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História Amada pelos Deuses - Capítulo 112


Escrita por:


Notas do Autor


Depois de um ano sem postar, trago mais um capítulo.
Espero que gostem.

Se houver algum erro ou contradição, me avisem!!

E como votado no Instagram, Amada pelos Deuses ganhara uma sequência de capítulos ^^

Boa leitura a todos!

Capítulo 112 - Uma Bomba Não Intencional


Lucy percebeu que as três sombras passaram a se aproximar. E como um instinto de proteção, a mesma se levantou com certa dificuldade, se colocando sobre o corpo de Natsu, ficando de joelhos sobre a neve por não conseguir ficar em pé. Ainda que houvesse vencido, a dor que se alastrava por todo seu corpo a deixava consciente do quão fraca ela ainda era.

Seus olhos ganharam um leve tom azulado, onde ela se preparou para fazer seu ataque a qualquer momento. Foi quando viu que eram Laxus, Lisanna e Elfman.

—... Pelo visto vocês tiveram uma pequena discussão – a albina forçou um sorriso ao comentar.

Desde então dois dias inteiros se passaram. O quarto ao qual ela dormia com Natsu desde que a casa havia sido reformada permanecia trancado com a mesma lá dentro. Ela olhava pelo vidro do tanque, vendo o rosado lá dentro, flutuando em meio a água completamente inconsciente.

Após o primeiro dia Lucy acreditou que colocá-lo na água o ajudaria a se recuperar mais rápido, mas pelo que observara nada havia mudado. Ora ou outra a loira se pegava em meio a culpa, se perguntando se não havia ido longe demais, mas logo vinha à sua mente que se ela não houvesse feito aquilo seria ela aquela que estaria desacordada.

—... Eu não posso esperar mais – Lucy murmurou, levando a mão até a vidraça — Eu não queria partir sem que você houvesse acordado... Espero que me perdoe... Mas confesso que está doendo muito mais imaginar como ficaremos após tudo isso do que aquele soco que você me deu – seus olhos se encheram de lágrimas —... Eu sinto que me arrependerei pelo resto dos tempos se eu não for... – sua mão deslizou pelo vidro ao descer lentamente, enquanto a loira apenas se virou e se retirou a passos lentos.

Já na porta com os outros três atrás, Lucy e Jude se encararam. O homem mais velho nada disse, vendo que a filha estava convicta do que deveria fazer.

—... Tenha cuidado... Eu cuidarei dele – Jude concluiu vendo a filha confirmar com a cabeça.

Após alguns minutos andando em meio a neve, Elfman finalmente questionou:

— Tem certeza que apenas você será o suficiente? – ele indagou com certa insegurança.

— Você deveria estar feliz que ao menos eu estou indo... Você poderia ter perdido sua viagem... – ela o respondeu enquanto andava na frente ao lado de Laxus.

— Não teme o que pode acontecer caso as coisas não saiam como esperávamos? – foi a vez de Lisanna perguntar enquanto andava alguns passos mais atrás junto de seu irmão.

— Seria uma tola se eu dissesse que não... Apesar que o Natsu já deve pensar coisa pior de mim por causa disso que estou fazendo – Lucy murmurou a última parte.

Os quatro fizeram o mesmo processo de quando Lucy visitara o Reino do Céu junto a Natsu. Quando viu, a loira já estava deitada sobre o chão mais macio de todo aquele planeta. Lá em cima o sol brilhava intensamente como em uma tarde de verão, completamente diferente do frio extremo que caía sobre a cabeça dos seres humanos.

Lucy se sentou sobre a nuvem, percebendo estar naquela parte que um dia fora chamada de Nuvem das Prisões. Ela apenas havia ouvido falar sobre o que Natsu tinha feito àquela cidade após descobrir seu corpo sem alma. Mas agora podia ver perfeitamente o estado da mesma. O local agora possuía casas concretadas misturadas às que antes abrigavam os mais pobres, tendo pessoas de todas as classes misturadas, ainda que aqueles que pareciam morar na nuvem extinguida não aparentassem estar muito contentes com a situação. Fora aquilo, apenas o palácio real permanecia em um patamar mais elevado.

Lucy permaneceu sentada por alguns instantes, enquanto sua mente era tomada por diversos pensamentos. Elfman, Lisanna e Laxus a esperavam, mas logo ficaram impacientes.

— Lucy, nós precisamos ir! – o jovem de cabelos loiros exclamou, temendo que fossem descobertos logo após chegarem ao local.

—... Eu não vou – ela os respondeu em um tom calmo, os espantando.

— Como assim? Então por que veio até aqui? – Laxus não entendeu.

— Vim para ajudar a libertar a Mira, mas uma invasão não é a solução, não sem o Natsu aqui... – Lucy explicou.

— E o que espera que façamos então? – Lisanna questionou.

— Alguém precisa informar ao Eucliffe que estou aqui e requisito uma audiência – a loira foi direta em sua resposta, surpreendendo os outros três.

— Mas Lucy... – Laxus tentou argumentar, mas logo foi impedido.

