História Amor Além do Tempo - Um Novo Começo - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Life Is Strange
Personagens Chloe Price, Kate Marsh, Maxine Caulfield, Personagens Originais, Victoria Chase
Tags Chloe Price, Life Is Strange, Lis, Max Caulfield, Pricefield
Visualizações 482
Palavras 3.838
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Famí­lia, FemmeSlash, Fluffy, Magia, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei de novo, pessoas!

Não vou falar muito, só que resolvi usar essa fanart nesse capítulo porque achei ela perfeita, porque o texto é focado na Ellie e, não sei vocês, mas era exatamente assim que eu a imaginava.

Boa leitura! :)

Capítulo 13 - Ciúmes


Fanfic / Fanfiction Amor Além do Tempo - Um Novo Começo - Capítulo 13 - Ciúmes

- O que tem de tão especial nela?

A pergunta pendia no ar, flutuando como uma pluma entre tantos questionamentos, como nas muitas vezes em que foi repetida e ignorada sumariamente por Ellie. Era como um eco distante, que só podia ser ouvido e compreendido, se ela prestasse bastante atenção.

Mas Ellie nunca dava a mínima para ele e tinha consciência de que, mesmo que se importasse, não poderia explicar, nem após sucessivas tentativas. Por isso, sempre fazia do silêncio sua resposta definitiva.

- Você ficou surda, Elizabeth?

O eco insistiu em brigar pela atenção da garota, usando um artifício que ela odiava, sem saber que aquela era uma batalha perdida, a tirando momentaneamente do sério e a obrigando a dar uma resposta atravessada para tentar encurtar o máximo possível o assunto.

- Você tá com ciúme?

A pergunta feita num tom irritado atiçou ainda mais o ímpeto da garota ruiva, de cabelos longos e olhos castanhos, sentada imediatamente a sua esquerda, em meio a uma roda de amigos e colegas, distraídos com suas próprias conversas.

- Por quê? Eu deveria?

A garota devolveu a pergunta num tom insinuante, chegando mais perto de Ellie e usando a proximidade para lhe permitir apoiar a cabeça no ombro dela, buscando qualquer tipo de validação ao seu comportamento. 

Ellie não se moveu ou reagiu à aproximação, já que, embora ouvisse as palavras distantes de Amy, seus olhos e sua atenção vagavam além do pátio da escola, observando cada movimento da garota loira de cabelos esvoaçantes, que caminhava despreocupadamente, acompanhada por duas amigas.

Como sempre acontecia, desde que passaram a morar na mesma cidade e frenquentar a mesma escola, o olhar verde oliva da garota loira encontrou o de Ellie como por instinto e as duas abriram um sorriso breve e automático ao mesmo tempo, mas que foi encerrado abruptamente depois de um puxão irritado no braço da jovem Price.

- Ellie?!

- O quê?! - Ellie devolveu irritada.

- Eu deveria ficar com ciúme?

A ruiva insistiu em tom de ultimato, como se acreditasse que a pergunta repetida em tom de ameaça fosse ter algum efeito na garota sardenta e só notando seu equívoco gritante, quando Ellie riu abertamente, se levantando do banco sem nenhum aviso, e começou a se afastar antes mesmo de responder.

- Claro que não. - Ellie disse, agora encarando de frente a garota, que assumiu uma expressão sorridente ao ouvir a resposta, mas que logo se desfez quando veio o complemento - Você não é minha namorada. Então, não há razão pra isso. - Ela disse calmamente, enquanto se afastava andando de ré para poder encarar a garota boquiaberta ao dizer sua frase final - E não tente competir com a Angie porque você vai perder.

Depois disso, Ellie simplesmente deu as costas para Amy e ensaiou um aceno de despedida ao restante de seus colegas, tentando não pensar muito sobre o olhar assassino que devia estar seguindo cada passo seu, depois da resposta atravessada, e que deveria estar enlouquecido ao adivinhar o rumo que tomaria a seguir.

