História Amor além do ódio - Capítulo 25


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amizade, Drama, Família, Originais, Romance
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Palavras 1.975
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Esporte, Famí­lia, Festa, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oie, tudo bem com vocês?

Me desculpem pela demora para postar e...

Boa leitura 💜

Capítulo 25 - Nada é impossível


Observei pela janela o aguaceiro que caia do lado de fora, as gotas de chuva deslizavam lentamente pelo vidro embaçado. O tempo havia mudado drasticamente durante a noite, de um dia ensolarado foi para uma manhã chuvosa. Eu gostava de dias como esse, o cheiro de terra molhada e o som das gotas de chuva contra o teto das casas, tranquilizante... Mas não hoje.

Eu estava muito, muito estressada, a ponto de esfregar a cara do primeiro que passasse na minha frente no chão. Já de manhã acordei com Patrícia aos berros porque estava chovendo, depois meu avô avisou que não poderia levá-la para a casa dela por causa de um problema no carro dele e o outro automóvel não tinha um motor potente para atravessar as estradas esburacadas pela chuva – o que a deixou transtornada - e Jack havia falado com o pai ontem a noite e estava insuportavelmente irritado, somado isso tudo a uma infeliz dor de cabeça minha, deu o meu humor hoje.

Revirei-me no sofá onde estava deitada, tentando encontrar uma posição mais confortável e tentei a todo custo bloquear a voz estridente de Patrícia que reclamava sobre não ter o pão integral para comer.

Guilherme e Clara sussurravam apoiados nos cotovelos no sofá que eu ocupava, nenhum deles com coragem de me pedir para levantar. Olhei para eles com um sorriso forçado e sentei, apontando para que sentassem. Eles não tem culpa de você estar mal humorada, repeti para mim mesma.

- Como você está?- perguntou Clara.

- O remédio está fazendo efeito; pelo menos para a dor de cabeça, já meu humor...- revirei os olhos.

- Você tá naqueles dias, Jú?- a pergunta veio de Gui e quase quebrei o pescoço quando virei para encará-lo, seu rosto totalmente vermelho.- Ah, quero dizer... bem, ahn... Esquece.

- Tudo bem, Gui, é só uma dor de cabeça.- disse, ainda surpresa pela pergunta.- Obrigada por se preocupar, acho.

Ficamos em silêncio, um tanto quanto constrangedor, por meio segundo e depois tivemos um ataque de riso digno a lágrimas nos olhos e mãos na barriga. Só mesmo Guilherme e sua dificuldade de conter a língua para me fazer rir.

Patrícia surgiu na sala, a expressão ofendida de quem perde uma piada e depois para com o olhar em mim, acusação e raiva transbordam dos seus olhos. Desde ontem a noite noto algo de diferente nela em relação a mim - talvez pelo episódio com Jack -, não era a simples indiferença de sempre, ela estava mais venenosa que o habitual. Voltou a sumir para dentro da cozinha sem dizer uma única palavra.

- Ela é muito estranha.- comentou Guilherme.- Quase como uma cobra prestes a dar o bote.

- Ela foi sempre assim com você?- indagou Clara.

- Sei lá, acho que sim.- respondi.- É o jeito dela, acredito que seja assim com todo mundo, não só comigo.

Por alguns minutos ignorei o mal humor enquanto conversava com meus dois amigos. Acho que o melhor remédio para o estresse é uma conversa animada com pessoas que gostamos

Um tempo depois Jack apareceu e se jogou na poltrona ao nosso lado, usava um conjunto moletom cinza com uma estampa de caveira e calça, chinelos e parecia que ele não se deu o trabalho de pentear os cabelos.

- Você está melhor, Princesa Caroço?

- Estava até você chegar, Pateta.- sorri.

Então ele sorriu e foi preciso só isso para o ridículo do meu coração bater ainda mais acelerado. Ainda tentava me acostumar as reações que meu corpo tinha a Jack; meus olhos a todo momento procurava os dele, sinto-me retrair com sua presença, minha boca pede pelo calor da dele e mais um monte daquelas baboseiras típicas de quando se gosta de alguém. Quem diria que eu me sentiria assim por Jack?

