História Amelie - Capítulo 17


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amelie, Distopia, Jovem-adulto, Lucillie, Realeza, Romance
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Palavras 2.643
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Fluffy, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Cinthia, por onde a senhora andou nessas férias? Escrevendo! Mas não esta história, não me matem. Estava escrevendo a história do Theo e acabei me empolgando hihi. Acabei esse capítulo ontem mas já vinha escrevendo ele há um tempo. Na capa, a Ray - nossa Lucillie -, pleníssima de cabelão bem volumoso pra representar o dia q Lucillie vai flr da relação dela cm beleza. Eu smp quis inserir esse tema aqui, só não sabia como. Acho q toda mulher negra tem uma relação de briga cm sua estética, e, nos últimos tempos, a gnt tá aprendendo como superar isso. Ainda é um assunto bem delicado pra todas nós e achei q fosse relevante tratar do seu tópico. MAS NÃO TEM SÓ ISSO, hj tem uma situação cm o Theo... E, por fim, rainha Ernestine.
Boa leitura!

Capítulo 17 - Kendall Jenner de black Power


Fanfic / Fanfiction Amelie - Capítulo 17 - Kendall Jenner de black Power

Eu sempre amei moda e tudo sobre beleza, e isso já fez muito mal para mim. Consigo lembrar com clareza de quando estava entrando na adolescência e odiava meu cabelo, eu modelava os cachinhos com os dedos e muito creme para segurar o volume. O universo da beleza faz mal quando você só tem um ideal do que é bonito e tenta alcançá-lo a qualquer custo.

Fomos à Disney comemorar meu aniversário, não me lembro de qual idade. Em Orlando pude ver várias garotas mestiças como eu exibindo seus cabelos volumosos. Lembro-me de ter parado uma e ter perguntado num inglês muito quebrado o que ela usava no cabelo, ela disse que usava creme e deixava secar.

Eu consigo rir me lembrando que eu não permitia que meu cabelo secasse, estava sempre com ele molhado. Um dia passei creme no cabelo e fui para debaixo da amendoeira escrever, não me importei com o vento bagunçando meus fios e a sensação de não ter as costas molhadas até que era boa. No fim do dia ele estava todo armado igual ao das afro-americanas.

Nada paga a sensação de liberdade que senti ao ver minha juba no reflexo do espelho. Sorri para mim mesma e sacudi os cachinhos de um lado para o outro, estiquei uma espiral e soltei para vê-la fazer o efeito mola. Joguei o cabelo de um lado para o outro e o sacudi o máximo que pude, esfreguei os dedos na raiz e pulei no meu colchão até ficar ofegante.

É complicado ter que listar o passo-a-passo da aceitação de cada coisinha no meu corpo. Minha mãe conta que eu já tentei esfregar um garfo no meu braço para “arrancar a cor da minha pele”. Já passei base no contorno da boca e batom apenas no centro dos lábios para parecer ter a boca menor. Já usei produtos de pele dois tons mais claros do que eu. Sempre em busca de ser mais parecida com todas as meninas bonitas ao meu redor.

Não lembro de ter visto minhas irmãs mais velhas passarem por essas crises de autoestima, elas até tiveram a época de malhar para ficarem mais gostosas, mas nada que as fizesse chorar a noite.

Porém, lá pelos dezoito anos eu já podia me definir uma mulher confiante. É claro que eu tinha noção que eu continuava não sendo atraente para sociedade, contudo, o pior tinha passado, eu era bonita para mim.

Eu olhava para Alana, bem mais escura que eu, com traços bem mais marcantes e o cabelo bem mais crespo, e imaginava o que ela já não tinha passado para hoje estar tão confiante na frente de uma câmera fotográfica. Alana não é uma profissional, nem pretende se tornar uma depois que o nosso contrato acabar, está usando o dinheiro para dar educação para o seu filho e vai tentar um negócio próprio no futuro. Alana sabe que ninguém mais no mercado a verá com uma representante de beleza.

Passei as mãos pelo rosto cansada em frente ao espelho antes de começar minha maquiagem. Eu continuava não gostando de ser maquiada por terceiros, é algum trauma que eu tenho desde que fui rejeitada por todos os maquiadores da cidade na época da minha formatura do colegial. Comecei corrigindo as olheiras com meu corretivo favorito da M.A.C, eu teria que usar uma cor oposta às minhas olheiras cinzentas para anular aquela cara de cansada.