Ellie começou a caminhar mais rápido até alcançar as três garotas que já tinham aberto uma boa distância de onde ela estava e então tocou no ombro de Angie com uma das mãos, a fazendo dar meia volta para perceber sua aproximação.

- Oi!

Foi a única coisa que uma Ellie desconcertada conseguiu dizer para uma Angie, que a observava de cima a baixo, parecendo não estar nenhum pouco satisfeita com a interrupção, o que levou a filha de Chloe e Max a se questionar internamente, se havia feito algo de errado.

Depois da encarada silenciosa, Angie dispensou as outras duas amigas e continuou seguindo em direção à saída do colégio e rumo ao ponto de ônibus, sendo seguida de perto pela melhor amiga, que replicava seus passos como uma sombra.

- Sua namorada te deixou vir atrás de mim? Isso sim é surpreendente. - Angie comentou num tom sarcástico, quando as duas chegaram à parada, que estava relativamente vazia para o horário.

- Ela não é minha namorada, muito menos dita o que posso ou não fazer. - Ellie se defendeu, mantendo os olhos fixos no chão, enquanto brincava de pisotear e chutar uma lata amassada.

- Vocês ficaram na última sexta e ela não desgrudou de você um minuto desde então. Por isso, concluí que...

- Nada. - Ellie completou, interrompendo-a no meio da frase e depois checando mais claramente a expressão corporal de Angie, que denotava um leve desconforto, o qual a garota de cabelos escuros logo cuidou de traduzir - Você tá com ciúme?

Angie empalideceu e arregalou os olhos, buscando os de Ellie, que estavam fixos nela e agora repletos de auto confiança, reforçada pelo sorriso involuntário que exibia.

- E-eu com ciúme?

Angie perguntou ao desviar o olhar e andar alguns passos em direção à rua, como se pudesse evitar o assunto com aquela simples ação. Mas não podia. Logo Ellie percorreu os mesmos passos, emparelhando com ela e insistindo.

- Você com ciúme.

Ela repetiu com um sorriso mais aberto, procurando de novo o olhar da amiga, que checava o trânsito como se sua vida dependesse disso e suspirou aliviada quando notou a aproximação do ônibus, deu sinal e se apressou a entrar nele.

O que Angie não esperava, porém, era que a persistência de Ellie atingisse proporções inesperadas e a fizesse segui-la e repetir a ação de entrar no veículo, que a levaria na direção contrária à que deveria ir, sentando ao seu lado, sem pedir licença, num dos muitos assentos vagos do ônibus.

- O que você tá fazendo?

- O que você tá fazendo? - Ellie replicou a pergunta num tom indignado.

- Indo pra minha casa que, por sinal, não fica no caminho da sua. - A garota loira respondeu sarcasticamente, evitando o olhar de Ellie.

- O que eu quero saber é por que você tá fugindo de mim. - Ellie insistiu, ignorando novamente a fala repelente da amiga.

Angie se manteve em silêncio, olhando pela janela e se distraindo com as diferentes paisagens que se apresentavam ao longo do caminho, tentando não pensar nas palavras de Ellie, já que não tinha resposta para elas.

- Eu tenho ciúme de você. - Ellie falou de forma inesperada, captando finalmente a atenção total da amiga, que agora demonstrava surpresa. - E teria muito mais, se você me falasse de algum garoto ou garota de quem estivesse afim. Mas você nunca conversa comigo sobre isso.

- O que...? - Foi a única coisa que a garota loira conseguiu dizer após a confissão da amiga.

- Você ouviu.

Ellie reafirmou secamente, sem a mínima intenção de disfarçar seu incômodo com o comportamento de Angie. E isso ficou ainda mais claro quando ela se manteve calada após fazer o curto desabafo, escolhendo passar o restante da viagem apenas observando o movimento no corredor do ônibus.

- Eu nunca converso sobre isso porque não existe nada pra contar. - Angie começou se defender, olhando para o chão, insegura com a possível reação de Ellie.

