1. Spirit Fanfics >
  2. Amanhecer >
  3. Atos inexplicáveis.

História Amanhecer - Capítulo 10


Escrita por:


Capítulo 10 - Atos inexplicáveis.


Fanfic / Fanfiction Amanhecer - Capítulo 10 - Atos inexplicáveis.


As coisas são tão frágeis e passageiras.

Essa mesma frase ecoava pela mente de Seokjin, repetindo várias e várias vezes, tornando-se algo incessante e chato. Sentimentos confusos inundavam seu peito de uma só vez, o dexando totalmente zonzo e desnorteado sobre a situação em que se encontrava.

Nunca pensou que veria Hoseok daquela forma tão... Indefesa. Nunca se quer passou pela sua cabeça, que veria o Jung daquele jeito, todo encolhido contra um casaco sujo, com os olhos fixos no chão, sem ter a mínima coragem para lhe olhar nos olhos e dizer o que tanto lhe afligia.

Sentia uma saudade profunda do sorriso que ele lhe dava quando estavam deitados em sua cama. Um sorriso tão bonito quanto o sol que iluminava o planeta, tão doce e donairoso quanto as estrelas que brilhavam durante à noite.

Mas o que via na sua frente era... De dar pena. Seu garoto parecia ter medo de qualquer coisa que chegava perto de si, olhando para todos os lados, como se procurasse algo que pudesse lhe machucar. E isso doía tanto em Seokjin, pois o mesmo já imaginava de onde aquelas manchas roxas puderam vir.

Seu coração estava em pedaços, partido em míseros cacos, e seus olhos não conseguiam mais conter as lágrimas que insistiam em caminhar pela sua bochecha. Seu choro era tão silencioso quanto a dor de Hoseok.

Com calma, passou o algodão com álcool ao redor do olho que estava machucado, e logo pegou outro algodão seco, para retirar o excesso de líquido que o primeiro deixara. Assim que terminou, deixou os algodões sujos na pia.

— Depois que você tomar banho, eu passo uma pomada. — Disse, mesmo que sua voz estivessem embargada demais para dizer qualquer coisa.

— Eu não posso-

— Hobi, por favor, você está todo machucado, precisa tomar um banho 'pra mim poder cuidar de você. — O cheiro do Jung não era muito agradável, mas o Kim não ligava para isso, a única coisa que importava, era que o seu amor estava ali, ao seu lado.

Hoseok não disse nada, e isso foi resposta suficiente para Seokjin. Seu silêncio mórbido era tão doloroso quanto a dor em seu peito.

— Tem uma toalha aqui. Vou trazer roupas 'pra você vestir. — Sussurrou, antes de sair do banheiro.

Assim que saiu do espaço, Jin respirou fundo, como se algo tivesse apertando a sua garganta, e lhe sufocando. A dor que sentia era tão imensa, que parecia querer arrancar seu coração para fora de seu corpo. Era um sentimento tão horrível de impotência, de não poder fazer nada para aliviar a dor que seu garoto sentia.

O rosado passou os dedos pelo cabelo, bagunçando-os com força, um sinal claro de frustração. Uma lágrima solitária escorreu, e rapidamente a tirou de lá.

Precisava ser forte naquele momento, precisava dar apoio para o Jung. Ele necessitava de si, e Jin o faria.

Foi até o guarda-roupa de seu quarto, pegou uma blusa folgada, uma cueca nova, e uma calça moletom, algo confortável para o outro. Voltou até o banheiro e entrou, antes de abrir a porta que estava fechada.

O chuveiro estava ligado, e o corpo nu de Hoseok estava lá dentro. Jin deixou as roupas na pia, e olhou para as costas totalmente despidas de outrora.

Não fez a ação com maldade, até por que Hoseok não estava em condições para algo malicioso naquele momento. Mas o que chamou a sua atenção, foram as marcas roxas, verdes, e as bolas de sangue que estavam desenhadas em sua pele.

E aí Jin soube o que havia acontecido.

Algo em si se partiu completamente, fazendo uma dor agoniante se estender por seu corpo.

Não conseguiu ficar no banheiro por muito tempo, então saiu dali rapidamente, sem ter forças para olhar aquela imagem e não fazer absolutamente nada.

Frustrado com tudo o que estava acontecendo, Seokjin se sentou na beirada da cama, e puxou os fios do cabelo com as mãos. Sem se conter, deixou que as gotas que enchiam seus olhos escorregassem para fora, lebertando-as, livrando-se daquela dor incômoda que o sufocava.

