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História Amor colateral - Sasunaru Narusasu Itanaru Itasasu Itaara - Capítulo 10


Escrita por: e JennaJenna


Notas do Autor


Ufa, finalmente as partes foram todas! Estou ansioso para lerem, e para saber o que acharam. Então, sem delongas!

Boa leitura!

Capítulo 10 - Horas recontadas (parte 4)


Volto... buscar... bebida... gente. Essas foram as palavras que Sasuke conseguiu captar quando Naruto escoou seu corpo para fora do domínio sufocante dele. Pelo tom sussurrado, ou talvez pela má dicção de Naruto (sob o barulho de beijos molhados e música alta lá embaixo), Sasuke supôs que aquilo fosse uma desculpa — mais uma das famosas desculpas de Naruto, a especialidade da casa —, mas se esforçou para não ligar, porque eles já haviam evoluído bastante no quesito toques, beijos e tal. E, ao que tudo indicava, iriam ainda mais longe naquela noite.

Ainda assim, Sasuke observou frustrado, porém paciente, quando Naruto se ajeitou, já em pé, vestindo sua camiseta novamente (que na verdade era de Sasuke) e batendo no bolso da bermuda antes de sair pela porta. Conferindo se o celular dele ainda estava ali, supôs Sasuke.

— Não demora — disse ele a Naruto, que sequer ouviu.

Ele apressou o passo para fora daquele quarto e, a cada corridinha que tentava dar, esbarrava em alguém pelo corredor; quando não, acabava por quase empurrar alguém da escada, pela qual descia afobado. Chegando na curva que dava para notar a sala, avistou Gaara, ali sentado no braço do sofá, aparentemente alheio às piadas que o time da escola contava entre si, e para quem mais estivesse ao redor dele.

Lá estava Gaara, enfim. Com um copo de caipirinha na mão. E, pela cara dele, aquela não era a primeira.

E Itachi não estava ali ainda, perto de Gaara; então Naruto foi procurá-lo.

Por sorte, ou azar, o achou na cozinha, preparando mais uma bebida. Acreditou ser para Gaara. Não o havia visto tomar um gole sequer desde que chegaram. Por quê? Acaso não estaria curtindo aquela porcaria de festa que ele e Sasuke tanto idealizaram?

— Eu sei o que está tentando fazer — falou Naruto; o tom de voz fechado, porém alto o suficiente para que Itachi o escutasse sob aquele volume de música, festa e jovens. Naruto se aproximou. Mais convidados passavam ao redor deles, se esbarrando. — E estou te avisando pra parar.

Itachi o encarou com curiosidade, quase como um ser exótico. Como uma criança birrenta que diz: “Me dá meu HotWeels agora, anda! Tô mandando!”

Ele nem sabia exatamente do que Naruto estava falando, mas aquele tom… Ah, Itachi tinha pensamentos determinados sobre certos tons…

Você está me avisando?

Largando a mistura de vodka e morango ali perto da pia, Itachi fechou a geladeira com uma cotovelada, e quando Naruto menos percebeu, lá estava ele, segurando-o pelo pescoço, pressionando a base da sua coluna contra a bancada da cozinha, nem se preocupando em ao menos olhar para os lados para conferir se alguém — especialmente Gaara ou Sasuke — estava olhando.

— Moleque — alertou Itachi, quase que numa confissão, quase rindo daquela pose toda dele —, com quem você pensa que está falando?

Naruto precisou se lembrar que agora não poderia ter medo, nem recuar. É, sim, Naruto se lembrou. Forçou-se muito para isso. Mordeu os lábios com força enquanto o suor começava a denunciar seu nervosismo. Fechou os olhos e respirou fundo, embora fosse difícil com Itachi quase o asfixiando ali, se recordando do quanto as mãos dele eram pesadas mesmo.

— Se eu fosse... você... — falou Naruto, tossindo. — Eu não faria isso.

— Que bom que você não sou eu.

Dessa vez, era incrível, a tola pretensão de Naruto fez Itachi rir — chegara a esse ponto! Depois de Gaara, Naruto era definitivamente o segundo a diverti-lo tanto naquela noite, e Itachi até que estava agradecido por isso: aqueles dois o livraram do tédio absoluto de encarar um Sasuke ranzinza e introspectivo no próprio aniversário, bem como de passar toda a noite fazendo hora para aqueles tapados do time, lá na sala. Como que reconhecendo isso, Itachi foi bondoso, soltando Naruto, que respirava melhor agora; e então voltou a preparar a caipifruta de Gaara, pondo os morangos e a vodca no liquidificador.

— Eu não vou te dar uma coça hoje pelo que tentou fazer — falou Itachi com casualidade. — Por tentar furar com a festa do Sasuke, por ter fingido estar doente, por me fazer perder aula e te trazer até em casa e fazer até o seu melhor amigo Gaara ficar preocupado com um cara como você, que obviamente não merece. E eu até te dou a minha palavra de que não vou encostar mais um dedo em você hoje se fizer o Sasuke se divertir lá em cima, como vi que já estava fazendo. Bom garoto. — Sorriu. — Mas, eu vou te dizer uma coisa. Se falar comigo desse jeito que falou agora de novo... — Pegou a garrafa de vodca e a despejou ali, tampando o liquidificador em seguida. A expressão séria. — Juro que se fizer isso sua noite aqui será bem mais longa do que imagina, Naruto.

