História Amante dos Tempos Dourados - Capítulo 3


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Denki Kaminari, Eijirou Kirishima, Hanta Sero, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou, Kyoka Jiro, Mina Ashido, Momo Yaoyorozu, Ochako Uraraka (Uravity), Shouto Todoroki, Tenya Iida, Toru Hagakure, Tsuyu Asui
Tags Boku No Hero, Deku, Denki Kaminari, Eijirou Kirishima, Hanta Sero, Kaminari, Katsu-chan, Katsuki Bakugou, Kyoka, Kyoka Jiro, Midoriya Izuku, Mina Ashido, Momo Yaoyorozu, Ochako Uraraka, Shouto Todoroki, Tododeku, Toru Hagakure, Tsuyu Asui
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Palavras 3.862
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey! Olha quem apareceu aqui depois de meses? Isso mesmo, eu!
Bom, primeiramente devo dizer que, não espere por atualizações rápidas, eu escrevo devagar e eu não vou mudar isso.
Segundo, me desculpe pela demora.
Enfim, só vou escrever essa história quando eu tiver tempo e disposição.
Boa leitura e espero que gostem.

Capítulo 3 - II - Amizades que se formam no improvável


Shoto nunca teve o prazer de conhecer a famosa sorte que todos diziam ter, nem mesmo seu vislumbre ou citação em sua vida.

Mas estava começando a achar que ela estava brincando com a sua cara, pois nunca, em todos os seus 21 anos de vida, ele achou que estaria a mercê de uma situação ao qual encontrava-se.

Estava com fome, cansado e particularmente sujo em lugares que nem sabia que eram possíveis de se ter um resquício de suor, mas para completar tudo, estava amarrado de cabeça para baixo junto da princesa ao qual escapou.

— Então, o que vamos fazer agora? — Perguntou para a princesa com um pequeno riso de nervoso. Suas bolsas estavam entre as árvores, e consequentemente, o punhal de Shoto também.

— Como se eu soub- — Sentiu uma súbita agitação nas árvores e pausou sua frase repentinamente, olhou para os arbustos que se mexiam fortemente e sentiu seus ombros ficarem tensos enquanto sentia a princesa mexer-se tentando desgastar à corda, o que se provou inútil quando fizeram isso algum tempo atrás.

— De todas as coisas que eu esperava pegar nesta armadilha, a última delas era serem Vossas Altezas. — Um homem, de cabelos verdes e sorriso sapeca, falou após sair da moita com um pequeno punhal em sua mão.

Os dois o olharam, perguntando-se quem seria aquele e talvez até mesmo pensando que estavam em apuros. O esverdeado aproximou-se da corda e cortou sem uma punhalada só, fazendo-os cair no chão de com um baque surdo. Shoto percebeu que seus olhos, assim como seus cabelos, também eram verdes de tom claro e profundo como a grama de uma colina.

— Vocês vão ficar no chão me olhando ou vão levantar? Não tenho o dia inteiro, sabe? — Falou com um tom de desdém e uma sobrancelha levantada.

Levantaram-se devagar enquanto massageavam as partes doloridas de seus corpos, finalmente pegaram suas coisas e Shoto jurou que nunca mais largaria o seu amado punhal.

Quando estavam prontos para partir, o homem de cabelos esverdeados chamou-os.

— Parecem cansados, que tal darem uma parada em meu chalé? — Disse sorrindo um tanto sem graça e coçando a parte de trás de sua cabeça.

Entreolharam-se de canto, conversando silenciosamente se valia a pena ou não aceitar a proposta de alguém que nem conheciam, afinal, não sabiam se ele iria atacá-los ou não.

E como não tinham nada a perder, é óbvio que acompanharam-no em direção a sua casa.

[...]

Estavam sentados em uma mesa de madeira no meio da pequena sala. O café estava estava quente, visto que soltava fumaça das xícara, Shoto não tinha coragem de tomá-lo pois ainda não confiava totalmente no homem a sua frente.

Momo estava séria olhando para o jovem de cabelos verdes, seu olhar era intenso e fulminante assim como os dele para ela. Shoto olhava tudo levemente encolhido em sua cadeira, a tensão era tão densa que o bicolor sentia que se passasse seu punhal ali conseguiria um pedaço.

— ‘Tá me olhando por quê? — Falou o estranho.

— Eu estou te olhando? Você que olhou primeiro. — Rebateu ela.

