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História Amigos De Quarto - Capítulo 25


Escrita por: e natebarros


Notas do Autor


Sim, é isso mesmo o que você leu, O EPÍLOGO FINALMENTE SAIU!!!

É um especial que eu e a Nate decidimos postar, já que fez um anos que esta fanfic foi encerrada, muito tempo, minha gente...

Vou confessar que eu gostaria de ter postado este epílogo em setembro do ano passado, quando fez um ano que nós a começamos, no entanto, a correria do dia-a-dia não deixou que fosse possível. Mas nós estamos lhe trazendo isto agora e esperamos que vocês gostem!

E eu não posso de deixar de agradecer a minha querida amiga Nate Barros, porque sem ela isso jamais teria sido possível! sz sz sz

BOA LEITURAAA

Capítulo 25 - Epílogo: O nosso primeiro beijo.


Fanfic / Fanfiction Amigos De Quarto - Capítulo 25 - Epílogo: O nosso primeiro beijo.

Irene já estava cansada de tanto trabalho facultativo. Resolver suas lições e ainda fazer estágio era em demasiado desgastante para a mulher. No entanto, não era apenas ela quem se entupia de afazeres, já que Taehyung também estagiava num escritório que ficava do outro lado da cidade, um pouco distante de Gangnam. E foi por isso que eles optaram por comprar um carro.

O casal já namorava há quase três anos. Estavam juntos apesar de toda a correria. É óbvio que sempre aconteciam loucuras dentro do pequeno apartamento, era inevitável para os dois jovens. Mas as diferenças também gritavam constantemente. Ambos possuíam personalidades distintas: enquanto que Joohyun sempre fora metódica em suas ações, Taehyung ainda nutria o lado aventureiro e despreocupado, para o pânico da mais velha. 

Eles acordavam cedo todos os dias, às vezes na mesma na cama ou em camas diferentes. Irene, na maioria das vezes, pulava cedo de sua cama, já que o namorado quase sempre gostava de agarrar o travesseiro e só se levantar quando o corpo estivesse inteiramente descansado. Isso a incomodava um pouco.

A mulher já estava no auge de seus vinte e dois, quase vinte três, e ainda assim precisava alertar Taehyung de não perder o horário. Sem contar com o fim de semana, quando precisam fazer a faxina e Taehyung insiste pra não se importarem tanto. Mas a verdade é que quando Irene o chama para fazer algumas loucuras, ele não pensa duas vezes.

Nesses anos que se passaram desde que começaram a namorar, eles brigaram inúmeras vezes e se separaram quatro vezes, mas sempre retornavam dois dias depois. 

Só que agora Joohyun estava no limite e precisava dar um basta nessa história. Ou Taehyung mudaria seu jeito, ou ela iria abrir mão daquele relacionamento.

— Taehyung! — Gritou seu nome da cozinha. — Aish! Será que dá para vir tomar café logo? Já são seis e quarenta! 

— Aigoo… — O rapaz surgiu com a camisa mal abotoada e com o cabelo um tanto bagunçado. — Estou indo, Joo…

— Meu Deus… — Suspirou profundamente. — Olha só para você! Nem parece que está indo para faculdade! 

— O que tem eu? Já estou vestido, ué… — Deu de ombros e se sentou na mesa para tomar seu café.

— A sua camisa está desajeitada, seu cabelo não vou nem comentar, aliás, você vai de chinelo? 

— O que importa é que eu irei estudar, Joohyun. Pare de reparar na minha roupa! — O rapaz resmungou.

— VOCÊ ESTÁ PARECENDO UM MORADOR DE RUA, TAEHYUNG! — Gritou.

O Kim jogou o pão de forma que degustava na mesa e saiu da cozinha. Adentrou em seu quarto com raiva, recolheu a mochila e logo se retirou da sala.

— Taehyung, volta aqui… Taehyung! — Porém, ele já havia batido a porta.

Irene respirou profundamente e resolveu organizar a mesa. Pois é, existiam aqueles dias em que a jovem acordava de mau humor. Contudo, esperava um pouco mais de zelo do rapaz. Como ele poderia ser tão desleixado? Às vezes, nem parecia que ele iria se tornar um advogado.

