História Amisterium: O Herdeiro Legítimo - Capítulo 43


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amisterium, Gay, Original
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Palavras 3.553
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Lemon, Luta, Romance e Novela, Saga, Shounen, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, olá, tudo bom com vocês?
Eu ia postar mais algumas curiosidades antes desse capítulo, maaas acontece que to muito cansada e esqueci todas as curiosidades que ia colocar.

Queria dizer que é doloroso colocar essa história como concluída, mas essa é uma história que amo muito, com todo coração, uma das que mais exigiu pesquisa e trabalho, pq todas as histórias que geralmente escrevo giram ao redor do drama adolescente e romance, e, embora Amisterium tenha isso, há um enredo muito maior, planejado desde o início, cheio de pontas, detalhes, e todo um universo que amei criar e vou amar continuar trabalhando nele.

Vou deixar que leiam, desejo uma boa leitura, nos vemos nas notas finais.

Capítulo 43 - Epílogo


Quando Louis percebeu que Larissa fazia todo o possível para desviar de seu caminho no castelo, disse a si mesmo de que a presença dela não era necessária.

Colocou na própria cabeça que, afinal, Larissa estivera certa o tempo todo, por mais que se entendessem e fossem uma presença agradável um para o outro, não eram apaixonados, não tiveram tempo para isso, e não precisava pensar nela.

Cordélia justificava que a irmã estava de luto, mas Louis insistia que não se importava, ou pelo menos tentava, já que seu coração não pareceu nada convencido quando a princesa aceitou ir com a família fazer parte de seu novo projeto.

Estavam todos ali, Cordélia com seus vestidos fabulosos e o sorriso animador, Larissa começando a reclamar pelas dores nos pés e o peso da barriga, Adele tomando seu lugar como rainha de Amisterium, Arnold ansioso para mostrar o mundo para Geneviève e Augustus, alheio, porém contente, e orgulhoso do trabalho que fizeram em conjunto.

As moças escolhidas a dedo para trabalhar no casarão andavam de um lado para o outro com bandejas de comida ou organizando as crianças em filas com vestimentas coloridas para separar os quartos.

Os soldados de Amisterium passaram dias, procurando por todas as aldeias, vilas e becos por crianças abandonadas, e muitas foram encontradas, tantas que os quartos do local estavam cheios antes da inauguração, e Augustus implorava para Louis ajuda-lo a encontrar mais casas confortáveis em diferentes aldeias para comportar todos os necessitados.

Miles, que se recusara a aderir uma das cores e se pendurara nas pernas de Louis, apenas se soltava para abraçar as outras crianças de Louis ou pegar doces nas mesas.

Augustus mostrava, pela primeira vez em dias, estar bem feliz, adorava crianças e não fingia, tirava a irmã caçula dos braços do pai e a colocava para brincar com as demais, pulava com elas, corria como se fosse um deles.

— Fez um ótimo trabalho aqui. — disse Cordélia, conseguindo tirar Miles da perna do soldado loiro apenas para segurá-lo em seu colo — Acompanhou todos os detalhes, e ficou incrível, as crianças parecem estar adorando.

— E terei que acompanhar maquis detalhes quando voltar da minha missão. — respondeu ele, arrumando os cabelos de Miles que coçava os olhos com sono — Espero voltar logo, muitas crianças ainda precisam de lar.

— Concordo, mas não precisa ir a essa missão se não quiser, Augustus pode colocar outras pessoas...

— É meu trabalho, Cordélia. Sou um soldado, Augustus finalmente confia em mim, quer me tornar um Cavaleiro, preciso merecer esse título.

Cordélia, suspirou, ajeitando a tiara que Miles tirava do lugar, e colocou o garotinho no chão.

— Você já merece qualquer tipo de título de nobreza, Louis. — disse ela, e se afastou dele, caminhando ao lado do pai pelas escadas de madeira da casa.

Larissa, que até então não fizera questão de dirigir-lhe a palavra, aproximou-se com um sorriso, bagunçando os cabelos de Miles que corria ao redor dos pés do loiro.

— Acho que ele não quer te deixar, não é?

— Não. — respondeu Louis, tentando engolir a agitação após não falar com ela em dias — Mas não posso ficar com ele.

— E porque não? Cuidou dele a vida toda...

