História Amar, Perder e Conquistar (Edição de Ouro) - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Apc, Cma, Gsilva, Mpe
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Palavras 6.009
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 10 - Nós estamos distantes.


Fanfic / Fanfiction Amar, Perder e Conquistar (Edição de Ouro) - Capítulo 10 - Nós estamos distantes.

NÓS ESTAMOS DISTANTES

TRÊS MESES DEPOIS...

 

 

                Minha mãe parou o carro na frente do gigantesco prédio da faculdade. Ela se virou para mim com os olhos preocupados e tristes, obviamente com perguntas sob o olhar. Dei um sorrisinho desanimado e, sem precisar dizer nada, tentei mostrar que tudo ficaria bem. É claro que ficaria bem. Tinha de ficar. Na realidade, não tinha como ficar melhor. Depois de um tempo, ela destrancou as portas e pude finalmente sair, já colocando a mochila nas costas. Quando passei na frente da janela do motorista, ela gritou:

            — Ei, tá com vergonha de dar um beijo na sua mãe? Seus amigos vão ficar zoando você?

            Parei subitamente e me virei, com os ombros encolhidos. Andei rapidamente até onde ela estava e, me abaixando um pouco, coloquei a cabeça para dentro da janela e a beijei na bochecha.

            — Você sabe que eu só tenho uma amiga aqui e ela não ficaria me zoando por isso. — Respondi quando me afastei.

            Minha mãe sorriu e deu partida no carro novamente, andando com lentidão pela calçada, até tomar mais velocidade na rua. Fiquei olhando o carro se distanciar por um momento, pensando que, se quisesse, poderia voltar e tentar outra faculdade. Mas por quê? Por que eu deveria mudar? Então, quando estava quase voltando a andar, algo atingiu as minhas costas e fui subitamente jogado para frente. Me virando, percebi que era alguém.

            — Você tem que me lembrar de pedir carona algum dia desses. — Alison disse, segurando meus ombros enquanto eu retomava o equilíbrio. Olhei para ela com os olhos semicerrados e sorri.

            — Até parece. Não sei porque a minha mãe ainda me traz aqui. A gente gasta muito dinheiro com combustível. — Respondi. — E o meu dinheiro não vai ser usado nisso.

            Ela riu.

            — Ok, ok.

            Alison entrelaçou seu braço ao meu e começou a me puxar na direção do prédio da faculdade. Conforme nos aproximávamos, a passos lentos, aquela pequena construção foi se tornando um tanto quanto mais alta. Poucos andares de puras salas de aula, escritórios e sabe-se lá o quê, criados por Demetria, a mãe da minha antiga inimiga, a qual eu não via há algum tempo.

            — O que temos para hoje? — Alison perguntou, enquanto entrávamos no hall de entrada do prédio. Comecei a procurar nos meus bolsos pelo cartão de passagem.

            — Não lembro. Não sei se há alguma coisa. — Respondi.

            — Ei, escute, eu escolhi o mesmo curso que você para poder me lembrar das coisas. Tenho uma péssima memória. — Disse ela, com um ar debochado.

            Alison foi na frente, passando o cartão no leitor da catraca e indo para o outro lado, enquanto eu ainda procurava pelo meu cartão. Assim como dez vezes desde o início do ano, não o achei. Ele provavelmente estava em casa.

            — Droga. — Murmurei.

            — Esqueceu seu cartão? De novo? — Ela perguntou.

            Fiz que sim com a cabeça, já olhando em volta para ter certeza que ninguém estava rindo da minha cara. Um dos benefícios de sair do Colégio Vargas para a Faculdade Vargas era que, como estávamos num lugar diferente, ninguém ligava para mim. Quero dizer, com exceção do supervisor das catracas que já estava cansado da minha cara por causa da minha habilidade de perder cartões de passagem. O homem saiu de sua pequena cabine ao lado da área de entrada e veio na minha direção.

            — Me deixe adivinhar. — Ouvi a voz dele atrás de mim. Depois, com um tom mais infantil, continuou: — Está em casa. Meu cachorro comeu. Voou pela janela do ônibus. Cheguei perto de um imã e ele descarregou. Alguém chame a polícia, eu fui roubado!

            Virei-me para trás com os olhos bem abertos e encontrei o guarda com as mãos nas cinturas. Foi quase impossível segurar o riso.

            — Mas eu... — Comecei a responder.

            — Não, hoje você vai falar com a alta patente. Vai encontrar o supervisor-chefe. — Ele interrompeu, sinalizando com a cabeça para a sala de segurança, que ficava no lado esquerdo do hall.

            Olhei para trás, para Alison e, com um sorrisinho triste, me afastei. Ela também deu o mesmo sorrisinho, mas tenho certeza que estava querendo gargalhar por dentro, mesmo que isso me deixasse irritado. Tudo bem, ela eu deixava. Eu deixava que Alison risse da minha cara.