Taehyung ajeitou sua camisa no ponto de ônibus. Estava bravo, totalmente bravo. Passou a mão em seus cabelos, coisa que costumava fazer quando está inconformado com algo. Ele não gostava do mau humor de sua namorada. Joohyun nunca perdia a oportunidade de tentar criticá-lo em algo. Sempre sendo certinha, sempre querendo as coisas no seu momento e do seu jeito. Algumas vezes Taehyung se perguntava por que os dois ainda estavam juntos.

Enfim, o ônibus chegou e Irene saiu correndo de seu apartamento. Felizmente ela conseguiu chegar a tempo. Quando entraram no veículo, Taehyung se sentou no mesmo banco de sempre, porém a garota não fez o mesmo: resolveu se acomodar no banco de trás e ficar sozinha mesmo. Ele não questionou nada e a viagem seguiu da mesma forma. Quando chegaram na faculdade, sequer deram um selinho de despedida, seguiram para os campus separados e nem olharam para os lados. A briga estava sendo levada a sério.

Joohyun entrou em sua sala e se sentou ao lado de Jennie, quem até então estava focada num livro literário. Porém, a Kang notando a expressão fechada de sua amiga, resolveu deixar a leitura de lado.

— Hm, alguém amanheceu com o pé esquerdo hoje… — Comentou tentando descontrair.

— É isso o que acontece quando se tem um namorado idiota. — Afirmou.

— Brigaram de novo, Joo?

— É impossível, Jennie! O Taehyung é muito infantil, aish…

— Tá, qual foi o motivo? — Virou seu corpo para ficar de frente com a Bae.

— O de sempre, né…

— Oh, amiga… — Segurou a mão de Irene. — Você precisa se preocupar menos com essas coisas. 

— Ele me diz isso também. Mas ser organizado não é uma doença que mata, Jen. Taehyung acha que a mão dele vai cair se ele passar um pano da estante! — Ela reclamava.

— Por que não conversa com ele sobre isso?

— E adianta?

— Você já tentou por um acaso?

— Eu perguntei se adianta, Jennie!

— Aigoo… depois a gente conversa, a professora chegou.

Do outro lado não era nada diferente. Bogum ouvia seu amigo reclamar incansavelmente da namorada, já estando acostumado com as reclamações também. Todavia, nem Jennie, muito menos Bogum sabiam o que dizer para aquele casal tão ignorante. Ambos estavam errados de certa forma, mas custavam muito a aceitar tal fato.

 

[...]

 

No horário do almoço, Jennie e Irene se reuniram numa das mesas que havia no campus para comerem e conversarem. O assunto não era o mesmo da manhã, era sobre as pessoas da residência no hospital: extremamente insuportáveis. Mas no meio da conversa, mais uma companhia apareceu e era Taehyung querendo uma reconciliação.

No momento em que ele pôs seu lanche sobre a mesa e se acomodou de frente para a namorada, Joohyun na hora quis se retirar de seu lugar. Mas Jennie segurou seu braço, pedindo com olhar para que ela fosse mais madura.

— Joo, por favor… — A Kang disse.

— Aish, deixa disso, Irene. Foi apenas uma briga, não precisa criar caso à toa.

— Eu tô criando caso à toa, ou é você que não mede esforços para me tirar do sério, Taehyung? — Ela ergue o tom da voz.

— E por que eu te tiro do sério? Só porque eu vim vestido assim hoje? — O rapaz refutava, como se toda a irritação da namorada fosse em vão.

E Jennie, mais uma vez, escutava toda a briga de camarote, sem ter a chance de interromper algo.

— Você me irrita! Me irrita diversas vezes! — A Bae bufou.

— Ah, eu te irrito? Ok, beleza... — Taehyung recolheu suas coisas e se retirou da mesa sem dizer mais nada.

Por um breve segundo, Joohyun até se arrependeu por ter dito demais, mas às vezes ela não conseguia segurar as palavras: elas simplesmente saíam. Não o seguiu, somente se sentou em seu lugar e pôs a mão no rosto, querendo tapar sua decepção. Jennie abraçou sua amiga de lado e passou a confortá-la, como sempre fazia.

Já Taehyung havia ficado tão irritado, que jogou seu lanche no lixo, sem ao menos ligar para sua fome. O Kim sumiu pelo campus e só reapareceu na hora da aula.