- A Jú olha para o Jack como se fosse comê-lo.- Guilherme falou, rindo.

- Guilherme!- Clara bateu nele.- Algumas coisa não precisam ser comentadas.

- Hein!- gemi, afundando no sofá sem olhar para eles.

- Eu sei que sou deliciosamente desejado pela Ana Júlia.- Jack aproximou o pé do meu e me cutucou.

- Odeio vocês!- falei.

Jack apertou minha mão e me puxou do sofá para perto dele, olhei em volta para confirmar que os adultos não estavam ali e sentei no braço da poltrona onde ele estava sentado. Seus braços rodearam minha cintura e, admito, sentia minhas bochechas esquentar, com certeza estava vermelha.

- Entre tapas e beijos é ódio, é desejo!- Guilherme e Clara cantarolaram.

Certo, tive que rir da cantoria deles e da demonstração de afeto em público que Jack e eu proporcionávamos aos dois. Cada dia que passa confirmo que nada é impossível de acontecer.

Senti os dedos de Jack fazendo círculos no alto das minhas costas e um arrepio involuntário passou por meu corpo, olhei para ele e me contive para não beijá-lo, apesar do fato dele passar a ponta da língua nos lábios, piorar ainda mais meu auto controle.

Abri a boca para perguntar se, assim como eu, o mau humor dele havia passado, mas Patrícia entrou na sala pisando duro e quase consegui ver fumaça saindo de suas orelhas. Levantei apressada da poltrona o que fez Patrícia esbugalhar ainda mais os olhos e vir em nossa direção...

- Ô de casa!- uma voz chamou do lado de fora da casa e bateu na porta.

Patrícia parou de vir em minha direção, respirou fundo e procurou voltar com a compostura.

- Estão esperando visita?- perguntou Gui.

- Não sei.- disse.

Na cozinha ninguém pareceu ouvir o chamado do lado de fora da casa. Fui até a porta me perguntando quem em sã consciência sairia de casa num dia chuvoso como o de hoje e apareceria para uma visita sem avisar. Não demorei a descobrir quem.

- Lucas?

- Oi Jú!- ele sorriu e passou as mãos pelos cabelos molhados.- Chuva boa, né?

Fiquei surpresa por vê-lo ali e meio apreensiva do porquê de ele ter vindo. Desde o ocorrido na festa não tinha visto ele, não sabia muito bem o que devia fazer.

- Sim, é, entra.- falei, desconcertada e escancarei a porta.- Que bom te ver.

Levei ele até a sala onde, educadamente, ele cumprimentou a todos – inclusive Jack, apesar de eu ter notado os olhares enviesados que mandaram um para o outro. Patrícia havia sentado ao lado de Clara e percebi que ela também notou certa tensão entre os dois garotos, mesmo não sabendo do ocorrido de duas atrás.

- Veio falar com meu avô, Lucca?- questionei.- Ele, minha vó e mamãe estão na cozinha, acho que não ouviram você chegar.

- Na verdade vim falar com você.- falou e cruzou os braços.- Podemos conversar por um instante? Depois vou cumprimentá-los.

- Ah, claro.- concordei.

Ainda desconfortável com tudo aquilo fui com Lucas até uma parte do quintal que tinha telhado, onde poderíamos conversar sem nos molhar e esperei que ele começasse a falar.

- Queria me desculpar pela forma como agi naquele dia. Fui um babaca intrometido.- ele disse.

- Foi mesmo.- concordei.- Era a minha vida que você estava querendo se meter e dar ordens.

- Eu sei, desculpas.- murmurou.- Eu já por impulso.

O que eu devia dizer agora? Realmente não esperava passar por esse tipo de conversa.

- Espero que você não tenha se machucado.- tossiu, envergonhado.

- Não me machuquei.- garanti, mas evitei contar que meus cotovelos ficaram doloridos no outro dia.

Voltamos a um silêncio chato e tenso. Lucas balançava o corpo para frente e para trás de forma inconsciente, mas que estava começando a me irritar. Abri a boca, pela segunda vez naquele dia, mas fui interrompida.

- Você não devia ficar com ele.- falou, autoritário.- Ele não presta.

- Você não o conhece!- berrei, raivosa.- E não é da sua conta, saco!

