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História Amor Carmesim - Capítulo 1


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Notas do Autor


Meus sinceros agradecimentos a minha família, principalmente a minha irmã, que me encorajou a escrever essa história. De início, fiquei muito tenso e nervoso, por nunca ter escrito nada antes. Confesso, que embora eu não tenha muita experiência, me diverti muito durante o processo de desenvolvimento desse título. Espero que vocês aproveitem ao máximo e que sua experiência na leitura se torne tão imersiva, quanto eu desejo.

Capítulo 1 - Amor Carmesim


Fanfic / Fanfiction Amor Carmesim - Capítulo 1 - Amor Carmesim

Era inverno. Ano de 2013. Foi um ano marcante na minha vida. Ano esse que conheci o primeiro amor da minha vida. Eu era do segundo ano do ensino médio. Estudava de manhã, e minha turma não tinha tantos alunos.

Eu acabava me destacando mais do que os outros fisicamente, por ser mais alto. Contando comigo, eram 20 apenas. Catorze garotas e seis... Moleques. Estávamos longe de sermos homens. Bem, pelo menos eu era capaz de admitir isso. Já os outros caras, se consideravam super adultos. Mal eles sabiam, que só o fato de acharem isso, já os desqualificavam totalmente dessa postura. 


Eu me lembro bem de como as coisas eram sem muita emoção naquela época. Eu assistia às aulas, ia pro intervalo, comia alguma gororoba da cantina, voltava pra minha classe, e tudo se repetia. Exceto pelos finais de semana. Ah... Aqueles incríveis finais de semana. Eu gostava tanto de sair com meu irmão aos sábados. Rolava uma doidera atrás da outra. Me lembro muito bem, de como foi a primeira noite que eu saí com ele e uma galera que andava junto. Isso tudo, foi bem antes de eu me apaixonar é claro. Antes da minha vida ter sofrido uma mudança tão drástica, que definiu completamente a minha felicidade. Enfim.


Quase sete horas da noite. Eu tinha colocado um casaco meio justo, mas esquentava bem. Chegamos no centro da cidade. Era lá que toda loucura começava. Antes de cumprimentar alguém, já foram me oferecendo um copo de bebida. Era de menta, e apesar de bem doce, era forte. Me bateu um baque logo depois do terceiro copo. Eu já estava bem animado aquela hora. Já tinha ficado com uma garota. Muito linda. Curvas sensuais e um perfume inesquecível. Nem me lembro do nome da sujeita. Meu irmão já tinha agarrado pelo menos mais umas cinco garotas. Já era pra lá de meia noite. Eu já estava completamente chapado. Tudo ao meu redor girava, e girava. Fomos até um outro lugar da cidade meio afastado. Todo mundo já estava mal pra cacete e mesmo assim, continuávamos bebendo feito loucos. Vomitei duas vezes. Uma delas foi em cima do meu pé. Uma coisa horrorosa.


Esse lugar da cidade era mais alto. Você subia um morro bem elevado e meio ingrime, feito de terra batida. Mas bem lá no topo, você podia ver toda a cidade. Era uma vista sem igual. As luzes dos carros, das casas e dos prédios se misturavam criando um lindo mosaico de cores dançando. Todas com a sua própria sintonia. 


Uma hora da madrugada. Horário meio impróprio para um pirralho de 16 anos estar na rua. Levei um baita esporro. Minha mãe desesperada e totalmente puta da vida. Prometi que nunca mais ia fazer uma doidera dessas. É... Sabe como são promessas... Ainda mais feitas por um adolescente bobão feito eu. Passou o domingo, sem nada muito interessante pra fazer ou falar. Ressaca. Uma baita ressaca. Muita sede, e gosto de vômito e vodka barata no fundo da garganta. Muito desagradável. Antes que eu percebesse. E vua lá! Segunda feira. Eu cheio de novidades pra contar pra alguns amigos e... Ah, me esqueci. Eu não tinha amigos. Só um caderno de desenho e um celular que eu usava pra escutar música nas horas vagas. Não me entenda mal, não estou reclamando. Eu não era um jovem depressivo, viciado em café e que ficava postando coisas ridículas com frases prontas nas redes sociais. Eu era normal, e ficava muito na minha, só isso. Mas esse dia foi diferente. 