— Vocês dois não conseguem resolver as coisas de maneira civilizada? — Disse Jennie.

— Não tem jeito, Jen! O Taehyung é um idiota, não sei por que ainda insisto nessa história... — Irene falava de forma emotiva.

— Não me diga que...

— Eu vou terminar esse relacionamento de vez. E dessa vez não tem volta! — Interrompeu sua amiga, dizendo o que ela já sabia.

— Ih, lá vem você... — A Kang revirou os olhos.

— Eu juro que é para valer, Jennie! Não tem mais condições... se eu continuar agindo de forma amorosa com o Taehyung, é capaz que algum dia eu o mate.

— Tudo bem, eu acredito em você... — Mas, era fato, ela não acreditava no papo furado da mais velha.

Ao fim do intervalo, as duas voltaram juntas para a sala e o dia continuou normalmente.

 

[...]

 

— Já decidiu como vai ser o término dessa vez? — Perguntou Jennie para Irene, arrumando sua mochila nas costas e a seguindo até a saída da sala.

— Nada muito dramático. Acho que Taehyung já sabe que isso vai acontecer. — Joohyun caminhava um tanto cabisbaixa. No fundo, ela estava um pouco triste por ter que fazer aquilo.

— Tem certeza mesmo de que quer fazer isso, Joo? Porque vocês já fizeram isso outras vezes e ainda assim voltaram no final. Mas o que mais me preocupa é o meio desse enredo, onde você sempre acaba sofrendo bastante.

— Ah, Jen, é doloroso..., mas eu tenho que fazer isso. Não tem mais condições: eu e o Tae somos diferentes demais para namorarmos. Nossa relação não tem futuro.

Jennie já havia ouvido tudo aquilo que a amiga estava falando. E apesar de sempre apoiá-la e não hesitar em fazer tal coisa, já estava cansada de socorrê-la por aqueles mesmos motivos. Dessa vez, ela precisava fazer alguma coisa para dar um basta definitivo nesse “vai e volta”.

Como o sinal bateu mais cedo, o ônibus de Joohyun chegaria ali em uns quinze minutos. Por mais que tivesse brigada com seu namorado, ainda teria que voltar para a casa com ele. Olhou para o outro lado do prédio para ver se, dentre as pessoas que saíam daquela ala, Taehyung estivesse por lá. Porém, viu somente a figura de Bogum saindo, enquanto que o rapaz não estava por perto.

Vendo que o Park se aproximava, a Bae foi até ele e resolveu questioná-lo sobre o Kim: — Bogum-ssi, onde está Taehyung?

— Ah, ele... — Coçou a cabeça, como se não conseguisse responder. — Ele saiu mais cedo hoje.

— Mais cedo? Por quê? — Perguntou incrédula.

— Bem, ele estava um pouco bravo. Não me falou nada sobre isso. Apenas me falou que iria pra casa. — Deu um sorriso amarelo.

— Aish! Aquele cretino... — Resmungou consigo mesma. — Provavelmente, ele falou mal de mim para você, não é mesmo?

— Ah, um pouquinho só... — Bogum gesticulou com os dedos. — Espero que tudo se resolva entre vocês, Joo. Até! — Ele acenou e se retirou.

— Tchau... — Irene bufou e voltou para o lado de sua amiga. — Aquele idiota foi embora sem mim, Jennie!

— Nossa, ele deve estar bravo... — A Kang comentou.

— E daí? Eu também estou e nem por isso fui embora sozinha...

— Joohyun, eu ainda acho que vocês dois têm que conversar!

— Jennie, eu já falei que...

— Sim, você falou isso um milhão de vezes! Eu já decorei tudo! Mas pensa bem: vocês dois formam um casal tão lindo. Se lembra dos momentos que tiveram juntos, de todas as coisas boas que compartilharam, isso não é algo que pode ser levado em consideração?

— Ah... — Joohyun começou a pensar.

Haviam vários momentos lindos que os dois tiveram, como o pedido de namoro no parque de diversões, a declaração que o Taehyung fez no telhado do prédio onde moram, as vezes em que eles assistiram filmes de terror e o rapaz sempre abraçava a Bae, também quando ele a defendia de outras pessoas, os jantares românticos que tiveram, enfim... realmente, havia muita coisa a ser levada em consideração.