— Mas as coisas são diferentes, eu estive em uma guerra, poderia ter morrido.

— Mas não morreu, e também poderia ter morrido nas aldeias ao roubar tantas pessoas. Além disso — acrescentou ela —, quero que Narcisa cresça em um meio diverso, e a única outra criança é Geneviève.

— Tiberius vai chegar pouco depois de Narcisa.

Larissa revirou os olhos.

— O que estou tentando dizer — falou ela, o encarando —, é que, caso decida que quer continuar com Miles, vou te ajudar a cuidar dele, afinal você prometeu me ajudar com Narcisa — a princesa sorriu —, não é mesmo?

— É sim. — Louis sorriu de volta, olhando para Miles que corria para brincar com Geneviève que estava começando a tentar se apoiar para engatinhar – e sempre caía chorando.

— Então temos um trato?

— Temos. — disse ele, finalmente olhando-a nos olhos — Estou feliz que esteja de volta, Lari.

A moça respirou fundo.

— Não poderia me culpar por estar viva para sempre. — ela deu de ombros — É bom estar de volta.

Cordélia sorriu para si mesma, vendo, de longe, Louis e Larissa rindo como se finalmente começassem a dar os passos iniciais de volta aos jovens que costumavam ser antes da guerra, e foi com aquela alegria silenciosa, que viu, pelo canto do olho, Augustus se erguer, bagunçando o cabelo de Odette, uma das crianças de Louis, e sair do casarão em passos calmos.

A mais velha levantou a barra da saia, saindo atrás do irmão, que olhava para o horizonte, com a coroa de rei brilhando na cabeça, ignorando o olhar dos plebeus e as reverências apressadas.

— O que está fazendo isolado de todos, majestade? — questionou ela, cumprimentando uma moça que passava impressionada.

— Pensando.

— Nele?

— Em que mais? — sorriu o rei — Sinto falta dele.

— Luca está bem, Gus. Sabe como ele é.

— E é por saber que me preocupo. — disse ele, balançando a cabeça — Mas confio nele, só sinto falta de tê-lo em meus braços, é difícil me acostumar com a ausência dele.

— Sei que é — Cordélia tocou o ombro do irmão —, mas terá de se acostumar, ele ficará um tempo fora.

— Já faz dias...

— Poucos dias, e há muito a ser feito em Collin, mais que aqui, ouso dizer.

Augustus suspirou.

— Há muito a ser feito aqui também, tantos registros de mortes, treinamento de novos soldados, treinamento de liderança, lidar com as terras atingidas pela guerra. Pelo menos Louis fez algo que já tira de mim o problema das crianças sem pais.

— Sim, foi um trabalho incrível. — concordou a princesa — Acha que encontraremos novas famílias para essas crianças?

— Espero que sim, mas se não encontrarmos, ficarão sob nossos cuidados até que possam partir.

— Luca estaria orgulhoso de você.

Augustus sorriu.

— Eu sei. E sempre terei orgulho dele.

Cordélia abraçou o irmão, puxando-o consigo de volta para o casarão.

— Agora venha, é uma festa, e a presença do rei é sempre requisitada.

O rei sorriu, apertou o medalhão dourado em seu pescoço e, segurando a mão da irmã, seguiu-a porta adentro.

...

Luca estava encarando a janela, vendo o sol mudar de posição entre os montes de Collin, engolia o cansaço por manter os braços abertos e as pernas separadas enquanto um grupo de serviçais tentava ajustar as roupas em seu corpo.

— Pode virar-se um pouco para a esquerda, por favor, alteza? — questionou uma delas, chamada Cateline.

O rapaz atendeu o pedido da serva, encarando-se no espelho colocado a sua esquerda.

Há muito tempo, quando chegara ao castelo de Amisterium, ao olhar seu reflexo viu aos poucos um camponês desaparecendo de seus traços, e temeu um dia não se reconhecer mais.

Ao olhar seu reflexo, porém, vestido de preto e roxo, com o brasão de Collin brilhando em dourado, com os cabelos castanhos bagunçados de forma ajeitada e um anel de dragão pendurado em uma corrente no pescoço, não viu aquele jovem que costumava correr pela aldeia vendendo legumes, e, mesmo assim, pensou nunca ter visto tanto de si mesmo quanto via naquele momento.