Itachi apertou um botão e a máquina começou a fazer seu trabalho: massacrando o que tinha pela frente até virar uma pasta espumosa encorpada com vodca, morangos e açúcar. Itachi derramava a pasta no copo quando Naruto caçou o celular no bolso de trás, encontrando-o com uma presteza ensaiada. Como se uma deixa para a sua entrada em cena.

Ele desbloqueou a tela e, com o rabo de olho, Itachi viu ele rolar a tela, e rolar, e rolar... até encarar satisfeito o que procurava.

Naruto certamente estava com medo, mas o engraçado do medo é que chega um ponto que só ele não é suficiente para uma alma aflita. Chega um momento, então, que o medo é substituído pela raiva, pelo ódio. E, ao contrário do que o ditado popular dizia, a vingança não era um prato que se comia frio, e sim uma caipifruta de morango bem gelada.

O celular permaneceu resguardado sob as mãos de Naruto enquanto ele se aproximava.

— Eu não vou voltar para aquele quarto, Itachi.

— Vai. Você vai sim.

— Não. Eu não vou.

— Quer apostar? — Engraçado como tudo o que parecia óbvio para Itachi, aos olhos de Naruto, era velado; para que alguém tivesse a bondade de explicar a ele tudo, sempre. E Itachi já estava começando a perder essa paciência de lhe explicar as coisas. Essa bondade. Tentou uma última vez antes de ceder à vontade de meter a mão naquela cara sonsa dele. — A festa é do Sasuke. E ela só acaba quando ele quiser.

— Sabe — começou Naruto, se permitindo sorrir agora, um riso divertido, ousado, como o que costumava terrivelmente usar em seus vilões (o professor do clube de teatro já o havia repreendido várias vezes por isso). Itachi quis socá-lo e quebrar todos os dentes daquela boca sorridente —, tem um cara, o Flávio Aguiar, que quando foi falar de “Doroteia”, do Nelson Rodrigues, ele comentou algo tipo assim: “No mundo do pesadelo nada há a fazer, a não ser despertar e se dar conta de que o mundo é outra coisa. Mas para isso é necessário empreender na arriscada viagem, sem volta, da liberdade.” Entende?

Aquele merdinha estava mesmo palestrando sobre teatro, crítico de teatro ou QUE CARALHO FOSSE AQUILO para ele???

— Tô dizendo isso porque me faz pensar, sabe. Na vida. Nas relações de poder. Tu não acha, não? — indagou Naruto. 

— Eu não ligo — disse Itachi.

— Eu sei que devo estar — risada, risada, gargalhada — tipo que filosofando pra você. Mas é o que eu acho, entende?

— Eu não ligo — reiterou Itachi.

Por que ele ainda estava rindo? O filho da puta havia perdido a noção do perigo?

A resposta era sim. Ou meio sim, metade sim. Mais ou menos, vai. Hum... tal... vez...? Possivelmente. Era a tal adrenalina no sangue e essas outras coisas que fazem a gente ficar em alerta e reagir a situações de risco, entende... 

Dessa vez, porém, era o dia da caça.

— Bem, só o que estou querendo dizer é que o seu irmão tem um pau bem bonitinho. Sabia? Eu imagino que saiba, sim. Imagino que já tenha visto.

Itachi o encarou cerrando o olhar. Mas de que porra...?

— Aqui, ó; pro caso de você ter esquecido.

Então Naruto ergueu o braço e Itachi pôde ver, na tela do celular dele, um Sasuke com a camisa hasteada até o peitoral, sob a luz penumbrosa do quarto de alguns dias atrás, se masturbando para a câmera, no melhor ângulo possível. Na terceira vez que o gif reprisou em seu loop, Itachi percebeu até que Sasuke mordiscava o lábio inferior, passando a língua em seguida, e ficou encarando aquela imagem por bastante tempo — tempo o bastante para Naruto ficar pensando — antes de perceber que Naruto lhe estava mostrando aquilo em público, com pessoas os circundando. Itachi empurrou Naruto contra a parede próxima, fazendo-o esconder a tela do celular e o seu conteúdo contra o peito. Naruto sorriu.

— Como você conseguiu isso? — Havia um ódio na sua voz, pensou Naruto, que talvez até se assemelhasse ao nível do seu por ele e por Sasuke. Mas achou difícil conceber a ideia, mesmo assim. Seria preciso bastante esforço para isso.

— É que eu fui um bom garoto, sabe — retrucou Naruto, sorrindo. — Seu irmão sabe ser bem sapeca quando quer. Uma ninfetinha.

Itachi agarrou o celular de Naruto, que por sua vez continuou o pressionando contra o peito.