— Pensa em tipo, sei lá..., o primeiro beijo de vocês! — A Kang sugeriu.

— Hm... — Irene fez uma careta. — O nosso primeiro beijo foi meio controverso, porque a gente meio que tava bêbado...

— Ah, é...

— Não, espera. — Irene ergueu a cabeça, como se uma memória estivesse vindo em sua mente. — Puxa, eu não acredito que me esqueci dessa história!

— Que história, amiga? — Jennie estranhou.

 

[...]

 

14 de fevereiro de 2012, Daegu.

 

Era um dia, mais ou menos, frio. Bom, o inverno ainda pairava em Daegu. Logo às seis e meia da manhã as ruas já estavam enfeitadas com corações vermelhos e roxos. No portão das casas continham buquês e pétalas de rosas. As pessoas respondiam os “bom dia” de maneira mais harmônica.

Mas o motivo para todo o enfeite era justamente a comemoração de uma das datas mais importantes do ano: o dia dos namorados.

As pessoas já acordavam pensando no que comprar para seus respectivos parceiros. Uma festa mútua, repleta de beijos, sorrisos e carícias. Bom, menos para Irene, quem via aquele dia como apenas mais um do calendário.

A Bae acordou com o barulho de uma música melosa sendo tocada por um carro de som em plena seis e meia da manhã. Levantou-se com o maior ódio que poderia sentir em sua vida. Fez as higienes matinais e partiu para o café da manhã junto à sua família. Não queria conversar com ninguém, pois sabia que escutaria as mesmas provocações vindo de seu irmão mais velho, vulgo Heechul.

Joohyun terminou o café da manhã e deu um beijo em sua mãe e em seu pai antes de ir para a escola.

— Tenta arranjar um namoradinho só por hoje, Joo… — Heechul brincou.

— Aish! Cala essa boca! — Ela o repreendeu, logo fechando a porta de casa e indo de encontro com o seu amigo que morava na casa ao lado. — Oi, Tae! — O cumprimentou.

— E aí, Joo! — Ele a abraçou sorridente. — As ruas estão bonitas, não acha? 

— É uma perda de tempo isso tudo! 

Taehyung a mira com certa perplexidade em seu olhar, não entendendo o motivo da amiga estar tão revoltada com um evento tão cultivado pela cidade. - por que pensa assim, Joo?

— Você sabe, Tae — ela sorriu de forma óbvia, tirando o braço do amigo de volta do seu pescoço — Isso é tudo comércio, baboseira de televisão para as pessoas comprarem horrores, e ainda ficar jogando na cara dos outros que, vivem um romance perfeito, aish. — a irritabilidade de Bae Joohyun nos meros dezesseis anos de idade era quase palpável.

— Acho que está exagerando um pouco. — ele conteve o sorrisinho colocando as mãos no bolso, Irene o entreolhou ajeitando a touca de lã na cabeça. — Hoje é um dia de alegria, Joo. Já que não tem namorado, podia ao menos entrar no clima né?! — disse estupidamente, fazendo com que a Bae parasse de andar.

Taehyung engoliu a seco, fitando com receio os olhos da amiga.

— Okay. — enunciou firmemente, sem pressa nenhuma para chegar na escola — Primeiro: Este é um dia de alegria SÓ para alguns. Segundo, você também não namora. Terceiro: Eu não preciso entrar em clima romântico sendo que tudo o que eu quero é que esse dia termine logo.

— Yah, não venha falar que eu não namoro, hein.

— Me poupe Taehyung, correio elegante é completamente ridículo. — ela balançou a cabeça e decidiu acelerar o passo, passando pelo amigo, apertando o casaco em torno de si. — Mas se você acha que ter um monte de contatinho de piriguete na escola te ajuda na auto estima, bom pra você.

Depois do coice bem dado, o mais novo optou por se calar pelo trajeto. Ao chegarem no colégio, cada um foi para a sua carteira. Enquanto Irene não demorou para se concentrar na matéria, Taehyung não parou de pensar nela, por um segundo sequer, mesmo enfiando a cara dentro de um livro.