- Eu conheço o tipinho dele!- revidou.- Ele só vai te usar!

- Lucas, meu Deus, o que deu em você?

- Jú, eu gosto de você, sabe disso.- baixou a voz, segurando uma das minhas mãos.- Quero o melhor para você.

- Eu também gosto de você.- falei, afinal, ele é meu amigo.

- Mesmo? Gosta de verdade? Então por que não me escuta e larga de vez aquele cara?- fez as perguntas uma atrás da outra, sem me dar tempo de responder e me deixando confusa a cada palavra.

Até que ponto falávamos da mesma coisa?

- Podemos tentar alguma coisa, sabe, nós dois.- continuo e notei onde estava o erro.- Mesmo a distância ou pelo menos enquanto você ainda estiver aq...

- Não, não, não!- me afastei, largando sua mão.- Gosto de você assim como gosto de Guilherme, como amigo.

E lá estava a decepção, a mágoa e me senti muito, muito mal por toda aquela confusão. Quando foi que minha vida se tornou uma novela mexicana?

A chuva se intensificou e o único barulho ali era o das gotas de chuva. Queria tanto que nada daquilo estivesse acontecendo, queria que Lucas não gostasse de mim e que eu não precisasse magoá-lo.

- Ele vai te fazer sofrer.- Lucas me encarou e sua expressão era tão nebulosa quando o céu a cima de nossas cabeças.- E aí vai me dar ouvidos.

- Não tem como você afirmar isso, Lucas.- encostei na parede atrás de mim, olhando para o chão.- Desculpa se o sentimento não é recíproco. Não queria que isso estivesse acontecendo.

- Jú, por favor...- suplicou e juro que quase vomitei de tão mal por ver ele implorar por um amor que eu não poderia dar.

- Lucas, você é um amigão meu, mas não passa disso.- Sabia que o que eu diria agora o machucaria ainda mais, mas precisava ser dito.- Jack é o melhor para mim no momento.

Meu amigo abaixou a cabeça e suspirou alto, parecia exausto. E me segurei para não abraçá-lo e reconfortá-lo.

- Uma hora ou outra você vai cair na real.- falou por fim e entrou para dentro da casa.

Fui atrás dele, mas sem a intenção de falar mais nada, qualquer coisa que eu falasse agora só iria piorar a situação.

Quando chegamos na sala os adultos esperavam para cumprimentar Lucas, provavelmente alguém havia dito que ele estava ali. Clara e Gui olhavam com milhares de perguntas nos olhos, com certeza notando a nossa cara de velório. Já Jack me encarava indecifrável.

- Quem sabe outro dia, seu Antônio, tenho que ir, mas obrigado pelo convite.- Lucas recusou a oferta do meu avô para tomar um café.- Tchau, tenham um bom dia.

- Ei, espera aí!- gritou Patrícia descendo as escadas com sua bolsinha de mão.- Está de carro, não é? Me leva em casa, só fica um pouco depois de onde você mora.

- Patrícia, onde está sua educação?- minha avó a repreendeu.

- E são longos quilômetros da casa dele a sua.- Vovô completou.

- Ele não vai morrer se me levar e o carro de vocês não presta. Quero ir pra casa.- falou, mimada que só ela.

Lucas olhava de um para o outro, louco para ir sair dali e nem um pouco afim de ver outra discussão.

- Eu levo ela.- falou simplesmente, já indo para a porta.

- Obrigada, querido e desculpe por esse incomodo.- vovó agradeceu.

- Não é nada, Dona América.- sorriu e saiu da casa.

- Tchau para quem fica.- Patrícia mal deu um beijinho na bochecha de nossos avôs e saiu sem olhar para trás.

Me joguei no sofá e bloqueei as vozes ao meu redor, cansada do rumo que as coisas haviam tomado. Antes de fechar os olhos encontrei com o olhar de Jack em mim, muitas emoções em um só lugar, mas não tentei descobrir quais eram elas, estava exausta demais para mais isso. E, novamente, sentia a dor de cabeça retornar e agora nem remédio poderia dar jeito.


Notas Finais


Espero que tenham gostado e até o próximo capítulo 💜


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