— Nem tente — alertou. — Eu salvei o gif em outro lugar também. Então nem tente.

Itachi bufou, comprimindo os lábios com um ódio selvagem. Lembrou de tudo que já lera sobre como remover manchas de sangue e outros vestígios ocasionais.

— E qual o seu objetivo com isso? — questionou Itachi.

— O meu objetivo? Ah, essa é fácil. Vamos ver. — Passou pela abertura abaixo do braço de Itachi, se esgueirando para fora do seu domínio, em todos os sentidos. — O que eu pretendo é criar uma conta fake como o meu primo meu ensinou. Ele é hackear, sabe. Criar uma conta e postar em todo o lugar que eu puder, para o máximo de contatos da escola que eu conseguir, até o Sasuke não conseguir pisar no gramado do colégio sem sentir que estão rindo dele, que estão julgando. Eu juro por Deus que faço mesmo isso. Eu não aguento mais isso e você não tem ideia, Itachi — confessou com seriedade. Com aqueles olhos azuis reluzindo sob a luz amarelada do ambiente.

— Eu te denuncio — ameaçou Itachi. Naruto riu.

— Boa sorte com isso. Meu primo iria me ajudar. Ele é legal. Talvez eu te apresente um dia.

— Eu te encho de porrada se pensar em fazer isso — tentou outra vez.

Naruto sorriu de novo. Ele já não tinha dito isso antes?

— Uns hematomas pelo assunto do momento por semanas na escola. Quer mesmo fazer Sasuke passar por isso? Considerando que você não quis que ele passasse nem por uma rejeição amorosa. Disso para humilhação pública é um salto e tanto.

— Você não faria isso — blefou Itachi.

Naruto soltou uma risadinha engasgada. Se lembrou convenientemente do que Itachi acabara de dizer há pouco, e lhe respondeu a mesma coisa, as mesmas cínicas palavras:

— Quer apostar?

Pela primeira vez na vida, Itachi apertou os punhos, de forma que as unhas que se atritavam na pele e a irritou, coçando cada vez mais, até as juntas de Itachi doerem, até quase começar a sangrar. E aquilo viraria um hábito.

Ainda assim, conseguiu dizer:

— E o que você quer, afinal?

— Bem — Itachi quis mais do que nunca enfiar aquele “bem” bem no cu dele —, eu quero... deixa ver. Eu quero que você fique sabendo, desde já, que eu não vou deitar na mesma cama que o Sasuke. Nem fodendo. Nem fodendo mesmo. Eu vou deitar na sua cama, lá em cima. — Itachi o fitou. Naruto não conseguiu distinguir se ele estava surpreso, com vontade de rir ou de socá-lo. Decidiu que não importava. — E você pode dormir no sofá, se quiser. Ou que tal no tapete da sala? Enfim. Não me importo.

— Cuidado com quem está mexendo, Naruto. Cuidado — alertou Itachi.

Mas o que Itachi chamava de “cuidado”, Naruto chamava de medo, e medo era algo que ele já havia tido por muito tempo, tempo demais. E não há nada mais perigoso do que alguém com determinação e nenhum medo.

Itachi não tinha mais cartas na manga; tudo o que ele pudesse jurar a Naruto já havia sido jurado; não havia mais o elemento surpresa, então Naruto sabia o que esperar dessa vez. Ele estava na vantagem.

Você, além de tudo, usou meu amigo, meus pais pra mexer comigo. Não vou te perdoar por isso.

— Acho que você já percebeu uma coisa há bastante tempo, mas vou refrescar a tua memória mesmo assim, beleza? — principiou Itachi. — Eu faço qualquer coisa pra proteger o meu irmão, Naruto. Faço qualquer coisa por ele. Então não dificulte tudo, porque eu não estou brincando. Falo sério.

Um muxoxo estalou na boca dele.

— Ah, é? Pois eu também falo sério. — Naruto se aproximou, tentando sorrir sem parecer nervoso. — Você não tem mais nada que possa me afetar minimamente. E é um doente, um psicopata ou sei lá. Mas acho que o pior de tudo é que é um merda. Sabia? Todo confiante de tudo e o tempo todo... Aposto que com essa você não contava, com essa sua prepotência ridícula. Com o Sasuke. Com a idiotice dele. Ah, cara… você tinha que ver ele lá em cima… — Riu, levando a mão à testa. — Ele é outro merdinha também. São mais parecidos do que imaginam.

Itachi pressionou os punhos.

Da sala, um corpo incrivelmente feliz — mais do que o normal, o que é muito difícil por si só — saltitava em direção à cozinha com um copo vazio em mãos. Tanto Naruto quanto Itachi conseguiram perceber aquela presença — gritante — de rabo de olho, identificando-a logo de cara. Aquele era um cabelo ruivo difícil de se confundir.

— E mais uma coisa — acrescentou Naruto. — Fique longe do Gaara. — Itachi sorriu um riso sem dentes, mordaz. — Está avisado. Fique longe dele.

— Ah, é? E por que não diz isso a ele?