— Ele já está pronto? — questionou Dorian, abrindo a porta sem bater, era um hábito que ele tinha e Luca não conseguia se acostumar com facilidade.

— Em alguns instantes, majestade. — disse Cateline, que parecia coordenar as demais, e as garotas se apressaram em seus serviços, até que a moça levantasse animadamente — Agora sim, está pronto.

— Perfeito! — exclamou Dorian — Podem nos deixar a sós?

— Sim, majestade. É uma honra. — as moças se curvaram, e saíram uma atrás da outra.

—Obrigado! — exclamou Luca antes que a última sumisse pela porta, fechando-a — A que devo a honra de sua visita? — questionou o rapaz prendendo o cinto com a espada embainhada na cintura.

— Apenas queria saber como estava.

— Uma vez protetor, sempre protetor, não é? — riu o jovem, e Dorian deu de ombros, parecendo incomodado com o tapa-olho que protegia uma marca que carregaria da guerra para sempre.

— Acredite ou não, te proteger é muito mais que uma missão para mim.

Luca sorriu, desde que chegara ao castelo de Collin, ficou feliz em ver que a interação entre Dorian e seu pai estava muito melhor que antes, imaginou que ficaria entre os dois, ou que Dorian não se acostumaria com sua presença, e se surpreendeu ao saber que aquele homem sempre estivera presente em sua vida – ás vezes era sua observação silenciosa que irritava Maia e forçava-a a colocar o filho dentro de casa onde era seguro, afinal ela não sabia em quem confiar -, e que alguém tão sério quanto aquele comandante nutria sentimentos fraternais muito fortes por ele.

— Sei disso, mas não precisa mais me proteger, Dorian. Ignis e eu daremos conta de qualquer problema.

— Já ouvi isso antes. Quando foi mesmo? — Dorian fingiu pensar — Ah é, ontem ao anoitecer quando você saiu atrás daquele ladrão e voltou com o nariz inchado.

— Mas eu peguei o homem.

— Acidentalmente ele trombou com uma árvore.

— Porque o deixei atordoado. — insistiu Luca — Estou dizendo, não preciso mais de proteção.

— É o que você sempre diz. — riu ele — Está nervoso?

— Não.

O comandante fez uma careta.

— É sua coroação.

— E em breve será a sua.

— Sei disso e já estou nervoso. — admitiu o homem — Como pode estar tão calmo?

O príncipe deu de ombros.

— Acho que me sinto em casa. Nasci para isso, para ajudar este povo, receber essa coroa é uma honra, mas uma honra que me pertence desde o dia que vim a este mundo. — disse com simplicidade — Tive dezoito anos, uma guerra e um bom tempo como príncipe em Amisterium para me preparar, estou pronto.

Dorian riu, dando-lhe um tapa amigável nos ombros.

— Ás vezes me surpreendo em como você se parece com ele falando.

— Falando em meu pai, como ele está.

— Ansioso, teme a reação do povo contra você ou contra nós dois.

— Não acho que precisem se preocupar — disse Luca —, nosso povo sofreu muito, eventos como minha coroação e o casamento de vocês... Isso pode mudar vidas, ainda mais da forma que a comida será distribuída, e após os anúncios sobre a diminuição dos impostos. O povo está aliviado e pronto para receber aqueles que mudaram tudo por aqui.

— Não conhece nosso povo como nós o fazemos, Luca. — disse Dorian, suspirando — Mas acredito que tanta ansiedade por antecedência não nos trará bem algum. Está encantador, certamente a coroa vai ficar incrível em você.

— Agradeço, mas acho que está fugindo de algo aqui.

O comandante riu outra vez.

— Ethan quer que eu me vista de branco no casamento.

— E?

— Eu sou um comandante, um guerreiro, não fico bem de branco.

— Oras, Dorian, não acredito que está discutindo contra isso. — riu Luca, como se aquela fosse a melhor piada que ouvira na vida.

— O que é tão engraçado? — questionou o homem indignado.

— Meu pai só fez um pedido simples: que vista-se de branco, e não pode cumprir porque não fica bem com essa cor? — riu ele — Acredite, para meu pai, ficará ótimo em qualquer cor, desde que seja você. E não custa nada dar a ele esse presente, não acha?