— Eu comecei? Você que ‘tá a mais tempo.

— Eu? mas-

— MAS QUE COISA! — Berrou Shoto impaciente com toda a cena, não era possível que agiam assim. — Parecem duas crianças!

— Como se você fosse melhor senhor “não consigo andar pela floresta sem cair em uma armadilha” — Disse o verde.

— Não é possível que você ainda lembra disso — Resmungou o bicolor.

— Claro que lembro, seu idiota, aconteceu a menos de uma hora!

— Não me chama de idiota, estúpido!

— Não me chama de estúpido, seu Duas Caras!

— Não me chama de duas caras, Cabeça de Brócolis!

— Cabeça de brócolis? Já se olhou no espelho, pedaço de mer-

— CHEGA VOCÊS DOIS! — Desta vez quem gritou foi Yaoyorozu. — Não vamos chegar à lugar nenhum desse jeito! Então vamos começar do começo: Cabeça de Brócolis, qual o seu nome?

— Izuku. Izuku Midoriya. — Disse levemente enraivecido pelo maldito apelido que, aparentemente, iria ser chamado pelo resto do tempo que ficaria com os dois.

Shoto abriu a boca para se apresentar, mas Izuku rapidamente o cortou:

— Já sei quem vocês são, até porque quem já não conhece o casal de jovens herdeiros da realeza que fugiram do reino. — Disse revirando os olhos, odiava enrolações.

— Espera, como assim quem não conhece? — Falou Momo surpresa e aflita, esperava que não fosse o que estava pensando.

— As notícias correm rápido, princesa, ou você acha mesmo que o rei iria deixar isso para lá com os dois sendo descendentes diretos? Ele já até mesmo espalhou os cartazes de procurado, vocês vivos estão valendo 900 moedas de ouro. — Izuku falou aquilo como se não tivesse importância alguma, enquanto Shoto e Momo arregalaram seus olhos pela quantidade absurda de dinheiro.

— Izukuu~, chegamos com a lenha e a Ura com a janta. Conseguiu al- — A voz aparentemente parou ao ver quem estava na mesa de jantar. — Izuku, por que duas pessoas da Realeza estão aqui?

Ao se virarem, Shoto viu uma figura peculiar: esta tinha cabelos de uma cor púrpura escuro que chegavam até a altura de seu ombro; seus olhos, de cor escura, estavam sérios e fuzilantes para o príncipe e a princesa que ali estavam sentados. Ela vestia uma vestimenta de guerrilheira, onde tinha cotoveleiras de couro e uma provável malha de ferro por baixo da camisa; carregava ao seu lado uma espada que, embora Shoto não conseguisse ver, parecia grande e afiada.

— Realeza? Onde? Onde? — Um outro homem, alto e de porte sério,  chegou correndo empunhando ao que parecia ser sua espada; estava vestindo roupas de mesmo estilo que a mulher de cabelos púrpuras e tinha cabelos pretos bem penteados. Estava alarmado e preparado para atacar quem quer que fosse da realeza, o que fez com que Shoto e Momo rapidamente se levantassem de suas cadeiras e entrassem em posição de combate segurando seus punhais.

Repentinamente, todos ouviram uma risada alta ecoar sonoramente: era de Izuku. Ele gargalhava tanto que estava vermelho e sem, quase caindo no chão. As cabeças dos presentes na pequena sala de estar/jantar viraram para ele quase de imediato, enquanto continuava a rir descontroladamente Shoto se questionou seriamente se ele não era louco.

— É que… — interrompeu com mais uma risada — Vocês estavam sérios que era ridículo! Acreditam mesmo que eles são uma ameaça?

E irrompeu em gargalhadas novamente, enquantos os presentes olhavam para ele com uma expressão de dúvida enquanto ele aparentemente deitava no chão.

— Izuku, você não presta! — Falou outra mulher em tom de riso que, aparentemente, ninguém tinha percebido estar ali até então. Ela vestia uma espécie de capa que nunca tinha visto antes pois, de longe, parecia uma capa completamente normal, porém de perto, era como se algo em seu entorno à tornasse diferente — embora Shoto não soubesse dizer o porque. Seu rosto era levemente redondo e ela era a mais baixinha dali.

Quando o capuz abaixou acompanhando a risada do jovem esverdeado, percebeu que o cabelo era de um castanho levemente claro assim como seus olhos. Também percebeu que, em sua mão, jazia um pequeno pedaço de madeira, ao qual não entendia o porquê de estar ali.