Porque, antes mesmo que Naruto o pudesse responder, Gaara já havia se juntado à conversa.

— Você está aí! Te achei! Por que demorou tanto?! Nossa! Você demorou muuuuuiito!

— Você está gritando — comentou Naruto de supetão.

— Não estou nada! É que a música está muito alta!

— Não está, não. É você quem está alto. Deveria parar de beber. Anda, me dá o copo.

— Ah, Naru, vai se foder, vai! — E Naruto o encarou estarrecido. Era como se seu aluno de dois anos de idade da creche tivesse acabado de dizer a ele: ah, ou! mama minha pica aqui, rapidão, mama. Naruto estava pensando seriamente em marcar um reunião com os pais dele, para terem uma conversinha. — Tu tá ficando é chato, Naru! Ficando é chato! Já falei que estou chateado contigo, velho, e tu insistindo! Que saco! Depois, velho! Depois! Itachi, a caipifruta!!! Cadê!

Itachi lançou um olhar que Naruto entendeu logo. Viu só, seu filho da puta; é ele quem não quer estar perto de você.

Naruto ignorou Itachi, ou tentou, para poder encarar Gaara melhor. Com uma nova raiva surgindo dentro de si agora. Gaara deveria ajoelhar e agradecer a Naruto por estar sendo um bom amigo e tentar afastá-lo daquele sociopata! Isso era ultrajante! Não era sempre que Naruto era tão paciente assim, dizendo “Deveria parar de beber”, como uma sugestão, um conselho, e não uma ordem.

Talvez esse tenha sido o problema desde o início: é só você dar um pouco de liberdade pro seu cachorrinho, é só tirar a coleira do pescoço na hora do passeio que ele some pelo bairro até de tarde, até voltar para casa por sentir sede ou fome.

Aquela bicha de cabelo vermelho do caralho. Ela que se foda então.

— Depois? — ironizou Naruto. — Insistindo, certo? Me foder, não é? Beleza. Aproveita aí, então. Aproveita aí.

— Pode deixar, porra! — E isso era no mínimo interessante, pensou Itachi. Um Gaara loquaz nos palavrões, animado, impositivo, extrovertido ao ponto de ser vergonhoso mas, principalmente, sincero, que diz o que sente quando sente. E, se tudo isso era efeito do álcool, Gaara deveria mesmo, pensou Itachi novamente, passar o resto dos seus dias bêbado. 

— Já é — Naruto disse por último, não se permitindo esmorecer perante aquele babaca ingrato; ele tinha conseguido uma enorme vitória hoje, e nem mesmo Gaara estragaria isso. Então foi embora.

Itachi quis segurá-lo ali mesmo. Socá-lo até aqueles olhos azuis dele incharem ao ponto de não se conseguir vê-los mais.

Entretanto, outra ideia ocorreu a Itachi. E ele a guardou com carinho.

— Saco — murmurou Gaara para si mesmo —, acho que fui babaca. É, acho que fui. Não fui?

Em silêncio, Itachi caminhou até ele, sorrindo um pouco, orgulhoso. Ele quase que realmente estava orgulhoso de Gaara.

— Você só precisa de um tempo. Só está tentando se divertir. Toma. — E lhe entregou a bebida de álcool marinado em morangos borbulhantes. Havia até um guarda-chuvinha na borda do copo. — Só está precisando se divertir.

Gaara deu um gole generoso e assentiu, deliciado pelo gosto de fruta batida, que logo adocicava a fervura e a acidez do álcool que corroía sua garganta.

— Tem razão — sentenciou Gaara. Itachi o fitou, tentando esconder o sorriso, encarando as vigas da cozinha. — Mas acho que já estou bem... embebido. — Só mesmo Gaara para falar “embebido” ao se referir à própria embriaguez. — Eu deveria parar. Ainda tenho que ir pra casa hoje — ponderou ele, finalmente libertando uma centelha de razão naquela noite.

— Dorme aqui — sugeriu Itachi.

— Não posso.

— Por quê?

— Meus pais...

— Hum. Tem certeza que não pode? — disse, se aproximando de Gaara.

— Eu... realmente. Meus pais — repetiu Gaara, culpando-se logo em seguida por dizer algo tão idiota.

Itachi abanou a cabeça, confirmando.

— Então se divirta em dobro enquanto pode. Eu te levo mais tarde, okay?

Mais tarde... Okay...

Gaara assentiu, desviando o olhar novamente para as vigas.