— Apenas faça o que estou dizendo – Lucy se mostrou convicta da sua decisão.

A loira permaneceu sentada naquele local enquanto os outros três apenas partiram. Algumas horas se passaram e ora ou outra alguém parava mais ao longe e a observava, mas não chegavam a desconfiar que ela poderia ser de outro reino devido aos seus cabelos.

Com o tempo que ela teve que esperar, seus pensamentos se voltaram para Natsu. Ainda sentada no chão, ela encolheu os joelhos e os abraçou, vendo o horizonte iluminado à sua frente.

—... Será que ele vai me perdoar? – sua voz saiu em um sussurro quase inaudível, e como se respondesse a si mesma, ela apenas abaixou a cabeça enquanto seus olhos voltavam a se encher de lágrimas.

Quando voltou a levantar o rosto, ela pôde perceber que pequenos pedaços de nuvem haviam se desprendido e flutuavam ao seu redor. Devido a leveza a qual aquela água transformada possuía, ela parecida reagir com mais facilidade aos seus poderes, ainda mais a ela que tinha o Tridente em seu corpo.

—... E não é que o meu plano deu certo? – uma voz mais grossa ecoou atrás de Lucy, que logo se virou e viu o príncipe daquele reino acompanhado por Erza e Gray — Eu posso saber como eu poderia ajuda-la, futura rainha do Reino das Águas?

Lucy se levantou por fim.

— Eu soube que Mirajane foi presa, e sua punição está causando muitos transtornos na superfície... – a loira se explicou.

— Sim, eu soube que alguns humanos despreparados morreram de frio... É realmente uma pena que sejam tão frágeis, ainda mais os velhos e as crianças – Sting deu de ombros, demonstrando não se importar muito.

Lucy não havia imaginado que tudo aquilo realmente viera a matar alguém. Mas então ela se lembrou quando seu pai disse que Laxus o salvara levando todas aquelas roupas de frio, já que a nevasca havia pegado todo mundo desprevenido.

Com os olhos opacos ela se perguntou se realmente havia algum tipo de punição para essas atitudes que vinham a prejudicar seus semelhantes, os seres humanos.

— Mirajane não agiu corretamente com o rei, e por isso está sendo punida... Mas acredito que você não precise se preocupar, ninguém aqui pretende matá-la. Não saímos matando os nossos por rancor e mágoa... – o loiro abriu um sorriso de canto, conseguindo provocar a loira, a fazendo entender que ele se referia ao que ela havia feito a Worer.

—... Eu quero negociar a liberdade de Mirajane, então peço que me leve ao seu rei – Lucy falou seriamente.

No mesmo instante o sorriso de Sting começou a sumir, dando lugar a uma expressão mais fria.

— O que Natsu pensa que está fazendo? Pelo visto ele não escolheu a pessoa certa para ser a rainha dele... – prendeu a atenção de Lucy — Era para os dois estarem aqui, não apenas você. O que acha que pode fazer sozinha? Você é como um bebê em nosso mundo e acha que já pode ditar as regras de como as coisas vão ser?

— Eu não quero ditar nada, só quero ajudar uma amiga! – Lucy o respondeu rapidamente.

— E quem é você para negociar algo em nome do Reino das Águas? Que eu saiba Natsu ainda não assumiu o trono, logo, você ainda não é rainha. Por acaso se tornou uma nobre? Acho que não... – Sting continuou a trata-la com frieza.

— Pelo visto o Reino do Céu me vê apenas como uma cidadã comum do Reino das Águas...

— Sim, mas meu pai lhe vê como o ponto fraco do futuro rei do Reino das Águas – Sting explicou ao se aproximar — E acho que isso já foi provado, quando metade dessa cidade do Reino do Céu foi destruída... Agora imagina quão bom seria para meu pai ter o ponto fraco de Natsu tão longe dele, servindo ao Reino do Céu como um refém para ser usado em um pedido absurdo que Natsu teria que aceitar... Mesmo assim você ainda quer falar com o rei? – ele questionou em um tom mais baixo, bem próximo à loira.

— Quando decidi vir para cá, eu já havia pensado nessas possibilidades... – Lucy o respondeu sem hesitar.

— Então você só é louca mesmo – Sting deu um passo para trás, soltando uma pequena risada.

Ele se virou e o sorriso que havia acabado de dar simplesmente sumiu. O mesmo permaneceu parado enquanto parecia pensar em algo.

... A ideia era o Natsu vir junto. Achei que ele seguiria sua esposa, mas parece que ele começou a tomar juízo... Preciso pensar em outro plano...”

Alguns minutos foram perdidos com Sting pensando. Erza e Gray o encaravam sem entender suas intenções, enquanto Lucy começava a se irritar com tanta demora.

... Não, desse jeito não dá. A ideia era Natsu vir e invadir o castelo... Ao libertarem Mirajane, feririam o rei gravemente durante a fuga... Droga...”, ele se virou e encarou a loira.

... Natsu não está morto... Então se ela estiver aqui como nossa convidada, ele terá que vir busca-la...”, um pequeno sorriso brotou no canto de seus lábios.

