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História Amnésia - Capítulo 6


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Capítulo 6 - 5. O Bilhete


Já havia se passado três semanas desde que eu acordei misteriosamente naquela floresta e desde então, não tenho tido sonhos ou novas memórias sobre meu passado. Na verdade, eu não venho pensando muito nisso faz alguns dias, não que eu tenha desistido de querer saber mais sobre mim mas sim porque havia me acostumado com a rotina da aldeia assim como morar com Jungkook e o Jin. Na noite anterior, eu me peguei pensando enquanto olhava a aldeia através da janela como todos as noites, que poderia fazer daquele lugar meu novo lá mas não cheguei a comentar nada com os garotos.

Eu ajudava o Jin na cafeteria pela manhã mesmo que ele a negasse dizendo que eu não deveria estar me esforçando ou que eu pensasse que ele estava se aproveitando da minha bondade então deixava claro que estava o ajudando por vontade própria afinal, era o mínimo que eu poderia fazer por tudo que ele tinha feito por mim junto a Jungkook.

Fiquei próximo a Hayan. Quase todas as manhãs, ela parecia na cafeteria segurando a alça da sua mochila em suas costas onde guardava seus lápis de colorir e um sorriso brando nos lábios. O inverno não era uma suas das estações preferidas pois, segundo ela, era a época que as flores do canteiro de sua mãe partiu e a deixavam-na.

Sim, ela acreditava fielmente que as flores criavam vida e partiam com as próprias "pernas".

Era adorável. Naquela idade, o tempo não passa tão depressa, o mundo ainda é colorido, há energia é suficiente para brincar durante o dia e os machucados no joelho, onde o Natal é uma das épocas mais esperada com o espírito natalino vívido em seus puros corações; um prato com cookies de chocolate e um copo de leite deixados sobre à mesinha para o Papai Noel fazer uma boquinha antes de deixar o presente debaixo da árvore e doces na meia pendurada na lareira.

Costumava passar minhas tardes com Jungkook conversando sobre assuntos aleatórios ou quando o mais velho nos avisava que voltaria um pouco mais tarde então nós fazíamos o jantar juntos, as vezes fazendo críticas sobre os livros que líamos ou até mesmo jogando alguns jogos como dama e baralho.

Gostava da sua companhia mesmo que ficássemos em silêncio apenas aproveitando a companhia um do outro, da sua opinião sobre o mundo, da estranha sensação de segurança que ele transmitia, de escutar as divagações sobre seus sonhos que para ele eram distantes mas, para min eram alcançáveis.

Gostava da sua atenção... sobre mim.

- Certo, agora me diz como ficou. - o moreno guiou a colher até meus lábios me dando um pouco da sopa que ele preparava. - Então...

- Okay, eu estava certo ao constatar que o talento na cozinha é de família. - Cobria minha boca enquanto falava. - Ficou deliciosa.

Ele sorriu parecendo satisfeito pelo que ouviu se virando outra vez para o fogão.

- Ela está quase pron- aí, droga! - ele exclamou algo chacoalhando uma das mãos, carregando um semblante dolorido no rosto.

- O que foi? - perguntei levantando da banqueta e indo até ele.

- Queimei os dedos.

- Hm... tem alguma pomada que eu possa usar? - ele assentiu murmurando no banheiro e o deixei na cozinha para apanhar a pomada que encontrei no dentro do armário e retornei a cozinha o encontrando sentada na banqueta que eu estava minutos antes. - Deixe-me ver. - ele estendeu a mão, apanhei-a analisando as pontinhas dos dedos avermelhadas e inconscientemente, levei até meus lábios soprando cada um deles suavemente. - Melhorou?

- Um pouco.

Sorri sem mostrar os dentes e peguei a pomada começando aplica-la em um dos dedos cuidasamente enquanto escutava os grunhidos e resmungos de Jungkook, que tentava recuar a mão porém parou quando lhe lancei um olhar advertindo-o.