E ficou por mais um tempo, ficou daquele jeito, deixando-se chorar. Quando ouviu o registro sendo fechado, se levantou de onde estava sentado, e foi para perto da janela de seu quarto.

A porta do banheiro foi aberta devagar, quase como se Hoseok estivesse com ignávia de algo. Seus olhos demonstravam um pavor crescente, algo tão isigne que chegava a causar o mesmo temor em Seokjin.

— O-obrigado... — Sua fala saiu tão baixa, que Jin nem conseguiu ouvi-la. A mão machucada segurou a barra da blusa, e ficou a puxando, como uma criança.

— Vem, senta aqui. — Jin se aproximou da cama, e tocou no móvel. Hesitante, Hoseok o olhou por alguns segundos, antes de acatar ao pedido. — Vou secar seu cabelo. — O mais velho disse, indo pegar um pente e um secador.

— Não precisa. — Jung disse, olhando para o outro.

— Eu vou secar o seu cabelo. — Jin afirmou novamente, e Hoseok se viu sem respostas.

O rosado foi até o banheiro, pegou o primeiro pente que achou, e, assim que encontrou o secador preto, o pegou. Voltou para o quarto, deixou o secador na cama, e se posicionou em frente ao Jung, que manteve os olhos cabisbaixos.

— Levante à cabeça. — Falou com suavidade. Segurou o rosto do outro com delicadeza, e o levantou.

Não o reconhecia.

Ali, na sua frente, Seokjin via uma casca vazia. Era horrível pensar tal coisa, mas Hoseok não era aquele garoto que conheceu anos atrás. Aquele garoto que adorava pinturas, que possuía um sorriso tão lindo quanto as constelações que habitavam no universo.

Não. Aquele não era o seu Hoseok.

E ver aquela imagem vazia, lhe destruía completamente. O machucava por dentro, como se espinhos estivessem sendo enfiados dentro de si, o cortando por dentro, e lhe fazendo sangrar.

Para alguém que nunca se importou com nada, e muito menos com opiniões de terceiros, aquilo era... Demais para ele, pois Hoseok era a única pessoa que lhe fazia mais... Humano.

Ele lhe fazia sentir coisas das quais nunca pensou que era capaz de sentir.

O perder pela primeira vez, foi... Assustador. Jin não podia o deixar escapar por entre suas mãos de novo, não daquela vez.

Penteou os cabelos castanhos com fleuma, passando os dentes finos por entre os fios secos e desidratados. Tentou não ser muito rude ou grosseiro ao tentar desembaraçar os nós que haviam ali.

— Estou te machucando? — Jin indagou, em meio aquele silêncio incômodo e desconfortável. Hoseok negou.

Quando termina de pentear o cabelo acastanhado, o mais velho pega o secador e o liga na tomada, e só depois, começa a secar o cabelo de Hoseok. Colocou no modo mais suave do aparelho, para não fazer muito barulho, já que sua mãe estava dormindo.

A medida em que Jin chacoalha o cabelo alheio, o Jung fecha os olhos, sentindo um sentimento gostoso invadir seu peito. Talvez fosse a saudade, saudade da época em que Seokjin secava seu cabelo com a mesma ternura, a qual fazia naquele momento.

— Pronto. — Jin ajeita os fios, agora secos.

— Obrigado. — Jung disse, e Jin bufou, cansado daquele clima.

— Porra, para com isso, Hoseok! — Grunhiu, andando pelo quarto, e colocando as mãos no rosto. — Eu 'tô cansando desse clima estranho entre nós. — Hoseok sentiu uma pontada de culpa. — Poxa, você é o meu namorado ainda. — Falou baixinho.

— Não somos namorados, Jin. Deixei de ser quando fugi que nem um covarde. — Jin abriu a boca, incrédulo ao ouvir a sentença.

— Eu que decido isso, Hoseok! Você não pode simplesmente dizer que não namoramos mais por causa de um erro. — Falou com o tom de voz alto.

— Você não entende... — Hoseok apoiou a cabeça nas mãos.

— Então por que você não me explica, caralho?! — Jin praticamente gritou.

— Por quê é difícil 'pra mim! — Hoseok levantou a cabeça, com os olhos cheios de lágrimas. — Aconteceram muitas coisas, e você não entenderia. — O rosado ia falar algo, mas a voz de sua mãe o interrompeu.

