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História Amnesia (Namjin) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Essa fic foi inspirada em Amnesia by Anahí, então essa obviamente é a música tema do rolê:

https://open.spotify.com/track/5mlp3ug1B63O9KamlFPImx?si=6VEgNuXFQruEadnEcCcIWA


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Boa leitura ❤️🥰

Capítulo 2 - Mi corazón se deshace


Fanfic / Fanfiction Amnesia (Namjin) - Capítulo 2 - Mi corazón se deshace

"O medo do desconhecido, da decepção e de recomeçar sempre nos impede de dar passos maiores. E a nossa felicidade ou aquilo que chamamos de felicidade vai ficando para trás. O tempo é impiedoso. Você não tem como regravar as cenas da sua vida ou ficar ensaiando."

{•}

 

 

"Seok-jin viu o garoto de cabelos roxos deixar cair o caderno no chão e o seguir, ele sabia que seus olhares — embora ele só pudesse ver um borrão — estavam conectados. Seok-jin podia sentir cada parte de seu corpo que encostou em uma parte do dele, os quadris se pressionando, os dedos passando dos pulsos para antebraços e emoldurando seu rosto. O garoto sem rosto o segurou no lugar, os lábios perto do ouvido. Quando ele beijou o ponto sensível, sua respiração estremeceu.

— Eu te amo tanto... — Ele sussurrou, movendo sua boca para a de Seok-jin.

Seus lábios eram quentes e firmes, pressionando contra os dele. Sua língua se aprofundando, as mãos viajavam em direções opostas, uma foi para os pulsos juntos, pressionando-os no colchão acima da cabeça, a outra deslizava pelo lado, cavando na cintura. Apenas quando Seok-jin pensou que não poderia tomar a intensidade, ele diminuiu a pressão e chupou seu lábio inferior suavemente, roçou sua língua sobre ele, e então ele repetiu o movimento. As mãos do garoto sem rosto agarraram os pulsos dele, colocando os braços em volta de seu pescoço. Ele o puxou, pegando Seok-jin em seu colo. Inclinando-o para trás, com a mão segurando a cabeça, ele beijou um caminho pelo pescoço até o V da camisa. Seok-jin pendeu a cabeça para trás enquanto ofegava."

 

O garoto acordou suado, ofegante e assustado. A pouquíssima luz entrando pelas frestas da cortina era o indício de que ainda não estava na hora. Cedo demais para ele está acordado. Ele suspirou, esticando o braço até a mesinha de cabeceira e tateando o espaço tentando encontrar seu celular. A luz do visor incomodou seus olhos cansados e sensíveis — por terem sido abertos no susto —, então diminuiu o brilho da tela para verificar as horas. Quatro e vinte e sete da manhã. Faltavam pelo menos mais quatro horas para ele precisar estar de pé, mas sabia que não ia conseguir voltar a dormir. Sempre. Aquilo acontecia sempre. Ultimamente com mais frequência do que ele gostaria. Ele empurrou o pesado edredom para os pés quando livre, jogou as pernas para o lado até tocarem o chão frio. Apoiando as duas mãos no colchão, ele praticamente escorregou para fora da cama. Seus pés em contato com o chão frio não eram um incômodo, pelo contrário, faziam com que ele lembrasse que estava na vida real, fora de um de seus sonhos realistas demais. Primeiro ele foi até o banheiro dar um jeito na ereção no meio de suas pernas. Aquilo sempre acontecia com os sonhos mais quentes. Depois de aliviado e limpo, ele retornou. O garoto caminhou até a pequena escrivaninha no canto de seu quarto com a ajuda da lanterna do celular. Após se acomodar na cadeira confortável ele a desligou e acendeu a pequena luminária de mesa que ficava em cima do móvel. A chave na fechadura de uma das gavetas fez um click quando ele a girou para destrancar. A pequena agenda foi posta na mesa. Ela tinha um tom meio lavanda com estampas de coisas de universo e a frase "I need space" escrita em preto na capa. Era mais como o seu diário pessoal do que uma agenda. Abriu em uma página em branco, escolheu uma de suas canetas que por milagre ainda estava funcionando e se pôs a trabalhar. Mais um relato de sonho para sua lista. Não que fosse a melhor coisa do mundo ter sempre que anotar cada sonho que tinha, mas fazia parte do passado que ele tanto tentou lembrar por muito tempo.