Pensou em mandar um correio elegante para sua melhor amiga, mas depois do comentário da Bae, o garoto temeu que ela rasgasse o bilhetinho antes mesmo de ler o conteúdo.

Certamente não estava certo, ele não podia aproveitar o dia sendo que Irene o repudiava, não queria que a data ficasse lembrada como algo ruim e pesado para ela. Pela primeira vez naquela comemoração, Taehyung pensou mais na outra do que nele próprio, queria que Joohyun sorrisse!

Com aquilo em mente, ele mordeu a tampa da caneta.

Os vinte minutos de intervalo foram suficientes para que Kim Taehyung executasse o seu plano, torcendo internamente para que nada desse errado. Ao retornarem após o sinal, Joohyun notou que seu melhor amigo ainda não havia entrado, mesmo assim relevou, já que ele havia sumido desde o intervalo.

Um barulho gradativo de buzinas foi se aproximando da porta da sala, não demorou para a euforia tomar conta dos estudantes, menos de Joohyun, que bufou ao perceber do que se tratava.

— CORREIO ELEGANTEEE! — O rapaz gritou entusiasmado e logo atrás, veio a figura festejante de Kim Taehyung, com aquele sorriso único exalando em seu rosto. Ao ver o amigo ali, a boca da Bae se abriu aos poucos, não demorou para por uma mão no rosto.

— Como essa é minha sala, eu resolvi ajudar o pessoal do grêmio neste grande dia. — o Kim se explicou perante a turma. — Eu tive a permissão para ler em voz alta alguns, então não me xinguem.

Algumas risadas percorreram e aos poucos, Irene foi voltando a fitá-lo.

— Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão — Taehyung começou a ler o primeiro correio — Quando Soori aparece, me dispara o coração. — ele falou para uma das garotas no fim da sala que sempre se isolava, por ser muito tímida. A-ao ver aquilo, Joohyun se virou para trás, notando as bochechas da garota se avermelharem. — Foi um admirador secreto. — Taehyung alegou antes de entregar a carta para a garota que se reverenciou. Irene acompanhou os passos do amigo não segurando o riso, logo entendendo que havia sido ele a pessoa que escrevera aquilo.

Um poema tão bobinho não sairia de outra pessoa.

— .. um, e este é direcionado a Bae Joohyun. — o sorriso da garota, aos poucos foi diminuindo, de modo mais apreensivo ao ouvir o seu nome, de forma altiva no meio da turma. — O dia dos namorados celebra o amor, amor que é banalizado entre muitos, amor que as vezes é incompreensível e egoísta, sendo apenas uma fachada comemorativa. — Ele fez uma pausa, enquanto lia. Os olhos de Irene nem piscavam. — É sempre bom receber amor, mas eu também aprendi que é bom amar. E se amar significa querer a pessoa feliz a qualquer custo, então eu amo você, noona.

Quando ele levantou os olhos, encontrou as pupilas dilatadas da mais velha. Irene engoliu a seco nem conseguindo desviar o olhar de Taehyung. Notou ele se aproximar e estender a mão com o bilhetinho. Foi ali que ela desviou e pegou rapidamente o cartãozinho da mão do rapaz. Afim de disfarçar, ele voltou a pegar mais correios e distribuir, mantendo-se assim afastado de Bae Joohyun, até o final do período de aula.

Céus, ela botou aquilo no bolso, mas parecia que tal papel estava lhe causando uma coceira! No portão de saída, ela chegou primeiro e parou pensando no que fazer, geralmente ia e voltava com o Taehyung, mas se sentia tão desnorteada pelo o que ele fez, que ela estava pensando seriamente em apertar o passo.

Não demorou mais de cinco segundos para que a neve começasse a cair, se mesclando com o tom vermelho da touca e o castanho escuro de seus cabelos. Estava pensando quando sentiu a mão lhe tocar o ombro.

Joohyun se virou com os olhos grandes, vendo assim a figura de Taehyung se por ao seu lado.

— Ei, não precisava esperar, você vai congelar. — ele não hesitou em abraça-la perto, a puxando para andar junto consigo.

— E-eu não estava te esperando, só me distrai com a neve caindo. — tentou argumentar, tirando um riso frouxo do mais alto.

— Ela é bonita né. 

— Quem? — Irene respondeu no modo automático.