            Não parei de andar até chegar na frente da porta da sala de segurança, mas também não fui rápido demais. Quase nenhum aluno ia para lá, apenas quando assuntos muito importantes eram tratados – tipo, quando falaram que um dos estudantes estava com um quilo de maconha na mochila e, para a surpresa de todos, era verdade. Aquele dia foi épico, o ponto alto da minha estadia na faculdade até então. Agora a porta estava entreaberta e, pelo que pude ver, alguém estava sentado na frente dos monitores das câmeras. Com três batidinhas simples na porta, fiz essa pessoa olhar para trás, colocando seus olhos brilhantes sobre mim.

            — O que é isso? O que você quer aqui? — O homem perguntou.

            — Eu... o supervisor das catracas disse que era para eu falar com você, porque esqueci o meu cartão... — Respondi, com incerteza.

            De repente, o homem se levantou e veio na minha direção, abrindo a porta bruscamente. Eu queria que ele não tivesse feito isso. Eu não sabia o quê ou quem, mas alguma coisa havia morrido lá dentro. O cheiro de alguma coisa podre me fez dar alguns passos para trás e a aparência do homem também não era uma das mais convidativas, com a barba por fazer, cabelos bagunçados, olhos vermelhos e, para o meu completo desagrado, a ausência de calças.

            — Ok, você mora aqui? — Perguntei, franzindo o cenho.

            Ele agarrou um sobretudo que estava caído no chão, procurando ferozmente por alguma coisa nos bolsos, até que tirou um cartão completamente branco. Ele estendeu aquilo para mim e limpou o nariz com as costas da mão que estava livre.

            — Só passe isso na catraca e depois devolva para o supervisor. — Disse ele.

            Peguei o cartão e, com um sorrisinho de agradecimento, me virei para sair. Mas foi nesse momento, nesse pequeno, ínfimo e quase inacreditável momento, que olhei para a pessoa que estava prestes a mudar tudo. De fato, eu me virei. Dei meia-volta e comecei a andar, mas, como não estava prestando atenção na minha frente, acabei batendo de cara com alguém. Para ser mais sincero e direto, literalmente bati no peitoral de um cara. Ele me segurou nos ombros com suas mãos grandes e eu rapidamente olhei para cima. Como eu esperava, era um homem; alto, moreno, com olhos verdes e um sorriso arrebatador. Eu quis achá-lo lindo e tudo o mais, contudo, lá no fundo da minha mente, a minha intuição gritava para não fazer aquilo. Afinal, todos os caras que eu olhei e pensei “meu Deus, que homem lindo” só me trouxeram decepções. Então contive-me a achá-lo apenas bonitinho.

            — Opa. Desculpe. — Disse ele. Com um rápido olhar para suas roupas, deduzi que não parecia um estudante.

            Não consegui perguntar o que ele era, na verdade, pois o homem me soltou e foi na direção da salinha de segurança. Eu o ouvi falando que o supervisor-chefe tinha esquecido de dar seu cartão de entrada, mas não fiquei por muito tempo para escutar a conversa alheia. Comecei a andar, girando o cartão na minha mão.

            Passei o pedaço de plástico na catraca e passei para o outro lado, mas, quando vi o supervisor a alguns metros, uma voz me fez parar.

            — Ei, espere. Garoto.

            Me virei para trás e vi que o homem-mais-lindo-do-que-bonitinho estava se aproximando com um cartão/crachá (eu nem sabia que dava para fundir os dois em um) nas mãos, passando-o na catraca e vindo parar ao meu lado. Ele parecia eufórico. De certa forma, a urgência dele quase pareceu cômica e eu teria rido se não tivesse sido puxado para o meio daquela situação.

            — Você... você sabe onde fica a sala 12? — Ele perguntou. — Eu tenho uma aula lá agora.

            — Hm, sei. — Respondi.

            O homem desconhecido se juntou a mim e ambos começamos a andar. A coisa que eu mais queria fazer era sair correndo, encontrar a Alison e contar como conheci aquele cara (o que sempre fazíamos quando encontrávamos alguém bonito perambulando pela faculdade), mas não abandonei os passos lentos e o olhar fixo no final do corredor. Não parei de andar, mas também não falei nada. Foi o homem que deu o pontapé.

            — Você é... Qual curso você faz? — Ele perguntou.

            — Administração. Eu era do técnico no Colégio Vargas, então não vi porquê mudar. — Respondi. — E você?

            — Eu sou professor de Contabilidade. — Disse ele, com um ar orgulhoso e, ao mesmo tempo, destemido. Parecia que ele levava bem a sério a história de ser professor.

            — Espere. Você é professor?!

            — Sim. Por quê?