Logo os olhos da jovem moça de capa cruzaram com o seu e ela deu um pequeno sorriso irônico, aproximando-se de seu rosto até ficar perto o suficiente para deixar o príncipe vermelho.

— Ora! Se não é o príncipe que fugiu do noivado! Não me diga que deixou ela no altar, hum? — Ela falou em um tom alto e animado, querendo se divertir com a vergonha do príncipe.

— Na verdade a ex-noiva está bem do lado. — Disse apontando para Momo e, ao menos, tentando jogar a moça para ela.

— Oho! Então a incrível princesa que é mais inteligente do que esse velhos idiotas no poder está aqui! Estou lisonjeada. — Disse empolgada, ela gostava da princesa e simpatizava, já tinha ouvido falar de sua pessoa.

— Obrigada? — Falou a princesa ainda estranhando, mas começando a simpatizar com a jovem moça extrovertida.

— Já que todo mundo chegou aqui fazendo baderna, — Izuku fuzilou seus amigos com o olhar — eu vou apresentar geral para vocês.

A mulher de capa foi para perto das outras duas pessoas de espada e, aparentemente, esperava Izuku falar. O esverdeado continuou entre eles e arrumou um pouco à roupa antes de começar a falar.

— Vamos começar do começo, eu vou apontar pra cada um e vocês se apresentam. ‘Tá bom assim ou vai continuar o fuzuê? — Disse o esverdeado levemente irritado com toda o alvoroço que ali se instaurou. Apontou então para si. — Eu começo: meu nome é Izuku Midoriya e sou um jovem camponês vivendo sua vida.

Logo que terminou apontou para o único outro garoto que havia ali.

— Meu nome é Tenya Iida, sou um ex-soldado que fugiu. — Ele falou agora sem o tom de ameaça. Izuku apontou então para a menina de cabelos púrpura ao seu lado, ela revirou os olhos.

— Kyoka Jirou, a mesma coisa que o Iida. — Terminou com voz entediada. O esverdeado apontou para a que restou e acenou, Shoto não entendeu o que significava.

— Sou Ochako Uraraka e sou uma Bruxa! — Disse animada, ela adorava conhecer pessoas novas.

— Agora vocês dois. — Apontou.

— Sou Shoto Todoroki e sou um príncipe. — Quando terminou ouviu um pequeno “e quem não sabe disso”, porém, não soube identificar de quem foi o autor da pequena frase. Foi então para princesa.

— Momo Yaoyorozu! Sou uma 

— Izuku, eu sei que você provavelmente ajudou ele e por isso estão aqui. Não confio neles, porém, eu confio em você; como aconteceu? — Perguntou Kyoka, agora mais calma com as apresentações pois, mesmo que ainda estivesse com um pé atrás por aqueles da realeza, ainda assim sabia que se Izuku os tinha trago para a cabana era porque algo tinha acontecido. O esverdeado tinha esse problema: ele ajudava os outros sem nem mesmo olhar a quem, mas nem sempre isso dava certo.

— Ah, meio que eles ‘tavam preso na minha armadilha? — Disse coçando atrás da cabeça e com um sorriso envergonhado. Ochako já o avisou que não deveria deixar suas armadilhas em qualquer lugar.

— Mas como diabos isso aconteceu? Não é possível que sejam tão burros assim. — Os rostos de Momo e Shoto se viraram ofendidos para a garota. — Não olhem pra mim, só estou falando fatos.

— Na verdade, eu não faço ideia. — — Disse olhando despreocupado para o teto. — Eu estava prestes a perguntar isso se a s madames não tivessem chegado fazendo algazarra no meio da casa.

Os dois ex-guardas se desculparam baixo, arrependidos de terem criado problema sem motivo. Izuku então puxou uma cadeira na mesa e se sentou, todos a sua volta o repetiram e olharam para Shoto e Momo, que entenderam o pedido mudo para que começassem a história.

— Bem, tudo começou quando formamos o plano para escapar do casamento. Nunca iríamos aceitar esse casamento forçado goela abaixo, portanto, com a ajuda de minha irmã, planejamos cada detalhe. Tudo consistia em um teatro com todas as falas e ações combinadas para o rei acreditar que estávamos felizes com tudo isso e, completando um mês de tudo e a aproximação da cerimônia, já nos deixavam entrar no quarto um do outro ou nos encontrarmos na praça do castelo.