- Angie, eu entendo que você não fique à vontade pra falar sobre o assunto. Por isso, não te pressiono a contar. Só não minta pra mim porque é óbvio que é o que você está fazendo agora. - A garota sardenta pôs a declaração da amiga sob suspeita, sentindo a irritação crescente que se espalhava dentro de si a impedir de forçar uma reação mais comedida.

O que se seguiu foi apenas um demorado e muito desconfortável silêncio, que Ellie não se esforçou mais para preencher e Angie não tinha ideia de como contornar.

Ela sentiu as palmas das mãos começarem a suar e um embrulho se revirando em seu estômago à medida em que notava que a hora de descer se aproximava e que o tempo de fazer as pazes com a amiga se tornava rapidamente escasso.

- Eu estava com ciúmes sim. E não foi a primeira vez. - Angie confessou, ao notar que não restavam mais alternativas, sentindo um peso enorme sair de suas costas ao terminar - Pronto. Agora pode me zoar.

Com os olhos voltados para a janela, ela ouviu a risada que conhecia tão bem e se preparou para o que viria em seguida, imaginando que fosse alguma piada ou uma tirada sarcástica. Entretanto, ela se viu completamente enganada, quando sentiu um braço pesando sobre seus ombros e ouviu a resposta que não esperava.

- Por que eu iria te zoar? Eu acabei de dizer que sinto o mesmo. - Ellie questionou, confusa.

- Pensei que você tivesse falado só pra me convencer a contar a verdade.

- Você é doida, Angie. Sorte que eu existo pra pôr juízo na sua cabeça oca. - Ellie brincou, fazendo a garota loira revirar os olhos em resposta.

Depois disso, as duas garotas apenas aproveitaram o silêncio do restante da viagem, aconchegadas uma na outra, apenas esperando, em meio à calma pós discussão, o momento de descer do ônibus e seguir caminho.

Quando a hora finalmente chegou, Angie se levantou, deu sinal e se dirigiu rapidamente até a porta de trás, seguida de perto por Ellie. Então, as duas desceram juntas, mas apenas a garota loira seguiu caminho e só percebeu a parada súbita da amiga, quando já estava quase dobrando a esquina.

- O que foi, Lis? Por que você parou aí do nada? - Angie questionou, ao voltar parte do caminho.

- Esperando o ônibus pra ir pra minha casa, ué. - Ellie respondeu despreocupada, como se aquela informação fosse óbvia.

- E eu que sou doida. - A garota loira ironizou, balançando a cabeça num gesto de desaprovação e, logo em seguida, pegando a mão da amiga e a arrastando sem mais nenhum aviso ao retomar o caminho de casa. - Vem logo.

E Ellie obedeceu de bom grado, com um sorriso discreto estampando seu rosto, deixando claro o quanto havia ficado feliz com a mudança de atitude da amiga e com a possibilidade de passar mais uma parte do dia na companhia dela.

Não levou muito tempo para que as duas chegassem ao prédio e subissem de elevador até o apartamento das Chase Marsh, que naquele horário era ocupado apenas por Kate. 

Logo que entraram, Angie foi rápida em anunciar a chegada dela e de Ellie, induzindo a mãe a abandonar temporariamente o que fazia para ir cumprimentá-las.

- Oi, tia Kate! Espero que não tenha problema de eu ter vindo com a Angie sem avisar. - Ellie falou ao se aproximar para abraçar a mulher, que sorriu em resposta.

- Claro que não, Ellie. Na verdade, você deveria aparecer mais vezes. - Kate a tranquilizou com um novo sorriso. - Além do mais, é bom saber que, diferente da Angie, você não perdeu o hábito de fazer cumprimentos significativos.

- Meu deus, mãe!

Angie protestou contra as lamentações de Kate e Ellie viu naquilo a oportunidade ideal para voltar a tirar a amiga do sério.

- Você sabe que eu tento ser uma boa influência pra Angie, tia. Mas, às vezes, é muito difícil. - Ellie provocou em tom de brincadeira, fazendo Kate rir e Angie se aproximar dela, a puxando pelo braço e tomando outro rumo.