— Certo, venha conosco! – Sting exclamou saindo na frente.

Lucy caminhava entre Gray e Erza, vendo como os cidadãos daquele reino os encaravam enquanto seguiam em direção ao castelo.

A loira olhou para Gray, vendo a mexa loira em seu cabelo e a expressão séria que o mesmo mantinha. Ela podia senti-lo diferente, talvez por causa da armadura que estava a usar, semelhante à de Erza. O mesmo também tinha uma espada presa à sua cintura, o que chamou a atenção de Lucy.

—... Você está aprendendo a usar a espada, Gray? – ela questionou calmamente.

—... Sim... Aparentemente tenho certo controle sobre o ar, nada muito incrível, mas que me fez ganhar algum respeito no Reino do Céu, ainda que eu seja apenas um humano reencarnado... Segundo a Erza, poderei utilizar melhor esse poder se combina-lo com algum item, então... – ele explicou com certa seriedade

Lucy então encarou a ruiva, a encarando assim como fizera com Gray.

—... Está deixando o cabelo crescer, Erza? – a loira sorriu.

—... Um pouco – a ruiva a respondeu no mesmo tom de Gray.

Mas então Lucy se aproximou da mesma e sussurrou — Se quiser, depois posso te dar notícias do Jellal – fez com que a jovem de cabelos avermelhados ficasse com as bochechas fortemente coradas.

—... Obrigada – Erza tentou manter a seriedade, mas falhou miseravelmente.

Logo depois Lucy entrelaçou seus braços aos de Gray e Erza, andando com os mesmos mais perto dela.

— Estou feliz em ver vocês! – ela sorriu realmente contente em rever os amigos, fazendo com que os mesmos corassem levemente, ainda que eles não a tenham respondido.

Não demorou muito para que Lucy se visse só com uma das empregadas a guiando pelos enormes corredores do castelo. Gray e Erza haviam sido dispensados, enquanto Sting pedira a uma das serviçais para que a levasse até o quarto em que ela ficaria.

Lucy soltou um leve suspiro, entendendo que ela não poderia falar com o rei assim que chegasse, ainda mais considerando que ela estava no local sem ter sido convidada previamente.

A loira então percebeu que a empregada ora ou outra se virava para encara-la, como se quisesse entender algo apenas olhando para ela, já que parecia temer em lhe perguntar qualquer coisa.

—... Será que posso te ajudar? – Lucy questionou ao começar a se incomodar com aquilo.

A empregada então se virou para frente rapidamente — N-Não, eu s-sinto muito se a o-ofendi! – ela falou com certo medo.

— T-Tudo bem... – Lucy estranhou aquele comportamento, afinal os empregados do castelo do Reino das Águas pareciam muito mais extrovertidos, claro, sem perder o respeito.

Logo a loira já estava em seu quarto. Ela logo viu que era três vezes menor que o que ela tinha no Reino das águas, mas ainda assim não era nada desagradável.

Lucy caminhou até a sacada, onde o vento soprou gelado. Ela viu o sol no horizonte, esquentando sua face sem nada para impedir o caminho de seus raios, algo pelo qual o Reino das Águas almejava ter pelo menos um pouco.

Lucy então voltou seus olhos para baixo, vendo a cidade quase toda.

Para os humanos, aquele seria um local habitado por deuses e anjos. Então aqueles acima deles seriam considerados o que?

Pouco a pouco, a loira pôde entender o porquê das regras sobre não fazer nada que prejudicasse os humanos. Uma simples prisão da verdadeira rainha do Reino do Céu foi o suficiente para matar as pessoas de frio. Os humanos eram insignificantes perante a eles. E logo lhe veio à mente o que uma guerra entre reinos poderia causar.

Lucy então caiu de joelhos. Seus olhos brilhavam em um intenso azul, enquanto ela podia sentir seu peito doer. Ainda que toda aquela tragédia viera até sua mente, naquele momento o que lhe trazia as lágrimas era a saudade que ela tinha de Natsu, o forte arrependimento pela luta e consequentemente pelos ferimentos causados, e também pela rachadura criada em seu casamento pela sensação de confiança perdida.

Ela o amava mais que tudo, mas não estava disposta a sacrificar seus amigos por isso. O que ela queria era apenas o apoio de seu amado.

E isso era o que a tornava inapta a ser rainha até aquele momento, pois ela não queria sacrificar seus amigos por seu marido, mas sacrificaria seu reino e seu povo por seus amigos.

Se vendo finalmente sozinha desde que lutara com Natsu, Lucy chorou. De joelhos e curvada para frente a mesma segurou fortemente sua mão esquerda, a apertando contra o seu peito. Suas lágrimas refletiam o azul de seus olhos, enquanto o ar parecia faltar em seus pulmões. Seu corpo, sua mente e seu coração finalmente se renderam à tristeza contida até aquele momento, e isso podia ser percebido em todo o Reino do Céu.

Naquele momento, mesmo que não fosse intencional, Lucy era como uma gigantesca bomba que poderia destruir aquela cidade em um instante.


Notas Finais




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