            — Eu pensei que você era um aluno.

            — Aluno? Essa fase já acabou pra mim. — Disse ele.

            — Meu Deus, me desculpe. — Respondi, já começando a ficar sem jeito. Eu geralmente ficava sem jeito na frente de pessoas bonitas, mas, para ser sincero, queria literalmente morrer por ter confundido aquele homem com um aluno.

            — Ok, não tem problema. — Ele falou, com um sorriso que iluminou aquele canto do corredor. — Eu acho que vamos nos encontrar de novo, já que eu sou o novo professor de Contabilidade. Qual o seu nome?

            — Greg. E o seu?

            — Kevin. — Disse ele, respirando fundo.

 

***

 

            Depois de deixar o novo professor de Contabilidade, super gato e gentil, na sala dele, fui para a minha sala. Não tive que andar muito, já que era a 10, poucos metros atrás. Imediatamente ao entrar, vi Alison olhando para mim dos fundos da sala, com as mãos esticadas sobre a mesa. Ignorando alguns olhares dos alunos à minha volta, andei até ela e coloquei a minha mochila na mesa vazia ao lado, puxando a cadeira.

            — Você não tem ideia do que aconteceu agora. — Falei.

            — O quê?

            — Eu conheci o nosso novo professor de Contabilidade e ele é muito lindo. — Respondi, mandando a minha decisão de apenas achar o Kevin bonitinho para o inferno.

            — Sério? Quem é? — Alison pareceu muito mais interessada no meu assunto.

            — O nome dele é Kevin e isso é o máximo que descobri até agora, mas, se o nosso horário estiver certo, só veremos ele amanhã. — Falei novamente. — Ele é muito, muito lindo.

            Alison abriu a boca para responder, parecendo mais animada do que nunca, mas parou no meio do ato quando uma voz grave atrás de nós me fez gelar. Eu estava tentando ignorar aquele garoto e, de certa forma, consegui. Consegui entrar sem olhar para os olhos negros dele ou ouvir sua voz. Mas ele teve que falar, com sarcasmo:

            — Ah, isso é ótimo.

            Alison olhou para o garoto, mas continuei de costas viradas para ele, com os olhos fechados, até que o clima se acalmou novamente e pudemos voltar a falar.

            — Então, como ele é? — Alison perguntou para mim.

            Sorri.

            — Ele tem olhos verdes, é alto, musculoso. Faz bem o seu tipo. — Respondi.

            — Ah, não. Ele é todo seu. Faça bom proveito. Eu já tenho o meu alvo.

            — Cara, seria muita sorte se ele fosse gay, mas, como na minha vida tudo dá errado ou parece dar errado, ele não é. — Respondi. — E, além disso, você não tem um alvo. Você vive dizendo que nunca se apaixona por ninguém.

            — Bom, dessa vez eu me apaixonei. — Alison respondeu, olhando para baixo com um sorriso envergonhado.

            — Então é por isso que você quer me trocar, Greg? Por um professor de Contabilidade que é alto, musculo e tem olhos verdes? — O garoto atrás de mim falou novamente. Essa foi a primeira vez que eu pensei na diferença entre ele e o professor: Kevin era, como eu já disse, alto, musculoso e com olhos verdes; já esse garoto... ele era baixinho, com olhos quase pretos, voz grave como um trovão. De fato, eles eram muito diferentes.

            E eu me irritei mais do que o normal. Não me irritei por causa da comparação entre o Kevin e esse garoto, mas sim por causa da parte “é por isso que você quer me trocar, Greg?”. Eu não queria trocar ninguém nem nada. Se fosse por mim, nada teria mudado, ainda seríamos amigos, eu ainda seria feliz de alguma forma, mas não. Ele sempre tinha que deixar tudo mais complicado. Afinal, foi ele que sumiu depois da suposta morte, não deu nem um sinal de vida e me fez sofrer por muito tempo, pensando que ele estava morto.

            — Cale a boca, Larry. Eu não estou trocando ninguém por ninguém. Foi você que se afastou de mim. — Respondi, com o rosto ficando vermelho de raiva.

            Depois disso, respirei fundo e olhei para frente, cruzando os braços.

 

***

 

            Quando o sinal tocou para o intervalo, os alunos se levantaram e começaram a andar. Fiquei parado, sentado no meu lugar, como em vários outros dias. Alison também esperou. Continuei olhando as pessoas ao meu redor, reconhecendo alguns rostos, mas, na maioria, eram todos desconhecidos. Pierre e Amy faziam parte da nossa sala, contudo, por causa do remanejamento das turmas entre o Colégio Vargas e a Faculdade Vargas, os outros alunos eram de outras salas.

            Esperei o Larry se levantar e sair também, mas, por pouco tempo, ele ficou parado ao meu lado, olhando fixamente para mim. Quando eu o vi sair pela porta, soltei a respiração que estava segurando.

