cheguei na escola segunda-feira. Kathy e as garotas estavam na nossa mesa de sempre, mas quando cheguei até elas, ao invés de um olá amigável, recebi um olhar de desprezo. Me sentei como se nada tivesse errado e tentei conversar com elas, até que as três se levantaram e foram embora. Recolhi minhas coisas e fui direto para a sala de aula já que o sinal tocou.

No intervalo tentei novamente chegar nelas, mas fui outra vez ignorada. Aquilo era estranho vindo delas, já que costumávamos andar juntas todos os dias. Com o orgulho ferido, foi minha vez de ir embora. Levantei-me da mesa e saí em passos pesados até o pátio, procurando algum lugar para sentar.

Samuel estava na arquibancada de sempre e de longe já me observava. Era engraçado ver como ele levava o acordo super a sério. Fui até ele sorrindo fraco e me sentei, já pensando no que falar para ele.

- Quer? - ele perguntou me oferecendo seu pote de Pringles e aceitei um pouco. Ele ainda me deu um dos seus fones de ouvido, para que eu pudesse ouvir música junto com ele. Acho que de alguma forma ele percebeu que eu não estava para conversa no momento e sorri com isso, me sentindo enfim acolhida.

Samuel estava escutando o álbum Deja Vu de Crosby, Stills, Nash & Young. Era definitivamente um dos meus favoritos, então tive uma surpresa agradável. Deixei ele em paz para continuar o que quer que estivesse fazendo em seu caderno e me ocupei observando o restante do pátio.

Não tive mais sinal das minhas “amigas”, mas não estava tão preocupada. Na verdade, o que me deixava aflita, era o motivo delas me tratarem do jeito que estavam tratando. Tentei de todas as maneiras pensar o que eu poderia ter feito para chatear as três, mas não tive resposta.

Daniel veio se juntar a nós e passamos o restante do intervalo conversando animados. Meu humor estava de volta ao normal e fiquei tranquila o restante do dia.


*


- A propósito, aqui estão os nomes que coletei - coloquei a folha com os nomes em cima da mesa do nosso professor. 

Passei a semana toda atrás dos alunos para coletar os indicados para rei e rainha do baile. Ainda era estranho pensar que era uma tradição real daqui e não invenção dos filmes. O professor ficou de fazer a contagem e passar os mais votados.

Para minha sorte, consegui a ajuda dos irmãos Kiszka. Não conhecia muitos alunos dos outros anos, então eles me ajudaram quarta e quinta com os nomes restantes. Como brincadeira, os quatro garotos votaram em mim e Daniel, mas na minha folha inteira somente eles nos indicaram, então fiquei tranquila sabendo que não tinha chance de ser uma das finalistas. Eu nem queria na verdade, então era melhor assim.

A maioria dos alunos já estavam liberados da aula, mas como me comprometi com o jornal, acabei ficando até um pouco mais tarde pois tínhamos muito trabalho. O texto sobre o Homecoming estava quase pronto, então o professor já começou a nos designar novas tarefas para não nos deixar sem fazer nada. Mick ficou de revisar e decidir o que achava, então eu e Trip nos encarregamos de ir até a sala onde guardavam os aparelhos eletrônicos e procurar pela câmera que ele precisava. Além de redator, ele também era um dos responsáveis pelas fotos que apareciam no anuário no final do ano.

- Lumix ou Fujifilm? - Trip perguntou abrindo um armário pequeno. 

- Fujifilm - respondi sem entender exatamente.

- Ótimo - ele pegou a câmera Fujifilm em mãos.

- Ah, mas você que sabe Trip. Eu não entendo muito, então usa o que achar melhor.

Deixei Trip se decidindo e fui para o fundo da sala, onde encontrei algumas caixas de anuários. Folheei o primeiro que vi, bastante curiosa. Me deparei com o ano de 1979 e me animei. Era engraçado ver fotografias e eventos que aconteceram no mesmo lugar que eu estava agora, porém com uma diferença de 37 anos.