Não faziam vinte minutos que eu teria acabado de aterrissar em Creta, vinha da inauguração de um hospital fora da província, tive que correr para chegar a tempo do dia do lançamento da minha linha de roupas para a Versace na semana de moda.

Passei entre as modelos que se arrumavam depois de ter terminado a maquiagem, meu cabelo estava solto e eu vestia um robe, nem sabia o que iria vestir ainda. Alana tinha uma esponja sendo batucada ao redor de sua face por um maquiador, a base escura fazia contraste na esponja rosa.

- Nervosa? - perguntei.

- Eu iria perguntar isso a você - sorriu ela.

- Estou bem, - dei de ombros - só um pouco cansada. - bocejei - E ainda vai ter uma festa depois… - resmunguei.

- Obrigada por tudo, Lucillie - segurou em minha mão.

- Você merece muito mais do que tem, Alana, e ainda vai conquistar muita coisa - garanti apertando meu polegar no dorso de sua mão.

Alana é o estereótipo da mulher guerreira, a mulher que é mãe de filho sem pai, que trabalha no máximo de empregos que consegue, que teve filho jovem, que estuda meio período para poder dar uma condição de vida melhor à sua família. Ela tem um noivo e, pelo que pude perceber em seu relacionamento com Stevie, não depende dele para nada. E agora está vivendo um sonho que foi interrompido na sua adolescência por circunstâncias que toda “mulher guerreira” enfrenta.

A tal da mulher guerreira não deveria existir. Alana merecia ter completado o Ensino Médio na adolescência e não depois que já era mãe, merecia ter feito uma faculdade - talvez duas -, deveria ter escolhido com o que ela iria trabalhar. Trabalho com qualidade de vida! Nada de passar doze horas fora de casa. Merecia ter escolhido quando seu filho iria vir e seu filho merecia ter o pai ao seu lado. As mulheres guerreiras só existem porque a vida não é justa.

Eu assisti a última modelo voltar da passarela e Alana respirar fundo duas vezes antes de entrar, eu não precisaria esperar ela voltar para entrar também. Eu usava um vestido da mesma coleção, no entanto não estava ali para modelar, mas iria aproveitar a circunstância para desfilar como uma legítima Kendall Jenner. Alana me esperava no fim da passarela e nós fizemos um hi-five antes de posar para as últimas fotos. As modelos voltaram para a passarela em fila e eu procurei por rostos conhecidos na plateia.

Andrew acenou para mim e eu mandei um beijo em sua direção. No meio dos aplausos, estendi minha mão para ele e o chamei, meu garotinho olhou para o pai perguntando se podia e Túlio facilitou o caminho o estendendo para mim por cima das pessoas. Peguei Andrew e trouxe para o meu lado, ele estava sorridente porém se escondeu atrás da minha perna com o dedinho na boca.

- Tira o dedo da boca para o papai não brigar - alertei em seu ouvido.

Andrew estava para completar sete anos e cresceu muito nos últimos tempos, aquelas pernas longas estavam fazendo dele um bom cabeceador no time de futebol da escola. Aliás, não sei quem despertou ele para o esporte já que nunca recebeu incentivo.

Saí com Andrew para a festa que aconteceria depois, Túlio não queria que ele participasse, contudo Nala o convenceu já que sua filha também estaria lá.

Sim, filha. Nala e Lúcio conseguiram adotar no país de origem de Lúcio. Uma garotinha adorável e educada com sotaque francês que ainda estava aprendendo a falar nosso idioma da idade de Andrew. Seu nome era Duda, Theo que começou a chamá-la de Dudinha e agora todos a chamavam assim.

- O que queria dizer para Lucillie, filha? - questionou Nala.

- Você estava magnifique, Lucillie! - elogiou ela.

- Obrigada, meu amor! - agradeci e a abracei.

- Às vezes dá vontade de roubar essa menina de você - confessei.

- Ela é incrível - disse Nala fitando a ruivinha admirada.

Minha prima estava irreconhecível, era isso que faltava na vida dela, um pouco de Dudinha. Nenhum outro filho seria como a francesinha. Eis a bênção da adoção, acho que posso entender minha mãe.