- Mãe, a gente vai pro meu quarto, tá?

- Tudo bem. Eu chamo vocês na hora do almoço.

Angie assentiu, continuando o trajeto e Ellie só teve tempo de acenar uma última vez para Kate antes de ser arrastada para dentro do cômodo.

O passo seguinte da garota loira foi sentar na própria cama de pernas cruzadas, enquanto observava Ellie se mover pelo ambiente distraída, observando a decoração do quarto, que era bem mais organizado que o seu. 

- Ellie, não é sua primeira vez no meu quarto. Não tem nada de novo pra você descobrir. Vem logo pra cá.

Com um cubo mágico, selecionado dentre vários objetos, em mãos, Ellie se virou para encarar uma Angie impaciente e se aproximar calmamente, sentando de frente para ela na cama, atendendo ao chamado sem questionar.

- Pronto. Ao seu dispor. Mas, por favor, sem patadas.

- Você tá muito sensível hoje.

- E você muito bruta. - Ellie a acusou, conquistando o efeito desejado de fazê-la revirar os olhos.

Depois, a garota lembrou que ainda não havia avisado Max ou Chloe sobre sua mudança de planos, por isso, sacou o próprio celular e começou a digitar uma mensagem rápida para uma, que depois copiou e colou para a outra, esperando com os olhos fixos no aparelho a aprovação das duas.

- O que foi? - Angie perguntou, se aproximando para espiar o que ela fazia - Dando satisfação do seu paradeiro para sua namorada?

Ellie riu, ainda com os olhos no display, quando finalmente recebeu as respostas e pôde guardar o aparelho para voltar a encarar a amiga e lhe dar uma resposta.

- Isso seria bem estranho, já que não tenho uma. - Ela brincou, evitando esticar demais o assunto - Eu tava avisando às minhas mães que tô aqui. Não precisa ficar com ciúme de novo.

Ellie não perdeu a chance de fazer uma última provocação, antes de mudar de lugar para sentar ao lado de Angie, escorada na parede.

- Mas e aí? O que você planejou pra nossa tarde? - Ela perguntou, enquanto movia as peças do brinquedo, tentando resolver o quebra cabeça. - Acha que dá pra convencer sua mãe a nos deixar sair sozinhas?

- Por que? Você tem algum lugar em mente?

- Não, mas posso arrumar num piscar de olhos, se surgir a possibilidade.

E Angie sabia que Ellie não estava exagerando, afinal já tinha testemunhado diversas vezes a garota transformar um dia comum em uma aventura que, em muitas oportunidades, terminava com as duas de castigo.

- Não sei, mas prefiro nem tentar porque ela pode acabar me mandando terminar as coisas do colégio antes.

- Ah, bem lembrado. - Ellie concordou, já pensando o que mais as duas poderiam fazer - Então a gente pode simplesmente ficar fazendo hora aqui no seu quarto, jogar video game, ver tv ou só jogar conversa fora... - Depois de pensar mais um pouco, ela abriu um sorriso e acrescentou a sugestão final - E se a gente brincasse de verdade e desafio?

- Lis, eu não vou cair na armadilha de te dar a oportunidade de me colocar em situações constrangedoras. - Angie refutou a sugestão no ato, observando a amiga murchar automaticamente ao ouvi-la.

- Você sempre pode escolher verdade, ué!

- Acho que seria ainda pior. - Angie argumentou após uma rápida reflexão - Só deus sabe até onde vai o limite da sua imaginação.

Depois de ter seu plano frustrado, Ellie permaneceu um tempo olhando para o cubo quase completo em suas mãos, enquanto remoía a acusação antes de usá-la como arma contra a garota loira.

- Isso só prova que você está me escondendo seu crush secreto e tem medo que eu descubra.

- Eu não to escondendo nada e, se estivesse, você não teria direito de cobrar, já que também não me conta nada sobre sua “não namorada”. - Angie apontou num tom que misturava sarcasmo e mágoa.

