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História Amargo - Capítulo 1


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Notas do Autor


Várias fanfics esperando capítulo novo, e o que eu faço? Isso mesmo! Escrevo mais uma One-shot.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Olhe pra ela. Tão fraca, tão medrosa. Tremendo como um gato assustado. De todas as coisas vergonhosas vindas da casa principal, Hinata era a pior delas. Ela era tão irritantemente gentil, a sua voz era tão baixa e suave… Por Kami, ela até mesmo  gaguejava! 


Como aquela criatura fraca poderá um dia ser chamada de líder dos Hyuuga's? Ela não tinha a coragem, a postura e o talento de alguém que havia nascido para liderar.

Hinata havia nascido para ser fraca, e fraca seria até o fim de seus dias. Esse era o seu destino. Nem ela, sendo agraciada com tanto por ser a herdeira da casa principal, nem ela, seria capaz de mudar os traços do destino.  


Isso era certo. Mas por que ela não aceitava isso logo de uma vez? O que ela estava fazendo ali, se tão certo como o sol nasceria no dia seguinte, era a derrota dela? Por que não se poupava do vexame, da humilhação que seria imposta ao ramo superior? 


— Eu nunca pensei que nós dois teríamos que nos enfrentar, Hinata — disse.

— Nem eu, irmão — Hinata disse com a voz insegura.

Neji ouviu algumas exclamações de surpresa vindas do piso superior. 

— Quando estiverem prontos, comecem! 

Neji não deveria, ou melhor, não queria poupar Hinata de nada. Ela não merecia. Mesmo assim se viu alertando-a. 

— Antes disso, um conselho: Hinata, escuta — Talvez nem precisasse dizer nada. Ela acabaria desistindo de qualquer forma. Ela ergueu o olhar baixo no mesmo instante, pronta para ouvir o que ele iria dizer. — Renda-se agora. Seu destino nunca foi ser uma ninja. 

Ela se surpreendeu. Quer dizer que não sabia? Aquilo era tão evidente para qualquer um. Era quase cômico saber que ela ainda alimentava esperanças de ser uma shinobi.

— Você é muito boa e gentil — continuou. — Você busca a harmonia e evita o conflito. As pessoas costumam influênciá-la facilmente. — Ela desviou os olhos medrosos. — Admita! Você não tem autoconfiança, e também sente-se inferior a todos aqui. — Sua voz agora estava seca como osso. — Teria sido melhor continuar simplesmente como uma gennin. Mas, para se registrar na prova Chunnin, você precisava de uma equipe de três. Você nem queria participar dessa prova, mas o Shino e o Kiba queriam, e você não podia prejudicar os seus parceiros de equipe. — Seus olhos se estreitaram. — Podia? 

Ele cuspiu as palavras como se fossem veneno. 

— Não! — Ela negou em um fio fraco de voz, balançando a cabeça. — É engano! É engano! Eu queria… eu queria descobrir.— Novamente ela baixou o olhar. Tão medrosa!— Eu vim por que eu queria ver se eu podia mudar.

Os olhos dela tremiam como se estivesse prestes a chorar. Que patética! 

— Hinata — Ele chamou a atenção dela. —, você é a descendente mimada da ramificação principal dos Hyuuga's. 

Ela o encarou, surpresa.

— O-o quê?

— As pessoas não podem mudar. Não importa o quanto tentem. — Ele lançou a verdade na cara dela. 

Ela tremeu.

— Não se pode fugir da verdadeira natureza. Um fracassado sempre será um fracassado — disse Neji, convicto. — As pessoas são julgadas por sua verdadeira natureza. O mundo é assim. É por isso que existem tantos vencedores como os fracassados . — Ela estava tão assustada. Neji sabia que não demoraria muito até que Hinata desistisse. — Podemos mudar a nossa aparência física, melhorar as nossas habilidades com estudo e treinamento, mas, no fim, somos julgados pelo o que não podemos mudar. O que não pode ser mudado deve ser preservado. Nós somos o que somos, Hinata. E temos que viver com isso. Como eu tenho que viver sabendo que você nasceu na elite de nosso clã, enquanto eu pertenço à uma ramificação inferior. — A tensão era quase palpável.  — Eu entendo isso, porque vejo o mundo claramente com o meu Byakugan.

Neji sabia de todos os pensamentos que inundavam a mente dela naquele momento. Ela dizia as palavras, dizia que estava ali por ela, mas as palavras não carregavam firmeza. A sua voz oscilava com a falta de sinceridade nela. Seus olhos estava levemente aumentados pelo medo. Quem ela queria enganar?

— Apesar do que diga, o que você quer mesmo é sair correndo — proferiu. —, afastar-se daqui o mais que puder. 

— Não! É engano — disse Hinata, sobresaltada. — Eu não quero fazer isso! 

Ela ainda insistia em continuar com aquele teatro mal interpretado? Pois bem, ele sabia o que a faria correr dali. Neji fechou os olhos, juntando as mãos no sinal de mão.