- Onde está Andrew? - perguntou a menininha com sotaque carregado no nome do meu enteado.

- Ele está ali com o pai dele, vai até lá - apontei.

Pode-se dizer que Dudinha era o tempero que faltava na família, os pais de Nala ficaram mais unidos por causa dela, Theo estava mais feliz e Andrew tinha com quem brincar agora. Os dois não queriam se desgrudar um minuto, chegava a ser chato. Eu entendia a Duda, Andrew era uma das poucas pessoas com quem ela podia falar em francês, e meu enteado, por sua vez, estava melhorando muito no idioma por causa dela. Uma troca justa.

- O destaque da noite! - exclamou Nala ao ver Alana se aproximar - Meus parabéns! - a abraçou.

- Oi, Stevie - cumprimentei e ele sorriu de volta.

- Majesta…

- Nem comece! - interrompi - Apenas Lucillie. - corrigi - A verdadeira rainha aqui é Alana.

- Parem, meninas! - ela riu.

O sorriso largo foi diminuindo em seu rosto conforme seus olhos focaram em algo atrás de mim. Alana é muito expressiva, era visível toda aquela felicidade indo para o buraco, o brilho nos seus olhos apagando, sua boca entreaberta, seu peito subindo e descendo mais rápido.

Olhei para trás acompanhando o olhar e não encontrei uma cena muito diferente. Meu primo estava estático com um copo de uísque apoiado no lábio inferior sem realmente mandar líquido nenhum para dentro da boca, ele formava um vinco entre as sobrancelhas e estava vestido de uma seriedade que eu só via na sala de reuniões da Divisão. Nenhum sorriso sacana, apenas o olhar fixo na nossa direção.

Voltei meu olhar para o círculo que nós formamos. Alana olhava para baixo tentando se recompor sob o braço de seu noivo. Nala parecia alheia ao que aconteceu bem diante dos seus olhos, falava sobre como casamento era fácil para os homens, Stevie ria e discordava dela ao mesmo tempo que mantinha seus olhos castanhos atentos sobre a mulher em seus braços.

Estremeci ao sentir uma mão tocar meu ombro, estava tentando o que aconteceu.

- Assustei? - perguntou a voz brincalhona de sempre.

- Assustou - respondi.

- Parabéns por tudo o que está acontecendo! - ele me abraçou - Você merece.

- Obrigada. Não te vi no desfile - recordei unindo as sobrancelhas.

- Alguém tem que trabalhar quando você e Túlio estão fora. - deu de ombros - Alana - direcionou o olhar na sua direção.

Minha amiga pareceu se afundar mais ainda num buraco. Nala olhou para Theo atenta ao ouvir aquele nome saindo de sua boca. Tinha algo acontecendo.

- Já se conhecem? - perguntei casualmente.

Alana ergueu o rosto tentando ao máximo se recompor, umedeceu os lábios e forçou um sorriso.

- Ministro - cumprimentou olhando para ele finalmente.

Theo pareceu tenso e perdeu todo aquele jeito malandro. Não quis refazer a pergunta porém o jeito que Nala arregalou os olhos e como Stevie trincou o maxilar estava me deixando assustada.

- Alana… A Alana? - perguntou Nala ao Theo que não respondeu - Ah, Deus do céu… - ela sussurrou.

A mulher passou a mecha do cabelo alisado para atrás da orelha e ajeitou os ombros.

- Theo Aveyard - ele estendeu a mão para Stevie que a aceitou.

- Eu sei quem o senhor é. - respondeu ele - Sou noivo da Alana.

Theo virou o dorso da mão de Stevie para cima, invasivamente olhou a aliança em seu anelar.

- Bonito anel. - elogiou.

Eu já sabia o que viria, Theo não elogiava ninguém sem complementar com uma gracinha.

- ...Não parece ter sido comprado com um salário mínimo - um sorriso maldoso brincou em seus lábios.

Alana foi rápida ao pôr a mão no peito de Stevie impedindo qualquer reação em reflexo. Eu não precisava de uma briga hoje.

- Alana, podemos conversar um minuto?

- Claro. - respondeu ela - Pode ligar para casa para ver como estão as coisas, por favor? - pediu ela ao noivo.

Stevie não parecia muito a fim de ligar para casa, contudo aceitou o celular que ela estendeu para ele e saiu a passos duros do meio de nós.