            — Você foi um pouco grosso com ele. — Alison disse, levantando-se. Éramos os únicos na sala.

            — Eu acho que não. — Respondi. — Ele mereceu.

            — Mereceu?

            — Alison. — Baixei o tom da conversa. — Ele fugiu por quase um ano. Eu pensei que ele estava morto. E agora vocês vêm com essa historiazinha de que ele precisava fingir que estava morto? Me poupe.

            — Ei, calma. Não precisa ser grosso comigo também. Só estou dizendo que ele está querendo pedir desculpas. — Alison respondeu com as mãos levantadas.

            Olhei para os olhos dela e fingi que não estava me remoendo por dentro. Eu estava. Doía ver o afastamento do Larry, doía vê-lo longe de mim, pois, por mais que a minha intuição ou o meu bom-senso dissessem o contrário, eu queria tocá-lo. Eu queria ficar com ele. Queria perguntar o que aconteceu, se a história de precisar fingir morte realmente era séria. Mas pensei bem, porque, se fosse séria, ele falaria logo de uma vez.

            — Alison, a última pessoa que tentou me reconciliar com um garoto que eu gostava foi a Aqua. — Falei. — Ela disse que ele tinha mudado e veja só. A Alexia está grávida dele!

            — Ok. Faz sentido. — Alison respondeu. — Só não seja muito duro com o Larry. Quando foi a última vez que ele fez algo que não precisava fazer? Você sabe da história de quando você contou que gostava dele, não sabe? Ele nunca faz algo que não precisa. Se ele disse que precisava, é porque precisava.

            Não respondi mais nada, mas a minha voz interior parecia gritar as perguntas que eu queria fazer. Na verdade, fazia o completo sentido. Os culpados pela “morte” do Larry foram a Alexia e o Thomas e ele ficou fora pelo tempo que os dois retornaram; quando os culpados foram embora (a Alexia ficou estudando em casa, longe de tudo enquanto formava sua filha, e Thomas simplesmente não foi aceito na Faculdade Vargas), ele voltou.

            Levantei-me e comecei a andar. Alison me acompanhou como um suspiro no meu ouvido, dizendo coisas sem dizê-las. Eu podia sentir que ela queria respostas, que ela queria que eu cedesse e ajudasse o Larry, mas simplesmente não podia responder ou ajudar ninguém. Eu nem pude ajudar as minhas outras amigas quando elas não foram aceitas nessa faculdade. E a Alison foi a única que ficou, como um lembrete que o meu passado tinha ido embora, mas ainda existia.

            Saí pela porta e continuei andando pelo corredor. Nos poucos meses que estive ali, já fui capaz de decorar as partes necessárias daquele gigantesco prédio – ou seja, as lanchonetes, a biblioteca e a secretaria. Não me dei ao trabalho de explorar os outros pontos da faculdade porque sabia que nem iria usar todas as salas ou todos os lugares. Meu objetivo era terminar logo aquele curso e sair como se nada tivesse acontecido. Há alguns meses atrás, eu não quereria que tudo acabasse, e, depois, tudo o que eu mais queria era isso.

            Eu e Alison fomos para o andar das lanchonetes, como uma praça de alimentação. Os alunos estavam sentados nas cadeiras, ocupando as mesas redondas espalhadas pelo piso de mármore. O burburinho de conversas era ensurdecedor.

            — O que você vai comer? — Alison perguntou. Olhei em volta e notei que nenhuma das lanchonetes pareciam me interessar.

            — Acho que nada. — Respondi.

            — Eu vou pegar um sanduíche natural. Procure uma mesa pra gente. — Ela respondeu e partiu em disparada na direção do restaurante de alimentos naturais.

            Olhei em volta novamente, fixando meu olhar no local das mesas, e não achei um único lugar vazio. Foi muito frustrante, pois não queria ficar em pé ali, no meio da bagunça. Fui olhando e olhando, andando em volta das pessoas, procurando por algum lugar sem ninguém, até que achei um pequeno balcão encostado na parede mais oposta do saguão, escoltado por pequenos banquinhos e apenas uma pessoa. Mas, droga, tinha de ser aquela pessoa?

            Continuei andando até chegar ao lado do garoto. Antes de puxar a minha cadeira, olhei para sua nuca, onde seus cabelos loiros formavam um redemoinho. Olhei para seus ombros largos e seus braços, mais grossos do que antes, e para suas mãos, que seguravam seu sanduíche com destreza. Sentei-me ao lado dele e fiquei de costas. Depois de um tempo, senti-o se virar para mim, ficar parado por um tempo, bufar de raiva e sair rapidamente.

            — Te achei! — Alison disse, me assustando. — Esse plano de separação não dá certo.