- Então, você tem falado com o doutor Kim? - ele perguntou de repente.

- A última vez que nos falamos foi ontem na cafeteria, mas porquê?

- Estou achando que ele ainda não contatou a polícia para relatar sobre o que aconteceu com você.

- Deve ser por causa do tempo, uh?

- Talvez mas, por quê leva isso com tanta calma? Não está com saudades da sua família?... ou seu noivo?

- Na verdade, não. - falei sem pestanejar ainda concentrado em cuidar dos seus dedos. - Sabe, não tem como sentir falta de algo que eu não me lembro, digo em relação a minha família.

- É... e confesso que vou sentir sua falta quando você se lembrar e caso consiga contatar a polícia... digo eu e meu irmão é claro.

- Ei, mesmo que eu descubra todos do meu passado e quem sou, não irei simplesmente apagar vocês dois da minha memória. Não pense dessa maneira, ok?

Ele suspirou assentindo antes de levantar o olhar encontrando os meus e, foi quando a conexão se estabeleceu entre nossos olhares fixos um ao outro.

- Sabe o que aquele hotel me lembrou? - As palavras saíram por conta própria.

- Deixe-me adivinhar... - Ele franziu o cenho. - Abandonado no meio da neve e com uma atmosfera fantasmagórica... O iluminado?

- Sim! - exclamei sorridente - Um dos meus livros favoritos.

- Gosta de livros com essa temática? Olha só, parece que temos mais uma coisa em comum.

Meus lábios se distenderam para os lados elevando ligeiramente os cantos da boca, delineando um sorriso sutil para Jungkook, este que tinha o olhar focado em outro canto.

Desfiz o sorriso e, inconscientemente, meus olhos acompanharam o caminho dos seus até meus lábios e minha respiração engatou na garganta na medida em que as batidas urgentes do meu coração se tornavam ,pouco a pouco, frenéticas quando os dedos da sua mão livre deslizaram em minha bochecha ao pousar a palma quente.

Involuntariamente me vi fechando meus olhos podendo me considerar entorpecido pela carícia que ele fazia no meu rosto enquanto no meu íntimo ansiava por algo, por um toque a mais, toque este que jurei que viria quando o ar quente bateu suavemente contra meu rosto e talvez viesse se não fosse pelo mais velho de nós entrando na cozinha com algumas sacolas, o que nos assustou me fazendo me afastar abruptamente de Jungkook.

- Atrapalho? - A voz do mais velho tomou o ambiente enquanto seus olhos variavam entre mim e Jungkook.

- O que...? Claro que não, hyung! - Jungkook negou rapidamente. - E-eu apenas queimei os dedos e Jimin estava me ajudando com a pomada, apenas isso.

Ele me encarou por breves segundos, o que me fez abaixar o olhar sabendo da vermelhidão que ganhava meu rosto e depois disse:

- Certo... vou fingir que acredito nas suas palavras pois a cara de vocês dois já entrega tudo e irei tomar um banho porque estou completamente cansado...

E ele deixou o cômodo ainda tagarelando sobre suas costas doerem ainda naquela idade.


Jungkook se levantou da banqueta agradecendo pelo que fiz e voltou aos seus afazeres, então ofereci ajuda após disfarçar o rubor nas bochechas, mesmo que naquele momento quisesse apenas correr para o quarto.


Δ


Jungkook estava determinado em descobrir o quê o Kim estava escondendo de nós custe o que custar e eu realmente não conseguia entender o por quê. Cheguei a pensar que poderia ser uma desconfiança legítima mas Jin insistia em dizer que ele apenas estava se corroedo de ciúmes de mim e do Taehyung, o que me deixou um pouco sem graça, além de negar imediatamente alegando que o mais velho não estava pensando coisa com coisa.


O moreno deu a ideia louca de seguirmos o Kim e, claro, eu poderia negar porém Taehyung estava mesmo agindo de maneira estranha nos últimos dias então concordei com ele. Estávamos na praça quando avistamos Taehyung andando apressadamente pela calçada com uma mochila atirada no ombro ignorando as pessoas que passavam por ele e o cumprimentavam, e, visto que era hora de saber o quê estava acontecendo quando ele estava para deixar a praça mas o impedidos.