Seok-jin. Tudo que ele lembrava era isso. Simplesmente Seok-jin. Aquele nome — que ele realmente nem sabia se era seu mesmo — era tudo que ele tinha. Sua história de vida talvez devesse virar um livro ou uma série de televisão, parecia surreal demais para ser verdade. Seis anos. Os últimos seis difíceis anos. Esses eram os únicos de sua vida que ele tinha memória. O que tinha acontecido com ele também era um mistério. Quando ele lembrava de abrir seus olhos pela primeira vez, estava em um quarto de hospital sem a menor noção de nada. A médica que o atendia havia dito que ele estava no México e foi encontrado em meio a um acidente de carro — possivelmente após uma tentativa de assalto — gravemente ferido e nem sinal de dinheiro, celular ou até mesmo seus documentos. Seok-jin simplesmente surtou naquele dia. Sem dinheiro, sem identificação, sem memória, sem ninguém. Ele simplesmente se viu sozinho em um lugar onde até mesmo sentia que não era o seu. Era um garoto estranho em um mundo mais estranho ainda.

Com a ajuda da médica que cuidava do seu caso, ele pelo menos entendeu que não era mexicano nem algum estrangeiro que vivia no país. Apesar de falar espanhol e até inglês fluentemente — em suas memórias perdidas deviam ser idiomas que ele estudou por muito tempo —, em vários momentos ele viu a médica falando outro idioma ao celular com alguém e decidiu contar a ela que entendia cada palavra que era dita. Assim eles pelo menos descobriram que ele devia ser coreano — assim como sua aparência indicava — ou um americano descendente talvez. A mulher passou a conversar com ele no idioma — assim ele finalmente percebeu que ela não era americana também — pensando que talvez ajudasse em algo, mas não funcionou. Ao menos ele se sentia completamente confortável falando em coreano ao invés de espanhol ou inglês.

Foram quase dois meses no hospital até que ele pudesse ter alta. Depois de sair, ele teve uma crise. Foi a primeira de muitas crises de pânico que vieram a seguir ao longo dos últimos seis anos. Toda aquela experiência traumática acabou desencadeando nele um medo sem controle de táxis — onde ele estava quando o acidente aconteceu — e hospitais. Mas quando ele se viu livre daquele lugar, não sabia o que fazer. Mas para onde ele iria? O que fazer sozinho em um lugar desconhecido? As autoridades não haviam sido nada úteis. Contato com outros países não resultou em nada. Existiam inúmeros Seok-jin pelo mundo, e sem mais detalhes ficava quase impossível achar alguma coisa. O mais perto que chegaram foi de um Seok-jin que havia viajado da Coréia do Sul para os Estados Unidos mas morreu na queda do avião. Não havia nada no registro de passageiros que haviam chego recentemente ao país. Nada nos registros de entrada dele pelo consulado de nenhum outro país também. Então ele desistiu. Simplesmente desistiu. Acreditou que continuar procurando seria em vão. Apenas ia de adaptar aquela realidade.

E foi assim que ele chegou aonde estava atualmente. No início Seok-jin ainda mantinha uma obsessão em recuperar suas memórias e se forçava a lembrar das coisas, mas nunca chegou a lugar nenhum. Obviamente tinha tratamento médico e embora não conseguisse lembrar nada concreto, aos poucos algumas coisas iam surgindo mesmo que fossem mínimas. Em seis anos conseguiu lembrar seu ano de nascimento, algumas coisas que parecia gostar, coisas que costumava fazer e que aparentemente possuía uma inteligência acima da média. Mas nada além disso por seis anos. Até que nos últimos meses eles começaram a aparecer. Os sonhos. Eles surgiram aos poucos e sempre confusos, até que com o tempo se tornaram mais frequentes e concretos. A psicóloga — com quem ainda encontrava pelo menos duas vezes no mês — disse que na verdade eram memórias e não sonhos e seria bom que ele anotasse cada um deles para que aos poucos as peças fossem se unindo ao quebra-cabeça. Memórias que estavam tentando vir à tona. As lembranças que ele tanto tentou buscar agora vinham por conta própria. Mas sempre sem identificação. Aquelas pessoas sem rosto e sem nome. Ele ouvia suas vozes, conseguia ver seus corpos e ouvir coisas que ele identificava como apelidos, mas nunca conseguia ver seus rostos nitidamente nem ouvir seus nomes. Eram como borrões. Um buraco na história.