- Com licença - ela pediu tímida e seguiu meu primo para mais distante de nós.

Nala pegou uma taça de vinho e virou metade dela de uma vez. A olhei sem entender nada.

- Eu achei que nunca mais fosse ver essa garota na vida e ela estava aqui, convivendo conosco há meses. - murmurou ela - Garota não! Mulher! - corrigiu-se.

- Nala, me situa - implorei.

- Alana foi uma namoradinha que Theo teve na adolescência, meu pai fez eles terminarem, Theo sofreu como um condenado, tinha só dezessete anos… - tagarelou como toda vez que está cheia de ideias na cabeça - Ele procurou ela outras vezes, - ela pausou bebendo o resto do vinho - muitas vezes, parece que ela não queria ele mais.

Eu não consegui segurar a risada desacreditada.

- Vai me dizer que Theo sofreu por amor? - debochei.

- Não, - disse ela - vou te dizer, prima, que ele sofre até hoje. Viu como ele estava para brigar com o Stevie...

As palavras morreram com ela olhando para onde Theo e Alana tentavam parecer que não estavam tendo uma discussão. Ela estava de braços cruzados dizendo algo com muita fúria e Theo gesticulava mais do que era acostumado. Aquilo era muita informação para mim.

Eu e Alana estivemos juntas por todas as campanhas publicitárias que se sucederam após o desfile e eu não conseguia parar de pensar nela e Theo juntos. Era tão estranho… A mulher guerreira independente e o cafajeste que sempre teve tudo na mão. Não encaixava.

A mídia reagiu de maneira positiva à toda publicidade que eu estava promovendo, parecia surreal mas eu estava agradando as pobres senhoras ricas. No fim das contas, elas só queriam uma nova linha de perfumes com o nome da rainha para ficarem felizes, se eu soubesse que não seria tão difícil…

Como nada é perfeito, a implicância com Alana como garota propaganda persistia, porém eu estava fazendo todas aquelas loiras de farmácia engolirem cartazes e outdoors com a pele preta de Alana goela abaixo. Assim como o sistema sempre me fez engolir Elara como modelo máximo de beleza a ser alcançado.

Martin parou de pegar no meu pé ao mesmo tempo que a sociedade parou de pegar no meu pé. Dei um gritinho capaz de matar Túlio do coração quando a minha digníssima sogra me sugeriu levar a campanha para Talis, segundo ela, suas amigas estavam ansiosas para saber mais.

E ela não mentia. A alta sociedade tirou o Laboutin do armário e as joias de ouro dezoito quilates para comparecer à mais uma campanha de Lucillie de Magnólia, recebi diversos elogios e fui paparicada como nunca na minha vida, nenhum olhar de estranhamento, rainha Ernestine fazia questão de me apresentar como uma filha querida e até a mãe da falecida Elara estava circulando pelo lugar.

Eu cruzei os braços olhando para o salão lotado de mulheres brancas. Magnólia é mesmo interessante… Parte da população precisa muito de pão, e outra parte só quer um pouco mais de circo. Eu não conseguia parar de pensar em qual seria meu próximo passo tendo os empresários e suas digníssimas esposas na palma da minha mão.

- Rainha, muito obrigada pelo convite para estar aqui - agradeci à minha sogra.

- Obrigada a você por ter vindo. - respondeu ela parecendo até que gostava de mim - Eu não poderia deixar de te apoiar justamente quando está encontrando seu papel no reinado do meu filho.

Ah, ela sabia escolher palavras! Ainda mais sabendo que falava com uma bacharel em Literatura.

- Bom, eu fico agradecida, rainha - murmurei só por educação.

- Quero a retribuição do favor - anunciou rápido.

- Como eu poderia ajudar a rainha? - prontifiquei-me.

- Túlio é um cabeça dura, - bufou ela - tente fazer a cabeça do meu filho, eu sei que você consegue - disse como uma legítima ordem real.

- Com que finalidade, rainha?

- Vou me casar - anunciou sem rodeios.


Notas Finais


E então, beninas...! Queria q vcs compartilhassem, se sentirem a vontade, a trajetória de vcs cm suas próprias belezas. Adoro conhecer mulheres fortes. Pegaram a visão do Theo e Alana? E essa de rainha Ernestine no final?
Bjs!


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