A Kim mais velha deu pequenas batidas na porta, assustando os dois.

— Filho? 'Tá tudo bem aí? — A progenitora pergunta, com a voz abafada pela madeira branca que cobre à porta.

— A-ah, 'tá, omma. Não se preocupe.

— Escutei gritos. — Jin arregala os olhos.

— Ah, é que eu, sabe... Eu bati o cotovelo na cabeceira da cama. — Que merda, Jin. Até Hoseok o olha com a sobrancelha arqueada.

— Tem certeza que está tudo bem? — Havia um tom de incerteza em sua voz.

— Sim, omma. — O rapaz revira os olhos.

— Então ok... Só tente falar mais baixo, tudo bem? Estou tentando dormir.

— Tudo bem. — Esperou que os passos da Kim estivessem longe. E só por precaução, foi até a porta, a abriu, e olhou para fora. Sua mãe não estava mais lá.

Jin fechou a porta com calma, sem fazer barulho algum. Voltou a olhar para Hoseok, que estava calado.

— Hobi... — O chamou com suavidade, porém Hoseok não o olhou de volta. — Amor... — Se aproximou do Jung, e agachou em sua frente. — Olha 'pra mim... — Tocou em sua bochecha. Hoseok fechou os olhos ao sentir a carícia.

— Eu não consigo... — Falou baixinho, com a voz quebrada. — Eu não consigo te olhar nos olhos, Jinie. — Deitou a cabeça na mão do Kim.

— Por que, meu amor? — Acariciou a pele de outrora com mansidão, fazendo o Jung se deleitar com o carinho que recebe do mais velho. — Por que não consegue?

— Por quê eu não sou o mesmo. Eu não sou aquele garoto que conheceu, Jinie. — Jin sorriu levemente pelo apelido.

— Você sempre vai ser o meu amor, Hobi. — Seus olhos marejaram, e Hoseok negou com a cabeça.

— Não, eu fiz... Coisas, das quais não me orgulho. — Virou a cabeça para o lado.

— Então me conta, pelo amor de Deus. — Jin implorou, agoniado com aquilo tudo.

— Eu... Você vai me odiar.

— Hoseok. — Jin falou com calma. — Eu amo você, e estarei do seu lado, independente de qualquer coisa. — Encostou as testas. — Confia em mim. — Sussurrou, rente aos lábios do mais novo.

— Jin... Eu 'tô... Usando drogas. — Falou rapidamente, querendo se livrar daquilo. Hoseok não levantou os olhos, pois não queria ver a expressão decepcionada do Kim.

O silêncio reverbera pelo quarto.

Jin afastou o rosto de Hoseok, juntamente com as mãos, e aquilo foi um ato suficiente para causar uma crise de choro no Jung.

O Kim se levanta, e fica de costas, completamente surpreso com a revelação. Ele não sabia o que pensar, não sabia o que dizer.

— F-foi por isso q-que eu não queria t-te contar. — Hoseok soluça, cobrindo o rosto com as mãos. — Pois e-eu não queria ver a sua c-cara de nojo.

A única reação que o rosado teve, foi a de abraçar o Jung. Posiciona a cabeça do mais novo em seu peito, e o aperta. Hoseok passou os braços ao redor do Kim, deixando-se ser acolhido por ele, ser protegido por ele.

Jin não o julgou, não o condenou, não o olhou com repulsa ou nojo. Como poderia? Ele o amava com toda as suas forças. Não teria coragem de dizer palavras maldosas.

Quem nunca errou?

Quem nunca fez algo da qual se arrependesse?

Seokjin nunca poderia apontar o dedo para Hoseok, não quando ele próprio já fizera atos vergonhosos.

Por isso ficou em silêncio, pois o Jung não precisava de sermão.

E Hoseok agradeceu pelo Kim ficar em silêncio.

— Nós vamos passar por isso, amor. — Beijou a cabeça dele. — Eu prometo que... Vou ficar ao seu lado. — Conteve o choro que sentiu.

— E-eu te amo tanto. — Hoseok falou contra sua blusa. — Eu amo v-você... Eu nunca d-deixei de amar você. — Jin levantou o rosto de Hoseok.

— Eu te amo muito, Hoseok, e nós vamos passar por isso. — Disse, antes de matar a saudade que tinha daqueles lábios rosados e cheinhos.

