História Amiga ou Namorada? - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Sun Jing, Tamen De Gushi
Visualizações 28
Palavras 1.539
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo 5


 

          - Tudo aconteceu quando eu tinha sete anos, eu ainda morava em Clearwater na Flórida com meus pais. Por conta dos vizinhos soubemos que o Almirante Hayato do 2°Batalhão da Marinha estava entre nós. O pai da Qiu. Naquele verão, o mesmo decidiu passar as férias na Flórida, junto com sua família. Eles se hospedaram em um hotel que ficava a quatro quarteirões de distância da minha casa. A princípio ele era uma boa pessoa, deixava a Qiu posar na minha casa, brincar comigo e aos sábados íamos á praia. Gostávamos do píer onde podíamos observar o incrível pôr do sol escutando Beethoven e Ac Dc, Qiu sempre levava papel e lápis de cor, gostava muito de desenhar. Prometemos que aquele era nosso lugar especial, o lugar para quando Qiu fosse embora e no próximo verão voltasse, poderia me encontrar lá, porque eu estaria esperando. Qiu não voltou no próximo verão. Na verdade, ela e seus pais voltaram um mês depois. Voltaram para ficar. À medida que fomos crescendo, nossa amizade cresceu junto. E aos doze, eu descobri que sentia algo mais pela Qiu. Algo que nunca seria compreendido e aceito. Principalmente pelo seu pai.

          Em um sábado que á primeira vista seria como todos os outros, algo diferente aconteceu. Qiu e eu nos beijamos. Aquele tipo de beijo acidental e inocente. Isso é claro, chegou aos ouvidos do Almirante, como, eu não sei. A história chegou um pouco diferente do que realmente aconteceu e, é claro que o Almirante nunca permitiria que sua filha fizesse tais coisas. Pensava em quando sua filha iria se casar, e dar bons netos ao seu legado. Meus pais tentaram resolver, dizendo que não passava apenas de um mal entendido e que as duas eram apenas boas amigas. Mas aos doze anos eu já sabia que algo tinha mudado. E Qiu também. Inclusive repetimos aquilo, não sendo como acidental. Pelo contrário, queríamos aquilo e gostávamos daquilo. Ali, descobrimos nossa sexualidade.                                                                                                                                                        

           Com o passar do tempo, nossa relação tinha ficado mais íntima. Isso é, mais abraço, mais beijos. Nosso comportamento tinha ficado diferente e as pessoas ao redor sabiam que aquilo não era apenas uma amizade normal entre duas garotas. Então, em um dia quando eu estava voltando da escola eu recebi a noticia de que a Qiu foi embora e que não iria mais voltar. A princípio eu não soube como reagir, mas eu sabia que faltava um pedaço de mim, sem minha amiga, sem minha companheira. Com quinze anos consegui a emancipação dos meus pais e me mudei pro Japão. 

         Quando eu tinha idade de fazer provas para tentar alguma bolsa de estudo, ou alguma vaga na faculdade, eu e minha família tínhamos levado outro choque. O Almirante tinha mandado uma carta pros meus pais, que enviaram pra mim depois. Que aquilo que eu tinha feito, tinha envergonhado a família dele e portanto tomou providencias pra que eu não tivesse chances alguma em qualquer faculdade e qualquer chances de ter um algum emprego em uma empresa grande. O Almirante tinha colocado meu nome em sua lista negra. Depois de tantos anos, e ele ainda conseguiu ferrar ainda mais minha vida. 

       Depois de tudo isso e depois de cinco anos a merda do destino prepara esse passeio louco onde a escola em parceria é a escola da Qiu. Então, basicamente é isso o que está acontecendo Matsu...

       Quando terminei de falar encarei Matsu, que estava com uma cara muito confusa e meio triste em relação a tudo. Ele não respondeu, levantou da cama e foi em direção á janela observar o mar. 

  -Estou sem palavras... – disse, virando-se para me encarar – Quer dizer... Você nunca tinha me contado dela...

 -Era muito difícil falar dela pra alguém – falei. 

 -Mas eu sou seu melhor amigo Sun. 

 -Eu sei Matsu, mas você tem que ver meu lado. Chegou a hora e eu te contei quando me senti confiante em compartilhar. 

       Quando percebi que ele não falaria mais nada, andei em sua direção e estendi os braços, como que pedindo um abraço. Ele não recusou, deu alguns passos e entrelaçou seus braços em minha cintura e me puxou para mais perto de si. 

 -Mas como tem tanta certeza que é a escola dela? – ele perguntou. 

 -Minha mãe andou dando uma stalkeada nela. Soube por alguns amigos que trabalham em San-Drum, então eu acreditei. 

 -Ah... 