Ali, ele percebeu que a casa dos Uchiha, embora bem espaçosa, não tinha muitos cômodos, isto é, muitas divisões, variedade de lugares para ficar chapado, comer alguém, quebrar algumas coisas ou/e se embebedar. Entretanto, até que os convidados estavam compartilhando bem os ambientes, de forma que a aglomeração na cozinha — para encher a cara — ou no banheiro — para dar um tapinha — se tornou apenas mais um incentivo para festejar, algo que deixava o ambiente mais íntimo, juvenil e, portanto, mais perigoso. As pessoas se dividiam entre a sala de estar, o banheiro, a cozinha... uns no quintal, outros na entrada da casa, e mais alguns pelo quarto de hóspedes — que se revezavam entre si, os tais casais que não necessariamente eram só de duas pessoas —, e outros conseguiram até mesmo achar divertido continuar o jogo de verdade ou desafio no sótão. O quarto dos jovens Uchiha estava agora em posse de Sasuke e Naruto. Supostamente. Talvez só na pose de Sasuke agora... E quanto ao quarto dos pais deles, Itachi o havia trancado antes da festa começar, por precaução, claro. Agora, porém, pensou no quanto sua decisão havia sido assertiva Ele buscou a chave no bolso, mostrando-a para Gaara em seguida, que não entendeu.

— Vem — falou Itachi, à frente, tomando-o pela mão —, sei para onde podemos ir.

•     •     •

O quarto dos pais de Itachi e Sasuke era impecavelmente limpo e organizado. E isso não era porque os pais tinham mania de limpeza, não. Eles só não passavam quase tempo algum em casa, então nem tinha muita oportunidade de bagunçar a cama forrada de forma perfeccionista, ou de desgastar aquele cheiro delicioso que perfumava o ambiente, ou amassar as cortinas ou então espalhar os sapatos pelo tapete. E, embora na maior parte dos dias aquele quarto ficava trancado, ainda assim Gaara sentiu aquele cheiro fresco de lavanda e perfume, de quando uma coisa acaba de ter sido limpa mesmo.

Itachi fechava a porta enquanto Gaara vasculhava o olhar pelo ambiente, com medo de acabar esbarrando em algo sem querer. Ele também adorava organização e assepsia — supondo que eles mesmos haviam ajeitado tudo aquilo. Por um momento, Gaara pensou que ele e os pais de Itachi se dariam bem, caso tivessem a chance de se conhecerem. Caso tivessem a chance de se tornarem genro e sogros, qualquer dia desses.

Itachi trancou a porta com dois giros, um click, e se encaminhou para perto de Gaara, tocando-o no braço.

— Vem — disse ele.

E se sentaram juntos na cama, no edredom acolchoado e macio cheirando a essência aromática.

— É uma pena que os seus pais não passem tanto tempo em casa — comentou Gaara —, para aproveitar o lindo quarto, a linda casa que têm. Os lindos... filhos — Gaara deixou escapar, culposamente, e fitou Itachi.

Ao passo que sua cabeça girava, seu corpo estava tão quente e imóvel que Gaara não conseguiria ter um espasmo de gesto nem se quisesse. Aquele lugar, como um templo, impunha a ele um peso, um nervosismo que lutava acirradamente com o despojamento que a bebida lhe oferecia — com ele ali no meio, só presenciando tudo, não tendo mais, aparentemente, o controle do que fazia ou dizia. Esperando, apenas, que Itachi não o expulsasse do quarto, da casa e da festa — e por que não da sua vida, já que estamos cogitando hipóteses — por causa disso.

Engraçado como não se conhece de verdade nem mesmo quem passamos mais de 6h por dia juntos; nem o seu colega de turma.

Muito pelo contrário do que Gaara achava, Itachi parecia estar se divertindo com aquilo tudo, achando excitante, sorrindo para ele. Levou a mão até aqueles cabelos vermelhos como fogo, deixando algumas mechas por detrás da orelha de Gaara. Esse simples gesto realçou a limpidez, a qualidade opaca e luminescente do olhar dele sob a claridade das luzes. Lindo.

— Já eu acho ótimo que meus pais não estejam aqui — principiou Itachi. — Assim temos o quarto pra gente.

— É. 

Idiota. Sem ser tão monossilábico! Ele está flertando com você!

Está?

É claro!

Mesmo??

VOCÊ AINDA NÃO PERCEBEU?

Eu... ah, meu Deus... Ele... está?!

GAARAAAA!

— Vem cá — disse Itachi, pegando-o de supetão. Gaara não entendeu a princípio o que aquelas palavras queriam dizer até Itachi tombar os braços aos lados do corpo. Mostrando a ele que o seu colo estava esperando. Vem cá.

Mesmo envergonhado, de olhos fechados e comprimindo os lábios com aflição, Gaara resvalou seu corpo pela ponta do edredom, e a cama afrouxou um pouco quando ele se levantou; e a cama voltou a afundar quando ele se sentou novamente, agora sobre o quadril de Itachi, no colo dele, que serpenteou os braços ao redor da cintura de Gaara com uma ganância serena, afundando o rosto no pescoço dele, testando selinhos ali.

Gaara encarou a porta por um bom tempo, imaginando que a qualquer momento alguém poderia achá-los. O que tornava tudo mais perigoso, na verdade… e aflitivo, e... excitante. Gaara fechou os olhos, tímido. Como o cheiro de Itachi era bom. Como ele era forte e delicado. Como era quente e rijo e seus beijos, macios e ternos. Gaara sentiu algo se agigantar.. Talvez seu, talvez de Itachi. Tentou pensar em outra coisa, não querendo estragar as coisas por estar muito nervoso, e não queria parecer tão... apressado, demonstrando o que Itachi estava fazendo com ele logo de cara... Mas também não queria sair de onde estava, de como estava, e com quem, por nada nesse mundo.