E tinha aquele garoto. A maioria dos sonhos era com ele. Seus cabelos roxos sempre estavam lá. Seok-jin não sabia quem ele era ou como seu rosto deveria ser, mas sabia que eles se amavam. Sempre que era ele, as cenas eram de ambos em passeios divertidos, uma sala de aula, momentos íntimos em um quarto todo bagunçado. Coisas que faziam Seok-jin imaginar um relacionamento quase como um filme adolescente bobo. Mesmo que não fosse uma cena acontecendo na realidade dele, Seok-jin quase podia sentir o amor que havia entre o seu eu daquelas lembranças e o tal garoto.

— Jin?

A voz sonolenta vinha da porta entreaberta. Seok-jin olhou para o garoto e sinalizou positivamente, indicando que ele poderia entrar. O garoto entrou se arrastando até a cama e se jogando na mesma. Quando Seok-jin saiu do hospital e não tinha para onde ir aquela médica que cuidava dele foi como seu anjo da guarda. A doutora Shin saiu da Coréia do Sul com o marido quando seu único filho tinha dez anos, e se viu tocada demais pela situação do garoto e o levou com ela. Seok-jin nunca ia esquecer tudo que aquela família havia feito por ele. Eles o acolheram e lhe deram todo apoio e amor, como se fosse parte verdadeira dos Jung. Atualmente os dois garotos dividiam apartamento com a fotógrafa Kim Ji-soo, uma amiga que fizeram quando foram para a faculdade. Seok-jin era editor chefe de uma editora e o outro trabalhava no departamento de marketing dessa mesma editora. Aquele garoto era seu irmão dois anos mais novo, Jung Ho-seok. Os dois não eram irmãos realmente, mas os anos juntos os tornaram assim.

— Os sonhos de novo? — Ho-seok murmurou deitado de barriga para cima, olhando o teto fixamente.

— É. — Seok-jin suspirou, largando a caneta de lado, fechando a agenda e desligando a luminária.

— O que foi dessa vez?

— Eu estava beijando o carinha de sempre. — Seok-jin respondeu, ocultando as partes mais íntimas do sonho. Ele se levantou da cadeira e seguiu de volta para a cama, deitando ao lado do amigo.

— Ainda sem rosto?

— Ainda sem rosto. — Seok-jin deixou evidente sua frustração. — Será que um dia essas pessoas vão ganhar rostos e nomes Hobi? — Ele questionou retoricamente, o chamando pelo apelido. — Sabe... Eu estava tão bem, mas aí começaram esses sonhos e tudo foi ladeira abaixo.

— Você tem ido nas sessões?

— Às vezes eu acho que a terapia não pode mais me ajudar nisso Ho-seok. — Ele resmungou. — É como se eu estivesse tentando colocar um anel apertado demais no dedo. Sabe? Quando a gente quer que uma coisa se encaixe, mas ela não vai e você sabe disso. Porém, continua tentando mesmo que seja inútil.

— Hyung... — Ho-seok o chamou usando a forma de tratamento. Embora não fosse uma coisa usada ali, ele cresceu até os dez anos na Coréia, então às vezes era reconfortante para chamar alguém de hyung. Para Seok-jin também era tão familiar que ele parecia se sentir em casa quando o mais novo o chamava assim. — Vai dar tudo certo sim? Eu sei que venho falando isso tem meses, mas uma hora esses sonhos vão ganhar as cores que você precisa. Só dê tempo ao tempo.

— O que você está fazendo acordado? — Seok-jin perguntou, mudando de assunto.

— Eu acordei para ir ao banheiro, mas tive sede então vim buscar água e a luz estava saindo por baixo da porta. — Ele explicou.

— Agora volte a dormir Hobi, ainda temos algumas horas antes de precisar levantar.

— Eu posso dormir aqui com você? — Ho-seok fez bico. — Por favor!

— Tudo bem.

Ambos se ajeitaram na cama e o mais velho os cobriu com o edredom. Instantes depois Ho-seok já dormia profundamente com os carinhos em seus cabelos. Já Seok-jin não iria mesmo conseguir pegar no sono outra vez. Sua mente estava ligada demais para isso, e tinha medo de dormir e sonhar novamente com o dono dos fios roxos.


Notas Finais


Demorei muito?

Sim eu estou atualizando tudo esses dias👽 E não, não estou ficando louca🤡🤡


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