Não foi algo agressivo, intenso, pelo contrário, foi um contato com pacacidade, com sutileza, calmo, um ósculo doce. Os lábios se moviam devagar, matando a saudade que sentiam um do outro.

— Eu tenho que... Buscar algo 'pra você comer. — Jin falou, após separar as bocas.

— Não, por favor, fica aqui comigo. — Hoseok deu um selinho em sua boca. — Não me deixa sozinho.

— Mas amor, você precisa comer. — Beijou a bochecha corada.— Não, agora não, por favor, Jinie. — Olhou em seus olhos. — Fica comigo. — Implorou. Jin suspirou, mas decidiu a acatar o pedido do Jung.

— Tudo bem. — Hoseok estava frágil, então não podia lhe negar nada. — Vem, vamos deitar. — Puxou o corpo para trás, sendo seguido por Hoseok, que repitiu a ação do rosado.

Quando deitaram por completo na cama, Jin colocou a mão no próprio peito, um sinal para que Hoseok deitasse a cabeça ali. Sem hesitar, o mais novo posiciona a cabeça no peito de Seokjin, se aconchegando naquele torso quente.

— Promete que... Não vai me deixar? — Hoseok indagou, com medo da resposta.

— Prometo, meu bem. Vou ficar ao seu lado. — Beijou o cabelo castanho, e logo os cobriu com a manta quentinha. — Agora tenta descansar. — Passou os dedos pelos fios, agora, macios do namorado.

Hoseok decidiu fechar os olhos, e quase gemeu em alívio por estar daquele jeito com Jin novamente. Era tão bom estar sendo acolhido daquela forma, sendo abraçado em meio a tudo o que disse, mas ainda sim Jin o aceitou de volta. Não lhe olhou com repulsa como achou que iria, e estava grato por isso.

Seokjin ficou fitando o teto, e refletindo sobre tudo o que aconteceu naquele dia.

Estava mais que feliz por ter encontrado Hoseok novamente, mas descobrir sobre o seu envolvimento com as drogas nunca passou pela sua mente. Nunca nem chegou a cogitar tal ideia, já que Hoseok nunca disse ao namorado sobre o assunto.

Seria mentira dizer que não estava triste com o Jung, que não estava decepcionado com ele, mas não sabia da história toda, então tiraria conclusões depois sobre o assunto.

E ao olhar para o rosto inocente do garoto que amava, e dormia sereno em seu peito, Jin decidiu que faria qualquer coisa para tirá-lo daquele caminho. Faria qualquer coisa por ele.

Pois Seokjin o amava com todo o seu ser.

Respira fundo, antes de relaxar contra o travesseiro, e fechar os olhos.

O dia seguinte seria complicado.


Assim que o sol surgiu pelo horizonte, Seokjin e Hoseok já estavam de pé. O ponteiro do relógio indicava que era bem cedo, e mesmo a contragosto, o rosado fora obrigado a acordar mais cedo que o normal, já que sua mãe estava de folga, e Hoseok não poderia ficar ali.

A barriga do Jung anunciou que queria algo para comer, logo que chegaram na cozinha, e o Kim foi rápido em preparar algo para comerem.

Assim que Hoseok e Jin terminaram o café da manhã, os dois saíram de casa. Um táxi foi chamado pelo Kim, já que nem ele, e nem Hoseok tinham carro.

A viagem foi coberta pelo silêncio, já que Hoseok aparentava em estar preso em seus próprios pensamentos, e Seokjin estava da mesma forma. Os dois pareciam lutar contra as próprias decisões, e Hoseok era quem mais tinha a fazer diante daquilo, já que seus demônios eram ainda maiores.

Quando chegaram ao destino selecionado, Jin e Hoseok entram no edifício e foram direto para o elevador do local. E em poucos segundos, se depararam com uma porta marrom.

Seokjin deu dois toques na porta, e a esperou ser aberta, ato que não demorou muito para acontecer.

— Hyung? — Jungkook indagou, surpreso pela visita inesperada, e naquele horário. — Hoseok hyung? — O Jeon os olhava com os olhinhos arregalados. — Aconteceu algo? — Perguntou, hesitando.

— É uma longa história, dongsaeng. — Jin falou, não querendo entrar em detalhes do lado de fora da casa. — Será que podemos entrar?