— Byakugan! — As veias saltaram no seu rosto. 

As pupilas de Hinata dilataram, seu corpo todo tremia, não escondendo o pavor que estava sentindo. Ela desviou os olhar para baixo ao mesmo tento em que levava o indicador para a frente dos lábios.

— Meus olhos não podem ser enganados — disse ele. — Há apenas um instante, num leve movimento, você olhou para o lado superior esquerdo do salão. Eu vi que, naquele momento, você estava pesando no seu passado, no seu passado amargo. E então, quase imediatamente após, você olhou pra direita, em baixo. Foi uma mera piscada de olhos, mas revelou o sofrimento físico e mental que você estava vendo na antiga Hinata. E se perguntando se está preparada para esse momento. Está visualizando o desenlace da luta. — Seu Byakugan estava ameaçador. — Você se vê derrotada. 

Ele sabia. Estava perto. Aquela criatura fraca não aguentaria por mais tempo ali. O seu corpo não mentia. De todas as pessoas do mundo, Hinata era a mais fácil de ler. Ela  nem mesmo conseguia esconder suas emoções, era um verdadeiro livro aberto. 

— E a maneira como você coloca os braços, assim, em frente ao corpo — prosseguiu.  — diz-me que está tentando construir uma barreira entre nós dois para me manter à distância. Você quer impedir que eu invada o recôndito mais profundo da sua mente. E por quê? Porque tudo o que eu disse é verdade. — Mais uma vez os seus olhos ferozes brilharam com a ameaça. — Devo continuar? 

Ela apenas o encarava. Olhos cada vez mais saltados, pernas trêmulas e respiração acelerada. 

— Esse gesto familiar de pôr o dedo nos lábios, eu sei que é uma tentativa desesperada de suprir o seu pânico crescente — disse a ela. — Mas se desespera por que sabe que é inútil. Tudo é inútil, Hinata. Você é quem é. Admitindo ou não. Você sabe disso! 

— Já chega! — alguém gritou do piso superior.

E Neji reconheceria aquela voz estridente em qualquer lugar. Mesmo que não precisasse, Neji girou o seu pescoço para olhar Naruto.

— Quem te deu o direito de dizer o que ela pode ou não pode ser? — berrou Naruto. — Vamos, mostra pra esse cara que ele errado! 

Hinata olhava para Naruto com surpresa nítida. 

— Hmmm! — Ele gritava cada vez mais alto. — Hinata, vai ficar aí parada ouvindo isso? Faz alguma coisa. Tá me deixando louco! 

Ela desviou o olhar para os próprios pés. Aquele loiro imbecil realmente achava que ela faria algo? Ela estava contemplativa, com os olhos baixos como das outras vezes, mas tinha algo diferente dessa vez...

Aquele pequeno verme...

Hinata olhou para Neji, e ele, por um segundo, achou que agora ela iria desistir. Mas não tinha medo nos seus olhos, nem insegurança em seu corpo. A tremedeira havia ido embora. O olhar dela mudou. O Byakugan, tão branco quanto o seu, não estava mais manchado com o medo. Ela estava diferente,  mais confiante. E lá no fundo, em um canto bem escondido de si, Neji sentiu uma faísca de orgulho queimar. Mas ele logo tratou de apagá-la. 

— Se não desistir da luta, você sabe o que acontecerá! 

Hinata fechou os olhos e, velozmemte, realizou a sequência de selos. Quando abriu os orbes perolados, eles estavam firmes e determinados.

— Byakugan! — Assim como em Neji, as veias saltaram em seu rosto quando o poder de sua linhagem foi ativado. Ela posicionou os membros na posição de luta do Hyuuga's. — Defenda-se, meu irmão! 

Quando a voz dela havia ficado tão firme? Novamente, Neji sentiu a pequena chama queimar enquanto assumia a posição idêntica a de Hinata.

— Muito bem, então. — Se ela queria lutar, então eles lutariam. 

Ao mesmo tempo, os dois partiram para o ataque. O brilho azul do chakra era visível quando os golpes eram trocados. Eles estavam em uma coreografia feroz, defendendo e atacando. Hinata mirou a rede de Neji e, com rapidez, desferiu o movimento que não acertou. Neji aproveitou a oportunidade para acertar o coração dela. 

— Isso é tudo? — ele perguntou quando o sangue dela jorrou na sua mão. — Esse é todo o poder da ramificação principal? 

Ela afastou sua mão e tentou acertá-lo, mas Neji segurou o seu pulso com facilidade. Ele acertou um dos pontos no braço, depois outro como se fosse um tecido sendo perfurado com uma agulha afiada. Ele ergueu os cantos da boca em um sorriso convencido, enquanto levantava a manga do casaco dela, mostrando todos os pontos que havia acertado durante a luta.

— Mas… você… — Ela estava surpresa. — Todo esse tempo? 

— Isso mesmo — disse ele. — Eu vi os seus pontos de chakra o tempo todo. 

Ele não teria piedade. Acertou ela mais uma vez. Hinata caiu, sem chance alguma, no chão.  Neji deu dois passos em sua direção.

