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História Amigos ? - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 3


Esse é outro motivo por que não consigo nem pensar em Will desse jeito: ele é bem galinha. Como amiga, não me incomodo, mas como mulher? Jamais. De jeito nenhum. Nem com todos os exames de DST  do mundo.

 - Ei, o que aconteceu com a regra de usar camiseta na cozinha? -pergunto, enfiando outra colherada de cereal encharcado de leite na boca.

 - Essa regra não existe -ele rebate, com uma piscadinha para a cabeça-oca. A expressão dela se suaviza um pouco, e preciso me segurar para não mandar a garota cair na real. Sinto vontade de dizer que as piscadinhas são distribuídas às centenas, mas para quê? Está escrito na calça de Belinda que ela é uma cabeça-oca.

- Existe, sim, uma regra sobre usar camiseta na cozinha  -insisto. - É anúmero catorze. Por falar nisso, onde estão as regras?

- Não faço ideia -ele diz, abrindo a geladeira quase vazia e examinando-a rapidamente antes de desistir e se servir de uma xícara de café.........- Mas posso ter usado para limpar suco de laranja da mesa outro dia.-Ele estala os dedos. - Não, espera aí, lembrei. Eu joguei fora, simples assim. 

Aponto para a porta.

 - Vai se vestir. Agora. 

Ele lança um olhar para Belinda.

Ele fala

 - Ela não consegue se controlar quando vê o tanquinho. Quase desmaia.

 Belinda  dá uma risadinha, mas me lança um olhar interrogativo, como se estivesse tentando se certificar de que eu não ia mesmo desmaiar diante do corpo impressionante de Will. O cara parece uma máquina. Só cabula a academia quando a ressaca é brava.

- Quer sair para tomar café? -Belinda  pergunta a ele.

 Ah, pobre cabeça-oca. Nem imagina onde se meteu.

 Will faz cara de lamento.

 - Adoraria, mas prometi que iria até a IKEA com Maite comprar uma prateleira pra coleção de bonecas dela.

Pego uma colherada enorme de cereal, o que me impede de falar, então me contento em olhar feio para ele.

 Will está quebrando outra regra da casa: Não usar o nome Maite para dispensar uma garota pela manhã.

 Acho que inclusive acrescentei uma nota de rodapé à regra: Principalmente mencionando a IKEA. Odeio essa loja.

- O namorado dela não pode fazer isso -Belinda pergunta. 

Ah, péssima jogada, cabeça-oca. Deixa na cara que está tentando descobrir se sou ou não uma concorrente.

- Ele é um cara delicado -Will responde, animado. -Tem mãozinhas minúsculas. 

Mais uma regra quebrada: Não falar mal de Daniel  para usar Maite para dispensar uma garota pela manhã.

 Daniel não é delicado. Ele pode não ser fanático por academia como Will, mas não é um molenga, e suas mãos não têm nada de minúsculas.

 Por outro lado, interferir na conversa só manteria Belinda  na casa por mais tempo, e eu gostaria que a cabeça-oca voltasse logo para o alojamento.

 Dou a última colherada no cereal e levanto.

 - Acho melhor a gente ir -digo, ainda mastigando. - A IKEA fica uma loucura de sábado, e as prateleiras grandes podem acabar

- Quantas bonecas você tem? -Belinda  pergunta com uma expressão dividida entre desprezo e pena.

- Cinquenta e sete -digo na maior cara de pau. - Na verdade, Will, se você for demorar, acho que vou dar uma penteada nos cabelos delas. Ontem à noite percebi que o da Polly está meio embaraçado.

 Will vira todo o café, se afasta do balcão e sacode a cabeça negativamente para mim e fala

 - Coitada… Tão maluquinha…

 Então ele vira para Liz, põe as mãos em sua cintura fina e a puxa com um sorriso de desculpas.

 - Que tal deixar o café da manhã para outro dia?

 Mal consigo segurar o riso. No dicionário de Will, “deixar para outro dia” é sinônimo de “vou apagar seu telefone assim que for embora"

 Em menos de um minuto, Will está conduzindo Belinda  porta afora. Para minha surpresa, ela nem fica irritada. Vou atrás dos dois, só para provocar, observando enquanto Will cochicha alguma coisa em seu ouvido. Ela arregala os olhos e abre um sorriso de compaixão para mim, como quem diz que vai ficar tudo bem.

 Então se dirige para a calçada com um aceno.

- O que foi que você disse pra ela?

pergunto, dando um gole no café enquanto observo a partida de Belinda.

 - Que você era uma órfã e que a única coisa que sua mãe deixou foi uma boneca chamada Polly. Daí a obsessão.

 Balanço negativamente a cabeça.

 - Você sabe que vou reescrever as regras da casa. Com item ‘nada de bonecas a mais.

Belinda  dá um último aceno. Ben e eu retribuímos, mas não consigo me segurar quando ela vira as costas para ir embora. 

- Boa ressaca moral! -grito, com a voz mais doce de que sou capaz.

 Ela vira a cabeça de imediato tentando determinar se me entendeu direito, mas Will põe a mão na minha cabeça e me empurra para dentro, fechando a porta. 

Will esfrega o abdome num gesto distraído enquanto me olha de cima a baixo.

 



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