— Sim, você está certo. — Dorian revirou os olhos — Por que está sempre do lado dele?

— Estou do lado da justiça. — retrucou o príncipe, vendo mais uma vez pela janela o sol se movimentar, desaparecendo aos poucos enquanto o alaranjado no céu era substituído pelo azul escuro — Acha que está tudo bem em Amisterium?

— Teríamos recebido um pedido de ajuda se não estivesse. — disse o soldado— Não se preocupe, aquele reino não vai desabar em chamas só porque está ausente.

— Sei disso, mas ainda assim...Queria que Augustus estivesse aqui.

— Imagino que sim, mas nossa aliança ainda está sendo trabalhada, e o rei está ocupado com os danos causados pelo ataque do nosso reino.

Luca se entristeceu.

— Não sou o responsável por este ataque, por que me sinto tão culpado?

— Porque seu povo voltou-se contra o povo que te criou, sua dor é compreensível. — Dorian se levantou, apoiando as mãos nos ombros do rapaz — Ainda teremos tempo para consertar todos os danos que Otto fez, mas este é seu momento, não deixe que nada te abale. Entendeu? — o príncipe assentiu — Perfeito. Podemos ir? A cerimônia te espera.

— Certo, pode ir à frente? Preciso fazer algo antes de ir.

Hesitante, o homem concordou, saindo do quarto, e deixando-o sozinho.

Com um suspiro, olhou ao redor garantindo estar sozinho, e aproximou-se da janela, encarando as estrelas antes de murmurar baixinho, quase inaudível.

— Eu te amo, Augustus Amisterium, e estarei de volta em breve. — disse e sorriu, virando as costas, e descendo as escadas, até o salão aberto.

Luca não conhecia um rosto na multidão diante dele, não conhecia os nobres nomeados por seu pai após a guerra, embora soubesse que a maioria deles eram protetores recebendo lugares de honra no lugar daqueles que apoiaram Otto cegamente em seu ódio, não reconhecia os aldeões que não o viram crescer, ou os servos do castelo, mas, de alguma forma sentia-se em casa.

Ethan, seu pai, rei de Collin, com a coroa dourada brilhando sobre os cabelos castanhos e rebeldes, sorriu consolador para o filho, e pigarreou chamando atenção dos presentes.

— Este reino tem sido um peso nos ombros de minha família há centenas de anos, um reino odiado, explorador, governado por reis que derrubavam os próprios homens para saciar seus desejos egoístas. — disse ele — Isso precisa mudar, e está mudando. É com muita dor que percebo hoje como a morte de meu pai Lucian, o primeiro, e meu irmão Otto foram as principais chaves para essa mudança, seria um prazer tê-los ao meu lado se pudessem governar com justiça, mas, por meus ideais, quase fui morto, precisei me esconder, mentir, fugir e me humilhar, então acredito que a piedade que sinto nunca existiu no coração deles. — Ethan suspirou, Dorian, ao seu lado como seu braço direito, parecia se segurar para não abraça-lo tamanha a dor exibida nos olhos do rei — Porém, tudo o que passei valeu a pena, eu estava certo afinal, e aos poucos estamos aprendendo a prosperar com as terras e colônias que temos, não precisamos mais guerrear.

O rei parou por um instante, olhando para todos ao seu redor, e finalmente fixou seu olhar orgulhoso no filho.

— E o grande marco desta mudança está aqui, diante de nós. Meu filho, Lucian II, está de volta ao lugar onde nasceu, recebendo hoje a coroa que deveria ter recebido há muito tempo. — disse ele, pegando a coroa que repousava em uma almofada roxa e se aproximando do filho — Nesta noite, eu, Ethan Dimitri Collin, nomeio meu filho, Lucian Collin II, filho do lobo e da neve, príncipe e herdeiro de Collin. Lucian, você jura lealdade ao seu povo acima de qualquer coisa, reino, ou pessoa.

Luca respirou fundo.

— Acho que não posso jurar lealdade total, meu coração está preso em outro lugar, mas juro proteger este reino com todas as minhas forças enquanto eu viver, prometo paz, e uma aliança que jamais será esquecida.

Ethan o olhou erguendo uma sobrancelha.