“Isso era crucial, foi ali que planejamos tudo o que iríamos fazer e falar para adquirir a confiança de todos. Até que chegou a véspera do casamento, onde finalmente iríamos escapar pelo túnel do quarto de Momo.”

— Espera, espera. Túnel? No castelo? Isso é piada só pode, estão brincando com a nossa cara? — Disse Iida interrompendo o bicolor.

— Se você deixasse ele terminar de falar vai saber o porquê do túnel, idiota. — Respondeu a princesa de modo ríspido, apenas ela podia interromper ou xingar Shoto.

— Continuando: Aquele túnel foi deixado pela minha mãe, que dava para a cozinha, pois havia vezes em que meu pai a trancava no quarto por dias a fio. Chegou a noite, estava na hora de trocar as roupas e fugir daquele lugar.

“— Eu não disse que era para você vestir um vestido? Vai chamar muita atenção desse jeito. — Falou o bicolor ao avistar a companheira de fuga em uma roupa comumente usada por homens camponeses, eram simples e discretas.

— Ai Shoto, quem se importa? Ninguém vai notar se eu estiver com essa merda ou não, além disso, já disse o quanto o vestido é não é prático para combate. — Terminou colocando seu punhal dentro de sua bolsa. Verificou tudo uma última vez: livros, ok; punhal, aqui; saca de 800 moedas; tudo beleza. Ao que parecia, tudo estava certo.

— Pronta? Temos pouco tempo até um guarda checar o que estamos fazendo e Fuyumi não vai atrasar eles por muito tempo. — Ela apenas acenou e ele se aproximaram de uma parede ao lado do grande guarda roupa e, com forças combinadas, puxaram o grande bloco que ali havia, revelando assim um grande túnel. — Primeiro as damas.

Ele se virou para ela com um sorriso sacana após essa fala, na qual apenas revirou os olhos e o empurrou para dentro ouvindo um leve gemido de dor. Os dois se esgueiraram pelo apertado buraco, com a terra sujando suas roupas e rostos, foram longos minutos até avistarem a outra parede e, com o mínimo cuidado possível, empurraram-na sem fazer barulho.

Quando finalmente o conseguiram, Shoto caiu no chão buscando ar, assim como Momo. Após alguns segundos, eles já estavam de pé e com um pano em mãos, limpando toda a terra possível e calçando os sapatos que a princesa trouxe, afinal, não poderiam deixar quaisquer rastros.

Foram até a dispensa e pegaram o que conseguiram: cinco maçãs e 3 cantis de água. A cozinha estava vazia, pois já passava da completa¹ e todos estavam dormindo docemente em suas casas, portanto, tinham algum tempo até que algum guarda viesse checar a cozinha.

Quando chegaram à porta, Shoto a entreabriu e espiou a fresta com cuidado. Ao que parecia, esquerda e direita livres ele pôs o primeiro pé para fora, nada podia dar errado. Já avistava o buraco na grande muralha, uma pequena falha que ninguém nunca notou por estar encoberto com vigas e mato.

O primeiro passo, deu tudo certo. O segundo, também, no décimo passo, quando já estavam alcançando sua liberdade, ouviram gritos.

— ELES ESTÃO AQUI! — Uma voz grossa, que parecia ser de algum guarda, foi ouvida ao longe. Se apressaram e escorregaram pelo musgo no chão, passando perfeitamente pelo buraco. Quando o musgo terminou e a terra os atingiu, eles capotaram mata adentro. Levantaram aturdidos, por sorte, caíram perto um do outro, porém, Shoto só teve tempo de sentir a mão da princesa rodeando o seu pulso e guiando-o. Não sabia por quanto tempo correram ou o quanto se distanciaram do reino, apenas que, quando chegaram a uma clareira e o silêncio invadiu seus ouvidos, caíram no chão, dormindo com o cansaço e o suor de tudo o que houve.

[...]

A claridade fez questão de lhe tirar de seu precioso sono. Acordou com grama e terra grudada em sua bochecha e, estranhamente, com um peso sobre sua pernas. Foi então, quando chutou o que quer que estivesse ali e recebeu um xingamento em resposta, que percebeu que aquilo era, na verdade, a princesa.

— Porra, Shoto, não quer chutar mais forte não?