- O que querem? Me deixem passar, por favor. - ele tentou passar por nós porém Jungkook o impediu.

- Antes você terá que nos responder algumas perguntas e contar a verdade para o Jimin.

Taehyung riu anasalado balançando a cabeça negativamente. - O quê? Eu não tenho que justificar minhas ações a você, Jungkook.

Ele pediu licença e retomou seu caminho mas Jungkook estava mais que determinada a saber o quê ele escondia, isso era nítido no olhar do mais novo.

- Pois bem, nós iremos com você.

Então Taehyung parou e virou-se para nós, mas olhando especificamente para Jungkook com o olhar expressando raiva enquanto tinha os punhos cerrados. Meus olhos revezaram entre eles e estava pronto para impedir antes que ambos fizessem alguma besteira sem motivos caso fosse preciso.

- O que vocês querem que eu diga? - Kim perguntou, revezando o olhar entre nós dois.

- Agora, só queremos ir com você e saber dos seus planos.

Ele suspirou olhando para o lado, abaixou os olhos para o chão antes de os erguer para mim. - Eu só queria poupar o Jimin das más notícias e fazer tudo sozinho.

- Nesse ponto, eu o entendo. - Jungkook suspirou suavizando seu semblante. - Você só não queira dar falsas esperanças a ele.

- Pois, as minhas suspeitas podem ser verdadeiros porém caso não sejam, você precisa ser forte, Jimin.

- Não será um problema. - afirmei confiante com minhas palavras.

Taehyung acenou depois de um tempo e cruzou os braços em frente ao peito esperando que dissemos algo mas, eu presumia que ele estava testando a nossa paciência e a do Jungkook estava a uma gota para esgotar.

- ... Primeiramente me desculpem por não ter dito antes mas há uma maneira de contatar a polícia. Há uma torre de antena não muito longe daqui, além da floresta mas devo lembrar que o tempo não está muito bom. - ressaltou por fim.

- Realmente, com estas condições meteorológicas é um pouco improvável que ela funcione. Na verdade, ela nunca funcionou muito bem.

- Espera um pouco... há uma atena? Se vocês dois sabiam disso por que me contaram só agora? - indaguei visivelmente chateado por eles não entrei compartilhado tal informação comigo antes.

- Peço minhas sinceras desculpas por isso, Jimin. - Taehyung disse com a cabeça baixa.

- Viu o que as consequências da suas ações causaram, Taehyung?! - Jungkook fez menção de avançar sobre o Kim mas o impedir colocando-me a frente dele.

- Olha, Jungkook, a culpa não é totalmente minha mas ao menos eu tentei ajudar de alguma forma... mas e você?

- Parem com isso os dois!

Os dois olharam para mim e depois ao redor onde as pessoas que passavam por ali paravam para observar o que estava acontecendo.

- Agora vamos fazer a única coisa lógica e ir todos juntos. - Disse por fim.

- Isso não é uma boa ideia. Olha, Jimin, acho melhor você ficar pois... - ele tentou argumentar porém o interrompi.

- Não, eu tenho que ir e enviar que vocês dois joguem um ao outro do alto da montanha. Agora vamos.

Ninguém disse mais nada após sairmos até nos aproximarmos do nosso destino e, deslocando com dificuldade pela floresta, foi difícil não lembrar do medo que sentia naquela manhã quando acordei sozinho no chão gélido sem saber quem eu era.

Tentava não pensar muito naquilo e focar no real objetivo de alcançar a atenta mas, foi aí que eu apercebi o significado da nossa missão pois, certamente, se a antena estiver em boas condições e com um sinal razoável, significa que podemos contatar a polícia e com sorte, saberei sobre mim e minha família e automaticamente lembrei das palavras do Jungkook no dia anterior o que explicava o por quê dele parecer tão distante nos próprios devaneios durante a caminhada.