- Isso de novo? - Ellie perguntou após um suspiro, mas Angie não esboçou nenhuma reação à pergunta. - O que você quer saber sobre a Amy? Pode perguntar e eu juro que respondo o mais honestamente possível. 

Angie foi pega de surpresa pela sugestão e deixou isso claro na demora que levou para responder a ela.

- Eu não sei exatamente... ahn... - Ela confessou, enquanto considerava as possibilidades - hum... deixa ver... coisas como: por que começaram a ficar, quando e como aconteceu, o que você sente por ela, se pretende fazer isso mais vezes, enfim... você reclama, mas também não me conta nada.

Ellie suspirou, se ajeitando no lugar e selecionando com cuidado as palavras em sua mente antes de ousar externá-las.

- Ela estuda numa sala vizinha à minha e um dia puxou assunto comigo sobre uma bobagem qualquer quando eu estava andando pelo corredor. Então, conversa vai, conversa vem, ela começou a dar a entender que estava afim de mim e eu acabei correspondendo porque ela é bonita e divertida. Ficamos duas ou três vezes, mas não tem chance de rolar de novo.

- Como não? Ela estava grudada em você quando eu saí da aula. - Angie insistiu, esquecendo de ponderar as palavras ou mesmo disfarçar sua descrença na versão da amiga - Mal dava pra saber quem era uma e quem era outra da distância em que eu tava.

Ellie gargalhou, escolhendo ignorar novamente a reação exagerada e o ciúme evidente de Angie ao prosseguir com a explicação.

- Porque ela morre de ciúmes de você e eu não tolero qualquer mínima tentativa de quem quer que seja de te diminuir na minha presença. - A segunda frase de Ellie foi ainda mais surpreendente para Angie, que assistiu boquiaberta a garota continuar a explanação - Por isso, preferi cortar o mal pela raiz, antes que ela começasse com aquele papo de “ou eu ou ela”.

- Ah... - Foi tudo o que a garota loira conseguiu dizer ao final.

- E não contei antes porque não queria te encher com algo que não vale a pena.

- Por que ela teria ciúmes de mim?

- Bom, deve ser porque é muito óbvio o quanto gosto de você e, mais que isso, o quanto você é importante pra mim. - Ellie comentou com naturalidade, notando o rosto da amiga se pintar de vermelho ao abrir a boca prestes a fazer outra pergunta, que foi silenciada sumariamente por sua nova frase - E não comece com algo do tipo “eu sou mesmo?” porque sou capaz de te dar um soco, se ouvir isso.

Angie não contrariou a amiga. Tudo o que ela conseguiu fazer, após ouvir a ameaça, foi rir de uma forma contagiante, que terminou por fazer Ellie rir junto e as duas ficarem naquilo até sua barrigas doerem e finalmente se controlarem, permitindo que o quarto fosse preenchido apenas com os sons ambientes.

- Você tinha razão. - Angie disse de repente, rompendo o silêncio, enquanto olhava para as próprias mãos.

Ahn? - Ellie perguntou confusa, desencostando da parede e se posicionando de modo a ficar de frente para a amiga. - Eu tinha razão sobre o que? Você realmente tá afim de alguém e não quer me contar?

- Não estou falando dessa conversa, mas sim da que tivemos há quase um ano, quando eu ainda morava em Seattle, mas a gente se visitava de tempo em tempo - Ela explicou, tentando refrescar a memória de Ellie. - Quando você me contou sobre seu primeiro beijo. Já esqueceu?

- Eu lembro de todas as nossas conversas. Obviamente, também lembro dessa. - Ellie assegurou sem pestanejar, mas também sem compreender completamente a amiga - Só não entendi aonde você quer chegar.

Angie não disse mais nada, apenas suspirou, fechou os olhos por um momento e depois os abriu de novo para encarar a expressão completamente perdida de Ellie. 

Com o coração acelerado em compasso com o da amiga, a garota loira esticou uma das mãos, tocou o rosto dela levemente e notou a expressão de Ellie ir de perdida à totalmente perplexa, no instante em que começou a entender o que estava prestes a acontecer.