— Ah, claro, entrem. — Falou, desconcertado, e deu passagem para os amigos. Jin adentrou o apartamento, com um Hoseok desconfortável ao seu lado.

— Jin? Hoseok? — Hyungwon apareceu na sala. — Está tudo bem?

— Eu fiz a mesma pergunta. — Jungkook falou.

— Por que estão perguntando isso? — Puxou Hoseok para sentar no sofá.

— Por quê, hum, você nunca acorda esse horário para vir aqui. — O Chae respondeu.

— Tanto faz. — Jin revira os olhos. — Tenho que conversar com vocês. — Olhou seriamente para os dois amigos.

— Sim, você tem muito o que explicar. — Jungkook falou um pouco mais baixo, e olhou para Hoseok.

— Vamos para a cozinha. — Jungkook e Hyungwon foram na frente. — Bebê, tenho que resolver algo com os meninos, já volto. — Falou para o namorado, que estava encolhido no sofá. Hoseok assentiu, mas não era tolo, sabia que iam falar de si.

— Ok, pode ir explicando tudo. — Hyungwon disse, assim que todos estavam na cozinha.

— Olha, prometam que não vão gritar ou algo do tipo.

— Ih, então a coisa é séria. — O Chae falou.

— Esse papel não é meu, hyung. — O Jeon falou, por sua vez.

— O que você quer dizer com isso? — Hyungwon olhou para Jungkook, com os olhos semicerrados.

— Você sabe muito bem. — O mais novo se defendeu.

— Foco! — Jin disse. — O foco aqui é o Hoseok.

— Ok, diz o que houve. — O mais novo entre os dois falou.

— Hum... Hoseok está envolvido com drogas. — Abaixa o tom. Jin vê o exato momento em que os amigos arregalam os olhos.

— Nossa...

— Caralho...

— Pois é, e agora estou procurando um lugar 'pra ele ficar, até conversamos sobre tudo. Mas vocês sabem, meu pai nunca aceitaria Hoseok lá.

— E por que não?

— Por quê ele criou um ranço do Hobi, sabem, quando ele sumiu e eu fiquei semanas chorando no quarto.

— Ata, isso um dia antes de você ir 'pra uma balada. — Chae disse, irônico.

— Cala a boca! — Jin falou, olhando para a sala.

— E você quer que ele fique aqui? — Jungkook perguntou.

— Bom, sim, mas é só por uns dias, e Hoseok está tão quieto que nem vai atrapalhá-los.

— Por mim tudo bem. — O acastanhado falou, dando de ombros.

— Por mim também. — Hyungwon disse.

— Obrigado pessoal. — Jin sorriu para os amigos.

— De nada, hyung. — Jungkook o abraçou.

— Mas ele disse algo a mais? Tipo, como ele se envolveu nisso? — Hyungwon questionou, e Jin negou.

— Ainda não, mas vou conversar com ele sobre isso.

— Ei, a gente não tinha que ir 'pra universidade? — Jungkook olhou para o rosado.

— Ah, quanto a isso... Desculpe, Jungkook, mas hoje eu vou ficar com Hoseok. — Seokjin tinha uma expressão culpada no rosto. — Ele 'tá muito abatido, e eu preciso ficar cuidando dele agora.

— Tudo bem, hyung.

— Tá, terminamos por aqui? — Hyungwon os olhou, e em seguida bocejou. — Estou morrendo de sono.

— Sim, terminamos por aqui. — Os três saíram da cozinha.

— Infelizmente tenho que ir. — Jungkook olhou para o relógio.

— Quer que eu te leve? — Chae pergunta, mas o amigo nega, sorrindo.

— Não precisa, hyung, pode ir dormir. — Hyungwon assentiu, e foi para o próprio quarto.

— Obrigado novamente, dongsaeng.

— Ah, para, Jinie. — Jungkook pegou a mochila no sofá. — Tchau 'pra você, tchau Hoseok hyung. — Saiu, sem receber resposta.

— O que disse a eles? — Hoseok olhou para o namorado.

— O suficiente para que soubessem da nossa situação. — Sorriu para ele. — Você vai ficar aqui agora.

— O quê? Claro que não! — Hoseok o olhou atônito. — Eu não posso ficar na casa deles assim do nada.

— Amor... — Se sentou ao lado do outro. — Os meninos concordaram, e vai ser só por uns dias. Não se preocupe, eu não vou te deixar sozinho aqui. — Segurou a mão dele.