— Se quiser eu posso. — Recebeu um olhar fuzilante dela e fez uma expressão de “não está mais aqui em falou”.

Levantaram-se doloridos, ao menos estavam inteiros. Momo deixou sua bolsa escondida em alguns arbustos, os dois andaram juntos até o meio da clareira, percebendo que havia algo curioso ali: um pequeno pedaço de retalho.

Mesmo sendo estranho demais, a curiosidade falou mais alto — e quando não fala nesses casos? — e foram apanhar o retalho. Logo que pisaram então no local, foram puxados para cima sentindo um aperto em seus pés e, consequentemente, batendo-se um no outro. A princesa ouviu uma risada cansada e irônica ao seu lado e achou que o outro finalmente tinha enlouquecido.

— Talvez seja um palpite, mas acho que vamos passar um bom tempo aqui.”

— Eu não consigo dizer se vocês são estúpidos ou só azarados. — Falou Ochako gargalhando da história, assim como todos pareciam dar uma risada discreta da última situação dos dois.

Momo e Shoto estavam com uma faceta emburrada por serem vistos como piada, porém, o que o cansaço não fazia com as pessoas? Logo se renderam as risadas e piadas que um ou outro soltava de vez em quando.

— Bem, vamos jantar? — Izuku disse saindo da cozinha, ninguém nem sequer percebeu quando ele saiu da roda de conversa e tomaram um susto quando se manifestou..

— Sério, Izuku, você tem que me contar como faz isso. — Falou Jirou, com a mão no peito e a respiração levemente acelerada.

Todos se levantaram e andaram até a cozinha, sentindo o doce cheiro do jantar que ele havia feito.

[...]

— Não quer que eu busque a água no poço? — Perguntou Shoto quando percebeu o esverdeado indo até a porta. Pelo que entendeu do pouco que ouviu, estavam tendo uma discussão sobre alguém que tinha esquecido de pegar a água e sobre de quem era a vez. Porém, Izuku se irritou e gritou que ele iria pegar a água.

— Oh, então ouviu tudo. — Disse com certo descaso.

— Algumas coisas só. — Respondeu desconcertado. — Vocês brigam o tempo todo?

— Não, mas brigas sempre fazem parte quando se mora junto de outras pessoas. — Ele terminou e Shoto apenas acenou.

— Não quer nem companhia? — Perguntou com uma esperança pois, apesar de achar o homem levemente irritante pelas piadinhas, estava curioso sobre ele e de onde ele vinha.

— Isso seria uma desculpa para passar um tempo comigo? — Após essa fala, Shoto quase engasgou.

— O que? Claro que não… — Sua voz vacilou e ficou fina, começou a olhar para os lados nervoso. Shoto era péssimo em mentir.

— Hum… Certeza? — Seus olhos se apertaram desconfiados e o bicolor acenou ainda mais nervoso, Izuku fingiu acreditar. — Ótimo! Vamos.

Ele agarrou sua mão e o puxou, o bicolor nunca ficou tão nervoso. Ele era levemente tímido com pessoas que o atraíam. Demoraram cerca de dois minutos para chegar até lá, como a cabana ficava em cima de uma cabana e o esverdeado estava andando rápido, quase caiu quatro vezes. Shoto achou o poço bonito e fofo, tinha um pequeno telhado de palha e a madeira era de cor rosa claro — o que estranhou de início, pois não conhecia nenhuma árvore com essa cor, porém, era um charme.

Izuku soltou sua mão e pegou um dos baldes que estava ao lado do poço e em cima da grama, estava ao lado de outros dois e todos pareciam velhos e judiados. Shoto resolveu ajudar e pegou mais um balde para encher, pois com mais duas pessoas com certeza iriam precisar.

Aproximou-se vendo Izuku colocar o balde no gancho e o descer devagar, a corda estava gasta e velha, como se não fosse trocada há anos.

— Esse poço é usado por todos da vila, é muito antigo e importante para as pessoas que moram aqui, porém, não é muito bem cuidado pois todos trabalham muito para pagar os impostos que seu pai impôs e ninguém tem tempo ou dinheiro para isso. — Disse agora levantando o balde com o mesmo cuidado com o que fez ao levá-lo para o fundo.

Shoto se sentiu culpado, sabia que seu pai não era o melhor rei e prezava as finanças acima de tudo. Ele queria mudar isso quando finalmente herdasse o trono, mas fugiu como um covarde, será que era isso que ele queria? Balançou a cabeça, não adiantava chorar pelo leite derramado.