Eu poderia pedir para que nós voltarmos pata aldeia e esquecer tudo aquilo, eu queria esquecer tudo aquilo e quem eu era para aproveitar minha nova vida. Contudo, antes mesmo que fizesse menção de pedir enquanto pensava em uma maneira, nós chegamos ao nosso destino, conseguia ver a antena na cerca de metal não muito longe de nós. Taehyung foi o primeiro a se aproximar da cerca reconhecendo o terreno antes de mandar um sinal para eu e o Jungkook permanecemos onde estávamos.

- Vou verificar se é seguro. - ele disse, dando a volta pela cerca.

Jungkook encostou na árvore cruzando os braços em frente ao peito. - O doutor Kim é especialistas nessa área? 'Tai uma coisa que não imaginava.

Eu observava atentamente cada movimento do Kim assim como Jungkook, este que por alguma razão não confiava no mesmo e, de certa forma, eu também duvidava dele. Eu estava cansado e abraçava meu próprio corpo enquanto encostava na árvore onde Jungkook se apoiava.

- Acho que Taehyung não sabe o que está fazendo. - ele comentou estalando a língua no céu da boca.

- Vamos apenas esperar, não diga coisas precipitadas. - Ditei apenas observando os passos do doutor.

- Eu... - Ele começou, pegarreando - eu não queria te dar falsas esperanças mas se a antena não funcionar, teremos que esperar e...

- Jungkook! Venha aqui um segundo!

O chamado do Kim o interrompeu e ele foi até ele, esse que foi para trás da cerca examinado a mesma. Havia vários aviso para nós afastar e outros que apenas às pessoas autorizada tinham acesso mas, considerando as condições meteorológicas e o ambiente, esse avisos me pareciam ser um completo fiasco, já que, nem mesmo o próprio pessoal autorizado vieram aqui para verificar as condições da antena.

Jungkook e Taehyung ainda estavam examinado a cerca e sussurrando entre si, me fazendo me aproximar o suficiente para escutar o que eles estavam falando.

- ... Você tem certeza que isso foi um corte proposital? - Jungkook perguntou examinando o buraco na cerca.

- Claro que sim! Veja os cortes, a cerca não foi perfurada e sim cortada.

A cerca ao redor da antena estava cortada de um lado o suficiente para alguém passar por ela.

- Obviamente, alguém estava contando que não chegaríamos a pensar em sabotagem. - Jungkook observou. - Suspeita de alguém, Taehyung?

- Na verdade, não sei, talvez... Mas quando confirmar as minhas dúvidas pois não é uma boa ideia passar informações duvidosas.

- Okay, vou verificar. Acho que não há perigo, já que, alguém se certificou de deixa a antena sem energia. - ele apontou para caixa de distribuição emperrada.

Ele se encolheu para passar pela abertura na cerca, e foi até a caixa. Observava o seu rosto procurando alguma reação quando o mesmo a abriu e percebi que nossa ida até àquele lugar fora em vão.

- Encontrou alguma coisa? - Taehyung perguntou espreitando para o lado na tentativa de ver alguma coisa.

- Alguém levou todos os fusíveis e deixou algo...

Jungkook continuou parado olhando para dentro em silêncio, então ele colocou a mão no seu interior e retirou algo de lá. Uma nota. O medo e a preocupação pintando seu rosto me deixou aflito, ele se aproximou de nós e nos mostrou a nota que, em letras azuis naquele pedaço de papel amarelado estava escrito:

"Meu querido Jimin, tudo que você tem agora é MEU e nada mais justo que isso. Não tente nada contra mim, estou avisando."

Senti o medo se apoderando de todo meu corpo, fazendo minha pele se arrepiar. Não fazia ideia de quem poderia ter escrito aquilo ou o quê eu tenha feito para ela fazer tal coisa comigo. Aquilo não era apenas um aviso, mas sim uma ameaça.



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