— No começo, fiquei com receio de me aproximar de você — confessou Gaara, recuando o olhar e escondendo o riso, porque a bebida o deixava incrivelmente risonho.

Gaara? Receoso? Mas por quê? Só porque ele quase o socou daquela vez? Só porque ele aparentemente deixava Naruto com medo? Não, não. Gaara explicou:

— Não sabia se você gostava de garoto. E eu ainda não… sei? — Itachi o encarou, pendendo a cabeça para o lado. — Então, você… gosta?

— Tenho preferência pelos ruivos — disse Itachi, deslizando os dedos pelos cabelos de Gaara: — E você? Gosta de garotos?

— Só dos que gostam de mim.

Itachi aproximou seu rosto, seu cheiro, sua boca à dele, desenhando uma carícia na nuca de Gaara com as mãos e outra com os seus lábios nos dele, quase inteiramente colados enquanto falava:

— Uau. Então hoje é mesmo o meu dia de sorte. — E o beijou.

Itachi começou com um selinho ansioso antes daquilo virar um beijo necessitado, energizado pelo calor candente da luxúria e do desejo. Gaara, ainda que com cautela,  sugou os lábios de Itachi para si como se fossem oxigênio, e Itachi sorriu no beijo — em outra situação, Gaara ficaria tão nervoso que iria congelar, mas ali não; não com Itachi; ele fazia aquele sorriso ser reconfortante, e não um motivo de vergonha. Gaara não sentia vergonha com ele.

Itachi pressionou o corpo de Gaara contra o seu, fazendo com sua virilha se atritar com as nádegas dele, no que seria um verdadeiro rebolado, se Gaara não estivesse tão sem saber o que fazer com as mãos, com o quadril, com Itachi. Mas isso não importava, afinal. Itachi o ergueu com uma facilidade impressionante logo em seguida, deitando-o na cama dos pais — e esse pensamento o excitou mais, de alguma forma —; o seu lindo Gaara, tão seu naquela noite, talvez até mais que só naquela noite, ao passo que Itachi também era dele — achava-se, ao menos. Itachi o atacou no pescoço, sorrindo ao beijá-lo, ao marcá-lo com sua boca, suas digitais e seu cheiro. Sua nova posse.

E o que aconteceu em seguida, para além de quaisquer narrações, só seria desvelado mais tarde, nos melhores sonhos de Gaara e nos piores pesadelos de Naruto.

•     •     •

E Sasuke sairia do quarto assim: convencido.

Convencido de que Naruto não gostava de Itachi, e que tampouco Itachi gostava dele. Sobretudo convencido de que seu namorado gostava dele. E, por Deus, não há melhor sensação nesse mundo do que a certeza de que alguém nos ama, de que somos correspondidos, ainda que de um  jeito docemente ilusório.

Sobre as pupilas de Sasuke, o quarto havia ganhado uma melhor forma agora: ele conseguia ver o teto, os próprios pés na cama, o gibi do Doutor Estranho do Itachi sobre a cama...; isto é, isso queria dizer que ele já estava ali havia um tempo, e esse tempo deu a Sasuke chance de refletir sobre tantas, tantas coisas... Entre elas, que conseguir enxergar melhor as coisas pelo quarto agora era quase como um super-poder, pensava Sasuke: porque quando você fica muito tempo na luz, ou no escuro, seus olhos se adaptam. Essa é a palavra: adaptação. Um verdadeiro super-poder evolutivo. Somente ele para divagar acerca desse assunto com tamanha dedicação.

Preocupado — mas principalmente ansioso para continuar o que começaram —, Sasuke jogou o quadril para o lado, calçou os chinelos e foi à cata de Naruto. Sem camisa mesmo.

Lá embaixo o barulho já não estava tão alto. Havia menos pessoas — elas ainda se dividiam principalmente pelos tais cômodos diminutos —, e as que estavam ocupando a sala (o primeiro ponto de procura de Sasuke) tiveram a delicadeza de abaixar o som e ouvir uma música mais lenta a volume “ambientação”. Essas pessoas estavam conversando agora.

Porém Sasuke só foi encontrar Naruto aos fundos da casa, no quintal. Olhando para as estrelas com plenitude enquanto fumava um baseado com maconha.

— Te achei — disse ele.

Naruto sequer se virou para encará-lo ao dizer:

— Meus parabéns.

— Pelo meu aniversário ou por ter te encontrado? — brincou Sasuke.

Mas Naruto não estava em pique de brincadeiras, ao que parecia. Então tragou mais aquela lufada de ar que, no banheiro, achou insuportável, mas que agora era revigorante e entorpecedora, respondendo-lhe bem assim, em seguida:

— As duas coisas. Tanto faz.

— É que você não tinha me parabenizado hoje ainda... Aí...

— Hum.