        Ficamos um tempo olhando o mar antes de irmos dormir. Na hora da troca de roupa, Matsu e eu viramos de costa um para o outro. Tirei a calça e fiquei apenas com a camiseta grande que cobria boa parte da minha bunda, Matsu tirou a camiseta ficando apenas de shorts. Cada um foi pra sua cama, pensando em como seria amanhã. Quando estava quase pegando no sono, fui despertada com a pergunta do Matsu. 

 -Então quer dizer que você gosta de meninas, hein? – disse dando uma risadinha.

-Eu gosto dos dois, tá? – respondi meio irritada. 

-Tá...

     Senti um grande alívio, como se algo pesado estivesse nas minhas costas e finalmente tivesse saído. É sempre bom ter alguém pra desabafar, e eu já tinha guardado aquilo tempo demais, já era hora de contar pro Matsu. De repente, meu coração começou a se acelerar e tive que levantar pra dar uma acalmada. O negócio é que as coisas não vão melhor só porque desabafei com Matsu, elas vão piorar amanhã. Peguei uma água no frigobar do hotel, vesti a calça e saí do quarto. Passei pela recepção e ao chegar lá fora, meu coração se acalmou com o barulho das ondas. Abri a garrafa de água e sentei na areia. Comecei a pensar nela, se estaria namorando, se ainda gostava do píer, se ainda desenhava, se sentia saudades de mim e se sabia o que o pai dela tinha feito comigo. Tantos e se... De uma coisa eu quase tenho certeza, Qiu nunca vai deixar de ser tão feminina, sempre usando saias e vestidos rosa, sapatos delicados assim como ela e sendo sempre a boa moça, delicada, sensível e amorosa. Qiu disse uma vez, que uma das coisas que a fez gostar de mim foi que eu era o oposto dela. Sempre com roupas pretas e acima do meu tamanho, usando o mesmo all star surrado e sendo grossa, explosiva e sarcástica. Pensar nela me trouxe um sorriso bobo no rosto, acompanhado por lágrimas. Eu a amava, mas meus sentimentos se confundiram com o passar do tempo. E o pior de tudo, é que quando eu penso sobre ela é inevitável não pensar no pai dela, porque é difícil esquecer uma pessoa que te ferrou completamente. 

          Meus planos eram simples, terminar o colégio, fazer alguma faculdade e começar a trabalhar. Mas é horrível quando você vai tentar fazer uma prova pra ter vaga em alguma faculdade e todos seus amigos passam menos você. Eu iria fazer de novo no próximo ano se não fosse pela carta, na verdade eu até acho que me sai bem da primeira vez.  Matsu não queria que eu desistisse, mas ele ainda não sabia da verdade. Agora, só o que me resta é esperar. Todo mês meus pais me mandam dinheiro, mas quando eu completar dezoito anos eu vou ter que procurar por alguma coisa, não é possível que não vá poder nem trabalhar em loja de lámen. Mas a questão não é essa, arrumar emprego é fácil, mas não em uma empresa boa e de nome... Meus amigos vão cursar faculdade, arrumar um bom emprego e eu? O que vai ser de mim?  Meus pais não podem me dar dinheiro a vida toda e eu não vou conseguir o emprego que quero. Abri a boca de sono ao pensar em todas essas coisas, me preocupar não adiantaria. Preferi então pensar nas duas semanas na praia com os meninos, com o Matsu. Matsu, grande amigo é o Matsu. Lembro quando voltei pro Japão e ele foi o único a conversar comigo, ele tem muita vontade de conhecer a Flórida, então quando eu disse que vinha de lá o assunto fluiu muito rápido e não demorou pra termos uma grande amizade, sempre me apoiando em tudo, tinha dias que eu queria contar tudo, mas não me sentia preparada e ver aquela carinha triste dele quando contei pareceu que perdi a confiança com ele. Apenas observando o mar, fiquei um tempo sem pensar em nada apenas relaxando e sentindo a brisa pelo meu rosto, só então me dei conta de que vou dormir no mesmo quarto com Matsu por duas semanas. Era fato que tínhamos uma intimidade muito grande, mas nunca ficamos tanto tempo tão juntos e de todos esses anos que conheço ele dá pra contar nos dedos quantas vezes já dormiu lá em casa. Inclusive, uma dessas noites foi inesquecível pra mim...

              Sentada ali sozinha, tive a leve impressão de que alguém estava me observando de longe, balancei a cabeça afastando essa ideia e dizendo que era loucura minha. Mesmo assim sentindo aquele incomodo levantei rapidamente e voltei para o hotel. Olhei na recepção desejando não encontrar ninguém, estava indo pro quarto quando um garoto de cabelo preto e camiseta azul passou por mim, não o conhecia mas eu reconheci o cheiro. Era muito familiar e era o cheiro dela. 



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