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História Amor à Esquerda - Capítulo 4


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Notas do Autor


Notas iniciais:

Oi gente!

Inseri KiriDeku. Desculpem aos que não gostam, mas achei que seria algo legal de colocar, porque é uma situação complicada e dá pra brincar bastante.

No mais, coloquei uma parte política bem rasa, vocês vão perceber.

É isso, beijos

Capítulo 4 - Califórnia


 


- Mandou as flores para ele?

Uraraka questionou, devorando algum doce não identificável enquanto avaliava mais um relatório eleitoral

- Você tem certeza que quer jogar assim?

Iida a encarou, sério, desaprovando a ordem que havia cumprido.

- Foi só uma brincadeirinha...

- Ochako…

- A gente merece se divertir pelo menos um pouquinho, não é? 

- Você realmente acha que ele…

- Que quebrou a câmera do fotógrafo? Sim. Sobre a menor, não acho que Izuku se prontificaria a permanecer na campanha de alguém que está sendo acusado de sair com uma menor sem ter 100% de certeza que não é nada disso. E a acusação partiu única e exclusivamente do paparazzi... Não sei como Bakugou arrumou essa confusão, mas é ótimo para nós. Como está a agenda?

- Vamos passar no comitê da Califórnia, arriscar algumas das cidades… Vai ser bem corrido, mas eu acho que teremos bons resultados. Conseguimos alguns ótimos investidores, solicitei mais material de campanha… Creio que existem grandes chances de virada. 

O comitê de campanha central da Califórnia era, em sua maioria, composto por jovens empolgados dando início em suas carreiras políticas. Ligavam incansavelmente, conseguindo apoio para a candidatura de Ochako Uraraka: carregavam caixas, distribuíam panfletos e convenciam as pessoas do porquê que ela merecia ser a candidata democrata. As primárias lá seriam bem concorridas e uma vitória chamaria a atenção da mídia e consequentemente, dos investidores.

A Califórnia era o estado com o maior número de delegados no país. Antes do escândalo, Bakugou levava a dianteira por pouco, de acordo com as pesquisas. Era um estado importante e era possível reverter a situação. Decidiu participar da campanha ela mesma. Dialogar com as pessoas. Sacudir a própria bandeira. Poderia passar por 3 ou 4 cidades no dia.

Iida achou maluquice a princípio, mas ao verificar a euforia dos apoiadores, acreditou que seria uma boa ideia. 

- Obrigada por ajudar na campanha! Juntas, nos fazemos mais fortes!

Uraraka agradeceu a um grupo de meninas entusiasmadas com a campanha.

- Nós precisamos de uma voz feminina na Casa Branca, candidata. Tivemos algumas excelentes primeiras damas, mas só isso não é o suficiente. Apenas ⅕ das nossas cadeiras no congresso são ocupadas por mulheres. 

Uma das jovens apontou.

- E dos 50 governadores, apenas 7 são mulheres. E somos a maioria nesse país. Nós temos que discutir o porquê das mulheres não estarem nesses cargos. 

Outra apontou.

- Somos a maior nação do mundo, é quase incompreensível. 

Uma terceira garota disse.

- Existe toda uma questão da nossa estrutura social que faz as mulheres abandonarem suas carreiras, mas recentemente eu li um livro chamado Woman for President, onde a autora faz uma analogia midiática sobre as candidaturas de mulheres desde 1872. E, garotas, o nosso povo é conservador e se guia por um jornalismo que nos distorce para que nenhuma mulher seja tão boa quanto um homem. A gente precisa mudar isso. Eu preciso mudar isso.

- Eu quero muito que mude. O país precisa de você.

- O país precisa que existam mais minorias determinadas a estarem em cargos políticos. Não só mulheres. Pessoas LGBT+, de outras etnias não brancas… Pessoas que precisam ter suas vozes ouvidas. É por isso que é gratificante ter vocês trabalhando na minha campanha. Eu já fiz isso, já estive no lugar de vocês. E isso foi fundamental para que eu traçasse um projeto de candidatura. Pode ser um pouco cedo? Pode. Mas os sonhos precisam ser tão grandes quanto nós somos. E se eu não ganhar agora, vocês vão me ver aqui de novo. 

Apesar de ser uma conversa de cunho mais pessoal, era impressionante como as outras pessoas paravam para ouvir. Uraraka era fofa. Era considerada frágil, sensível, mas tinha uma voz...

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Kirishima soltou a pilha de papéis sobre a mesa de centro e afrouxou a gravata. Mesmo com a amizade de longa data, era exaustivo lidar com Bakugou. Já havia resolvido problemas maiores vindos dele. Seu maior dom era o tato e a sensibilidade para dialogar com os apoiadores da campanha. Mas seu trabalho não estaria completo sem a inteligência, organização e o esforço do marido. 

- Está tudo bem? Eu achei que o Kacchan ia matar nós dois hoje. 

Midoriya adentrou o cômodo, sentando-se no sofá, guardando o tablet que carregava na pasta.