            — Não. — Respondi sem dar a devida atenção ao que ela disse.

            Alison se sentou no lugar onde o garoto estava sentado e, colocando o que comprou em cima do balcão, começou a desembrulhar o sanduíche natural.

            — Eu vi o Lucas saindo daqui. Ele ainda não está falando com você? — Ela perguntou.

            — Não. — Respondi com raiva, mas não dela. — E não quero ficar forçando algo que ele não quer.

            — Tem certeza que ele não quer?

            — O pai dele bateu nele por causa do nosso namoro. A Alexia ameaçou o Lucas por causa dos meus antigos sentimentos pelo Andrew, só por causa da vingança. Tem certeza que ele quer?

            Ela riu.

            — Ok. Faz sentido. — Alison repetiu a frase de antes. — Você está sendo o senhor da razão hoje.

            — É, mas eu queria não ser. Eu queria que ele quisesse.

            — Sim. Mas você tentou falar com ele?

            — Nos primeiros dias, sim, mas Lucas estava me evitando, então parei. — Respondi. — E, como antes...

            — Não quero ficar forçando algo que ele não quer e blá, blá, blá. — Alison interrompeu.

            Essa foi a minha vez de rir. Alison deu a primeira mordida no sanduíche e eu fiquei agradecendo internamente por causa do bom-humor dela, porque aquilo foi a única coisa que me manteve feliz durante algum tempo: a capacidade dela de fazer piada com tudo.

            — A Aqua quer que a gente vá num chá de bebê da filha da irmã dela. Confuso, mas real. Parece que a nossa amiguinha virou titia. — Alison mudou de assunto.

            — Legal. — Respondi. — Mas não sei se vou.

            — Por quê?

            — Sei lá. Eu sinto saudade dela e da Alicia, mas não estou com vontade ficar saindo de casa no momento. — Falei. — E, fora isso, tenho meus próprios problemas aqui. Se bem que não seriam problemas se eu desse menos atenção para essas coisas.

            — Concordo. — Alison respondeu dando uma mordida no sanduíche e quase falando de boca cheia. — Acho que a gente precisa ir para uma festa ou alguma coisa assim. Sabe, pra espairecer um pouco.

            — Mas eu disse que não estou com vontade de sair de casa no momento.

            — Ok, ok. — Ela limpou a boca com as costas da mão. — Então só dê uma passadinha na minha casa pra gente fazer alguma coisa que não seja pensar em como os seus problemas mudaram desde o final do ano passado.

            Havia um tom de deboche na voz da Alison, algo que eu nunca tinha escutado. Ela parecia até um pouco entretida com as coisas ruins que apareceram na minha vida, mas não levei para o lado pessoal. Afirmei para mim mesmo que ela não era o tipo de pessoa que se sentia feliz pela desgraça dos outros (na minha vida, já bastavam a Alexia e o Thomas para fazerem isso). Só dei um sorrisinho e respondi, mesmo sabendo que não cumpriria a promessa:

            — Tudo bem. Pode ser.

 

QUATRO MESES ANTES...

 

            Ainda me lembro de cada detalhe daquele momento, cada mísero, ínfimo e imperceptível detalhe. O momento que mudou tudo o que eu acreditava, ainda que não acreditasse realmente no que estava vendo. Um alarme soou na minha cabeça, me alertando a olhar para o lado, sair correndo ou fazer qualquer coisa que não fosse continuar encarando o garoto parado na minha frente. A vozinha da minha cabeça, que geralmente dava conselhos intuitivos, agora berrava e tudo o que eu podia escutar era seu timbre muito alto. Vá embora, ela dizia, não fique aqui. Ele não é real.

            Eu nem sabia quem ele era, não de verdade. Conhecia aqueles olhos castanhos, aqueles ombros largos e aqueles cabelos rebeldes. Conhecia o brilho no olhar dele, a forma como sua boca formava um sorrisinho de lado, e até mesmo o modo como segurava a jaqueta nas mãos. Eu o conhecia, porém não. Eu sabia o nome dele, ou não sabia. Tudo o que sentia naquele momento era confusão e não consigo afirmar se ele sentia o mesmo. Então, num momento repentino, todas as peças do quebra-cabeça se uniram e consegui ver a imagem formada.

            Ele não estava morto. Larry estava vivo.

            A primeira coisa que me levou a acreditar que era realmente ele ali e não seu irmão gêmeo (ou até mesmo uma alucinação) foram as tatuagens. Eu conhecia aqueles desenhos de rosas marcados nos braços dele, a pirâmide illuminati e formas geométricas que, para mim, não tinham o menor significado. A segunda coisa foi a forma como ele me olhava. Eu sentia que tinha algo lá, uma espécie de brilho ou, sei lá, talvez uma sensação diferente. Só ele me olhava daquele jeito, pelo menos no momento.