Logo Shoto fez o mesmo que Izuku e os dois se puseram a subir devagar, aproveitando a brisa que passava levemente pelos seus rostos e observar o céu banhado de estrelas sobre suas cabeças. Ele andavam lado a lado, sem pressa ou preocupações, sem se importarem com o dia de amanhã.

— Sabe, Duas Caras, até que você é uma ótima companhia. — O esverdeado falou com um mínimo sorriso em seu rosto e fazendo o bicolor dar uma pequena risada.

— Você também não é irritante, Cabeça de Brócolis. — Respondeu mantendo um sorriso cúmplice, havia se passado apenas um dia e já estavam daquele jeito. Shoto simpatizou com o esverdeado, gostou de fazer provocações e de brincar com ele, pois, ele sentia algo em seu coração que ainda não entendia o que era.

Quando finalmente chegaram na cabana, estava um caos total. Kyoka e Momo aparentemente se entenderam e estavam em uma discussão furiosa com Tenya e Ochako sobre qual deles era melhor em cozinhar.

— Como você sabe que a sua comida seria melhor que a nossa se nunca provou nenhuma que a Momo fez? — Tenya disse.

— E também, se a sua já não é das melhores a da Momo combinada deve ser um horror. — Ochako e Tenya deram um pequeno “toca aqui”.

— Como se a vocês fossem melhor, afinal, não foi a minha que deu dor de barriga em todo mundo da cabana. — Kyoka falou e Momo deu um pequeno pulo de comemoração.

— Todo mundo sabe que a minha comida é a melhor, então parem de tagarelar e coloquem esses baldes na cozinha. — Disse entregando os dois baldes para as duplas e apontando para o local desejado. Shoto deu uma pequeno riso de seu jeito, achando sua expressão fofa.

— Bem, vou deitar que já está tarde, onde eu posso dormir? — Disse o bicolor bocejando, aquele dia foi cheio e estava cansado demais.

— No beliche do lado esquerdo da estante, sorte que tínhamos sobrando. — Respondeu Izuku apontando para uma escada de mão que Shoto não tinha percebido até então. Deu de ombros e bocejou mais uma vez, definitivamente precisava deitar.

Shoto subiu para o segundo andar da pequena cabana, onde ficava o único quarto do lugar. Ele era grande, tinha uma escrivaninha simples no canto esquerdo do quarto — ao qual estava abarrotada de papéis sobre algo que o bicolor não se deu trabalho ler — e, ao seu lado esquerdo, um beliche; ao lado da janela, que ficava pro lado da fachada da casa, tinha um guarda-roupa simples e com poucas roupas, o que passou o pensamento involuntário de que ninguém ali usava roupas limpas.

Na parede direita, uma estante abarrotada de livros, que fazia de divisória para dois beliches. Shoto, curioso como era, resolveu dar uma olhada nos livros, logo percebeu que não conseguia ler nenhum de seus títulos, salvo um ou outro, pois estava em uma língua a qual não reconhecia.

Decidiu deixar para lá, apenas deitou na cama de cima e pensou no rumo que sua vida se tornaria dali para frente. Tudo era novo — e seria ainda mais dali adiante —, o que queria afinal? Nunca pensou no que fazer depois que estivesse livre de seu pai, ou poderia continuar com Izuku e seus amigos? Não queria abusar de sua hospitalidade e bondade de os acolher ali.

E, com sua cabeça infestada de pensamentos, adormeceu com expressão preocupada e corpo inquieto. Deixou-se ser levado para a terra dos sonhos, onde nada dava errado e o mundo era um lugar melhor para todos.

Literalmente, uma terra de sonhos impossíveis, porém, uma terra que Shoto queria que fosse real. 

Uma terra que valia a pena viver.

 


Notas Finais


1. Hora canônica determinada pela igreja na época medieval (vou usá-la a fic inteira), é determinada pelo soar dos sinos:
- Prima (corresponde às 6h)
- Terça (9h)
- Sexta (12h)
- Nona (15h).
Acrescentou mais quatro intervalos:
- Louvor (alvorecer)
- Véspera (pôr do sol)
- Completa (antes do repouso, quando a jornada está “completa”)
- Matina (meia noite).

Espero que tenham gostado! Comentem e deem favorito que me deixa muuuito feliz, ok?


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