- Mas estamos vivos, não estamos? Isso vai valer a pena!

Disse o outro chefe de campanha, ainda de pé, em um dos cantos da sala, ligando o noticiário.

- Às vezes, eu acho que essa eleição vai acabar com a gente. 

- Não precisa ser dramático.

- Quando eu digo a gente, eu quero dizer… "a gente".

- Você…

- Não é isso. Eu estou feliz. Eu amo estar do seu lado. E foi melhor não ter trabalhado na campanha da Ochako, porque se estivéssemos em lados opostos seria insuportável. Só que acabamos nos resumindo a isso. A gente só conversa sobre essa campanha, só se planeja sobre isso. Eu sei que acaba como um projeto conjunto, mas...

Eijiro se aproximou, sentando-se ao lado do marido, sabendo que tagarelaria sem parar se pudesse. Sorriu docemente e o abraçou, deslizando os dedos pelos cabelos verdes do outro.

- É temporário, você sabe. E nós não conseguiríamos fazer isso diferente. Você sempre quis fazer isso e eu também. E eu entendo que isso tira a nossa individualidade como casal e terminamos os dois trabalhando o tempo todo… 

Izuku se afastou lentamente, segurando a mão do marido.

- A gente só trabalha, na verdade. Quando foi a última vez que fizemos alguma coisa por nós dois?

- Eu gostaria sinceramente de lembrar… Eu já disse o quanto você fica másculo com essa gravata borboleta?

Kirishima beijou as bochecha do homem à sua frente, uma de cada vez, e antes que beijasse seus lábios, o telefone tocou. 

- É ele?

- A essa hora? Só pode ser.

Kirishima atendeu o celular nervosamente. 

- Ele já está rosnando. Que Deus nos proteja.

"O que você disse, Cabelo de Merda?"

- Eu já falei, Bakugou. As pessoas aceitaram a nossa versão. Existem opiniões até positivas. Contar a história verdadeira funcionou e o fotógrafo, além de não ter provas, foi desmoralizado. A garota desapareceu do mapa. Duvido que surja pra te acusar de qualquer coisa, já que nós temos todas as imagens.

"Não é isso, porra! A porra daquela garota…"

- O que tem ela?

"Ela me ligou. Você tem ideia de como ela conseguiu meu número?"

- O que? Mas… E o que ela disse?

"Ela pediu desculpas. E depois disse algo sobre ter feito pela mãe dela ou qualquer coisa assim."

- Tá, mas…

"Você tá entendendo? Essa porra foi comprada! Você não achou coincidência demais um fotógrafo filho da puta, às 3 da manhã, e uma menor de idade ?"

- Pode até ter sido mas…

"Mas nada. Ela disse que precisava do dinheiro para pagar uma dívida hospitalar. Você tem ideia do quanto é difícil isso? Você tem ideia de quanto tempo nesse país a gente discute o acesso à saúde sem sucesso? E aqueles republicanos de merda vem com aquele discurso babaca de "o estado não deve ser responsável pelo bem-estar social". A grande maioria dos pedidos de falência desse país estão associados a essa merda e eles ainda me vem com isso?"

- Bakugou…

"Eu não sei quem foi que ordenou essa merda toda, mas to louco para descobrir. Porque é muita escrotidão usar algo dessa magnitude para tentar me atingir. Só me deu mais vontade de ganhar e esfregar a cara de sabe-se lá quem foi no chapisco, depois que eu conseguir implantar o modelo que a gente planejou. Aí eu vou rir com gosto. E ainda vou achar essa garota, e ela vai me agradecer, apesar de ter sido uma grandiosíssima filha de uma puta atingida por mais um esquema político podre de alguém."

- Você precisa se acalmar. A gente viaja em duas horas. Precisamos garantir a Califórnia e se você chegar lá assim… 

"QUERO QUE MORRAAAAAAM. Só pode ter sido aquela Cara de Lua maldita. Por isso aquelas flores!"

- Uraraka não se aproveitaria de uma situação dessas para ganhar uma eleição. 

Bakugou suspirou. Realmente não tinha motivos para acreditar que ela faria uma coisa daquelas. Uraraka jogava limpo, ele sabia.

"Mas pode ter sido qualquer idiota no comitê dela! Eu preciso descobrir quem foi. Agora é questão de princípios. Vê se vocês dois não ficam de palhaçada e pensam em alguma coisa. A gente se encontra no aeroporto em duas horas."

O pré candidato desligou o telefone sem mais nem menos. Kirishima segurou os cabelos e Midoriya colocou a mão sobre o ombro dele. 

- O que foi dessa vez?

- Tem alguém jogando sujo para sabotar a nossa campanha. E o Bakugou está puto. 

- Tá, e a novidade?

Eijiro riu, abraçando o marido. 

- Nenhuma. Você é sempre tão fofo assim?

Izuku sorriu de volta, dando um beijo estalado nos lábios do outro chefe de campanha. 

- Sabe, talvez a gente tenha um tempinho antes de ir para a Califórnia...



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