            A terceira coisa foi a voz. Larry tinha uma voz grave demais para o porte dele. Tudo bem, digamos que não era o menor dos garotos que eu conhecia, com aqueles ombros largos e o corpo atlético, mas sua altura não ajudava muito – eu era alguns centímetros mais alto. No momento em que ele falou comigo, no meio da multidão, me recordei do mesmo timbre que usou quando disse algo para mim pela primeira vez. Era a mesma voz.

            A quarta coisa foram as circunstâncias. As peças do quebra-cabeça fizeram sentido naquele momento, todas elas, desde a foto rasgada no meio, que mostrava Larry e seu irmão gêmeo, até a frase misteriosa da tia dele. Pensei que estava aceitando falsas esperanças daquela mulher quando decidi acreditar que o Larry estava em algum lugar, esperando por mim ou procurando por mim; até mesmo considerei que a tia dele era alguma espécie de médium ou algo do tipo, que tinha se comunicado com ele no Além. Ridículo. Me senti muito envergonhado quando percebi que ela não estava falando nada além da verdade.

            Pensei em todos esses pontos num milésimo de segundo, e nem tive tempo de pensar em mais nada, porque Larry se aproximou com a mão levantada na minha direção. Ele queria me tocar, mas me afastei e não deixei que ele chegasse mais perto do que estava.

            — Viu? Eu não estou morto. — Disse ele, com o mesmo tom de preocupação. — Você não precisa ter medo.

            — Você morreu. — Respondi na voz mais grave que consegui. — Você estava morto. Todo mundo disse que você tinha morrido. Você teve um funeral!

            — Não era eu que estava lá. — Larry pareceu subitamente abalado e desviou o olhar. A minha intuição dizia o porquê disso, mas eu não sabia se era realmente verdade, então continuei em silêncio. — Eu preferiria que fosse, mas... você precisa acreditar em mim.

            — Não. Você é uma alucinação. Você está morto! Eu chorei por você! Todo mundo chorou por você.

            — Agora não precisam mais. Eu juro que posso explicar tudo. — Larry disse com uma voz conclusiva, estendendo a mão na minha direção de novo, contudo, dessa vez com a palma aberta como se quisesse que eu segurasse.

            Havia uma certa beleza na ocasião, percebi isso com um pouco de ansiedade. As pessoas passando ao redor, o sol quente e claro sobre nós, a música do sinal para a saída ainda tocando... tudo parecia o olho de um tornado e o meu maior desejo era ser levado pelos ventos. Eu queria muito sair correndo, me enfiar na multidão e correr na direção oposta, mas, como em qualquer olho de tempestade, aquele era o lugar mais calmo onde eu poderia estar. E lá estava lindo. De repente, Larry não pareceu mais uma ameaça ou alguém que aparentemente voltou dos mortos. Ele parecia ele mesmo.

            Sem conseguir me conter por mais nenhum segundo, com as lágrimas já aparecendo, segurei na mão dele, mas fiz algo mais do que simplesmente isso. Certa vez, tive uma alucinação com ele, ou talvez um sonho, mas jurava que tinha visto-o perto da minha casa e, quando tentei tocá-lo, sua imagem se esvaiu como fumaça. Entretanto, eu podia tocá-lo ali, no meio da tempestade, no meio da bagunça, então não hesitei em puxá-lo para perto.

            Meus braços cercaram o pescoço dele enquanto seus braços me seguraram nas costas. Foi um abraço desconfortável, porém reconfortante, por mais contraditório que isso possa parecer. Sabe aquele tipo de abraço que tem tanta emoção, tanta força, que chega a machucar? Pois é, foi o tipo de abraço que nós demos. Foi muito intenso, muito forte, muito emotivo, e o aperto dele doeu nas minhas costas e tenho certeza que machuquei seu pescoço. Entretanto, mesmo que doesse, não queria sair de lá.

            — Você está morto. — Sussurrei no ouvido dele, já não conseguindo segurar o choro.

            — Não, Greg, eu não estou. — Larry disse. — E eu juro que vou explicar tudo.

            Fiquei em silêncio. Eu sentia que, lá no fundo, escondida sobre tantos sentimentos, estava a raiva. Raiva por ele ter me feito de idiota por tanto tempo, por ter se ausentado sem dar uma única explicação. Eu queria dar um soco na cara dele, para ser sincero, porque não era o tipo de raiva passageira. Mas, mesmo assim, continuei com meus braços ao redor do pescoço dele, não ligando para o fato de que, mais do que tudo, ambos precisávamos de explicações. Por que ele se afastou de mim? E por que eu, mesmo recebendo tantos detalhes (e até mesmo uma mensagem da tia dele), nunca o procurei de volta?

            — Eu... — Falei, sem conseguir terminar a frase.