Na hora do intervalo, decidi mudar o lugar, de onde eu sempre ficava. Os caras da turma me chamaram pra ir pro refeitório e conversar, mas eu recusei. Volta e meia, me chamavam, mas eu era meio desinteressado. Fui para a parte da frente do pátio. Bem aonde ficava o portão da escola. Era um pátio grande. E nas extremidades do portão, tinham dois belos vasos de flores, feitos de barro. As flores se destacavam bem, por causa das cores. E dava um certo contraste para o portão pintado com um azul bem claro. Fiquei encarando o portão por um bom tempo, enquanto ouvia algum clássico dos anos 80. Eu mal percebi, quando comecei a desenhar aquele cenário. Eu entrava numa espécie de transe quando parava para desenhar, ou pintar alguma coisa. Ignorava tudo ao me redor. A música acabou. Fim da playlist. Fim do desenho. Vamos voltar e...--


- Que desenho bonito! - Uma voz doce e alegre do nada falou comigo.


- O q... - Eu nem conseguia falar direito. Eu realmente não esperava que alguém fosse aparecer ali. Fiquei completamente sem jeito e agi feito um retardado. 


Uma garota do nada me aparece. Seus cabelos eram longos e ondulados. Seus olhos castanhos, tão escuros quanto o céu a noite. Ela disse que seu nome era Larissa, e eu me apresentei, meio abobalhado. 


- É um prazer, Guilherme, esse é meu amigo Raluca. - Olhei pra trás dela. Um garoto pequeno, sua pele branca como neve. Um cabelo vermelho que cobria seu rosto, mas que deixava evidente algumas sardas nas bochechas, e um jeito meio tímido. 


- O-oi! - Sua voz era fina. Não irritante, mas suave. Ele parecia ter uns doze anos, se tivesse catorze era muito. Ele percebeu que fiquei o encarando por mais tempo. Abaixou a cabeça e corou, com um sorriso tímido. 


Larissa disse que sempre ficava naquela parte da frente do pátio, junto com Raluca, que era seu melhor amigo, desde a quinta série.


- Uau, isso é bastante tempo. - comentei.


- Pois é, ele é meio caladão, mas é um doce, né, Raluquinha?


- Ah, sei lá, haha.. - respondeu ele, ainda meio corado. 


Ficamos jogando conversa fora até mais tarde. Mostrei a eles, os meus desenhos. Larissa na mesma hora me pede pra desenhar ela, e eu digo que vou ver. Raluca começa a se soltar mais comigo, e a me contar mais sobre ele. Larissa me disse que veio de Fortaleza, quando tinha só 8 anos e Raluca veio de São Paulo. 


- Vocês estão bem longe de casa. O que vieram fazer aqui? - perguntei.


- Minha mãe arrumou um trabalho melhor e eu vim junto com ela, quando eu tinha uns 7 anos. - contou Raluca.


- Comigo foi a mesma coisa. - adicionou Larissa. 


- E você? É daqui mesmo? - perguntou Raluca.


- Sou de Vitória. Nasci numa cidade portuária. Bem próximo da praia. Vim pra cá aos 9.


- Nossa, veio todo mundo de um canto diferente!


- Sim, nem parece né, a gente tá no mesmo lugar agora, e na mesma escola, é bem legal, quando se para pra pensar nessas coisas, não acha?


- É verdade e.. - Raluca para por um momento. - Aí! A gente veio pra cá em ordem numérica! 


- É mesmo, Guilherme! Isso é muito da hora, cara!


- Aí... Isso é bem interessante mesmo, sabia? Talvez seja... O destino hein? - brinquei.


- Ha haha! É! O destino! - O sinal tocou de repente. Tomamos um susto, e ficamos rindo um do outro. Fomos conversando até chegarmos em nossas turmas. Trocamos nossos números para conversarmos mais tarde, e nos adicionamos nas redes sociais. 