— Promete? — Seus olhos demonstravam desespero.

— Prometo. — Jin deu um selinho no namorado. — Bom, eu acho que temos algumas coisas pendentes. — Hoseok abaixa a cabeça.

— É, eu acho que sim.

Aquela era a hora de agir.

Yoongi estava escondido dentro de um beco, localizado no centro de Seul. Suas mãos suavam com facilidade, e seu coração estava acelerado de uma forma quase que assustadora.

Em sua mão direita, o relógio fazia um barulho irritante, anunciando que faltavam poucos minutos para agir.

Mas Yoongi não queria.

Por Deus, se ele pudesse fugir naquele momento, o faria com certeza. Mas existia outras pessoas em jogo.

Sua família.

Ficou maluco?! — Yoongi gritou, ao passo em que batia com as mãos na mesa,  causando um barulho extremamente alto. — Eu nunca enganaria o Namjoon dessa forma!— Rosnou, e seus olhos mesclaram ao verde amarelado.

É algo simples, Min. Você só terá que enganá-lo para conseguir informações. — Jiwoo lhe olhou com desdém, e isso enojava Yoongi.

Você já não tem informações o suficiente? — Indagou, e seu interior queimou ainda mais, quando o Kim riu, sentado de forma despojada na cadeira de couro.

Tenho o básico, mas se eu quiser destruí-los por completo, preciso saber cada mínimo detalhe.

Você é completamente doente. Como pode querer matar os próprios sobrinhos apenas por bens materiais? — Yoongi o olhava incrédulo. Não conseguia entender o motivo de tanta raiva e vingança.

Blá, blá, blá. — Jiwoo revira os olhos. — Isso não é da sua conta. Mas então, o que vai ser? — Questionou, impaciente.

Você é surdo?! Eu disse que não!

Ah, tudo bem. — Jiwoo se levantou da poltrona. O homem pegou o celular no bolso, e fingiu uma expressão tristonha. — Acho que vou fazer uma ligação, e pedir para os homens de Jeongyoon fazerem uma visitinha 'pra sua família. — A expressão dura de Yoongi se dissolve, tornando-se raivosa.

Você é nojento. — Rosnou, entredentes.

Obrigado pelo elogio. — O Kim sorriu, perverso. — E então? — Pressiona.

Yoongi não tinha opção. Ou aceitava, ou sua família morria, e isso jamais desejaria. E apesar de conhecer bastante pessoas, nunca seria o suficiente para acabar com Kim Jiwoo e o exército de Min Jeongyoon.

Não tinha escolha.

Aceito...— Sentiu uma pontada lhe atingir. Sua mente gritava, mas não podia fazer nada.

Ótimo. — Jiwoo sorriu. — O que você vai ter que fazer é simples...

Ele se sentia desprezível. Se sentia sujo por ter que ser cúmplice naquele plano doentio de Kim Jiwoo.

Mas como ele poderia dizer não quando a vida de sua família estavam em jogo?

Ele estava sozinho naquilo.

O movimento dos carros não estava tão bagunçado quanto nos dias de pico, o que era estranho. Algumas pessoas passavam pela calçada, mas como refletiam sobre a própria vida, nem viam aquele garoto no beco.

Faltavam dois minutos para que o plano de Jiwoo desse início, e Yoongi desejava que algo desse errado.

Ao passar alguns segundos, um capanga de Jiwoo balançou a cabeça, dando o sinal para que Yoongi agisse.

Com o coração acelerado, e o peito cada vez mais apertado, ele começou a caminhar calmamente pelo beco, até que estivesse na calçada da rua.

Só esperava não morrer.

Então ele andou, sem olhar para qualquer lado, e quando sentiu um farol iluminar seu rosto, ele soube.

Não tinha mais volta.

Foi tão rápido, quanto o vento que passou por seu corpo. Apenas sentiu uma batida forte contra a sua lateral, e no minuto seguinte, estava caído do chão.

Sua vista embaçou, mas ele ainda conseguiu ouvir vozes ao redor de si.

— Merda! — Sentiu mãos em seu corpo. — Você consegue me ouvir? — Uma voz lhe perguntou, voz esta que lhe era familiar demais.

— D-dói... — Não soube como sua voz saiu. E não era mentira, seu pé doía bastante.

— Eu vou te levar para o hospital. — Sua visão foi normalizando aos poucos. Sentiu seu corpo ser levantado.