            Todo meu corpo doeu quando me afastei, tirando meus braços de seu pescoço, e quase posso afirmar que ele sentiu o mesmo tipo de dor quando deixou de me abraçar. Eu queria continuar ali, queria mesmo, mas não consegui. A sensação era a mesma de ser encurralado dentro de um tornado (ainda que eu nunca tivesse passado por aquilo, obviamente). De repente Larry se tornou o que eu queria evitar: segredos e explicações. Tudo se tornou demais para mim, então comecei a andar na direção oposta e fui direto para casa.

 

            Quando cheguei, todos perguntaram o que tinha acontecido. Até mesmo durante o percurso, pude perceber que as pessoas me olhavam com caras de preocupação. Realmente, eu deveria estar parecendo uma bola de basquete de tanto que meu rosto inchou por causa do choro. Eu não conseguia parar de chorar, e as lembranças na minha cabeça estavam claras demais. Me lembrei da forma como chorei quando recebi a notícia do acidente do Larry e, consequentemente, da sua morte; de como fiquei com um vazio dentro de mim depois disso; de como caí no lago do parque próximo à minha casa e de como eu simplesmente queria reencontrá-lo naquele momento. Eu o vi, enquanto me afogava na água suja. Eu o vi claramente. Ele estava morto. Ele estava morto.

            Entrei em casa rapidamente, contornando as perguntas dos meus familiares que estavam lá e fui direto para meu quarto. Parte de mim queria me trancar lá dentro, mas, por algum motivo, deixei a porta aberta e me preocupei em ficar parado na janela, que também estava aberta. Percebi, depois de algum tempo, que escolhi ficar olhando a paisagem além da janela porque foi lá que fiquei quando recebi a notícia da morte do Larry. Eu queria pular de lá, para ser sincero. Eu queria ser um pássaro para poder voar para bem longe e nunca mais voltar, porque voar parecia tão libertador e liberdade era tudo o que eu mais queria no momento.

            Depois de algum tempo, minha mãe apareceu no quarto e perguntou se estava tudo bem. Falei que sim, que eu só estava um pouco emotivo por saber que as minhas amigas Aqua e Alicia não iriam para a Faculdade Vargas. Ela acreditou e saiu do quarto, me chamando para o almoço. Não fui.

            Simplesmente queria ficar lá, deitado na cama, mas continuei em pé. Foi um pouco preocupante, admito, pois não tirei os olhos do horizonte até perceber que o sol estava se pondo.

 

AGORA

 

            Depois de fechar meu caderno nos últimos trinta segundos da última aula, consegui respirar fundo, tendo a certeza de que iria com uma boa nota. As notas na Faculdade Vargas não eram mais fáceis do que no colégio, obviamente, e isso estava me deixando muito preocupado ultimamente. Além de todos os outros problemas, eu tinha que me preocupar com trabalhos, provas, testes e tudo o mais.

            Alison se levantou antes de mim, me apressando a guardar o material.

            — Nós vamos perder o ônibus. — Disse ela. — Rápido.

            Soquei meu caderno dentro da mochila e lutei contra o zíper para poder fechá-la, mas consegui finalmente, com um pouco de esforço, guardar tudo o que estava em cima da minha mesa. Alison foi na minha frente, andando com passos rápidos demais. Ela realmente parecia preocupada com o ônibus, mesmo que ambos soubéssemos que ela não tinha horários marcados.

            Assim como no Colégio Vargas, a hora da saída era muito conturbada. Alunos e mais alunos tentavam passar pelas mesmas catracas, ainda que soubessem que o espaço era pequeno demais para no mínimo uma dúzia de pessoas. Eu sempre ficava atrás, acompanhado pela Alison, esperando o tumulto diminuir, porque nunca gostei de me meter em multidões – geralmente ficava sem ar e com uma sensação estranha no fundo da garganta. Alison também nunca parecia muito disposta a entrar nas multidões, então sempre ficávamos parados, olhando para as pessoas.

            E é claro que, nesse processo, algumas coisas constrangedoras aconteciam. Perdi as contas de quantas vezes captei os olhares do Larry ou do Lucas em mim, enquanto saíam, ou das vezes que eu os mirava durante a saída. Entretanto, naquele dia, algo realmente diferente aconteceu, algo que nunca tinha acontecido, algo que eu queria que nunca tivesse acontecido. Alison riu da minha cara, para ser sincero, e eu me senti um pouco constrangido, mas, além disso, fiquei com raiva.

            Foi o Larry. É claro que tinha que ser ele.

            Enquanto esperávamos a multidão diminuir, vimos o garoto passando ao nosso lado. Ele estava exatamente como antes, com uma regata cinza, uma calça jeans preta e all-stars azuis. Lindo como sempre. Parte de mim quis correr na direção oposta quando percebi que não conseguia tirar os olhos dele. Larry estava parado no meio do povo, com seu cartão na mão, esperando por alguma coisa para poder passar na catraca.