— Ué, a neve. — Taehyung respondeu rindo. — pensou que eu falei de quem? — ele insinuou, a olhando de soslaio, ainda próxima a si. 

— Aish, idiota. — ela se soltou dele e numa tentativa de não ver a sua face vermelha, Joohyun pegou um pouco de neve tacando nele.

— Joohyun! — ele gritou ao ver o que ela havia feito, contudo, só instigou ainda mais o semblante agora animado da garota.

— Que? Não acha a neve bonita? Então toma ela óh. — Ela abriu aquele sorriso lhe atacando mais uma vez, não demorou para uma guerra começar entre eles, naquela rua pouco movimentada. Taehyung não hesitou em revidar todas as boladas que levava, as mochilas logo caíram pelo chão e os adolescentes estavam focados em sua própria rivalidade e falta de coordenação motora.

Os risos se tornaram tão altos que os membros foram se relaxando, Irene tomou tanta bolada na barriga e nos braços que se sentia mole, já Taehyung, tomou umas três só na cabeça.

O som das gargalhadas era a única coisa que se ouvia naquele beco. Ao ver que a noona, relaxou por um momento, Taehyung viu ali a brecha perfeita. 

Correu até ela a jogando no chão, a derrubando na neve fofinha.

— Ah, Taehyung-ah! — ela reclamou, mesmo com o sorriso em evidência. Ainda assim, ao fitar o outro em cima de si, ela foi controlando a sua respiração alarmada aos poucos, assim como seus lábios. — Tae.. — disse baixo, ele estava posto em cima dela, despencado em cima da mesma.

Os olhos de Taehyung encararam de modo mais sério a sua melhor amiga. Ele nunca esteve tão perto dela antes. Nunca viu o seu rosto tão próximo. Seu olhos bem desenhados, os traços delicados e perfeitamente simétricos, pois é… talvez, Taehyung fosse o melhor amigo da garota mais linda da colégio.

Não demorou para que ele notasse um pequeno pontinho branco no lábio superior da Bae. Um pequeno floco de neve adornava a sua boca, deixando-o instigado. 

— Promete que confia em mim? — ele disse entre sussurros, já que só havia os dois ali.

A mente de Irene fervilhava milhares de ideias, estava com medo de saber o que se encontrava na cabeça do outro.

— A-acho que prometo. — respondeu incerta, mas ainda assim, não se mexeu. Mesmo estando frio abaixo de si, ela sentia o calor de Taehyung vir de cima, abrazando o seu interior de um forma diferente. Viu o rosto dele se aproximar e então fechou os olhos, ele a observou naquele ato fofo. Sorriu rapidamente antes de então, selar os lábios calmamente sob os de sua amiga.

A princípio ela sentiu um choque frio em sua boca, mas em questão de segundos sentiu o local se aquecer. Taehyung não se atreveu em mover os seus lábios mais do que milímetros, não demorou mais que cinco segundos, muito sutilmente ele deu um estalar ao desprender o beijo nela, ainda perto, notando ela abrir os olhos.

Ele não sabia se ela estava vermelha pelo frio, ou por aquele momento diferente entre amigos.

Possivelmente pelos dois.

 — Tae.. — ela piscou algumas vezes, com uma expressão engraçada. — Por que fez isso?

— Tinha um floco de neve na sua boca, queria saber como era a sensação de beijar alguém assim. — falou sabendo o que viria a seguir.

Um empurrão abrupto veio a seguir.

— Você é um idiota mesmo. — ela enunciou. Queria estar com a expressão ranzinza e zangada, mas seu rosto carregava um sorriso bobo e alegre. — E VOCÊ ESTÁ EM CIMA DE MIM! — ela o empurrou e ele caiu da lado, sorrindo sem se segurar.

— Aigo, Irene.. — ele clamou vendo ela se levantar. — me ajuda agora, vai! — fez o maior bico que conseguiu, afim de convence-la.

A mais velha bufou encarando a cena, bem que poderia deixá-lo ali, para congelar, mas seu bom coração falou mais alto e ela estendeu a mão ao mais novo.

— Antes que eu me arrependa — deixou claro o puxando. 