— Não! O hospital não! — Quase gritou. O outro lhe analisou com calma, e tirou os fios de seus olhos.

— Yoongi? Mas que merda-

— Namjoon, por favor, hospital não. — Olhou bem para o rosto do Kim.

— Eu... É... — Os olhos castanhos não conseguiam desgrudar da figura em seus braços. — Tudo bem. — Disse, e foi até o carro. Repousou o corpo do mais velho no banco do veículo. Namjoon foi, rapidamente, para o banco do motorista, ao dar a volta no carro.

Yoongi mordeu o lábio inferior, sentindo uma súbita vontade de chorar. 

Seu bolso vibrou, assim que Namjoon entrou no carro. Pegou o aparelho, e quase quebrou o mesmo, ao ver uma mensagem de Kim Jiwoo.

Bom trabalho. 

[19:24 p.m]

Continue assim, e tudo ficará bem.

[19:24 p.m]

— Idiota... — Sussurrou. Franziu o cenho, ao sentir pontadas no local machucado.

— O quê? — Namjoon o olhou, mas desviando os olhos para a estrada, já que dirigia.

— Nada. — O Min sorriu levemente em sua direção, já que a dor lhe impossibilitava de sorrir por completo, sem falar na culpa enorme que devorava o seu peito.

— Yoongi. — O mais velho encolheu diante da mudança de voz. — Por que diabos não olhou para a rua antes de atravessar?

— Ei! Você quem me atropelou! — Yoongi cruza os braços. — Ai.

— Por quê você surgiu do nada! — Namjoon apertou o volante. — Tenho que te levar para o hospital. — O outro arregalou os olhos.

— Não! Eu já falei que eu não quero, Namjoon! — Se fosse para o hospital seria o fim do plano de Jiwoo, e sobraria para si.

— E pode me explicar o por quê disso? — Olhou para ele curioso.

— É uma... Longa história. — Yoongi suspira, olhando para fora da janela.

— Bom, tudo bem então. Vou te levar 'pra minha casa, é o único lugar onde poderemos cuidar desse machucado. — Yoongi assentiu sem dizer mais nada.

E Namjoon não insistiu. 

Enquanto Jungkook cobria Taeyong com as cobertas que o garotinho tanto gostava, milhres de perguntas a cerca de Hoseok vieram em sua mente.

Nunca havia visto o Jung de uma forma tão... Fragilizada. Ele parecia estar fora de órbita, como se sua mente não estivesse no presente. E não conseguia imaginar o que havia acontecido com ele.

Mas não era bom.

Inúmeras coisas vagaram pela sua cabeça, mas nenhuma era agradável de se imaginar. E estremecendo, Jungkook balançou a cabeça, tentando se livrar daquela energia ruim.

O Jeon foi até a pilha de roupas que estava no cesto de roupa suja. Pegou as roupas, e saiu calmamente do quarto, tentando não fazer barulho algum. Fechou a porta do quarto, e desceu as escadas, tomando cuidado para não tropeçar e cair no caminho.

Foi até a "pequena" lavanderia que os Kim tinham, e colocou a roupa suja ali em cima. Jungkook nunca falou muito com os outros empregados, eles eram muito quietos, calados. Apenas faziam o seu trabalho de forma silenciosa.

Ao colocar a pilha ali, Jungkook encostou em uma das máquinas, e olhou para a janela.

Teve o vislumbre exato da hora em que Taehyung passou pela janela. O homem com certeza estava levando alguma coisa nos braços.

Curioso, Jungkook estreitou os olhos, e decidiu ir até lá.

Em poucos segundos, o acastanhado já estava do lado de fora da mansão, andando pela grama, em passos calmos e calculados.

Não sabia o que Taehyung estava aprontando, e não queria ser invasivo demais, porém sua curiosidade falava cada vez mais alto.

Franziu o cenho quando parou em frente a uma escada subterrânea. Ela deveria levar para um tipo de porão.

Jungkook se moveu até a escada, e em passos sorrateiros, desceu com fleuma para o local, a qual a mesma lhe levava.

Só esperava que Taehyung não lhe matasse por ter entrado ali.

Assim que desceu as escadas do lugar escuro, uma porta lhe barrou. Jungkook levou a mão até a maçaneta, e a abriu. Agradeceu aos céus que a porta não fez ruído algum.

E assim que a abriu completamente, sua respiração prendeu.