— Certo, acho que isso é o suficiente para mim. — riu ele, colocando a coroa no filho — A partir desta noite e para toda eternidade, será lembrado como o príncipe Lucian, de Collin.

A multidão animada bateu palmas e comemorou, desejando vida longa ao príncipe e gritando bênçãos.

Em nenhum de seus sonhos mais profundos Luca conseguia imaginar como seria aquela sensação, como era ser ele mesmo, como era ouvir seu povo chamando-o por seu verdadeiro nome.

Ethan colocou uma das mãos em seu ombro, e Dorian materializou-se do outro lado do rapaz.

— Não sabia que você tinha um nome do meio. — murmurou Luca ao pai, que fez uma careta, voltando a sorrir para a multidão logo depois.

— Não é um nome do qual tenho orgulho.

— Nunca deixaremos que esqueça esse nome. — disse Dorian e o príncipe sorriu.

— Nunca mesmo.

— O que eu fiz para merecer vocês? — grunhiu Ethan, e os três riram.

Luca estava feliz, muito feliz, podia dizer que estaria completo, se não fosse pela ausência de Augustus e, obviamente, de sua mãe.

O sorriso sumiu de seu rosto, por um momento, deixou seu coração sentir mais uma vez o luto por ela.

— Não se preocupe — disse Ethan como se percebesse seu problema —, ela está com você, sempre estará, e tem muito orgulho.

O rapaz secou as lágrimas antes mesmo que elas caíssem de seus olhos.

— Ela não morreu em vão, fiz o que ela me preparou a vida toda para fazer.

— Sim, você fez. — Ethan o beijou na testa — Ela sempre viu em você este homem que está diante de mim agora. Você é bem mais precioso que tivemos nessa vida, Lucian, sua mãe e eu te amamos e te amaremos mesmo que não possa nos ver.

Luca sorriu, aconchegando-se nos braços do pai como uma criança.

— Sinto-me tão em casa aqui, acha que estou traindo Amisterium?

— Ora, não seja tolo, você nunca pertenceu a apenas um lugar, meu filho. — respondeu o rei — Você é um Collin, e um Amisterium, é um príncipe em ambos os reinos, e amado por ambos os povos. Você é mais que um brasão roxo e dourado.

— A cerimônia acabou, mas ainda há uma festa em sua homenagem. — lembrou Dorian — Celebre conosco, nós sobrevivemos a guerra, não há espaço para tristeza.

Em silêncio, Luca concordou, pensou em todas as pessoas importantes que perdeu naquele campo sangrento, lembrou-se do vermelho, das lágrimas, da espada grudenta em suas mãos, então piscou todas as lembranças para longe de seus olhos.

Não havia espaço para tristeza em seu coração, cada morte, cada luta, o levou para onde deveria estar, para a libertação de um povo que padecia com o sofrimento, então respirou fundo, trancou a saudade no fundo do peito, e celebrou a vitória que merecia celebrar.

...

Lorde Morgan balançou a capa ao entrar no estabelecimento, batendo as botas no tapete na vã esperança de livrar-se da lama que grudara em seus pés.

A chuva viera de repente, nenhum deles esperava por ela quando decidiram que seria mais discreto reunir-se naquele bar caindo aos pedaços sem a ajuda de carruagens para o transporte, e ninguém quis desmarcar o compromisso quando o Feroz estava tão determinado a conversar.

Como os títulos eram importantes, era assim que os lordes se chamavam: o Feroz, sendo o único lorde com quase tantos homens em seu exército quanto os M’Arhaem, o Rico, um senhor gordo cujos vinhedos faziam sua riqueza ser maior que a dos demais, o Cauteloso, um homem que sabia tudo sobre todos e ninguém sabia nada sobre ele, e Lorde Morgan, o Sábio.

E, naquela noite, o Sábio era o último a chegar.

O Feroz, um homem forte de voz grave, já virava uma caneca de cerveja garganta abaixo, enquanto o Cauteloso, praticamente todo envolto em sua capa e misturando-se nas sombras, observava tudo com atenção.

— Ora, está molhando todo o tapete. — resmungou o Rico ao vê-lo, o Sábio revirou os olhos, sua visão não tão boa por não ser mais tão jovem denunciava uma pilha de tecidos na cadeira ao lado do homem gordo, e o homem estalou a língua.