- Ah, você encontrou a caixa de anuários - Trip se ajoelhou ao meu lado - em algum desses acho que consigo encontrar meus avós.

- Uma pena eles estarem aqui jogados... podiam ficar ficar na biblioteca para o restante da escola ver.

- É, também acho. Você podia dar essa ideia pro diretor.

Nos ocupamos por mais alguns minutos com os anuários, curiosos com o passado da escola. Era engraçado acompanhar a mudança no estilo dos alunos, especialmente na questão do cabelo. 

- A semana da arte já vem dessa época? - perguntei com o anuário de 1971 em mãos.

- Ah sim. Eles pararam por uns 5 anos ali nos anos 90 mas logo voltou... você vai participar?

- Eu sou obrigada - ri nervosa - sou do teatro.

- Puts, boa sorte - ele riu comigo e olhou para o relógio - a gente devia voltar, está na hora de ir pra casa também.

Concordei na mesma hora e voltamos para a sala onde acontecia a reunião da equipe do jornal. Alguns já tinham saído, outros juntavam seus materiais e se despediam dos colegas. Guardei minhas coisas na mochila e entreguei o texto revisado por Mick para o professor, que prometeu devolver na segunda-feira.

Desbloqueei meu celular, pronta para avisar minha mãe que ela já poderia me buscar, até que Trip voltou a conversar comigo.

- Vai para casa como? - ele perguntou colocando a mochila nas costas.

- Minha mãe vai me buscar, estou avisando ela.

- Eu te dou uma carona, não esquenta.

- Não precisa, obrigada. Ela me busca, tudo certo.

- Nah, que isso. Eu te levo, assim ela não precisa gastar gasolina vindo e voltando. Vamos?

- É... - analisei por alguns segundos. Minha mãe ainda não estava vindo, minha mensagem não foi enviada. E além do mais, Trip tinha razão. Para que fazê-la gastar gasolina se eu podia muito bem pegar uma carona com ele? - tudo bem então.

Saímos do prédio e passei para ele exatamente como chegar até minha casa. O estacionamento estava quase vazio, com exceção de alguns carros. Caminhamos por ele com calma.

- Fiquei sabendo que você vai com o Daniel pro Homecoming. Não sabia que eram assim tão próximos.

- Ah, bem, ninguém iria me convidar eu acho. Eu sou nova e só conhecia eles também.

- Eu posso te passar uma lista de caras que estavam loucos para te convidar - ele riu e me perguntei se ele falava sério - até o Samuel queria te levar.

- Como assim? Quem te disse isso? 

- Ele ué. Eu não devia ter falado, mas achei que você já sabia disso agora. Sinceramente, acho que ele tem uma quedinha por você... ele até tira os fones de ouvido quando você chega perto.

- Trip, você anda me vigiando por um acaso? - perguntei rindo.

- Só estou falando, abre o olho.

- Que isso, ele é só meu amigo.

- Vish, mais um soldado ferido - ele murmurou para si mesmo, mas consegui ouvir com clareza.

Comecei a ficar nervosa quando paramos de andar e não vi carro algum. Aquilo não podia ser sério.

- Trip.

- Sobe aí - ele falou quando subiu em sua moto. Era um modelo grande, típico de filmes como Easy Rider. Vi que no corpo da moto estava um logo, deixando claro a marca: Shadow.

- Eu não vou subir, não sei andar na garupa.

- Quer ir na frente então?

- Não Trip, eu quis dizer que nunca andei em cima de uma moto antes! E não tenho nem capacete. Eu vou ligar para minha mãe - falei tirando o celular da mochila.

Trip saltou da moto, quase desesperado, e tentou me impedir.

- Espera, espera! Eu te levo, vamos. Vem cá, vou te ensinar a subir e, aqui, usa meu capacete.

- Mas aí você que fica sem, e se a polícia nos parar?

- Grace, a polícia está cagando pra gente essa hora, já está quase anoitecendo. 