— Hum.. acho que podemos comer sopa de repolho, o que acha? — de maneira cotidiana e leve, eles se entreteram em outro assunto qualquer, que levou a outro e a outro, fazendo de fato com que aquele dia dos namorados fosse diferente dos outros e ainda assim, normal.

Ao chegar em casa, Irene pensou se deveria tocar no assunto do correio elegante, mas ao colocar a mão no bolso do casaco, percebeu que ele não estava mais ali.

Assim como aquele beijo foi momentâneo e passageiro, aquela declaração foi embora deixando apenas uma pequena morada no recôndito da mente e coração de Bae Joohyun. Até ela se lembrar, após tantos anos depois, naquele ponto de ônibus, ao lado de sua grande amiga, Kang Jennie

 

[…]

 

— Caraca, Joo…, que história… — Jennie proferiu, estando ela chocada com o que sua amiga lhe contara minutos atrás. Irene possuía um semblante caído, como se estivesse se arrependendo. Então, a Kang resolveu fazer a pergunta que não lhe calava a mente: — Já sabe o que irá fazer?

Irene, no mesmo momento, muda sua feição e expressa um olhar esperançoso para a maior. Estava segura de si e não pensou duas vezes antes de replicar: — Sim, eu já sei. — Assim que ônibus chegou, abraçou sua amiga e adentrou nele, se sentando no mesmo lugar de sempre.

Era bastante solitário estar naquele lugar sem que Taehyung estivesse ao seu lado, quando ele dormia em seu ombro ou quando lhe fazia mil perguntas idiotas, criando motivos para que a Bae risse a toa.

Irene finalmente pôde concluir de que Taehyung não é um simples garoto que adentrou em sua vida sem mais nem menos. Para tudo tem um motivo, assim como o Kim, que é muito mais do que seu amigo de quarto, ou seu namorado repentino. Ele era o amor de sua vida e Joohyun não tinha dúvida alguma.

A cada ponto que o motorista parava, seu coração acelerava uma batida mais forte. Sua ansiedade era máxima e ela mal podia esperar chegar em casa e dizer o que gostaria de dizer ao seu namorado. Sua decisão já estava tomada e ela não conseguia aguentar tanto tempo assim. Até que finalmente o motorista parou no quarteirão em que ela descia.

A Bae desceu do ônibus às pressas e nem parou para dizer um “boa noite” ao porteiro, sr. Nam, entrou no elevador e apertou o botão de seu andar com força. O apartamento 32 já estava em sua frente e a única coisa que lhe restava era entrar. No entanto, Joohyun sentia uma certa apreensão, tinha medo de como poderia ter afetado Taehyung mais cedo dizendo aquelas palavras rudes.

Quando conseguiu entrar em seu apartamento, de cara, não viu ninguém. A casa estava silenciosa, nem a TV estava ligada, algo que era estranho para si. Foi para seu quarto e deixou suas coisas sobre sua cama. Então, caminhou diretamente ao quarto do Kim, que estava com a porta fechada. Deu duas batidas e, como não ouviu ninguém dizer nada, resolveu entrar assim mesmo.

Taehyung se encontrava deitado em sua cama, com o fone de ouvido a posto, lendo um livro que ela não parou para observar o título. E seu rosto estava visivelmente fechado, isto é, totalmente emburrado. Irene logo percebeu que ele não estava para conversa. Foi dando passos lentas até a cama, sentando-se na beirada dela e observando seu namorado de longe, sem dizer uma palavra sequer.

O Kim, quando notou a presença da mais velha, retirou os fones de ouvido e fechou seu livro, passando a encará-la pela primeira vez. Levantou seu corpo e escorou as costas na guarda da cama. — O que você quer? — Ele indagou ainda chateado.

— Talvez eu esteja lhe devendo desculpas, Tae… — Passou uma de suas mãos pela perna do rapaz.

— Você diz “talvez”? — Arqueou a sobrancelha esquerda.

— Tudo bem, eu estou lhe devendo desculpas… — Ela admitiu, passando por cima de seu orgulho. - Me desculpe, eu não deveria ter dito aquilo mais cedo.

— É, mas disse. — Virou-se para o outro lado, não querendo encarar a mais velha.

— Estou te pedindo desculpas agora, Taehyung! — A Bae proferiu firme. Odiava quando ele lhe dava as costas.