— Olha aqui, Hinata, estou totalmente fora de seu nível. E isso não mudará. É o que separa a elite dos fracassados. — Ela estava ofegante, jogada no chão. — Você pode não gostar, mas é um fato. No momento em que você disse que não ia mais fugir, seu destino foi selado. Você está destinada ao fracasso. E, agora, está acabada e sem esperança. — Ele chegou mais perto. — Esse é meu último aviso, Hinata.  Desista da luta.

— Eu...eu… — O sangue escorria da boca dela e manchava o piso. Hinata exerceu força nos braços, tentando se erguer.— Eu… eu… jamais...voltarei…— Com dificuldade, ela ergueu o corpo e o encarou. — Porque essa também é a minha conduta ninja.

Por que ela ainda insistia? Por que não ouvia os avisos dele? Por que insistia em prolongar o sofrimento? Ela olhou para cima, na direção em que Naruto se encontrava, então Neji compreendeu… E ele não gostou. Sentiu ainda mais raiva dela. Por que ela queria mostrar algo para aquele perdedor? 

Manda ver! — ele  disse com a voz fria no mesmo instante em que ela ativava o Byakugan novamente. 

Hinata levou a mão ao peito sentindo a dor procurada pelos golpes de Neji. Mas ele não retrocedeu, assumiu a postura de luta.

— Vamos, Hinata, você consegue! — Naruto gritou para ela.

Fracassados agora se inspiravam em fracassados? Que ridículo! Mesmo que ele não entendesse, parece que as palavras de Naruto causavam efeito em Hinata. A força voltou aos olhos dela. 

Hinata correu em sua direção, partindo para o ataque direto. Mesmo sendo tão fraca, e estando tão debilitada, ela não desistia. Não o acertava, mas, mesmo assim, insistia. Por quê? Por que ela tentava? Ele a acertou, enviando-a para longe. Os pés de Hinata atritaram com o piso. 

Ela ignorou a dor, e correu mais uma vez em sua direção. Palma erguida, olhar decidido. Neji ergueu a mão e acertou o peito de Hinata mais uma vez. Ela caiu de cara no chão, sem nem sequer tocá-lo. 

— Você não entende, não é mesmo? — perguntou Neji. — Os seus golpes foram inúteis desde o começo. Está acabada. — Ele desligou sua linhagem. Não precisaria mais dela. Deu as costas, caminhando…

— Já que ela não está apta a continuar a luta… —O  juiz começou, mas foi interrompido por Naruto.

— Não! — Sua voz estava firme. — Não para a luta! 

Sakura falava alguma coisa com ele, mas Neji não prestou atenção. Seus olhos se arregalaram quando o corpo caído de Hinata se mexeu. Ela, com enorme dificuldade,  colocou-se de pé, apoiando uma perna na outra.

— O que acha que está fazendo? — Neji perguntou. Uma gota de suor escorreu de sua testa. Com a voz tensa, alertou: — Se continuar lutando vai acabar morta. 

Por que ela está fazendo isso? Por que aquele fracassado era tão importante? Neji sentiu a raiva borbulhar em suas veias, e seus olhos novamente brilharam com a ferocidade de seu Byakugan.

— Falta muito pra cabar comigo. — Hinata se esforçou para falar.

— Para de bancar a garota forte — disse. — Mal consegue se manter em pé. Você tem carregado um peso muito grande: ter nascido na ramificação principal do clã Hyuuga. Tem se culpado e amaldiçoado por ser fraca. — Ele fechou os olhos. Seu rosto tinha uma expressão de escárnio. —Mas, olha, as pessoas não podem mudar o que são. As coisas são assim. Aceite a derrota e não sofrerá mais. 

— Não. Está enganado, irmão  — Ela disse com a voz fraca e ofegante. — É o contrário. Olha, eu sei. Você que está sofrendo mais do que eu. 

—Eu o quê? — O que ela estava dizendo? 

— Você é quem está sofrendo — explicou Hinata. — por causa das ramificações principais e secundárias do clã Hyuuga. 

Neji ficou cego de raiva. Como ela ousava? Como aquela criatura fraca ousava expor o que ele tinha guardado no canto mais fundo de sua alma. Quem deu o direito? Seus pés se movimentaram automaticamente, concentrou em seus punhos todo o ódio que sentia pela família principal. Malditos! Malditos todos eles! 

Antes de acertá-la, ele foi barrado. Claro, bem típico do ramo principal. Achavam-se no direito de tudo e não sofriam as consequências. E ele tinha que aceitar tudo, senão, corria o risco de ter o cérebro transformado em mingau.  

Quando ela caiu de vez, um lado de si, o que ainda conservava aquele garotinho inocente que adorava ver os sorrisos de sua Hinata-sama, sentiu-se culpado e quis ir ajudá-la. Mas o outro lado, o que era dominado pelo ódio, era mais forte que tudo, e ele lhe dizia que ela merecia sofrer, assim como o seu pai sofrera.
















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