- Me dá esse capacete então - me dei por vencida e ele me ajudou a fechar a trava de segurança.

Ele subiu na moto rapidamente, ligou o motor e tirou o apoio que a mantinha estacionada. Com a moto propriamente de pé, tentou me ensinar a subir.

- Segura aqui no meu ombro. Pé esquerdo no pedalzinho - fiz como ele falou, sentindo um frio enorme na barriga - isso, agora coloca força na perna e sobe, colocando a perna direita pra lá e sentando... isso, assim.

- Você sabe andar nessa coisa, certo?

- Sim Grace, não sou motoqueiro irresponsável. Fica tranquila.

Finalmente consegui me sentar na garupa, ainda nervosa e agora sem saber onde me segurar. A moto não tinha qualquer apoio para minhas costas, logo fiquei com medo de cair para trás enquanto ele andava. Me vi no reflexo do carro ao lado e morri de vergonha ao ver como eu ficava com o capacete dele... horrível.

- Segura em mim - coloquei minhas mãos desajeitada no ombro dele - assim você vai cair... se abraça em mim, por baixo dos braços.

- Que?

- É sério Grace, é assim que se anda nisso - ele respondeu rindo. Fiz exatamente como ele orientou e me senti mais ridícula ainda... mas preciso admitir, se não fosse nessas circunstâncias, eu estaria bem mais empolgada em fazer isso. Ele estava de jaqueta, mas conseguia sentir levemente a musculatura forte dele, assim como o cheiro do seu perfume - agora, eu vou dar uma arrancada, segura firme. Você não vai cair, mas vai sentir um pouco de força talvez. Ok?

- Sim - respondi fechando os olhos e afundando o rosto nas costas dele.

- Você é inacreditável - ele comentou rindo do meu medo e arrancou com a moto. 

Foi exatamente como ele disse, senti meu corpo ir pra trás, mas me apertei nele ainda mais forte, deixando escapar um grito discreto. Não tinha noção alguma de onde a moto estava andando, podíamos estar no estacionamento ou já na estrada, mas me recusei a abrir os olhos. Parecia que a qualquer momento íamos cair para o lado, exatamente como eu fazia ao aprender a andar de bicicleta.

Senti meus cabelos esvoaçando com o vento e finalmente abri meus olhos. Trip andava em absurda velocidade por uma rua interminável. Aquele definitivamente não era o caminho até minha casa.

- Trip! Trip!

- Calma, só estou te levando para dar uma volta, pra você ver como é andar de moto.

- Idiota!

Me agarrei nele certa de que esvaziei seus pulmões com minha força, mas ele era inabalável. Andou comigo por mais alguns minutos, até reduzir a velocidade e começar enfim o caminho até minha casa. Queria ficar brava com ele, reclamar ou xingar, mas a verdade era que, no fim, eu gostei da experiência. Tudo bem que fiquei com medo de morrer ou me acidentar com ele, mas fora isso era incrível.

Senti meu cabelo cheio de nós nas pontas, e suspirei ao pensar no trabalho que seria dar jeito nisso. Quando Trip parou a moto na frente da minha casa, desci com um pouco de trabalho. Minhas pernas estavam um pouco bambas, e meus pés congelados. Deixei minha mochila cair mas o garoto ajuntou para mim.

- Bem... obrigada pela carona. Só por favor, na próxima avisa se vai ser moto, carro, bicicleta...

- Eu sabia que você não viria se eu falasse que era nessa belezura aqui - ele respondeu dando um tapa no banco traseiro.

- Espertinho - comentei rindo e acenei para ele, me virando para ir até a porta.

- Grace.

- Sim?

- O capacete.

- Ah, desculpa - voltei até ele, tentando desprender a trava. Não consegui, então ele precisou intervir.

- Já queria ficar com um souvenir - ele brincou e só consegui sorrir.

Com o capacete devolvido, acenei pela última vez, até entrar em casa e pela janela espiar ele partir.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...