Os dias se passaram e de repente, eu não era mais o solitário que viajava, desenhando coisas aleatórias. Tudo tão perfeito. E depois desses dias, viramos rotina. Mas de repente. Parecia que tudo ia mudar.


Tarde de quarta feira. Chovia forte. Eu fiquei de ajudar Larissa e Raluca num trabalho de história deles, por isso ficamos até mais tarde no colégio. Raluca morava em um bairro mais distante e era horrível de passar ônibus por lá. Larissa morava no centro, então era mais fácil ela ir embora. E eu morava numa rua depois da escola, então eu não tinha problema com horários.


- Caramba! Essa chuva tá feia hein, galera.. - disse Larissa preocupada.


- Vamos esperar mais um pouco, pra ver se passa. - Tentei tranquilizar eles. Percebi que Raluca começou a tremer e abraçar o próprio corpo. - Ele não pode ir pra sua casa, Larissa? Ele tá tremendo de frio. 


- R-relaxa, eu t-tô de boa... - disse Raluca, batendo os dentes.


- Espera aí, vou ligar pra minha mãe, pra ver. - Ela foi se afastando pra conversar em particular. Eu fiquei do lado do Raluca durante um tempo. Ele ainda trêmulo, mesmo de casaco. Sua pele era mais fina e mais sensível, por isso, era mais suscetível a climas mais intensos. Eu não queria ver ele daquele jeito. Estiquei meu braço por cima do ombro dele e o puxei para perto do meu corpo. Apertei mais ele com meu outro braço. Ele corou na hora. Ficamos com nossos rostos bem próximos um do outro. Encostei a bochecha dele na minha. Senti sua respiração ficar mais rápida. Seu cheiro era tão agradável e seu corpo tão macio. Vagarosamente ele parava de tremer. 


Comecei a acariciar seus cabelos vermelhos. 


Sedosos e suaves. 


Ele encosta a cabeça em meu peito. Era tão confortável. 


Repousei meu rosto em cima de sua cabeça. 


- Seu coração tá batendo rápido. - disse ele, soltando uma risada tímida, enquanto virava o rosto em direção ao meu.


Travei completamente.


- O q..-- - Estávamos tão próximos. Eu sentia sua respiração em cima da minha boca. Meu coração parecia querer explodir. 


Seus lábios tão atraentes. Ele vagarosamente passa a língua por eles. Mal percebi que fiz o mesmo.


Estendi uma de minhas mãos e passei suavemente pelo seu rosto, descendo até seu queixo. 


Lentamente, o puxei para que seus lábios fossem de encontro aos meus.


De repente ouço passos e uns resmungos se aproximando da gente. Instintivamente, nos afastamos um do outro, quando a Larissa chegou como um fantasma puto da vida.


- Tá sem área nessa merda! Essa vivo é uma porra mesmo e.-- - Ela para por um instante e olha pra nós dois, evidentemente desconcertados. - O quê vocês tavam fazendo, hein?


- Só conversando! - respondi de pronto. 


Raluca fica sem graça e vira o rosto. Um silêncio meio constrangedor toma conta do ambiente, até Larissa voltar a falar:


- Olha, então... Eu não consigo falar com minha mãe, porque tá sem área por causa da chuva. Por que você não leva ele pra sua casa até a chuva passar? Melhor do que ficar morrendo de frio aqui com esse temporal, né? - Olhamos pra cara um do outro. Ele apenas concorda com a cabeça. Vermelho igual um pimentão. Era bonitinho, quando ele ficava sem graça.


- Por mim tudo bem. - concordei.


- T- tá bom então..


- Então, tudo certo meninos, eu vou partir, porque eu tô ficando com fome e eu tô com frio também, então tchau pra vocês. - Ela me dá um abraço apertado e aconchegante.


- Cuida bem dele, tá bom? 


- Sim, senhora! - Ela se despede da gente, depois de dar um abraço no Raluca.


Ficamos em silêncio por um tempo, até eu perceber que ele começa a tremer de frio de novo.


