História Amor além da imaginação - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Seis


- Que filme vamos assistir ? - Nicollas pergunta, quando desce o último degrau da escada. 

Olho para ele, quando passa a camisa de frio pela cabeça, seu topete bagunça, ele passa os dedos nos cabelos castanhos e arruma as mechas rebeldes na cor castanho-claro. Lança um sorriso de canto para mim, muito sexy para falar a verdade, engulo em seco. 

- Não faço ideia, - falo, deitada de  qualquer jeito no sofá. - qualquer coisa serve. - dou de ombros. 

Nicollas se aproxima, me observa com atenção. Senta no sofá, pega uma almofada e põe no colo, em seguida, fala: 

- Pode ser qualquer coisa ? 

- Qualquer coisa... - Respondo, com inocência, até vê-lo me olhando com malícia, completo: - Menos Cinquenta tons. 

Ele solta uma gargalhada baixa. - Aí perde a graça... 

- Sierra Burgess é uma Loser ? - Pergunto, animada.

Ele me olha com a sobrancelha erguida. - Só porque seu nome é Sierra ? - Indaga. 

Sorrio e deduzo que sua pergunta significa um "não", olho para ele desapontada. 

-  Amizade Colorida ? - Ele pergunta, enquanto procura por filmes na televisão enorme que compõe a decoração sofisticada da sala. 

- Entre nós ? - Brinco. 

Nicollas para e me olha, inexpressível. - Não, o filme. 

Pego o pelúcia e cubro o rosto, pois estou muito envergonhada com o fora. Ele pega o pelúcia das minhas mãos e me olha, rindo. 

- Sua brincadeira foi boa. - riu novamente. - Como eu era antes de você ?  

Aceno com a cabeça e ele coloca o filme. 

                                                                                   #

Ainda estamos assistindo Como eu era antes de você, quando eu escuto um soluço baixo vindo de Sierra. Com a pouca iluminação da sala - fornecida apenas por dois abajures, um de cada lado do sofá -, posso visualizá-la com pouca clareza. Outro soluço; está chorando. Evito rir da situação em que ela se encontra. Suas sardas brilham com a pouca iluminação e as lágrimas que escorrem dos seus olhos, seus cachos ruivos estão presos ainda - desde o momento que os prendeu, quando a vi no quarto de Phietra -. De relance, contemplo a beleza rara que Sierra possui, desde quando tinha seus oito anos - até hoje -, eu a comparo com um ser místico; um elfo. Se seus cabelos fossem lisos,  seria uma versão perfeita e mais jovem de Tauriel, a elfo de O Hobbit. No futuro, se houver uma nova versão dos filmes, eu farei questão de indicá-la para fazer a personagem; a minha preferida. Porém, teria uma condição; eu seria o Legolas, claro. Podem achar que eu estou exagerando sobre Sierra, mas acreditem, se a vissem, ficariam fascinados assim como eu. 

Me recomponho dos meus pensamentos de Nerd fã número um das obras de J.R.R Tolkien, quando escuto um choro baixinho, Sierra me olha, chorando, só então percebo que estava vidrado nela por tempo demais, pigarreio. 

- Por que está chorando ? - Pergunto, desviando o olhar. 

- Will... - ela soluça e tenta parar de chorar. - e-ele... m-morreu! 

Solto uma risada baixa. Sierra é realmente fofa e dramática, e isso me lembra o dia em que estávamos na fazenda de seus pais e um ganso a perseguiu. Sierra gritou, berrou e se esperneou, quando cansou de correr, pulou nas minhas costas feito uma louca. 

- Nunca leu o livro? - Pauso o filme, após perguntar. - é verdade quando dizem que o filme nunca sai igual ao livro... 

- Pretendo ler. - Ela responde, respira fundo e enxuga as lágrimas. - Também gosta de ler ? - interroga, desconfiada. 

Endireito a coluna no sofá e pigarreio, dou uma risada convincente. - Não. - Digo, com sarcasmo. Não estou mentindo, eu não gosto de ler; eu amo. Sierra ficaria louca - mais que o normal - se soubesse que, além de ser o galã e jogador de vôlei do colégio, também sou um leitor obcecado por livros de todos os gêneros e possuidor duma biblioteca subterrânea na minha casa.

Ela não se importa com a minha resposta e dá de ombros, pega o controle da minha mão e reproduz o filme. Começa a chorar novamente quando Louisa Clark começa a ler a carta deixada por Will, após sua morte.  A cena é realmente muito emocionante, vendo o estado deplorável que Sierra se encontra, estendo o braço para ela e a mesma segura a manga da minha blusa de frio. Encolhida no sofá, ela usa minha blusa como lenço de papel. De alguma forma, por mais que isso tenha sido nojento, esse momento fez a diferença para mim. Foi aconchegante. 



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