"Caralho..."

Jungkook nunca pensaria que Taehyung fosse ainda mais belo do que antes. Mas provou estar errado assim que se deparou com a imagem dele em sua frente.

Taehyung estava nu da cintura para cima, expondo a maravilhosa pele bronzeada que portava em baixo de tantas roupas. Pequenos músculos estavam de fora, e se contraíam a cada golpe que o moreno desferia contra o saco de pancadas.

Jungkook sentiu a boca salivar, esta que abriu. Estava completamente hipnotizado naquela imagem divina dos céus. Jungkook piscou, letárgico, e tocou no canto da boca.

Eca, baba. Ew.

Corou, envergonhado por ter realmente babado. Aquilo era decadente.

— Não sabia que estava me seguindo. — Levou um susto quando a voz do Kim fora proferida, rouca, ofegante.

— A-ah... Me desculpe, eu... — Desviou os olhos para os próprios pés. — Vou voltar ao trabalho. — Se virou, mas a voz de Taehyung lhe parou.

— Jungkook, espera. — O mais novo voltou a olhar para o Kim. — Você pode me assistir. — Ele havia parado, e lhe olhava com um sorriso de lado.

"Sexy 'pra caralho. Merda!"

— Mas eu preciso cuidar do-

— Taeyong já deve estar dormindo. Pode ficar aqui, não tem problema. — Taehyung se vira, e começa a socar o saco novamente. Dando de ombros, Jungkook se aproxima.

— Não sabia que lutava. — Comentou. Taehyung riu.

— Eu costumo dizer... Que todos deveriam saber se defender. — Jungkook parou ao lado de uma pilastra.

— Eu tenho vontade de lutar, mas um dia, agora tenho coisas demais para fazer.

— Eu posso te ensinar.

— Hum, não, obrigado, não quero aprender artes marciais ainda. — Taehyung para os movimentos e lhe olha.

— Mas, hum... Você parece fazer algo. — Aponta para os braços de outrora.

— Ah. — Jungkook ri. — Eu corro nos finais de semana, pela manhã, e às vezes vou a academia, mas ultimamente estou muito ocupado. — Taehyung vai até um banco que tinha ali, e pega a garrafa de água.

— Universidade, e trabalho, não é? — Jungkook assente.

— Exato. — Esboça um sorriso.

— Se você quiser... — Taehyung bebe a água em goles longos. — Pode ficar aqui mais um pouco, se deseja aprender artes marciais, e Sehun vai te levar em segurança depois. — O chefe se aproxima do mais novo.

— Eu... Prometo pensar na proposta. — Sorri, ao mesmo tempo em que tenta não olhar para o peitoral atraente do outro.

Mas era praticamente impossível.

Taehyung retribui o gesto, e qualquer um que os visse naquele momento, diria que os olhares trocados estavam repletos de sentimentos. Eram tão óbvios.

Mas aquela troca de olhares foi quebrada pela voz de Namjoon, que parecia bastante alterada.

Ambos se assustaram, e Jungkook fora o primeiro a se mover, mesmo que a contragosto, já que desejava conversar mais com Taehyung.

Os dois subiram as escadas rapidamente, até estarem na parte de cima do gramado que cobria o chão.

Adentraram a lavanderia — lugar que era mais próximo —, passaram pela cozinha em passos rápidos, e chegaram na sala de estar, onde viram a imagem de um Namjoon desesperado, carregando um garoto nos braços.

— Nam, o que houve? — Taehyung indagou, e Jungkook olhou para ele.

— É uma história para outra hora, Tae, agora preciso cuidar urgentemente do Yoongi. — O garoto em seus braços gemia de dor, já que seu pé latejava ferozmente.

— Yoongi? — Taehyung questiona, enquanto Jungkook parece completamente perdido.


Notas Finais


Caramba, maior capítulo até agora. Espero que tenham gostado☺️

Gente, não odeiem o Yoongi, e muito menos o Hoseok. Yoongi foi forçado, ele não teve escolha, e o lance do Hoseok vai ser esclarecido mais pra frente. Só avisando que ele terá uns comportamentos bem depressivos, crises, então quem não se sentir bem, poderá passar a parte dele. Mas eu irei avisar no início do capítulo.

E sim, na casa do Taehyung tem de tudo, até lavanderia kkk. Quem pode, pode, né amores?

Desculpem pelos erros.

Beijos, e até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...