— Eu sei que é o meu aniversário, mas me diz que você não está me dando outro bolo, vai — disse Sasuke, sorrindo; tentando mais uma vez. Sem conseguir.

Hum — resmungou Naruto, agora mais impaciente do que antes.

— Não quer voltar comigo? Lá pra cima, sabe. — Sasuke se sentou ao lado dele, então. Ameaçou jogar o braço por sobre os ombros de Naruto, que, por ter um bom reflexo e uma raiva acumulada que o tornava ágil, desviou, jogando o quadril para o lado. Para longe de Sasuke. Mantendo entre eles aquela distância ideal.

— Não.

Sasuke franziu o cenho.

— Por que não? Eu fiz algo... errado?

Naruto riu; nossa, mas ele riu de verdade dessa vez, abanando a cabeça, não acreditando naquela pergunta. Achando-a ridícula, sobretudo.

— Ah, cara — riso, riso, risada mesmo —, já que você quer saber... você, nossa, é péssimo.

De todos os sentidos possíveis, Sasuke entendeu o mais brando deles:

— Por te cobrar um parabéns? — Sasuke lhe sorriu, brincalhão. — Eu tava zoando!

Naruto, observando-o, percebeu que não era que Sasuke parecia um idiota, um ingênuo. Ele realmente era tudo isso, não estava dissimulando, não. E isso só deixou Naruto com mais raiva dele, incluindo aí uma certa pena. As defesas mentais de Sasuke deviam ser bem poderosas para emplastrá-lo de qualquer coisa que o pudesse machucar... E Naruto por um momento quis ver até onde elas eram fortes, o quanto aguentavam antes de ele surtar e cair no choro. Até porque, desde o começo Naruto pensara que Itachi era o seu emplastro, sua proteção. Mas parecia que Sasuke tinha mais que condições de se alienar sozinho. Aquele merdinha.

Era por causa daquela alienação dele que Naruto estava onde estava, como estava. Alienação consigo mesmo e para com Itachi: o pior cego é aquele que não quer ver. Tudo isso, no fim das contas, ao ver de Naruto, convergia para um principal culpado, aquela situação toda: Sasuke. A verdade era essa.

Mas, dessa vez, chega. Chega de decidir achar que está tudo bem. Porque o absurdo se achega à realidade assim, por sob os panos, acariciando o abuso e circundando os limites. Decidiu achar que estava tudo bem um ca-ra-lho! Uma porra! E Naruto, agora sim, decidiu achar isso.

— Eu não estava falando disso e você sabe. Não seja idiota, embora seja ótimo nisso. Eu falo por tudo — inferiu Naruto. — Péssimo. Em tudo.

— Eu não sei o que...

O que foi dito daí em diante poderia ser resumido em: Naruto afirmando que Sasuke fedia à maisena, a cuspe, a leite azedo; dizendo que, ao beijá-lo, conseguia até sentir o gosto de leite que a mãe dele lhe oferecia quando criança; que a voz de Sasuke era tão irritante quanto um corvo morrendo — Naruto rindo nessa parte —; que as mãos de Sasuke pareciam sempre estar sujas, sempre grudentas, sempre sujas das vezes que ele teve que se tocar, sozinho, porque ninguém em sã consciência faria isso por ele, se prestaria àquela humilhação, àquele favor que Naruto havia feito nesses últimos dias; e que Sasuke não sabia nem tocar no próprio pau, quanto mais ter um namorado para isso; quanto mais tocar no dele; e que Naruto tinha nojo de Sasuke. Desse jeito mesmo. Nojo.

— Mas você... você disse que...

— Pois é. Eu menti. Surpresa. — Naruto sorriu.

E sabe por quê?

Porque você me dá pena.

E o que aconteceu daí em diante poderia ser resumido em: Sasuke levantando, perguntando por que Naruto estava dizendo aquelas coisas todas a ele; Naruto rindo, dando uma tragada feliz no beck que um dos garotos do banheiro lhe havia oferecido mais cedo, respondendo que a pior coisa que ele fez na vida foi ter vindo àquela maldita festa; e Sasuke lacrimejando, mas tendo um pouco de orgulho ainda, mas bem pouco mesmo, só o bastante para não autorizá-lo chorar ali e agora, na frente do seu... namorado? — Naruto rindo, achando Sasuke um lixo, um merdinha, cuspindo lufadas de maconha queimada com cheiro de esterco na cara dele por isso. Sasuke indo embora, se sentindo um merda de verdade agora, ignorando todas as demais pessoas por quem ele passava, que queriam parabenizá-lo e se despedir, enquanto subia as escadas correndo. Sasuke os ignorando mesmo, teve raiva de todos eles sem qualquer motivação aparente, dando-lhes cotoveladas cegas pelo caminho. Indo chorar sobre o som dos próprios soluços na própria cama.