- Ei, que tal a gente apertar o passo? - pergunto para quebrar o gelo. Ele anui com a cabeça, em silêncio. Ele parecia meio pra baixo com alguma coisa. 


No caminho até minha casa, Raluca não disse nenhuma palavra sequer. Eu comecei a me sentir meio tenso com essa situação. Eu tentei abraçar ele de novo pra aquecê-lo do frio. O guarda chuva era meio pequeno, e ventava muito. Percebi que ele estava se molhando, mas quando me aproximei, ele se afastou de mim, e virou o rosto. 


Enfim chegamos, e o clima entre a gente não era nada agradável. Será que ele está bravo comigo? Eu também fui um imbecil. Quase beijei ele do nada. É óbvio que ele estaria com raiva de mim. 


"Vou tentar me desculpar pelo que aconteceu mais cedo." Pensei.


- Escuta... - hesitei. - Desculpa por aquela hora... Eu só... Ah, sei lá, eu fui um idiota. Foi mal... Tudo bem se você tiver com raiva de mim. - Silêncio.


- Eu .. Hãã.. Eu vou trocar de roupa e fazer alguma coisa pra comer... Se você quiser... Deixa pra lá. - Eu saí meio frustrado da sala, e fui me trocar. Pensei em pegar umas roupas secas pro Raluca. Mesmo com raiva de mim, eu não podia deixar ele ficar doente. 


Deixei uma camisa minha e uma bermuda para ele vestir do seu lado. E fui até a cozinha preparar um lanche pra gente. 


Fiquei meio pensativo. Seria melhor dar um espaço pra ele. Fui totalmente impulsivo naquela hora. Mas parecia que ele também estava a fim, então acabei avançando. Bem. Ficar me martirizando não ia melhorar a situação. Por hora, pensei apenas em tentar fazer ele comer algo saboroso. Pelo estômago, talvez eu reconquiste ele. 


Fiquei um bom tempo pensando no Raluca. Em como eu queria acariciar seus cabelos vermelhos de novo. Ahh.. Aqueles cabelos vermelhos. Também me lembrei do rubor nas suas bochechas , quando ficava sem jeito.


Senti um abraço por trás de mim, que roubou os meus pensamentos. Que abraço caloroso. Quente. Macio. Carinhoso. Senti sua cabeça repousando nas minhas costas. Ele apertava os braços gentilmente. Segurei suas mãos cruzadas no meu corpo. Tão macias e suaves. Eu poderia me perder naquele momento.


- Não tá com rai --


-Shhh!... - Senti ele se aproximar ainda mais de mim. 


Perdi a noção do tempo enquanto estávamos daquele jeito. Virei para frente dele, e o abracei. Ele se aninhou em meus braços e ficamos mais um tempo assim. Sem uma palavra. Eu entendia tudo o que ele queria me dizer naquele momento. E ele também.


Agora seus olhos estavam vidrados nos meus. Acariciei seu rosto delicadamente. Levemente, fui aproximando meu rosto ao dele. Senti sua respiração novamente. Beijei carinhosamente sua bochecha. Depois a outra. Me aproximando de seus lábios. Até que finalmente os senti contra os meus. Macios, quentes, molhados. Saborosos. Fui ao paraíso com aquele beijo. Me entreguei totalmente ao Raluca naquele momento. Seu beijo tão intenso e delicado, tão suave e leve. Desci para seu pescoço, massageando sua nuca e seus cabelos. E voltava para seus lábios. 


Foi um beijo incrível. Apaixonado. Inesquecível. Durou quase meia hora. Eu passeava minhas mãos pelo seu corpo. Macio e delicado como uma pétala de rosa. Ele suspira devagarinho. E olha para mim, querendo mais. Então eu faço. Suas costas, barriga, e mais embaixo dessa vez. Ele geme tão gostoso. Consigo sentir tudo. 


E foi a partir desse dia que eu tinha certeza de que estava apaixonado. Apaixonado por ele. Que apareceu do nada na minha vida, e virou meu mundo do avesso. Me fazendo sentir coisas que jamais senti. 


Mas eu não sabia, que o que estava por vir, seria muito mais complicado do que parece.





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