Ellie observou a aproximação gradual de Angie até o último segundo e foram apenas alguns milésimos entre o momento em que seus olhos se fecharam e o em que sentiu a boca da amiga tocar a sua de uma forma meio desajeitada, um tanto inexperiente, mas definitivamente determinada a prosseguir com a atitude ousada.

Ao superar a surpresa inicial, Ellie correspondeu ao beijo, tomando o controle da ação e tentando conduzir os movimentos dos lábios da amiga, enquanto seus dedos se perdiam entre os cabelos dela.

Depois de mais alguns segundos de um beijo suave e tranquilo, Angie finalmente se afastou exibindo um sorriso e Ellie permaneceu ainda um pouco aérea com os olhos semicerrados e sem foco.

- Não achei ninguém melhor... - Angie finalmente respondeu a dúvida que Ellie mal lembrava de ter depois de todas as ações que se sucederam em um espaço de tempo tão curto.

Sua melhor amiga a tinha beijado e ela havia correspondido. E, não só correspondeu, como sentiu uma vontade enorme de fazer de novo. Um sentimento arrebatador, mas que, para sua própria sorte, conseguiu disfarçar muito bem. Afinal, seria muito difícil explicar uma atitude tão impulsiva, sem revelar a verdade.

Ellie não conseguia pensar em nada naquele momento, muito menos fingir que não tinha notado como aquele beijo tinha sido diferente dos outros. O primeiro a mexer de verdade com seu psicológico, se tornando assim um grande indicativo de perigo.

- E aí? Foi bom?

Como Ellie responderia aquilo, se nem sequer se sentia capaz de enunciar palavras? Com o pensamento flutuando entre o beijo e o que poderia responder, ela continuava olhando para Angie, completamente sem ação e certamente com cara de idiota.

- Eu devo ser muito boa, se consegui te deixar assim.

- Não fique convencida.

Foi tudo o que Ellie conseguiu responder ao se recuperar de seu súbito estado de choque, mas aquilo só serviu para fazer Angie rir de novo.

- Talvez eu devesse te dar outro pra ter uma avaliação mais correta. 

Angie provocou ao se reaproximar perigosamente, deixando Ellie em pânico ao tentar antecipar suas intenções e, consequentemente, respirar aliviada e ligeiramente decepcionada, quando a garota loira mudou seu alvo, da boca para a bochecha, no último instante, voltando a se sentar de frente para ela com um sorriso nos lábios.

- Você sempre fica tímida assim quando alguém te beija?

Antes que Ellie fosse obrigada a confessar que era sim a primeira vez que ficava, não apenas tímida, mas completamente em pânico, ou tentasse inventar qualquer mentira e, até mesmo, negasse a suposição da amiga, fazendo alguma observação sarcástica, foi salva pelo chamado distante de Kate para o almoço. 

- Pelo visto, a resposta vai ter que ser adiada até o próximo beijo. - Angie lamentou ao se levantar da cama e arrastar a versão confusa de Ellie consigo.

- Próximo...?

- É... se você se comportar, talvez ganhe outro.

Enquanto era carregada porta a fora, com o cubo mágico completamente solucionado em mãos, a nova preocupação de Ellie era muito semelhante a de outro quebra cabeça, muito mais complexo e, cuja completude trazia reais consequências para sua vida.

O que ela estava sentindo? O que significava a atitude da amiga? O que Angie queria dizer com “se comportar”? Por que ela tinha se deixado afetar tanto por um simples beijo? E, o mais importante, por que queria tanto repeti-lo?

Mas, por enquanto, tudo aquilo podia e iria esperar, já que ela não se sentia pronta para lidar com as respostas agora. Ela tinha tempo e o usaria a seu favor.


Notas Finais


E aí, curtiram?
Com o Natal chegando, resolvi dar esse presente simbólico pra vocês. Hehe!

Beijos e bom fim de semana!


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