— Vejo que decidiram ocupar o meu lugar com qualquer coisa enquanto eu não chegava.

— Não chame o novo membro do nosso grupo de qualquer coisa. — disse o Feroz, acenando para que alguém o atendesse, ignorando o fato de que aquele bar estava vazio.

O Cauteloso ergueu um cantil, entornando algo na caneca, não era o suficiente para enchê-la, tampouco era cerveja, mas o homem grande bebeu em um único gole e pareceu satisfeito.

Lorde Morgan estreitou os olhos, tentando enxergar, e viu um menino de cabelos castanhos, não parecia ter mais que catorze anos, os olhos claros estavam furiosos, talvez por ser o único cuja caneca estava cheia de chá.

— Ora, e desde quando uma criança é alguma coisa?

O Rico abriu a boca para defende-lo, mas o garoto já estava aprumando a postura, os olhos furiosos encarando o Sábio com profundidade.

— Eu sou Julian M’Arhaem, sou o lorde da Fortaleza de Pedra e comando um exército muito maior que o de qualquer um de vocês. Estou aqui porque a família Real matou meu irmão e quero vingança. Se querem enfrenta-los, não podem tentar atacar o castelo, os homens de Amisterium são fortes e em qualquer sinal de ameaça chamarão os novos lobos de guarda— o garoto revirou os olhos—, como se já não fosse o suficiente se unirem aos inimigos.

O Sábio, embasbacado, olhou para o Feroz que exibia apenas orgulho em suas feições, como se aquele garoto fosse um prodígio, uma benção inesperada, a solução de todos seus problemas.

—E o que sugere, rapaz? — perguntou lorde Morgan, não se incomodando de puxar uma nova cadeira para unir-se à roda.

—Eu tenho um plano, na verdade parte dele. O que sugiro é que planejem o restante, deixem a minha parte comigo e estejam prontos para ver a família Amisterium cair.

Pela mais pura coincidência, pois o Sábio não acreditava em destino, um trovão ecoou fora do estabelecimento, enquanto todos os homens encaravam estáticos o garoto sentado ao lado deles.

Com um riso, o Feroz ergueu sua caneca.

— Pelo fim da família Amisterium. — urrou com sua voz forte e um tom impiedoso.

E os demais brindaram com ele.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, o capítulo é pequeno pq é uma conclusão, não um desenvolvimento e é, acima de tudo uma nova ponta para o próximo livro que se chamará Amisterium: A revolta.
O problema é que, esse segundo livro só vai sair quando eu terminar a reescrita e não será postado aqui.
Por que? Primeiro, sofri muitos plágios aqui, como já disse, não foi só uma vez, não foi só em uma história, mas, por mais que eu ame todas as minhas histórias, Amisterium é um projeto grande demais para eu deixar simplesmente que continuem plagiando como fazem aqui.
Além disso, o novo livro vai continuar baseando-se no que aconteceu na versão reescrita, na qual algumas informações são acrescentadas, algumas cenas são modificadas, alguns acontecimentos se desenrolam de outra forma, e ficaria confuso cada pessoa acompanhar uma versão diferente.
Estou tentando ser rápida na reescrita, mas tive que dar uma pausa pq estava viajando, agora estou de volta e darei meu melhor para começar o livro dois o mais rápido possível.

Pessoal, Wattpad é um site super fácil de usar, o app tbm é tranquilo, se puderem fazer uma força para acompanhar lá, como muitos já estão fazendo - obrigada amo vocês-, ficarei muito grata, até pq, como eu já comentei, é muito mais fácil que um livro seja levado a sério lá e o apoio de vocês pode transformar essa história em um livro conhecido.

É isso, vou responder os comentários do cap anterior, prometo, mas to exausta hj, cheguei de viagem, dormi quase a tarde toda e ainda to morrendo de sono.
Espero que gostem de verdade, espero não ter decepcionado, e nos vemos na reescrita de Amisterium e em breve no livro dois.

Agradeço todo apoio e toda a paciência, sou realmente muito grata pelo apoio que dão às munhas histórias e essa em especial por ser muito trabalhosa.
Espero que tenham uma noite maravilhosa.

Link da reescrita: https://www.wattpad.com/story/150357756-amisterium-o-herdeiro-leg%C3%ADtimo


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