•     •     •

Itachi levou Gaara até em casa naquela noite. Se despediu dele com um beijo, pondo-o entre o seu corpo e as portas do carro com um sorriso enquanto o acariciava com incrível intimidade, ali na rua mesmo, com Gaara fervendo de vergonha, se escoando para além dos seus braços logo após, afugentando-se dele para o bem da sua sanidade, adentrando em casa em seguida, não se permitindo olhar para trás. Porém com um sorriso no rosto, um sorriso largo que exibia o quanto Gaara estava adorando a sensação aquecedora de ser cortejado por alguém. Ele estava tão bêbado...

Ao voltar para casa, Itachi encontrou uma sala quase totalmente vazia e um quintal bem mais sujo do que havia imaginado — as pessoas tinham ido embora, mas não sua sujeira. Já no quarto, encontrou Sasuke deitado na cama, encarando o teto.

E encontrou Naruto também. Deitado na sua cama, dormindo feito um anjo, o filho da puta.

Depois de meias palavras quaisquer, Itachi se calou perante Sasuke, percebendo que Naruto já havia começado o seu joguinho de tortura. Sentiu um aperto no coração ao ver Sasuke naquele estado. Talvez fosse a penumbra ou o cansaço, mas poderia jurar que viu uma lágrima escorrendo pelo rosto dele.

Antes de ir deitar, Itachi viu o celular de Sasuke carregando em cima da mesinha, perto do armário, e o desconectou do carregador. Começou a dar uma olhada, como que desinteressado, desbloqueando o aparelho com facilidade com a senha que sabia de cor, como o próprio nome. Sasuke, ali próximo, vegetando enquanto tentava pegar no sono, estava aéreo demais para perceber que ele estava mexendo, quanto mais se importar com isso.

Itachi rolou pelas páginas, pelo chat dele com Naruto até achar o que procurava. E lá estava, afinal. Sasuke se tocando, mordiscando os próprios lábios enquanto seu peitoral e abdômen subiam e desciam ansiosos numa respiração abafada de prazer. Ocupando a maior parte da tela, estavam os dedos de Sasuke, a palma inteira agarrando o pau, acompanhando o ritmo das subidas e descidas da respiração para se masturbar, deslumbrantemente lindo e erótico, porém casto, apesar do gesto — uma qualidade paradoxal que só mesmo a Sasuke se reservava com maestria.

Itachi encaminhou o gif para o próprio chat e apagou os vestígios do envio. Desligando a tela do celular em seguida.

Naquela noite, como Naruto havia dito… como havia mandado... Itachi forrou lençóis e edredons no chão do quarto e dormiu ali mesmo. Quem diria. Aos pés de Naruto, basicamente.

•     •     •

No dia seguinte, Itachi foi o primeiro a despertar. Sasuke ainda permaneceria por mais 3h — estava exausto. E quando acordou, Naruto sequer tomou café da manhã. Itachi não deixou. Teve apenas a chance de lavar o rosto enquanto Itachi, lá embaixo, comia frutas e bebia iogurte. Eles não trocaram uma palavra sequer enquanto Naruto se arrumou, nem durante todo o trajeto de carro, quando Itachi o levou até em casa, e tampouco quando Naruto abriu a porta e saiu, saltitando até em casa, mesmo com sono.

Lá dentro, quando Minato perguntou porque Itachi não passou para falar com eles, Naruto sorriu; deu uma desculpa de que ele precisava arrumar tudo antes dos pais chegarem em casa, mas que veio trazê-lo em casa como prometera a eles ontem. Minato disse que ele era um bom garoto mesmo. Kushina consentiu. E Naruto também, rindo ao buscar seu cereal.

•     •     •

Naquela mesma manhã, ao arrumar parte da bagunça que virara a sua casa, Sasuke encontrou o que restava da caixa de Ferrero Rocher que guardara no seu esconderijo, e pôde jurar que o gosto não era o mesmo, imaginando se seria possível que os bombons tivessem estragado naquele meio-tempo, do dia para noite. Ou melhor, da noite para o dia. Tipo o bom humor de Naruto mesmo. Tipo os sentimentos dele, talvez.

De qualquer forma, os bombons não só pareciam não estar tão saborosos quanto ontem; eles pareciam murchos, na verdade; ou então vencidos. Isso, se não estivessem envenenados. De mágoa.


Notas Finais


Muito obrigado, você que leu essa fanfic até aqui, e que pretende terminar de lê-la. Sei que às vezes isso não ser muito fácil..

A partir daqui, calculo mais 2 ou 3 capítulos até acabar a fanfic, e eu tentarei atualizar o quanto antes conseguir. (E não é querendo influenciar, não — ou talvez sim, por que não —, mas esses caps que encerrarão são justamente o top 5 dos meus favoritos — porque, nesses, como dizem, a "giripoca vai piar"; então espero saber se viraram o seu também...)

E eu preciso falar toda vez porque, como sabem, isso é bem importante: quiserem comentar, por favor, deixe aí, que eu COM CERTEZA leio e me esforçarei para responder da melhor forma que eu conseguir. Qualquer coisa: teorias, interjeições, textinhos, textões, não tem caô não. Será bem legal :)

Obrigado, obrigado por ainda estar aqui, por gostar e tudo mais. Fiquem bem e até mais!


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