            E ele olhou para mim, com a boca ligeiramente aberta, como sempre fazia. Isso me dava arrepios.

            — Larry está te encarando. — Alison disse, cochichando ao meu lado. Ela parecia envergonhada. — Seu sortudo do caral...

            — Sortudo? — Perguntei. — Tem certeza que não sou mais azarado do que sortudo? Por que ele estaria me encarando?

            Fingi que não estava vendo-o parado na minha direção, mas estava. Ele permaneceu estagnado por um tempo, com o olhar fixo em mim e, por um momento, me deixei levar pela sensação de ser observado por aqueles olhos castanhos novamente – isso estava acontecendo muito ultimamente, quando eu captava o olhar dele sobre mim. E eu estava prestes a andar na direção dele, pronto para fazer qualquer coisa, porque era uma covardia ele me olhar daquele jeito. Não era justo. Depois de tudo, depois do que ele me fez passar, ainda me deixou num beco sem saída.

            Alison segurou no meu ombro quando dei o primeiro passo.

            — Aonde você vai? — Ela perguntou.

            — Ele parece que quer falar comigo. — Respondi.

            Foi nesse momento que tudo fez sentido, quando um garoto quase desconhecido passou ao nosso lado. Pierre. Ele foi rapidamente na direção do Larry, que abriu um sorriso ao vê-lo, como se aquela fosse a resposta. De repente, percebi que Larry não estava esperando por mim, para fazer qualquer coisa, mas sim por Pierre.

            — Droga. — Murmurei, tentando esconder meu descontentamento.

            — Greg, ele estava realmente te encarando. — Alison disse, enquanto víamos Larry e Pierre se cumprimentando e passando as catracas.

            — Eu sei.

            — Você é muito sortudo, cara. — Ela disse, parecendo indignada.

            — Sortudo por ser encarado pelo garoto que fingiu estar morto porque não queria ficar comigo?

            — Não, não por isso. Porque ele é o Larry. Ele é fofinho. — Alison se defendeu. — Além disso, você nem sabe direito se foi por isso mesmo que ele foi embora por algum tempo. É só uma teoria.

            — Uma ótima teoria. — Respondi.

            E esse foi o fim do assunto.

           

            Para falar a verdade, eu odiava conversar com qualquer pessoa sobre o Larry. Eu odiava até mesmo pensar nele – é claro que frequentemente ainda me pegava pensando nele ou recordando dos momentos que tivemos juntos, principalmente nos últimos dias antes do acidente. Foi tudo uma bagunça. Enquanto eu estava tentando esquecer alguém, mal percebi que estava marcando uma pessoa na memória, uma pessoa que nunca conseguiria esquecer. Eu estava tão ávido por superar toda a história com o Andrew, que nem percebi que estava ficando cada vez mais próximo ao Larry por causa disso. E olhe as consequências... desastrosas. Enfim, odiava ficar falando sobre a suposta morte fingida dele, porque isso me dava embrulhos no estômago – principalmente quando a pessoa escolhida para debater isso comigo era a Alison (nada contra ela, mas, sei lá, eu sentia que tínhamos tanto em comum que chegava a ser desconfortável).

            Depois que saímos do colégio, fomos direto para o ponto de ônibus e ficamos lá, esperando pelo transporte público que nos levaria para nossas casas. Nesse meio tempo, Alison ficou falando das atividades que precisávamos fazer e esse tipo de coisa – na Faculdade Vargas, o tipo de atividade mais recorrente se resumia a questionários enviados por e-mail e esse tipo de coisa. Eu concordava nos momentos que precisava concordar e fazia algum questionamento de vez em quando, apenas para não deixar o assunto morrer. Mas minha cabeça não estava ali, naquele momento.

            Eu estava pensando em outras coisas. A forma como o Larry estava me olhando não saiu da minha cabeça. Ele parecia uma ilha muito pacífica e linda no meio de tantas ondas e mares negros ao redor, isolado naquela multidão sem fim. Eu queria andar até ele e talvez teria feito isso, se Alison não tivesse me segurado. Só Deus sabe o quanto eu queria. Mas lá dentro de mim uma vozinha ainda dizia “não faça isso”. Não pense nele. Não fale com ele. Não vale a pena. Ele vai te desapontar de novo.

            Quase passei do ponto de ônibus que ficava perto de casa – se tivesse feito isso, teria que dar toda uma volta na cidade – porque estava pensando demais em outras coisas. Desci rapidamente e fui direto para dentro de casa, com a sensação de que alguma coisa estava errado, embora eu nem soubesse que as coisas estavam começando a dar errado.

            De novo.



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