— A questão não é essa, Irene. — O rapaz a mirou novamente, só que dessa vez com o semblante mais triste. — Você sabe que eu jamais diria isso para você, por mais que você viva pegando no meu pé. Parece que eu odeio o seu jeito, mas eu, na verdade, gosto dele e preciso dele para a minha vida. Acha que se você me irritasse, eu ainda estaria namorando contigo?! — Perguntou retoricamente, deixando pensamentos de culpa sobre a mais velha.

Irene abaixou sua cabeça e aceitou que estava sem argumentos. Ela sabe o quanto Taehyung a ama e se esforça para melhorar, no entanto, ultimamente, era Irene quem sempre exigia o extraordinário, se esquecendo das pequenas coisas que são capazes de lhe alegrarem imensamente, sendo essas pequenas coisas vindo diretamente do Kim.

Taehyung, por outro lado, se sentia destruído e deixado de lado, como se o amor de sua noona não fosse tão verdadeiro como o dele. Às vezes, ele se acha que está sendo carregado por ela e que nunca poderia estar ao nível de sua namorada. Em outras palavras, se sentia um inútil perto dela.

Após minutos de silêncio, Joohyun se deu conta de que deveria dizer alguma coisa, apenas para não demonstrar que o que Taehyung pensava estava certo. Foi então que tais palavras surgiram em sua cabeça, as quais ela sempre quis proferir: 

— Se amar uma pessoa é que querer que ela seja feliz, então eu amo você.

Taehyung arregalou os seus olhos em direção a sua noona. Ele mal conseguia acreditar no que acabara de ouvir.

— Ao contrário do que imagina, eu sempre quis responder aquele correio elegante, Tae, porém eu tive medo, muito medo… mas agora eu entendo o significado dele. Por isso eu te digo de que, se nós só podemos ser felizes separados, então é melhor assim. — O tom de voz da Bae foi ficando mais fraco e seus olhos queriam despejar todas as lágrimas que seriam derramadas após o término.

Irene somente se levantou da cama e passou a se dirigir em direção à porta do quarto do mais novo, sem ao menos olhar em sua cara. Taehyung ergueu sua cabeça e no mesmo momento percebeu que ele também estava sendo egoísta, de que seus pensamentos estavam errados e de que aquela mulher não poderia, jamais, sair de sua vida, em circunstância alguma.

— Mas, noona, eu só posso ser feliz ao seu lado. — Ele disse antes que a mesma pudesse cruzar a saída, fazendo com que ela parasse seus passos e virasse seu corpo aos poucos.

Ali estava Taehyung, demonstrando o primeiro sorriso verdadeiro daquele dia, o qual também contagiou a Bae. Irene agora via a loucura que poderia estar causando ao virar as costas para aquele garoto que ela tanto ama. E sem pensar duas vezes, ela correu para os braços do Kim e o beijou apaixonadamente, não lhe dando tempo para dizer mais nada, somente o deixando demonstrar todo o seu amor e sua paixão imensa que morava em seu peito.

Irene sempre soube que amava Taehyung, muito antes daquela balada em ficaram bêbados, muito antes de Jisoo ter aparecido. Aquele amor surgiu muito antes deles virarem amigos de quarto. E aquele amor seguiria para sempre, mesmo que não estiverem morando sob o mesmo teto.

Venha e fale comigo
Não importa se levar a noite inteira
Então, deixe seu dia frio
Se derreter e esquentar em mim
Eu sou todo ouvidos

 

 [I'm All Ears; Taeyeon]


Notas Finais


Ai, meu Deus, ficaram medo do nosso casal preferido se separar?? Eu fiquei, haha...

Espero que vocês tenham gostado, gente, porque foi feito com todo o nosso carinho e amor que temos por esta fanfic tão importante para nós!

É isto, a gente se vê futuramente, hehe!

Não se esqueçam de acompanhar minha história STIGMA, que é sobre Vrene (no wattpad), em conjunto com a querida @Natebarros e também a minha amiga @Seulgiroses: ----> (https://www.wattpad.com/story/210954160-%E2%98%85-stigma-%E2%98%85-kth-%2B-bjh)

É ISTO MINHA GENTE, AMO VOCÊSSSSZ


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